segunda-feira, 7 de abril de 2014

Guerra de gangs

É verdade que o facto de existirem agora duas ou três empresas de comunicações tem algumas vantagens por causa da concorrência. Ou seja, se fosse um monopólio - ui, ui! - então ainda era pior!!! (há dias um comentário de uma amiga blogger neste post lembrou-me isso)
Mesmo assim...
Conhecemos bem o que é a insistência dos telefonemas, quer para os nossos telefones fixos quer os telemóveis, a convencer-nos a aderir a este ou àquele pacote de comunicações; ou o baterem-nos à porta a horas de repouso, testemunhas de jeová, perdão,  jovens muito bem treinados a perguntar-nos quanto gastamos mensalmente em tv, telefone, etc e a demonstrar que com a proposta deles vamos poupar um dinheirão. Confesso que me custa sempre muito fechar-lhes a porta (contrariamente às tais 'testemunhas') por saber que trabalham à comissão e muitas vezes aquele é o único trabalho que conseguiram... mas não  posso aceitar, é claro. Não posso ter várias empresas em simultâneo :D
Mas depois vem a outra face da moeda, não apenas a obrigatória fidelização à empresa como o uso de alguns truques. A Deco diz que recebe uma média de 20 queixas por dia quanto a  «ilegalidades "e mentiras" praticadas pelas empresas de telecomunicações para tentarem impedir o cancelamento grátis de serviços de internet, TV cabo e telefone no prazo permitido pela lei». Ou seja, o cliente fica preso numa armadilha mesmo que queira fugir ainda dentro do prazo...
Isto é tanto mais interessante quanto, apesar de parecer que há concorrência etc e tal, o que apresentam e as condições são incrivelmente semelhantes. Sem querer pensar em cartelização, (coff... coff...) notem que as condições são incrivelmente semelhantes, e as letras pequeninas são igualmente pequeninas nas diversas empresas!
Uma das coisas que todas as tais empresas de comunicação fazem é oferecerem-nos chamadas para todas as redes sem pagarmos mais por isso. (Não digo chamadas 'sem pagar,' porque elas são pagas em bloco quando se paga a conta na totalidade; seria como dizer que 'quem tem passe não paga o metro') É uma coisa boa, claro. Mas depois, se por um azar, temos uma avaria e temos de ligar para lá, isso já é pago e bem pago! Faz sentido? Para mim não faz sentido nenhum! Posso falar para qualquer sítio em Portugal e muitos no estrangeiro, com a tarifa já incluída no pacote, mas se a net avaria, ou a tv foge, estou meia hora a receber instruções da empresa responsável, telefonema esse que é  pago ao minuto!
Concorrência benéfica?... Hmmmm... A imagem que me ocorre é de guerra de gangs.


Já sei que me me vão dizer «Mas só aderes se quiseres. Ninguém te obriga!» mas como sabemos isso não é bem assim. Não me obrigam fisicamente, mas por um lado a insistência com que a publicidade me bombardeia, e por outro a ausência de alternativas faz com que assim não seja.

