domingo, 26 de março de 2017

...mas porque caem nestas armadilhas?

Acabei de ler nos jornais uma notícia onde se prevê o anúncio de uma guerra. Trata-se do caso de uma casa concedida a um membro do governo mas que era suposto ser atribuída a um membro de uma importante corporação, a dos magistrados.
Confesso que é das coisas que sempre me chocou: por alma de quem é que há pessoas importantes 'com-direito-a-casa'?! Mas porquê? Entendo um pouco o reverso, trabalhadores que façam turnos complicados, ou possam ser chamados com urgência, terem junto do local de trabalho um quarto que possam utilizar. Mas, membros do governo ou magistrados terem subsídio de habitação ou direito a casa??! Isso porque o cargo os afasta da sua morada habitual? E não será assim para qualquer trabalhador? Parece de senso comum que quem aceita um emprego aceita a sua localização, mesmo com profissões qualificadas: médicos, professores, enfermeiros, marcham para onde foram colocados ou não aceitam o trabalho mesmo que sejam penalizados.
No outro extremo, vemos candidatos a certos trabalhos continuarem desempregados porque os locais onde poderiam ter trabalho são tão afastados ( de casa dos pais...) que os obrigaria a alugar um quarto e o salário mínimo que iriam receber não chega para essa despesa.  Mas os senhores juízes não, têm outras mordomias, mesmo que se diga que têm de pagar... um décimo do ordenado.  O seu sindicato explica bem: «o Gabinete de Gestão Financeira tem de colocar à disposição dos juízes, durante o exercício da sua função, casa de habitação mobilada». E, pelo que sei, o mesmo se passa com os membros do governo.
Esta é história, que vai fazer correr tinta, da secretária de estado e da juíza, onde todos vão ficar mal na fotografia. Os juízes porque se vai chamar a atenção para uma mordomia que o público não conhecia e não vai achar graça nenhuma. O membro do governo (que também era magistrada, pelo que percebi) vai desencadear grande celeuma pública da parte de quem já acha que «eles» ganham demais e não o merecem. E isto por uma renda de casa que pode corresponder a um décimo do seu salário? Como é não viu o buraco que estava a abrir...?
Imagina-se bem o que pode pensar um casal de jovens licenciados, a receber cada um pouco mais do smn sabendo que cerca de metade do que os dois ganham vai para a renda da casa, olhando para um membro do governo a regatear essa mesma renda......
Foi um tiro no porta-aviões, se estivéssemos a jogar à batalha naval. 😏

Cereja

sexta-feira, 24 de março de 2017

Lugares comuns para todos os gostos

Nestes últimos dias houve alguma agitação pela frase daquele senhor de nome difícil de pronunciar, [Dijsselbloem, o dobro de consoantes para o número de vogais! ] frase profundamente infeliz, fosse como fosse. Pronto, como justificação lá se explicava que aquilo tinha sido dito durante uma entrevista, num certo contexto, e ele até tinha usado a primeira pessoa «eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir de seguida a sua ajuda». Mas era no encadeamento sobre os países do norte da Europa que se tinham mostrado solidários para os países em crise... Lá fica 'a justificação' estragada!
Bem, foi interessante porque Portugal e Espanha e imagino que também a Grécia, não gostaram nada da "metáfora". Grosseiro, arrogante, preconceituoso.
Sobre este tema disse-se muita coisa, alguma com imensa graça, mas tenho de citar o texto mais inteligente que sobre isso li escrito pela Maria José Trigoso no seu facebook
«mas não haverá quem perceba que o Jeroen é apenas mais um triste luterano ou um infeliz calvinista (ou uma desbotada vitima de qualquer outra reforma), muito branco, muito funcionário, totalmente roído pela inveja do que ele imagina seja o paraíso moçárabe? a terra quente onde o sexo não é pecado mas festa, o vinho corre das torneiras, doce e vermelho, e o sol doura a pele do corpo e ilumina a mente?
eu por mim tenho pena dele. mas também de nós pelo pouco que nos resta dessa escondida fantasia protestante, branca, e masculina.»
 
