quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Justiça

Não é só em Portugal que muitas vezes a Justiça (?) parece estar de pernas para o ar! Esta história foi em Espanha: Li há momentos uma notícia de jornal que refere que uma menina foi entregue pelo tribunal ao pai acusado, de violar a criança. Pelo que se lê não parece estar provado que não fosse verdade, muito pelo contrário, lê-se que a mãe «apresentou declarações de psicólogos e uma gravação onde a criança relata os actos do homem».  Nada aqui indica que fossem documentos falsos. A menina de 5 anos era da Etiópia, e tinha sido adoptada pelo casal, a mulher separou-se com queixa de violência psicológica e a menina ficou a viver com o pai (porquê? não é explicado)
Quando escrevi que pelos vistos não-é-só-em-Portugal, é porque tenho conhecimento directo de sentenças inacreditáveis nos tribunais de família. Casos onde está bem longe do que norteia a decisão o tal «superior interesse da criança» e sim o desejo de castigar o progenitor que não cumpriu alguma ordem do tribunal prejudique ou não com essa decisão o desenvolvimento da criança.
História verdadeira:
1) pais separados, com queixa de violência doméstica 2) pai acusado pela mãe e sua família, de maus tratos à menina de 2 anos e até com suspeita de abuso sexual. 3) após idas ao hospital, a criança foi fotografada para provar as lesões 4) essas fotografias foram consideradas violência contra a criança e a mãe e avó condenadas em tribunal com uma pena grave 5) essa violência doméstica - as fotos - somada à queixa de alienação parental em relação ao pai foi decisivo para que a criança com 5 anos fosse retirada à mãe (com aparato de polícia) e entregue à força ao pai, não tendo durante vários meses podido ver a mãe nem ninguém desse lado da família. 6) após esse período de segregação total, o tribunal permitiu visitas de 1 hora semanal da mãe na presença de uma assistente social 7) esta situação manteve-se até aos 7 anos da criança 8) o tribunal permitiu então fins de semana alternados desde que a menina nunca estivesse em contacto com a avó e entretanto um dos bisavós com mais de 90 anos morreu sem voltar a ver a bisneta. 9) mesmo assim o pai e família não cumpre a decisão por variados motivos, sem ser penalizado. Etc, etc...
É uma história inacreditável? Pois é, mas aconteceu e ainda está a acontecer. Por um motivo pessoal, decerto, a juíza deixou que a sua opinião sobre esta mãe e avó fosse o factor decisivo nas sentenças que tem promulgado. Admitindo que embora ela o acreditasse era uma pura calúnia a sugestão da mãe sobre o abuso à menina, era motivo para a criança passar meses sem ver a mãe? E quando a voltou a ver 'tinha medo dela'?! É tudo um mistério...
Assim como esta história passada em Espanha.
Ou está muito mal contada, ou aquele juiz tomou uma decisão favorecendo um dos lados sem qualquer justificação.

Assim vai a Justiça.


Cereja 

domingo, 22 de julho de 2018

A guerra ao plástico

Interessou-me porque vai ao encontro de algumas dúvidas que tenho. Ou seja, acredito, não tenho qualquer dúvida, de que a guerra ao plástico é importante e justa. Uma matéria que não é degradável com facilidade, e que vai sistematicamente acabar no mar, é um perigo para todos nós. Tem de se acabar com isso! E, por aquilo que vou sabendo e observando, na Europa dão-se passos nesse sentido. Ainda bem.
Mas...
Tal como suspeitava, quando me esforço por deitar no contentor amarelo os milhares de embalagens de plástico que as grandes superfícies insistem em me obrigar a trazer para casa, esta posição é uma gota de água. Tem de se começar por algum lado, e ainda bem que se começou, mas a acção tem de ser mundial, e nada indica que o esteja a ser. Diz lá que mais de metade dos plásticos/lixo vêm da China, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Vietname! Normal se pensarmos no tamanho da China e população chinesa. Parece que só eles são responsáveis por quase 30% desse lixo que vai para o mar. Pelo que se percebe primeiro vai para os rios e daí para os mares. E isso é que é verdadeiro lixo! A história das palhinhas com que se tem brincado nas redes sociais, porque Bruxelas as quer proibir, é quase insignificante, aí 0,025 dos plásticos - e os cálculos não estão feitos, isso era (ou seria) se cada pessoa usasse duas por dia, ou coisa assim! Neste artigo insistem que uma das porcarias de plástico que mais inunda os mares são... as redes e material de pesca! Nunca me tinha lembrado disso, e é óbvio!
Mas cá pela Europa a coisa está a levar-se a sério, e ainda bem.

