Eu sei que não sou das piores.
Não sou mesmo nada das piores. Por feitio, e até por algum 'treino profissional', quando alguém me conta qualquer coisa eu procuro guardar a distância e tentar ser objectiva (mas o que é isso da objectividade quando se trata de afectos, não é?) e mesmo que me sinta solidária com o que me contam forçar-me a pensar que existe outra faceta para a mesma história que não é forçosamente errada.
Recentemente apanhei de enfiada, em poucos dias, com 3 situações que me (re)ensinaram que nunca se deve dizer nunca se deve dar como certo apenas uma versão de um facto. Ser juiz num tribunal deve ser a profissão mais arriscada do mundo!
Não é necessário contar as histórias que motivaram estes pensamentos. Uma pessoa a quem eu secretamente censurava mas afinal estava cheia de razão, outra que eu defendia mas...
Todos nós conhecemos e participamos em muitas histórias semelhantes, conflitos de namorados, questões de irmãos, vizinhos insuportáveis - no momento em que desabafam connosco a razão de quem se queixa entra pelos olhos a dentro mas se mais tarde ouvirmos o "outro lado"... hummm... afinal a coisa é mais complicada!
E, onde sei com toda a certeza que não posso ser imparcial e até é natural que seja injusta, é quando estou excessivamente próxima e a emoção baralha tudo.
Exactamente como aqui o rinoceronte-pintor. Ele pinta exactamente o que vê. Aquilo é a pura da (sua) verdade.
... mesmo que seja apenas ele a ver daquela forma!
Pé-de-cereja








