sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Já ando tão farta...

Marcelo.
A força da sua popularidade é tanta que basta um nome próprio. É certo que é um nome próprio invulgar, se o padrinho lhe tivesse chamado José, Manuel, António, João, não resultava. Há nas redes sociais quem queira desmontar este truque do primeiro nome e insista em se referir a Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa, mas é uma gracinha, porque nem sequer um apelido agora lhe dão (o «outro» é o Caetano). Caso único até agora, mesmo familiarmente, falava-se do Cavaco, o Soares, o Sampaio, o Eanes, honra de primeiro nome só Marcelo. Porque é inigualável!
Há uns tempos encontrei num blog um texto sobre o percurso de Marcelo que resume tal e qual o que andava a sentir sobre a personagem. Porque de início fui enganada, apesar de um tanto desconfiada e sentir dúvidas não quanto à sinceridade, que nunca acreditei, mas se a jogada era para durar. 
Escuso de dizer que não votei nele, embora visse logo que ia ganhar à vontade quando a Maria de Belém se candidatou. A esquerda não se sabe unir (com a honrosa excepção da geringonça) e o resultado foi aquela estrondosa vitória. OK. Ele andava há anos a fazer campanha, tinha um tempo de antena semanal sem contraditório, um avanço imbatível. Mas, os primeiros tempos foram para mim uma boa surpresa. Após a Múmia de Belém, era agradável o enorme contraste. O oposto: simpático, conversador, presente em tudo (ai, ai, ai...) culto, inteligente, foi refrescante. 
Os primeiros tempos até desagradaram aos seus correlegionários, vimos o PSD a amuar. O governo a que Cavaco dera posse com tão mau modo, foi elogiado e apoiado por este novo PR com alguma surpresa da esquerda. Via-se o Primeiro Ministro e o Presidente lado a lado, sorridentes, em harmonia como na famosa foto do guarda chuva. Parecia tudo cor-de-rosa, rosa shocking talvez, mais avermelhada do que rosa-bebé. 

Depois veio a fase do frenesim. O homem que não dorme (4 horas, diz-se)  levava as 20 em que estava acordado num corrupio frenético, com uma cauda de repórteres.  Uma delícia para os media! E algum enjoo para quem começava a estar farto, não havia um telejornal, um único, que não falasse da criatura. O que é demais, é demais.
Mas no segundo ano, o castelo de areia não aguentou. O homem da traição da vichyssoise revela-se. A manipulação sonsa está-lhe no sangue, faz de conta que não sabe coisas de que foi informado para tirar dividendos, manipula dados, adianta-se em comentários e opiniões onde não se vislumbra a tal solidariedade institucional... A guerra está declarada, mas de uma forma dissimulada, mascarada, sonsa. Afinal o que esperaria quem resistiu a deixar-se enganar, quem tem memória do que ele disse ao longo da sua vida política. Ainda a semana passada um acontecimento parou o país, Marcelo foi operado de urgência. Foi-o num Hospital Público, revelando sensatez porque são os melhores serviços, à saída mostrou-se satisfeito, mas a verdade é que ele tinha votado contra o Serviço Nacional de Saúde... 
Ah, pois é! Quem se dê ao cuidado de ir ver as posições que ele tomou ao longo da sua vida política pode achar interessante. 

O populismo das selfies, levado ao extremo. Há tantas piadas que é difícil escolher uma...






Cereja

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Pai Natal e outros considerandos...

