sexta-feira, 22 de junho de 2018

Placas toponímicas

Decidi inaugurar uma categoria nova, uma pasta para rabujices 😉 porque de vez em quando apetece-me rabujar com mil e uma coisas, que não terão assim muita importância mas nem só de coisas importantes é feito esta espécie de diário.
A primeira rabujice tem a ver com a sinalização das ruas de Lisboa.
Nasci em Lisboa, vivo em Lisboa. Até conheço relativamente bem esta cidade, talvez bem melhor do que pessoas mais novas do que eu, que deixaram de andar a pé - actividade que praticava imenso quando era nova, e ainda um pouco hoje, e é a melhor forma de conhecer uma terra.
Contudo desde há anos que me interrogo, e cada vez mais, como é possível um visitante orientar-se nas nossas ruas... E nem penso em bairros labirínticos como os Olivais! Ná! Sítios normalíssimos, ruas direitas e com cruzamentos claros, até centrais, mas cuja identificação é um mistério.
Começo com um pormenor, que parece insignificante. As placas toponímicas em Lisboa são (quase todas) de pedra e as palavras são escritas em baixo relevo que depois é preenchido com tinta preta. Fica bonito, lê-se bem, parece uma boa opção. Mas... com o sol, com a chuva, com o passar dos  anos, a tinta vai-se. E nessas condições ler o que está escrito apenas em baixo relevo a 3 metros de altura, não é para qualquer um! Que belas são as placas de esmalte com letras brancas sobre azul escuro, de Paris.  Ou, o que raramente se vê em Lisboa mas também é legal, placas de azulejos, bonito e visível.
Mas a crítica sobre a legibilidade é para quando (a placa) existe. Porque imensas vezes, mesmo imensas, não foram colocadas onde deviam estar: em todas as esquinas das ruas. E é isso que não acontece. Tenho-me visto aflita muitas vezes, em zonas que conheço menos bem, perdida durante vários quarteirões até adivinhar onde raio é que estou 😡 Ainda a semana passada, indo de carro e já com pressa, não vi a placa do início da rua e depois disso passei 3 compridos quarteirões sem que nenhum tivesse placa. Uma rua importante! No Campo Pequeno, por exemplo, a placa da esquina que o liga à Av. da República está lá, sim, no primeiro andar num local completamente invisível para quem está no passeio. Etc, etc, a lista se a quisesse escrever nunca mais acabava!!!
Resmunguices.
E parece secundário, não é? Mas não acho. Afinal é uma prova de respeito por quem utiliza as nossas ruas. Teremos de andar todos de GPS??! Vamos perguntar onde estamos a quem passar na rua? É desleixo, e falta de respeito na minha opinião.


