quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A propósito dos anúncios

Eu entendo que seja um pensamento ‘circular’ : por um lado os comerciantes precisam de vender e a época do Natal é óptima para isso, por outro lado a maioria dos possíveis compradores estão mesmo «descapitalizados» e tentam comprar o menos possível.
E todos os anos se repete o mesmo esquema – os anúncios desta época são completamente orientados para a publicidade de coisas ‘supérfluas’ que não se compram todos os dias mas para o Natal…. enfim…
Por exemplo, nunca vi a tv tão perfumada como nestes últimos tempos. Anúncio sim, anúncio não, apreciamos a beleza de uma marca de perfume seja para mulher seja para homem.Compreende-se. É uma coisa cara mas simpática para oferecer. Concorrendo com os perfumes vêm os telemóveis. Para todos os gostos e preços. E os jogos de vídeo.
Mas o certo é que já não se pode! Mesmo tirando o som (a defesa mais simples que costumo fazer) as imagens impõem-se e sei que, para muita gente, há alguma frustração por ir desapontar os filhos que naturalmente só ficam fascinados pela oferta sem contrabalançarem com os custos.
Há um anúncio de telemóvel, contudo, que me deixa espantada por ser o sumo do mau gosto. É obviamente dirigido a uma faixa etária juvenil e diz o seguinte «se este Natal, a tua rica tia, te oferecer uma prenda de que não gostes manda-a a um certo sítio…» e há uma pausa com um subentendido mal-educado «à loja X onde há telemóveis magníficos» 
De uma penada conseguem ridicularizar quem oferece uma prenda que não seja do agrado do ofertante, sugere uma resposta indelicada, e apresenta sugestões mirabolantes como um telemóvel por cerca de 500 €. A verdade é que a tia que ofereça ao sobrinho uma prenda de valor superior ao SMN, se calhar vive num tal nível económico que nem faz as suas compras em Portugal – vai a Londres, a Roma, a Paris… 
Mas o grave é que para alguns jovens esse desejo é plausível e se tiverem uma prenda de um vigésimo desse preço, ficam profundamente desapontados.
Creio que há um provedor do consumidor e este é um caso a que devia estar atento.




terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Diálogo

Enviaram-me este FW, é comprido mas tem tanta graça que gostaria de o partilhar convosco:

Contribuinte - Gostava de comprar um carro.
Estado - Muito bem. Faça o favor de escolher.
Contribuinte - Já escolhi. Tenho que pagar alguma coisa?
Estado - Sim. Imposto sobre Automóveis (ISV) e Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA)
Contribuinte - Ah... Só isso.
Estado - ... e uma "coisinha" para o pôr a circular. O selo.
Contribuinte - Ah!..
Estado - ... e mais uma coisinha na gasolina necessária para que o carro efectivamente circule. O ISP.
Contribuinte - Mas... sem gasolina eu não circulo.
Estado - Eu sei.
Contribuinte - ... Mas eu já pago para circular...
Estado - Claro!..
Contribuinte - Então... vai cobrar-me pelo valor da gasolina?
Estado - Também. Mas isso é o IVA. O ISP é outra coisa diferente.
Contribuinte - Diferente?!
Estado - Muito. O ISP é porque a gasolina existe.
Contribuinte - ... Porque existe?!
Estado - Há muitos milhões de anos os dinossauros e o carvão fizeram petróleo. E você paga.
Contribuinte - ... Só isso?
Estado - Só. Mas não julgue que pode deixar o carro assim como quer.
Contribuinte - Como assim?!
Estado - Tem que pagar para o estacionar.
Contribuinte - ... Para o estacionar?
Estado - Exacto.
Contribuinte - Portanto, pago para andar e pago para estar parado?
Estado - Não. Se quiser mesmo andar com o carro precisa de pagar seguro.
Contribuinte - Então pago para circular, pago para conseguir circular e pago por estar parado.
Estado - Sim. Nós não estamos aqui para enganar ninguém. O carro é novo?
Contribuinte - Novo?
Estado - É que se não for novo tem que pagar para vermos se ele está em condições de andar por aí.
Contribuinte - Pago para você ver se pode cobrar?
Estado - Claro. Acha que isso é de borla? Só há mais uma coisinha...
Contribuinte - ...Mais uma coisinha?
Estado - Para circular em auto-estradas
Contribuinte - Mas... mas eu já pago imposto de circulação.
Estado - Pois. Mas esta é uma circulação diferente.
Contribuinte - ... Diferente?
Estado - Sim. Muito diferente. É só para quem quiser.
Contribuinte - Só mais isso?
Estado - Sim. Só mais isso.
Contribuinte - E acabou?
Estado - Sim. Depois de pagar os 25 euros, acabou.
Contribuinte - Quais 25 euros?!
Estado - Os 25 euros que custa pagar para andar nas auto-estradas.
Contribuinte - Mas não disse que as auto-estradas eram só para quem quisesse?
Estado - Sim. Mas todos pagam os 25 euros.
Contribuinte - Quais 25 euros?
Estado - Os 25 euros é quanto custa o chip.
Contribuinte - ... Custa o quê?
Estado - Pagar o chip. Para poder pagar.
Contribuinte - Não perc...
Estado - Sim. Pagar custa 25 euros.
Contribuinte - Pagar custa 25 euros?
Estado - Sim. Paga 25 euros para pagar..
Contribuinte - Mas eu não vou circular nas auto-estradas.
Estado - Imagine que um dia quer...tem que pagar.
Contribuinte - Tenho que pagar para pagar porque um dia posso querer?
Estado - Exactamente. Você paga para pagar o que um dia pode querer.
Contribuinte - E se eu não quiser?
Estado - Paga multa.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sinto-me como o tempo…