Para mim o Natal é muito mais do que a cena das prendas. Quando era pequenina encontrava na base da minha Árvore de Natal dois ou três brinquedos, não vinham embrulhados via-os logo, mas se os pais ou avós trocavam prendas entre si não reparava. Nem me passava pela cabeça que era pouco, eu não esperava mais... E, sim senhor, eram prendas do Pai Natal porque me tinha portado bem 👧
Mas isto era no pós-guerra, nada a ver com o que veio a seguir. Hoje em dia, com algumas (poucas) resistências, é a festa do consumismo desenfreado, chega a assustar. Uma criança de hoje até faz uma lista daquilo que quer, e escreve cartas ao Pai Natal com pedidos específicos.  Li há pouco que os pais portugueses são dos mais generosos da Europa embora, como sabemos, estejam longe de serem os que vivem melhor. Mas o receio de desiludir os seus filhotes, faz ultrapassar o bom-senso. E é este ponto que me faz pensar. 
Inicialmente, a figura do Pai Natal, embora sorridente, bonacheirão, generoso, era também justiceiro. A sua prenda era para o «bom menino», o «mau» não levava nada! É certo que os maus, mesmo na recta final faziam o seu esforço e a história acabava bem, mas...  Nada estava garantido à partida, o presente não era um direito só por se ser criança, tinha de ser merecido. Isto nada tem a ver com a actualidade, na maioria dos casos. Certas casas com crianças parecem sucursais da Toy´s R Us. No dia seguinte nem sabem nomear tudo o que receberam, falam de dois ou três de que gostaram mais. Já ouvi dizer «recebi isto e aquilo e mais umas tantas porcarias» (!!)
Quando escrevi acima que há um ponto que me faz pensar referia-me ao receio de tantos pais de desiludir os filhos. A desilusão, o desapontamento, é uma dor forte. É tristíssimo, e bem o sabemos. Não cumprir uma promessa a uma criança é um dos pecados mais graves de um educador, e aconselho a nunca prometer se não podem cumprir. Para mim essa receita é muito importante, e a criança deve ser realista, ter uma expectativa de acordo com o ambiente onde vive. E só ganha se aprender e conseguir valorizar aquilo que pode ter.
( O texto está grande mas quero contar uma história de Natal inglesa, com prendas, e dois irmãos com feitios opostos: um era um absoluto pessimista e o outro um absoluto optimista. Na noite de Natal o pai foi deixar no sapato de um um relógio de ouro, e no outro uma bosta de cavalo. Na manhã seguinte ouviu duas vozes na cozinha, uma a choramingar e outra a rir. Foi a correr e ficou parvo: o pessimista choramingava «Ai a minha vida, um relógio de ouro, ai que medo que o roubem, que aflição...»  e o outro ria «Eu recebi um poney!!! Viva! Fugiu, mas não me importa! Tive um poney!!!» Lição - o importante é como se vêem/sentem as coisas) 


