terça-feira, 16 de maio de 2017

«Não me sinto um herói nacional, isso é para o Ronaldo»


Pronto! Se a nossa autoestima não está alta então nunca estará!
Apesar de detestar os estereótipos sobretudo quando classificam povos, aceito que «os portugueses» são excessivamente auto-críticos ☺ 
Aceita-se e até se aumenta as críticas que nos fazem. Irritante. E cansativo também porque até parece que em Portugal raramente se faz uma coisa que nos orgulhe. Ora bem, se no espaço de um ano termos ganho 2 troféus que indicam que nestas modalidades somos 'os melhores da Europa' - falo, é claro, no Campeonato de futebol e no Eurofestival - não ficamos com uma boa autoestima é porque nada a faz subir.
Houve quem resmungasse. Quem achasse que não tinha importância.Olhem, faço minhas as palavras da minha amiga Isabel. Mais nada.
Por mim gostei imenso do resultado do concurso da Eurovisão. Imenso. Gostei da canção, sobretudo da música embora a letra não envergonhe ninguém. Gostei da interpretação. Gostei da apresentação. E pasmei que aquilo que será visto como uma canção «não festivaleira» tivesse dado aquela reviravolta aos votos habituais. Porque foi mesmo uma dupla vitória, foi apreciada pelo juri oficial que nos deu o primeiro lugar e, o que mais pasma, pelo juri' popular, que votou por telefone e sem poder votar no seu próprio país. Uma unanimidade que só nos pode alegrar.
Eu, nada entendida em música, aprendi várias coisas da área. Não fazia a menor ideia o que era o «pop tradicional» ou «pop clássico», Quando ouvi essa referência em relação àquela música não percebi nada -  pop? pensei eu, mas que pop? . Senti sons de jazz, e lembrou-me as valsinhas brasileiras sim. Afinal fiquei com os meus conhecimentos aumentados ☺
E gostei também muito, pelo menos até agora, do comportamento do cantor e irmã autora. O Rui Tavares escreveu ontem no Público, que o gesto agarotado de Salvador de colocar o troféu na cabeça no final, tinha uma leitura simbólica «Como é que eu meto na cabeça que ganhei o prémio sem deixar que o prémio me suba à cabeça?» Ora até agora tem conseguido.


Mais um motivo para os parabéns!

Cereja

domingo, 7 de maio de 2017

Cuidados aos mais velhos


Há uma mania, pensando talvez numa simetria como se o início de uma vida fosse idêntico ao seu final mas exactamente ao contrário, que quem se ocupa de pessoas idosas tem frequentemente e que é tratar alguém com muitas e muitas dezenas de anos como se fosse uma criança. Com ternura, sem dúvida, exprimindo até carinho, mas olhando de cima para baixo, numa protecção ...ofensiva.
Direi até que se usa uma atitude que uma criança dos tempos de hoje (rebeldes e independentes como a maioria é) não ia aceitar.
Li recentemente num portal brasileiro chamado «Portal do envelhecimento» uma opinião que partilho em relação a isto : Falar com idosos como se fala com um bebé é desrespeitoso, não fofo!
Há vários filmes bastante engraçados onde se imagina um adulto voltar a ser criança ou uma criança passar a ser adulto. Ainda me lembro de um, chamado De repente 30 anos!, Engraçado. Uma adolescentezinha que ao fazer 13 anos, descontente com a sua vida, deseja ter 30. Por magia isso acontece, e é uma enorme decepção, claro. Se isso acontecesse aos assistentes sociais, enfermeiros, os vários cuidadores de pessoas idosas e uma manhã acordassem com 80 anos e ouvissem que falavam com eles em «Elderspeak»?! * (existe mesmo, está catalogado!)  Ai, ai, ai.... Que susto e surpresa desagradável.
O modo de comunicar está baseado em sentimentos, como se sabe. Não o que se diz, mas o «como» se diz. Evidentemente que se a pessoa a quem se fala está a ouvir mal, temos de falar alto. Isso em qualquer idade, não é? Se nos cruzamos com um nosso vizinho de prédio e notarmos que está a ouvir mal levantamos o tom de voz, mas não dizemos «Booom Diiia... Como está meu amiguinho? Se calhar não fez um bom ó-ó , aqueles maus do 3º esquerdo fizeram taaanto barulho!» Mas afinal é o que muitas vezes se usa para com uma pessoa mais velha.
A intenção é boa. Acredito que seja por bem, por isso imaginei como seria se uma manhã estas pessoas bem intencionadas acordassem «De repente, já com 80!» como no filme. É verdade que há ternura mas falta a componente do respeito. E quando há fragilidade associada à idade avançada, o respeito é apreciado, não tenham dúvidas.




* Elderspeak, é caracterizada por uma fala lenta, entonação exagerada, volume elevado, com uso intencional de vocabulário simples e reduzida complexidade gramatical, mudanças no afeto, substituições de pronomes (“como estamos hoje?” Em vez de “como está D. Alice? por exemplo), diminutivos e repetição

Cereja

sábado, 6 de maio de 2017

«Não é justo!»

Encontrei há pouco tempo este vídeo.
(é engraçado porque o vídeo é falado em francês e tem as legendas em inglês, mas não sei a técnica de colocar novas legendas de modo que fica assim mesmo; creio que todos entendemos 😊)
Faz pensar. Um 'monopólio', famoso jogo capitalista, utilizado aqui para ensinar às crianças que as desigualdades sociais são uma profunda injustiça.




Assim vê-se bem que... não é justo
Como é??? Metade começa com 1500 euros e a outra metade com 750?! A menina branca recebe uma carta no jogo para não ir para a cadeia? Mas o menino negro começa o jogo já preso?!
Não pode ser! Não há direito!
Pois é.
A menina ganha menos 23% de ordenado do que os meninos, pelo mesmo trabalho, e os meninos negros não podem comprar os imóveis do jogo com a mesma facilidade dos outros. Além de que um menino com muletas não vai poder comprar as estações de comboio 😲 porque não tem acesso. (parece que em França 30% não tem acesso a pessoas com mobilidade reduzida, e cá?)
Achei muito interessante.
A brincar, a brincar, mas ensinam-se coisas.
Oh Dona Marine, é assim, não é?

Cereja

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Escorregar para a direita cada vez mais depressa.....


Os tempos andam maus.
Nuvens escuras e trovoada, simbolicamente falando. 
Mas tem vindo a escurecer de mansinho. Começou pé ante pé. Quase nem se deu conta da cambalhota enorme dos países do norte, os campeões da social-democracia, que iniciaram o conceito de «estado social» sendo olhados com curiosidade ( e desconfiança! ) por muitos outros países. Modelo Nórdico, um sucesso, um exemplo. Os seus habitantes viviam com uma tal confiança no seu bem-estar que se deram ao luxo de torcer o nariz aos impostos que pagavam. E, como uma coisa leva à outra, começaram a votar e a eleger quem propunha uma política que baixaria os impostos... e consequentemente os benefícios sociais. E assim a Dinamarca tem agora um governo de direita, a Suécia também, e a Noruega também. Ainda não chamam a atenção, mas estão lá.
A Inglaterra tem um governo de direita, e houve um susto com as eleições holandesas! Por um triz esteve quase a ganhar um «pequeno Trump», populista, nacionalista, racista, a vitória foi para um Partido Liberal, de direita embora não extremista.
E veio a «bomba» das eleições americanas. Poucos contavam com a vitória de Trump, mas aconteceu e ele está a cumprir tudo com que nos ameaçou e ainda mais. Sem travões, o país mais poderoso do mundo, é um pesadelo vivo.
Ou seja, primeiro devagar, depois já em passo acelerado, a Direita governa o mundo.
Agora foi a vez da França. Jean Marie Le Pen já tinha tentado há anos chegar ao poder, e foi confrontado com uma França unida que o enfrentou. Agora a filha aparece com muito mais força, apoiando-se no terrorismo que lhe tem dado muito jeito, e na xenofobia de que muitos franceses sofrem estimulada pela crise dos refugiados. Receou-se o pior (e depois de Trump tudo-parece-possível) mas ela chegou à segunda volta resvés, com pouco mais de um ponto sobre o terceiro classificado.
Posso estar a ver mal o filme, mas mesmo que se «percam» muitos votos, não vejo como pode a Le Pen, de momento com menos 2 pontos do que Macron, que irá ainda possivelmente somar cerca de mais 26, virar o resultado... Daí talvez não me sentir tão indignada com a posição de Melénchon.
Esta posição tem sido severamente criticada. Na noite eleitoral, quando praticamente todos os partidos declararam de imediato que votariam em Macron na segunda volta, ele não o disse e reservou a opinião. Nem se queria acreditar! «Votez escroc pas facho!» dizia ele há uns 15 anos. Então??? A desilusão tem sido enorme, com alguns exageros, (ou post-truth?) pois ele não disse tanto poderia votar Macron como Le Pen, e sim que não sabia se preferia a abstenção, voto nulo ou voto em Macron. Não é o mesmo. Nunca propôs o voto Le Pen, pelo menos nunca o li ou ouvi.
Mas há que ter cuidado. Quem odiava tanto a Hillary Clinton que preferiu o Trump, estará estarrecido agora. 
E isso não pode acontecer em França!!!



