quarta-feira, 11 de abril de 2012

Coleccionar




Não tenho o bichinho de coleccionadora. Mas... Mas entendo quem o tem. Aliás acredito que toda a gente de um modo ou outro tem pequenas, minúsculas, colecções. Afinal juntar-se 3 ou 4 objectos semelhantes é uma colecção, não é? E quem não juntou nunca esses 3 ou 4 objectos?!
Mas estive recentemente em casa de uns amigos onde convivi com um autêntico coleccionador, daqueles que quase poderia concorrer ao guiness. Posso dizer que toda a sua casa é uma colecção de colecções!
Nunca tinha visto nada assim a não ser em museus. Tentei tirar fotografias mas a minha habilidade e máquina não davam para tanto, as peças não ficavam enquadradas, sobravam para fóra da máquina. :) .
E nem sei enumerar as colecções mais interessantes, tantas eram.
Terrinas antigas. Tinteiros. Peças de estanho. Canetas. Jarros. Ferros de engomar. Bengalas (e muitas de estoque) Álbuns de fotografias raríssimas. Relógios.
(e muitas mais que neste momento não me ocorrem)
Aquela casa era um pequeno museu - quero eu dizer um museu, nem por isso era pequeno tenho passado por outros bem mais pequenos! - e espero, desejo, que o trabalho de conservação ali efectuado possa ser preservado. É que aquele tipo de colecções tem um verdadeiro e autêntico valor histórico.
É isso que justifica inteiramente a existência de colecções.

(esta é uma parte; são 70 jarros...)


Pé-de-Cereja




quinta-feira, 29 de março de 2012

Mas que raio de publicidade....?!

Tenho andado a remoer, pensando que alguma coisa não anda bem no reino da publicidade.
Não entendo.
Por um lado enchem-nos os ouvidos com a questão do crédito-mal-parado e as dívidas que andam por aí. Mesmo que o grosso das dívidas seja afinal parte da amortização das casas que se compraram quando, fazendo as contas, se via que comprar casa própria era mais barato do que pagar uma renda actualizada, também é verdade que com a oferta fácil do cartão de crédito que se usava para tudo e mais alguma coisa, muita gente anda enterrada em dívidas que não consegue pagar. É muito mau.
Mas... os Bancos continuam a fazer publicidade!!! E de que forma!
Encontrei ontem no «Farinha Amparo», blog que leio diariamente, um post que diz à maneira da Didas, exactamente aquilo que me espanta. Pensei fazer uma citação, mas vale a pena deixar tal como ela escreveu:

E lá continuam eles calmamente a oferecer-se para pagar o ballet à filha do Manel, uma curta-metragem à pita que chegou do estrangeiro e a piscina ao Fonseca. Mais as férias nas Maldivas aos Silvas e o carro novo aos Santos. E lá continua o Cristiano calmamente a anunciar ao país que fez uma mudança na vida que foi abrir outra conta no BES paga pelos clientes que lá estão agarrados às hipotecas. Calmamente, como se não tivesse acontecido nada. Como se não houvesse milhares de famílias com ordenados penhorados por terem querido ter tudo o que eles ofereciam, como se os bancos não despejassem todos os dias os desgraçados que não conseguem pagar a mensalidade, como se os milhares de portugueses que compraram carros e móveis e férias a vinte e cinco anos a juntar ao valor da hipoteca agora não andassem à rasca para vender um T2 por um preço muito acima do que ele vale mas que é o que devem ao banco.


