sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Linguagem inclusiva

Sendo uma acérrima defensora da igualdade de género, a tal 'linguagem inclusiva' nunca foi a minha praia. Percebo a motivação, mas não sou lá grande fã. A língua é um reflexo da sociedade, e vai evoluindo à medida que a própria sociedade evolui. E, gramaticalmente, o uso de um plural masculino implica os dois géneros. O oposto é que não, mas parece que a questão é essa. Ao ouvir «vamos todos ao cinema» sabemos que é o grupo todo mas «vamos todas ao cinema» exclui de facto os homens. É verdade que a gramática pode ser injusta porque não avalia a quantidade, e na questão do grupo que ia ao cinema se forem 20 raparigas e 1 rapaz o correcto é dizer-se todos e isso irrita. Entendo. Tenho uma amiga que tinha 4 netas e dizia as minhas netas é claro. Por fim nasceu um neto e ela irritava-se «Nasceu aquele bisnico e agora passo a dizer os meus netos?! Não vou!» Na escrita descobriu-se que @ era um O e um A em simultâneo e está tudo resolvido. A minha amiga teria net@s e o grupo iria tod@s ao cinema. Mas não dá para a fala, portanto nas conversas travadas em língua inclusiva diz-se os dois termos. Aceito embora não pratique, torna as conversas enormes e um pouco irritantes, apesar de sempre se ter dito "senhoras e senhores" nos discursos, mas era apenas no vocativo e pronto.
Mas não se pode inventar paravras. Gramaticalmente há imensas palavras que têm versão masculina e feminina, mas outras não, e para as diferenciar mudamos apenas o artigo. Dizemos o presidente e a presidente, o estudante e a estudante, etc. Inventar terminações femininas é disparate. Além de, na minha opinião, ridicularizar até a tal linguagem inclusiva.
Isto vem a propósito de um incidente engraçado na última Convenção do Bloco de Esquerda. Eu estava a ouvir os discursos, e sorri porque achei graça, quando o Pedro Filipe Soares começou  o discurso dizendo «Camaradas e Camarados!» Ups! Houve uma pequena pausa, ele próprio sorriu, foi obviamente um lapso que nem se voltou a repetir. Engraçado. Claro que o CDS saltou logo aos gritos, mas era coisa que era ou deveria ser indiferente, são os histerismos do CDS quando não tem mais nada para atacar.
Mas com enorme surpresa minha apareceu no Público, num artigo do Pedro Filipe Soares chamado exactamente Camarados a defesa do erro, que inicialmente tinha tido graça. Falava da linguagem inclusiva e da sua importância. Ora o que é demais é demais. Há defesas que se auto prejudicam. Claro que camaradas também são homens! E electricista, e jornalista, e polícia e analista, e contabilista... Para reforçar que existem 2 géneros iguais não faz sentido inventar palavras!!! Cai-se no ridículo e dá-se argumentos aos que combatem a tal inclusão.
Haja bom senso!!!

Cereja

1 comentário:

méri disse...

Plenamente de acordo - também não gosto de ouvir no início de discursos: portugueses e portuguesas! salvo erro foi o Guterres que começou com isso e, embora até gostasse dele, não me soava nada bem e continua a não soar. Como em tudo não deve haver fundamentalismo e sim, simplesmente, bom senso.