Cereja

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Quarto Poder

Não são iguais, sabemos. Os clássicos Três Poderes têm um peso e uma força diferentes. Sabemos que os cidadãos elegem o Legislativo, são os deputados da Assembleia da República tão criticados de um modo geral, e com tanta violência muitas vezes, que até parece esquecer-se que é a forma de haver democracia representativa. O Judiciário não é eleito, e isso é importante. É certo que a independência dos outros poderes dá-lhe força, mas presta contas a quem? * O Executivo, além do Presidente da República eleito directamente, representa também a vontade do povo, porque nasce do Legislativo, é indirectamente votado.
E agora aparece esse famoso Quarto Poder, um Poder absoluto. A Comunicação Social actualmente, e  pelos vistos por todo o Mundo, ultrapassa profundamente os limites da verdade e da justiça. Não são, obviamente, os jornalistas em si ou como classe mas sim os grandes grupos económicos que mandam nas notícias que se vai consumindo; aliás é fácil controlar os jornalistas, porque são os patrões/grupos económicos que lhes dão trabalho e lhes pagam... E, portanto as forças políticas apoiadas por esses tais grupos económicos.
Pronto, todos sabemos isto, mas apeteceu-me relembrar para situar bem a raiva com que ando a quem manipula tão descaradamente a opinião popular! Eu sei que se vê isso por todo o mundo (olhem para os EUA e a vitória do Trump) mas eu vivo em Portugal e todos os dias leio e oiço coisas que me dão volta ao estômago. Desde a mais grosseira mentira, falando de coisas que não se passaram assim, ou dando voz e 'tempo de antena' a gente que afirma inteiras falsidades com o maior desplante, até à manipulação da linguagem e do modo como se apresenta uma notícia com uma insinuação!
Li no FB uma chamada de atenção do Paulo Querido mostrando as notícias sobre as festas de Fim do Ano:  Em Lisboa, afirma-se que o Medina "gastou" um balúrdio (mesmo que isso já tenha sido explicado, essa verba vem de um patrocinador, com um fim específico) que no Porto, "custaram" um tanto (mais suave a expressão porque já se desconfia do Rui Moreira mas...) e no Funchal se "investiu" outro tanto nestas festas, os sensatos psd cujos gastos são investimentos. Mainada!
Isto é uma minúscula gota de água, mas vai moendo como no dito da água-mole-em-pedra-dura, para manter a imagem aquática.
Por exemplo, acho curioso o cuidado que se tem em referir um qualquer criminoso, como alegado qualquer coisa. Um tipo aparece ao pé da mulher esfaqueada, com a faca a pingar sangue, e entrega-se a dizer que ela estava a pedi-las ou coisa assim. Os repórteres, com cautela falam no 'alegado assassino'. Muito bem, apesar do exagero. Um político é acusado anonimamente de um acto qualquer, nem procuram ouvir a outra parte, pespegam com a história na 1ª página e desta vez não é 'alegado' coisa nenhuma, é como se fosse um facto indiscutível. Passa-se constantemente.
Aliás, a campanha (?) contra o Poder Legislativo dá frutos, a imagem que ganha força é de que «os-políticos-são-todos-iguais» e iguais pela negativa. Aliás esta lei desastrada do financiamento partidário caiu que nem sopa no mel. É a prova dos nove de que eles são todos iguais e corruptos e desta não se safam.  Acabei há minutos de ler Marcelo chumba classe política por mau comportamento
Pronto.
Marcelo, o impoluto Marcelo, o beijador de velhinhas e crianças, que segundo os media considera que 2017 foi um mau ano, passando uma borracha por tudo o que foi positivo, (não foi isso que ele disse mas foi essa a leitura repetida até à náusea) afinal não é um político, distancia-se da «classe» mal comportada.
O grave é que quem lê e ouve as informações manipuladas, as fake news, as invenções sem pés nem cabeça depois não se dá ao trabalho de ouvir os desmentidos. Quando eles conseguem aparecer....
E assim vai o Mundo... (quero dizer a Comunicação Social mas é quase o mesmo)


Cereja

* é a minha 'pedra no sapato', a arrogância da magistratura não me cai nada bem :)



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Ano Novo, retorno...

Desta vez foram meses de silêncio, e confesso que quanto mais tempo passava mais difícil se tornava voltar... De vez em quando havia um assunto que me parecia particularmente interessante, e chegava a escrever um texto para o Cerejas, mas... estão ali, nos bastidores, em rascunho! Estive a contar aí uns 10 rascunhos de temas que já não vale a pena voltar a focar. 
Já se sabe que o tempo doirado dos blogs, já lá vai.
Eu escrevia no meu blog como faço hoje no facebook, com a diferença de deixar o link para a notícia com bastante mais dificuldade, não era clicar no artigo e «partilhar»!!! Não senhora, inicialmente tinha de escrever agátêtêpê+doispontos+duasbarras+abrir aspas+o endereço+fechar aspas+sinal de maior+inserir o que queria que se visse+sinal de menor+barra+a minúsculo... e fechar!!! E pronto! Dava um bocadinho de trabalho, mas a coisa era tão repetida que já nem pensava, era automático!
E as fotos!! Confesso que nem me lembro do código que era preciso, mas era coisa difícil! Recordo bem a primeira vez que consegui deixar uma foto ampliada, e que vaidosa me senti por esse feito!
Bem, este relambório é para justificar a mim mesma porque agora ando mais pelo FB e abandonei o meu querido Cerejas que não merecia isto.
Portanto, decisão de Ano Novo: Dois amores como cantava o Marco Paulo. Para o Cerejas conversa de blog, para o FB, conversa de FB!
.......
Até já!
 (bem, quero dizer «amanhã» também nada de exageros....)