Só hoje me dei conta de que passou uma semana inteira sem eu passar aqui pelo blog.
Fiquei chocada, reconheço.
Nem 8 nem 80. Houve tempos, noutro blog, é claro, onde não apenas eu me sentia sempre cheia de assuntos para escrever todos os dias - e antes dessa época até escrevia vários posts por dia…- como depois de publicado, quase de hora a hora voltava cá para confirmar se tinha tido visitas ou comentários. E era como uma bola de neve, quanto mais escrevia mais comentários tinha, e havia dias onde até parecia que estava num chat, porque os ‘comentadores’ entravam em diálogo uns com os outros e era bem divertido.
Mas não há dúvida que o tempo nos modifica. A minha energia precisa de ser recarregada, porque vai demasiadas vezes abaixo. E a época de Natal de que eu sempre gostei diferentemente de muitísima gente que conheço que suspira por se ver já em Janeiro do ano que vem com as Festas acabadas, este ano ando a vivê-la com muito menos entusiasmo.
Quero acreditar que seja do tempo, ou seja, do clima que estamos a viver. Frio, chuva, nevoeiro, mais frio, tempo escuro, para um nórdico pode ser engraçado porque habitual, mas quem vive num clima como o nosso, sente que este tempo nos deprime. E, claro que ao falar do «clima» está subentendido que o clima de lástima económica também ‘ajuda’ muito a este desconfortável mau estar.
OK. Esta é a semana do Natal.
Vou fazer um esforço, tentar pôr o coração ao alto, escrever um pouco mais no Cerejas e encontrar uns restos de bom humor porque apesar de tudo … eu gosto (?) do Natal.



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ai a tecnologia....

Dizem (e eu acredito) que Portugal é dos países da Europa mais avançados em Caixas Multibanco, ou ATM como se diz noutros países. Parece ser porque começámos mais tarde, não digo que não, mas o certo é que não apenas nós temos uma em cada esquina, ou quase, como através do multibanco se pode fazer variadíssimas coisas que nas «outras» ATMs no estrangeiro não se pode fazer. É uma coisa boa, e desde que não nos ponham a pagar sempre que a quisermos utilizar, e um progresso português a aplaudir.
Depois das Caixas Multibanco ligadas a agências bancárias (creio que as primeiras surgiram assim) passou-se a utilizar o cartão respectivo para o pagamento de compras em lojas, e a seguir surgiram uns terminais que eram portáteis, traziam-nos à mesa onde tínhamos jantado na hora de pagar a conta... Muito prático e até engraçado ver o choque tecnológico de por exemplo numa feira, alguns feirantes terem na sua bancada um terminal desses.
Depois já tem menos graça quando é a polícia que os usa. Ainda há uns tempos deixei um carro mal estacionado, e quando cheguei ao pé dele tinha lá uma carrinha da polícia a multar-me tendo cobrado na hora – através desse tipo de terminal portátil!
Mas desta vez fiquei ainda mais surpreendida. Tendo ido passar estes ‘dias de ponte’ a uma casa que tenho numa aldeiazinha, meio isolada e onde nem lá chegam transportes públicos – ou se vai de carro ou a pé – bateu-me à porta o cobrador dos bombeiros da região, dos quais sou sócia. É um tanto irritante porque estes cobradores fazem a cobrança apenas uma vez por ano, sendo por isso uma quantia bastante grande que se tem de pagar de uma só vez...
Desta vez, não tinha dinheiro que chegasse e imaginei que me safava dizendo que passaria lá para a semana, sempre eram 8 dias para acertar as minhas contas. Mas o senhor bombeiro, muito sorridente, diz-me «Não precisa! Pode pagar aqui por multibanco!» e exibe um desses terminais! E mainada! Impossível escapar!


Pé-de-cereja

sábado, 11 de dezembro de 2010

Estudos

Foi muito falado na semana passada, a «subida de posição» (não sei se se lhe pode chamar assim….) dos nossos jovens estudantes num ranking geral de muitos países. Esses números que, como frisou o primeiro-ministro foram recolhidos por organismos internacionais e, portanto, isentos de favoritismo, afirmavam que os estudantes portugueses tinham melhorado nos seus conhecimentos desde a última vez em que foram avaliados.
Foi motivo de satisfação. Digo eu, que também fiquei satisfeita, é claro. Se houve melhoria, ainda bem e pelo que ouvi tentou-se analisar quais os factores que ajudaram a melhorar e isso também é útil para continuar a usar esses factores e evitar aquilo que impedia o progresso. Se se conseguir aprender com os erros, é uma vitória.
Mas esta questão dos programas, do ensino, das técnicas de ensino, toca na minha tecla nostálgica.
Tanto quanto me lembro e lembro-me desde a minha mais antiga infância que, periodicamente, se fazem remodelações nos programas. É assunto que tenho bem presente porque os meus pais eram professores e ouvia fortes discussões entre eles e os seus amigos, nessas ocasiões, mesmo quando eu ainda não entendia de que se tratava. E é muito engraçado, porque há quase sempre dois grupos, um ‘tradicionalista’ que afirma logo que dantes-era-melhor, e outro ‘progressista’ que também sem grandes análises considera logo que, se mudou é para melhor!
Ainda me lembro (imagine-se!) da crítica de se ter tirado o latim do currículo do liceu, porque sem se saber latim, nunca se ia saber bem o português! Eu já escapei a isso ... 
Mas quando me iniciei nestas coisas da escola e liceu, havia umas disciplinas mais «nobres» e outras cuja nota obtida era quase secundário. Português, matemática, ciências, eram 'a sério'; depois havia ginástica, desenho, canto coral a que se ligava bem menos importância.
Nada a ver com os critérios do ensino actual!
Mas uma coisa se foi aprendendo ao longo dos tempos, e isso foi a importância da motivação. Podemos estar em desacordo em quase tudo, mas há posições que são, podemos pensar, unânimes - um bom professor é o trunfo certo para se gostar da matéria (quem não recorda um ou outro professor que foi fundamental para o nosso gosto por determinadas disciplinas?...) e a motivação ou interesse, é a pedra filosofal para criar um bom estudante.
Claro, depois vêm os programas, é certo.
Mas a motivaçãozinha, essa é essencial.



