sexta-feira, 17 de março de 2017

...pensamentos distraídos sobre temas sem importância

Aqui na net tenho vários amores como já perceberam porque o ando sempre a dizer: aqui o meu bloguezinho, o meu mais velho por quem sinto mais carinho embora o abandone muitas vezes, e as redes sociais mais espevitadas, bastante mais novas, mas que também acho engraçadas. 😃
Calma, não ando em todas! Até fico parva de ver a popularidade de uma dúzia delas... quando eu, modesta, uso uma (o facebook) e de vez em quando outra (twitter) mas até já perdi a senha de entrada no «linkedin», assim como só vou ao «instagram» para ver as fotos de que me falam os amigos... Ou seja, sei que as redes existem, mas ao longe. É mesmo demasiada areia para a minha pobre camioneta . 
Mas esta manhã ao abrir o facebook, deu-me para pensar como é engraçado perceber o feitio de cada um não apenas por aquilo que diz e pela forma como o diz, mas sobretudo por aquilo que não diz!
Começando pelo extremo, quem não usa (ou pensa que não usa... *) as redes sociais. E, sobretudo entre os mais velhos, na minha geração, há muita gente! Ou não teve o mínimo interesse, ou experimentou, abriu uma conta, e aquilo não o interessou nadinha, portanto ficou em pousio, a conta está lá mas nem mexe! Ou, nem sequer experimentou com algum medo. Tenho 2 ou 3 amigos que quando pergunto se têm facebook por exemplo é como se lhes perguntasse se usam drogas duras 😠 Nãããõ!!! OK, avante.
E entre os usuários há vários géneros, uns, frenéticos, sempre ligados, sobretudo quando o próprio telemóvel dá acesso à rede, outros que passam por lá aí uma vez por dia para manter o contacto (aqui a 'je'!) e os irregulares - podem passar dias a escrever e comentar e depois desligam, e afastam-se uns tempos, e os que têm fases, estão muito tempo sem aparecer e quando já não nos lembramos deles aparecem cheios de gás.
O que tem graça, é que de uma forma geral se pode conhecer imaginar a personalidade de cada pessoa, não por aquilo que diz mas sobretudo por aquilo que não diz. Tenho amigos que usam imenso o fb mas só para «partilhar» notícias ou histórias, e nunca, ou rarissimamente, acompanham com a sua própria opinião. Um profundo receio de se exporem, só pode ser... Outros partilham piadas, cartoons, escrevem graças, mas nunca os vejo a falar de temas sérios, querem dar uma imagem alegre de si?  E há o oposto, os que só falam a sério. Eles têm humor porque depois vão clicar um «gosto» numa gracinha, mas na sua página é que não!
É um mundo, e um mundo engraçado, acho eu...

