quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Nem sempre sou do contra....

Há uma medida recente sobre a qual só tenho ouvido críticas, e desta vez sou eu que não estou do contra 😁
E quando digo tenho ouvido críticas não estou a pensar em redes sociais apenas, embora seja aí, e até entre os meus maiores amigos, que encontre a maioria, é também por todo o lado e ao vivo. Ou em artigos de opinião como a Isabel Moreira ou até, há pouco tempo, a crónica do Ricardo Araújo Pereira na Visão. Ontem no autocarro, e na véspera na bicha da caixa do supermercado. Toda a gente irritada e muito crítica. É o pleno. É a unanimidade.
Fico confusa por dois motivos, é raro ver toda a gente de acordo sobre seja o que for, e também é raro ser a única que tem objecções quando o acordo é total. Na maioria dos casos costumo entrever no meio da generalidade de opiniões unânimes (?) uma ou outra voz que diz «pois é, tem razão, mas...» excepto nesta caso. Estou completamente isolada.
A questão é a famosa norma da «comida saudável» nos hospitais e centros de saúde.
É interessante porque eu até sou uma crítica das mais assanhadas quando o politicamente correcto me quer impor qualquer coisa, quer decidir por mim, não permite que seja eu com o meu livre arbítrio a escolher a decisão certa. Contudo, no caso em questão, sou a tal vozinha que diz «pois é, mas...»
Antes de começar a escrever fiz uma pesquisa e ainda só encontrei a norma relativa às máquinas de distribuição de alimentos, apesar de se falar por todo o lado dos balcões e cafeterias pelo que concluo que a norma já publicada , dos snacks, se estendeu agora a toda a alimentação fornecida nesses locais.
Ora bem, penso não ser discutível que a lista dos produtos que se devem evitar é correcta. Os fritos em muito óleo (croquetes, panados, rissóis etc) as sanduíches de alimentos processados e salgados, os folhados cheios de gordura como tem de ser, os temperos tipo maionaise, ketchup, o açúcar em exagero, cachorros, hambúrguers, pizzas, e por aí fóra ainda por cima vendidos em máquinas não podendo, obviamente, ser frescos... Estamos todos de acordo em como são produtos com demasiado sal, açúcar ou gordura, que deveriam ser evitados, não é? Ah, mas eu gosto muito e não me podem/devem impedir de os comer! 😕
Ora é aqui que eu penso «pois é, mas...»
Não se pode impedir, de modo nenhum, mas também não vale facilitar demasiado!
Aqui o ponto fulcral é venderem-se num estabelecimento de saúde! É esse o busílis. Cada um de nós pode comer ali o que muito bem lhe apetecer, se o trouxer consigo ou for até à pastelaria mais próxima, comprado ali dentro é que não. É assim tão estranho...?
Não tenho a certeza dos produtos que foram saneados, e aceito que tenha havido algum exagero, como muitas vezes acontece, e o exagero deve ser criticado. Mas de fome não se morre - têm sumo de fruta ou néctar, têm iogurte magro ou semi-gordo, tem leite, pode comer pão com fiambre, ou queijo, ou carne, ou atum, ou outros peixes de conserva, e pode comer fruta.
A alimentação é coisa delicada, se estamos num local que existe para tornar as pessoas saudáveis faz sentido não vender lá algo que a longo termo faça adoecer.
Detesto exageros fundamentalistas.
Mas este é um caso específico. tem de se começar por algum lado, e creio que este «lado» faz sentido. O que se come hoje não tem a ver com a louvada dieta mediterrânica, e nas máquinas o que se vê é um fast-food requentado - não obrigada.


a famosa batata de pacote...

Cereja


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Excesso de velocidade

Ponto prévio: eu sei que é muito mais fácil criticar do que propor uma boa sugestão.