Cereja

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Quem vê caras....


Eu luto um pouco contra as 'ideias feitas' e os estereótipos, mas é claro que a nódoa cai em todo o tipo de pano 😌
Ilustração desse provérbio:
Tenho na minha rua uma lojinha a que não o que devo chamar. Lugar? Mercearia? Vende sobretudo hortaliças e fruta, mas tem um pouco de tudo. Um espaço pequeno, um pouco sombrio, propriedade de (um indiano ? paquistanês?) um homem de pele escura, sorridente, de português macarrónico, muito atencioso.
Os preços são impressionantemente baixos. E os produtos são saborosos embora sem grande aparência. A fruta, exposta fóra da porta, é pequenina e desigual, nada de encher o olho como nos expositores das grandes superfícies, e como está ao ar livre, sem refrigeração, vai amadurecendo conforme lhe bate o sol... Não há lá ar refrigerado! Mas a dita fruta, assim enfezada por vezes, tem muito mais sabor do a vistosa dos supers!!! Assim como os legumes, batatas, cebolas, alhos, é tudo baratíssimo e saboroso.
Não vou lá tantas vezes como a loja merecia porque se situa no caminho oposto ao que utilizo todos os dias, e esqueço-me dela. Mas já reparei que é frequentada por muitas velhotas (senhoras idosas?) da zona, que se calhar param ali quando vêm da Farmácia ainda mais abaixo depois de medir a tensão arterial... Ontem quando lá entrei um casal estrangeiro falava em inglês com o dono, uma conversa animada, ouvida com atenção por uma das tais velhotas. Quando ficámos sós, ela perguntou-lhe «Ah! Falas inglês?!». Fazendo conversa eu, sorridente e talvez com uma pontinha de superioridade, respondi-lhe «Com certeza que fala... Deve ser mesmo a sua segunda língua! Fala melhor do que português, e melhor do que nós...»
Com surpresa minha, a senhora de pele muito enrugada, cabelo grisalho mal penteado, vestido trapalhão, e sinais de muito poucas posses, vira-se para ele e começa a falar em inglês! Não, não era inglesa, as palavras saiam um pouco hesitantes como quem procura o termo mais correcto, era uma portuguesa a falar um bom inglês! Ele, bem mais à vontade do que eu tinha ficado, perguntou como é que ela falava tão bem, e ouvimos a resposta - tinha sido professora de inglês!!!
Senti-me envergonhadíssima com o meu preconceito.
Vendo-a naquele lugar e com aquele aspecto, automaticamente classifiquei-a como uma avozinha-dona-de-casa com os conhecimentos adequados à aparência. Creio que corei de vergonha.
..........


Pois é as caras não acertam com o coração, ou com o passado de cada um.

Cereja

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Dominó - branco ou preto




Li há pouco no twitter: «portugal dominó: o salvador não presta, o fernando santos é horrível, o marcelo é um troca-tintas, e o costa ainda vai matar-nos a todos»
Certo, era de um twitter que tem bastante graça, e mais uma vez foi tiro certo. Assim vai a nossa opinião pública. Um pêndulo (de newton, com várias bolinhas) 
Faz-me alguma impressão sobretudo quando esqueço a prudência e me deixo apanhar por um dos extremos, ou o facebook onde tenho quase só amigos que pensam como eu, ou o extremo dos comentários anónimos (?) dos jornais.
No caso do fb é mau para o mim porque acabo por não levar em conta que as pessoas que pensam exactamente o contrário de mim são tantas, tantas. tantas... e que a minha 'amostra' está muuuito viciada. No caso do dominó, ou antes 'jogo de damas', são só pedras brancas. Erro. Aliás o lado artificial do fb é notório quando alguém deixa uma foto pessoal, que recolhe sistematicamente comentários dizendo «liiinda!», «pareces uma estrela!», «lindíssima!!!» o que como se calcula não pode ser verdade. Faz-me sempre sorrir porque é um jogo - quem deixa a foto sabe bem que não é lindíssima, e quem diz os exageros sabe que lhe vão dar desconto.