Fica arrumado numa penada. Os lugares comuns que correspondem às diversas fantasias quando se classifica um povo ou uma raça generalizando!
Encontrei depois esta imagem que também considerei excelente. Vejam:


É apanhada aqui grande parte daquilo que «se arruma» em caixinhas sobre as características dos cidadãos da Europa. E sempre assim foi, olhar, crítica ou paternalisticamente, quem não está no Primeiro Mundo muitas vezes com pena mas aceitando que-a-culpa-é-deles. Aos anos que os desenhos animados tipo Walt Disney representam «o mexicano» a dormir a sesta encostado a um muro, com um enorme chapéu na cabeça. A imagem da preguiça. Preguiça pobrezinha, claro, se estivesse estirado à beira de uma piscina com um copo na mão não seria  preguiçoso nem mexicano. E a imagem de «estar à sombra da bananeira» também não corresponde aos povos diligentes e trabalhadores, as bananeiras são tropicais, não é? Aliás o «dormir à sombra de uma árvore» só se imagina no sul. Já pensaram em dormir à sombra de um ácer? Ou mesmo de um abeto? Ná, não dá, a bananeira ou o chaparro no Alentejo, sim. Preguiçosos, claro, as cigarras que não têm nada para comer no Inverno por sua culpa.
E como erradicar estes estereótipos quando mesmo quem é apanhado por isso, colabora muitas vezes?! Quando se aponta o dedo, uns aos outros, aceitando  estas classificações, ou devolvendo com outras igualmente parvas?
Talvez com o tempo lá se chegue...
Mas está a demorar!


Cereja

domingo, 19 de março de 2017

O futuro já se vê


De vez em quando sinto-me muito esperta.
É agradável.
... a sensação dura até saber que há quem seja muito mais esperto, porque vai uns passos à minha frente 😆
Explico: invento coisas que, descubro depois,  já alguém tinha pensado em inventar. E olhem que é frequente!!!
Por exemplo, a última: 
Há umas semanas, numa conversa com o meu filho sobre telemóveis, concordamos sobre ser um uso que já se entranhou tão profundamente que quase nos esquecemos como era antes-do-telemóvel. Estávamos a ver o filme Zodiaco e pensávamos na complicação que era encontrar um telefone quando  os personagens estavam na rua...  Taditos. talvez até se tivessem evitado alguns crimes.
E, pensamento puxa pensamento, «daqui a uns anos» disse-lhe eu, a esperta visionária,  «vais ver que os miúdos se espantam que a gente hoje ainda andasse a ligar os aparelhos a tomadas de parede!» 
« - O quê?!» 
«-Vais ver! No meu tempo talvez não, mas daqui a uns tempos é tudo wireless
«-Tudo?! Uma coisa é um aspirador portátil ou um berbequim, que se carregam antes de usar, outra um candeeiro
«-Vais ver!!! Não é bem 'carregar-se', mas como se recebessem a energia directamente, sem fios...»
OK, estava a sonhar.
Sonhava com um mundo onde não estivesse sempre a tropeçar em fios. Onde pudesse levar um candeeiro para outro sítio sem ver se havia por ali uma tomada. Ficção científica? Ora! Também acender uma luz carregando num botão era impensável há 200 anos... E, afinal, estava a abrir portas abertas. Já está pensado. Actualmente trata-se ainda só de carregadores de telemóvel sem fios, mas preveem «acabar com a necessidade até de ligar os electrodomésticos, a uma tomada eléctrica, incluindo incluindo um frigorífico, um televisor, um aspirador, ou um candeeiro»....! Já tudo aquilo que imaginei está previsto!
A sério. Todos os aparelhos electrodomésticos podem vir a não precisar de fios! Até os candeeiros!
.......
Viva!
Vão acabar as cenas do pé preso no fio que atravessa a sala, e a queda espetacular da criatura distraída. E também os inestéticos fios ao longo dos móveis e paredes.
BOA!
Quero o futuro já! 
 Cereja