Feita esta salvaguarda, considero a ideia de querer reduzir a velocidade para 30 km dentro das localidades de um grande exagero. Em Portugal  a intenção é com essa medida reduzir o número de atropelamentos. E, contrariamente ao que primeiro pensei, a ideia já paira noutros países: França e Inglaterra andam com essa ideia. E pelos vistos até em Nova York...
Como comecei por dizer não sei lá muito bem que sugestão serve para melhorar os excessos, mas 30 km de máximo (ou seja deve circular-se aí a 25) é passo de caracol, já o experimentei ontem em Lisboa e parece-me que vai ser um engarrafamento pegado.
Claro que se vêm por aí uns fitipaldi de aviário, a acelerarem estupidamente, mas nesse caso não cumprem a regra do máximo 50. Isso acontece muito, é claro. Já tenho sido «buzinada» para me despachar quando já vou quase a 50, mas isso é outra coisa. Custa-me aceitar que quem cumpra as regras e tenha bons reflexos não domine um carro se for a mais de 30...
Mas há duas ou três coisas:
Da parte dos condutores devem ter um tempo de reacção bom. E é visível que muitos não o têm,  é ver os semáforos - passa a verde, são imensos segundos até os carros começarem a andar, e por outro lado quando cai o vermelho ainda passam dois ou três carros muitas vezes! Isso é que é perigoso. E noutras situações tenho observado a lentidão de reflexos de muitos condutores.
Há muuuuitos anos, mesmo muitos, houve uns tempos onde trabalhei na avaliação de condutores que tinham tido problemas na condução. Essa avaliação era muito rigorosa na medição dos reflexos, tinha-se de passar por várias máquinas, e recordo uma que avaliava a atenção distribuída ou dividida. Era um painel grande onde em fracção de segundo se acendia uma luz que se tinha de apagar, tocava uma campainha onde se devia carregar, e mais vinte estímulos que nem recordo: girava um disco, caía uma bola, soava um apito, e a cada som ou imagem correspondia uma resposta imediata. Difícil? Sem dúvida, mas não mais do que a atenção que se deve ter ao volante onde se deve ter atenção a tudo e dar uma resposta imediata.
Do outro lado do problema está a educação dos peões. Primeiro acreditarem que-devem-atravessar-na-passadeira. É uma regra fácil, não é? E em seguida atravessarem prestando atenção ao que se passa à sua volta. Também parece fácil. Mas não é. Se temos os phones encaixados nas orelhas o que se está a ouvir, e muitas vezes altíssimo, é a nossa banda musical, não é o carro que se aproxima. Se estou a discutir ao telemóvel, ou a namorar, ou a dizer piadas, ou a coscuvilhar não vejo nem oiço mais nada, a concentração está toda no aparelho. (Não consegui transpor para aqui um vídeo muito engraçado de «educação de peões», de origem francesa, onde se filmava vários casos de peões que atravessavam  sem olhar, perfeitamente distraídos sendo assustados por um ruído intenso de travagem. Todos eles davam um salto e prestavam logo atenção!)
Por último, para se perceber os acidentes, seria também interessante olhar para o nosso parque automóvel. Dizem que a idade média dos nossos carros ultrapassa os 12 anos ! A sério! Não é preciso muitos estudos para se ver que mesmo muito estimado, um carro de 15 ou 16 anos pode estar pronto para vários acidentes, e a culpa não é só dos 50 km à hora.
................
Muita coisa em que pensar.



Cereja





domingo, 14 de janeiro de 2018

Casamento(s)

[tinha em rascunho várias notas para posts que comecei a escrever durante os meses de pausa mas que podem ser 'aproveitáveis', este é um deles]
Esta minha reflexão vai com a etiqueta Ontem e Hoje, nem sempre arrumo o que escrevo pelas etiquetas mas há casos onde se justifica. 