Cereja

domingo, 23 de abril de 2017

Dias de hoje

Encontrei este vídeo mais ou menos por acaso.
Há muitos anos, quando estive envolvida num projecto ligado  à «Convenção sobre os Direitos da Criança» participei num 'Encontro' onde diversas ONGs apresentaram trabalhos interessantes e trouxe uma cassete de vídeo com várias canções muito criativas (um dia tenho de passar para dvd para poder voltar a ve-lo...) Uma das canções mais engraçadas era de uma criança que desejava tornar-se visível. Sabia bem que era invisível porque os pais não a viam, andavam nas suas ocupações como se ela não existisse e o filmezinho mostrava-a a chamar a atenção de várias formas, a saltar, agitar bandeiras, fazer o pino, mas sem conseguir coitada, era... transparente! Quando finalmente se conseguia materializar, era uma alegria e a história acabava muito bem.
Ora a menina deste vídeo é muito mais moderna, já é da época do smartphones. E tal como a outra criança queria que a vissem.
Só diz verdades!



A relação de qualquer um de nós com um telemóvel (mais ainda se for tipo smartphone...) é muito particular e algo de inimaginável antes de eles terem aparecido.  Atenção que estou a pensar numa pessoa «normal» nem falo num teledependente que é outra situação. 
De um modo geral, quando toca o telemóvel interrompemos de imediato que estamos a fazer para o atender, não me lembro de nada que suscite uma atenção tão imediata!
Se saímos de casa esquecendo-nos de o trazer ficamos preocupados, falta-nos algo, imagina-se situações de urgência complicadas.
Se ele avaria ou o perdemos é um desastre, que implica uma rápida substituição.
E, frequentemente, comparamos o nosso com o dos amigos de modo a valorizar o nosso - ou é melhor, mais perfeito e completo, ou foi mais barato o que pode ser um valor 😊
... resumindo é mesmo verdade que se tem uma relação afectiva com uma maquineta!
..........
Coisa que a menina do vídeo captou muito bem.
Um alerta excelente.

Cereja

sexta-feira, 21 de abril de 2017

New age

Agora, por explosão da discussão sobre as vacinas e seus possíveis malefícios volta a estar na berlinda a perspectiva do pensamento New age
Muito bem, sobre isto não sou isenta sou mesmo parcial! Porque lhe chamam «novo» quando afinal é antiquíssimo? Claro que a Era do Aquário, dos Peixes, da Água, é bonito, é romântico, e é simpático e estar contra muita coisa que até é reprovável, mas seja como for há o retorno para dois mil anos atrás, não é? Não é exactamente novo... Mas quando afirmo que sou parcial é que aceitando, como será normal que o faça, tudo o que é diferente de mim e neste caso reconhecendo alguns pontos interessantes e positivos neste pensamento, não aceito e considero até perigosos alguns pontos de rejeição da ciência e sobretudo (sobretudo!) estou pelas pontas dos cabelos com o seu proselitismo!!!
Já não posso mais.
Quando me começam a pregar sobre o que posso ou não comer, o que devo usar para vestir, como é que me devo tratar, sinto a mesma irritação de quando sou abordada pelas Testemunhas de Jeovah (já agora eles também não aceitam transfusões de sangue, nem vacinas). Que nervos! «Deslarguem-me!» Não quero ser convertida à sua 'filosofia'(?) quero poder escolher a comida de que gosto, usar o que me apetece, desde que não prejudique os outros.
Com toda a sinceridade, acho que estou informada. Quando insistem comigo explicando que se não estou de acordo em partilhar aquela filosofia em absoluto é porque sou ignorante, isso só me irrita mais.
OK, não tenho nada contra o animismo, os metafísicos, os espiritualistas, a simbiose com o meio ambiente, e essa coisa dos chacras, dos signos astrológicos, etc e tal. Até sei qual é o meu signo e o que é suposto eu ser por ter nascido nesse dia... 😉
Tudo isso para mim é uma espécie de fé. Acredita-se. Ponto final. Cada um deve ser livre nas suas crenças. Quando não se tornam fundamentalistas!
E é aqui que está o busílis. O «fundamentalismo». O pensar-se «se o que eu penso e sinto está certo, tenho de forçar todos os outros s sentirem o mesmo»
Não, obrigada!
O meu caminho não é por aí.


 Cereja

sexta-feira, 14 de abril de 2017

...e o andar ?

Nas cidades deixou-se de andar. A não ser nos ginásios.
Cada vez que constato isso, um botão (ou um clik como se diz hoje) remete-me à infância e juventude o que é irritante porque me sinto velha se pensar «no meu tempo» como modelo, o que não é verdade não era modelo nenhum. Mas em certas coisas os hábitos antigos eram realmente mais saudáveis.
Acabei de ler uma notícia, completamente fait-divers, que informava que uma cadeia de hipermercados estava a expandir-se e a criar também supermercados. Tanto quanto sei, a diferença entre o hiper e o super, é que o primeiro tem uma superfície muito, muito grande, e portanto situa-se ou nas periferias das cidades ou ocupando todo um andar de um Centro Comercial, o outro, o que é super pode funcionar em qualquer bairro porque é proporcionalmente bem mais pequeno. Comércio de proximidade.
Como eu disse a notícia não tem qualquer relevância, gostei apenas porque irá fazer alguma concorrência aos gigantes da espécie  [pingos-doces e mini-preços] o que pode não ser mau. E ia 'sair da notícia' quando olhei para o primeiro comentário que lá vinha e e a crítica era «e o estacionamento???? paga otário!». Nem mais. Como era numa zona de estacionamento pago (como quase toda Lisboa agora...) o leitor saiu-se logo com essa, referindo creio o facto de nos hipers não se pagar estacionamento por terem os seus parques, e ali ia-se pagar esse extra - se houvesse lugar, claro, porque isso é duvidoso.
Parece óbvio que se é um comércio de proximidade é para se ir a pé. Isto pensava eu. Se é no meu bairro, vou e venho às compras simplesmente como a minha mãe ou avó faziam. Aliás, diferentemente das mulheres desse tempo, hoje até temos uns sacos com rodinhas para levar as coisa até casa. Mais fácil.
Mas antigamente era normal a deslocação a pé, até em distâncias que hoje nos parecem enormes. Porque, para quem nasceu no segundo milénio, isso, o 'andar' já é desporto 😊 . Nós 'andamos-a-pé' nas caminhadas, mas vê-se pessoas que se metem no automóvel para ir ao seu ginásio que é bastante perto e lá ficam meia hora a 'andar' na passadeira mecânica. Não é anedocta 😁 !!!
Bom, nas aldeias ou zonas menos citadinas ainda vemos gente a caminhar para chegar a qualquer lado, umas distanciazinhas mais razoáveis. E não precisam que os médicos insistam em que devem andar meia hora por dia, têm mesmo de o fazer... Afinal é o modo mais fácil de «fazer exercício» tão recomendado hoje e por algum motivo o recomendam, é sinal de que usualmente não se faz!
A verdade é que há cem anos não se usava essa expressão, a vida de todos os dias já nos fazia mexer bastante. Uma simples dona de casa andava horas para trás e para a frente a varrer, a limpar, esticava-se em «alongamentos» para lavar os vidros das janelas, para arrumar prateleiras altas, agachava-se, ajoelhava-se para lavar o chão, subia escadas carregada com objectos pesados, fazia movimentos repetitivos com os braços no tanque da roupa, etc, etc. Um ginástica diária.
E as crianças faziam muitíssimos mais jogos onde tinham de se mexer, a sério, não era cá o dedo a deslizar no ecrã de um tablete! Era às escondidas, à apanhada, saltar à corda, a macaca a pé coxinho, tantos jogos onde tínhamos de nos esticar, encolher, equilibrar, correr, saltar, todos os músculos eram treinados. Evidentemente que o espaço era outro, a liberdade também, mas é mais uma questão de mentalidade.
Essa mentalidade que fica bem visível com a pergunta do leitor indignado com a inauguração do supermercado que o obrigava a ir a pé da sua casa até lá por não poder estacionar à porta.....


