Quem vive em Portugal não pode desconhecer o que se passou quando da manifestação em S. Bento, no fim da greve geral. A comunicação social encheu-se de reportagens, entrevistas, depoimentos, opiniões. Para além disso houve pessoas que não estiveram na manifestação mas conhecem quem tivesse estado, e têm um relato em primeira mão.
Eu, desta vez, vi a coisa de sofá. A TV e a net iam dando informações e eu via com intermitência, não estive sempre ligada, tive outras ocupações. Ou seja, a primeira imagem em que reparei para além do desfile, foi de montras com grafittis e uma caixa multibanco queimada. "Mas que parvoíce!" disse na altura "o que é que se ganha com vandalismo?" Quando voltei a ligar, tempo depois vi imagens de chamas altas e muita agitação. Fiquei inquieta. O que era aquilo?! Sei que comentei para o lado "Mas que grande estupidez! Não conseguem controlar aqueles anormais?!!" e senti-me indignada e revoltada contra quem estava a provocar aquela situação.
Eu, desta vez, vi a coisa de sofá. A TV e a net iam dando informações e eu via com intermitência, não estive sempre ligada, tive outras ocupações. Ou seja, a primeira imagem em que reparei para além do desfile, foi de montras com grafittis e uma caixa multibanco queimada. "Mas que parvoíce!" disse na altura "o que é que se ganha com vandalismo?" Quando voltei a ligar, tempo depois vi imagens de chamas altas e muita agitação. Fiquei inquieta. O que era aquilo?! Sei que comentei para o lado "Mas que grande estupidez! Não conseguem controlar aqueles anormais?!!" e senti-me indignada e revoltada contra quem estava a provocar aquela situação.
Nas imagens seguintes começo a ver pessoas a correr e umas figuras vestidas à Datth Vader galopando atrás com uns bastões nas mãos que descarregavam em cima delas até mesmo quando caídas no chão. Aí, de um golpe, a minha indignação inverteu-se e a raiva passou a ser contra aqueles agressores.Hoje, encontro no Expresso a visão do Daniel Oliveira (com quem ultimamente tenho concordado muito) Pois é, Daniel. Depois, no mesmo jornal, aparece a opinião do Henrique Monteiro que eu já não assinaria mas contêm muita coisa correcta. E isto tudo faz-me pensar:
A sociedade moderna não aceita castigos corporais. Não aceita a tortura. Não aceita a pena de morte. Quando um cidadão se porta mal e infringe a lei, a justiça retira-lhe a liberdade isso é o castigo. A polícia tem como fim proteger a sociedade, quando alguém comete um crime é detido e levado para a prisão. E faz sentido que, se o presumível delinquente se debate para evitar a prisão, se use a força para o imobilizar e para isso a polícia tem as suas técnicas de luta.
A sociedade moderna não aceita castigos corporais. Não aceita a tortura. Não aceita a pena de morte. Quando um cidadão se porta mal e infringe a lei, a justiça retira-lhe a liberdade isso é o castigo. A polícia tem como fim proteger a sociedade, quando alguém comete um crime é detido e levado para a prisão. E faz sentido que, se o presumível delinquente se debate para evitar a prisão, se use a força para o imobilizar e para isso a polícia tem as suas técnicas de luta.
Ora o que se vê viu foi a polícia castigar com castigos corporais, no momento, quem considera como delinquente. Isso é INADMISSÍVEL. Mesmo um criminoso do pior não é punido em público em Portugal, só em terras da Charia e até ali só depois do julgamento. Ontem, em frente ao parlamento foi dada a ordem de dispersar, e como se pode confirmar a multidão estava a dispersar tanto assim que tinham de correr atrás dela. Quem fugia estava exactamente a obedecer a essa ordem. E então era agredida com a violência que se viu??? Apanhava por fugir, e também apanharia se não fugisse... Mas nem é só isso que me indigna, é em nome de que lei um cidadão-fardado pode impunemente agredir um cidadão-não-fardado? Os não-fardados que atiraram as pedras cometeram um crime que devia ser castigado, punido com cadeia. E os outros...?
Olhando o descontrolo alucinado daqueles polícias fico a pensar o que terão tomado, bebido ou fumado. Aquilo não era natural.
Olhando o descontrolo alucinado daqueles polícias fico a pensar o que terão tomado, bebido ou fumado. Aquilo não era natural.
Pé-de-Cereja