É inevitável para mim, ao ouvir falar naquilo que é preciso para casar nos dias de hoje na nossa terra, comparar com os costumes do passado recente (aí uns sessenta ou setenta anos) e neste mesmo universo, não num paralelo...😇
Posso estar enganada, mas tenho a sensação de que, como em muitíssimos outros costumes, também nesta área, inicialmente se fez sentir com intensidade a influência dos EUA, embora agora já não se reconheça essa influência. Ou, pelo menos, daquilo que se ia vendo através do cinema e televisão.
Comecemos pelo «pedido de casamento». Era uma cerimónia que creio que só se fazia na média e alta burguesia, porque se «pedia a mão» da noiva aos pais dela. Cá para mim começou por ter a ver com dotes e coisas dessas e daí a importância a concordância da família. É certo que por cá também havia o costume da noiva receber um anel de noivado, com uma pérola e um diamante - ela era a pérola e ele o diamante, diziam, porque o diamante brilha e a pérola reflecte a luz  😊
Nos pedidos de casamento de agora segundo tenho ouvido, a coisa passa-se só entre ele e ela, e essa parte está bem, até é melhor, mas o resto é todo um circo! O rapaz deve ajoelhar-se (!!!?) em frente da rapariga, e estender-lhe o estojo do anel enquanto pergunta se quer casar com ele. Constrangedor na minha opinião. E nalguns casos em público e quanto mais gente melhor. Mas não é suposto ser uma coisa íntima?
Depois vem a cerimónia do casamento. Todas as culturas o fazem e percebe-se, é dizer publicamente que aquele par vai ser uma família. E fazia-se uma festa, com mais ou menos luxo conforme o nível económico das famílias, mas com uma despesa comportável... Se as casas dos pais fossem pequenas, pedia-se a um familiar que tivesse uma vivenda ou um espaço maior e fazia-se lá o 'copo de água' e o bailarico. É do que me lembro, e de ouvir contar. Gastava-se bastante dinheiro, mas dentro do razoável. Hoje, pelo tal padrão do que se via no cinema, é obrigatória, e as despesas de um casamento são de loucura. Neste artigo informam que um casamento «modesto» custa cerca de 20 mil euros!!! Mais do que um ano inteiro de vencimento de um técnico superior.
É assim: a) o vestido de noiva, indispensável e sempre caríssimo, b) o catering ou seja o antigo 'copo de água' que era bem mais do que um copo de água, mas actualmente também tem custos astronómicos, c) as flores para o local da cerimónia e da festa, d) os convites, cartões etc, e) o aluguer do espaço onde vai ser a festa,  f)o fotógrafo para fotografar e filmar, g) o aluguer de carros de aparato para levar os noivos... nem me lembro agora de mais nada porque vejo só 20000 € ou até o dobro se houver muitos convidados...
Claro que a grande, grande diferença para a minha época é a naturalidade com que se encara a união-de-facto, coisa escandalosa no meu tempo e impensável no da minha mãe.
Claro! Com estes casamentos de cinema é bem mais sensato dar uma entrada para uma casa. E o casamento logo se vê...


Cereja

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

An apple a day... não, quero dizer, um escândalo caso por semana...