Cereja


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Esqueceram-se que é ano de autárquicas...

O Poder Local é um poder delicado. Talvez por estar mais perto das pessoas as relações entre os municípios e os seus munícipes são bastante diferentes das relações entre o cidadão normal e o governo. Só por essa estranha relação se pode entender que um popular autarca após ter sido preso, julgado, cumprido pena por falcatruas financeiras possa voltar a concorrer ao seu conselho com boas perspectivas de reeleição . Aliás a frase «rouba mas faz» como justificação para o apoio noutros casos conhecidos, é extraordinária mas ouve-se 😏
Mas outras vezes parece haver as ideias conhecidas como tiro-no-pé.
Para mim creio ser o caso que vai ser conhecido como o «estranho caso das casas degradadas» que parece ser apenas um pretexto para aumento do IMI pelas Câmaras em questão. Como dizia uma pessoa, admirada e conseguindo ter humor: era simpático terem-me avisado de que estava a viver numa casa degradada.
É que o termo é pesado! Casa degradada???! Imagina-se de imediato paredes rachadas e sem pintura, interiores estragadíssimos, canalização rota, fios eléctricos à vista, aquelas imagens que nos enchem de pena de quem lá vive... A notícia que li, era ilustrada com a foto do que se presume ser a casa da pessoa que pedia para ser avisada de que estava a viver numa casa degradada, e aquela bela vivenda faria a cobiça de imensa gente. Bom. Li depois os esclarecimentos de um Presidente da Câmara um tanto embaraçado, que explica que a lista dessas casas (parece que na zona de Sintra são certa de 10.000) tem como referência o facto de não fazerem obras de conservação há mais de 8 anos como devem. 
Ah! Está explicado. Estão degradadas porque não fizeram obras. E precisam de obras? Isso não interessa, para não estarem degradadas têm de fazer obras e ponto final, ou então aumenta o IMI em 30% e já não faz muito mal a degradação, até já podem cair em ruínas porque pagaram mais 30% e tudo entrou nos eixos.
Eu percebo. As Câmaras têm despesas e precisam de viver. Mas este disparate a poucos meses de eleições, oh senhores presidentes, parece-me que a oposição agradece! Bem hajam!

Descubra as diferenças






Cereja

terça-feira, 11 de abril de 2017

Melhorou, mas enfim....

Há poucos dias li «Portugal sobe 14 lugares em ranking internacional» Boa! Vou a correr informar-me do que se trata. Afinal o que diz é que Portugal melhorou em 2017 no 'ranking' sobre a fraude nas empresas, por outras palavras o que parece é que há menos corrupção... confessada.
Segundo a empresa que faz estes inquéritos, em 2015, situava-se em 5º lugar numa lista de 41 países analisados, tendo 82 % dos inquiridos admitido suborno ou práticas de corrupção. Agora, passou para 19º lugar quando 60% o admitem. Nota: o inquérito era perfeitamente anónimo, podemos aceitar que as respostas eram sinceras.
Isto deixa-me boquiaberta...  Estive a ver que países foram analisados. É assim : há países com mercados emergentes, contei e são cerca de 25, apanha a Europa de Leste, e Omã, Nigéria, Índia e África do Sul, mas não apanha nenhum da América do Sul.  E os países com mercados desenvolvidos como Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido, uns 15 e mais Portugal.
Tenho de respira fundo antes de pensar friamente. Como o inquérito é anónimo será que as respostas incidiam sobre o que se pensava, se imaginava, que os outros faziam...? Não era real? (wishful thinking meu...) Mas não deve ser isso, afinal o inquérito decerto com as mesmas perguntas e nos mesmos moldes foi aplicado aos outros países.
...........

Talvez por ser ingénua, faz-me imensa confusão a corrupção, que se seja tentado, isso percebo, mas que não se imagine de imediato as consequências de ser apanhado. Vale a pena? Um ladrão que comete um roubo sabe a diferença entre o bem e o mal, e que o mal é castigado, também arrisca é claro mas parece uma dimensão diferente. Aqui trata-se de empresas e empresários.
E falta de vergonha.
E de países mais ricos do que outros. Mas não se trata apenas de riqueza, o que se pode pensar lendo este triste ranking é a importância de um Estado Social. Não é coincidência aqueles onde quase não existe corrupção serem os países nórdicos onde até agora existia um Estado Social. Menos desigualdade, provoca mais honestidade afinal.







Cereja








terça-feira, 4 de abril de 2017

O desporto-rei... dos cifrões

Quando li Treinador da equipa que perdeu por 12 -0 foi detido fiz um sorriso de espanto por pensar que era gralha e ainda comentei «Não era preciso tanto, bastava a 'chicotada psicológica'» vulgo 'despedimento' que me parecia que o homem merecia. De facto perder por doze-a-zero era obra!
Como a história era engraçada fui ver o que era aquilo. Ah! Já percebo.
Aqui entre nós o homem além de corrupto era parvo.
Parece que as apostas sobre resultados desportivos ultrapassam muito o que eu recordava quando se começou a cantarolar o slogan Vamos Jogar no Totobola. Agora há apostas que são podem ser fortíssimas, portanto os resultados começam ser falseados. Já há uns tempos, em Fevereiro creio, houve um cheirinho disso por cá, com um jogo entre o Farense e o Rio Ave com apostas de 100 mil euros!  Parece que foi «um cidadão de nacionalidade chinesa» nesse caso, que perdeu a cabeça com o Farense (?) que será clube muito conhecido no oriente 😉
Mas voltando ao caso do 12 a 0 as apostas eram milionárias, e minuciosas.  Por exemplo, 8-0 ao intervalo e 12-0 no final do jogo... In-crí-vel!!! Pelo que conta a história cada jogador recebeu o suficiente para comprar uma casa em Barcelona, mas não dizem quanto recebeu o treinador... Por cá, parece que a Judiciária tem em curso uma operação chamada «Jogo Duplo» e anda a deitar a rede para apanhar peixes de variados tamanhos.
O que muitas vezes me admira na corrupção é como acreditam que não se vem a saber. Como disse acima, no caso do treinador espanhol, além de corrupto era parvo com certeza, como é que não via que um resultado de 12 a 0, era tão inacreditável que ia ser investigado?!
O amor à camisola já parece uma coisa de que ninguém se lembra (até porque as camisolas são caríssimas, os clubes fazem um dinheirão com essa venda talvez por isso mudem tão frequentemente de modelo) os jogadores saltitam de clube para clube e de país para país com toda a ligeireza. Os passes dos jogadores atingem verbas inacreditáveis. E, para além disso tudo, confirma-se agora que a corrupção que pelos vistos vai do caso do presidente da FIFA, Blatter, ao jogo do Farense e Rio Ave é patrocinada pelas máfias do jogo...

