Já aqui tenho dito várias vezes que os números muito altos me dão vertigens. Não é apenas uma questão de dominar ou não a matemática, é mesmo verdade que a minha imaginação, que é bastante saudável em várias áreas, perante quantidades muuuito grande, bloqueia. E pronto. Muitos milhares é-me difícil de imaginar e então milhões... pfff...
Ora li, creio que ontem, que «Numa semana o Estado despendeu quatro milhões (só) em assessorias» Quatro milhões de euros?! Numa semana? Quando se anda a propor que se baixem reformas e salários de 500 €? Comecei a pensar quantas reformas mensais se podiam pagar com o gasto das assessorias de uma semana e já me perdi. Pois é, deve ser defeito meu, tudo isto é falta de perspectiva. Estas assessorias - externas decerto, porque saem fóra dos gastos normais - são bem mais importantes para todos nós do que um pai de família ganhar mais 50 € que lhe permita pagar a electricidade...
Mas logo se seguida (também ontem) dei com um título que me explicou que a GNR precisa de um milhão para alimentar os animais e sem ironia fácil concluo que não se refere aos próprios guardas e sim aos cavalos e talvez cães. Um milhão de euros? E em 2014 têm uma força a cavalo porquê? É certo que é uma polícia rural mas para caminhos piores há as motos, não é? O cavalo é muito bonito, mas quando se corta tudo, é de estranhar que seja necessários um milhão de euros para esse fim...
E, passando para outra área mas mantendo o foco nos números que me espantam, também li que uma só juíza deixou atrasar 8 mil processos o que também é interessante: se deixou «atrasar» podemos pensar que deu andamento a alguns, ora se tratou aí de metade, uns 4 mil, pode-se calcular que a senhora tinha a seu cargo 12 mil processos!!! Isto faz sentido??? Alguém tenha 12 mil casos atribuídos? Podem ser coisas fáceis, leves, etc, mas decidir sobre algo que teve suficiente importância para ir a tribunal, não pode fazer-se em 10 minutos. E que fosse em 10 minutos, daria 6 numa hora, quantas horas para decidir por 10 mil processos?! E nesse tempo obviamente que iam entrando mais, outros novos, não é?
São estas coisas que me deixam confusa.
Realmente conforme a famosa frase do Jô Soares, o «meu negócio não são números».
Vou ouvir umas músicas, ler uns poemas, ver uns quadros.
Nesse campo já me entendo.
Cereja