Pé-de-cereja

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Concerto

Ontem fui ao cinema.
O filme em questão não estaria entre as minhas prioridades se me baseasse apenas na opinião da crítica nacional e até mesmo na propaganda  publicidade. Num dos anúncios chamavam-lhe «comédia/música» (?) e, apesar de apreciar comédias musicais, não tenho andado para aí virada.
Mas uma amiga, que já o tinha visto no estrangeiro, garantiu-me-me que eu iria gostar e fui por ela.
Chamava-se O Concerto.
É um filme fabulosos! A história pode resumir-se: há 30 anos na era Brejnev, o maior Maestro daquele país teve um concerto interrompido, (Concerto para Violino de Ré Maior de Tchaikovsky) a batuta partida, e os seus músicos despedidos por insistir em manter músicos judeus. Muito tempo passou, esses músicos ganhavam a vida em trabalhos desqualificados e o próprio Maestro, trabalhava no Teatro Bolshoi como encarregado de limpezas, nem lhe sendo permitido escutar os ensaios da actual orquestra – bem pior do que «a sua».
Por um acaso, enquanto limpava o gabinete do director do teatro, chega um fax que ele lê, convidando a orquestra a actuar em França. Com grande ousadia, ele apodera-se do fax, responde aceitando, mas a orquestra que vai a Paris é a sua ‘velha orquestra’ reconstituída…
É impossível? Deve ser impossível. Mas pode imaginar-se. E o que daí se desenrola, é extraordinário como amostra da Rússia actual, com um ritmo de acontecimentos impressionante, e o concerto interrompido há 30 anos tendo apenas como diferença uma solista muito especial, realiza-se no Palácio do Chatelet numa apoteose magnífica.
É um filme comovente, com momentos de pura comédia de facto, mas que nos chama a atenção para um pedaço de História que ainda é dos nossos dias.
Se tiverem ocasião, não o percam!





Pé de Cereja

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Coitadito....

Estas coisas dos rankings, das listas, das competições/comparações são sempre tramadas. Porque acaba por deixar muita gente mal disposta (a que foi mal classificada, tá visto!)
Seja os mais bem vestidos, seja os mais ricos, sejam os mais inteligentes.
Sabemos o que tem sido contestado o famoso ranking das escolas, em Portugal, evocando que há factores importantes que não estão a ser levados em conta.
Mas às vezes há listas que tem a sua piada
O nosso ministro Teixeira dos Santos, que como as pilhas duracell tem durado, durado, durado, foi classificado o décimo sexto melhor da Europa em 2010
Enfim.... 16º... não é assim muito mau... ou será?
A verdade é que o universo total era de dezanove ministros, ou seja, ainda parece haver uns 3 piores do que ele!!!
Contudo é o quarto a contar debaixo.
Ups!!!
Shiu...!


Pé de Cereja

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Comprar dívidas…?!

Como é que se compra ou se vende uma dívida?
Ultimamente tenho ouvido muito falar em «compra de dívidas». Claro que isso tem de fazer sentido, mas… Num microcosmos como é o meu e a minha família e as nossas finanças, sei bem que quando se fazem dívidas, não as ‘vendemos’, pagamo-las! 
É verdade que quem dá aconselhamento às pessoas muito endividadas, costuma dizer que vale mais juntar tudo o que se deve, pedir uma quantia que cubra essas verbas todas e depois fica-se só a dever a uma só pessoa – normalmente um Banco. Mas não nos soa bem dizer «Olhem, vendi as minhas dívidas todas ao Banco, ufff, fiquei muito mais à vontade, já estão vendidas!»
Se faz sorrir é porque a noção de ‘venda’, seja do que for, implica um retorno. Se vendo um objecto, recebo ou dinheiro ou troco por algo de valor correspondente. Mas … uma dívida? O que recebo se a vender?
Contudo, quando o nível económico é outro, quando já são dívidas de países, tudo parece normal. Apesar de me continuar a fazer confusão.
Mas então?... A China que era ainda há poucas dezenas de anos o patinho feio, já chegou a cisne? E então Timor ainda mais me espanta, uma terra que foi tão ajudada por Portugal, que parece continuar tão pobre, já «compra dívidas»?
É o mal de não entender nada de economia e sério, e só perceber esta mais caseira, e essa continua a chamar-me a atenção para que se estou a ganhar menos e os produtos estão mais caros, o meu nível de vida anda a piorar a grande velocidade.
Só que eu tenho tentado começar por não fazer dívidas. 
É que se depois ninguém mas quer comprar?



Pé de Cereja

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

As buzinas e a condução educação

Várias vezes tenho pensado que se o buzinar saísse caro (como se ao fim de umas tantas buzinadelas se tivesse de comprar uma bateria nova, ou se gastasse meio litro de combustível ao carregar-se na buzina) as nossas ruas e estradas seriam muito mais serenas.
Vim passar estes dias de graaande ponte, a uma segunda casita que tenho nos arredores de Lisboa, e até saí de casa cedo para um feriado – aí umas nove e meia… Primeiro entrei no túnel que liga o Areeiro ao Campo pequeno, quase sem carros como é natural, e indo eu calmamente na via da direita à velocidade aconselhada para túneis e de faróis ligados como manda a lei, apanho com uma enorme buzinadela, (que ainda por cima faz eco quando é num túnel!) que quase me fez perder o controlo do carro. Devia ser alguém que ia com pressa e queria que todos soubessem disso.
Depois, logo antes de chegar ao viaduto Duarte Pacheco, o trânsito engarrafou. Ia tudo numa fila indiana e devagarinho. Era fácil de calcular que algo tinha sucedido – ou obras ou acidente. Era chato, mas lá se teria de seguir a passo de caracol. Mas, sempre com uns tipos animados a pensar que se buzinassem a coisa acelerava! Era de facto um grande acidente, e a polícia estava tão ocupada que nem pensou em chamar à ordem esses ‘protestadores sonoros’.
Um pouco mais adiante, dei mais um pulo no assento (o que vale é o cinto de segurança) porque um condutor que ia passar pelo carro que ia à minha frente, atira com uma buzinadela tipo camião que me deixou quase sem ouvir.
A questão é que os carros têm buzina para avisar. Se passamos uma curva sem visibilidade é lógico que se buzine para prevenir quem vem no outro sentido, se um peão se prepara para atravessar num sítio perigoso, faz sentido que se buzine, se precisamos de ultrapassar podemos dar um toque de buzina para prevenir quem vai à frente de que pedimos passagem.
Ou seja, é um sinal que é um aviso, ou um pedido. NUNCA devia ser usado como protesto. Contudo, se tivermos a paciência de fazer uma amostragem, tenho a certeza de que na sua esmagadora maioria os buzinadores histéricos o fazem para descarregar a sua irritação.
Tá mal!
..
Mesmo mal.
O meu coração que o diga,  apanho cada susto que às vezes me parece que ele vai saltar pela boca.
Como se educa esta gente?.