Cereja

terça-feira, 19 de junho de 2018

Profissões

De vez em quando sou-chamada-à-realidade se me distraio com a idade que tenho 😏 Como acompanho a actualidade e as mudanças sociais, "esqueço-me" que nasci no século passado e até lá para o meio... Ou seja há coisas que, embora não me surpreendam inteiramente, ainda paro para pensar e descodificar na língua da minha infância.
Desta vez são as profissões actuais, e até outras que já existiam mas foram crismadas para parecerem mais elegantes.
É claro que algumas nasceram há apenas umas dezenas de anos mas tornaram-se mais importantes (falo a sério) do que outras milenárias. Para já a profissão de informático! O mundo não funcionava sem essa classe, sabemos bem, dos transportes à medicina tudo gira porque há informáticos.
E, claro está, há outras que desapareceram e há muitos anos. Já não há a profissão de lavadeira, e os ardinas ou cauteleiros há muito que também só existem nas nossas recordações. Dactilógrafa não há, leiteiro, telefonista, e quem se lembra das apanhadeiras de malhas das meias 😕 ???
Mas, para compensar, há imensas profissões que à primeira vista não se percebe (eu não percebo, é que é) o que esses profissionais fazem. Voltando a referir de novo o concurso Brainstorm, o animador do concurso pergunta que profissão o concorrente tem, creio que para o situar melhor e calcular que tipo de conhecimentos lhe são mais familiares. Fico muitas vezes surpreendida, e felizmente que ele insiste «e faz o quê?» porque não adivinhava. Ainda a semana passada, um concorrente como profissão disse que era conferente (?)  e à pergunta «confere o quê?» entendi que era o que vinha nos navios que chegavam aos cais. E há subdivisões, no meu tempo havia bancários, mas lá no concurso apanhei com operador financeiro, com gestor de contas, e isso do dinheiro tem muitas facetas técnico oficial de contas, e há inspector tributário, etc, etc.. que as finanças é um polvo cheio de tentáculos. E há mediadores imobiliários,  que nascem que nem cogumelos, e uma das coisas que nunca me habituarei, é que se pode ser youtuber como profissão!!! É publicar coisas no youtube e viver disso. Oooooh! E até ficam ricos, já percebi.
Há também, já há muito tempo, a promoção social pela alteração do nome da profissão. Recordo quando as telefonistas passaram a ser operadoras de comunicação ou qualquer coisa assim, e a minha gaffe quando me referi a um sapateiro, que afinal era reparador de calçado, e por aí fóra!!! Todos conhecemos imensos exemplos.
O triste é que a honra do título não corresponde em nada um vencimento também honroso. Nem nada. Pelo contrário o que se vê é o descaramento de se oferecer 600€ a um licenciado, até com licenciatura "à antiga".

Cereja

sábado, 9 de junho de 2018

A informação manipulada

Mais uma vez volto à vaca fria. Mas tem de ser, desabafo aqui, tenho mais espaço do que no fb 👿

Quando a notícia encheu as páginas dos jornais e apareceu com relevo nos telejornais, cheirou-me logo a esturro. Apesar de já não andar perto das questões do ensino, conheço crianças, muitas até, e a coisa não me parecia bem. Diziam, em parangonas que 45% dos alunos não consegue localizar Portugal no mapa da Europa, e o coro de indignação percorreu o país, ou pelo menos as redes sociais. Aliás vi variantes desta «notícia» que iam mais longe, usando outros termos: "não conseguem apontar Portugal no mapa da Europa»!. Que vergonha, para os miúdos e para os seus professores, decerto muito incompetentes.
Olhem amigos, eu cá... fiquei com pedra no sapato. 
A coisa não me fazia sentido. Até por motivos corriqueiros, os campeonatos de futebol tão falados, fartam-se de mostrar diversos países e a sua respectiva localização, como é que podia haver engano com o nosso???!!! Os nossos miúdos não sabiam onde ficava Portugal?!
Finalmente, através de uma professora fui esclarecida:
Ninguém pediu que apontassem Portugal no mapa. Pediram o que adiante se transcreve, e de notar que 55% respondeu correctamente, como explicou a professora «sem se atrapalhar com a orientação no espaço, nem a subtil variação na preposição que antecedia os pontos colaterais» Aqui está


E então? Ninguém, adulto, se atrapalhava com o sudoeste e sudeste, este, oeste, noroeste,nordeste...? Mesmo no stress de uma Prova de Avaliação? Era canja?
Hmmm.... Notem que não é saber bem os pontos cardeais, é situar algo usando esses pontos e relacionando-os com um terceiro elemento. Bem diferente de encontrar um país num mapa!
.........
Só que esta história mal contada, e distorcida, serviu logo para um ataque ao ensino, incidindo as violentas críticas contra o alvo que seria o ensino público.
É triste, não é?
Cereja