* digo «pensa que não usa» porque se vê algo no you tube, isso é também uma rede






Cereja

domingo, 12 de março de 2017

A questão da igualdade de género


Li há pouco este artigo com um título apelativo e provocante «Aqui quem manda ainda não são elas» como sem ser ser ali (?)  'elas' já mandassem...  Creio que isto veio a propósito do Dia da Mulher, o dia onde mais se fala de igualdade de género. E esse é um tema que desde sempre me interessou imenso, desde adolescente admiradora quase incondicional de Simone de Beauvoir que acredito firmemente on ne nait pas femme on le devient.
Mas, no século XXI, já não é uma 'opinião' apenas de mulheres esta noção de igualdade de género, e quase faz sorrir ler que as mulheres devem ganhar menos porque são mais fracas e menos inteligentes, como disse o palerma do tal deputado polaco. 😃 Mas a verdade é que a máquina social é um tanto perra, e séculos de preconceitos não se apagam como se apaga uma vela. Portanto a mulher foi conquistando o trabalho remunerado (digo assim porque lá trabalhar sempre trabalhou, desde a pré-história) e cada vez se aceita mais que as capacidades de um ser humano são independentes do seu género.
Mas, se teoricamente todos (na sociedade moderna) assim consideram, na prática a resistência a partilhar o poder ainda é enorme. E, portanto, é óbvio que há áreas onde ser-se macho é uma vantagem mesmo que isso seja negado. São as áreas de chefia, onde o poder é maior e mais evidente.
Portanto imaginou-se, na linha do se não vai a bem vai a mal, que se deviam criar «quotas» para forçar a participação feminina em certas áreas. 
Eu tinha uma ideia.
O escritor Mia Couto usa um nome curioso, que engana. Ele já tem contado histórias engraçadas, de situações onde estavam à espera de uma mulher quando ele chegou. Ou seja, quando se ouve falar de alguém cria-se de imediato uma imagem através do nome. Ora, se em vez das quotas (porque vem logo a crítica à descriminação positiva, etc, etc) fosse decretado que nunca aparecessem os primeiros nome mas apenas os apelidos? Não era boa ideia?
Estava toda contente com esta ideia, que modéstia à parte considerava excelente, quando reparei que de uma forma geral os tais famosos lugares de chefia não costumam ter acesso por concurso mas sim por escolha, por convite, por se conhecer de facto a pessoa. Bum!!! Lá foi a ponta do alfinete da realidade rebentar o lindo balão que eu tinha imaginado.
Pois é.
Se não vai a bem vai a mal, e lá se terá de aceitar as quotas mesmo com o risco de assim se valorizar mais o género do que a competência. Paciência. Espero que seja temporário.

Cereja

terça-feira, 7 de março de 2017

Ideias feitas, o pret-à-porter de mentalidades sobre o género


Encontrei por acaso o vídeo que se vê abaixo.
Isto é.... um anúncio. 😊 Fabuloso!
Por acaso parece-me que, apesar de tudo, estes estereótipos estão a ficar um nadinha atenuados. O velho pregão «É p'ró menino e p'rá menina!» hoje já talvez faça sorrir. Mas...
A tradição pode já não ser o que era mas se virmos com atenção estas diferenças, artificiais é claro,daquilo que é «normal» um homem ou uma mulher gostarem ou fazerem, ainda resiste imenso.

Resiste até nas mentalidades que se pensa estarem mais actualizadas. Mesmo entre gente-de-esquerda, e mesmo entre jovens.
Soube, por escutar conversas alheias que não devia 😏 (vergonha..) de um debate muito privado entre jovens de um partido da esquerda a que chamam 'radical' exactamente sobre o tema desta 'divisão-de-tarefas'. As raparigas do grupo consideravam que lhes deixavam as tarefas domésticas depois dos encontros, enquanto os rapazes do grupo se iam embora pensando na melhor maneira de governar o país, elas ficavam a arrumar e limpar a sala onde tinham reunido. Ai, ai, ai...
Mas este vídeo satiriza esse pensamento, e com muita graça!!



 

  Cereja

segunda-feira, 6 de março de 2017

Que paciência é preciso ......