Mas não é só esta publicidade que me faz espécie.
Reparei, como toda a gente, nuns cartazes que apareceram com as imagens de umas crianças a fazerem propaganda ... à EDP. Eu sei que a publicidade é caríssima. Em tempos acompanhei uma campanha de publicidade institucional, e fiquei apalermada quando percebi os custos dessa campanha. Fez-me tonturas. Apenas uns cartazes, uns segundos de tv, e a verba era assustadora. Ora esta é uma campanha de luxo. Bons cantores. Quatro semanas. Televisão, imprensa, rádio, internet, cinema e outdoors. Mas porque é que a EDP precisa de propaganda?
Para além disso usa criancinhas, coisa que nunca me agrada em publicidade e acho até que deveria ser proibido. Mas, este dinheiro todo, gasto PARA QUÊ?! A EDP receia que passemos todos em massa para a concorrência, assim como escolher entre o Continente e o Pingo Doce?...
Ou para justificar aumentar o custo da electricidade de 3 em 3 meses (será mentira?) como dizia um jornal ontem... Não fazerem esta campanha já era uma boa economia.










Pé-de-Cereja

segunda-feira, 26 de março de 2012

A cidade e as serras

Nasci numa cidade. Uma capital. 
Tenho vivido quase toda a vida nela, com alguns intervalos de passagem por outras cidades mais pequenas ou, episodicamente, noutra maior. Mas nunca experimentei viver por períodos maiores do que o espaço de umas férias numa comunidade pequena. Ou seja, tudo o que penso sobre isso pode ser – e certamente é – parcial e infundado.
Toda esta introdução é para dar entrada a contar o que sinto neste momento. 
Estive toda a semana passada bastante longe de Lisboa, a viver em casa de uns amigos numa terra que era maior do que uma aldeia mas menor do que o bairro onde eu vivo. Aliás parece-me que toda a população dessa terra devia ser menor do que a do prédio onde vivi em Macau (com cerca de 40 andares e 10 apartamentos por andar…) E senti-me lá bem. Muito bem. Extremamente bem! 
Eu não sei se teria sido capaz de ter feito a opção que os meus amigos fizeram quando, há dezenas de anos, escolheram ir viver para ali. É um facto que sou uma citadina, que estou demasiado habituada às facilidades que uma cidade nos pode dar. Também é verdade que contribuiu imenso para o bem-estar que senti o convívio com esse casal amigo, amigos de infância, amigos de sempre, que falam a minha língua e com quem é um enorme prazer conversar. Seria bem diferente se estivesse ali sozinha e longe de tudo, mas a realidade não era essa. A realidade dessa semana foi o que me pareceu uma maravilhosa qualidade de vida. 
Aquela casa tinha um quintalinho. E, aos meus olhos de citadina, era um deslumbramento perceber que ia comer caldo verde porque a minha amiga ia apanhar umas folhas de couve que migava e punha na panela; ir apanhar uma alface, tomate, rúcula, e fazer salada com vegetais que ainda deviam ter a seiva a correr;  jantar sopa de acelgas também do quintal; a meio da tarde tive sede abanou-se uma laranjeira e fizemos um sumo espremendo as laranjas que caíram da árvore; os temperos todos os que se imaginam, vieram sem excepção dessa mini-horta. E não era apenas a parte alimentar do quintal que era maravilhosa – lá vinham entregar o jornal à porta, vinham deixar o pão, passava um cigano numa camioneta que deixava a fruta, vieram entregar as embalagens de café… E o correio era ao virar da esquina, a farmácia ficava nas traseiras, havia um café na praça a 3 minutos de distância. 
É verdade que isto não era «uma casa na pradaria» porque se condimentava não apenas com uma habitação muito confortável mas com telemóveis, televisão por cabo, e até um acesso à internet não fácil, reconheço, mas possível. Havia um terminal de multibanco na rua debaixo. 
Era em certa medida o melhor dos dois mundo, por isso e escolha está um tanto falseada. 
Mas que senti muito profundamente uma maravilhosa qualidade de vida, impossível de conseguir aqui no meu 3º andar esquerdo, isso tenho de testemunhar. 

Que bem me fez este intervalo de descanso!


