sexta-feira, 17 de maio de 2013

Futebol, patriotismo e bom senso

Venho falar de coisas que não percebo bem.
Futebol.
Evito falar, de uma forma geral, de coisas que não entendo. Como essa coisa da fé. Falo pouco de religião a não ser quando ela vem embirrar comigo, porque não entendo bem (nem mal) um sentimento que... não sinto. E esta espécie de fé num desporto, está um pouco no mesmo patamar. Aquilo ultrapassa-me, mas como estou em minoria reservo a minha opinião, não quero ofender ninguém sem necessidade. Aliás, por simpatias familiares - ou o inverso, porque em criança a escolha fez-se por provocação - até gosto de um clube 'dos importantes' e tomo até algum partido.
Mas, de vez em quando, o caldo entorna-se. 
A semana passada até parecia que a vida do país tinha parado por causa de uns jogos de futebol! Foi interessante? Foi. Serviu também para aliviar outras tensões, foi um escape de que se precisava? Também. Mas com calma...
Do primeiro jogo, já tudo foi dito. Não devia ser uma guerra do norte contra o sul ou vice-versa, mas até parecia. OK. Também achei graça a algumas coisas e ao drama do que não passou de um jogo de futebol, mas enfim...
Contudo, no jogo Benfica - Chelsea desfraldou-se a bandeira do patriotismo. De um modo alucinado, como se fosse um jogo da selecção nacional! Veja-se a amostra de uma reportagem de uma TV nacional onde a jornalista parece ter perdido a noção do que devia dizer
E é isto que me faz espécie.
Tenho a ideia, embora possa estar enganada porque isto não é a minha praia, de que os clubes dantes representavam zonas de um país, bairros, cidades, agremiações locais. Tinham jogadores que muitas vezes tinham começado por jogar lá como crianças e depois continuavam no clube. Ou não, mas a 'prata era da casa' podia ser trocada, empenhada, mas era coisa interna.
Hoje, olho para o plantel como se diz creio eu, dos clubes que jogaram esta semana como se ali estivessem a Inglaterra e Portugal personificados e vejo que nos 2 casos, de 25 jogadores, 18 são estrangeiros. (???!!!)  Acima de 2 terços. Recordo uma piadinha ouvida já há anos num jogo deste tipo onde alguém afirmou "eu cá, em jogos destes, apoio sempre os portugueses; por isso torço pelo ****" - claro que a piada é que o **** tinha em campo muito mais portugueses, que o "nosso" não tinha nenhum...
Pois é. Quando há um jogo entre um clube português e outro estrangeiro, prefiro que ganhe o português. Seja ele qual for.  Mas é um jogo de um clube, não é a selecção. E mesmo quando se trata da selecção, não é a Batalha de Aljubarrota!





Pé-de-Cereja 
 

9 comentários:

cereja disse...

Imagine-se uma batalha feroz onde mais de dois terços dos combatentes fossem mercenários...?

Joaninha disse...

Não quero ser antipática, mas estás muito fóra do contexto.
O que recordas era muuuuito antes desta nova era. Aquilo eram Clubes Desportivos. Agora são Empresas, e mais nada! Compram, vendem, têm acções na bolsa, essas coisas todas. São mercenários? Pois é claro. Aquilo é um produto que tem de ser vendido.

Joaninha disse...

Ah, e quanto à palerma da jornalista, coitadita: está na mesma linha do que escrevi agora. Nota que a SIC tinha de vender o produto, que era o jogo que ia transmitir. Quanto mais público, mais anunciantes!!!! Tudo isto gira à volta do dinheiro.

Zorro disse...

Para quem não sabe nada, olha que sabes muito! :))))
A joaninha já disse o principal. Claro que tudo isto tem a ver com dinheiro. E muito! Qual "amor à camisola", qual quê!...
Mas já agora uma piada - em Aljubarrota também havia muitos portugueses pelo lado de Castela, era toda a nobreza e as suas tropas! Do nosso lado é que só devia haver mesmo portugueses... :D

Anónimo disse...

É das tais coisas, como disseste (e bem) é uma espécie de sentimento que não se explica. Uma sensação de pertencer a um colectivo. Por alguma razão se diz que sublima o desejo guerreiro que sentimos muitas vezes.
Claro que desta vez foi exagerado. Foi tudo ao rubro (passe a insinuação clubística...) e viu-se disparates de todo o tamanho.

fj disse...

É complicado equacionar o papel do futebol no pós salazarismo. Não o consigo completamente, mas penso, a uma primeira vista,que mantém grande parte do papel anterior,servindo de adicional factor de unidade onde existem outras desuniões importantes, partidos e suas implicações.
Raciocínio provisório,entenda-se, mas intrigante o problema. O resto será dinheiro fj

cereja disse...

Ena tanta gente aqui à conversa...
Ora bem, Joaninha, tiveste graça, de facto "estou fora do contexto" :D É que ainda vejo a palavra desporto no nome dos clubes (Sporting Clube de Portugal, Sport Lisboa e Benfica, Futebol Clube do Porto...) e esqueço-me que há SADs. São de facto empresas e mainada!!!!!
.............
Claro que a SIC devia fazer publicidade ao seu produto, mas nem era preciso. E aquilo foi de uma palermice incrível!

Hipatia disse...

Eu teria sempre sérias dúvidas em juntar o "bom senso" a qualquer forma de futebolice e a mais das vezes ao patriotismo também :D

cereja disse...

Pensando bem, tens razão Hipatia.
Contradizem-se sim. :)
É a minha mania de racionalizar. Claro que estava a chamar a atenção para esta onda (tsunami?) que varreu a nossa terra nesta semana - e possivelmente vai continuar este fim-de-semana. Mas aqui o alvo era sobretudo a comunicação social que fomentou isto de um modo incrível, deitando mais gasolina no fogo!