Ando um tanto farta dos Nostradamus de algibeira.
O excesso de partilha de informação (informação?) é um enjoo e quase que é um perigo. Com a facílima utilização da net, não há cão nem gato que não dê a sua preciosa opinião sobre tudo e mais alguma coisa, e depois os amigos partilham, e os amigos dos amigos, e mais os amigos dos amigos dos amigos, e num ai muitas vezes um chorrilho de disparates torna-se uma verdade.
Um dos temas que já nem posso ver, são as milhares de opiniões muito sérias mas contraditórias sobre a nossa alimentação! De meter medo, porque a levar as coisas à risca, tudo faz muito mal ou muito bem. Eu cá dou-me lindamente com a «minha dieta» que é muito simples e todos podem praticar: bom-senso.
Mas, depois, vem outra moda. Que também me irrita (devo andar irritadiça 😉) e é a crítica sistemática à época moderna com a sugestão implícita de que no passado se vivia muito melhor e com mais saúde. Ai é? Veja-se este artigo: É desta forma que a vida moderna nos está a tirar saúde.
Certo, a ansiedade e depressão, são más. Mas como sabem que não existiam dantes? Na Morgadinha dos Canaviais, Henrique de Souselas começa com uma bela depressão, aliás já nesse tempo por culpa da 'civilização'. A Madame Bovary também nos parece bem deprimidinha, coitada, e etc, etc. 
É claro que a poluição nas suas diversas vertentes é péssima, e isso é um facto e é preciso procurar soluções, sim!
Mas há muitos aspectos onde a vida moderna, exactamente pelo seu desenvolvimento é mais saudável. Recordo o antigo aquecimento à braseira, muito bonito, mas que libertava dióxido de carbono; fala-se aqui de que as novas tecnologias são culpadas do aumento da miopia mas ler à luz da vela ou candeeiro de petróleo não ajudava nada à saúde ocular; e o sedentarismo é o culpado de atrofias musculares, etc, etc, ou a atitude comodista de quem evita mexer-se?
Na minha opinião (sou bastante opinativa, mas já que tenho o blog aproveito, não é?) a vida moderna não tem culpa nenhuma, até pelo contrário. É afinal a atitude que se toma, o uso que  se faz das excelentes condições que estão à nossa disposição, que estraga tudo. Ou seja, a responsabilidade de não se viver tão bem como se poderia é das opções que se tomam.
Porque a «vida de antigamente» não era melhor, não senhor. Relembro dois filmes que adorei, aliás filmes de épocas diferentes mas tocando a mesma tecla. Um vi-o há dezenas de anos, chamava-se O vagabundo dos sonhos (Les belles de nuit, no título original) e o protagonista, em sonhos, ia recuando nos tempos e encontrando em cada século um velhote que lhe dizia que no seu tempo era bem melhor... Pois. 😏 O outro Meia Noite em Paris do genial Woody Allen, mostra que embora os «anos de ouro», os anos 20, sejam uma referência fabulosa, afinal é preferível vivermos na actualidade... 
É que, contrariamente ao que se diz, ou insinua, no artigo, não estamos a ter menos longevidade do que os nossos antepassados, não senhor!  
Basta uma olhadela a este gráfico:

Cereja

sábado, 4 de março de 2017

Coisas da moda :)



Ora vamos hoje falar de coisas menos sérias, que o Cerejas também é para isso!
Esta conversa é mais para leitoras, digamos conversa de mulheres, apesar de de uma forma geral não gostar lá muito de não falar para todos...
Pois bem, o tema é saltos altos!
Na actualidade é um tipo de calçado exclusivamente feminino, mesmo que tivesse começado a ser usado por Luis XIV (consta que ele era baixito coisa chata para um Rei-Sol) e depois no tempo de Luis XV divulgou-se entre elegantes da sua corte, homens e mulheres. E percebe-se que fosse calçado de gente da corte, que não faz nada, porque para quem trabalha a sério não é nada cómodo caminhar em equilíbrio...
Adiante. A moda tem imensa força, e aceitar o-que-toda-a-gente usa é quase irresistível excepto a quem adora ser do contra... portanto hoje em dia, creio que por todo o mundo, uma mulher sente-se mais elegante quando usa saltos altos, quase um símbolo de feminilidade como no filme De saltos altos do Almodover. E, portanto, para as mais sensíveis, sentir-se talvez menos feminina quando os não usa! (ó dilema! conforto ou elegância?!!!)
E, portanto, achei mesmo muita graça, quando encontrei esta solução - o ovo sapato de Colombo:


 


Fácil!
Olhando para aqui parece que por agora só deve funcionar em sapatos tipo sandália, não sei como se passa de «uma sabrina» para um verdadeiro «salto alto» uma vez que a alma não pode mudar. 
(Para quem não sabe a «alma de um sapato de salto» é um ferro interior que acompanha a curva do sapato. Sei isso a partir de um dia que levei uns sapatos a um sapateiro e ele me disse que ele tinha a alma partida! Pensei que era um sapateiro-poeta, até ele me mostrar o dito ferro, que de facto estava partido)


De qualquer modo, esta ideia de alterar o tipo de salto no mesmo par de sapatos é excelente. Vamos ver se tem sucesso...
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Cereja

quarta-feira, 1 de março de 2017

Uma onda assustadora (e não só isso)


 Li ontem no facebook duas frases, escritas por quem sabe o que diz: «O orçamento militar americano já era equivalente ao do conjunto de todos os outros países do mundo. Agora, o Trump aumenta-o em 10%! Entretanto, a Marine le Pen encontra-se nas sondagens com uma cotação eleitoral superior à do Hitler na altura em que chegou ao poder».

