sábado, 22 de outubro de 2011

De regresso ao... (futuro? passado?)



A actividade deste blog tem sido pouca ultimamente.
A verdade é que o «facebook» tem roubado muitas das coisas que durante anos ia comentado por aqui. As minhas opiniões sobre a situação política ou os acontecimentos que se vai vivendo por aqui ou lá fora, ficam registados lá - é muito fácil e rápido, e a interacção com as pessoas que lêem quase instantânea. Claro que não-é-a-mesma-coisa. Aqui no blog explico-me melhor, os textos são maiores, a apresentação diferente. Mas a verdade é que leva mais tempo a escrever e publicar e tenho-me deixado tentar pela facilidade.
Mas hoje venho avisar que vou estar mesmo ausente quer do FB quer do Cerejas durante cerca de uma semana.
VOU DE VIAGEM!
Um viagem muito desejada e planeada durante a qual vou tentar deixar para trás os problemas actuais.
Não preciso informar onde vou, mas deixo a dica que não vou lá há mais de 30 anos e é uma das cidades mais lindas do Mundo.
Enquanto faço a mala sinto já o coração a bater tão forte como da primeira vez de todas que lá fui. E, recordando os meses gloriosos em que lá vivi, estudei/trabalhei, sabendo bem que as coisas não podem estar «na mesma» sobretudo porque eu própria não estou «na mesma», hesito se vai ser um regresso-ao-passado, um regresso-ao-futuro, ou qualquer coisa de bem diferente.
Até para a semana!



Pé-de-Cereja

domingo, 16 de outubro de 2011

A lata deles!....

 Recebi este mail, que me apetece partilhar aqui:


Estes são alguns dos indivíduos que vão rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...


Administrador não executivo da Sonaecom, da Mota-Engil e do BPI, António Lobo Xavier auferiu 83 mil euros no ano passado (não está contemplado o salário na operadora de telecomunicações, já que não consta do relatório da empresa). Tendo estado presente em 22 encontros dos conselhos de administração destas empresas, o advogado ganhou, por reunião, mais de 3700 euros.

O ex-vice presidente do PSD José Pedro Aguiar-Branco e agora ministro da defesa é outro dos "campeões"dos cargos nas cotadas nacionais. O advogado é presidente da mesa da Semapa (que não divulga o salário do advogado),da Portucel e da Impresa, entre vários outros cargos. Por duas AG em 2009, Aguiar-Branco recebeu 8 080 euros, ou seja, 4 040 por reunião.


Segue-se António Nogueira Leite, que é administrador não executivo na Brisa, EDP Renováveis e Reditus, entre outros cargos. O economista recebeu 193 mil euros, estando presente em 36 encontros destas companhias. O que corresponde a mais de 5 300 euros por reunião.


O segundo mais bem pago por reunião é João Vieira Castro. O advogado recebeu, em 2009, 45 mil euros por apenas quatro reuniões, já que é presidente da mesa da assembleia geral do BPI, da Jerónimo Martins, da Sonaecom e da Sonae Indústria



Proença de Carvalho é o responsável com mais cargos entre os administradores não executivos das companhias do PSI-20, e também o mais bem pago. O advogado é presidente do conselho de administração da Zon, é membro da comissão de remunerações do BES, vice-presidente da mesa da assembleia geral da CGD e presidente da mesa na Galp Energia. E estes são apenas os cargos em empresas cotadas, já que Proença de Carvalho desempenha funções semelhantes em mais de 30 empresas. Considerando apenas estas quatro empresas (já que só é possível saber a remuneração em empresas cotadas em bolsa), o advogado recebeu 252 mil euros. Tendo em conta que esteve presente em 16 reuniões, Proença de Carvalho recebeu, em média e em 2009, 15,8 mil euros por reunião.
.................
Embora não desempenhem cargos de gestão, os administradores são bem pagos. 
Por cada reunião do conselho de administração das cotadas do PSI--20, os administradores não executivos - ou seja, sem funções de gestão - receberam 7427 euros. Segundo contas feitas pelo DN, tendo em conta os responsáveis que ocupam mais cargos deste tipo, esta foi a média de salário obtido em 2009. Daniel Proença de Carvalho, António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, António Lobo Xavier e João Vieira Castro são os "campeões" deste tipo de funções nas cotadas, sendo que o salário varia conforme as empresas em que trabalham.