Parece que o Lidl, alemão, deixou de vendar 'descartáveis', ainda não confirmei porque não compro essas coisas, mas acredito. ⇪😉
E posso testemunhar que no Ikea passaram a servir a água em copos de vidro! A sério. Parece que aqui na Europa se está a levar isto a sério. Mas somos muito poucos, parece que no país do Trump ainda não acreditam lá muito nessa coisa, e pelos vistos na Ásia está tudo por fazer...



Imagem relacionada
o copo de vidro do Ikea, belo aspecto!


Cereja

sábado, 21 de julho de 2018

O caso da «Suiça»

Falou-se muito nas redes sociais o mês passado, do encerramento da Pastelaria Suíça. Muita conversa sobre o desaparecimento de uma casa muito conhecida, que de facto o era, e falava-se da referência que era pela sua idade. Mas, achei graça não ter lido uma única opinião, uma única, que não censurasse o atendimento. Referia-se que para além dos preços despropocionalmente caros, quem falasse português era atendido de mau modo. E, se calhar, os estrangeiros também... Os testemunhos multiplicavam-se cada qual contando uma experiência naquela pastelaria que era um aviso para não se entrar lá. Até parecia que os empregados tinham uma formação inicial em maus modos, porque nenhum se safava 😊.
Isto fez-me recordar duas coisas que já escrevi, no sentido completamente oposto. Mas foi num blog que «abandonei» há anos, e o texto que mais se ajustava já não o consigo encontrar porque não me recordo que nome lhe dei.. O que ainda consigo linkar é o que chamei  «Tascas de província» e conta uma historieta verdadeira de um simpático atendimento que me tornou freguesa da casa. O tal outro texto, ainda bastante mais antigo, já está perdido no meio das milhares de coisas que lá escrevi (fui verificar, foram 3.869 posts, muita conversa deixei no meu querido Pópulo) mas refiro aí também, o atendimento excelente de uma loja que acompanhei quase desde que nasceu, situada na estrada que leva à aldeia onde passo os meus tempos livres. É uma loja de artesanato, que tem uma gama de produtos para oferta enorme, de grande bom gosto, mas sobretudo o atendimento é de uma gentileza inesquecível. Uma das 'marcas da casa' são os seus embrulhos com uns lacinhos imaginativos e trabalhosos, e embrulham do mesmo modo uma compra de 30 euros e uma de 1 euro. Nem perguntam «é para oferta?» É cliente portanto merece toda a atenção, afinal é prova de respeito por quem entrou na loja.
...............
Pois é. A Suiça tinha muita clientela, é verdade. Situada no Rossio seria inacreditável que a não tivesse. Mas só por isso, e a verdade é que não deixa saudades. As saudades que as pessoas referem são de si mesmas, da sua vida passada, e isso é outra coisa.

Cereja

sexta-feira, 20 de julho de 2018

De volta...