Cereja

domingo, 6 de abril de 2014

O Futebol e as claques

 O futebol é um espectáculo.
Sabemos que nalguns países, e por experiência falo no nosso, é um espectáculo que gera paixões levadas ao extremo. Há para aí estudos sobre isso, dizendo que canaliza o espírito guerreiro que em tempo de paz não pode ser satisfeito, mas isso não sei bem nem me quero pronunciar... Mas que, muita gente, homens e mulheres, vive apaixonadamente o futebol, é um facto. E não vejo nenhum mal.
Depois, há o hábito no espectáculo-desporto de encorajar os jogadores. Muito bem. Grita-se, agitam-se bandeiras, dá um certo colorido.
Por cá desconheço se há, mas lá nos States aparecem umas meninas vestidas de majorettes que no início do jogo fazem umas danças de incitamento e até parece, por aquilo que vejo em filmes, que ser cheerleader é uma coroa que qualquer adolescente deseja. É um tipo de claque 'simpática', relativamente, parece-me...
Entretanto aparece outro fenómeno associado aos jogos muito competitivos que é o hooliganismo.
Uma estupidez, reprovado por todos excepto os próprios hooligans.
Cruzando as duas coisas, temos em Portugal as claques dos clubes de futebol. São grupos organizados, que supostamente servem para apoiar os jogadores do seu clube, mas diversamente das meninas cheerleader têm um gene de hooligan que como o hulk os transforma em monstros em certos momentos. E ficam incontroláveis!!!!
E isto é transversal a todos os clubes! Nenhum escapa no que se refere a claques. E, o impressionante, ou a perversão do sistema, é que estas claques são subsidiadas pelos próprios clubes! Recebem várias benesses e mesmo dinheiro. Depois portam-se mal, fazem asneiras enormes e o clube é penalizado por isso. I-na-cre-di-tá-vel! Cultiva-se maçãs já com o bicho lá dentro. Li hoje que o Presidente do Sporting estava a perder a paciência com o comportamento das claques que estava a custar ao clube um dinheirão em multas.
Cá para mim tem um bom remédio: pagam eles as multas. E mais, se reincidirem, cortem-lhes os subsídios e as benesses. Além disso a entrada das claques nos estádios devia ser controlada minuciosamente, com muito mais atenção do que fazem à assistência normal, nem um alfinete a mais! Tem de se educar disciplinar esses hooligans protegidos ou a coisa vai mesmo mal....
É que já não há paciência.




Cereja

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Publicidade a mais

Muitas vezes há coisas que julgo que só a mim me irritam por ter mau feitio "Sou embirrenta, isto se calhar é normal; eu é sou exigente com coisas talvez vulgares" penso de mim para mim, mas sempre vou refilando com quem tenho à mão para me ouvir.
Um motivo vulgar dos meus refilanços está na publicidade da tv. Aceito - tem de ser - que façam publicidade, mas não exagerem! Os programas têm de ter as suas pausas, é lógico, mas curtinhas, uns minutos, até para não se perder o fio à história que estamos a ver.
Ora bem, os canais que vemos em sinal aberto não os pagamos. Portanto, como "pagamento" ao serviço que nos fornecem faz sentido passarem alguns anúncios, o comércio precisa e o público sempre vai vendo e talvez assim prefira uma marca a outra - não acredito muito que nos dias de hoje * se compre mais , mas talvez compre um produto diferente...
Isto na tv de sinal aberto.
Ora quando comecei a ter tvcabo, já há uns anos, senti que uma das boas diferenças era a quase ausência de anúncios. Uma série durava cerca de 45 minutos, intervalos incluídos. Era agradável. Depois, a pouco e pouco, o tempo de publicidade foi alastrando. Com alguma estranheza vi que faziam propaganda dos seus próprios programas, não entendia bem para quê, se já se estava a ver para que é que o publicitavam?.. Espera! É que assim, estando ali a gastar tempo, em cada 3 programas poupavam 1 - é matemática simples, 3 horas de tv precisam de 4 programas se foram de 45 minutos, mas bastam 3 programas de forem de 1 hora! É lucro. E isto sem se falar nas séries repetidas vezes e vezes sem conta, quer no mesmo canal quer num outro semelhante do mesmo pacote.
Mas é legítimo? Pagamos ( e muito !)  e um quarto do que se vê é publicidade?! Bom, a semana passada li numa amiga de rede social um protesto sobre isto e referia o código de publicidade. Fui verificar e de facto, o tempo destinado a publicidade será de 15%, ou seja, numa hora só pode devia haver 3 intervalos de 3 minutos! Olhem que é interessante dar uma olhadela a esse código, que com certeza os programadores das estações conhecem bem. 
É como comprar uma embalagem grande de um produto que só está cheia ate 2 terços. Mas se na loja eu posso escolher a embalagem mais pequena com a mesma quantidade de produto, como é que se faz isso quando a tv que pagamos nos impinge tanta publicidade como a que temos de ver num canal aberto??!