Podemos retirar daqui as conclusões que entendermos. Mas aceitar destes senhores comentadores de tv, que vão lá ganhar (mais) dinheiro para nos convencerem da necessidade de sacrifícios, a nós, quando eles mantêm as mordomias que se estão a ver, isso é demais.
Na manifestação de ontem, entre vários cartazes com muito humor, fixei um sério, muito sério. Dizia mais ou menos «Quando nos tiram tudo e já não temos nada a perder, então tudo é possível»
É nisso que os senhores das Agências e da troika deveriam pensar. Quando se aperta demais, é perigoso para eles, porque se não há nada a perder, então ...

Pé-de-Cereja

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Uma boa resposta

Helena Matos é jornalista.
Tem um curriculum importante. Actualmente dá a sua opinião no Público, para além do Basfémias. Ela é livre de escrever, assim como nós somos livres de não a ler. Aliás é o que tenho feito desde há algum bastante tempo.
Ontem ela deixou lá a sua opinião de um modo particularmente provocador. Não posso deixar o link porque é para quem paga e não irei pagar para isso... Hoje chegou-me por mão amiga uma resposta que me apetece deixar aqui na íntegra:

Em defesa da democracia indignada: uma réplica a Helena Matos

A dura crítica de Helena Matos ao movimento de ‘indignados’ no Público (13 Out 2011) será certamente tomada por muita gente como apenas mais uma peça de propaganda na luta aguda sobre as saídas da crise actual. É e não é.

Partilho algumas das suas preocupações quanto à ‘democracia genuína’ e a sua valorização da democracia representativa e constitucional. Ela diz basicamente que a democracia legítima deriva das urnas e não da rua. Contudo, o seu argumento parece-me demasiadamente formalista e unilateral.

Em primeiro lugar, há o problema da abstenção nos actos eleitorais. Pode-se afirmar que a abstenção é um exercício consciente expressando uma opção livre de participar ou não e, por isso, não põe um entrave à legitimação das maiorias constituídas nos actos eleitorais. Mas isso é um argumento meramente formal e inválido sociologicamente. Existem dinâmicas de exclusão que produzem uma parte da abstenção e que fazem com que uma parte substantiva dos abstencionistas na nossa sociedade não o seja inteiramente por expressão de livre vontade. Existem dinâmicas de disenfranchisement que operam mesmo sem o exercício de força.

Assim, em determinados momentos a participação na vida política do país ocupa outros palcos e arenas. Isto é sobretudo o caso de situações em que as clivagens de luta social são definidas não apenas por programas partidários elaborados para efeitos eleitorais mas por movimentos de protesto contra poderes instituídos.

Na conjuntura actual de crise do sistema económico e financeiro e da implementação de programas de austeridade, os próprios poderes instituídos – os poderes reais e não apenas formalmente constituídos – não possuem mais legitimidade democrática do que os movimentos de protesto. Não é preciso ser ‘marxista’ e ‘esquerdista’, como insinua Helena Matos, para avançar um argumento sério de que o poder real, que está a definir a crise da enorme maioria da nossa população, é o poder invisível do sistema financeiro capitalista globalizado e o poder visível dos homens que controlam as suas instituições e beneficiam da nossa miséria e insegurança.

Numa situação de crise como a actual, a democracia representativa e constitucional não tem respostas adequadas para largas camadas da população e até cristaliza alianças políticas de interesses que actuam com o intuito de resolver a crise em conformidade com as suas preferências. Estamos numa situação única, de crise do sistema socioeconómico que está a produzir um conflito profundo entre camadas da população.