sexta-feira, 17 de março de 2017

...pensamentos distraídos sobre temas sem importância

Aqui na net tenho vários amores como já perceberam porque o ando sempre a dizer: aqui o meu bloguezinho, o meu mais velho por quem sinto mais carinho embora o abandone muitas vezes, e as redes sociais mais espevitadas, bastante mais novas, mas que também acho engraçadas. 😃
Calma, não ando em todas! Até fico parva de ver a popularidade de uma dúzia delas... quando eu, modesta, uso uma (o facebook) e de vez em quando outra (twitter) mas até já perdi a senha de entrada no «linkedin», assim como só vou ao «instagram» para ver as fotos de que me falam os amigos... Ou seja, sei que as redes existem, mas ao longe. É mesmo demasiada areia para a minha pobre camioneta . 
Mas esta manhã ao abrir o facebook, deu-me para pensar como é engraçado perceber o feitio de cada um não apenas por aquilo que diz e pela forma como o diz, mas sobretudo por aquilo que não diz!
Começando pelo extremo, quem não usa (ou pensa que não usa... *) as redes sociais. E, sobretudo entre os mais velhos, na minha geração, há muita gente! Ou não teve o mínimo interesse, ou experimentou, abriu uma conta, e aquilo não o interessou nadinha, portanto ficou em pousio, a conta está lá mas nem mexe! Ou, nem sequer experimentou com algum medo. Tenho 2 ou 3 amigos que quando pergunto se têm facebook por exemplo é como se lhes perguntasse se usam drogas duras 😠 Nãããõ!!! OK, avante.
E entre os usuários há vários géneros, uns, frenéticos, sempre ligados, sobretudo quando o próprio telemóvel dá acesso à rede, outros que passam por lá aí uma vez por dia para manter o contacto (aqui a 'je'!) e os irregulares - podem passar dias a escrever e comentar e depois desligam, e afastam-se uns tempos, e os que têm fases, estão muito tempo sem aparecer e quando já não nos lembramos deles aparecem cheios de gás.
O que tem graça, é que de uma forma geral se pode conhecer imaginar a personalidade de cada pessoa, não por aquilo que diz mas sobretudo por aquilo que não diz. Tenho amigos que usam imenso o fb mas só para «partilhar» notícias ou histórias, e nunca, ou rarissimamente, acompanham com a sua própria opinião. Um profundo receio de se exporem, só pode ser... Outros partilham piadas, cartoons, escrevem graças, mas nunca os vejo a falar de temas sérios, querem dar uma imagem alegre de si?  E há o oposto, os que só falam a sério. Eles têm humor porque depois vão clicar um «gosto» numa gracinha, mas na sua página é que não!
É um mundo, e um mundo engraçado, acho eu...