Não se pode assobiar para o lado, pois não?

A imagem da onda não é lá muito feliz, porque tem força mas é limpa, prefiro dizer mancha de óleo, alastra, é sujo e dificílimo limpar.
Preocupa-me o facto de, como entre os meus amigos e conhecidos a censura aos actos do Trump ser geral, haver tendência a acreditar que todos quase todos pensam assim. Não é. Dou muitas vezes uma olhadela aos comentários on-line às notícias dos jornais e deixo aqui uma amostra de comentários de hoje e ontem: A história da senhora que de joelhos num sofá da sala oval mandava twitters «a) É perfeitamente incrível aonde vão os media (certos media) para arranjar "casos". Que o presidente Bill Clinton tivesse transformado a Sala Oval em bordel, o presidente Bush ou o Obama falassem com os pés em cima da mesa, num acto típico de tasca, tudo passa, é a descontracção americana. Que a senhora da foto, eventualmente para tirar as fotos de determinado ângulo, estivesse ajoelhada em cima do sofá, já é uma enorme falta de respeito, que teve certamente lugar de primeira notícia em jornais e televisões. Devem pensar que somos todos uns asnos e não sabemos pensar... b) Popularidade mais baixa? says who? os mesmos media que preveram a vitoria da Hillary por larga margem?? c) Noticia da caca. Não relevam que Trump reuniu com raça negra ( então não é racista? ) que lidera universidades mas que a dita senhora tinha os joelhos no sofá. Palhaços!» ou quando Trump diz que a culpa das fugas de informação é do Obama «a)  Dê-me uns exemplos de feitos exemplares do ex presidente Obama b) O queniano está já adoptar a mesma estratégia que acabou com Romney. Usando equipas de background meio suspeito para controlar várias contas pro-Crack Obama em diferentes serviços de social media. Contas essas que costumavam registrar dois likes por cada input e tinham uma quantidade anormal de partilhas nos posts. Mas como o desespero é maior hoje em dia, agora também se meteu a fazer guias de como fazer uma revolução para tótós e organizar grupos anti-trump como o Organizing for Action. Patético. Força Trump! c) Algo se passa com o dn, ou tem de mudar as fontes ou os jornalistas! Recomendo a segunda. Apenas embarcam na Carneirada global da notícias negativas sobre o Trump. Hoje assinou decretos sobre educação, um a dar mais apoios aos colégios negros. Nem uma linha sobre isto. d) Fico boquiaberto com a estupidificaçao em massa das pessoas! Que se deixam enganar e levar pelos Media! Pessoas essas que ainda não se aperceberam que estão a ser usadas como arma de arremesso contra um Presidente democraticamente eleito! Cujo único defeito, é não ser o escolhido das elites globalistas, que pretendem comandar o mundo!... Trump ainda não fez nada, que os outros Presidentes não tenham já feito! A diferença é que os Media ensinaram-te que tudo o que Obama fazia era perfeito, e tu acreditaste!... Agora Trump está a fazer exactamente a mesma coisa, mas os Media ensinaram-te que está errado e tu acreditas?!... Que tal começares a pensar pela tua cabeça, em vez de usares a opinião formatada que os Media te impingem?!...Não achas demasiado estranho que os Media te escondam crimes praticados por refugiados, com o intuito de não te incentivarem o ódio! Mas no entanto fazem de tudo para incentivar o teu ódio contra o Presidente dos EUA?...Abre os olhos e olha à tua volta! Não te deixes imbecilizar pelos Media! Pensa pela tua cabeça! É a tua melhor arma! É a tua melhor defesa!...»

