quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Umas estranhas Boas Festas

A gente sabe que os tempos andam maus.
Muito maus.
Assustadores e não me refiro a quem se assusta facilmente, assustam mesmo os mais resistentes a alarmismos.
Por outro lado há um tipo de Boas Festas adocicadas, com muitas florinhas, anjinhos, cenas românticas, cores suaves, que são muito enjoativas, reconheço.
Mas....
Já repararam no anúncio da programação actual do AXN? Não sei se chama «separador», creio que sim. Reparem nele. Enfim, a música pode ser é um tanto natalícia, embora o refrão do «tum, tuum, tuuuuum» tenha uma pancada forte demais para a suavidade do Natal.
Mas as imagens...?!!
Bombas?
Granadas?
Tiros?
Ao som de cada «tuum» da música vê-se uma imagem a explodir.
Impressiona-me, reconheço.
Não sou particularmente dolicodoce em relação às imagens natalícias, mas aquelas chocam-me.

Porque não simplesmente estas mais antigas, que deixo aqui em baixo:
(não encontrei o tal separador a que me refiro; deve ser ainda muito recente e não descobri o vídeo correspondente)
Mas este é simples, sem explosões.
Sem nada a rebentar.
Não tem o Pai Natal nem o Menino Jesus, mas não há nada a explodir, é simples.
Mais natalício pacífico...
É que bem precisamos de um pouco de paz.




Pé-de-Cereja

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Taxas "moderadoras"

Quando se fala em «taxas moderadoras» está implícito que é na saúde. 
(antes de vir escrever este post fui googlar a expressão obtive 1.300.000 resultados e, apesar de não os ver todos, pesquisei muitas páginas sem ver qualquer referência a uma 'taxa moderadora' aplicada a outra coisa - a saúde é que convém moderar)
Um dos malefícios do excesso de séries norte-americanas que a nossa tv transmite é o começarmos a aceitar com naturalidade o modelo de saúde existente por lá. Saem frequentemente do nosso pequeno ecrã situações de famílias desesperadas porque o seguro que tinham não cobria aquela doença da mãe, ou do filho, ou do irmão... Vemos médicos consternados a explicar às família que não podem salvar doentes porque o seguro não cobre aquela doença. Ou então porque são pobres e nem seguro têm. Uma série chamada em português Jogo de Audazes é baseada exactamente nesta ideia: «um homem trabalhava para uma companhia de seguros que recusou pagar um tratamento para o seu filho que por isso morreu» . Ele então decidiu então «roubar os ladrões».
E assim vamos, paulatinamente, aceitando que é normal não se ser tratado quando não se tem dinheiro.
Nós por cá nunca tivemos essa experiência, de um modo tão radical. E com a criação do SNS qualquer cidadão tinha acesso à saúde, e até saúde de qualidade - quem desejasse um atendimento mais rápido ou mais atencioso tinha o privado que sempre existiu. Há 20 anos Cavaco Silva lembrou-se de criar as «taxas moderadoras». O termo sempre me incomodou. Se procurarmos a definição de moderar, lemos que é «conter-se, não se deixar levar pelas próprias paixões ou apetites» Ah, sim? Então convém não nos deixarmos levar pela paixão e apetite de ter saúde?... De facto, olhem que ideia essa heim?! Essas hordas esfomeadas a exigirem saúde têm de ter tento, calma aí, nada de exageros. Moderem-se, que diabo!
E, agora, descobriu-se que o Ministério da Saúde deve imenso dinheiro, não por má gestão decerto, coitados,  mas porque os gulosos dos utentes exageraram nas consultas a que recorriam (quando não sabiam como passar o tempo iam a uma consulta ao hospital só para ver se estavam bem ). Portanto, vamos mas é aumentar o preço dessas consultas para ver se conseguimos mais algum direirito e já agora abrir caminho aos doentes para o universo dos seguros de saúde, que o senhor ministro conhece tão bem.
Num artigo de opinião o José Manuel Pureza diz que ouviu em tempo a frase "Melhor negócio que a saúde só mesmo a indústria de armamento!"
Mas os clientes de metralhadoras e bombas não estão a ser moderados.
A moderação exige-se a quem sofre e está aflito.
Assim vai o nosso Natal, assim se apresenta o ano que aí vem.