No outro extremo, as pedras pretas, estão os 'comentários' dos leitores mais ou menos anónimos  que todos os dias se dão ao trabalho de «analisar» as notícias da imprensa. Por exemplo, um artigo do New York Times inventariando as mentiras do Trump desde que chegou ao governo, coisa óbvia e que só refere factos. E, enfim, o New York Times é um jornal respeitável com mais de século e meio de existência, 118 prémios Pulitzer. Ora vejam, se tiverem curiosidade em ler os comentários que se seguem a este artigo ficam com uma ideia do que se passa na cabeça das pessoas! Exemplos tirados a copy/past :
a) Mentiras de Trump? ...ou mentiras sobre Trump...? b) Os media não se conformam com a vitória de Trump. c) ...e o anterior foi melhor? d) Os outros estavam mais preparados para fazer a mentira parecer mais verdade,aqui a única coisa é mesmo a perseguição que existe ao homem. *( ler no fim da página uns bem piores, com palavrões e tudo, escolhidos ao acaso) 
Poderia ser «normal» [hmm...] se lêssemos alternadamente outras opiniões, discordando deste lixo. Mas o que me deixa desnorteada é que isso raramente acontece! Neste caso, quando o li, em toda a página só lá estavam este tipo de comentários. E ocorre em todos os artigos que leio e onde me atrevo a ler comentários. De vez em quando aparecem uns ingénuos a querer deitar água na fervura, mas são logo corridos a poder de insulto e palavrão. As «caixas de comentários» dos jornais são caixotes do lixo, comentários grosseiros e com uma visão radical de direita de todo o mundo.
Impressiona-me.
Seria interessante que se fizesse um estudo sociológico - estão a fazer estudos por tudo e por nada! - para saber confirmar a classe socio-cultural destes opiniadores. Se, como parece, forem pessoas de 'poucos estudos' devemos refletir como é que a direita e até a extrema-direita domina tão completamente neste meio.
Mas para não me subir a tensão arterial vou voltar para o meu mundo confortável do facebook, irreal mas onde as discordâncias são aceitáveis.



Cereja
* e) Como sempre digo enquanto os caes ladram a caravana passa... chorem mais um bocadinho idiotas anti-Trump que ele promete oferecer-vos um lenço para limpar as lagrimas do vosso focinho kkk 
f ) impressionante como a FDP dessa media esquerdista nao se conforma com a vitoria desse grande homem que é o Trump. Os fdp criaram um inimigo de estimacao e alvo a abater nas suas cabecinhas cheias de mer... tipica da mentalidade podre esquerdista (pró bic...hanices apa- neleirados, lgbts, feminismos, ideologias degenero, mania da vitimizacao, e perseguicao das pobrezinhas minorias,etc) Para os anti-Trump aconselho que enfiem um desses supositorias pelo buraco do c-u acima que essa vossa  TRUMPOFOBIA passa logo...
g) continua a azia dos média, e ataques cobardes, com a tentativa de formatação da opinião pública.O que não entrou na cabeça dos média é que estão ultrapassados, e foram expostos nas  suas fakes news e ideologia esquerdalha.Ainda têm mais sete anos de azar pela frente. E os média portugueses vão na onda. ..em vez de informar opinam. Depois queixam-se da lixeira em que está o jornalismo, salvo raras excepções.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Uma cansativa luta quase diária