Óvalhamedeus!



Cereja




domingo, 2 de abril de 2017

Não são «todos iguais», não senhor

Creio que ter dito por aqui por diversas vezes quanto me irrita a generalização sistemática, e isso (deixem-me generalizar 😏) em todas as áreas. Concluir a partir vários casos, ou até da maioria dos casos, que «é-tudo-assim» é muito fácil e muito errado. Fale-se do que se falar. Isso só é verdade na ciência, no laboratório, e em ciências exactas. Mas pensar-se que certas profissões, certas nacionalidades, certas raças, são assim é um disparate. E, ainda por cima, se formos sinceros, o assim é quase sempre mau ou ridículo. (atenção estou a dizer quase sempre, não estou a generalizar 😊)
O facebook tem uma página chamada Os truques da imprensa portuguesa que faz um belo trabalho. Como o nome indica, eles explicam como é que certas não-notícias ganham credibilidade, e algumas descaradas mentiras podem passar por factos. Como na cantiga: Demagogia feita à maneira / é como queijo numa ratoeira ou seja, o 'queijo' do modo como se apresenta uma história atrai qualquer ratinho desprevenido, ...ou até supostamente prevenido.
Uma das profissões (?) carreiras (?) mais criticadas na actualidade - e não só - é a dos políticos. Parece-me que rivalizam com os árbitros de futebol, com o mesmo cheirinho de corrupção. É certo que infelizmente muitos, muitíssimos, se põem a jeito para essa suspeita, e não só em Portugal. E portanto abrem a porta à afirmação trocista acompanhada de um encolher de ombros - 'enriqueceu? não me admira, é político, são todos iguais, de uma ponta à outra, da esquerda à direita, ora, ora...' sem se reparar que quem perde é a democracia.
A última gracinha do Observador foi subtil e passaria à primeira.
Título: «Sampaio recebeu uma bolsa para financiar a sua biografia, mas ninguém revela valores». Inferência imediata, aliás confirmada pelos comentários* dos leitores - está a ganhar (mais!) dinheiro à custa do Estado. Pronto, são-todos-iguais!!!
Felizmente que «Os Truques» mostram o que está por detrás e desmontam a técnica usada para insinuar uma notícia falsa sem se ser responsabilizado. Não foi ele que recebeu a bolsa e os financiadores eram privados, não tinham de revelar os valores, etc.
É verdade. Mas o mal está feito e quem lê «os Truques» não são todas as pessoas que habitualmente leem o Observador e que já espalharam a suspeita.
Mas fica a questão: Se 'os políticos' por uma fatalidade estranha, se tornam forçosamente venais e corruptos por exercerem as suas funções, é uma lepra que os contagia de imediato, quem é melhor para fazer as leis, governar o país, tomar decisões?! O que se propõe para substituir «os políticos»?
Eu cá não sei.

Cereja

* “a promiscuidade desta gente não tem limites….” “mais um impoluto…” “mais uma chulice do lampadinha…” “vergonhoso!!! mas sem espanto!” “com cancros destes, como é que Portugal poderá ter a esperança de chegar a bom porto?” 



domingo, 26 de março de 2017

...mas porque caem nestas armadilhas?

Acabei de ler nos jornais uma notícia onde se prevê o anúncio de uma guerra. Trata-se do caso de uma casa concedida a um membro do governo mas que era suposto ser atribuída a um membro de uma importante corporação, a dos magistrados.
Confesso que é das coisas que sempre me chocou: por alma de quem é que há pessoas importantes 'com-direito-a-casa'?! Mas porquê? Entendo um pouco o reverso, trabalhadores que façam turnos complicados, ou possam ser chamados com urgência, terem junto do local de trabalho um quarto que possam utilizar. Mas, membros do governo ou magistrados terem subsídio de habitação ou direito a casa??! Isso porque o cargo os afasta da sua morada habitual? E não será assim para qualquer trabalhador? Parece de senso comum que quem aceita um emprego aceita a sua localização, mesmo com profissões qualificadas: médicos, professores, enfermeiros, marcham para onde foram colocados ou não aceitam o trabalho mesmo que sejam penalizados.
No outro extremo, vemos candidatos a certos trabalhos continuarem desempregados porque os locais onde poderiam ter trabalho são tão afastados ( de casa dos pais...) que os obrigaria a alugar um quarto e o salário mínimo que iriam receber não chega para essa despesa.  Mas os senhores juízes não, têm outras mordomias, mesmo que se diga que têm de pagar... um décimo do ordenado.  O seu sindicato explica bem: «o Gabinete de Gestão Financeira tem de colocar à disposição dos juízes, durante o exercício da sua função, casa de habitação mobilada». E, pelo que sei, o mesmo se passa com os membros do governo.
Esta é história, que vai fazer correr tinta, da secretária de estado e da juíza, onde todos vão ficar mal na fotografia. Os juízes porque se vai chamar a atenção para uma mordomia que o público não conhecia e não vai achar graça nenhuma. O membro do governo (que também era magistrada, pelo que percebi) vai desencadear grande celeuma pública da parte de quem já acha que «eles» ganham demais e não o merecem. E isto por uma renda de casa que pode corresponder a um décimo do seu salário? Como é não viu o buraco que estava a abrir...?
Imagina-se bem o que pode pensar um casal de jovens licenciados, a receber cada um pouco mais do smn sabendo que cerca de metade do que os dois ganham vai para a renda da casa, olhando para um membro do governo a regatear essa mesma renda......
Foi um tiro no porta-aviões, se estivéssemos a jogar à batalha naval. 😏

Cereja

sexta-feira, 24 de março de 2017

Lugares comuns para todos os gostos

Nestes últimos dias houve alguma agitação pela frase daquele senhor de nome difícil de pronunciar, [Dijsselbloem, o dobro de consoantes para o número de vogais! ] frase profundamente infeliz, fosse como fosse. Pronto, como justificação lá se explicava que aquilo tinha sido dito durante uma entrevista, num certo contexto, e ele até tinha usado a primeira pessoa «eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir de seguida a sua ajuda». Mas era no encadeamento sobre os países do norte da Europa que se tinham mostrado solidários para os países em crise... Lá fica 'a justificação' estragada!
Bem, foi interessante porque Portugal e Espanha e imagino que também a Grécia, não gostaram nada da "metáfora". Grosseiro, arrogante, preconceituoso.
Sobre este tema disse-se muita coisa, alguma com imensa graça, mas tenho de citar o texto mais inteligente que sobre isso li escrito pela Maria José Trigoso no seu facebook
«mas não haverá quem perceba que o Jeroen é apenas mais um triste luterano ou um infeliz calvinista (ou uma desbotada vitima de qualquer outra reforma), muito branco, muito funcionário, totalmente roído pela inveja do que ele imagina seja o paraíso moçárabe? a terra quente onde o sexo não é pecado mas festa, o vinho corre das torneiras, doce e vermelho, e o sol doura a pele do corpo e ilumina a mente?
eu por mim tenho pena dele. mas também de nós pelo pouco que nos resta dessa escondida fantasia protestante, branca, e masculina.»
 
