Lembro-me de uma famosa cena cómica de um antigo filme português, O Pai Tirano, onde um casal velhote antes de assistir a um espectáculo vai ao bar do teatro e ela pede "dois pastelinhos de camarão" . O empregado responde-lhes que pastelinhos de camarão não tem, e então olham um para o outro e em alternativa lá bebem dois copinhos de vinho branco, repetindo de seguida o pedido com croquetes, com rissóis, e como não há nada disso continuam a beber os tais copinhos de vinho branco ....
É uma cena que ficou na nossa memória.
Lembro-me disto pelas opções que os economistas do governo vêm escolhendo sobre o modo como querem aumentar as receitas. Lembraram-se de cortar nas despesas, o que é uma opção embora se saiba que não é a única. Mas as despesas que eles querem cortar são sempre as mesmas, as referentes às reformas e a salários de quem trabalha para si. Da primeira vez explicaram-lhe que isso é descriminar trabalhadores, e portanto é ilegal, a Constituição não permite.
- Ah é? Então vamos cortar só parte do que ganham.
- Não, é o mesmo, estão a descriminar.
- Oh! Então vamos cortar parte das pensões.
- Não, continua a ser ilegal.
- Então vamos cortar os subsídios.
- Não! É o mesmo.
E, como o casal dos velhotes do filme, (embora nessa história antiga ela procurasse um pretexto para se embriagar...) vão sugerindo variações do mesmo tema que só pode ter uma resposta.
E a "culpa" é do empregado que não lhes serve os pastelinhos de bacalhau/croquetes/rissóis/pataniscas etc, porque se assim fosse já não pediam os copinhos de vinho branco!
Fico aqui a pensar quando oiço que um importante deputado considera que o Tribunal é um problema...
Ah, pois é! E o caixa do Banco que nos recusa um cheque de um valor superior ao nosso saldo. E o porteiro do cinema que exige que tenhamos bilhete para entrar. E o polícia de trânsito que apita se passamos com um sinal vermelho. São cá cada problema, com a mania que se devem cumprir as as regras e as leis.
Que grandes chatos!










