quinta-feira, 16 de maio de 2013

Passado versus futuro...?

Escolhi este texto porque foi o último que vi, mas vem na sequência de vários outros muito semelhantes. [o facto de este estar em francês pode parecer um tanto snob, mas é simplesmente por ser o que encontrei mais à mão :D ]
Gostei, 'partilhei-o' no facebook, identifiquei-me bastante. Tudo isto é verdade. As gerações mais velhas foram criadas sem tecnologia. Educadas de um modo mais espontâneo com as diferenças de hierarquia familiar bem definidas. Havia mais liberdade e facilidade no convívio directo entra as crianças. Era diferente o que "podia fazer mal" ou "devia fazer bem". 
É verdade.
Mas não será esta mesma visão do passado um recomeço? Recordemos o "Meia-noite em Paris" ou outro filme, este muito antigo,  "Les belles-de-nuit" com um tema aproximado: o passado pode ser lindo mas é-o sobretudo nas nossas recordações... Porque curiosamente se recuarmos até à nossa infância encontramos lá quem resmungasse que no seu tempo "é que era!" e assim sucessivamente. Olhando bem o que vemos agora é a importância da tecnologia e o que isso implica, é certo, mas pouco mais.
Os nossos jovens comunicam por internet com pessoas estranhas. Na minha adolescência, eu correspondi-me com um jovem francês da minha idade, cujo contacto obtive não sei bem como, e essa correspondência semanal era bem divertida. Nunca pus em dúvida o que me contava mas claro que podia ser mentira - a não ser o viver em França por causa dos selos. A motivação era bem semelhante à dos miúdos de hoje. 
Realmente não havia "gel anti-bacteriano" como se fala ali em cima, nem outros exageros, mas havia muitos outros cuidados sobretudo por causa da tuberculose. Hoje vejo beber pelo copo de outra pessoa, que era coisa que nunca se fazia na minha infância. Nem provar de outro prato. Parece-me que muitas vezes se está a comparar a infância de uma criança no campo com a vida actual de uma criança na cidade...
Nessa altura havia talvez menos perigos sociais, mas as crianças se calhar por serem menos protegidas sabiam defender-se melhor. Contudo, isso ensina-se e treina-se, está nas mãos dos pais, não é uma fatalidade.
Porque a verdade é que o ser humano não é assim tão diferente, mesmo que os instrumentos se vão aperfeiçoando e a velocidade de tudo seja bem maior. Recordo umas férias em que mantive uma acesa discussão com um colega que as tinha ido passar à terra: várias cartas por semana, cheguei a escrever e receber cartas todos os dias, afinal sms...mais desenvolvidos e mais lentos mas era o mesmo princípio.

Enfim, o nosso presente é o passado do futuro, não é? Mas vamos mantendo as recordações, um campo polvilhado com uns pózinhos de beleza.

Pé-de-cereja 
 

5 comentários:

Joaninha disse...

Cá vem um dos teus post de análise/conversa... este caso é dos que toda a gente tem razão (ou ninguém tem). 1º é evidente que a nossa infância tem uma aura que deita muitos pozinhos de perlimpimpim como disseste, que embelezam o que nem sempre foi tão bonito. 2º vem também a mania de deitar abaixo tudo e mais alguma coisa 3º outra mania é generalizar 4º para mim não há dúvida de que quando as coisas eram mais lentas eram mais apreciadas..

Lucília disse...

quando se começa a fantasiar transforma-se o charco infestado de mosquitos em lago de águas transparentes... :D

meri disse...

Olha gostei tanto deste postal que fiz um e linkei-te
:))))
Tenho sempre presente que netos e sobrinhos netos têm que esfolar os joelhos e "comer" terra, moderadamente, é claro e caminhar, caminhar, caminhar - em 17 crianças não há nenhuma obesa... ainda e até ver!
Abraços para ti e para os teus fiéis leitores

pé-de-cereja disse...

Olá Méri!
Pois é, o importante é também ensinar às crianças uma self-defense ambiental e psicológica e até social. O amor enorme que se tem por elas, leva por vezes a limitar-lhe experiências que seria importante terem vivenciado.
Falas do caminhar, andar a pé, e olha que é das coisas que mais estranho - os meninos-que-não-andam-a-pé!!! São "transportados" para todo o lado como se fosse uma coisa natural!
Ainda há pouco a falar com uma menina até crescidota, disse que a mãe não deixava ir não sei onde "porque posso cair". Não, não tinha nenhuma deficiência!!!

FJ disse...

Fiquemos com essa bela frase: o nosso presente é o passado do futuro