Fica arrumado numa penada. Os lugares comuns que correspondem às diversas fantasias quando se classifica um povo ou uma raça generalizando!
Encontrei depois esta imagem que também considerei excelente. Vejam:


É apanhada aqui grande parte daquilo que «se arruma» em caixinhas sobre as características dos cidadãos da Europa. E sempre assim foi, olhar, crítica ou paternalisticamente, quem não está no Primeiro Mundo muitas vezes com pena mas aceitando que-a-culpa-é-deles. Aos anos que os desenhos animados tipo Walt Disney representam «o mexicano» a dormir a sesta encostado a um muro, com um enorme chapéu na cabeça. A imagem da preguiça. Preguiça pobrezinha, claro, se estivesse estirado à beira de uma piscina com um copo na mão não seria  preguiçoso nem mexicano. E a imagem de «estar à sombra da bananeira» também não corresponde aos povos diligentes e trabalhadores, as bananeiras são tropicais, não é? Aliás o «dormir à sombra de uma árvore» só se imagina no sul. Já pensaram em dormir à sombra de um ácer? Ou mesmo de um abeto? Ná, não dá, a bananeira ou o chaparro no Alentejo, sim. Preguiçosos, claro, as cigarras que não têm nada para comer no Inverno por sua culpa.
E como erradicar estes estereótipos quando mesmo quem é apanhado por isso, colabora muitas vezes?! Quando se aponta o dedo, uns aos outros, aceitando  estas classificações, ou devolvendo com outras igualmente parvas?
Talvez com o tempo lá se chegue...
Mas está a demorar!


Cereja

domingo, 19 de março de 2017

O futuro já se vê


De vez em quando sinto-me muito esperta.
É agradável.
... a sensação dura até saber que há quem seja muito mais esperto, porque vai uns passos à minha frente 😆
Explico: invento coisas que, descubro depois,  já alguém tinha pensado em inventar. E olhem que é frequente!!!
Por exemplo, a última: 
Há umas semanas, numa conversa com o meu filho sobre telemóveis, concordamos sobre ser um uso que já se entranhou tão profundamente que quase nos esquecemos como era antes-do-telemóvel. Estávamos a ver o filme Zodiaco e pensávamos na complicação que era encontrar um telefone quando  os personagens estavam na rua...  Taditos. talvez até se tivessem evitado alguns crimes.
E, pensamento puxa pensamento, «daqui a uns anos» disse-lhe eu, a esperta visionária,  «vais ver que os miúdos se espantam que a gente hoje ainda andasse a ligar os aparelhos a tomadas de parede!» 
« - O quê?!» 
«-Vais ver! No meu tempo talvez não, mas daqui a uns tempos é tudo wireless
«-Tudo?! Uma coisa é um aspirador portátil ou um berbequim, que se carregam antes de usar, outra um candeeiro
«-Vais ver!!! Não é bem 'carregar-se', mas como se recebessem a energia directamente, sem fios...»
OK, estava a sonhar.
Sonhava com um mundo onde não estivesse sempre a tropeçar em fios. Onde pudesse levar um candeeiro para outro sítio sem ver se havia por ali uma tomada. Ficção científica? Ora! Também acender uma luz carregando num botão era impensável há 200 anos... E, afinal, estava a abrir portas abertas. Já está pensado. Actualmente trata-se ainda só de carregadores de telemóvel sem fios, mas preveem «acabar com a necessidade até de ligar os electrodomésticos, a uma tomada eléctrica, incluindo incluindo um frigorífico, um televisor, um aspirador, ou um candeeiro»....! Já tudo aquilo que imaginei está previsto!
A sério. Todos os aparelhos electrodomésticos podem vir a não precisar de fios! Até os candeeiros!
.......
Viva!
Vão acabar as cenas do pé preso no fio que atravessa a sala, e a queda espetacular da criatura distraída. E também os inestéticos fios ao longo dos móveis e paredes.
BOA!
Quero o futuro já! 
 Cereja

sexta-feira, 17 de março de 2017

...pensamentos distraídos sobre temas sem importância

Aqui na net tenho vários amores como já perceberam porque o ando sempre a dizer: aqui o meu bloguezinho, o meu mais velho por quem sinto mais carinho embora o abandone muitas vezes, e as redes sociais mais espevitadas, bastante mais novas, mas que também acho engraçadas. 😃
Calma, não ando em todas! Até fico parva de ver a popularidade de uma dúzia delas... quando eu, modesta, uso uma (o facebook) e de vez em quando outra (twitter) mas até já perdi a senha de entrada no «linkedin», assim como só vou ao «instagram» para ver as fotos de que me falam os amigos... Ou seja, sei que as redes existem, mas ao longe. É mesmo demasiada areia para a minha pobre camioneta . 
Mas esta manhã ao abrir o facebook, deu-me para pensar como é engraçado perceber o feitio de cada um não apenas por aquilo que diz e pela forma como o diz, mas sobretudo por aquilo que não diz!
Começando pelo extremo, quem não usa (ou pensa que não usa... *) as redes sociais. E, sobretudo entre os mais velhos, na minha geração, há muita gente! Ou não teve o mínimo interesse, ou experimentou, abriu uma conta, e aquilo não o interessou nadinha, portanto ficou em pousio, a conta está lá mas nem mexe! Ou, nem sequer experimentou com algum medo. Tenho 2 ou 3 amigos que quando pergunto se têm facebook por exemplo é como se lhes perguntasse se usam drogas duras 😠 Nãããõ!!! OK, avante.
E entre os usuários há vários géneros, uns, frenéticos, sempre ligados, sobretudo quando o próprio telemóvel dá acesso à rede, outros que passam por lá aí uma vez por dia para manter o contacto (aqui a 'je'!) e os irregulares - podem passar dias a escrever e comentar e depois desligam, e afastam-se uns tempos, e os que têm fases, estão muito tempo sem aparecer e quando já não nos lembramos deles aparecem cheios de gás.
O que tem graça, é que de uma forma geral se pode conhecer imaginar a personalidade de cada pessoa, não por aquilo que diz mas sobretudo por aquilo que não diz. Tenho amigos que usam imenso o fb mas só para «partilhar» notícias ou histórias, e nunca, ou rarissimamente, acompanham com a sua própria opinião. Um profundo receio de se exporem, só pode ser... Outros partilham piadas, cartoons, escrevem graças, mas nunca os vejo a falar de temas sérios, querem dar uma imagem alegre de si?  E há o oposto, os que só falam a sério. Eles têm humor porque depois vão clicar um «gosto» numa gracinha, mas na sua página é que não!
É um mundo, e um mundo engraçado, acho eu...

* digo «pensa que não usa» porque se vê algo no you tube, isso é também uma rede






Cereja

domingo, 12 de março de 2017

A questão da igualdade de género


Li há pouco este artigo com um título apelativo e provocante «Aqui quem manda ainda não são elas» como sem ser ser ali (?)  'elas' já mandassem...  Creio que isto veio a propósito do Dia da Mulher, o dia onde mais se fala de igualdade de género. E esse é um tema que desde sempre me interessou imenso, desde adolescente admiradora quase incondicional de Simone de Beauvoir que acredito firmemente on ne nait pas femme on le devient.
Mas, no século XXI, já não é uma 'opinião' apenas de mulheres esta noção de igualdade de género, e quase faz sorrir ler que as mulheres devem ganhar menos porque são mais fracas e menos inteligentes, como disse o palerma do tal deputado polaco. 😃 Mas a verdade é que a máquina social é um tanto perra, e séculos de preconceitos não se apagam como se apaga uma vela. Portanto a mulher foi conquistando o trabalho remunerado (digo assim porque lá trabalhar sempre trabalhou, desde a pré-história) e cada vez se aceita mais que as capacidades de um ser humano são independentes do seu género.
Mas, se teoricamente todos (na sociedade moderna) assim consideram, na prática a resistência a partilhar o poder ainda é enorme. E, portanto, é óbvio que há áreas onde ser-se macho é uma vantagem mesmo que isso seja negado. São as áreas de chefia, onde o poder é maior e mais evidente.
Portanto imaginou-se, na linha do se não vai a bem vai a mal, que se deviam criar «quotas» para forçar a participação feminina em certas áreas. 
Eu tinha uma ideia.
O escritor Mia Couto usa um nome curioso, que engana. Ele já tem contado histórias engraçadas, de situações onde estavam à espera de uma mulher quando ele chegou. Ou seja, quando se ouve falar de alguém cria-se de imediato uma imagem através do nome. Ora, se em vez das quotas (porque vem logo a crítica à descriminação positiva, etc, etc) fosse decretado que nunca aparecessem os primeiros nome mas apenas os apelidos? Não era boa ideia?
Estava toda contente com esta ideia, que modéstia à parte considerava excelente, quando reparei que de uma forma geral os tais famosos lugares de chefia não costumam ter acesso por concurso mas sim por escolha, por convite, por se conhecer de facto a pessoa. Bum!!! Lá foi a ponta do alfinete da realidade rebentar o lindo balão que eu tinha imaginado.
Pois é.
Se não vai a bem vai a mal, e lá se terá de aceitar as quotas mesmo com o risco de assim se valorizar mais o género do que a competência. Paciência. Espero que seja temporário.