A nossa Comunicação Social trabalha que se farta, coitadita. 
Mas é interessante observar como as notícias se dividem claramente em filhas e enteadas. 
Primeiro, mostrando trabalho, tem de haver notícias(?) importantes todos os dias do ano. Isso parece ser o ABC da venda de jornais. Seja o que fôr, se foi falado ontem, é coisa velha e passamos a outra. É evidente que há notícias todos os dias, em Portugal e no Mundo, e isso é material que deve ser levado em conta, mas terá de haver parangonas sempre, e obrigatoriamente com temas chocantes ou escandalosos? Eles acham que sim. Uma boa notícia não é notícia. O ditado «Pas de nouvelles, bonnes nouvelles» traduzido às avessas «Bonnes nouvelles sont pas de nouvelles»
Segundo, e isso é que mais me choca, a Comunicação Social deixou há muito de tentar ser neutra e imparcial, obedece aos seus donos patrões de um modo cego, varrendo para debaixo do tapete aquilo que os incomoda, não procurando confirmação daquilo que diz, nem ouvir com imparcialidade os dois lados de uma questão. É frequente, até jornais «de referência», avançarem com informações que são quase logo desmentidas. Como é possível?! O descrédito do jornalismo.
Como entra pelos olhos dentro, esta Comunicação Social, empenhada em destruir um governo-geringonça enquanto trabalha para a vinda de um governo bloco-central, vai procurando sistematicamente «escândalos» a que possa ligar membros do governo. Como escreveu o Daniel Oliveira está montada uma Máquina de Indignar. Procura-se que os leitores vivam em contínua indignação. Foi a IPSS Raríssimas que quiseram à força ligar o Ministro Vieira da Silva. Depois veio o famigerado bilhete de futebol (que ainda por cima naquela bancada não custa dinheiro) do Ministro Centeno. Depois a parvoíce dos aquários muito gozada nas redes sociais: um imposto para a actividade de aquacultura, iria ser cobrado a qualquer aquário doméstico! Agora perfila-se a guerra sobre a PGR, se volta ou não no fim do mandato. Os maus querem mandá-la embora e os bons querem que fique (mesmo que a própria tenha defendido o mandato único ) e rimos no twitter: a saída da Joana Marques Vidal antes de ela poder abrir um inquérito ao caso tecnoforma é uma injustiça  😊
Mas a verdade é que há imensas notícias que não devem interessar nada, porque derretem como um floco de neve ao pé de uma fogueira. A EDP, por exemplo, junta-se à Galp e decide não pagar imposto, ou perdoa-se à Brisa 120 milhões (mas quem lhe deve um euro pode ter de pagar cem vezes mais...) ou o descalabro dos CTT a fechar balcões a a distribuir lucros pelos seus accionistas. Os focos cuidadosamente orientados para o que querem que a opinião pública pense.
Isso sim, isso é um escândalo.
E repete-se, repete-se, repete-se.....

Tenho de pagar imposto? Eu?



Cereja




terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Poupar «gastando» ou de como confundir o consumidor...


Tenho alguns temas, do tipo 'ódio de estimação', a que volto de forma recorrente, mas não consigo impedir de o fazer. E o consumo ou a forma habilidosa como se acena com a cenoura à frente dos burros que nós somos, é uma delas.
Por uma experiência recentíssima, voltei a pensar na acção maléfica que dá pelo nome de obsolescência programada. É coisa que tem cerca de 100 anos, mas actualmente está no auge sobretudo nas novas tecnologias claro. Quando ouvi a palavra obsolescência (?) a primeira vez achei que era nome de doença ou algo assim, senti logo que era coisa de alguma bruxa má. Claro que era. Quando eu era criança e se vivia no pós-guerra, essa tal obsolescência ainda não tinha chegado a Portugal, e faziam-se coisas para durar. Uma coisa boa, de boa qualidade, era a que durava mais. Disparate! Se durasse muito como é que o fabricante vendia o novo, o que ia fabricando? Ná, ná, o produto - electrodoméstico sobretudo mas atinge tudo - tem de se estragar rápido e sobretudo não haver peças para o arranjar, ou até mesmo as peças serem do preço de um novo. Qualquer um de nós sabe que um aparelho que se compra agora vai ter uma 'esperança de vida' bem inferior ao semelhante que já tínhamos há 20 anos... É a obsolescência.
Mas há outra técnica de venda, muito interessante, que nos toma por parvos e infelizmente resulta: vender grandes quantidades com o pretexto de assim fica mais barato. Quando o conselho é «leve 2 e pague 1» ainda se vai percebendo - ainda que possamos pensar que se querem fazer 50% de desconto bastava vender 1 por metade do preço. Mas muitas vezes a quantidade que impingem é enorme e de  pouco consumo ou com risco de se estragar. Não se vê «leve 2 dúzias de rolo de papel higiénico e pague 1» a não ser que seja uma grande porcaria de papel, invendável... Afinal aquilo é sempre preciso e não se estraga. Mas sacos com fruta, caixas com queijos, iogurtes, mesmo no prazo, o negócio é para o vendedor: quem compra não poupa nada, quando chegar às últimas peças já está tudo podre, o preço afinal foi... normal.
Voltando à minha infância onde de facto se poupava e aproveitava tudo, porque um-dia-pode-dar-jeito, havia na caixa de costura, por exemplo, umas caixinhas de botões onde se guardavam os já usados que voltavam a servir, ou fechos-éclair que se podiam aproveitar para outras saias ou vestidos... Ontem quis comprar um para arranjar uma coisa e entrei numa loja. Não, não era uma retrosaria, isso já desapareceu (quase) era uma loja que vendia tudo. E lá encontrei, pendurado, uma embalagem de fechos-éclair do tamanho que precisava. Embalagem?! Sim, embalagem com 4 fechos de cores diferentes. O conjunto era barato, pois era. Mas que raio ia fazer com as 3 cores de que não precisava? Talvez um dia precisasse??
E quando se vende 3 pares de óculos graduados iguais?  Para que quero eu mais 2 pares de óculos, a não ser que seja uma cabeça no ar que os perca? (aliás se perder 2 também perco seis ou sete....)
A palavra de ordem é vender! E o cliente vai acreditar que poupa embora até gaste mais.
Seremos assim tão parvos?