* digo «pensa que não usa» porque se vê algo no you tube, isso é também uma rede






Cereja

domingo, 12 de março de 2017

A questão da igualdade de género


Li há pouco este artigo com um título apelativo e provocante «Aqui quem manda ainda não são elas» como sem ser ser ali (?)  'elas' já mandassem...  Creio que isto veio a propósito do Dia da Mulher, o dia onde mais se fala de igualdade de género. E esse é um tema que desde sempre me interessou imenso, desde adolescente admiradora quase incondicional de Simone de Beauvoir que acredito firmemente on ne nait pas femme on le devient.
Mas, no século XXI, já não é uma 'opinião' apenas de mulheres esta noção de igualdade de género, e quase faz sorrir ler que as mulheres devem ganhar menos porque são mais fracas e menos inteligentes, como disse o palerma do tal deputado polaco. 😃 Mas a verdade é que a máquina social é um tanto perra, e séculos de preconceitos não se apagam como se apaga uma vela. Portanto a mulher foi conquistando o trabalho remunerado (digo assim porque lá trabalhar sempre trabalhou, desde a pré-história) e cada vez se aceita mais que as capacidades de um ser humano são independentes do seu género.
Mas, se teoricamente todos (na sociedade moderna) assim consideram, na prática a resistência a partilhar o poder ainda é enorme. E, portanto, é óbvio que há áreas onde ser-se macho é uma vantagem mesmo que isso seja negado. São as áreas de chefia, onde o poder é maior e mais evidente.
Portanto imaginou-se, na linha do se não vai a bem vai a mal, que se deviam criar «quotas» para forçar a participação feminina em certas áreas. 
Eu tinha uma ideia.
O escritor Mia Couto usa um nome curioso, que engana. Ele já tem contado histórias engraçadas, de situações onde estavam à espera de uma mulher quando ele chegou. Ou seja, quando se ouve falar de alguém cria-se de imediato uma imagem através do nome. Ora, se em vez das quotas (porque vem logo a crítica à descriminação positiva, etc, etc) fosse decretado que nunca aparecessem os primeiros nome mas apenas os apelidos? Não era boa ideia?
Estava toda contente com esta ideia, que modéstia à parte considerava excelente, quando reparei que de uma forma geral os tais famosos lugares de chefia não costumam ter acesso por concurso mas sim por escolha, por convite, por se conhecer de facto a pessoa. Bum!!! Lá foi a ponta do alfinete da realidade rebentar o lindo balão que eu tinha imaginado.
Pois é.
Se não vai a bem vai a mal, e lá se terá de aceitar as quotas mesmo com o risco de assim se valorizar mais o género do que a competência. Paciência. Espero que seja temporário.

Cereja

terça-feira, 7 de março de 2017

Ideias feitas, o pret-à-porter de mentalidades sobre o género


Encontrei por acaso o vídeo que se vê abaixo.
Isto é.... um anúncio. 😊 Fabuloso!
Por acaso parece-me que, apesar de tudo, estes estereótipos estão a ficar um nadinha atenuados. O velho pregão «É p'ró menino e p'rá menina!» hoje já talvez faça sorrir. Mas...
A tradição pode já não ser o que era mas se virmos com atenção estas diferenças, artificiais é claro,daquilo que é «normal» um homem ou uma mulher gostarem ou fazerem, ainda resiste imenso.

Resiste até nas mentalidades que se pensa estarem mais actualizadas. Mesmo entre gente-de-esquerda, e mesmo entre jovens.
Soube, por escutar conversas alheias que não devia 😏 (vergonha..) de um debate muito privado entre jovens de um partido da esquerda a que chamam 'radical' exactamente sobre o tema desta 'divisão-de-tarefas'. As raparigas do grupo consideravam que lhes deixavam as tarefas domésticas depois dos encontros, enquanto os rapazes do grupo se iam embora pensando na melhor maneira de governar o país, elas ficavam a arrumar e limpar a sala onde tinham reunido. Ai, ai, ai...
Mas este vídeo satiriza esse pensamento, e com muita graça!!



 

  Cereja

segunda-feira, 6 de março de 2017

Que paciência é preciso ......