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Privacidade


Não sou só eu!
Toda a gente com quem falo se queixa está admirada com esta onda (tsunami?!) de mensagens via sms ou email, de centenas de empresas que vêm declarar que os nossos dados nos seus sites estão protegidos mas pedem que confirmemos a nossa relação com eles e que aceitamos os seus serviços. Ando abismada porque não tinha a noção de que fossem tantos!
Nalguns casos percebe-se. Ontem fui chamada ao balcão do meu Banco, porque nesse caso a minha concordância tinha de ser presencial e tinha de assinar lá um documento. Claro que se entende que um Banco mantenha os meus dados confidenciais, nem imagino que assim não seja, mas se uma empresa qualquer precisa do meu nome, idade, telefone, número de contribuinte, ou morada, eu até aqui partia do princípio de que era para seu uso próprio e por isso lhos fornecia. Se ela decidia vender esses dados, para a publicidade ou calcular-se se eu votaria no Trump [ou Marcelo] isso era um abuso de confiança, um crime. Parece-me simples. Mas não, é bastante complicado, elas têm de nos enviar um relambório de várias páginas escritas em letra miudinha, e temos de assinar e devolver. Resumindo, uma chatice!!!
Pelo que entendo a coisa começou no facebook, Mark Zuckerberg, não protegeu as contas e está a prestar contas disso. Mas espalhou-se nas «redes sociais», o que abrange tudo. A rede social é interessante, tem algumas vantagens. Algumas! Por exemplo podemos dar e receber notícias de pessoas que conhecemos mas, por motivos diversos, estão afastadas. Ou vivem longe, ou não têm tempo para visitas nem sequer para telefonar a horas decentes. E pode-se «conversar» com diversas pessoas ao mesmo tempo, sobretudo no twitter. É engraçado, e usado com bom-senso não compromete.
Mas infelizmente Descartes estava completamente iludido e o dito bom-senso não é nada a coisa do mundo melhor partilhada!!! Deseja-se fazer omeletes sem ovos, escarrapachar sentimentos, falar de situações pessoais abundantemente ilustradas com fotos, dizer muitas vezes o que passa pela cabeça sem pensar 2 vezes (ná, não estou a pensar sequer no Bruno de Carvalho!) até se apagar coisas depois de terem estado à vista, e... depois é uma surpresa virem a confirmar que todos ficaram a saber. 😏
Privacidade. É importante. É muito importante! E entrar nas nossas contas é um crime que não apenas os hackers cometem, como imagino que haja muita gente bisbilhoteira que o saiba fazer. Mas, exactamente por isso, porque sabemos que desde que se publique na net é sempre possível ser desvendado que o remédio é... não o escrever!
Para mim há coisas bem mais difíceis do que evitar escrever algo que queira que fique privado.



Cereja

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Há uma moda para tudo

Por motivos familiares 😌uma vez que há um só comando de tv, tenho acompanhado com alguma regularidade, o concurso Brainstorm, da RTP. Não vou agora resmungar com a mania dos títulos em inglês, talvez quando compram os direitos da coisa isso não cubra o traduzir-se na língua no país onde será exibido... Mas anda a fazer-me espécie um aspecto curioso: como é que por mais de duzentas vezes, (pode ser que alguma vez a resposta tivesse sido outra mas eu cá não a ouvi) os concorrentes quando respondem à curiosidade do apresentador sobre o que querem fazer com o dinheiro que vão ganhar, dão a mesma e única resposta - uma viagem!
Já espreitei quem patrocina o concurso e não é nenhuma agência de viagens nem sequer uma companhia de aviação, parecem-me serem refrigerantes, ou outras coisas do estilo. Ora como é possível que os desejos de toda a gente, mas das mais variadas espécies, homens ou mulheres, solteiros ou casados, dos dezoito aos setenta e tal anos, todos queiram com o dinheiro ganho ir passear e só isso!!!
Não pode ser.
Até parece que o consumismo de bens materiais desapareceu completamente. Todos vivem satisfeitíssimos com o que já têm e de mais não precisam. Ou eu já tenho falsas recordações ou antigamente falava-se em muitas hipóteses, aliás sensato porque dependeria do dinheiro ganho e do possível vencedor.  Desde desejarem um carro novo, ou trocar aquele que tinham se o prémio fosse alto, até um plasma daqueles xptl que custam muitas centenas de euros, ou aparelhagens do tipo cinema em casa também caríssimas, no caso de o lucro ser menor. Ou até trocar de casa, se ganhassem muito... E é claro que na lista dos desejos entrava também uma bela viagem, o que é um desejo normal. Mas que seja a única escolha de todos os que por ali passam, desculpem mas eu estranho.
Por isso imagino que seja uma moda. Para além de um certo pudor de dizer assim em público que desejavam uma coisa banal, pela lei do menor esforço usam o que todos os outros dizem, a «chapa um» - viagem. Fácil e pronto... Atenção, é um desejo muito legítimo, eu também o tenho, não sou mais do que eles 😏 mas, com franqueza, é o único desejo que aquela gente toda tem...?! É uma moda, só pode ser !!!