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Lemos isto ontem ou hoje em jornais portugueses.
Não sei quantas pessoas representam este tipo de comentários, mas não se podem desprezar. Neste caso é gente anónima, não são os 'comentadores de serviço' a que estamos habituados, não devem estar ligados a nenhum interesse especial. Imagino eu... Mas desprezam tudo o que ouvem que vá contra as suas convicções. E votam! E podem eleger (já está comprovado que sim!) em nome da democracia um completo anti-democrata. (faço figas que não consigam eleger a LePen) (aliás não sendo pessoa muito importante mas não nada anónima, a actriz Maria Vieira defende convictamente (?!) as ideias de Trump ] 

«Assim vai o Mundo», como se ouvia nos documentários que antecediam os filmes, quando ia ao cinema em pequenina.
Vai mal. 

Reinar espalhando o medo está a resultar, mas até quando?




Cereja

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O tal «superior interesse da criança»

É uma expressão pomposa utilizada na lei: o superior interesse da criança. Eu tive bastante contacto com esta expressão quando, há já bastantes anos, trabalhei numa área relacionada com a Convenção sobre os Direitos da Criança. E sim, fazia sentido pôr-se em primeiro lugar o «interesse da criança». Mas impressiona-me que, hoje em dia, em tribunais se ultrapasse constantemente esse princípio tão básico! Pode haver muitos interesses, mas o «da criança» é que não é decerto levado em conta.
Ultimamente a comunicação social parece ter despertado para diversas decisões de tribunal no mínimo discutíveis. Claro que, dado o tom sensacionalista que parece nortear as notícias dos nossos media, fica-se um pouco com a pedra no sapato quando vemos reportagens atacando CPCJs ou o trabalho de algumas assistentes sociais, facilitando que se tome a parte pelo todo. Um programa de RTP, Sexta às 9, por mais de uma vez mostrou umas reportagens a propósito de notícias de choque onde arrasava o trabalho de algumas assistentes sociais. Não foi bonito. Foi parcial.
Mas...
A verdade é que (correndo o risco de também estar a ser parcial) sei de muitos, demasiados (!) casos onde o que menos tem contado para o juiz é o tal superior interesse da criança. Tem-se falado recentemente de mais do que uma situação, onde um bebé é retirado à mãe e à família, ainda na maternidade sem se entender qual o risco, gravíssimo decerto, que corria esse bebé! Por exemplo, ainda hoje li no jornal que um juiz retira bebé à mãe com dificuldade em acordar para o amamentar. A sério. Por aquilo que se consegue ler, havia família, havia um pai. Também pelos vistos, mesmo que a mãe tivesse com uma depressão post-parto, (acontece, sabem?) só se refere que ela tinha dificuldade em acordar à noite, não que dormia o dia todo... E um pai também poderia dar um biberon, não é? Menos grave do que retirar o leite materno a este bebé, sabemos bem que os anti-corpos do leite da mãe o vão proteger durante muito tempo. Vai para uma instituição??? Com 6 dias? Qual o superior interesse do bebé?! No outro caso já referido, o bebé foi devolvido à mãe meses depois. Mas a relação perdida, a vinculação tão importante nos primeiros meses de vida, o «colo», a voz, o cheiro, tudo o que liga um bebé à mãe....?
Não entendo.

Também li uma crítica à mãe, acusando-a de ter assinado os documentos e depois se arrepender. E não será normal? Se uma miúda de 23 anos, não tem grande amparo e se sente deprimida deve assinar qualquer coisa... 
Há decerto uns «superiores interesses» mas não são os da criança. 

(vou voltar a este tema da 'leviandade' de alguns juízes, porque é coisa que muito me impressiona)