Já é costume. A minha colaboração neste abandonado blog desde há uns tempos passou a ser por soluços... Creio ter já dito numa outra «justificação» destas ausências que é uma questão de inércia, se paro uns tempos custa-me voltar a arrancar, se recomeço a escrever sabe-me bem e isto fica quase um diário (que aliás é: li em tempos que a origem do termo blog era mesmo 'diário de bordo', modelo dos navegadores e já se sabe que pela net se navega... 😉)
A verdade é que tenho aqui guardados vários pequenos textos, que ficaram em rascunho.
Frequentemente surgem coisas que me sugerem deixar aqui a minha opinião, o que começo a fazer. Entretanto dão-se acontecimentos infinitamente mais importantes, que remetem para depois esses textozitos, e ... acabo por não dizer nada nem do que era importante e grave, nem da fofoquice que tinha já rabiscado.
Bem, agora de férias e com tempo, vou por a escrita em dia!
Até já!!!

Cereja

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Montras e produtos com preços à vista

Outra rabujice 😏
Há pessoas com feitios diferentes, já o sabe Monsieur de La Palice e a nossa Lili Caneças especialista em dizer o óbvio. E, no referente a compras, os feitios divergem muito, mesmo muito. Desde aquele que gosta de entrar numa loja, observar tudo, perguntar, pedir informações, conversar com empregados (se os há, que a moda do self-service tem alastrado imenso) até experimentar roupa, abrir embalagens para observar melhor, etc, etc, e muitas vezes não chegar a comprar nada, até ao outro extremo, quem só entra na loja se sabe exactamente o que vai comprar, quanto custa, que existe ali, e compra logo. Tem 'vergonha' se não o faz, e no limite até compra se está embaraçado...
Não falo por mim, que considero estar no meio, entro muitas vezes para me informar, avaliar a relação qualidade/preço, comparar, mas explico logo que estou só a avaliar e não exagero até porque não gosto especialmente de fazer compras.
Ora há lojas, muitas até, que se esmeram por nas montras não ter os preços à vista. Devem achar que estraga a elegância do produto exposto, algo tão mesquinho como o preço que custa. Portanto é uma adivinha, obriga a entrar e perguntar, acredito que seja de propósito, o cliente ao entrar fica um pouco na obrigação de comprar alguma coisa.
Há muitos, muitos anos soube através da Deco que os produtos apresentados nas montras eram obrigados a mostrar o seu custo de um modo legível. Excepção as joalherias, imagino que para não dar ideias aos gatunos 😊
E essa lei (?) funcionou uns tempos, mas poucos. Ou seja, como é costume na nossa terra, existe mas não é cumprida.São estas as regras sobre a afixação de preços:  «A indicação dos preços deve ser feita de modo inequívoco, fácil e perfeitamente legível, através da utilização de letreiros, etiquetas ou listas, com vista a garantir que o Consumidor está a ser devidamente informado e opta, de modo livre e consciente, pela aquisição do produto ou serviço» e até «Os bens expostos em montras ou vitrinas, visíveis pelo público do exterior do estabelecimento ou no seu interior, devem conter uma indicação complementar, quando as respectivas etiquetas não sejam perfeitamente visíveis»
Está bem, abelha...
E já que estou com a mão na massa, ou no teclado, o caso dos  preços voluntariamente enganadores até em grandes superfícies, quando num expositor se pode ler em letras garrafais: TUDO A 5 € mas entre o A e o preço, em letras minúsculas, está escrito  «a partir de...  » Espertos, hein? Desde que lá esteja uma única camisola a 5 entre todas as outras a 10 ou 20, não mentiram, e só na caixa se dá pelo engano.

Negócios. Não seria interessante a ASAE estar atenta a estas coisas?


 

Cereja


domingo, 24 de junho de 2018

Ou...ou...? Nem... nem...!