 Cereja

terça-feira, 5 de junho de 2018

A questão da solidão

Na sequência de uma uma notícia triste e outra divertida, uma triste sobre solidão, por todo o mundo mas sobretudo em Portugal  e outra que nos faz rir, sobre as conversas dos portugueses com Deus, uma amiga minha escreveu no facebook «com a quantidade de idosos isolados ainda bem que falam com Deus, senão quem o faria...?» recordei uma situação que acompanho de perto e encaixa nesta questão tão séria e grave.
Numa aldeia onde costumo passar grandes períodos de tempo, vivia um casal já idoso com quem mantinha-mos uma excelente relação. Com a família reduzida, tinham casado bastante tarde e não tinham filhos, e ainda havia irmãos mas de quem estavam muito afastados, ou por viverem bastante longe ou por questões de partilhas com o conseguente corte de ralações. Por serem muito afáveis, sobretudo ele que era muito bondoso e prestável, viviam bem com a vizinhança. Mas a idade, fazia-se sentir, e já tinham ultrapassado os 90 anos com diversos problemas de saúde próprios não só dos muitos anos como de uma vida dura de trabalho. Contudo amparavam-se um ao outro, já vendo e ouvindo muito mal, e com dificuldade de mobilidade, mas podia-se dizer que vivia um para o outro, e eu reconheço que os via sempre como casal, separados era quase como uma separação de siameses...
Contudo, aconteceu o que se temia e o marido que se queixava menos foi o que foi primeiro.
Nem é necessário descrever o estado em que ficou a viúva! Perdeu mais de metade de si mesma. O desgosto, a revolta, o medo, a depressão, eram permanentes. Uma sobrinha que vivia muito distante tentou sugerir-lhe um lar, o que foi naturalmente recusado. Toda a sua vida e recordações estava entre aquelas paredes. Mas continuava a chorar e a queixar-se um ano e meio depois.
Uma sua vizinha de conversa comigo, já impaciente, dizia-me "Ela deve perceber que não é só ela! Fala como se fosse a única pessoa que perdeu o marido, e tantos de nós passámos já por isso!» E citou-me outra pessoa que tinha perdido o marido e ficado com 2 filhos, adultos agora e também com filhos. Ora dessa comparação faltava o âmago da questão que era, para mim, a solidão!
O que estava subjacente na queixa da velhinha de 90 e tal anos, era o sentir-se tão sozinha!. O caso da outra vizinha, além de na altura ter 2 filhos que a preocupavam decerto mas eram uma enorme companhia, tinha 2 irmãos carinhosos que viviam perto, tinha pai e mãe, para além de imensos primos, afilhados etc. Exactamente o oposto.
E esta é mesmo uma «doença social» da actualidade. Que tem de ter cura!!! Tem de ter!

Cereja

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Desilusão e tristeza


 [nota inicial: fiz aqui no blog uma pausa muito grande. Reconheço que funciono um pouco por 'inércias' quando começo a escrever apanho a inércia do movimento, e escrevo todos os dias com muito prazer, depois interrompo por um qualquer motivo, e começa a outra inércia, custando-me a recomeçar mesmo que existam - e de que maneira! - imensas coisas que gostaria de falar aqui. Agora tenho de  quebrar a preguiça pausa actual 😔 ]