Pé-de-cereja

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Oh canervos!!!

Há o «atendimento personalizado» decerto que para o diferenciar do «atendimento despersonalizado». O modelo mais irritante do atendimento despersonalizado é aquele que recebemos quando queremos falar ao telefone com uma empresa e vamos dar a uma infindável escolha de hipóteses de acordo com os 9 algarismos do nosso telefone. Eu odeio o sistema e por acaso nem conheço ninguém que goste...
O pior é quando as hipóteses não abrangem o que desejamos.
Ontem aconteceu-me um azar por distracção minha. Fui ao IKEA fazer umas compras que fui depositar no carro estacionado no seu parque subterrâneo. Mas depois ainda lá voltei, porque queria confirmar umas indicações, comer qualquer coisa lá no snack e, já que estava lá, aproveitar para comprar outras coisas que tinham ficado debaixo de olho e podiam esgotar. Quando voltei de novo para o carro não encontro a chave!!!
Um drama pequeno drama! Esvazio completamente a carteira, e nada. Conclusão - fechei a porcaria do carro com a chave lá dentro! Volto a empurrar o carrinho para dentro da loja, deposito as compras num cacifo, e procuro um táxi que me leve a casa para trazer a segunda chave. Imagine-se a fúria com que estava, o tempo e dinheiro que perdi porque ainda moro bastante longe.
Infelizmente hoje, depois de vasculhar o carro de uma ponta à outra, não encontrei a chave. Conclusão, perdi-a lá. Foi o tempo entre ter aberto a porta a primeira vez e não a conseguir abrir uns tempos depois.
Bem, já disse ali atrás que moro longe, ou seja a solução mais fácil seria telefonar para saber se a chave foi encontrada. Mas aí começa a saga:
Quando se liga temos de escolher um algarismo - 1, 2, 3, 4, etc -  para saber para que loja queremos falar.
Escolhida a loja, vamos ouvir outra série de algarismos, para saberem se a questão é sobre uma compra, ou o crédito, ou o prazo de validade, ou... etc, etc, etc (nem fixei)
Como uma das hipóteses é «outra», escolho essa que me remete para mais uma outra série de algarismos.
Mas, claro está, a hipótese «outra resposta» ainda é vaga, portanto abre de novo o leque de mais 10 algarismos.
Depois de ter conseguido acertar no algarismo que (julgo eu) me permite falar com um assistente, recomeça a dança para saber se a questão é sobre um produto que não está em condições, se quero um reembolso, se preciso de ajuda técnica, se... mais X escolhas.
Eu, nesta altura já marco as teclas um tanto ao acaso, porque ao chegar à 7ª hipótese já nem me lembro do que era a 2ª e só me apetece atirar com o telefone.
.........
Entretanto paro para respirar, e fico a reflectir - a pergunta «apareceu aí ontem uma chave?» não entra em parte nenhuma. Isso não está previsto. O mais certo é que, quando finalmente ouvir uma voz humana, seja informada de que não fazem as mais pálida ideia dessa situação.
Pronto. Desisto. Amanhã vou lá pessoalmente a ver se encontro uma pessoa e não uma máquina.
GRRRR!!!



Pé-de-Cereja

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

«Faça o mal quem o fizer quem tem culpa é a minha mulher»