Ando um tanto farta dos Nostradamus de algibeira.
O excesso de partilha de informação (informação?) é um enjoo e quase que é um perigo. Com a facílima utilização da net, não há cão nem gato que não dê a sua preciosa opinião sobre tudo e mais alguma coisa, e depois os amigos partilham, e os amigos dos amigos, e mais os amigos dos amigos dos amigos, e num ai muitas vezes um chorrilho de disparates torna-se uma verdade.
Um dos temas que já nem posso ver, são as milhares de opiniões muito sérias mas contraditórias sobre a nossa alimentação! De meter medo, porque a levar as coisas à risca, tudo faz muito mal ou muito bem. Eu cá dou-me lindamente com a «minha dieta» que é muito simples e todos podem praticar: bom-senso.
Mas, depois, vem outra moda. Que também me irrita (devo andar irritadiça 😉) e é a crítica sistemática à época moderna com a sugestão implícita de que no passado se vivia muito melhor e com mais saúde. Ai é? Veja-se este artigo: É desta forma que a vida moderna nos está a tirar saúde.
Certo, a ansiedade e depressão, são más. Mas como sabem que não existiam dantes? Na Morgadinha dos Canaviais, Henrique de Souselas começa com uma bela depressão, aliás já nesse tempo por culpa da 'civilização'. A Madame Bovary também nos parece bem deprimidinha, coitada, e etc, etc. 
É claro que a poluição nas suas diversas vertentes é péssima, e isso é um facto e é preciso procurar soluções, sim!
Mas há muitos aspectos onde a vida moderna, exactamente pelo seu desenvolvimento é mais saudável. Recordo o antigo aquecimento à braseira, muito bonito, mas que libertava dióxido de carbono; fala-se aqui de que as novas tecnologias são culpadas do aumento da miopia mas ler à luz da vela ou candeeiro de petróleo não ajudava nada à saúde ocular; e o sedentarismo é o culpado de atrofias musculares, etc, etc, ou a atitude comodista de quem evita mexer-se?
Na minha opinião (sou bastante opinativa, mas já que tenho o blog aproveito, não é?) a vida moderna não tem culpa nenhuma, até pelo contrário. É afinal a atitude que se toma, o uso que  se faz das excelentes condições que estão à nossa disposição, que estraga tudo. Ou seja, a responsabilidade de não se viver tão bem como se poderia é das opções que se tomam.
Porque a «vida de antigamente» não era melhor, não senhor. Relembro dois filmes que adorei, aliás filmes de épocas diferentes mas tocando a mesma tecla. Um vi-o há dezenas de anos, chamava-se O vagabundo dos sonhos (Les belles de nuit, no título original) e o protagonista, em sonhos, ia recuando nos tempos e encontrando em cada século um velhote que lhe dizia que no seu tempo era bem melhor... Pois. 😏 O outro Meia Noite em Paris do genial Woody Allen, mostra que embora os «anos de ouro», os anos 20, sejam uma referência fabulosa, afinal é preferível vivermos na actualidade... 
É que, contrariamente ao que se diz, ou insinua, no artigo, não estamos a ter menos longevidade do que os nossos antepassados, não senhor!  
Basta uma olhadela a este gráfico:

Cereja

sábado, 4 de março de 2017

Coisas da moda :)



Ora vamos hoje falar de coisas menos sérias, que o Cerejas também é para isso!
Esta conversa é mais para leitoras, digamos conversa de mulheres, apesar de de uma forma geral não gostar lá muito de não falar para todos...
Pois bem, o tema é saltos altos!
Na actualidade é um tipo de calçado exclusivamente feminino, mesmo que tivesse começado a ser usado por Luis XIV (consta que ele era baixito coisa chata para um Rei-Sol) e depois no tempo de Luis XV divulgou-se entre elegantes da sua corte, homens e mulheres. E percebe-se que fosse calçado de gente da corte, que não faz nada, porque para quem trabalha a sério não é nada cómodo caminhar em equilíbrio...
Adiante. A moda tem imensa força, e aceitar o-que-toda-a-gente usa é quase irresistível excepto a quem adora ser do contra... portanto hoje em dia, creio que por todo o mundo, uma mulher sente-se mais elegante quando usa saltos altos, quase um símbolo de feminilidade como no filme De saltos altos do Almodover. E, portanto, para as mais sensíveis, sentir-se talvez menos feminina quando os não usa! (ó dilema! conforto ou elegância?!!!)
E, portanto, achei mesmo muita graça, quando encontrei esta solução - o ovo sapato de Colombo:


 


Fácil!
Olhando para aqui parece que por agora só deve funcionar em sapatos tipo sandália, não sei como se passa de «uma sabrina» para um verdadeiro «salto alto» uma vez que a alma não pode mudar. 
(Para quem não sabe a «alma de um sapato de salto» é um ferro interior que acompanha a curva do sapato. Sei isso a partir de um dia que levei uns sapatos a um sapateiro e ele me disse que ele tinha a alma partida! Pensei que era um sapateiro-poeta, até ele me mostrar o dito ferro, que de facto estava partido)