Seria desejável que a crise pudesse ser resolvida pelo funcionamento normal das instituições da democracia representativa e constitucional. O problema é que os mandatos que emergem de um acto eleitoral podem não ter legitimidade efectiva e absoluta durante todo o prazo da sua vigência e podem nem sequer ser explícitos no seu conteúdo. Isso é de facto o caso de todos os últimos governos – que foram eleitos com base em programas eleitorais que foram contraditos praticamente no dia a seguir a sua tomada de posse. A nossa democracia representativa e constitucional simplesmente não é transparente. E na situação actual qual é o mandato que o nosso Governo está a traduzir nas suas políticas concretas: o mandato dos eleitores ou o entendimento com a troika constituída por entidades alheias e não eleitas? E, enquanto o Governo procura impor as reivindicações da CIP/AIP e os interesses privados esfomeados pelas migalhas do estado social – fazendo da concertação um palco para a exibição da sua prepotência anti laboral e anti-social, aonde poderemos encontrar a legitimidade democrática?

Helena Matos reflecte com bastante razão sobre os riscos envolvidos em situações em que existem reclamações antagónicas quanto à legitimidade do poder político em nome da democracia ‘genuína’. As suas observações com base na história do PREC são relevantes – mas não neste contexto politico. As clivagens sociais e lutas produzidas pela crise actual não são bem equivalentes às clivagens ideológicas e políticas do PREC.

É evidente que as manifestações internacionais e no nosso pais foram organizadas por gente ‘radical’ – entre a qual muitos eventualmente negariam a legitimidade da democracia representativa e constitucional em detrimento da mobilização da rua. Mas então? Isso é inteiramente normal – massas de pessoas não convergem espontaneamente a uma hora e num local sem o apelo de alguém. Todavia, o que caracteriza – pelo menos potencialmente – as manifestações dos ‘indignados’ e de ‘Occupy Wall St.’, nos EUA, é que, apesar do ‘radicalismo’ dos protagonista e das suas palavras de ordem, elas têm encontrado eco e recepção positiva em grandes massas de pessoas – muitas das quais levadas à politica pela primeira vez, ou seja, pessoas normalmente passivas e abstencionistas. É o efeito inevitável desta crise histórica e do transparente desequilíbrio de poder real entre os detentores do capital financeiro e os seus agentes e a enorme massa da população.

Teremos que ver quem se manifesta no Sábado. Quem serão eles e elas? Serão apenas os radicais? Duvido. Irei e não me acho assim tão radical! Mas já agora, acho que os protagonistas radicais destas movimentações estão a fazer um grande serviço à democracia – sejam quais forem os seus motivos ideológicos (e espero que não imponham as suas perspectivas sobre os outros participantes). É que a democracia representativa e constitucional tende a esvaziar-se em tempos de crise se for apenas um palco de legitimação dos interesses do capital financeiro globalizado e precisa necessariamente da inflexão da luta social.

Alan Stoleroff

 Subscrevo:
Pé-de-Cereja

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A «casa da Mariquinhas»

As lojas de penhores são, infelizmente, uma 'instituição'. Sempre ouvi referência a isso, de um modo discreto ou por meias palavras que as pessoas tinham vergonha. E os prestamistas, usurários, eram olhados de lado. 