Eram uns belos pêssegos, não eram?

Cereja

domingo, 7 de janeiro de 2018

Começar do princípio, pelos alicerces


É um facto reconhecido. Portugal é um país mediterrânico com clima temperado (será?) com a particularidade de morremos de frio todos os Invernos...
Quando me queixo de estar calor ou estar frio há sempre um esperto qualquer que me diz que eu também me lamento no caso inverso. «Tens calor?! Gostas mais de ter frio?...» Pois é. Não gosto do muito. O que é demais é demais. O meu metabolismo é temperado. 😉
E tenho razão. Li ontem que Portugal é dos países europeus onde se passa mais frio dentro de casa portanto não é fantasia minha, andamos mesmo a rapar um frio do caraças! 
É certo que o aquecimento não é barato. É um escândalo o preço da electricidade em Portugal! É público que pagamos a electricidade mais cara da Europa o que não se entende a não ser pelas tais taxas e jogos confusos nos negócios desta área. E assim evitamos esse tipo de aquecimento doméstico, ficando muitas vezes pelos múltiplos agasalhos, assim tipo cebola...
Mas... Recordo muitas vezes, uma estadia na Bélgica há mais de 40 anos onde assisti ao maior nevão que podia imaginar. Começou a nevar quando cheguei e fiquei encantada, mas depois continuou sem parar 8 dias e o encanto foi-se porque ficou tudo encardido. Ora bem, assim que nos abriram a porta da rua da casa onde ficámos o frio atenuou-se com surpresa minha. Era o aquecimento central do prédio!!!
Ora o segredo de não se sentirem excessos climáticos, está na construção das casas. E isto não vai lá com remendos, ou se faz de raiz (de alicerce ) ou nunca fica como deve ser. As nossas casas têm paredes finas e sem caixa de ar, não se usa janelas duplas, a construção é fraquinha para ser barata creio eu. Portanto mesmo que se aqueça o interior esse calor foge para fóra, não há calafetagem que chegue. Até se encarar a sério o problema da construção vamos a continuar a morrer de frio no Inverno ou de calor no Verão.


Cereja




sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Já ando tão farta...