Cereja

terça-feira, 7 de março de 2017

Ideias feitas, o pret-à-porter de mentalidades sobre o género


Encontrei por acaso o vídeo que se vê abaixo.
Isto é.... um anúncio. 😊 Fabuloso!
Por acaso parece-me que, apesar de tudo, estes estereótipos estão a ficar um nadinha atenuados. O velho pregão «É p'ró menino e p'rá menina!» hoje já talvez faça sorrir. Mas...
A tradição pode já não ser o que era mas se virmos com atenção estas diferenças, artificiais é claro,daquilo que é «normal» um homem ou uma mulher gostarem ou fazerem, ainda resiste imenso.

Resiste até nas mentalidades que se pensa estarem mais actualizadas. Mesmo entre gente-de-esquerda, e mesmo entre jovens.
Soube, por escutar conversas alheias que não devia 😏 (vergonha..) de um debate muito privado entre jovens de um partido da esquerda a que chamam 'radical' exactamente sobre o tema desta 'divisão-de-tarefas'. As raparigas do grupo consideravam que lhes deixavam as tarefas domésticas depois dos encontros, enquanto os rapazes do grupo se iam embora pensando na melhor maneira de governar o país, elas ficavam a arrumar e limpar a sala onde tinham reunido. Ai, ai, ai...
Mas este vídeo satiriza esse pensamento, e com muita graça!!



 

  Cereja

segunda-feira, 6 de março de 2017

Que paciência é preciso ......

Ando um tanto farta dos Nostradamus de algibeira.
O excesso de partilha de informação (informação?) é um enjoo e quase que é um perigo. Com a facílima utilização da net, não há cão nem gato que não dê a sua preciosa opinião sobre tudo e mais alguma coisa, e depois os amigos partilham, e os amigos dos amigos, e mais os amigos dos amigos dos amigos, e num ai muitas vezes um chorrilho de disparates torna-se uma verdade.
Um dos temas que já nem posso ver, são as milhares de opiniões muito sérias mas contraditórias sobre a nossa alimentação! De meter medo, porque a levar as coisas à risca, tudo faz muito mal ou muito bem. Eu cá dou-me lindamente com a «minha dieta» que é muito simples e todos podem praticar: bom-senso.
Mas, depois, vem outra moda. Que também me irrita (devo andar irritadiça 😉) e é a crítica sistemática à época moderna com a sugestão implícita de que no passado se vivia muito melhor e com mais saúde. Ai é? Veja-se este artigo: É desta forma que a vida moderna nos está a tirar saúde.
Certo, a ansiedade e depressão, são más. Mas como sabem que não existiam dantes? Na Morgadinha dos Canaviais, Henrique de Souselas começa com uma bela depressão, aliás já nesse tempo por culpa da 'civilização'. A Madame Bovary também nos parece bem deprimidinha, coitada, e etc, etc. 
É claro que a poluição nas suas diversas vertentes é péssima, e isso é um facto e é preciso procurar soluções, sim!
Mas há muitos aspectos onde a vida moderna, exactamente pelo seu desenvolvimento é mais saudável. Recordo o antigo aquecimento à braseira, muito bonito, mas que libertava dióxido de carbono; fala-se aqui de que as novas tecnologias são culpadas do aumento da miopia mas ler à luz da vela ou candeeiro de petróleo não ajudava nada à saúde ocular; e o sedentarismo é o culpado de atrofias musculares, etc, etc, ou a atitude comodista de quem evita mexer-se?
Na minha opinião (sou bastante opinativa, mas já que tenho o blog aproveito, não é?) a vida moderna não tem culpa nenhuma, até pelo contrário. É afinal a atitude que se toma, o uso que  se faz das excelentes condições que estão à nossa disposição, que estraga tudo. Ou seja, a responsabilidade de não se viver tão bem como se poderia é das opções que se tomam.
Porque a «vida de antigamente» não era melhor, não senhor. Relembro dois filmes que adorei, aliás filmes de épocas diferentes mas tocando a mesma tecla. Um vi-o há dezenas de anos, chamava-se O vagabundo dos sonhos (Les belles de nuit, no título original) e o protagonista, em sonhos, ia recuando nos tempos e encontrando em cada século um velhote que lhe dizia que no seu tempo era bem melhor... Pois. 😏 O outro Meia Noite em Paris do genial Woody Allen, mostra que embora os «anos de ouro», os anos 20, sejam uma referência fabulosa, afinal é preferível vivermos na actualidade... 
É que, contrariamente ao que se diz, ou insinua, no artigo, não estamos a ter menos longevidade do que os nossos antepassados, não senhor!  
Basta uma olhadela a este gráfico:

Cereja

sábado, 4 de março de 2017

Coisas da moda :)



Ora vamos hoje falar de coisas menos sérias, que o Cerejas também é para isso!
Esta conversa é mais para leitoras, digamos conversa de mulheres, apesar de de uma forma geral não gostar lá muito de não falar para todos...
Pois bem, o tema é saltos altos!
Na actualidade é um tipo de calçado exclusivamente feminino, mesmo que tivesse começado a ser usado por Luis XIV (consta que ele era baixito coisa chata para um Rei-Sol) e depois no tempo de Luis XV divulgou-se entre elegantes da sua corte, homens e mulheres. E percebe-se que fosse calçado de gente da corte, que não faz nada, porque para quem trabalha a sério não é nada cómodo caminhar em equilíbrio...
Adiante. A moda tem imensa força, e aceitar o-que-toda-a-gente usa é quase irresistível excepto a quem adora ser do contra... portanto hoje em dia, creio que por todo o mundo, uma mulher sente-se mais elegante quando usa saltos altos, quase um símbolo de feminilidade como no filme De saltos altos do Almodover. E, portanto, para as mais sensíveis, sentir-se talvez menos feminina quando os não usa! (ó dilema! conforto ou elegância?!!!)
E, portanto, achei mesmo muita graça, quando encontrei esta solução - o ovo sapato de Colombo:


 


Fácil!
Olhando para aqui parece que por agora só deve funcionar em sapatos tipo sandália, não sei como se passa de «uma sabrina» para um verdadeiro «salto alto» uma vez que a alma não pode mudar. 
(Para quem não sabe a «alma de um sapato de salto» é um ferro interior que acompanha a curva do sapato. Sei isso a partir de um dia que levei uns sapatos a um sapateiro e ele me disse que ele tinha a alma partida! Pensei que era um sapateiro-poeta, até ele me mostrar o dito ferro, que de facto estava partido)


De qualquer modo, esta ideia de alterar o tipo de salto no mesmo par de sapatos é excelente. Vamos ver se tem sucesso...
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Cereja

quarta-feira, 1 de março de 2017

Uma onda assustadora (e não só isso)


 Li ontem no facebook duas frases, escritas por quem sabe o que diz: «O orçamento militar americano já era equivalente ao do conjunto de todos os outros países do mundo. Agora, o Trump aumenta-o em 10%! Entretanto, a Marine le Pen encontra-se nas sondagens com uma cotação eleitoral superior à do Hitler na altura em que chegou ao poder».

Não se pode assobiar para o lado, pois não?