Pois é. Portugal viveu nos últimos dias uma emoção enorme que o dividiu em dois grandes blocos, o SIM e o NÃO a uma proposta de lei, aliás 4 propostas idênticas, propondo a despenalização de quem ajudasse alguém a morrer, suicídio assistido, a eutanásia como ficou conhecida. (digo desta maneira porque na pura eutanásia não está implícito que se pratica a pedido, o que é o caso)  Houve muito quem comparasse com a luta que se travou quando se propôs a despenalização do aborto, porque tem algo de semelhante na sua enorme diferença. São decisões pessoais, individuais, que se tomam também por motivos pessoais, mas que as religiões condenam, e de um modo geral as pessoas com uma formação mais tradicional também não aceitam. E que a lei tal como existe (ou existia no caso da IVG ) castiga. 
Faz sempre impressão os exageros que se dizem, e as mentiras impressionantes que se usam como argumentos. No caso da IVG falava-se do embrião como de um bebé, e com base nisso valia tudo! Houve um referendo onde o «não» ganhou mas no seguinte perdeu. Ou seja, certas ideias precisam de tempo e muito esclarecimento para serem bem entendidas.
O que se passou agora com os 4 projectos da despenalização da eutanásia não é surpresa. Os defensores do Não encheram redes sociais e comunicação social com textos manipulados e usando os mais diversos fantasmas e medos. Muito frequentemente ignoravam os textos que combatiam, propunham coisas que eram exactamente ditas nessas propostas. Fizerem manifestações como a do «não matem os velhinhos» que muita gente gozou, mas a verdade é que podiam levar gente a pensar que se iria exterminar velhos e doentes...  para-não-gastar-dinheiro-em-remédios?!?!??
Mas quando intitulo Desilusão e Tristeza, estou a pensar no voto do PCP. Sinto tristeza, sim. O Partido foi uma referência, senti sempre muito respeito pelo seu trabalho, pelas suas lutas. E mesmo em desacordo muitas vezes, custava-me criticar. Não se faz. Como cuspir na sopa, ou bater na avó, é feio, falta de educação. E, mesmo desta vez não gostei de o ver apanhar tanta pancada de tanto lado, mas caramba, ele pôs a jeito! Se procurarmos a posição do PC espanhol, um partido irmão, a diferença é profunda.
E a verdade é que a lei foi recusada por cinco votos. Cinco votos! Bastaria o PC ter dado liberdade de voto aos seus deputados, como outros partidos fizeram uma vez que era um assunto tão pessoal, e tenho a certeza de que a lei teria passado.
Bom, se tivesse passado, lá haveria um Presidente da República para a vetar, de certeza. Mas teria passado no Parlamento. É isso que me causa desilusão e tristeza, a incompreensível tomada de posição de um partido que me habituei a respeitar. Mas, tal como na IVG, a lei pode passar à segunda. Ou à terceira. Ou à ...
A marcha da história das sociedades é irreversível, acredito.


Cereja

domingo, 6 de maio de 2018

Comércio de Bairro

Já por aqui tenho falado no comércio local do meu bairro o comércio do ponto de vista do utilizador, neste caso de mim e o meu bairro. 😏
E até creio que falei já nesta lojinha .Ela pode podia ver-se como «um lugar de hortaliça», que era mais ou menos o correspondente a este estabelecimento quando eu era pequena. Porque, prioritariamente, vende fruta e hortaliças, mas a assinalar que estamos a viver no século XXI também lá há produtos que seriam de «drogaria» na minha infância, e bastantes enlatados coisa que também não se via nos «lugares», e até vende pão uma vez que já não há «padarias». (A tal «portuguesa» não é obviamente uma «padaria»)