«Faça o mal quem o fizer quem tem culpa é a minha mulher» era uma expressão (provérbio?) que se dizia quando eu era pequena, há muito tempo já que a não oiço.
Ora bem, o Seguro morreu de velho, mas as nossas Seguradoras devem morrer de obesidade.
Claro está que têm de pagar alguns prejuízos de vez em quando, mas todos sabemos que os segurados quando têm o atrevimento de reclamar a indemnização de um dano para o qual pagaram prémios que nunca são muito leves, vêm tão agravado o seu seguro que muitas vezes preferem pagar o prejuízo e não comunicar à Seguradora...
Ora bem. Parece que as estatísticas dizem que as mulheres «têm seis vezes menos acidentes que os homens». Isso dizem as estatísticas, não são as descaradas das feministas. E, com base nisso, como o risco é menor muitas seguradoras cobram prémios mais pequenos. É a mesma lógica que faz que os jovens paguem prémios mais altos mas não sei se a «descriminação em função da idade» também vai desaparecer. Devia ser, não?
Fiquei aborrecida quando li, é claro. Eu não sou jovem e sou mulher - para além de não ter acidentes há séculos!!! - portanto sou ‘bonificada’. Espero bem que não me retirem o bónus por não ter acidentes...
Mas o que me levou a escrever este post foram os «comentários» que encontrei no final deste artigo. Impressionante. É evidente que cada pessoa generaliza a partir daquilo que conhece e vê. E é quase um lugar comum a convicção de que as mulheres conduzem pior do que os homens. Até há umas dezenas de anos isso talvez acontecesse sobretudo porque conduziam menos e assim tinham muito menos prática e no caso da condução o treino e a prática são factores importantes. Mas, sinceramente, hoje em dia que há tantas mulheres ao volante como homens parece-me que conduzem tão bem ou tão mal uns como os outros.
Contudo, o que as estatísticas dizem, ou diziam, é que as condutoras têm menos acidentes. E isso é que está em causa. Guiem mal ou bem, eles têm muito mais acidentes e pronto. Nos comentários que me chocaram, para além da ideia feita de que as mulheres têm piores reflexos (ai é?!) com tudo o que isso implica, ressalta a convicção de que não têm acidentes... mas os provocam. Uma praga!
É interessante. As mulheres (generalizando, o que detesto, mas é o que dizem lá) são
a) mais cautelosas a entrar num cruzamento, - lá dizem ‘lentas’ o que é visão depreciativa do mesmo facto
b) travam ao ver um obstáculo, e pelos vistos isso é mau porque o homem que vem atrás e se gaba de ter tão bons reflexos, não consegue travar também e vai-lhe bater
c) são indecisas na condução e isso baralha os outros condutores
Ou seja, o que lá afirmam é que a má condução feminina vai fazer com que os bons condutores masculinos tenham acidentes. A culpa afinal é delas! Se «eles» têm mais acidentes não tem nada a ver com conduzirem com excesso de álcool, serem mais imprevidentes, acelerarem em excesso, não cumprirem o código. Não senhor, afinal a culpa disso é porque «elas» têm maus reflexos e são lentas.
Dá que pensar, não é?

Pé-de-Cereja

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ainda ando por cá!



A minha relação com este blog parece ser muito semelhante à que se tem numa relação de amizade. Creio não ser só eu que quando estreito os laços de amizade com alguém e a encontro muitas vezes tenho sempre coisas novas a contar e a ouvir. Tudo, o fait-divers mais corriqueiro é tema de conversa e de troca de opiniões. Aliás esta relação nota-se bem na adolescência, recordo que depois de tardes passadas com uma grande amiga ao chegar a casa corria para o telefone porque entretanto me tinha lembrado de mais uma coisa importantíssima para lhe contar.
Mas, quando nos afastamos um pouco, essas conversas passam a ter outro peso e de nos vemos de mês a mês só falamos de «coisas importantes» o que reduz radicalmente os temas.
E, claro está, também a ‘culpa’ também pode ser o facto de entretanto começarmos a ter um relacionamento com outro amigo... Essas conversas-sem-importância passam então a ser com ele.
.................
Digo isto porque reparei que deixei o Cerejas abandonado há mais de 8 dias. (Ups! afinal foi quase há 15 dias!!!) Coitadinho.
É a tal coisa. Dantes achava que «tudo-dava-um-post» como eu dizia. E era mesmo. O mais pequeno acontecimento me sugeria um comentário, uma observação, uma nota. Durante anos escrevia 3 ou 4 posts por dia e tinha de me refrear porque como dizia o António Silva quando ligava o botão abria o editor de mensagens isto era uma torneira a deitar água! :)  Era a época da tal amizade de adolescente. Bom...
Claro que quando me atraso um pouco a bola de neve começa a crescer. E, como no exemplo, as coisas mais corriqueiras parece não serem dignas de serem aqui abordadas, só temas sérios. Fica tudo baralhado, então!
E, ainda por cima, apareceu outro amigo com quem converso todos os dias, o facebook. Os comentários curtinhos ficam para lá o que reforça este 'abandono'.
Mas não pode ser. O Cerejas é o meu amor mais antigo, herdeiro de outros blogs a quem dediquei muito tempo a me deram muito prazer. Não o posso abandonar!
Está decidido.
Vou voltar com muito mais assiduidade.
Até já logo.