A imagem da onda não é lá muito feliz, porque tem força mas é limpa, prefiro dizer mancha de óleo, alastra, é sujo e dificílimo limpar.
Preocupa-me o facto de, como entre os meus amigos e conhecidos a censura aos actos do Trump ser geral, haver tendência a acreditar que todos quase todos pensam assim. Não é. Dou muitas vezes uma olhadela aos comentários on-line às notícias dos jornais e deixo aqui uma amostra de comentários de hoje e ontem: A história da senhora que de joelhos num sofá da sala oval mandava twitters «a) É perfeitamente incrível aonde vão os media (certos media) para arranjar "casos". Que o presidente Bill Clinton tivesse transformado a Sala Oval em bordel, o presidente Bush ou o Obama falassem com os pés em cima da mesa, num acto típico de tasca, tudo passa, é a descontracção americana. Que a senhora da foto, eventualmente para tirar as fotos de determinado ângulo, estivesse ajoelhada em cima do sofá, já é uma enorme falta de respeito, que teve certamente lugar de primeira notícia em jornais e televisões. Devem pensar que somos todos uns asnos e não sabemos pensar... b) Popularidade mais baixa? says who? os mesmos media que preveram a vitoria da Hillary por larga margem?? c) Noticia da caca. Não relevam que Trump reuniu com raça negra ( então não é racista? ) que lidera universidades mas que a dita senhora tinha os joelhos no sofá. Palhaços!» ou quando Trump diz que a culpa das fugas de informação é do Obama «a)  Dê-me uns exemplos de feitos exemplares do ex presidente Obama b) O queniano está já adoptar a mesma estratégia que acabou com Romney. Usando equipas de background meio suspeito para controlar várias contas pro-Crack Obama em diferentes serviços de social media. Contas essas que costumavam registrar dois likes por cada input e tinham uma quantidade anormal de partilhas nos posts. Mas como o desespero é maior hoje em dia, agora também se meteu a fazer guias de como fazer uma revolução para tótós e organizar grupos anti-trump como o Organizing for Action. Patético. Força Trump! c) Algo se passa com o dn, ou tem de mudar as fontes ou os jornalistas! Recomendo a segunda. Apenas embarcam na Carneirada global da notícias negativas sobre o Trump. Hoje assinou decretos sobre educação, um a dar mais apoios aos colégios negros. Nem uma linha sobre isto. d) Fico boquiaberto com a estupidificaçao em massa das pessoas! Que se deixam enganar e levar pelos Media! Pessoas essas que ainda não se aperceberam que estão a ser usadas como arma de arremesso contra um Presidente democraticamente eleito! Cujo único defeito, é não ser o escolhido das elites globalistas, que pretendem comandar o mundo!... Trump ainda não fez nada, que os outros Presidentes não tenham já feito! A diferença é que os Media ensinaram-te que tudo o que Obama fazia era perfeito, e tu acreditaste!... Agora Trump está a fazer exactamente a mesma coisa, mas os Media ensinaram-te que está errado e tu acreditas?!... Que tal começares a pensar pela tua cabeça, em vez de usares a opinião formatada que os Media te impingem?!...Não achas demasiado estranho que os Media te escondam crimes praticados por refugiados, com o intuito de não te incentivarem o ódio! Mas no entanto fazem de tudo para incentivar o teu ódio contra o Presidente dos EUA?...Abre os olhos e olha à tua volta! Não te deixes imbecilizar pelos Media! Pensa pela tua cabeça! É a tua melhor arma! É a tua melhor defesa!...»

.................

Lemos isto ontem ou hoje em jornais portugueses.
Não sei quantas pessoas representam este tipo de comentários, mas não se podem desprezar. Neste caso é gente anónima, não são os 'comentadores de serviço' a que estamos habituados, não devem estar ligados a nenhum interesse especial. Imagino eu... Mas desprezam tudo o que ouvem que vá contra as suas convicções. E votam! E podem eleger (já está comprovado que sim!) em nome da democracia um completo anti-democrata. (faço figas que não consigam eleger a LePen) (aliás não sendo pessoa muito importante mas não nada anónima, a actriz Maria Vieira defende convictamente (?!) as ideias de Trump ] 

«Assim vai o Mundo», como se ouvia nos documentários que antecediam os filmes, quando ia ao cinema em pequenina.
Vai mal. 

Reinar espalhando o medo está a resultar, mas até quando?




Cereja

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O tal «superior interesse da criança»

É uma expressão pomposa utilizada na lei: o superior interesse da criança. Eu tive bastante contacto com esta expressão quando, há já bastantes anos, trabalhei numa área relacionada com a Convenção sobre os Direitos da Criança. E sim, fazia sentido pôr-se em primeiro lugar o «interesse da criança». Mas impressiona-me que, hoje em dia, em tribunais se ultrapasse constantemente esse princípio tão básico! Pode haver muitos interesses, mas o «da criança» é que não é decerto levado em conta.
Ultimamente a comunicação social parece ter despertado para diversas decisões de tribunal no mínimo discutíveis. Claro que, dado o tom sensacionalista que parece nortear as notícias dos nossos media, fica-se um pouco com a pedra no sapato quando vemos reportagens atacando CPCJs ou o trabalho de algumas assistentes sociais, facilitando que se tome a parte pelo todo. Um programa de RTP, Sexta às 9, por mais de uma vez mostrou umas reportagens a propósito de notícias de choque onde arrasava o trabalho de algumas assistentes sociais. Não foi bonito. Foi parcial.
Mas...
A verdade é que (correndo o risco de também estar a ser parcial) sei de muitos, demasiados (!) casos onde o que menos tem contado para o juiz é o tal superior interesse da criança. Tem-se falado recentemente de mais do que uma situação, onde um bebé é retirado à mãe e à família, ainda na maternidade sem se entender qual o risco, gravíssimo decerto, que corria esse bebé! Por exemplo, ainda hoje li no jornal que um juiz retira bebé à mãe com dificuldade em acordar para o amamentar. A sério. Por aquilo que se consegue ler, havia família, havia um pai. Também pelos vistos, mesmo que a mãe tivesse com uma depressão post-parto, (acontece, sabem?) só se refere que ela tinha dificuldade em acordar à noite, não que dormia o dia todo... E um pai também poderia dar um biberon, não é? Menos grave do que retirar o leite materno a este bebé, sabemos bem que os anti-corpos do leite da mãe o vão proteger durante muito tempo. Vai para uma instituição??? Com 6 dias? Qual o superior interesse do bebé?! No outro caso já referido, o bebé foi devolvido à mãe meses depois. Mas a relação perdida, a vinculação tão importante nos primeiros meses de vida, o «colo», a voz, o cheiro, tudo o que liga um bebé à mãe....?
Não entendo.

Também li uma crítica à mãe, acusando-a de ter assinado os documentos e depois se arrepender. E não será normal? Se uma miúda de 23 anos, não tem grande amparo e se sente deprimida deve assinar qualquer coisa... 
Há decerto uns «superiores interesses» mas não são os da criança. 