*«Em Portugal, actualmente, o optimista é aquele que diz:

- Se isto continua assim, acabamos todos na rua a pedir esmola...
E o pessimista é aquele que responde:
- A quem ?»





Cereja

quarta-feira, 2 de abril de 2014

frivolidades

 Olá a todos! Ontem deixei aqui um post a condizer com o tempo - escuro e triste. A minha companheira de blogosfera de há muitos anos, a snowgase deixou-me um comentário animador lembrando coisas que eu tinha escrito num outro blog. Passei por lá para matar saudades, e distraí-me a ler mil e uma coisinhas de ca-rá-ca-ca que faziam o meu dia a dia nessa altura. É curioso que a mecânica é a mesmíssima do facebook: são os escritos mais amalucados que recebem mais comentários. Encontrei este, sobre o magno problema do rolo do papel higiénico que teve na altura cerca de 20 (?!) comentários, ou coisa assim, quando hoje quando tenho 2 ou 3 já fico toda contente.
Pronto, não é só o link, já agora vou fazer um copy/paste e repetir tudinho, para me ficar a rir!

«Toda a gente conhece a história do sujeito que tinha uma barba enorme, e no dia em que lhe perguntaram se dormia com a barba por cima do lençol ou por baixo do lençol ficou tão indeciso que nessa noite nem dormiu porque tanto a punha por cima como a mudava para baixo.
Ora com os rolos do papel higiénico no seu suporte passa-se algo de semelhante e de idêntica magna importância.
Vamos ver, ó pessoal: Preferem que o rolo se desenrole pela frente ou se desenrole por detrás?! Se calhar nunca tinham pensado nisso, mas olhem que há quem pense. Por um lado encontrei em tempos um blog (e agora com algum trabalho voltei a dar com ele) que lançou em debate essa questão. E a verdade é que houve 83 opiniões e mais não houve porque pelos vistos a caixa de comentários era pequena… E depois, como sou interessada e curiosa quando as questões são assim tão sérias e importantes, encontrei a resposta numa FAQ de um site. Cá está.
Questão: Existe uma maneira correcta de colocação do papel higiénico no suporte?
Resposta: Existe sim. O correcto é encaixar-lo no suporte, de maneira que o papel se desenrole na frente do rolo, no sentido de cima para baixo.
E já agora, o que pensam vocês???
Votam no A ou no B?»



Cereja

terça-feira, 1 de abril de 2014

Do desânimo

Hoje começa o mês de Abril.
Nos meus cerca de 10 anos de actividade na blogosfera, sempre festejei especialmente este mês. Lembro-me do entusiasmo quando programava juntamente com a Isabel  o que íamos escrever em  Abril, no tempo do falecido Afixe (para quem nem sequer se pode deixar um link...). E depois já em blog individual, o deixar um cartaz por dia, uma canção, um texto especial.
Foi muito trabalho feito com alegria.
Tive especial gosto em relembrar a vida "no 24 de Abril" para quem não sabia ou estava esquecido.
Ainda agora fui espreitar o Pópulo que ainda está visível na net e tem a categoria Abril com textos e imagens para todos os dias.  E já no Cerejas ainda em 2011 deixei alguns links para posts mais antigos mas escritos com amor. 
Mas este ano nem isso consigo.
A tempestade, o frio, a chuva, o escuro, que torna estes dias tão difíceis de viver parece ter vindo para ficar. Não é apenas uma metáfora (antes fosse) é uma verdade.
E, ou porque estou mais velha ou porque me sinto muuuito mais velha, desanimei.
Não, este ano não tenho energia para pôr bandeirolas aqui no blog, nem canções ou cartazes diários.
Eu sei que é Abril, mas já não é Primavera.
É um Inverno que nunca mais acaba.

Cereja



quarta-feira, 26 de março de 2014

Poupar, economizar, aproveitar, reciclar...