«Entrei e onde era a sala agora está
À secretária um sujeito que é lingrinhas», 

«....às tantas
Vai parar ao "invejoso"... »
Ora bem, nessas alturas de vacas magras - porque elas só engordaram ligeiramente após o 25 de Abril - tudo servia para os penhores. Tudo, mas tudo o que existia numa casa podia ser empenhado. Roupas, móveis, objectos decorativos, louças, tinham um valor e quem estava habituado já sabia quanto é que ia receber pela bengala do avô, pelo serviço de chá da tia, pelo binóculo do tio-avô marinheiro. Recebia-se «uma cautela», e quando se tivesse dinheiro para resgatar o objecto, ele voltava a casa. Ou não, é claro...
Desde há alguns meses têm aparecido que nem cogumelos num bosque húmido, dezenas de lojas com letreiros «COMPRA-SE OURO». Assim, sem mais.
Algumas acrescentam «ouro usado», outras especificam que «pagam a pronto», e há quem explique que «paga a dinheiro». Já não é a versão de penhores, é mesmo puro e duro, a compra de bens.
É um grande barómetro. Referido assim, como «o seu ouro», fala-se da reserva bancária das pessoas mais simples. Ainda pouca gente tinha conta no banco, e já se passava de avós para netas um cordão de ouro, a herança da família. Essas jóias, brincos, pulseiras, medalhas e sobretudo cordões, eram divididas pela família quando falecia uma avó. Ou eram recebidas em datas importantes, casamentos, baptizados.
Quando hoje vejo rua sim, rua não, balcões onde se «compra ouro» sinto um nó no estômago. Não, eu não tenho «ouro» para vender, dois ou três anéis com mais de 100 anos, se têm um enormíssimo valor sentimental vendidos a peso é menos que nada. Não falo por mim. Mas se essas lojas abriram é porque lhes vale a pena pagarem o espaço. É porque existe quem esteja em desespero a vender aquilo que os avós lhes deixaram com tanto amor.
Sinto um grande peso no estômago sim.



Pé-de-Cereja

domingo, 9 de outubro de 2011

«...e o povo não aguenta»

A palavra de ordem é antiga. Quem se lembra de ouvir:
«O custo de vida aumenta
o povo não aguenta” ?
Afinal esta recordação antiga vem relembrar que temos andado desde há muito tempo a sentir apertar cada vez mais o famoso cinto. Claro que quando se cantava esta palavra de ordem, há muitos muitos anos, nem se imaginava que íamos aguentar aquilo que se está a aguentar hoje! Temos aguentado mais, e mais, e mais, com protestos é natural, com desabafos, mas... vamos aguentando surpreendentemente.
Enquanto por muitos países se vai vendo a indignação manifestar-se com maior ou menos veemência, nas ruas, em abaixo-assinados, em movimentos de cidadãos, a revolta vai crescendo como é notório, nós protestamos baixinho.
Não apenas protestamos baixinho como nos auto-punimos. Que a crise tenha esta ou aquela origem, que a gigantesca manipulação das super-poderosas agências de rating seja indesmentível, o cidadão que lê os títulos dos jornais e escuta a primeira notícia do telejornal, sabe logo que «a culpa é nossa»
Porque gastámos mal. Porque a corrupção invade tudo. Porque os gestores são uma lástima. Porque somos preguiçosos. Porque o governo é um capacho da troika. Porque o governo anterior foi uma nódoa.
E é verdade. Infelizmente todas estas acusações são verdade (tirando essa coisa da preguiça, que é muito discutível) e talvez ainda mais um punhado de outras. Em nome da dignidade seria bom que se corrigisse tudo isto. Mas...
...mas o que se passa com as dívidas dos outros países? Deixando de lado os países europeus que estão a cair como pedras de dominó, o que se passa com os EUA?! Não é só agora que eles têm uma enorme dívida soberana, pois não? E no Japão? Grandes países com grandes economias estão a tremelicar como gelatina. Há qualquer coisa de muito errado na estrutura neoliberal.
Contudo o que me levou hoje a escrever aqui no Cerejas foi o reparar no jeitinho que tem a nossa (e não apenas a nossa) comunicação social em assobiar para o ar.
Este fim-de-semana falámos de futebol.
Não acho mal. Quando se anda muito desmoralizado, haver algo que corre melhor é bom. Também fiquei contente com o resultado da Selecção. Mas, valha-me Deus, quando existem  manifestações em Wall Street há uma semana, quando essa onda transborda de Nova York para Washington e Los Angeles, as nossas primeiras páginas falam-nos de politiquices e faits-divers... Aquela imagem podia dar ideias à nossa gente tão ordeira, e desatar a «incendiar as ruas» (??!) como teme o primeiro ministro.
Haja paciência? Ná! Já houve paciência a mais!!!!




(clique na imagem)

Pé-de-Cereja

sábado, 1 de outubro de 2011

«Vai-se indo....»