Usa-se muito em discussões. "Ah, não queres (ou gostas, ou votas, ou....) Preto, vais ver o que é o Branco" e segue em frente. Ora na nossa gramática existe uma expressão muito clara e fácil de entender : nem isto nem aquilo.
É certo que por vezes não há escolha e só se vê o isto e o aquilo mas é muito raro, quase sempre encontra-se outra perspectiva fora do quadro.
Vem isto a propósito da crise no Sporting. 
Uma tristeza. Como foi possível?! Como aconteceu um clube centenário, com um percurso brilhante para além do futebol, ser palco de cenas tristíssimas e andar nas bocas do mundo pelos piores motivos? Claro que a explicação imediata tem a ver com a ganância de audiências das TVs que sabem empolar todas as notícias que lhe cheire a escândalo alimentadas pelo descontrolo verbal de um líder populista que adorava conferências de imprensa e redes sociais. Mas não só. A situação foi muito bem analisada AQUI 
Eu tenho seguido o fenómeno pelas redes sociais, sobretudo Twitter. É impressionante por um lado a violência verbal que se utiliza, acredito que cara a cara não se falaria assim, e por outro o recurso sistemático a concluir os que não querem A querem Z. (vê-se mais nos defensores de BdC)
É isto que se tornou irritante. A figura de Jaime Marta Soares é detestável. Os capitalistas que estão contra o BdC são do piorio (mas já agora não esquecer que o apoiaram...). Do pouco que percebo o futuro deste clube está complicado, e não vejo nenhum candidato decente. O Daniel Sampaio não se deve querer meter nisso, nem o Vasco Lourenço. Mas não é prolongando a agonia a que o clube esteve sujeito nas mãos de um alucinado, que em poucos meses estragou o bem que tinha feito, que está a solução.
Ao menos com esta opção pode haver eleições, e quem sabe...?  Dizem que a esperança é verde 😊


Cereja


sexta-feira, 22 de junho de 2018

Placas toponímicas

Decidi inaugurar uma categoria nova, uma pasta para rabujices 😉 porque de vez em quando apetece-me rabujar com mil e uma coisas, que não terão assim muita importância mas nem só de coisas importantes é feito esta espécie de diário.
A primeira rabujice tem a ver com a sinalização das ruas de Lisboa.
Nasci em Lisboa, vivo em Lisboa. Até conheço relativamente bem esta cidade, talvez bem melhor do que pessoas mais novas do que eu, que deixaram de andar a pé - actividade que praticava imenso quando era nova, e ainda um pouco hoje, e é a melhor forma de conhecer uma terra.
Contudo desde há anos que me interrogo, e cada vez mais, como é possível um visitante orientar-se nas nossas ruas... E nem penso em bairros labirínticos como os Olivais! Ná! Sítios normalíssimos, ruas direitas e com cruzamentos claros, até centrais, mas cuja identificação é um mistério.
Começo com um pormenor, que parece insignificante. As placas toponímicas em Lisboa são (quase todas) de pedra e as palavras são escritas em baixo relevo que depois é preenchido com tinta preta. Fica bonito, lê-se bem, parece uma boa opção. Mas... com o sol, com a chuva, com o passar dos  anos, a tinta vai-se. E nessas condições ler o que está escrito apenas em baixo relevo a 3 metros de altura, não é para qualquer um! Que belas são as placas de esmalte com letras brancas sobre azul escuro, de Paris.  Ou, o que raramente se vê em Lisboa mas também é legal, placas de azulejos, bonito e visível.
Mas a crítica sobre a legibilidade é para quando (a placa) existe. Porque imensas vezes, mesmo imensas, não foram colocadas onde deviam estar: em todas as esquinas das ruas. E é isso que não acontece. Tenho-me visto aflita muitas vezes, em zonas que conheço menos bem, perdida durante vários quarteirões até adivinhar onde raio é que estou 😡 Ainda a semana passada, indo de carro e já com pressa, não vi a placa do início da rua e depois disso passei 3 compridos quarteirões sem que nenhum tivesse placa. Uma rua importante! No Campo Pequeno, por exemplo, a placa da esquina que o liga à Av. da República está lá, sim, no primeiro andar num local completamente invisível para quem está no passeio. Etc, etc, a lista se a quisesse escrever nunca mais acabava!!!
Resmunguices.
E parece secundário, não é? Mas não acho. Afinal é uma prova de respeito por quem utiliza as nossas ruas. Teremos de andar todos de GPS??! Vamos perguntar onde estamos a quem passar na rua? É desleixo, e falta de respeito na minha opinião.