Pé-de-Cereja

quinta-feira, 15 de março de 2012

Pontos de vista

Se há coisa que o momento em que vivemos (já não posso com a palavra crise!) nos tem mostrado muito bem é como é tão relativo o conceito de abundância ou carência. Bem… quero dizer que é relativamente relativo! Estou a pensar que há limites que ao serem ultrapassados tornam certas considerações chocantes e provocatórias, como a Maria Antonieta a aconselhar os esfomeados a comer brioches. 
Uma pessoa nasce, cresce, é educada num determinado mundo. Fala-se em «berço de ouro» para contrapor aos berços de madeira e até pode nem haver nenhum berço, ser apenas um pano traçado às costas da mãe… Mas desde que um bebé começa a observar o mundo que o rodeia dá como certo e adquirido alguns factos que contribuem para o seu conforto ou desconforto. Para ele isso é o normal, o natural. Um adulto (a mãe...?) toma conta dele, e os valores que esse adulto lhe transmite começam por ser aceites como sendo a verdade absoluta. Pronto, fomos chutados para o mundo real que não-é-igual-para-todos, como se vê. Por termos nascido no Canadá, na Índia, na Holanda, nas Filipinas, a nossa vida começou de um modo diferente e as expectativas diferentes são. (Bem, estou a pensar naquilo que se poderá chamar classe média, que quanto aos muito ricos talvez essa diferença não seja assim tão notável) Mas é um facto que uma criança aceita como 'normal' o meio onde foi criada e ficará triste se perder alguma coisa e contente se ganhar. 
Claro que um adulto também. E os últimos tempos têm sido o espelho disso. Como se cada um estivesse num degrau de uma escada, se tiver de descer ou subir isso é sentido por si como uma perda ou um ganho mesmo que no degrau para onde passa esteja a viver imensa gente. É a promoção ou despromoção social afinal, que chega a alterar prioridades cortar-se em despesas, para alguns essenciais, para manter aparências importantes socialmente.
Pensei  nisto quando vi uma reportagem apoiada nuns paternalísticos conselhos do Barreto-do-Pingo-Doce,  a explicar alegremente que os portugueses protestam menos que os gregos "porque estão ocupados a procurar soluções para a sua vida". (#&a;%#ª§£@!!!!!) 
Fiquei agoniada, deu-me vómitos aquilo! Os conselhos que aquela criatura nos vem dar são como se desta vez a Maria Antonieta, dissesse que não fossem gulosos e comessem pão em vez de bolo, quando o que está em causa é simplesmente não haver pão.
 Estive a ouvir pacientemente 'os conselhos' e não existe um único de uma coisa que eu não faça e há vários anos! Carne, é peru ou frango. Peixe, só congelado. Água, bebo a da companhia. Nada de pré-cozinhados. Só uso produtos brancos e depois de comparar bem. Fruta, é de época e a que estiver mais barata. Ando de transporte público. Ginástica é andar a pé e subir as escadas da minha casa. Etc, etc. Mas voltando aos degraus, sei perfeitamente que estou a viver pior do que vivia dantes mas muito melhor do que muita gente. Mesmo muito melhor.
Não, isso não me conforma nada e sinto muita revolta, por mim e por eles. E quando oiço estes Antónios Barretos desejaria que vivessem aí um mês - nem era preciso mais - com uma família de um bairro social ("Sangue do meu Sangue", por exemplo).
E ainda há muitos degraus para baixo…

Pé-de-Cereja

terça-feira, 13 de março de 2012

Borrifos...

Hoje em dia está tudo quase tudo mecanizado.
Já se sabe, por exemplo, que usamos comandos para tudo e mais um par de botas. A mim dá-me alguma vontade de rir ver por vezes usar um comando para ligar um aparelho que basta estendermos um braço para lhe tocar! Mas, enfim, é a civilização e a lei do menor esforço. Do mínimo esforço. O estranho é que as pessoas habituam-se e depois até se esquecem que há outros modos de fazer as coisa. 