Há frases feitas e respostas estereotipadas que já nem ouvimos.
O cumprimento habitual «Como está? Passou bem?» de um modo geral não obtém como resposta a verdade verdadeira que, aliás ninguém teria paciência de ouvir. Dá-se uma resposta formal e apressada.
Desde há uns tempos que este «Como está?» se foi diluindo numa outra frase, creio que nascida no Brasil, «Tudo bem?» a que se responde sem se prestar atenção ao que se diz «Tudo bem!»
Já por aqui batalhei várias vezes contra esse falso optimismo. Apesar de, por distracção, também entrar no jogo de vez em quando, quando paro uns segundos sinto-me ridícula. TUDO bem???! Nunca, é claro! Impossível, a não ser no Paraíso.
Hoje passava na rua quando ouvi a troca velhinha de cumprimentos e a resposta foi «Vai-se indo...»
Era uma senhora nada nova, que caminhava devagar com um saco de compras.
Ela lá ia.
Lentamente.
E a resposta era correcta «Vai-se indo...»
Não era uma lamuria, um queixume, não, o tom era calmo. Mas pressupunha toda uma vida de luta, bem difícil. E ela lá seguia carregando o seu saco.
«Vai-se indo»



Pé-de-Cereja

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Demasiada informação

Será que podemos «saber demais»? À primeira vista, saber é bom, ‘o saber não ocupa lugar’ como se diz, ou seja o conhecimento nunca é demais. É o que parece.
Contudo, desde há uns anos que nos chove informação sobre os benefícios e malefícios de tudo e mais alguma coisa. Sobretudo na esfera alimentar é assustador. Quase tudo o que comemos ou podemos comer, faz muito bem ou faz muito mal conforme sopra o vento!
Uma canseira.
Muita coisa faz mal. Só não «sabe» quem não quer saber que o sal faz mal e muitíssimos alimentos estão cheios de sal. Quanto ao pão tem tido altos e baixos. Desde ser o principal alimento, símbolo de O ALIMENTO, até quase ser banido porque engordava muito, porque tinha sal, depois voltou a ser recuperado, se for completo e com menos sal... Afinal em que ficamos? Sabemos que a gordura faz mal. Fritos nem pensar, assados assim-assim, guisados é melhor não, seguro é comer as coisas cozidas, porque mesmo os grelhados se forem em carvão podem fazer mal. A carne só se for branca, peixe era bom mas pode ter mercúrio, legumes são aprovados mas podem ter pesticidas, e mais isto e mais aquilo...
Mas li há pouco é que afinal o café faz bem UAU!!!!
Para uma apreciadora de café como eu, é uma notícia excelente. E que vem juntar-se aos benefícios do vinho  e ainda (que bom!!!)
...aos do chocolate e
...aos do chá, ou 
...da canela,
...do leite, 
...do tomate,
...da banana, 
...dos espargos,  
...ou ainda do pepino!!!!?
Ufff...! Chega!
.....................................

Já tinha 'alinhavado' este post, links e tudo, faltavam só uns retoques quando li na Visão um artigo falando exactamente nisto, referindo os «mitos relacionados com a comida». Diz lá:  'houve tempos em que a carne vermelha era saudável e a massa má; depois a massa passou a ser boa, e a carne vermelha era terrível, o que durou até surgir a mania Atkins e as regras voltarem a mudar' (tal e qual o que penso!) Refere as mil e uma dietas, e acrescenta 'Com cada cura surge um problema; cada nova verdade acaba por ser em parte um mito'
Afinal o que se quer é bom senso. 'Quer ser saudável? Então esqueça as bebidas light e os alimentos pobres em gordura. Em vez disso como alguns ovos, leite gordo, sal, gordura, nozes, vinho, chocolate e café'
Afinal o que eu queria dizer e por outras palavras está lá escrito é que acho que se pode e deve comer um pouco de tudo, sem preocupações, sem exageros a não ser esporadicamente. O conhecimento é bom desde que não fiquemos obcecados por ele. E acreditemos que é tudo bem relativo, o acreditar que determinado alimento «é um veneno» como oiço dizer, é só uma forma de falar. Afinal até muitos venenos em pequeninas doses não matam!