Pé-de-Cereja

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Livros (importantes)

Passear na net é um desporto que pratico irregularmente. De vez em quando dá-me um amok e passo umas horas saltando de link em link (como o tal elefante de nenúfer em nenúfar...) e descobrindo coisas novas. Sobretudo o twitter a que aderi há uns tempo e pratico quase que só como bisbilhoteira, sem participar lá muito, vai-me dando imensas sugestões.
Ontem encontrei num blog de um amigo virtual que conheço através de outro amigo virtual que conheço através de outro amigo virtual – e fico por aqui para resumir a história – uma rubrica muito interessante.
Chama a atenção, não é?
Adivinhamos logo que não é o que parece. O verdadeiro livro que-não-se-devia-ter-lido simplesmente esquece-se, ou deixa-se a meio. Aquele que por qualquer forma nos incomoda, deve ser lido. Mesmo que seja para o contradizer.
Evidentemente que o que o autor quer dizer é que se trata de livros que não esquecemos, que nos marcaram de qualquer modo, que até influenciaram a nossa vida.
E é muito interessante a lista que por lá aparece, de Musil a Kafka, de Shakespeare a Virgílio Ferreira, livros que vão das Mil e uma Noites ao Principezinho. E, sobretudo o interessante é que se fala não apenas do romance em si mas da forma como o leitor «encontrou» o livro e o efeito que lhe causou.
Gostei muito da ideia.
E inevitavelmente que começo a pensar nos «meus livros». É interessante reparar como ao longo da vida tantos houve que foram muito importantes mas depois se desvaneceram... Sorrio ao pensar que talvez o mais importante ( e aquele que devia mesmo ter lido!!!) foi o primeiro de todos. O primeiro livro que li sozinha, chamava-se «A burrinha toleirona» da colecção Joaninha, uns livros pequeninos de uns 10 centímetros de altura. Na adolescência adorei um romance que as raparigas da minha época liam, «O Romance de Isabel». Ao entrar na faculdade Sartre e sobretudo Simone de Beauvoir e Os mandarins que (creio) decidiram a minha escolha profissional.
De facto os livros que não devia ter lido, que em grande parte alteraram a minha vida, são vários. E ainda os que gostei simplesmente porque gostei. Porque estão bem escritos. Porque o tema é importante. Porque as emoções que descrevem são as que também sinto. Porque são um desafio à imaginação. Porque os li no momento certo.
Porque... porque... porque...
Eu sei lá porque é que se gosta de um livro. Nem sei também porque os guardo religiosamente cobrindo as paredes até ao tecto e enchendo-se de pó. Mas é o meu passado, e quem deita fóra o passado?...