Mas desta vez a «dependência» da máquina a que assisti é engraçada. Passo a contar mas faço antes um flashback:


Quando eu era pequenina via passar-a-ferro com um ferro onde se colocavam brasas no interior. Um pouco mais crescida e já essa operação era com um ferro eléctrico, coisa limpa e prática. A transição de um para o outro foi boa mas era preciso alguma cautela e recordo ainda uma história espantosa: Quando fui para Moçambique, os meus pais, como todos os colonos, tinham um criado para tratar da casa - acho até que eram dois, um mainato e um mofana. E ele passava a ferro com um desses ferros de carvão, é claro. Os meus pais eram boas pessoas e decidiram comprar um ferro eléctrico para aliviar o trabalho do rapaz. Simplesmente ele estava habituado a arrefecer o excesso de calor do ferro mergulhando a base num balde de água… Moral da história, o desgraçado não morreu por uma sorte espantosa mas provocou o maior curto-circuito de que há memória! 
Ora, ainda dentro do capítulo «ferro de engomar», esse objecto foi-se aperfeiçoando cada vez mais e hoje temos dezenas de variedades de ferros e uma função que quase todos têm é um borrifador para humedecer a roupa quando está muito seca. Há um botãozinho onde se carrega e sai um jacto de água. Prático. Mas onde a minha história se torna cómica é porque ouvi uma amiga lamentar-se que a senhora que lhe vai passar a roupa não o tinha feito porque o ferro «estava avariado». 
«Que chatice» solidarizei-me eu «que é que ele tem?» 
«É que não sai água do esguicho da frente. Aquilo deve estar entupido, não sei…»
 Larguei-me a rir. Tal empregada, tal patroa. 
«E ela deixou a roupa por passar por causa disso?!» 
«Então?...O  que havia de fazer?» 
Bem, tentei explicar que salpicar de água limpa uma peça de roupa não é tarefa que exija uma competência especial. Mas, acreditem ou não, tal não tinha ocorrido a nenhuma delas. Era uma coisa que a máquina fazia e está tudo dito. 
À mão?!
Como...???
 Mas que raio de ideia . À mão?!.

Pé-de-Cereja

quarta-feira, 7 de março de 2012

Considerações sobre... memórias e fotografias

Como tudo, ou quase tudo, que tenha a ver com técnicas e máquinas, a fotografia tem avançado a passo acelerado desde que foi inventada. Eu penso que é o mais precioso auxiliar da memória familiar. 
Venho de uma família onde, para a época, se cultivou mais do que era  normal essa 'recolha de memória'. Digo isto porque sempre vi tirar-se muitas fotografias na minha casa, tenho muitíssimas do início do século passado que não faço já a menor ideia de quem sejam, e sei perfeitamente que comparando com pessoas que não sejam particularmente votadas a essa arte, encontro muito mais fotos na minha família do que aquilo que vejo os meus amigos terem. 
Quando tive de esvaziar a casa dos meus pais após a morte da minha mãe, encontrei caixotes cheios de fotos. Estou a falar a sério, não era uma gaveta, nem um gavetão, eram mesmo caixotes cheios. Devo explicar que o um dos hobbies do meu pai era a fotografia e tinha até uma pequenina câmara escura onde fazia as revelações. Isso talvez explique que as fotos que encontrei lá em casa fossem aos quilos! Na altura, nervosa e cansada, dei-lhe uma rápida vista de olhos, e destruí logo muitas que se via estarem repetidas. Mas 'o resto' enfiei em grandes caixas que vieram atafulhar a minha despensa.
 Há uns meses atrás tinha scanarizado umas fotos mais antigas significativas e criado um álbum no 'facebook'. Achei graça àquilo. Não era coisa que ficasse para a eternidade, mas sempre partilhava com mais gente e, aliás, encontrei assim alguns conhecidos. Mas como não domino nada a técnica destas coisas,  algumas das fotos ficaram minúsculas, quase não dava para se ver. Ná!
Mas, anteontem,  deu-me um vaip!
A semana passada em conversa com uma amiga percebi que tinha feito a coisa do modo mais difícil, e podia scanarizar mais depressa e melhor. Entusiasmei-me. Passei então umas horas a passar para o virtual aquelas fotos a preto e branco já meio amarelecidas. E foi quando entendi a diferença abissal entre a técnica de hoje e a de há meio século atrás. 
Nós hoje tiramos muitas, muitas, muitas fotos. A 'memória´de uma máquina fotográfica permite tirar centenas e centenas de fotos, para além de que quando a foto sai mal se poder apagar de imediato. Ou seja, andamos inundados de fotos de tudo e mais alguma coisa. Mas elas não ocupam espaço, ou pelo menos não ocupam muito espaço real. Até há umas molduras digitais, coisa fina, que vão passando foto após foto enquanto estão ligadas e portanto num só sítio estão as fotos de uma família inteira...
Por outro lado quando me deu para vasculhar nos tais caixotes e escolher as fotos que seriam mais importantes, reconheci que havia ali também muitas «folhas secas» que se podiam deitar fora. Claro que nos anos 50 não se tiravam tantas fotos. Um rolo dava para uma ou duas dúzias e portanto cada foto era muito pensada. Mas... de cada uma tiravam-se  imensas cópias! Para a mãe, para o tio, para os avós, para os padrinhos, para aqueles amigos que estão mais longe, e até para ficar de reserva para o caso de se perder o negativo! E como a fotografia era considerado um bem de valor, muitas vezes quando um familiar morria e se encontrava entre os seus bens algumas fotos, tinha-se o cuidado de as devolver à procedência. 
No meu caso particular, o meu pai revelava cada foto fazendo experiências: papel diferente, mais contraste, menos contraste, ampliava muito ou muito pouco... um nunca acabar. 
Afinal vou ficar com muito mais espaço livre do que imaginava. Mas esta selecção foi-me deixando um nó na garganta e olhos molhados, porque foi uma impressionante viagem no tempo a vários momentos da minha vida que estavam meio esquecidos. 