Marcelo.
A força da sua popularidade é tanta que basta um nome próprio. É certo que é um nome próprio invulgar, se o padrinho lhe tivesse chamado José, Manuel, António, João, não resultava. Há nas redes sociais quem queira desmontar este truque do primeiro nome e insista em se referir a Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa, mas é uma gracinha, porque nem sequer um apelido agora lhe dão (o «outro» é o Caetano). Caso único até agora, mesmo familiarmente, falava-se do Cavaco, o Soares, o Sampaio, o Eanes, honra de primeiro nome só Marcelo. Porque é inigualável!
Há uns tempos encontrei num blog um texto sobre o percurso de Marcelo que resume tal e qual o que andava a sentir sobre a personagem. Porque de início fui enganada, apesar de um tanto desconfiada e sentir dúvidas não quanto à sinceridade, que nunca acreditei, mas se a jogada era para durar. 
Escuso de dizer que não votei nele, embora visse logo que ia ganhar à vontade quando a Maria de Belém se candidatou. A esquerda não se sabe unir (com a honrosa excepção da geringonça) e o resultado foi aquela estrondosa vitória. OK. Ele andava há anos a fazer campanha, tinha um tempo de antena semanal sem contraditório, um avanço imbatível. Mas, os primeiros tempos foram para mim uma boa surpresa. Após a Múmia de Belém, era agradável o enorme contraste. O oposto: simpático, conversador, presente em tudo (ai, ai, ai...) culto, inteligente, foi refrescante. 
Os primeiros tempos até desagradaram aos seus correlegionários, vimos o PSD a amuar. O governo a que Cavaco dera posse com tão mau modo, foi elogiado e apoiado por este novo PR com alguma surpresa da esquerda. Via-se o Primeiro Ministro e o Presidente lado a lado, sorridentes, em harmonia como na famosa foto do guarda chuva. Parecia tudo cor-de-rosa, rosa shocking talvez, mais avermelhada do que rosa-bebé. 

Depois veio a fase do frenesim. O homem que não dorme (4 horas, diz-se)  levava as 20 em que estava acordado num corrupio frenético, com uma cauda de repórteres.  Uma delícia para os media! E algum enjoo para quem começava a estar farto, não havia um telejornal, um único, que não falasse da criatura. O que é demais, é demais.
Mas no segundo ano, o castelo de areia não aguentou. O homem da traição da vichyssoise revela-se. A manipulação sonsa está-lhe no sangue, faz de conta que não sabe coisas de que foi informado para tirar dividendos, manipula dados, adianta-se em comentários e opiniões onde não se vislumbra a tal solidariedade institucional... A guerra está declarada, mas de uma forma dissimulada, mascarada, sonsa. Afinal o que esperaria quem resistiu a deixar-se enganar, quem tem memória do que ele disse ao longo da sua vida política. Ainda a semana passada um acontecimento parou o país, Marcelo foi operado de urgência. Foi-o num Hospital Público, revelando sensatez porque são os melhores serviços, à saída mostrou-se satisfeito, mas a verdade é que ele tinha votado contra o Serviço Nacional de Saúde... 
Ah, pois é! Quem se dê ao cuidado de ir ver as posições que ele tomou ao longo da sua vida política pode achar interessante. 

O populismo das selfies, levado ao extremo. Há tantas piadas que é difícil escolher uma...






Cereja

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Pai Natal e outros considerandos...

