quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Reformas, salários e outras questões

Aqui há uns tempos circulou aqui no facebook e em diversos blogs uma chamada de atenção apoiada na informação transmitida pela comunicação social de que na Suíça se estava a propor que as reformas tivessem um tecto máximo correspondente a 1700€. Era uma medida que estava a ser dada como exemplo com bastante aplauso de muitos comentadores.
Na altura fiquei logo com a pulga atrás da orelha e disse-o. Alguma coisa não batia certo, e até procurei informar-se quanto seria o salário mínimo nacional naquele país para poder fazer as contas. Recolhi a informação de que não existia lá nenhum smn e de que esta reforma de que se falava como modelo para nós, era apenas uma parte do que de facto um suíço aposentado recebia, porque na sua grande maioria tinham reformas ‘privadas’ que lhes permitiam viver confortavelmente na velhice.
E, li hoje um artigo que mostra bem como na Europa se pode viver em mundos distintos. Os sindicatos suíços pretendem agora que se formalize a existência do tal salário mínimo nacional, que não existe ainda. E, vejam só, pretendem que esse seja fixado em 4.000 francos, ou seja, mais de 3 mil e trezentos euros... E, com o argumento de que "quem recebe menos do que este montante não tem condições para cobrir as despesas básicas"
Ora bem. Vejam a contradição: pretendia-se na altura um 'tecto máximo de reforma' que era metade daquilo que se achava necessário para as despesas básicas. Não pode ser, pois não? Alguma coisa não bate nada bem. Aliás é interessante ver que, com montantes completamente diferentes é claro, a situação patrão-trabalhador também segue lá uma evolução semelhante à nossa ( aquilo que um patrão ganhava há 30 anos ia até 30 vezes mais do que o salário mais baixo pago nessa empresa, hoje pode ir até mil vezes mais)
Aquilo que sinto depois de ler estas informações é que não vivemos no mesmo mundo. Não quero dizer «mundos paralelos» porque esses nunca se encontram, mas parece-me bem que se está desfasado no tempo. Muito desfasado!

(Embora haja para aí alguns compatriotas que pelos vistos julgam que vivem na Suíça onde os três mil e tal euros não cobrem as suas despesas básicas)


Pé-de-Cereja

8 comentários:

if disse...

Eu cá acredito que vivemos no mesmo mundo. Ele é é distorcido quando falam do que no mundo se passa.
... se bem que a Suiça é aquele país dos bancos, não faz parte da União Europeia, por vontade expressa dos suiços e eles lá sabem as linhas com que se cosem...
Por isso é que os Sindicatos suíços têm capacidade e cumprem o seu dever.
Nós por cá adoramos os doutores da televisão, que vivem de dizer coisas. Podem ser esquisitas como as que se ouviram da Zita Seabra no programa do Mário Crespo, anteontem.
Não sei se viste. Aquela mulher variou, só pode. Acha ela que os trabalhadores têm demais. Culpa dos comunistas velhos, que os novos - segundo ela - não vivem cá. Pode?!!!

pé-de-cereja disse...

Olá amiga! É isso mesmo, «distorcido». Aliás a Suíça nem mesmo aderiu ao euro... Não precisa disso. É o tal país do Bancos e das contas numeradas anónimas (não sei se ainda é assim, mas creio que é) Mas é certo que quando foi essa reportagem sobre as tais reformas suíças disse-se muita coisa, que achei de desinformação na altura, e era mesmo! Claro que como esta crise é geral, eles também dificuldades só que são de outra dimensão :)
..........
A Zita nem a oiço! Ela e a Cândida Ventura (noutra geração) são casos de estudo.

Joaninha disse...

Olha, este post já cá estava ontem... :( Não o tinha visto, mas deve ter entrado depois da minha passagem por aqui.
Bom, tu e a IF já disseram aquilo que vinha dizer. Outros lugares, outras perspectivas, né? Por cá é tudo em pequenino.

Anónimo disse...

É isso mesmo.
Fala-se muitas vezes só «porque sim». Também quando li essa conversa sobre as reformas suíças me cheirou a esturro... Era completamente impossível!!!

Anónimo disse...

Embora, já me disseram que em certos países muito desenvolvidos, lá do norte, as reformas que se recebem são realmente bastante inferiores ao ordenado que se recebia antes.

Joaninha disse...

Olha King, eu sei disso porque tenho amigos que casaram por lá. Contudo, mesmo assim a qualidade de vida é muito boa, porque o apoio social para a 3ª idade não tem nada a ver com o que se passa cá!

Teresa disse...

Olá "pé de cereja". Que bom voltar a encontrar-te.

pé-de-cereja disse...

Olha quem aqui apareceu!!!!
Olá Teresa!
Eu tenho andado com uma preguiça do caraças em escrever (e depois há aquela coisa do facebook mais facilitante para a escrita mas ... não-é-a-mesma-coisa) e isto fica parado dias e dias . Ainda por cima estive agora quase uma semana mais ou menos afastada da net.
Mas esta tua visita reanimou-se. Vou acabar um post que estava alinhavado.
Até já!