Pé-de-Cereja

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Vestuário e Bom Senso

Não gosto de fardas.
Não aprecio, simplesmente. Não sou fundamentalista como algumas pessoas que quase ficam com pele de galinha ao ver uma farda mas, mesmo em miúda, não era das que ficavam encantadas ao ver um marinheiro ou aviador só por estarem fardados. :D Por outro lado reconheço que nalguns casos têm a sua razão de ser. Um toureiro de jeans e t-shirt não era a mesma coisa, um médico ou enfermeiro numa sala de operações têm de ter batas. O resto são hábitos culturais. No meu tempo os alunos usavam batas a tapar a sua roupa (bata que aliás podiam vestir à entrada da escola e despir à saída...) coisa que hoje repudiam com energia, mas por outro lado agora adoram fardar-se de capa e batina mesmo com um calor de derreter!...
Bem, mas adiante.
Se a obrigatoriedade de um fato especial para uma profissão é discutível, imagina-se que exista bom senso em relação ao que se veste de acordo com o local onde se trabalha.
Na passada semana passei um dia inteiro no corredor de um tribunal. É ambiente que conheço muito mal. Tinha sido chamada como técnica sobre um caso que estava a ser julgado e, se estava calma sobre o que ia dizer, o local deixava-me nervosa. Para além das pessoas que esperavam para entrar nas diversas salas de julgamento, em pé ou sentados em cadeiras desconfortáveis, circulavam os-donos-da-casa [não sei o nome, oficiais de diligência (?), escrivães (?) enfim digamos os técnicos que dão apoio ao julgamento, os administrativos que fazem a chamada de testemunhas e orientam as pessoas]
Ora uma dessas pessoas que cirandavam por ali era uma senhora, já não nova - entre os 40 e os 50 anos - que vestia um top bem decotado de uma cor que fazia doer os olhos e uma saia que parecia um tutu. Um espanto de saia, mal lhe tapava as coxas e tinha tanta roda que ficava no ar. Completava a toilette uma espécie de fita-bandolette com uma grande  enorme flor de pano do tom da saia.
Assim, quando a vislumbrei a primeira vez, além de ficar de olhos arregalados, ainda me passou a ideia de que seria uma pessoa cheia de humor que queria 'alegrar' o ambiente, uma espécie de palhaça. Só que a esse vestuário inacreditável, não correspondia a uma cara bem disposta muito pelo contrário. Tinha um aspecto muito carrancudo, e falava com as pessoas ao repelão e num tom agreste e autoritário.
I-na-cre-di-tá-vel!
Era um caso, dado o seu ar mal disposto, onde até se poderia imaginar que ela tinha sido obrigada a apresentar-se naquele preparo. Assim, a modos, que uma praxe do tribunal...
Ná!
Impossível.
Mas era decerto uma pessoa desequilibrada. Que cada um tenha o direito a usar o que quer, até está bem, mas dentro de alguns limites. Aquela figura, naquele local, parecia estar a fazer pouco de quem ali estava tão preocupado. Uma completa ausência de bom-senso!