Para mim o Natal é muito mais do que a cena das prendas. Quando era pequenina encontrava na base da minha Árvore de Natal dois ou três brinquedos, não vinham embrulhados via-os logo, mas se os pais ou avós trocavam prendas entre si não reparava. Nem me passava pela cabeça que era pouco, eu não esperava mais... E, sim senhor, eram prendas do Pai Natal porque me tinha portado bem 👧
Mas isto era no pós-guerra, nada a ver com o que veio a seguir. Hoje em dia, com algumas (poucas) resistências, é a festa do consumismo desenfreado, chega a assustar. Uma criança de hoje até faz uma lista daquilo que quer, e escreve cartas ao Pai Natal com pedidos específicos.  Li há pouco que os pais portugueses são dos mais generosos da Europa embora, como sabemos, estejam longe de serem os que vivem melhor. Mas o receio de desiludir os seus filhotes, faz ultrapassar o bom-senso. E é este ponto que me faz pensar. 
Inicialmente, a figura do Pai Natal, embora sorridente, bonacheirão, generoso, era também justiceiro. A sua prenda era para o «bom menino», o «mau» não levava nada! É certo que os maus, mesmo na recta final faziam o seu esforço e a história acabava bem, mas...  Nada estava garantido à partida, o presente não era um direito só por se ser criança, tinha de ser merecido. Isto nada tem a ver com a actualidade, na maioria dos casos. Certas casas com crianças parecem sucursais da Toy´s R Us. No dia seguinte nem sabem nomear tudo o que receberam, falam de dois ou três de que gostaram mais. Já ouvi dizer «recebi isto e aquilo e mais umas tantas porcarias» (!!)
Quando escrevi acima que há um ponto que me faz pensar referia-me ao receio de tantos pais de desiludir os filhos. A desilusão, o desapontamento, é uma dor forte. É tristíssimo, e bem o sabemos. Não cumprir uma promessa a uma criança é um dos pecados mais graves de um educador, e aconselho a nunca prometer se não podem cumprir. Para mim essa receita é muito importante, e a criança deve ser realista, ter uma expectativa de acordo com o ambiente onde vive. E só ganha se aprender e conseguir valorizar aquilo que pode ter.
( O texto está grande mas quero contar uma história de Natal inglesa, com prendas, e dois irmãos com feitios opostos: um era um absoluto pessimista e o outro um absoluto optimista. Na noite de Natal o pai foi deixar no sapato de um um relógio de ouro, e no outro uma bosta de cavalo. Na manhã seguinte ouviu duas vozes na cozinha, uma a choramingar e outra a rir. Foi a correr e ficou parvo: o pessimista choramingava «Ai a minha vida, um relógio de ouro, ai que medo que o roubem, que aflição...»  e o outro ria «Eu recebi um poney!!! Viva! Fugiu, mas não me importa! Tive um poney!!!» Lição - o importante é como se vêem/sentem as coisas) 