De qualquer modo, esta ideia de alterar o tipo de salto no mesmo par de sapatos é excelente. Vamos ver se tem sucesso...
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Cereja

quarta-feira, 1 de março de 2017

Uma onda assustadora (e não só isso)


 Li ontem no facebook duas frases, escritas por quem sabe o que diz: «O orçamento militar americano já era equivalente ao do conjunto de todos os outros países do mundo. Agora, o Trump aumenta-o em 10%! Entretanto, a Marine le Pen encontra-se nas sondagens com uma cotação eleitoral superior à do Hitler na altura em que chegou ao poder».

Não se pode assobiar para o lado, pois não?

A imagem da onda não é lá muito feliz, porque tem força mas é limpa, prefiro dizer mancha de óleo, alastra, é sujo e dificílimo limpar.
Preocupa-me o facto de, como entre os meus amigos e conhecidos a censura aos actos do Trump ser geral, haver tendência a acreditar que todos quase todos pensam assim. Não é. Dou muitas vezes uma olhadela aos comentários on-line às notícias dos jornais e deixo aqui uma amostra de comentários de hoje e ontem: A história da senhora que de joelhos num sofá da sala oval mandava twitters «a) É perfeitamente incrível aonde vão os media (certos media) para arranjar "casos". Que o presidente Bill Clinton tivesse transformado a Sala Oval em bordel, o presidente Bush ou o Obama falassem com os pés em cima da mesa, num acto típico de tasca, tudo passa, é a descontracção americana. Que a senhora da foto, eventualmente para tirar as fotos de determinado ângulo, estivesse ajoelhada em cima do sofá, já é uma enorme falta de respeito, que teve certamente lugar de primeira notícia em jornais e televisões. Devem pensar que somos todos uns asnos e não sabemos pensar... b) Popularidade mais baixa? says who? os mesmos media que preveram a vitoria da Hillary por larga margem?? c) Noticia da caca. Não relevam que Trump reuniu com raça negra ( então não é racista? ) que lidera universidades mas que a dita senhora tinha os joelhos no sofá. Palhaços!» ou quando Trump diz que a culpa das fugas de informação é do Obama «a)  Dê-me uns exemplos de feitos exemplares do ex presidente Obama b) O queniano está já adoptar a mesma estratégia que acabou com Romney. Usando equipas de background meio suspeito para controlar várias contas pro-Crack Obama em diferentes serviços de social media. Contas essas que costumavam registrar dois likes por cada input e tinham uma quantidade anormal de partilhas nos posts. Mas como o desespero é maior hoje em dia, agora também se meteu a fazer guias de como fazer uma revolução para tótós e organizar grupos anti-trump como o Organizing for Action. Patético. Força Trump! c) Algo se passa com o dn, ou tem de mudar as fontes ou os jornalistas! Recomendo a segunda. Apenas embarcam na Carneirada global da notícias negativas sobre o Trump. Hoje assinou decretos sobre educação, um a dar mais apoios aos colégios negros. Nem uma linha sobre isto. d) Fico boquiaberto com a estupidificaçao em massa das pessoas! Que se deixam enganar e levar pelos Media! Pessoas essas que ainda não se aperceberam que estão a ser usadas como arma de arremesso contra um Presidente democraticamente eleito! Cujo único defeito, é não ser o escolhido das elites globalistas, que pretendem comandar o mundo!... Trump ainda não fez nada, que os outros Presidentes não tenham já feito! A diferença é que os Media ensinaram-te que tudo o que Obama fazia era perfeito, e tu acreditaste!... Agora Trump está a fazer exactamente a mesma coisa, mas os Media ensinaram-te que está errado e tu acreditas?!... Que tal começares a pensar pela tua cabeça, em vez de usares a opinião formatada que os Media te impingem?!...Não achas demasiado estranho que os Media te escondam crimes praticados por refugiados, com o intuito de não te incentivarem o ódio! Mas no entanto fazem de tudo para incentivar o teu ódio contra o Presidente dos EUA?...Abre os olhos e olha à tua volta! Não te deixes imbecilizar pelos Media! Pensa pela tua cabeça! É a tua melhor arma! É a tua melhor defesa!...»

