quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Um fenómeno cada vez mais vulgar III) Regras e limites

O que é demais, é demais. 
«As regras são para cumprir»? Huummm... Depende, não é? Nem sempre, pensamos nós. Aliás também se diz que «não há regra sem excepção». Um mundo em que se vivesse espartilhado em regras severas e para tudo seria um sufoco. Confesso que pertenço ao grupo que não aprecia excesso de regras, gosto de escolher o que devo fazer. Mas... Como é que circulávamos se não houvesse regras de trânsito? Assim como todos gostamos de sentir a liberdade, e por isso mesmo se diz que «a nossa liberdade termina quando começa a liberdade do outro».
E é isso o que estes meninos que vêem os outros como objectos, não sentem.
Estes princípios, de que precisamos de regras para viver em colectivo e não somos livres de fazer tudo, aprendem-se em criança. Aprende-se na família. Numa família existem os adultos que tomam decisões, protegem, são responsáveis, mandam. E as crianças que devem ser protegidas, a quem não se pede responsabilidades e devem obedecer.
Obedecer cegamente a tudo? Talvez no tempo da Rainha  Vitória, ou nem aí... Não. Não é nada bom uma criança demasiado passiva, que aceite tudo sem discussão e desde há muito que isso se sabe. Mas essa situação da criança passiva, o que é muito mau, encontramo-la agora menos do que o seu oposto. Vemos muitas crianças e adolescentes que vivem segundo o princípio do prazer imediato. Pensam em algo, seja um objecto, uma actividade, uma experiência nova, uma peça de roupa, seja o que for e não suportam a espera. Tem de ser de imediato ou já não lhes interessa. Não digo bem. Claro que interessa, interessa loucamente até obterem, mas assim que o conseguem o interesse desvanece-se.
E o curioso é que tudo é exigido sem a menor contrapartida. Se lhe perguntarmos «E o que fizeste para merecer isto?» olham-nos como se fôssemos doidos. Por vezes insisto «Tiveste uma nota muito boa? Ajudaste mais nas tarefas domésticas? Fizeste um favor grande à mãe ou ao pai?» e a resposta é encolher os ombros. Querem as aulas de guitarra, ou os ténis de marca, ou uma ida à neve, porque-sim. Sabendo já que ao fim de 2 meses estão fartos da guitarra, estragaram os ténis e vêm aborrecidos do fim-de-semana na neve.
Enquanto os pais se privam de coisas de que precisam para os satisfazer.
E eles não ficam nada agradecidos!
.................
Algo está muito mal!



Cereja
 

5 comentários:

meri almeida disse...

Não te encontro no facebook :(....

cereja disse...

Olá Méri!
Vou responder por email :)

amidaca disse...

a ver se agora fica

amidaca disse...

Agora ficou...bom mas eu acho que a causa desse fenémmeno é o facto que os pais não educam porque estão muito preocupados com as suas róprias carreiras e a única maneira de compensar as crianças é monetariamente, o que levou a este estado actual da soociedade portuguesa em que o único valor é o extremo egoismo

cereja disse...

Olá amidaca, entrou sim!
Olha, esse é UM aspecto mas não só. Como eu disse nos posts anteriores o educar para lidar com a frustração começa ainda em bebé, quando se lhe pega ao colo à primeira ameaça de beicinho. Aliás há crianças tiranas em todas as classes sociais, quando não há nenhuma carreira a defender. Uma das que conheço melhor é neta de uma mulher-a-dias e entra inteiramente neste modelo.