É uma terrível máquina, a fotográfica!

 Pé-de-Cereja

quinta-feira, 1 de março de 2012

Para que é que se é director-geral do FMI?

Um fait divers bastante engraçado:
O Sr. Strauss-Kahn e a mulher tinham uma casinha em Washington. 
Normal. 
Coisita simples, tinha «dois pisos, com cinco quartos de cama, seis casas de banho - uma delas com jacuzi - salões, jardim, garagem e piscina» Quem é que não tem uma assim?! Aliás o casal tem outra em Nova York (já que estamos a falar dos States) que deve ser também agradável.
Acontece que, com a escandaleira do seu envolvimento com a empregada de hotel, os Strauss-Kahn ficaram com menos vontade de ir à América e possivelmente a de Nova York já lhes chegava, pelo que decidiram vender essa tal em Washington.
Bem, a notícia refere que estão a ter dificuldade na venda, a crise, etc e tal (imagino eu....) ele até já está a dever dinheiro de impostos, e o pobrezito anda arreliado.
Até aí tudo bem e eu não ia pegar nessa história.
Mas o que achei graça, é que a notícia diz que não tem comprador «apesar de terem descido o preço de 5,2 milhões de dólares para 4,7 milhões de dólares» e dito assim parece que os coitados ficam a perder dinheiro. Como bem sabe quem tem de entregar a casa ao Banco por não conseguir pagar os empréstimos, nestas coisas podemos perder e muito.
Contudo, ao ler bem a notícia, este sujeito «comprou a propriedade por quatro milhões de dólares em 2007»! Ou seja ele queria lucrar com esta venda mais de um milhão de dólares em pouco mais de 4 anos. E, mesmo assim, mesmo tendo baixado o preço ainda quer por ela bem mais do que lhe custou.
..............
Bem se diz que o dinheiro para alguns é fêmea, reproduz-se que se farta.
Tem é de se lhe apanhar o jeito!