Gosto de lá ir. É perto de casa. E sobretudo tem 2 vantagens enormes 1 - é muito mais barato do que no «outro comércio» e 2 - não há bichas, nos minipreços e pingosdoces temos de esperar e muitas vezes bastante tempo pela nossa vez, ali é super rápido mesmo que esteja lá outra cliente ele vai atendendo as duas ao mesmo tempo. E o raminho de salsa ou coentros não é pago, é só pedir...
A lojinha é de um indiano. Ele e família, muitas vezes está a mulher, e também se vê o filho a fazer os trabalhos de casa. O rádio está sintonizado num posto que fala uma língua exótica (tradução de exótico: que eu não identifico) e por vezes ele suspende o que está a fazer para ouvir o que dizem. É isso que nos mostra que estamos no século XXI, esta imagem não se concebia em meados do século passado!
Mas a clientela é quase toda de senhoras mais ou menos idosas, motivo deste texto. Enquanto ontem eu escolhia a fruta para levar, uma outra cliente apalpava as pêras. «Hmmm... estão muito rijas...» e foi avaliar outra fruta. Há actualmente imensos termos novos o que não faria mal nenhum se não se perdessem os menos novos, até enriquecia a nossa língua. Mas não é o caso. Há imensos que caíram em desuso como o caso do adjectivo «rijo». Neste caso rijo quer dizer duro, podia ser 'forte' também, mas ouve-se já muito raramente essa palavra. É uma palavra de época, como a senhora que a proferiu.
Assim como também 'tem data' o saco que eu tinha levado para trazer as compras. O senhor enquanto pesava duvidou «isso aguenta?» mas depois lembrou-se «ah! havia desses dantes! É antigo, não é?» e no seu português com sotaque aplaudiu «Eram muito bons, sim!»
Assim vai o comércio da minha rua.
A pobre explorada menina do pingodoce não teria tempo para estas saborosas conversas. Mas ali, sim. Viva este comércio de proximidade!!!


Cereja

domingo, 29 de abril de 2018

Cada um é como quer...

Frase popular cada um é como quer significa afinal, no feitio de uma pessoa não se mexe, deixem-no em paz, não impliquem...
E só pode ser louvado. Nós somos - felizmente! - diferentes, cada um tem os seus hábitos, ou as suas «manias» e por isso nos associamos e somos amigos. Mas há coisas engraçadas como, por exemplo, quando uma dessas características pessoais irrita um pouco quem tem a correspondente oposta 😉
Ontem tive uma troca de piadinhas no facebook, que me apetece prolongar por aqui, onde tenho mais espaço para dar a minha opinião. Acontece que a propósito deste tempo bipolar, onde 'dia sim dia não' é Inverno e 'dia não dia sim' é Verão, me lamentei porque depois de uns dia mais seguidos de calor tinha limpo e arrumado o meu guarda-roupa de Inverno (!!!) e tirado da arca e passado a ferro o que uso quando faz calor. A casa é pequena não tenho espaço para ter tudo pendurado. Uma amiga (verdadeira) comentou «ainda bem que sou desarrumada!» e outra riu-se, e aplaudiu «eu também!». Entrei na brincadeira e respondi-lhes «pois eu sou muito preguiçosa para ser desarrumada!» o que provocou alguma estranheza.
Aqui, com mais tempo e espaço, explico o que quero dizer.
Vamos imaginar 2 grupos opostos, as pessoas desarrumadas e as pessoas arrumadas, esquecendo para facilitar a caricatura as pessoas 'normais' que não caem em extremos e possivelmente será o caso das minhas amigas.
A ideia feita é, ao contrário do que lá escrevi, que quem é desarrumado é que é preguiçoso, não se rala em deixar as coisas no lugar, deixa-as em qualquer sítio por ser mais fácil. E é. É mais fácil no imediato. Para deixar-ficar-em-qualquer-sítio basta um segundo. Só que tempos depois quando precisa dessa tal coisa, inicia-se uma caça ao tesouro que pode dar uma trabalheira e até precisar de ajuda... Como todos temos a experiência, até as pessoas normais de vez em quando não encontram qualquer coisa, quem não passou por tal...?!  Onde é que deixei as chaves? Onde está o livro que estava a ler? Viste o carregador do telemóvel? Aliás há objectos que parece terem uma habilidade especial para se esconderem, óculos por exemplo! Creio que mesmo quem for muito arrumado por natureza pode sofrer um percalço desses de vez em quando.
Mas na balança desarrumado versus arrumado, o arrumado tem a vida infinitamente mais fácil! É indiscutível que o tempo que leva a deixar uma coisa no sítio, é muitíssimo menor do que aquele que precisa para o procurar e achar!!! Mas há uma ressalva importante: nunca se deve arrumar as coisas dos outros! É um erro gravíssimo e que leva a um ódio de morte, porque o efeito pode ser catastrófico.
Voltando ao princípio, dou-me bem com o meu feitio de arrumada. Poupa-me stress inútil. Raramente se ouve lá em casa depressa-onde-raio-está-o-comando-quero-apanhar-o-que-está-a-dar-no-canal X porque os comandos estão sempre no seu sítio (a não ser que alguém tenha mexido).
Mas isto sou eu.
Deus me livre de impingir o modelo.
Afinal, «cada um é como quer» e ainda bem