Cereja

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Quarto Poder

Não são iguais, sabemos. Os clássicos Três Poderes têm um peso e uma força diferentes. Sabemos que os cidadãos elegem o Legislativo, são os deputados da Assembleia da República tão criticados de um modo geral, e com tanta violência muitas vezes, que até parece esquecer-se que é a forma de haver democracia representativa. O Judiciário não é eleito, e isso é importante. É certo que a independência dos outros poderes dá-lhe força, mas presta contas a quem? * O Executivo, além do Presidente da República eleito directamente, representa também a vontade do povo, porque nasce do Legislativo, é indirectamente votado.
E agora aparece esse famoso Quarto Poder, um Poder absoluto. A Comunicação Social actualmente, e  pelos vistos por todo o Mundo, ultrapassa profundamente os limites da verdade e da justiça. Não são, obviamente, os jornalistas em si ou como classe mas sim os grandes grupos económicos que mandam nas notícias que se vai consumindo; aliás é fácil controlar os jornalistas, porque são os patrões/grupos económicos que lhes dão trabalho e lhes pagam... E, portanto as forças políticas apoiadas por esses tais grupos económicos.
Pronto, todos sabemos isto, mas apeteceu-me relembrar para situar bem a raiva com que ando a quem manipula tão descaradamente a opinião popular! Eu sei que se vê isso por todo o mundo (olhem para os EUA e a vitória do Trump) mas eu vivo em Portugal e todos os dias leio e oiço coisas que me dão volta ao estômago. Desde a mais grosseira mentira, falando de coisas que não se passaram assim, ou dando voz e 'tempo de antena' a gente que afirma inteiras falsidades com o maior desplante, até à manipulação da linguagem e do modo como se apresenta uma notícia com uma insinuação!
Li no FB uma chamada de atenção do Paulo Querido mostrando as notícias sobre as festas de Fim do Ano:  Em Lisboa, afirma-se que o Medina "gastou" um balúrdio (mesmo que isso já tenha sido explicado, essa verba vem de um patrocinador, com um fim específico) que no Porto, "custaram" um tanto (mais suave a expressão porque já se desconfia do Rui Moreira mas...) e no Funchal se "investiu" outro tanto nestas festas, os sensatos psd cujos gastos são investimentos. Mainada!
Isto é uma minúscula gota de água, mas vai moendo como no dito da água-mole-em-pedra-dura, para manter a imagem aquática.
Por exemplo, acho curioso o cuidado que se tem em referir um qualquer criminoso, como alegado qualquer coisa. Um tipo aparece ao pé da mulher esfaqueada, com a faca a pingar sangue, e entrega-se a dizer que ela estava a pedi-las ou coisa assim. Os repórteres, com cautela falam no 'alegado assassino'. Muito bem, apesar do exagero. Um político é acusado anonimamente de um acto qualquer, nem procuram ouvir a outra parte, pespegam com a história na 1ª página e desta vez não é 'alegado' coisa nenhuma, é como se fosse um facto indiscutível. Passa-se constantemente.
Aliás, a campanha (?) contra o Poder Legislativo dá frutos, a imagem que ganha força é de que «os-políticos-são-todos-iguais» e iguais pela negativa. Aliás esta lei desastrada do financiamento partidário caiu que nem sopa no mel. É a prova dos nove de que eles são todos iguais e corruptos e desta não se safam.  Acabei há minutos de ler Marcelo chumba classe política por mau comportamento
Pronto.
Marcelo, o impoluto Marcelo, o beijador de velhinhas e crianças, que segundo os media considera que 2017 foi um mau ano, passando uma borracha por tudo o que foi positivo, (não foi isso que ele disse mas foi essa a leitura repetida até à náusea) afinal não é um político, distancia-se da «classe» mal comportada.
O grave é que quem lê e ouve as informações manipuladas, as fake news, as invenções sem pés nem cabeça depois não se dá ao trabalho de ouvir os desmentidos. Quando eles conseguem aparecer....
E assim vai o Mundo... (quero dizer a Comunicação Social mas é quase o mesmo)


Cereja

* é a minha 'pedra no sapato', a arrogância da magistratura não me cai nada bem :)



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Ano Novo, retorno...

Desta vez foram meses de silêncio, e confesso que quanto mais tempo passava mais difícil se tornava voltar... De vez em quando havia um assunto que me parecia particularmente interessante, e chegava a escrever um texto para o Cerejas, mas... estão ali, nos bastidores, em rascunho! Estive a contar aí uns 10 rascunhos de temas que já não vale a pena voltar a focar. 
Já se sabe que o tempo doirado dos blogs, já lá vai.
Eu escrevia no meu blog como faço hoje no facebook, com a diferença de deixar o link para a notícia com bastante mais dificuldade, não era clicar no artigo e «partilhar»!!! Não senhora, inicialmente tinha de escrever agátêtêpê+doispontos+duasbarras+abrir aspas+o endereço+fechar aspas+sinal de maior+inserir o que queria que se visse+sinal de menor+barra+a minúsculo... e fechar!!! E pronto! Dava um bocadinho de trabalho, mas a coisa era tão repetida que já nem pensava, era automático!
E as fotos!! Confesso que nem me lembro do código que era preciso, mas era coisa difícil! Recordo bem a primeira vez que consegui deixar uma foto ampliada, e que vaidosa me senti por esse feito!
Bem, este relambório é para justificar a mim mesma porque agora ando mais pelo FB e abandonei o meu querido Cerejas que não merecia isto.
Portanto, decisão de Ano Novo: Dois amores como cantava o Marco Paulo. Para o Cerejas conversa de blog, para o FB, conversa de FB!
.......
Até já!
 (bem, quero dizer «amanhã» também nada de exageros....)

Cereja