Cereja

terça-feira, 19 de junho de 2018

Profissões

De vez em quando sou-chamada-à-realidade se me distraio com a idade que tenho 😏 Como acompanho a actualidade e as mudanças sociais, "esqueço-me" que nasci no século passado e até lá para o meio... Ou seja há coisas que, embora não me surpreendam inteiramente, ainda paro para pensar e descodificar na língua da minha infância.
Desta vez são as profissões actuais, e até outras que já existiam mas foram crismadas para parecerem mais elegantes.
É claro que algumas nasceram há apenas umas dezenas de anos mas tornaram-se mais importantes (falo a sério) do que outras milenárias. Para já a profissão de informático! O mundo não funcionava sem essa classe, sabemos bem, dos transportes à medicina tudo gira porque há informáticos.
E, claro está, há outras que desapareceram e há muitos anos. Já não há a profissão de lavadeira, e os ardinas ou cauteleiros há muito que também só existem nas nossas recordações. Dactilógrafa não há, leiteiro, telefonista, e quem se lembra das apanhadeiras de malhas das meias 😕 ???
Mas, para compensar, há imensas profissões que à primeira vista não se percebe (eu não percebo, é que é) o que esses profissionais fazem. Voltando a referir de novo o concurso Brainstorm, o animador do concurso pergunta que profissão o concorrente tem, creio que para o situar melhor e calcular que tipo de conhecimentos lhe são mais familiares. Fico muitas vezes surpreendida, e felizmente que ele insiste «e faz o quê?» porque não adivinhava. Ainda a semana passada, um concorrente como profissão disse que era conferente (?)  e à pergunta «confere o quê?» entendi que era o que vinha nos navios que chegavam aos cais. E há subdivisões, no meu tempo havia bancários, mas lá no concurso apanhei com operador financeiro, com gestor de contas, e isso do dinheiro tem muitas facetas técnico oficial de contas, e há inspector tributário, etc, etc.. que as finanças é um polvo cheio de tentáculos. E há mediadores imobiliários,  que nascem que nem cogumelos, e uma das coisas que nunca me habituarei, é que se pode ser youtuber como profissão!!! É publicar coisas no youtube e viver disso. Oooooh! E até ficam ricos, já percebi.
Há também, já há muito tempo, a promoção social pela alteração do nome da profissão. Recordo quando as telefonistas passaram a ser operadoras de comunicação ou qualquer coisa assim, e a minha gaffe quando me referi a um sapateiro, que afinal era reparador de calçado, e por aí fóra!!! Todos conhecemos imensos exemplos.
O triste é que a honra do título não corresponde em nada um vencimento também honroso. Nem nada. Pelo contrário o que se vê é o descaramento de se oferecer 600€ a um licenciado, até com licenciatura "à antiga".

Cereja

sábado, 9 de junho de 2018

A informação manipulada

Mais uma vez volto à vaca fria. Mas tem de ser, desabafo aqui, tenho mais espaço do que no fb 👿

Quando a notícia encheu as páginas dos jornais e apareceu com relevo nos telejornais, cheirou-me logo a esturro. Apesar de já não andar perto das questões do ensino, conheço crianças, muitas até, e a coisa não me parecia bem. Diziam, em parangonas que 45% dos alunos não consegue localizar Portugal no mapa da Europa, e o coro de indignação percorreu o país, ou pelo menos as redes sociais. Aliás vi variantes desta «notícia» que iam mais longe, usando outros termos: "não conseguem apontar Portugal no mapa da Europa»!. Que vergonha, para os miúdos e para os seus professores, decerto muito incompetentes.
Olhem amigos, eu cá... fiquei com pedra no sapato. 
A coisa não me fazia sentido. Até por motivos corriqueiros, os campeonatos de futebol tão falados, fartam-se de mostrar diversos países e a sua respectiva localização, como é que podia haver engano com o nosso???!!! Os nossos miúdos não sabiam onde ficava Portugal?!
Finalmente, através de uma professora fui esclarecida:
Ninguém pediu que apontassem Portugal no mapa. Pediram o que adiante se transcreve, e de notar que 55% respondeu correctamente, como explicou a professora «sem se atrapalhar com a orientação no espaço, nem a subtil variação na preposição que antecedia os pontos colaterais» Aqui está