A palavra já enjoa. Poupar, poupar, poupar. Nas conversas, nos discursos, nas entrevistas, e sobretudo na publicidade. Claro que na publicidade quando dizem "poupar" querem dizer "gastar", gastar menos mas gastar, é claro! Já aqui tenho dito que eu, como os da minha geração, aprendi cedo a aproveitar tudo. Havia relativamente pouco lixo, porque tudo se aproveitava. Não existiam "embalagens" e quer garrafas e frascos, quer papeis, eram sempre reutilizados. E consertava-se sempre o que estava partido ou estragado. Até na louça se punham 'gatos'. (algum jovem sabe o que é?)
Adiante, que é de outra coisa que quero falar.
Tenho tido a má experiência de já ter participado no "desmanchar" de várias casas. Pais, sogros, tios, amigos idosos. É um trabalho muito doloroso, a selecção do que se guarda e o que não se pode guardar e chocou-me sempre o pouco valor com que é avaliado esse recheio pelos compradores que o vêm avaliar. E que depois o vão vender por 100 vezes mais!
Mas com a questão da crise económica tinha a doce ilusão de que talvez as mentalidades tivessem alguma alteração. Mas enganei-me. 
Acontece que estou mais uma vez a ajudar a esvaziar uma casa. Era um consultório que, com o ajuste das rendas, se tornou impossível de manter e vai ser entregue ao senhorio. Ofereceram-se algumas coisas, ainda guardámos para as nossas casas tapetes, cortinas, candeeiros, e decidiu-se contactar uma dessas ongs - tipo Remar ou Emaús - para o resto do mobiliário.
E agora vem a surpresa. A primeira disse logo não estar interessada, a segunda não tinha vagar para passar por lá só podia daqui a imenso tempo, a terceira foi lá, torceu o nariz e disse que aquilo era tudo para o lixo. (???!!!) Esclarecimento: não era tralha que estivesse numa cave qualquer, cadeiras com pernas partidas e buracos nos estofos! Eram estantes, cadeiras, sofás e mesas, que ainda há 15 dias estavam a uso. A postura desdenhosa das pessoas era decalcada dos tais compradores que oferecem um décimo do valor, só que... era para ser oferecido! E não levaram. O argumento foi que o trabalho de restaurar era maior do que o lucro de uma futura venda.
Não nos tinha ocorrido essa coisa do lucro da venda. Imaginávamos que, com algum arranjo e limpeza, pudessem aproveitar um armário grande de boa madeira, várias mesinhas, sofás e cadeiras, para ajudar no arranjo da casa de alguma família, ou até melhorar um lar de 3ª idade por exemplo. Tudo grátis, pro bono, digamos assim. Como nessas ongs também dão formação em marcenaria e estofos, aquilo podia servir para os formandos praticarem.
Ingenuidade a minha.
Afinal tudo se rege por cifrões e mainada!
Qual aproveitamento, qual reciclagem!!!!

LIXO!


Cereja

segunda-feira, 24 de março de 2014

Aves: pássaros e passarinhos urbanos...

Gosto de pássaros. Costumo brincar dizendo que numa anterior encarnação (ou futura, sei lá como essas coisas funcionam!) devo ter tido asas. A ser animal, escolhia de certeza ser ave. Mas que voasse, claro, ser de capoeira não apreciava nada, e aliás por sentir essa identificação não era capaz de ter um numa gaiola.
Mas por outro lado a minha ignorância é assustadora. Deve ter sido inventada para mim o tal resumo de "pássaros, passarinhos, passarões, aves de rapina e mochos".
Desculpa/justificação: nasci e sempre quase sempre vivi em Lisboa.
Quem viva sempre em Lisboa, ou até nos arredores subúrbios onde se calhar até há mais cimento, não costuma ter uma cultura geral muito extensa neste campo específico.
Portanto, quanto a nomes, como citadina eu sei que há... pombos! Esses conheço-os muuuito bem. Demais, que já são uma praga.
Ah, claro, também há pardais.
Esperem... também conheço andorinhas! Em tempos até tive um ninho na minha varanda das traseiras.
E ainda, tenho reparado que agora também aparecem mais aqui pelo céu umas aves que conhecia de vista quando ia à praia - gaivotas.
Ena! Afinal conheço quatro espécies, quatro!
E já há uns tempos vi e sobretudo ouvi ao cair da noite, numas árvores na zona do Campo Pequeno uns bandos enormes, com centenas e centenas de passarinhos com um chilrear intenso, que não identifiquei porque pareciam pardais (os tais que eu conhecia de vista) mas não eram. Disseram-me que eram estorninhos. Boa! Já conheço cinco.
E agora tenho visto de vez em quando melros - que também sei conhecer por serem todos pretos com um bico muito amarelo.
Que cultura geral a dilatar-se, hein?!
.........
Estava toda contente com esta lista dos meus conhecimentos ao vivo, quando li que se conheciam, pelo menos 134 espécies de aves em Lisboa! Oooooh!
Só me faltam 128...