Cereja-com-pé

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

No lugar do outro

Havia uma historiazinha que ouvi contar quando era pequena e a que sempre achei graça por ser muito clara. Tratava-se de dois irmãos que andavam à bulha, ciumentos, queixando-se de que ao dividir um doce cada um deles se sentia prejudicado em benefício do irmão. O pai, zangado, tomou uma decisão um tanto 'salomónica' - a partir daí, um deles ficava com a faca para cortar o bolo e o outro escolhia primeiro o bocado que queria... Imagina-se que dali em diante os bocados eram o mais iguais que era possível.
Esta história ingénua ocorre-me muitas vezes quando vejo a dificuldade que existe em nos conseguirmos colocar no lugar do outro, em imaginar que a vida dê uma cambalhota e haja uma alteração de papeis. Claro que é preciso imaginação em certos casos, mas não muita.
Impacientes na bicha de um supermercado e a achar que a menina da caixa é uma atarantada e não despacha o serviço. E, se por um truque de magia, aparecêssemos sentados atrás de um tapete cheio de produtos, a deslizar rapidamente, e a olhar para uma colecção de clientes mal-encarados e cheios de pressa?... Ah, que nervos. Ou, a nossa chefe mudou a hora de uma reunião o que nos faz diferença e consideramos isso uma prepotência e ela uma bruxa malvada. Se, magicamente, mudássemos de lugar, talvez olhássemos para a sua nossa agenda vendo que as pessoas que coordenávamos (nós afinal) se tinham atrasado a fornecer uns dados indispensáveis. Que raiva, a reunião vai ter de ser mais tarde!
Onde essa troca de papeis é mais evidente e devia ser mais fácil até, é em certas decisões políticas. Como se sabe o regime democrático ensina-nos que o poder é transitório. Quem o assume é porque recebeu mais votos, mas nada diz (até pelo contrário) que da próxima vez não seja o seu adversário a ganhar e quem tem o poder no momento não se veja relegado para a oposição dentro de algum tempo. Ou seja, teria toda a vantagem em cortar o bolo direitinho como o irmão da história.
O parlamento madeirense tomou uma decisão assombrosa do ponto de vista democrático: um deputado vai poder votar por outros e assim assegura que «nunca tem surpresas» como ingenuamente foi explicado.
É evidente que esta esperteza saloia teve repercussões. Anda por aí um burburinho incrível e se calhar ainda é pouco. Mas o que me faz pensar é que estes senhores inventaram esta espantosa ideia sem lhes passar pela cabeça que afinal esta sua maioria de 2 votos pode passar para outras mãos... e aí bem podem espernear e fazer uma grande birra, mas «a outra maioria» que não a deles pode ficar com uma arma na mão.
É anti-democrático? Ah pois é!




Pé-de-Cereja

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ri que logo choras

A Espanha foi a votos.
Sem qualquer surpresa ganhou «a oposição ao governo que lá estava». As coisas andavam mal, portanto tem de se mudar. Faz sentido. Os países que têm estado debaixo do fogo dos «mercados» têm mudado de chefes de governo com eleições ou sem elas (como foi na Itália onde aquele desgraçado devia ter saído há muito mas não para obedecer às 'troikas') É um desabafo que a democracia tem, estes 'portaram-se mal, que venham outros' como já se vislumbra até em França onde o Sarkozy estaria agora periclitante se houvesse eleições.
Portanto os espanhóis votaram, e elegeram o PP para conduzir o país.
Coitadinhos.
............................
É que a gente conhece o filme.
Imagina-se que se está a escolher o mal menor. Claro que nestes casos não há mal menor, e muitas vezes salta-se da frigideira para o lume.
Uma imagem que recordo por vezes é a de uma mulher festejando, radiante, nas nossas últimas eleições a vitória de Passos Coelho. Agitava uma bandeira e toda ela era riso. O repórter apresentou-lhe o microfone e quis saber o que pensava ela daquele resultado e a resposta foi dada num tom de voz eufórico «Agora sim! O meu filho já não precisa de emigrar!!!» Imagino a sua expressão quatro meses mais tarde, quando um próprio membro do governo sugere como uma boa escolha a imigração...
Quem não tinha ilusões, também sofre é evidente.
Mas quem espera que a mudança seja para melhor, sofre duplamente. Pela realidade e pela desilusão.
Coitadinhos dos espanhóis.
do Kaos


Pé-de-Cereja

domingo, 20 de novembro de 2011

Salvem-me das tecnologias!!!