 



Pé de Cereja

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Wikileaks

http://www.wikileaks.org/
Tenho escrito pouco por aqui, como decerto (espera a minha vaidade...) notaram. A verdade é que esta coisa do blog tem muito de semelhante à vida real. Quando estamos todos os dias em comum com um  amigo, temos sempre muitíssimo para lhe contar – dos acidentes domésticos mais banais, a importantes reflexões sobre o estado da nação. Se são amigos que só encontramos de longe em longe... não há quase assunto de conversa. Na sexta-feira passada estive no lançamento de um livro de um velho amigo, e encontrei 3 ou 4 amigas que se espantaram «olha 'esta'!» «por onde tens andado?!» e a verdade é que não nos encontrávamos há mais de um ano e o único tema possível de conversa foi... a saúde! Incrível!
Bem, voltando ao blog, houve uma época, noutro blog, onde eu escrevia todos os dias, e a verdade é que tinha sempre assunto. Muito frequentemente, perante uma coisa engraçada apesar de banal, pensava, «isto dava um post!» e... dava mesmo! Onde apanhava mais comentários era frequentemente quando contava histórias banalíssimas.
Ultimamente, para além de ter o tempo dividido de outra maneira, venho cá menos vezes e encontro-me na situação da conversa com as minhas amigas de sexta-feira. Só penso em escrever  sobre coisas ‘importantes’, e .... fica tudo em branco.
Mas tenho-me ocupado com a leitura de um site (?) chamado Wikileaks, interessantíssimo. Vem lá todas as notícias sobre coisas que gostaríamos de perguntar mas não sabemos a quem nem como. Provocador? Talvez. Mas é uma janela aberta num quanto cheio de mofo. Daqui para a frente não estranhem que me refira a várias notícias divulgadas por eles.


Pé de Cereja

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Dah?

Antigamente (muito antigamente!) era bonito escolherem-se nomes de lojas, empresas, cinemas, hotéis, com um toque «nobre». Ainda encontramos A Princesa das Avenidas ou Café Palácio, lojas como O Rei das Meias ou A Rainha das Fardas, ou então O Paraíso, Éden, etc. Veio depois a onda oposta, e apareceram nomes ‘miserabilistas’ : o Caixote, a Canastra, o Ferro-Velho, e ainda se encontram muitos letreiros com nomes que são o contrário daquilo que lá se encontra – Boutique Trapo, Farrapos, por exemplo. O terceiro, e creio que actual, movimento são nomes ‘engraçados’ que fazem trocadilhos. Começou talvez com o «5 à sec», mas encontramo-los por todo o lado. Trocadilhos – Bar Kalssas, Mini mercado Katekero – muitos com termos ingleses à mistura, ou mesmo só portugueses desde que tenham um duplo sentido. Encontramos por todo o lado.
São modas.
Daqui a uns tempos deve aparecer outra.
Mas isto veio-me à ideia, porque só agora reparei (e afinal é um local por onde passo todos os dias ou quase) que um hotel já com muitos anos que se chamava, adequadamente Hotel Afonso Henriques porque se situava no alto da alameda com o mesmo nome, agora se chama DAH.
Dah? Deixei ultimamente de ouvir, mas ainda há muito pouco tempo uma expressão muito semelhante andava na boca da gente jovem como exclamação de repúdio, creio eu. Agora, os criativos da publicidade do hotel, escrevem Hotel, e depois DAH, ou seja D(om) A(fonso) H(enriques).
Não é que me escandalize, mas confesso que me surpreende.



Pé de Cereja

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

GREVE


Um descontentamento tão grande, que só poupa uns tantos, que resultado irá ter?

Estou curiosa por ver, logo à noite, a «guerra dos números» habitual, entre os números 'oficiais' e os que irão ser dados pelos grevistas....

Pé de Cereja

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Frieza? Desumanidade?

Uma história que ouvi da boca da protagonista que a contava a uma outra pessoa na minha presença. É claro que ela a contava à sua maneira e pode ter «branqueado» alguns pontos, mas na essência era o seguinte:
Ela, Júlia, vivia com um ordenado de cerca de 500 €, que era pouco mas com uns ‘ganchos’ que o marido ia fazendo naquelas economias paralelas que todos nós conhecemos, ia vivendo assim-assim, com bastantes dívidas mas tudo dentro do habitual numa classe média muito baixa.
Acontece que o marido, tipo exaltado e de mão leve, por uns desentendimentos sobre as partilhas duma casa, é acusado pelo actual companheiro de uma senhora de 80 anos de ter levantado a mão para ela. Para apimentar a história, este ‘companheiro’ tem 40 anos e era com ele que o marido da Júlia se estava a bater, mas a velhota lá levou uns empurrões. Concluindo, queixa, tribunal, e o homem está preso.
Agora a Júlia, tem para viver, ela e um filho adolescente, os tais 500 € que têm de dar para a renda, água, luz, gás, pagar as tais dívidas, transportes, higiene e comida... Não dá.
Foi à Segurança Social expor o caso, e enviaram-na para a sua Junta de Freguesia. Depois de muitas entrevistas adiadas lá foi recebida pela respectiva Senhora Assistente Social.
Essa senhora, olhou para os papeis e reconheceu que a Júlia o que poderia ter para gastar em alimentação (dela e do filho) eram 2 euros por dia. E.... então concluiu que lhe chegava bem.
-«Então?! Ao almoço faz feijão-frade com atum, e ao jantar uma panela de sopa que lhe pode chegar para a semana...!»
A Júlia a contar isto chorava. Porque não encontrou resposta possível. Em que mundo vivia a senhora-assistente-social? É certo que se pode poupar em comida mais do que muitas vezes se faz, e ela (a parva da AS) poderia ensinar-lhe como fazer algumas refeições baratas (não por 2 euros!) Contudo a frase que usou era de uma arrogância e estupidez que merecia uma queixa. 
Mas a verdade é que pobre não se sabe queixar por escrito. Olhem, fica pelo menos aqui o meu testemunho, é o que posso fazer.