Mas a lista faz um bocado de batota. Hummm... Águias? Tirando a do Benfica, nunca vi cá nenhuma! E vejo gaivotas, mas ali falam em 10 qualidades, assim não vale! Gaivota é gaivota! Andorinhas dizem que há não sei quantas qualidades!!! E o Rabirruivo-preto e o Rabirruivo-de-testa-branca, mas alguém sabe o que é isso? E corujas, Coruja-das-Torres como no Harry Potter, Coruja-do-Mato, e Coruja-do-Nabal. Nunca vi uma coruja à saída do metro! Ná, esta lista dos 134 é intrujice.

As seis que eu conheço é que é, e mainada!
 E oiço cantar e tudo: 
Oiçam AQUI




 Cereja

domingo, 23 de março de 2014

Quando uma parte se torna maior do que o todo ou a perversão de uma lei

Admito que a minha informação esteja toda errada, e o que vou escrever se baseie em erros ou mentiras.
Mas...
Li na sexta-feira uma notícia tão chocante que a minha primeira reacção foi não acreditar. "História mal contada", pensei eu. Tanto mais que aquilo se passava num dos países mais civilizados do mundo, não num conhecido por atropelos aos Direitos Humanos, nem aos Direitos da Criança. E isto porque o que me bateu logo forte foi um brutal desrespeito pelo artigo 9º da Convenção sobre os Direitos da Criança. Ora se 'nenhuma criança pode ser separada dos seus pais contra vontade destes a não ser em caso de maus tratos' como seria possível separarem 5 crianças dos seus pais, sem averiguações, porque uma delas tinha dito que o pai lhe tinha batido? Não acreditei. A história do jornal é esta:
E, tanto ou mais inacreditável ainda:  «Dos cinco filhos do casal Pedro — de três, cinco, sete, 12 e 14 anos —, os dois mais pequenos foram colocados para adopção. (???!) Os pais estão autorizados a vê-los uma hora de dois em dois meses, (???!) desde Dezembro, quando a juíza do Tribunal de Família decretou a retirada das crianças por "risco futuro de dano emocional"»
Não pode ser.
Não pode ser, da manhã para a tarde separarem uma família sem averiguações. Não pode ser separarem 5 irmãos uns dos outros. Não pode ser proporem duas crianças para adopção sem consentimento dos pais. Nada disto podia ser!
E afinal pode. Adopção sem consentimento? "A court can decide the adoption can go ahead without your consent if: it thinks the child would be put at risk if they weren’t adopted - it will send you the evidence they have been given, eg from social services ; you’re incapable of giving consent - eg due to a mental disability" O tribunal pode achar que existe risco se não forem adoptados. É o máximo. Mas que risco pode existir a quem tenha pais que os querem, por não serem adoptados por outras pessoas? Risco?
Afinal o que li pode de facto ter acontecido. Dizem ser totalmente plausível a polícia ter agido apenas em função da queixa do rapaz, que é frequente a polícia e os serviços sociais agirem à mínima suspeita mesmo quando ela não se confirma [...] e é frequente a polícia agir sem ordem do tribunal mesmo que o devam fazer “apenas em circunstâncias extremas”
Entendo bem e aplaudo que os pais não possam bater nos filhos. É uma violência. O que me deixa horrorizada é que a violência cometida pelo estado britânico contra estas crianças é mil vezes superior ao estalo que o pai supostamente lhe deu!!! Retirar de casa, separá-las, e entregá-las a famílias de acolhimento, e até - máximo dos máximos!!! - para adopção, cinco crianças porque o pai alegadamente bateu numa delas.... é impróprio de um país civilizado. Mas que interesses estão ligados a estas decisões? Não são os das crianças, isso não são de certeza!!!
Separar cinco crianças dos pais, duas bem pequeninas, porque um rapaz de 14 anos disse uma única vez que o pai lhe bateu? Sem ouvir os pais? Sem ouvir testemunhas?
Espero que esta história não seja abafada e sirva para vir à luz o que se passa em Inglaterra com as "famílias de acolhimento", que pelos vistos é um grande negócio.