(vou voltar a este tema da 'leviandade' de alguns juízes, porque é coisa que muito me impressiona)


Cereja

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Óscares e política

Apesar de gostar muito de cinema, não tenho frequentado ultimamente as salas de cinema tanto quanto gostaria. Os malefícios do vídeo que ajuda a preguiça de se ficar no conforto da nossa sala e o nosso sofá, sabendo bem que um ecrã grande numa sala escura faz toda a diferença para melhor... Mas é irresistível e assim se explica que não tenha visto nenhum filme proposto para os óscares, mesmo os que já andam por aí. Mea culpa, ou culpa do sofá e do frio da rua...
Também não tenho por costume ver a entrega dos óscares. Não acho que tenha interesse suficiente para alterar as minhas horas de sono que se iniciam antes do início da cerimónia. Agravando tudo isso, desta vez talvez por estar de «férias de Carnaval»  até me esqueci do famoso evento.
Esta manhã ao ler as notícias vejo que se deu uma espécie de escândalo, porque trocaram os envelopes com os prémios, e o Óscar de melhor filme foi inicialmente entregue a um outro filme... Ooooooh! Depois de agradecerem etc e tal, terem de o devolver deve ter sido impressionante e de pôr à prova os seus dotes de actor ou actriz! Bem, lá me ri um bocado.
Depois fui ver qual tinha sido o verdadeiro vencedor. Como já disse também não vi ainda esse filme que partiu de uma história chamada «In moonlight Black Boys Look Blue» título muito sugestivo, sobre um homossexual negro que cresceu no meio de drogas e criminalidade. Hmmmm.... Negro? Homossexual? Logo duas categorias non gratas para Trump e seus amigos.
Ou seja, uma pedrada em cheio.
Claro que para quem considera que «política» é só coisa de políticos, tipo a-minha-política-é-o-trabalho, etc, etc, (aliás essa velha frase é da máxima ironia porque não há nada mais político do que a política do trabalho!) pode parecer muito exagerado admitir que com este prémio se atingiu o actual Presidente Trump. E não deve ter sido isso, mas a verdade é que ele se pôs a jeito!!! Um tipo que goza com o que é diferente, que acha muita graça em se assumir como machista, que aceita o apoio da KKK, perceber que Hollywood com tudo o que de mau ela também tem, premeia uma história como esta não o deve deixar lá muito contente. E ver um actor muçulmano, dizem que foi o primeiro, a receber um Óscar! Li várias graças no twitter (mas em português, o homem não entende...) dizendo  por exemplo que 'amanhã o trump vai atacar com os Fake Oscares' e olhem que... se calhar...
A verdade é que a ideia de hostilizar os média que não aceitam tudo o que ele diz, não pode dar bons resultados. É que são muitos...! E criticar os artistas que também não gostam dele, o mesmo, porque também são muitos. Note-se que nos Razzies os anti-óscares, o primeiro prémio e pelos vistos muito merecido :))) foi para um filme Hillary's_America:_The_Secret_History_of_the_Democratic_Party que deve ter sido uma 'encomenda' dos republicanos.
Contudo, o facto de grande parte da imprensa denunciar as mentiras do Trump, não nos deve fazer esquecer que ainda há muita e muita gente que acredita. Mesmo aqui, em Portugal, se lermos alguns comentários de leitores de jornais on-line, encontramos muita gente que o aplaude e considera que o-resto-do-mundo é que que está a mentir. Não devemos esquecer isso...
..............
Mas que esta cerimónia dos Óscares não vai ser esquecida tão cedo, isso não vai!!!!



Cereja

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Ainda e sempre a educação

Dos temas que mais me apaixonam, como quem passa por aqui já sabe e basta ler os últimos posts para o verificar, o mais importante é sem dúvida a educação. Gosto de crianças, e considero que educar é talvez a tarefa mais importante do mundo. E é também um tema sobre o qual quase toda a gente tem opinião e sujeito a muitas "modas", mais do que isto talvez só, actualmente, a alimentação tema que parece ser quase uma obsessão. :)
Quem anda neste mundo há várias dezenas de anos tem a irresistível tendência de comparar a vida familiar actual com aquela vivida por si na infância e adolescência, e as diferenças são muitas vezes impressionantes. Muito frequentemente parece existir uma viragem de 180 graus, comportamentos que eram socialmente naturais há 50 anos são hoje vigorosamente criticados enquanto o que seria inaceitável no tempo dos nossos avós ou até dos nossos pais, é a norma.
Há alguns dias li num jornal uns comentários a uma atitude bastante estranha de algumas unidades hoteleiras. Parece que alguns (creio que muito poucos...) hotéis, publicitando o seu sossego e calma, informam que não aceitam famílias com crianças  Oh céus!!! «Adults only» Em Portugal também, por aquilo que li.
Claro que choca. Mas o que é isso??!
Contudo quem já comeu em restaurantes com crianças a correrem entre as mesas aos gritos, tentou ser atendido numa loja enquanto um menino fazia uma birra atirando tudo ao ar, ou entrou num elevador onde outra criança tinha carregado em todos os botões obrigando a um grande compasso de espera em cada andar, pode aceitar que esses comportamentos incomodam e perturbam o bem estar de quem não tem nada a ver com o assunto. Mas a culpa/responsabilidade não é da criança e sim do adulto responsável. Porque, de um modo geral, quem acompanha essas fontes de perturbação não exerce qualquer acção disciplinadora, nem impede a actividade socialmente desadequada.
(O exemplo que citei da birra numa loja, assisti a essa cena não há muito tempo; os compradores deixaram de falar com os empregados porque os guinchos abafavam as suas vozes mas a mãe não parecia nada sensível ao incómodo causado, não saiu dali com o filho, e continuou durante largos minutos a acabar de fazer fosse lá o que fosse...)
Ora bem, a diferença com um passado não tão remoto como isso é enorme. Reprimir-se, como dantes, a espontaneidade de uma criança em público? Hmmmm... Não parece ser o caminho. E a verdade conforme li numa socióloga hoje «ao contrário do passado as crianças são estimuladas a serem activas». E parece certo. Mas sem limites...? Podia-se concluir que hoje «os pais não educam pior, a socialização é que é menos virada para a obediência e mais para o diálogo»
Faz sentido.
Gosto do diálogo.
Mas nestes exemplos dos pequenos perturbadores da ordem, não vejo diálogo nenhum. Vejo uma espécie de quero-posso-e-mando das crianças, sem limites e sem respeito pelos outros.
As crianças não podem nem devem ser equiparadas a animais e excluídas dos hotéis, mas devem comportar-se então como os habituais frequentadores dos hotéis. Simples.


Cereja

... de volta, com a Primavera

Fiz no Cerejas uma pausa enooorme.
Meses e meses. Nem julgava que tivesse sido tão grande, fiquei admiradíssima quando confirmei que não vinha aqui desde o final do Verão passado...
Claro que a-culpa-foi-do-facebook, isso é indesmentível, mas não só.

Já lá vai o tempo onde comunicávamos, muitos de nós, através de blogs. Mas os meus «amigos da blogosfera», na sua quase esmagadora maioria, desapareceram. E os que não desapareceram, publicam ao ralenti.
Fui confirmar e cá está, o Charquinho, que vou «vendo» no twitter, mudou de visual e vai pingando um post aí de 15 em 15 dias, a Hipatia do Voz em Fuga idem, dá notícias aí uma vez por mês.... quanto à Saltapocinhas do Fábulas esperta como a sua homónima do Romance da Raposa, tem um truque para manter o blog activo: publica uma foto todos os domingos, uma anedota às segundas e um post «a sério» de vez em quando... voilá! Mas todos os outros, o 100 nada, o Ponto sem nó, o Estou na sesta, para não falar nos que sumiram de vez, que fecharam há 5, 6, 7 anos - o Cabra de Serviço, o Ai o Camandro, o Troll Urbano, o Farinha Amparo, o BdE (Blog de Esquerda) - e outros de que nem link já encontro o Afixe, o Barnabé... Nesses tempos, quando ainda não existiam as redes sociais que agora parece fazerem parte integrante das nossas vidas, comunicava por esta rede que desapareceu. Existem muitos blogs, claro está, com grandes temas políticos, ou económicos, ou sociais, correspondendo um pouco às colunas de opinião dos jornais, ou muito leves, com textos de moda, culinária, puericultura. Mas não-é-a-mesma-coisa.
Isto para analisar o porquê desta minha ausência, uma desmotivação por sentir que aqui fico a falar sozinha, enquanto no facebook tenho feedback.

Claro que não foi só isso. É verdade que tive uma grande pausa forçada por um acidente parvo que implicou uma hospitalização e uma ausência forçada das «novas tecnologias» como se costuma dizer. Mas não serve de explicação, porque se tivesse sido há 10 anos, ou até menos, no tempo do meu querido Pópulo assim que tivesse um computador à frente recomeçava cheia de energia.
Pois é.

Vamos lá ver se tenho um segundo fôlego :)))

Cereja