Pé de Cereja

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

cinco milhões de euros

CINCO MILHÕES DE EUROS
............................
Por causa da Cimeira da Nato (a tal que foi muito bem organizada, segundo diversas vozes donde podemos concluir que o nosso forte é 'organização'; Expo 98, Euro 2004, etc, só não nos organizamos para o dia-a-dia!) o nosso esperto governo decidiu comprar coisitas que faziam muita falta: carros blindados, carros anti-motim, canhões de água, etc, etc. Mas como foi tudo muito à pressa (olha?! afinal....) não foi preciso o tal concurso público que seria obrigatório. Eu disse que eram espertos, não disse?
Claro que afinal esse arsenal todo chegou atrasado. Talvez a tempo da Greve de Quarta-feira, sei lá... Mas enfim, estava comprado, estava comprado. E mesmo sem nada disso afinal não houve nenhum distúrbio que o antigo material, vulgar de lineu, não chegasse e sobrasse para dominar.
Mas enfim, nada disso interessa.
O que me deixa um tanto zonza, é que para estas coisitas se pagou, quero dizer PAGÁMOS, cinco milhões de euros (prefiro escrever por palavras que ainda me atrapalham os zeros)
Eu cá não sei, mas com esses milhões de euros talvez se pudesse diminuir a dívida da saúde, pagar tanta dívida que o Estado tem em atraso. Ou não? Sem blindados é que a gente não pode passar?
Snifff... 


Pé de Cereja

sábado, 20 de novembro de 2010

Recordações

O post que está mesmo por baixo deste, e tem o título lacónico de Pão, com grande surpresa minha teve muitos comentários, na esmagadora maioria aplaudindo a minha reclamação. E a Saltapocinhas deu-me um conselho inteligente: porque não comprar uma dessas máquinas que fazem pão? E é coisa para se pensar, minha amiga, vou saber melhor como é isso. Contudo faz-me um pouco de impressão, é como a Bimby, é excelente sem dúvida mas para quem aprecia cozinhar tira-lhe a piada toda!
E esta coisa do Pão tem os seus «quês»...
Uma das mais agradáveis recordações da minha infância mais remota, está associada ao fabrico caseiro de pão.
Quando era pequenita, tinha umas férias enoooormes, bem maiores do que a dos meus pais, e portanto era costume «despacharem-me» para junto de alguns familiares, e sobretudo para a família paterna que continuava a viver no Alentejo. Era sempre um mês magnífico esse, com muita liberdade, podia ir para qualquer lado que nem me perdia nem era atropelada por nenhum carro pois os que lá via eram puxados por animais apropriados que não andavam a grande velocidades. Creio que eram mulas - nem burro nem cavalo.
Ora uma vez por semana fazia-se o pão.
Eu dormia no mesmo quarto que uma prima muito afastada, a responsável por essa tarefa, que obrigava a acordar cedíssimo. Ela não me queria acordar mas já a cerimónia de riscar um fósforo para acender o candeeiro de petróleo era o suficiente para me deixar alerta. Saltava da cama, e insistia em a acompanhar.
O alguidar de barro onde se amassava o pão era enorme, pelo menos aos meus olhos. Já lá tinha a farinha peneirada, e a Zefinha deitava-lhe água e sal e creio que fermento. Depois de mangas arregaçadas e mãos e braços bem lavados, desatava aos murros aquela massa. Era uma cena fantástica para os meus olhos de citadina. Era necessário muita força, eu pedia para experimentar, dar também um murro na massa, mas nem passava da superfície...! E demorava bastante tempo até adquirir a consistência que devia. Ela depois fazia uma cruz no meio da massa e tapava tudo com uns panos, como se a agasalhasse.
O forno ficava num patiozinho, já fora de casa, e estava aceso (não sei quem erra encarregado de o acender, mas a prima Zefinha ia lá espevitar as brasas.
Esperava-se bastante. Para a minha impaciência esta era a parte mais chata porque se esperava parecia-me que imenso! A família começava a levantar-se, eu ia arranjar-me como deve ser, tomava-se um pequeno almoço, e depois lá se ia espreitar por debaixo dos panos o que estava no alguidar. Eu nunca deixava de me espantar por mil vezes que visse, como agora o alguidar estava cheio!!! De metade cheio, antes de levedar, agora chegava quase às bordas... E cheirava um cheiro especialíssimo, aquela massa.
Depois formavam-se os pães (nessa altura já havia mais quem ajudasse) sobre-compridos com uma espécie de cabeça num lado e ia-se colocando cada um numa pá de madeira com um cabo muito comprido, e metia-se um a um no forno. Enquanto coziam o cheiro fazia-nos água na boca! Mas ainda demoravam a cozer, não era brincadeira. Depois quando estavam prontos mandava-se sempre para casa dos outros membros da família um desses acabados de fazer. Como a família era grande, cada um cozia em dias diferentes da semana e portanto havia sempre um pão 'fresco' e pão mais seco para as açordas e migas.
Eu sei. Tudo isto só é possível numa sociedade rural e há muitos anos. Mas este ritual do amassar do pão nunca o vou esquecer, e nem preciso de fazer grande esforço para lhe sentir o cheiro!