.................

Lemos isto ontem ou hoje em jornais portugueses.
Não sei quantas pessoas representam este tipo de comentários, mas não se podem desprezar. Neste caso é gente anónima, não são os 'comentadores de serviço' a que estamos habituados, não devem estar ligados a nenhum interesse especial. Imagino eu... Mas desprezam tudo o que ouvem que vá contra as suas convicções. E votam! E podem eleger (já está comprovado que sim!) em nome da democracia um completo anti-democrata. (faço figas que não consigam eleger a LePen) (aliás não sendo pessoa muito importante mas não nada anónima, a actriz Maria Vieira defende convictamente (?!) as ideias de Trump ] 

«Assim vai o Mundo», como se ouvia nos documentários que antecediam os filmes, quando ia ao cinema em pequenina.
Vai mal. 

Reinar espalhando o medo está a resultar, mas até quando?




Cereja

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O tal «superior interesse da criança»

É uma expressão pomposa utilizada na lei: o superior interesse da criança. Eu tive bastante contacto com esta expressão quando, há já bastantes anos, trabalhei numa área relacionada com a Convenção sobre os Direitos da Criança. E sim, fazia sentido pôr-se em primeiro lugar o «interesse da criança». Mas impressiona-me que, hoje em dia, em tribunais se ultrapasse constantemente esse princípio tão básico! Pode haver muitos interesses, mas o «da criança» é que não é decerto levado em conta.
Ultimamente a comunicação social parece ter despertado para diversas decisões de tribunal no mínimo discutíveis. Claro que, dado o tom sensacionalista que parece nortear as notícias dos nossos media, fica-se um pouco com a pedra no sapato quando vemos reportagens atacando CPCJs ou o trabalho de algumas assistentes sociais, facilitando que se tome a parte pelo todo. Um programa de RTP, Sexta às 9, por mais de uma vez mostrou umas reportagens a propósito de notícias de choque onde arrasava o trabalho de algumas assistentes sociais. Não foi bonito. Foi parcial.
Mas...
A verdade é que (correndo o risco de também estar a ser parcial) sei de muitos, demasiados (!) casos onde o que menos tem contado para o juiz é o tal superior interesse da criança. Tem-se falado recentemente de mais do que uma situação, onde um bebé é retirado à mãe e à família, ainda na maternidade sem se entender qual o risco, gravíssimo decerto, que corria esse bebé! Por exemplo, ainda hoje li no jornal que um juiz retira bebé à mãe com dificuldade em acordar para o amamentar. A sério. Por aquilo que se consegue ler, havia família, havia um pai. Também pelos vistos, mesmo que a mãe tivesse com uma depressão post-parto, (acontece, sabem?) só se refere que ela tinha dificuldade em acordar à noite, não que dormia o dia todo... E um pai também poderia dar um biberon, não é? Menos grave do que retirar o leite materno a este bebé, sabemos bem que os anti-corpos do leite da mãe o vão proteger durante muito tempo. Vai para uma instituição??? Com 6 dias? Qual o superior interesse do bebé?! No outro caso já referido, o bebé foi devolvido à mãe meses depois. Mas a relação perdida, a vinculação tão importante nos primeiros meses de vida, o «colo», a voz, o cheiro, tudo o que liga um bebé à mãe....?
Não entendo.

Também li uma crítica à mãe, acusando-a de ter assinado os documentos e depois se arrepender. E não será normal? Se uma miúda de 23 anos, não tem grande amparo e se sente deprimida deve assinar qualquer coisa... 
Há decerto uns «superiores interesses» mas não são os da criança. 

(vou voltar a este tema da 'leviandade' de alguns juízes, porque é coisa que muito me impressiona)


Cereja