Pé-de-Cereja

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Direitos dos Consumidores

(Este desabafo vem na onda do post anterior)
Já há anos, há mesmo bastantes anos, que eu soube que os produtos em exibição nas montras das lojas, deviam ter expostos os respectivos preços. Quando tal me disseram fiquei admirada, porque tinha a convicção de que a maioria das lojas não seguia essa norma. Acredito que a ideia seria 'obrigar' o consumidor a entrar para conhecer o preço e depois, poderia ser 'trabalhado' pelo vendedor de modo a vir a consumir... Mas sim, foi-me garantido que o único comércio exento dessa norma eram as ourivesarias por terem produtos especialmente caros, creio eu.
Bem.
Todos sabemos que na prática essa lei não é cumprida. Só quando os comerciantes querem chamar a atenção por se tratar de promoções ou saldos é que os preços aparecem em letras grandes. De outra forma, são etiquetas bem pequeninas, muitas vezes viradas ao contrário ou tapadas com outros objectos.
Mas a história da multa aplicada à Livraria Barata veio chamar-me de novo a atenção para o caso - afinal a lei existe e quando dá na cabeça à fiscalização o comerciante até pode ser multado com exagero. Esse é um caso estranho, porque posso garantir que se esses fiscais continuassem o passeio com o mesmo zelo (e não sei em qual das livrarias Barata se deu essa prevaricação) iam encontrar montra sim, montra não, motivos iguais para intervirem.
Multas parece-me exagero, sobretudo multas daquele valor, mas a tal admoestação que afinal a lei também prevê, seria vantajoso. Se os comerciantes acreditassem que da próxima seria a terrível coima, passariam a ter mais cautela na afixação dos preços cumprindo a norma de "que o cidadão veja o preço imediatamente".
Ver o preço sem andar à procura dele.
Eu apreciava.


Pé-de-Cereja

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

De novo a publicidade enganosa

Eu sei que para se chamar «publicidade enganosa» deve provar-se que essa publicidade tem a intenção de enganar. E não é fácil prová-lo. Mas...
Cada vez mais eu sinto que estamos mergulhados num banho do que se poderia chamar assim, de tal forma a publicidade se apresenta quase sempre muitas vezes. O que actualmente se deve estranhar é quando não há nenhum  engano mesmo para os cautelosos!
Claro que esse engano pode assumir mil e uma formas. É essa a habilidade. Nos últimos tempos deu-me para prestar atenção e isso. Vamos ver:
a) Anuncia-se com estardalhaço um produto bom e barato. Avisa-se de que é uma promoção, e em letras pequeninas talvez digam que a oferta é limitada. Não se sabe é até que ponto pode ser limitada! Ainda há dias fui com uma amiga ao Corte Inglês comprar um LCD. Tinham-lhe metido no correio um desdobrável com uma imagem enorme desse produto e confirmamos na net as condições. Quando chegámos vimos um, igual ao modelo, em exibição. Dissemos ao vendedor que era aquilo que se pretendia. Tudo claro e fácil, mas...
Embaraço do homem. Ia ver se ainda havia. Tempos depois aparece a explicar que tínhamos sorte (?!), ainda havia 2... (quando saímos da loja, só devia ter ficado um, mas o anúncio continuava)
Esta história fez-me recordar outra amiga que, sendo a primeira cliente ao abrir da porta de uma loja,  já não encontrou o produto anunciado! Era a primeira cliente do primeiro dia! Fez tal escarcéu que lá apareceu um exemplar do anunciado.
b) Outro modelo do que pode levar ao engano, é escrever com grandes letras o preço e de um modo discreto o peso ou a quantidade. Muitas vezes me enganei com isso - custa só x euros mas não é um quilo, são 400 gramas! Ou é meia dúzia. Ou é um sapato em vez do par...! Nesta altura já estou treinada para verificar a que quantidade é que se refere, e sobretudo ver o preço ao quilo. Mas engana! Imaginem duas embalagens de espetadas, ao mesmo preço, uma pesa 300 gr e a outra 400, não é o mesmo, pois não?
c) Outro ponto «enganoso» são os descontos. Li esta história por acaso, mas é interessante. Neste caso foi a tempo a investigação do que estava escondido, mas quantas vezes apenas se vê o graaaande desconto, sem verificarmos afinal qual o preço correcto que o artigo deve ter, ou quanto custaria noutro local.
d) E já nem quero falar nos «brindes». É uma moda. «Leve isto e tem de brinde aquilo». Porquê?! Eu prefiro levar 'isto' se precisar, sem brinde e mais barato. Se quiser o 'aquilo' compro-o. Simples. Leve um par de óculos e outro de brinde...???!!! Só tenho um par de olhos, felizmente.
Ná!
Pode não ser enganoso, tecnicamente, mas induz ao erro.
Devia ser controlado.


Pé-de-Cereja