Pé de Cereja

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pão

É o símbolo mais famoso para significar alimento (pelo menos no ocidente).
.... e em Portugal está caríssimo.
Absurdamente caro.
Também é certo que com o andar dos tempos e da civilização, esse 'simbólico' alimento  tem-se multiplicado em inúmeras variedades. Na minha infância exista o «pão de 1ª» e o «pão de 2ª», para além dos papo-secos. E pouco mais.
Claro que havia também pães regionais, o pão alentejano, a broa, etc, mas na zona de Lisboa a amostra era a que eu disse.
Actualmente encontramos talvez menos padarias – que, curiosamente, para além do pão também têm à venda pacotes de leite, conservas, coisas que nunca se tinha visto numa antiga padaria tradicional… Mas, encontramos muitas lojas sofisticadas ou «boutiques do pão» assim como nas grandes superfícies encontramos hoje em dia pão para todos os gostos. O «pão que faz bem ao coração», ou o «pão completo» ou o «pão cortado em fatias» ou o pão-de-forma também em fatias, muitos com a dominância dos mais variados cereais, etc, etc…
Mas uma coisa que agora tem proliferado muito e me causa estranheza, é o «pão sem côdea». Aparece por todo o lado sob diversas marcas e até as 'marcas brancas' já fornecem pão sem côdea!
Recordo-me de um amigo que já há vários anos, quando lhe mostrei um pão chamado sapata (?) se não me engano, que praticamente não tinha miolo, era muito achatado e quase só côdea, me disse felicíssimo «até que enfim, um pão reduzido ao essencial!» Evidentemente que estava perante um apreciador de côdea. Eu não sou assim, mas acho que um pão para ser pão, deve ter côdea e miolo. É um conjunto. Também não gostaria de um ovo só com clara ou só com gema.
Mas se estou a escrever esta queixa é que se torna muito frequente hoje, encontrar mais desse pão de forma sem côdea do que o normal. Quando chego à zona do pão, zás, prateleiras cheias com esse pão e nada do ‘normal’! Para além de não gostar, parece-me que estou a comer algodão, a verdade é que é bem mais caro do que o vulgaríssimo normal, completo, com miolo e côdea.
E depois a variedade é tanta que uma pessoa fica perdida. Já não sei se quero o integral, ou o bom para o coração, ou o com 7 cereais, ou o sem colesterol, ou o pequeno, o grande, o médio, com passas, com sementes, eu sei lá o quê…
S.O.S.
Gostava de encontrar pão sem extras e a preço acessível para aquilo que ganho.

Onde há?


Pé de Cereja

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Horas (ou metáforas)

Desde que me lembro que uso relógio. Nunca me habituei a ir ver as horas ao telemóvel, parece-me muito mais prático rodar o braço e dar uma olhadela ao instrumento que uso no pulso. Para além de que gosto mesmo de relógios, tenho um em cada divisão da casa, incluindo cozinha e casa-de-banho.
Mas, escuso de dizer que são relógios de pilhas. Todos. Mesmo o da sala que é uma boa imitação de um relógio antigo… trabalha a pilhas! E o meu de pulso, também.
Ora há pouco tempo dei conta de que a pilha do meu habitual, de pulso, tinha acabado e, porque não tinha tempo para ir tratar da substituição, fui buscar outro, velhinho mas excelente (marca Tissot!) que ainda era de corda. Pronto. Assunto resolvido, dei corda ao relógio e ele cá anda a funcionar muito bem.
Como se lembram de certeza, no penúltimo fim-de-semana, «mudou a hora» Numa casa com tantos relógios como é a minha aquilo dá sempre algum trabalho, função do meu filho, que a assumiu há anos. E ele nunca falha, creio até que tem um gosto especial nessa tarefa da 'volta-dos-relógios', acho que até tem pena que o do computador mude sozinho… portanto passei a semana toda seguindo-me pela a hora certa sem pensar mais no assunto.
Mas, há um relógio onde «o-meu-acertador-da-hora» não costuma mexer: o do meu carro. Isso já é função minha, e reconheço que me desleixo um tanto com isso. Olho para o mostrador, sei que tenho de lhe tirar  mentalmente uma hora e aquilo vai servindo assim.
Na última sexta-feira, tive de dar uma volta pela hora do almoço, e quando estacionei a carro achei boa ideia acertar finalmente o mostrador do relógio. Olhei para o meu pulso, vi a posição dos ponteiros e acertei o mostrador que ainda dava a hora antiga. A operação leva um certo tempo porque se faz com uns parafusinhos e tem de se dar a volta toda ao mostrador. Mas, OK. Obra acabada.
Continuei nos meus afazeres e a sentir que o tempo me estava a render muito. Tinha feito várias coisas e ainda era tão cedo…! De vez em quando passava por um dos relógios de rua e pensava «nunca estão certos, estes!». Porque o do carro prosseguia a sua caminhada sempre a andar e parecendo que muito bem.
Até que, já nem sei porquê, dei uma olhadela ao pulso e tive um baque - «o quêêê???» aquela hora era impossível. Pois era. Eu tinha-me esquecido de dar corda de manhã, e ele às tantas tinha naturalmente parado. E eu estive diligentemente a acertar o relógio do carro, por um que estava já no momento, parado!
Podia ser uma metáfora, não podia?

rodinhas mentirosas

Pé de Cereja

sábado, 13 de novembro de 2010

Aung San Suu Kyi



Uma boa notícia! (aos sábados parece que acontecem mais as boas notícias...)
Prémio Nobel da Paz, vencedora de umas eleições por 80% de votos, há anos em prisão domiciliária sem qualquer justificação que uma democracia entenda, parece que finalmente o vento mudou.
Será de vez, ou um bluff?


