quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Quarto Poder ou Super Poder ?!


Há qualquer coisa de errado na actual comunicação social.
Certo, eu sei que ela é o tal Quarto Poder, mas não é mais do que os outros 3, caramba...! Contudo, sua atitude e a sua arrogância faz-me crer que ela assim se considera: mais importante e forte do que o Legislativo, Executivo e Judicial todos juntos.
Não posso comparar bem com o que se passa 'lá fóra' embora creia que por todo o lado se caminha para esse domínio, e a força de certa imprensa, a que se chamava tablóide de um modo depreciativo, extravasa e atinge a comunicação que se considerava mais séria mas que actualmente recorre já a todos os meios para passar as mensagens que quer.
A técnica que utilizam os jornalistas mais importantes de falarem eles em vez de perguntar, vem de longe. Recordo que há já uns 20 anos uma amiga minha, convidada de um programa de tv, ouviu a pergunta «Considera que tal-e-tal-e-tal-e-tal?», o truque da pergunta com resposta lá dentro. Respirou fundo e respondeu sorrindo «Concordo com a sua opinião e devo acrescentar que etc-etc-etc»
Mas na comunicação social portuguesa actual, isto está a atingir umas proporções revoltantes! Certas entrevistas (?) a figuras públicas non-gratas para eles, assemelham-se a interrogatórios de réus em tribunal, pela agressividade com que as perguntas são feitas, pelas armadilhas montadas para os fazer cair em contradição, pelo tom usado nessas questões, pelas mentiras usadas como argumentos para os irritar e fazer perder a compostura. Com a agravante de que se no tribunal há um advogado de defesa para chamar a atenção, nessas 'entrevistas' armadilhadas a vítima está sozinha...
Outro espectáculo que me choca, e isso não é só em Portugal, claro, mas aqui parece pior, é a matilha que corre e envolve a figura política que se considera poder dizer algo que possa ser usado. Ou a pessoa em causa já muito batida não tem medo de parecer antipática e repete sem parar: não tenho nada a dizer, não tenho nada a dizer, não tenho nada a dizer, não tenho nada a dizer... e mesmo assim vai ouvir mais tarde «fulano teve medo de responder», ou se tenta responder é a imagem da raposa rodeada de cães.
Mas quando penso que eles se acham o super-poder é quando citam um artigo de jornal que lhes agrada como sendo um facto. Ouvi ontem perguntarem num corredor a Mário Centeno qualquer coisa como «como reage ao facto de a Europa [ou o Mundo] estar contra o seu governo?» e de seguida explicou que citava um jornal qualquer. Não, não eram os governos de Inglaterra, França, Alemanha, não era Bruxelas, não era nenhuma força política conhecida que era citada, era um jornal!
Aliás quando uma determinada orientação política perde ou ganha é óbvio que os seus parceiros internacionais, a sua 'família política', se vai manifestar. De estranhar era que o não fizesse...
Ora a nossa comunicação social, que se tolerou que fosse completamente dominada por uma única força e usa e abusa do poder que tem, que ao organizar mesas redondas convida 3 elementos da mesma ala e um só da outra, que admite que um entrevistador manifeste durante a entrevista a sua opinião pessoal como se a entrevista fosse um debate, que filtra as entrevistas que faz na rua de modo a só mostrar as que lhe convêm (convêm a quem?) tem de ser chamada à razão.


A questão que me aflige é: chamada à razão POR QUEM?




Cereja

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