E então? Ninguém, adulto, se atrapalhava com o sudoeste e sudeste, este, oeste, noroeste,nordeste...? Mesmo no stress de uma Prova de Avaliação? Era canja?
Hmmm.... Notem que não é saber bem os pontos cardeais, é situar algo usando esses pontos e relacionando-os com um terceiro elemento. Bem diferente de encontrar um país num mapa!
.........
Só que esta história mal contada, e distorcida, serviu logo para um ataque ao ensino, incidindo as violentas críticas contra o alvo que seria o ensino público.
É triste, não é?
Cereja

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Privacidade


Não sou só eu!
Toda a gente com quem falo se queixa está admirada com esta onda (tsunami?!) de mensagens via sms ou email, de centenas de empresas que vêm declarar que os nossos dados nos seus sites estão protegidos mas pedem que confirmemos a nossa relação com eles e que aceitamos os seus serviços. Ando abismada porque não tinha a noção de que fossem tantos!
Nalguns casos percebe-se. Ontem fui chamada ao balcão do meu Banco, porque nesse caso a minha concordância tinha de ser presencial e tinha de assinar lá um documento. Claro que se entende que um Banco mantenha os meus dados confidenciais, nem imagino que assim não seja, mas se uma empresa qualquer precisa do meu nome, idade, telefone, número de contribuinte, ou morada, eu até aqui partia do princípio de que era para seu uso próprio e por isso lhos fornecia. Se ela decidia vender esses dados, para a publicidade ou calcular-se se eu votaria no Trump [ou Marcelo] isso era um abuso de confiança, um crime. Parece-me simples. Mas não, é bastante complicado, elas têm de nos enviar um relambório de várias páginas escritas em letra miudinha, e temos de assinar e devolver. Resumindo, uma chatice!!!
Pelo que entendo a coisa começou no facebook, Mark Zuckerberg, não protegeu as contas e está a prestar contas disso. Mas espalhou-se nas «redes sociais», o que abrange tudo. A rede social é interessante, tem algumas vantagens. Algumas! Por exemplo podemos dar e receber notícias de pessoas que conhecemos mas, por motivos diversos, estão afastadas. Ou vivem longe, ou não têm tempo para visitas nem sequer para telefonar a horas decentes. E pode-se «conversar» com diversas pessoas ao mesmo tempo, sobretudo no twitter. É engraçado, e usado com bom-senso não compromete.
Mas infelizmente Descartes estava completamente iludido e o dito bom-senso não é nada a coisa do mundo melhor partilhada!!! Deseja-se fazer omeletes sem ovos, escarrapachar sentimentos, falar de situações pessoais abundantemente ilustradas com fotos, dizer muitas vezes o que passa pela cabeça sem pensar 2 vezes (ná, não estou a pensar sequer no Bruno de Carvalho!) até se apagar coisas depois de terem estado à vista, e... depois é uma surpresa virem a confirmar que todos ficaram a saber. 😏
Privacidade. É importante. É muito importante! E entrar nas nossas contas é um crime que não apenas os hackers cometem, como imagino que haja muita gente bisbilhoteira que o saiba fazer. Mas, exactamente por isso, porque sabemos que desde que se publique na net é sempre possível ser desvendado que o remédio é... não o escrever!
Para mim há coisas bem mais difíceis do que evitar escrever algo que queira que fique privado.



Cereja