Cereja

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Óscares e política

Apesar de gostar muito de cinema, não tenho frequentado ultimamente as salas de cinema tanto quanto gostaria. Os malefícios do vídeo que ajuda a preguiça de se ficar no conforto da nossa sala e o nosso sofá, sabendo bem que um ecrã grande numa sala escura faz toda a diferença para melhor... Mas é irresistível e assim se explica que não tenha visto nenhum filme proposto para os óscares, mesmo os que já andam por aí. Mea culpa, ou culpa do sofá e do frio da rua...
Também não tenho por costume ver a entrega dos óscares. Não acho que tenha interesse suficiente para alterar as minhas horas de sono que se iniciam antes do início da cerimónia. Agravando tudo isso, desta vez talvez por estar de «férias de Carnaval»  até me esqueci do famoso evento.
Esta manhã ao ler as notícias vejo que se deu uma espécie de escândalo, porque trocaram os envelopes com os prémios, e o Óscar de melhor filme foi inicialmente entregue a um outro filme... Ooooooh! Depois de agradecerem etc e tal, terem de o devolver deve ter sido impressionante e de pôr à prova os seus dotes de actor ou actriz! Bem, lá me ri um bocado.
Depois fui ver qual tinha sido o verdadeiro vencedor. Como já disse também não vi ainda esse filme que partiu de uma história chamada «In moonlight Black Boys Look Blue» título muito sugestivo, sobre um homossexual negro que cresceu no meio de drogas e criminalidade. Hmmmm.... Negro? Homossexual? Logo duas categorias non gratas para Trump e seus amigos.
Ou seja, uma pedrada em cheio.
Claro que para quem considera que «política» é só coisa de políticos, tipo a-minha-política-é-o-trabalho, etc, etc, (aliás essa velha frase é da máxima ironia porque não há nada mais político do que a política do trabalho!) pode parecer muito exagerado admitir que com este prémio se atingiu o actual Presidente Trump. E não deve ter sido isso, mas a verdade é que ele se pôs a jeito!!! Um tipo que goza com o que é diferente, que acha muita graça em se assumir como machista, que aceita o apoio da KKK, perceber que Hollywood com tudo o que de mau ela também tem, premeia uma história como esta não o deve deixar lá muito contente. E ver um actor muçulmano, dizem que foi o primeiro, a receber um Óscar! Li várias graças no twitter (mas em português, o homem não entende...) dizendo  por exemplo que 'amanhã o trump vai atacar com os Fake Oscares' e olhem que... se calhar...
A verdade é que a ideia de hostilizar os média que não aceitam tudo o que ele diz, não pode dar bons resultados. É que são muitos...! E criticar os artistas que também não gostam dele, o mesmo, porque também são muitos. Note-se que nos Razzies os anti-óscares, o primeiro prémio e pelos vistos muito merecido :))) foi para um filme Hillary's_America:_The_Secret_History_of_the_Democratic_Party que deve ter sido uma 'encomenda' dos republicanos.
Contudo, o facto de grande parte da imprensa denunciar as mentiras do Trump, não nos deve fazer esquecer que ainda há muita e muita gente que acredita. Mesmo aqui, em Portugal, se lermos alguns comentários de leitores de jornais on-line, encontramos muita gente que o aplaude e considera que o-resto-do-mundo é que que está a mentir. Não devemos esquecer isso...
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Mas que esta cerimónia dos Óscares não vai ser esquecida tão cedo, isso não vai!!!!