Cereja

sábado, 14 de abril de 2018

Polícias do Mundo

Antes de mais nada, este problema da Síria deixa-me muito confusa, não sei quem são «os bons» ou quem são «os maus» e até me parece que são todos maus. Portanto, não será disso que se trata não tenho motivos para defender uma opinião, apenas tenho uma pena imensa de quem lá  (ainda) vive.
Mas...
Dizem que foi um triunvirato, Inglaterra, França e Estados Unidos, que tomou hoje uma decisão gravíssima.  Quando invadiram o Iraque também eram (?) 3, mas a França substitui hoje a Espanha. Deve ser o «Conselho de Segurança» em versão simplificada, parece que o verdadeiro tem 15 membros, o Conselho Permanente com direito a veto são 5, portanto estes 3 têm um super-veto porque vetam os outros 2. A minha ideia é que existe ainda um super-super-conselho de segurança, conselho de um membro só, e que são os EUA.
Sou sincera quando digo que não sei quem são os bons ou os maus no conflito da Síria. A utilização das armas químicas é tão horroroso que faz inevitavelmente cair quem as usou para o lado dos «muitíssimo maus». Contudo entre o primeiro alarme e hoje passaram muitos dias, mesmo muitos, e ficamos a especular porque foi exactamente hoje, no dia em que os investigadores internacionais iam começar a investigar os factos, que o ataque se consumou destruindo o alvo da investigação. Parece que já não deve haver nada a investigar, se foi tudo bombardeado....
A indústria cinematográfica americana fornece-nos até ao enjoo imensos filmes e séries com os heróicos soldados norte-americanos a combater e até a morrer na defesa da pátria. Contudo, sem desmerecer, mas a verdade é que a sua pátria só foi atacada em Pearl Harbor no final de 1941.  Houve o ataque às Torres Gémeas, com mais mortos do que em Pearl Harbor, mas de resto o seu território nunca foi beliscado. Eles iam «defender a pátria» na terra dos outros, na Coreia, no Vietnam, no Médio Oriente. 
Eram, foram, e continuam a ser os Polícias. Não defendem nada a sua pátria, defendem a sua ideologia. É um pouco muito diferente. Defendem fisicamente a sua ideologia, atacando também fisicamente quem tem uma ideologia diferente. Sempre assim foi, e continua a ser. E o mexilhão que se lixa, quero eu dizer o povo desgraçado que é «defendido» ou «atacado» por estes samaritanos lá se tem de aguentar no meio de todos os horrores. Como a piada do escuteiro que se atrasou porque tinha estado a a ajudar uma velhinha a atravessar a rua, e quando estranharam ter demorado tanto, explicou «é que ela não queria vir!». Muitos dos povos «ajudados» pelos EUA nem queriam tal ajuda, mas teve de ser.
Mas se assim fosse como raio escoavam as armas? Com a indústria de armamento não se brinca. É certo que o «consumo interno» naquele país já é alguma coisa, mas é uma gota de água, em relação ao que é necessário.
Para isso é preciso fiscalizar como se portam todos os países do Mundo (pelo menos os do segundo mundo)  e intervir como bons polícias. Sempre assim fizeram e resulta muito bem.



Cereja