Cereja

quinta-feira, 20 de março de 2014

Encontrar... trabalho mentiras?

 A questão do trabalho é uma daquelas que mais facetas pode ter conforme se está mais próximo ou mais afastado do problema. Creio que preocupação toda a gente tem, mas ela pode ir de um grau puramente teórico, olhando-se a situação geral do país ou mesmo da Europa, à mais angustiosa preocupação directa, quando se perde o que se tinha ou, depois dessa catástrofe acontecer, não se consegue culminar esse vazio nem direi ao mesmo nível mas a nível nenhum! Lemos notícias sobre as habilidades das leis sobre despedimentos, (lícitos e ilícitos) que procuram baralhar as coisas e acaba-se por aceitar seja o que for desde que tenha uma aparência de se poder perder menos...
Mas um dos aspectos mais revoltantes é o engano e o engodo permanente a que é submetido quem simplesmente procura emprego e vai respondendo a tudo o que lhe é sugerido pelo Centro de Emprego. Uma das minhas maiores amigas tem um filho a viver lá em casa. Com 30 e tal anos, nunca foi independente, tendo sempre vivido no ninho que é a casa dos pais, e com alguma ligeireza quando era mais novo. Ligado por amor e formação às artes, no início da sua vida de adulto "deu-se ao luxo" de recusar alguns trabalhos demasiado rotineiros e que sentia sufocantes. Foi imprudente, mas à época até se entendia... Os anos foram passando, ele já pôs os pés na terra há tempos, e agora já aceita tudo, mas tudo. 
E chegamos à parte sinistra. Naquela família o pai, que tinha uma minúscula empresa, entretanto reformou-se com uma reforma de 400 € que gasta consigo e assistência médica. A mãe tem portanto de sustentar uma família de 3 pessoas com um salário pequeníssimo, e nem sei como o consegue. Este rapaz para procurar trabalho começa por ter de ir a entrevistas a que é convocado e já aí gasta dinheiro no transporte - eles não vivem e Lisboa e ida e volta não é menos de 5 €... E depois, sistematicamente, aparecem-lhe tarefas que o obrigarão a deslocar-se em transporte próprio o que implica as despesas de um carro. Mas o pior nem é isso, é que há sempre um período de 'experiência' nem que seja durante um mês (pelo menos) onde ter de gastar em transportes e alimentação e passado os tais 30 dias dizem-lhe que afinal não fica. A minha amiga não ganha que chegue para financiar o trabalho do filho!!!
Mas desta vez a coisa parecia um pouco melhor, dentro do péssimo. A pessoa que o entrevistou oferecia 300 € de base e mais um pouco conforme os contractos que conseguisse angariar. Estava a anos luz daquilo que era desejável, mas sempre dava tempo para respirar e ir batendo a outras portas. Ele até já se imaginava a conseguir juntar para um bilhete que permitisse a emigração. Ontem a mãe, desanimadíssima, conta-me que quando no segundo dia foi assinar o contracto (com outra pessoa, não aquela que lhe tinha feito a proposta) fica a saber que são 200 €, tem de descontar para a Segurança Social, mas só recebe esse dinheiro se angariasse 20 contractos por mês!!!! Tal e qual o modelo já conhecido... E não é uma empresa de vão de escada, é uma muito importante.
Volta à estaca zero.
Mas isto não é publicidade enganosa? É uma mentira descarada não sei com que vantagem. Talvez quem more mesmo ao lado da empresa, possa ir a pé e ainda almoçar em casa, e portanto possa arriscar a trabalhar completamente de graça, mas devem ser raros os casos. Sinto-me a rebentar de indignação!