Pé-de-Cereja

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Memória

«Inesquecível» é o título de uma nova série de tv.
E a ideia base de mais esta série de polícias e ladrões é interessante: uma mulher tem uma memória com ‘uma avaria’ oposta à amnésia, uma hipermnésia que faz com que não esqueça coisa nenhuma.
Não sei se existe algo como ali é descrito. Sei que a hipermnésia pode existir mas tal como a própria amnésia é localizado – o doente lembra-se com pormenores fotográficos mas só de certas situações que têm uma relação especial consigo. Como é citado no genérico dessa série ali trata-se de uma pessoa que não se esquece de nada nunca. Lá perguntam se é uma bênção ou uma maldição e a mim parece-me que a existir seria definitivamente uma maldição! Nem consigo imaginar o que seria lembrar-me de toda a minha vida ao pormenor!
Anda contudo um pouco ‘esquecido’ o facto de que a memória pode treinar-se também. O ensino de hoje insiste muito pouco nesse treino  e duvido que isso seja uma melhoria; os chineses por exemplo têm uma memória fabulosa mas desde muito pequeninos que a treinam intensamente.
Porém toda a memória é selectiva e limitada. Isso felizmente. Por outro lado infelizmente, ela gasta-se. É esse o grande drama e o que nos custa a aceitar, como é possível que em certo momento ela falhe e deixe de funcionar…? E não se pode fazer como quando um recipiente está cheio e se quer meter lá mais coisas – selecciona-se o menos importante e deita-se fora. Para a memória não dá. Só ela decide o que é importante. Lembramo-nos palavra por palavra de um texto do livro da 1ª classe mas esquecemos se já pagámos uma conta importante…
Como em tudo nem o 8 nem o 80. O excesso de memória deve ser terrível porque não há nenhuma vida que seja feliz de uma ponta à outra e existem mesmo coisas que «são para esquecer»!
Mas a perda de memória quando se acentua com a idade, é um enorme pesadelo, que só se avalia bem quando nós ou os nossos amigos apanhamos com as suas consequências.

Aproveite bem, quem a ainda a tem como deve ser!



Pé-de-Cereja

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Crianças e leituras

Na terça passada, a propósito de uma releitura do «Diário de Adrian Mole», deu-me para reflectir nas diferenças entre as adolescências, ou até as infâncias, a de há uns anos atrás e a dos nossos dias. São muitas essas diferenças e a minha veia de sociológa-de-algibeira ficou muito interessada nalguns aspectos. Por exemplo naquilo que se lia e se lê. A literatura para a infância não será assim muito antiga, mas tem já uns largos anos… Quando eu era criança lia os, para a época já antiquados, romances da Condessa de Ségur. Alguns insuportáveis, tipo «As Meninas Exemplares» que de tão exemplares eram umas parvalhonas a quem apetecia sacudir, mas também havia a Sofia com os seus desastres, etc. Era na tal Colecção Azul que se considerava adequada para educar as crianças. Foi aí que também li «A Princesinha» ou «O Pequeno Lord» onde meninos órfãos muito bonzinhos passavam por dificuldades e nos faziam chorar lágrimas gordas pela cara abaixo. Porque é claro que o Bem vence sempre.
Depois mais crescidos íamos lendo a ‘Biblioteca dos Rapazes’ ou ‘a Biblioteca das Raparigas’. Clássicos como ‘A Flecha Negra, A Ilha do Tesouro', ‘O Último Moicano’, para não falar na emoção da Capa-e-Espada, nos Dumas etc. As raparigas liam mais «As Mulherzinhas» e os romances rosa da Berthe Bernage – as Brigittes todas e os 5 volumes do Romance de Isabel. Tinham nascido depois da guerra e ainda se sentiam esses valores.
Anos mais tarde foi a vez de colecções educativas do tipo de «Uma Aventura», ou «Clube das Chaves», onde as protagonistas eram crianças espertas e desembaraçadas, vivendo em famílias normais, passando por histórias plausíveis. Tiveram bastante sucesso.
Os anos passaram e os modelos também. Vemos que os monstros que antigamente se usavam para assustar e trazer uma pedrinha de sal às histórias infantis, são agora os heróis e os modelos. O monstro deixou de meter medo, serve para rir. Inicialmente achei interessante, seria ensinar que o-que-é-diferente-pode-ser-bom e a integração da diferença é positivo, mas não quando só os monstros é que são bons! Os vampiros, lobisomens, etc, eram figuras maléficas. Passaram a ser integrados e, mais do que isso, a protagonistas. As histórias passam a ser vistas do seu ponto de vista. Huuummm….
Há muito pouco tempo falaram-me de uma menina que andava a desatinar com medo da morte, pesadelos, angústias. Os livros que lia eram da colecção Cherub. Por aquilo que percebi, cherub quer dizer 'querubim', o símbolo é um anjinho de metralhadora porque são «o braço juvenil dos serviços secretos britânicos». A sério. Meninos treinados para combaterem terroristas ou traficantes internacionais passando por situações arrepiantes.  segundo a própria publicidade. Mas o mais chocante é que estes ‘agentes secretos’ não têm família. No que li todo não há pai, e a mãe, bêbada, morre no 1º capítulo, num outro os pais morreram os dois e há apenas uma avó com ,Alzheimer num lar...
É esta a literatura que estamos a oferecer aos nossos filhos?!