Cereja

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Ainda e sempre a educação

Dos temas que mais me apaixonam, como quem passa por aqui já sabe e basta ler os últimos posts para o verificar, o mais importante é sem dúvida a educação. Gosto de crianças, e considero que educar é talvez a tarefa mais importante do mundo. E é também um tema sobre o qual quase toda a gente tem opinião e sujeito a muitas "modas", mais do que isto talvez só, actualmente, a alimentação tema que parece ser quase uma obsessão. :)
Quem anda neste mundo há várias dezenas de anos tem a irresistível tendência de comparar a vida familiar actual com aquela vivida por si na infância e adolescência, e as diferenças são muitas vezes impressionantes. Muito frequentemente parece existir uma viragem de 180 graus, comportamentos que eram socialmente naturais há 50 anos são hoje vigorosamente criticados enquanto o que seria inaceitável no tempo dos nossos avós ou até dos nossos pais, é a norma.
Há alguns dias li num jornal uns comentários a uma atitude bastante estranha de algumas unidades hoteleiras. Parece que alguns (creio que muito poucos...) hotéis, publicitando o seu sossego e calma, informam que não aceitam famílias com crianças  Oh céus!!! «Adults only» Em Portugal também, por aquilo que li.
Claro que choca. Mas o que é isso??!
Contudo quem já comeu em restaurantes com crianças a correrem entre as mesas aos gritos, tentou ser atendido numa loja enquanto um menino fazia uma birra atirando tudo ao ar, ou entrou num elevador onde outra criança tinha carregado em todos os botões obrigando a um grande compasso de espera em cada andar, pode aceitar que esses comportamentos incomodam e perturbam o bem estar de quem não tem nada a ver com o assunto. Mas a culpa/responsabilidade não é da criança e sim do adulto responsável. Porque, de um modo geral, quem acompanha essas fontes de perturbação não exerce qualquer acção disciplinadora, nem impede a actividade socialmente desadequada.
(O exemplo que citei da birra numa loja, assisti a essa cena não há muito tempo; os compradores deixaram de falar com os empregados porque os guinchos abafavam as suas vozes mas a mãe não parecia nada sensível ao incómodo causado, não saiu dali com o filho, e continuou durante largos minutos a acabar de fazer fosse lá o que fosse...)
Ora bem, a diferença com um passado não tão remoto como isso é enorme. Reprimir-se, como dantes, a espontaneidade de uma criança em público? Hmmmm... Não parece ser o caminho. E a verdade conforme li numa socióloga hoje «ao contrário do passado as crianças são estimuladas a serem activas». E parece certo. Mas sem limites...? Podia-se concluir que hoje «os pais não educam pior, a socialização é que é menos virada para a obediência e mais para o diálogo»
Faz sentido.
Gosto do diálogo.
Mas nestes exemplos dos pequenos perturbadores da ordem, não vejo diálogo nenhum. Vejo uma espécie de quero-posso-e-mando das crianças, sem limites e sem respeito pelos outros.
As crianças não podem nem devem ser equiparadas a animais e excluídas dos hotéis, mas devem comportar-se então como os habituais frequentadores dos hotéis. Simples.


Cereja

... de volta, com a Primavera

Fiz no Cerejas uma pausa enooorme.
Meses e meses. Nem julgava que tivesse sido tão grande, fiquei admiradíssima quando confirmei que não vinha aqui desde o final do Verão passado...
Claro que a-culpa-foi-do-facebook, isso é indesmentível, mas não só.

Já lá vai o tempo onde comunicávamos, muitos de nós, através de blogs. Mas os meus «amigos da blogosfera», na sua quase esmagadora maioria, desapareceram. E os que não desapareceram, publicam ao ralenti.
Fui confirmar e cá está, o Charquinho, que vou «vendo» no twitter, mudou de visual e vai pingando um post aí de 15 em 15 dias, a Hipatia do Voz em Fuga idem, dá notícias aí uma vez por mês.... quanto à Saltapocinhas do Fábulas esperta como a sua homónima do Romance da Raposa, tem um truque para manter o blog activo: publica uma foto todos os domingos, uma anedota às segundas e um post «a sério» de vez em quando... voilá! Mas todos os outros, o 100 nada, o Ponto sem nó, o Estou na sesta, para não falar nos que sumiram de vez, que fecharam há 5, 6, 7 anos - o Cabra de Serviço, o Ai o Camandro, o Troll Urbano, o Farinha Amparo, o BdE (Blog de Esquerda) - e outros de que nem link já encontro o Afixe, o Barnabé... Nesses tempos, quando ainda não existiam as redes sociais que agora parece fazerem parte integrante das nossas vidas, comunicava por esta rede que desapareceu. Existem muitos blogs, claro está, com grandes temas políticos, ou económicos, ou sociais, correspondendo um pouco às colunas de opinião dos jornais, ou muito leves, com textos de moda, culinária, puericultura. Mas não-é-a-mesma-coisa.
Isto para analisar o porquê desta minha ausência, uma desmotivação por sentir que aqui fico a falar sozinha, enquanto no facebook tenho feedback.

Claro que não foi só isso. É verdade que tive uma grande pausa forçada por um acidente parvo que implicou uma hospitalização e uma ausência forçada das «novas tecnologias» como se costuma dizer. Mas não serve de explicação, porque se tivesse sido há 10 anos, ou até menos, no tempo do meu querido Pópulo assim que tivesse um computador à frente recomeçava cheia de energia.
Pois é.

Vamos lá ver se tenho um segundo fôlego :)))

Cereja