Cereja

terça-feira, 18 de março de 2014

Bancos ou sofás?

Não se consegue imaginar a vida numa sociedade do 'primeiro mundo' sem os Bancos.
Sabemos que a sua existência tem apenas poucas centenas de anos, mas a importância na vida das sociedades é esmagadora. São negociantes onde a mercadoria é dinheiro, e como em qualquer negócio para resultar tem de se comprar barato e vender caro, portanto eles devem comprar dinheiro barato para o vender caro ou a coisa não funciona. Há umas centenas de anos, a moral vigente reprovava o empréstimo de dinheiro que se fazia muito discretamente por agiotas, termo que actualmente passou a insulto. Mas com o evoluir dos tempos as posições inverteram-se e o poder dominante passou para as suas mãos.
Um polvo que domina tudo e todos.
Para o cidadão comum que nasceu em meados do século passado, é fácil recordar o tempo onde havia poucos Bancos e a grande maioria das pessoas não precisava deles. Trabalhava, o patrão pagava-lhe com dinheiro, ele usava-o para pagar as suas necessidades diárias. Mais nada. Lá poderia haver uma herança, uns papeis de aforro, uma compra de maior valor que implicasse um intermediário entendido em finanças, mas isso era uma vez na vida. No dia a dia da classe média ou média baixa, essa necessidade não aparecia.
Quando eu comecei a trabalhar era paga em dinheiro. (Atenção, estou a falar de uma licenciada, a trabalhar para o Estado) Todos os meses vinha um senhor com uma pasta cheia de envelopes, e deixava na minha secretária o meu ordenado em notas. Era normal. Uns anos depois quiseram que eu abrisse conta num Banco para depositarem directamente esse salário, e achei prático - era mais seguro do que ter um cofre em casa que sempre podia ser assaltada.
Bem, ponhamos a máquina do tempo a andar depressa e cá estamos nos nossos dias. O dinheiro passou a ser virtual, de plástico. Não o vejo nem quando o recebo nem quando o gasto, e psicologicamente isso é péssimo porque altera a sua importância relativa. Mas por outro lado aumenta desmesuradamente a importância dos Bancos, uma espécie de big-brothers que conhecem bem a minha vida e decidem por ela.
E decidem de acordo com os seus interesses, como é óbvio, e com toda a frieza de quem não tem de levar em conta questões sociais. Foi chamada agora a atenção pelo Banco de Portugal que certos Bancos aumentaram a taxa cobrada aos muito pequenos depósitos e suspendem-na a quem tenha mais de 1.500 € .Está bem Está mal. Tão mal que até custa acreditar. Os Bancos têm trabalho com o dinheiro que as pessoas lá deixam? Devem ter, ou então o tal cofre na nossa casa servia para o mesmo. Mas o trabalho que têm com uma conta mensal de 500 € é superior ao que têm com uma conta mensal de 5.000 €? Expliquem-me porque não entendo. Compreendo que uma conta a prazo e outra à ordem tenham taxas diferentes, mas que em duas contas à ordem as taxas sejam inversamente proporcionais, ultrapassa-me. E sobretudo quando os pequenos depositantes são obrigados a ter essa conta para receberem o ordenado ou a pensão, não é uma opção de comodidade.
Bancos?! São sofás muito bem estofados para os banqueiros!

Cereja