Pé-de-Cereja

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Guerra do Alecrim e Mangerona

Esta é a importantíssima questão da água: devem os senhores deputados beber água da torneira ou engarrafada????
Nos últimos dias, os blogs, os facesbooks, os twitters, enfim tudo o que é rede social têm chamado a atenção para uma história que só não é fait-divert porque... afinal se passa na nossa Assembleia da República. É que a «Assembleia da República conclui que lavar o rabo com água Evian fica mais barato do que usar papel higiénico» Ah, não, não é isto, esta é uma notícia do Inimigo Público, que conta coisas que não aconteceram, mas podiam ter acontecido.
 Pois. A história verdadeira  é simples e cómica: Após um estudo (que esta magna questão exige um estudo!) o nosso parlamento concluiu beber água da torneira sai 30 vezes mais cara do que água engarrafada portanto vai continuar a fornecer garrafinhas durante as reuniões das comissões.  As contas que fizeram implicam a compra dos jarros, 100 jarros que iam custar 1300 euros (e pelos vistos não era um despesa de uma única vez, estavam-se sempre a renovar) e a lavagem dos ditos jarros coisa também cara em detergente etc, e tal, e em ordenados para os lavadores dos jarros que perdem nessa tarefa muitas horas de trabalho.
Eu nesta coisa sou parcial porque não sou grande apreciadora de água e sempre bebi e bebo a água que a companhia me fornece. Lembro-me de quando era criança na minha casa se ferver a água que depois de fervida se guardava num jarro para o consumo. Isso antes de existirem as análises regulares à água canalizada que as ligas de defesa do consumidor garantem ser boa. Portanto nunca aderi ao hábito (respeitável, porque não) de se andar munido com uma garrafinha particular, e em público só se consumir engarrafada.
Isto sou eu. Não obrigo ninguém a pensar assim, mesmo que ache um gasto desnecessário para quem muitas vezes tem de cortar noutras coisas que lhe dão conforto e prazer.
Mas esta questão, que é afinal uma birra partidária – foi um partido que fez a proposta e só por isso a proposta tem de ser chumbada – é característica do tempo e dinheiro que se perde a resolver coisitas de lana caprina. O que nos interessa o que bebem e como bebem os deputados quando estão reunidos?!  Se isso é  caro talvez o sistema daquelas garrafões grandes onde se vai encher o copo que muitas empresas e consultórios têm…  Ou porque não vai cada um encher o seu próprio copinho antes da reunião? Ou ainda, se não querem, porque não trazem no bolso a garrafinha particular com a marca de água que mais gostam?

 E porque anda o parlamento a perder tempo e dinheiro com questões destas???!!!



Pé-de-Cereja