Pé-de-Cereja

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Casa da Achada e a música

Meus amigos, ando há uns tempos para falar num Centro Cultural que me interessa muito, não apenas culturalmente mas até por razões afectivas... É a Casa da Achada, Centro Cultural Mário Dionísio.
Acontece que este Centro começa a ser conhecido  também por o seu Coro. Incorpora gentes de todas as idade, desde que com boa vontade. Ia deixar aqui um vídeo de uma sua actuação, mas é mais de 20 minutos... não para agora! Contudo fica uma amostra de uma das canções cantadas quando do 1º aniversário da CASA:









ebben che siamo donne
paura non abbiamo
per amor dei nostri figli
per amor dei nostri figli

sebben che siamo donne
paura non abbiamo
per amor dei nostri figli
in lega ci mettiamo

A oilì oilì oilà e la lega crescerà
e noialtri socialisti, e noialtri socialisti
a oilì oilì oilà e la lega crescerà
e noialtri socialisti vogliam la libertà

E la libertà non viene
perché non c’è l’unione
crumiri col padrone
crumiri col padrone

e la libertà non viene
perché non c’è l’unione
crumiri col padrone
son tutti da ammazzar

A oilì oilì oilà e la lega crescerà
e noialtri socialisti, e noialtri socialisti
a oilì oilì oilà e la lega crescerà
e noialtri socialisti vogliam la libertà

Sebben che siamo donne
Paura non abbiamo
abbiam delle belle buone lingue
abbiam delle belle buone lingue

sebben che siamo donne
paura non abbiamo
abbiam delle belle buone lingue
e ben ci difendiamo

A oilì oilì oilà e la lega crescerà
e noialtri socialisti, e noialtri socialisti
a oilì oilì oilà e la lega crescerà
e noialtri socialisti vogliam la libertà

E voialtri signoroni
che ci avete tanto orgoglio
abbassate la superbia
abbassate la superbia

e voialtri signoroni
che ci avete tanto orgoglio
abbassate la superbia
e aprite il portafoglio

A oilì oilì oilà e la lega crescerà
e noialtri lavoratori, e noialtri lavoratori
a oilì oilì oilà e la lega crescerà
e noialtri lavoratori
I vuruma vess pagà

A oilì oilì oilà e la lega crescerà
e noialtri socialisti, e noialtri socialisti
a oilì oilì oilà e la lega crescerà
e noialtri socialisti vogliam la libertà

Vejam agora a Lega cantada no filme «1900» É fabuloso!


Pé-de-Cereja

As 'cadeias' da nossa net

A minha caixa de correio (gmail) comparada com outras que conheço, costuma estar muito arrumadinha. Quando recebo uma mensagem abro-a primeiro, é claro, e das duas uma – ou é mesmo para guardar, como por exemplo as facturas, que envio logo para o marcador «facturas», ou é para responder e portanto respondo e apago-a porque se quiser encontro-a no «correio enviado», ou tem alguma graça especial e também a arrumo na pasta de «piadas». De resto, mais de metade, leio e apago, portanto à vista tenho umas 15 mensagens se tanto.
Mas acontece que tenho algumas amigas e amigos que se fartam de receber FW, aí uns 10 de cada vez, e nem hesitam reenviam-me gostosamente toda essa literatura. Confesso aqui, publicamente, que muitas vezes quando vejo 10 FW do mesmo remetente, tenho ganas de apagar aquilo tudo sem ler!!!! Até porque muitos deles andam há anos, muitos anos mesmo, a passear pela net sem mudar uma vírgula...
Mas aquilo com que tenho muita cautela é com as ‘cadeias de solidariedade’. Contam-nos uma história muito desgraçada, de uma criança doente por exemplo, ou alguém que tem de fazer uma operação, e a empresa xkz por cada mail que nós reenviemos oferece um euro a esses pobres necessitados.
E, pela lei dos grandes números, mesmo que só 10% aceite essa proposta ainda é muita coisa. Mas já me avisaram que isso,  até pode ser um modo de se conseguir maillings gigantes para publicidade, por exemplo.
Mas o que mais me revolta são os que são mesmo mentira descarada e continuam a passar anos e anos. Lembro-me de uma menina doente e fotogénica cujo caso foi desmentido várias vezes e ainda me vem aparecendo.
Hoje teve a sua graça porque o valor tem aumentado conforme a inflação e então depois de um palavriado apropriado e umas fotos comoventes diziam que por cada mail que enviássemos a Unicef receberia 5 € – aliás mais à frente falavam em 10! Ena, ena! Foi dos que apaguei sem apelo nem agravo e logo depois recebo da amiga que mo enviou um desmentido da Unicef. 
Desta vez a cauda do gato ficou mesmo de fora.
E este tipo de anúncio?...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

«Triunfo» de quê?

Eu não sou grande admiradora de concursos de tv. Costumo assistir ao primeiro da série, para tomar a temperatura à coisa, e depois deixo cair. Já não gostava lá muito de exames quando andava a estudar, e isto de uma pessoa prestar-se a «fazer exame», muitas vezes passando por situações ridículas perante milhares de expectadores, faz-me sentir desconfortável. Portanto, muito simplesmente, mudo de canal ou vou fazer outra coisa. 
Há uns anos ( em 2003 creio eu) a RTP transmitiu um programa/concurso inspirado num modelo espanhol, onde após seleccionado um grupo de «aspirantes a cantores» os convidavam a entrar numa espécie de colégio interno, academia onde aprendiam tudo o que se refere à profissão: tinham aulas de voz, de interpretação, de postura em palco, de coreografia, etc. Semanalmente ofereciam um espectáculo com o nome pomposo de Gala, onde nos mostravam aquilo que iam aprendendo ao longo dos meses.
Para mim, o maior interesse, e por isso segui esse concurso com atenção, é que durante a semana nos iam mostrando o dia-a-dia desses alunos, como eram as aulas, parte do que lhes era ensinado, víamos como iam reagindo às exigências desse ensino muito condensado, e os resultados finais. Pedagógico e interessante. Mostrava bem que ser cançonetista não é abrir a boca e cantar, há muito «partir de pedra» até lá se chegar.
Com o tempo, as edições desse concurso, passaram a centrar-se cada vez mais no espectáculo final e a parte pedagógica das aulas foi desaparecendo.
Este sábado o concurso voltou. É claro que uma única vez é pouco para apreciar, mas por aquilo que entendi desapareceu definitivamente a tal meia-hora diária onde assistíamos ao trabalho verdadeiro. Para mim, perdeu 80% da graça.
parece uma pistola (!)
Depois, desta vez ou ando com mau feitio, ou me deu para embirrar, alguma coisa se passa. Aqueles jovens são preparados por especialistas, que lhes escolhem a fatiota, o penteado, a maquilhagem com que vão para o palco. Pelo menos aí, tudo devia ser impecável. Mas que raio de gosto faz enfarpelar uma pobre miúda, com um pesado blusão preto de cabedal, umas botifarras enormes, pretas, até ao joelho, e depois uma saia de tule azul claro, muito curta, tipo tutu, deixando 10 centímetros de perna à vista…? Aquilo correspondia a que estilo?
Pronto, cumpri a minha promessa de ver o primeiro programa. Mas tenho um certo desgosto de terem dado cabo da parte pedagógica do concurso, o que o tornava diferente dos outros, para melhor.
Pronto, tenho de me habituar a que quando um modelo muda, não melhora.
Paciência.