Uma história:
Eu tinha um relógio eléctrico na mesinha de cabeceira.
Já tinha uns anitos. Bom, quero dizer, já tinha mui-tos anos. Muitos, muitos. Um dinossauro dos relógios. Mas funcionava bem e dava-me segurança - durante a noite ao virar-me na cama, mesmo abrindo só um olho, via logo as horas e, tranquilamente, sabendo que ainda faltava bastante para ser manhã, continuava a dormir.
Bom. Tadinho, a semana passada deu-lhe o tranglomango e exalou o seu último suspiro. De velhice, creio eu. Nem pensei que valesse a pena arranjá-lo, se é que aquilo tem tinha arranjo...
Pronto. Tinha a ideia que era um electrodoméstico (?) barato e pus-me em campo para comprar outro. Primeira surpresa, afinal já não é tão barato como aquilo que eu recordava. Houve «a» crise, a subida do iva, e mais isto e mais aquilo e, resumindo, custam mais três vezes do que imaginava. Mas, adiante. Lá fui comprar um, bem bonito, que me seduziu também porque quando o vi na prateleira da loja reparei que a hora se via também projectada no tecto. Prático. Nem precisava de me virar na cama para saber as horas, só abrir meio olho e olhar para cima...
Chego casa, coloco-o na mesa de cabeceira, ligo à corrente e, animada, preparo-me para acertar as horas. Ná! Isso era dantes, agora é tudo automático, há um um sensor (não sei se é assim que se chama) e temos de esperar que esse sensor encontre 'um sinal' dizem que de Grennwich  e depois desata sozinho a procurar a hora certa. Parece que tem vida própria. Ui, que susto. Até me afasto um pouco para o deixar à vontade! Mas não lhe devo ter explicado bem que estava em Portugal e a hora que ele escolheu não era exactamente a hora de Lisboa. Não servia. Só que sua excelência o não-me-toques não aceitava ser accionado à mão. Foi uma luta terrível e acabou por ficar um tanto às 3 pancadas. E ainda por cima, a tal projecção no tecto só consegui que aparecesse se lhe desse uma palmadinha no cucuruto e, claro, para isso tinha de estar acordada. Uma frustração.
No dia seguinte voltei ao lugar da compra. Contei as minhas dificuldades a um vendedor que atenciosamente me explicou os passos necessários (e complicados, continuo a achar) ao bom funcionamento, mas acrescentou que eu tinha um mês para o devolver se o não quisesse. Oooooh! Tinha-me esquecido dessa hipótese.
É que foi logo! De imediato. Saí de lá com o modelo mais simples que encontrei. E, aqui para nós, ainda é demasiado sofisticado, tem várias funcionalidades que não me servem para nada.
Ando cheia de saudades do tal dinossauro que simplesmente marcava as horas e despertava quando eu mandava. Sniff...




O futuro?... Ai, ai, ai!

Pé-de-Cereja

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Quando algo corre bem....

Um 'blog' é um diário. Um diário da web, online, mas a base disto é mesmo um diário onde falamos escrevemos sobre o que nos interessa e vier à cabeça. De modo que, como hoje dormi bem e acordei bem disposta por um incidente minúsculo, insignificante e pessoal mas que me soube bem, só me apetece falar sobre isso, partilhar como se diz actualmente. A vida - e então nos dias de hoje!... - anda a correr-nos um tanto mal. Mas, de vez em quando, alguma coisa corre bem. Quando isso acontece sentimos que uma luzinha se acende dentro de nós!
Eu, pelo menos numa coisa, tive sorte na vida: tenho uma profissão de que gosto. É claro que nem sempre me deixa feliz e contente, tenho muitas vezes dias onde não me apetece começar a trabalhar, alguns momentos para esquecer, casos que correm mal, muitas batalhas que perdi. Muitíssimas até, e algumas de que ainda hoje me lembro com amargura. Mas, de um modo geral, o balanço é positivo e creio que se na palma da minha mão para além das linhas da Vida, da Cabeça e do Coração (penso que é assim, não é?) existisse também uma linha do Trabalho ou Profissão ela devia ser vincada.



Comecei a escrever este post porque recebi ontem, ao fim do dia, um telefonema. Era da família de uma menina que me tinha pedido ajuda profissional, a dar notícias. Nem sempre há essa delicadeza, coisa eu não estranho, mas é bom quando tenho feedback do que se passa, é claro. Desta vez recebi um telefonema bastante alegre e que me deixou também muito contente. É impressionante como por vezes uma intervenção relativamente pequena pode funcionar tão bem.
Não, não preciso nem tem interesse explicar o que se passou. Era uma pedrinha, digamos que quase um grão de areia, que consegui retirar de uma máquina que parecia avariada (lá voltamos de novo às máquinas!....) Pa-re-cia. Mas funcionava lindamente! Removendo essa pedrinha, há uma menina mais contente, uma mãe aliviada, uma família mais feliz.
Pudesse tudo ser tão fácil como a remoção daquela pedrinha! 
Não deixo de sorrir, hoje.



Pé-de-Cereja