Pé-de-Cereja

sábado, 6 de novembro de 2010

Como estamos em fim-de-semana

E se aproxima a época super-consumista do Natal, decidi deixar aqui a prova de que não é necessário brinquedos sofisticados para uma criança se divertir.
Basta imaginação









Pé-de-Cereja

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Uma explicação inútil

...mas que me apetece dar.

Como o meu grupinho de leitores habitual já o sabe, eu passeio-me pela blogosfera há anos. Bastantes. Primeiro colaborei num blog, quase em segredo, depois fui convidada para um outro, colectivo, onde ainda passei quase dois anos e lá adquiri quase toda a experiência, mais tarde saí desse e pela primeira vez experimentei ter um blog individual que uma conhecida na net tinha montado mas não usava e me ofereceu, e mais tarde mudei de servidor passando para a blogspot mas sem mudar nada no blog.
Ou seja, quanto a blogs, fui «aceitando» aquilo que me propunham ( e disso estou muito agradecida!) mas nunca tinha feito um ‘de raiz’.
Começando pelo nome.
Quando disse que a explicação era desnecessária, é porque o nome do «Cerejas» fala por si. Todos entendem que eu pretendo conversar, que «as conversas são como as cerejas» (ou, como também se diz, palavra-puxa-palavra) e aquilo que eu pretendia era um pouco de paleio com quem por aqui passasse e achasse que tinha algo a dizer.
Mas para mim, cereja é mais do que essa associação de encadeamento que nos vem logo à ideia. Eu gosto de cerejas. Costumo pensar que se fosse um animal era uma ave, e se fosse um fruto seria uma cereja. Reparem:
Mesmo com as técnicas modernas, este não é um fruto de todo o ano. Tem a sua época e mais nada! Diferente das maçãs, pêras, bananas, laranjas, que deixaram de ter época própria…
Depois a cereja é pequena como eu, e vermelha como eu gosto de pensar que sou. A postura na vida que me coloca desde sempre num quadrante de esquerda não tem mudado de cor apesar das más surpresas que vamos vivendo. Com excepção do clube de futebol, sou realmente como a cereja (o clube é capaz de ser o pezinho, que também é importante…)
Depois há um ponto para mim importante – o caroço. Sendo uma fruta doce, sem acidez, sem fibras, pele macia, mas lá no fundo tem o caroço, ela, cereja, protege a sua semente com energia. E eu gosto de acreditar que também assim sou – moderada e sensível, os valores importantes defendo-os com unhas e dentes. O caroço é realmente duro.
Quanto a este blog, devo uma explicação: eu domino muito mal estas técnicas. Até agora ou as coisas vinham já feitas, ou pedia ajuda a um blogger amigo que agora tem andado afastado destas lides. Não metia eu mesma a «mão-na-massa».
Atrevi-me. E saiu este «Cerejas». Falta imensa coisa e tenho andado a ver se descubro como é. Por exemplo, o convite para comentar está muito pequenino e pode haver quem não dê por ele… Catástrofe!!! Para mim os comentários são a parte mais viva do blog!
Por outro lado a coluna do lado, também precisa de vários retoques e ainda não descobri como pôr aquilo que eu quero (não a proposta já montada que o blogspot oferece)
Vamos a ver.
Devagarinho, que este blog, desta vez não anda nada acelerado, mas vou descobrido algumas coisas. Peço que tenham paciência….

Pé-de-Cereja

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Charia

Tenho por norma, como boa agnóstica que me considero, não falar de religião, seja ela qual for. Acho que se acredita ou não e ninguém muda de opinião através de argumentos racionais.
Mas é claro que quando a religião está por detrás de actos que vão contra o que sinto como Direitos Humanos ( a Inquisição, por exemplo, que se praticou em larga escala, ou ainda hoje a excisão feminina) passa para um degrau diferente e creio que injusto seria ‘branquear’ as coisas com o véu de que são-costumes-religiosos.
A Charia existe em países onde as leis comuns são religiosas, e se possivelmente muitas delas são bem aceites e digamos que ‘inofensivas’ para a dignidade e direitos humanos, há casos que não se podem aceitar com a justificação de que são leis religiosas.
O adultério era um pecado gravíssimo, ainda há poucos séculos. Eu era adolescente quando li «A Letra Escarlate» e chorei convulsivamente. Existe bastante literatura onde lemos que um marido que matasse a mulher se a encontrasse em claro adultério era absolvido.
De qualquer modo o mundo, o tal Primeiro Mundo, mudou.
Mas a Charia mantêm as suas leis. Adultério e homossexualidade são crimes horrendos punidos com morte, e não uma morte rápida e pouco dolorosa, morte por apedrejamento!!!
Sabemos que uma iraniana, Sakineh Mohammadi-Ashtiani, viúva – mas isso não interessa, porque o adultério tanto é durante a vida do marido como após a sua morte... – foi acusada de ter relações com um homem. Foi portanto condenada a ser apedrejada até morrer.
Dizia-se que o seria esta quarta-feira, não o foi mas pode sê-lo a qualquer momento, pelos vistos.
Enquanto nós esperamos um autocarro, tomamos um café, damos um recado ao telemóvel, lavamos a loiça, uma mulher de 43 anos, viúva, mãe de dois filhos pode estar a sofrer um martírio porque não foi fiel ao marido depois de morto.
Arrepia?
Pois arrepia!


Pé de Cereja