Havia uma ideia-feita, nos estereótipos mulher-homem, que afirmava que as mulheres gostam de fazer compras. Ponto final. Desde miúda que ouvia isso. Tinha dois aspectos a) como as mulheres gostavam, homem que é homem não se devia preocupar com isso b) metendo no mesmo saco tudo o que fosse compra ridicularizava um tanto a mulher mas de uma forma leve. Claro que ao sair de casa dos pais, dava conta que o papel higiénico não se materializava na casa de banho, e o pão depois de comido não voltava à caixa do pão. Alguém velava para que isso acontecesse....
E, sabemos que a maioria das coisas que precisamos sempre de comprar são necessidades, muitas vezes urgentes mesmo que rotineiras. E em Portugal, onde a média dos salários é ainda tão baixa, menos de metade da União Europeia, temos de olhar cuidadosamente para os preços e estar sempre a fazer comparações. Porque, para quem o não faz, o 'fim do mês' chega bem mais cedo do que o fim do ordenado.
Mas como o grande comércio tem uma ganância desmedida, a publicidade e os truques atacam em força. É uma guerra aberta, entre o consumidor e o grande vendedor. Muito cansativa... Truques aos montes: 1- os carrinhos dos supers são muito grandes porque vendo poucas coisas lá no fundo parece que se comprou pouco 2 - os produtos mais baratos estão nas prateleiras mais em baixo onde escapam ao olhar normal 3 - não é nada fácil comparar preços e quantidades ( é obrigatório mostrar o preço do produto ao quilo mas mal se vê o dístico onde isso está) 4 - muitas vezes vende-se quantidades enormes numa embalagem porque «sai mais barato» mas eles escoam os stocs e o produto vai apodrecer é em casa do comprador 5 - alguns produtos parecem baratos, mas as embalagens não são de meio quilo como parece, são 400 gr (uma libra ) que é um peso que não se usa cá,  etc, etc. Vivemos numa caça ao embuste mas legal (!!!)  que há cuidadinho com a lei...

E os letreiros? Quando há muitos, muitos anos vi pela primeira vez o 99 fiquei a pensar e sorri. «Olha que ideia! Menos um tostão?!»  Parecia-me ridículo. E era. Mas afinal estava psicologicamente certo. Hoje quase todos os anúncios usam o vírgula noventa e nove. Já não se usa escrever um preço sem apêndice. Mesmo quando um cêntimo não altera em nada o gasto que se faz. É o costume 😖
E há outro truque 'engraçado'. Há pouco fui quase vítima dele. Imagine-se muitos objectos num expositor e por cima um letreiro que se via bastante ao longe: TUDO A (em letras muito grandes) e por baixo letra ainda maior, 5 € . Hmmm... valia a pena. Como até precisava, escolhi um de que gostei. Já perto da caixa fui confirmar e li 20 €. Como?? Voltei a aproximar-me do cartaz, e lá estava, entre a linha do Tudo a e a linha dos 5€ estava, em letra bem pequenina, escrito partir de . Não era mentira que estava lá «Tudo a partir de 5€». Se calhar em 10 havia 2 de 5 €.
Este tipo de jogo é fatigante. Não se está entre pessoas de bem.
Hoje já não oiço tanto essa conversa das mulheres «gostarem» de fazer compras, talvez porque já vemos muito mais homens a empurrar carrinhos. E compreendem a canseira que dá detetar tanta armadilha. Uma guerra quase diária.


Não deviam ser 9 em cada 10 a usar o sabonete Lux, mas que inocência de anúncio!

Cereja

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Reflexões

Gostava de começar com um texto excelente que a Isabel Faria deixou no facebook. Diz  aquilo que eu gostaria de ter dito  * que neste caso gravíssimo do descontrolo florestal todos fomos culpados, porque, em certa medida, não levamos suficientemente a sério. Mesmo os mais activos e comprometidos politicamente não se preocuparam o bastante - fazíamos manifestações, abaixo-assinados, até greves, por questões laborais, problemas de saúde ou educação, mas a floresta era para 'os ecologistas' eles que se ralassem. Eu não atiro a primeira pedra. reconheço.
Mas há coisas de que oiço hoje especialistas falarem pela primeira vez, talvez porque 'hoje' têm tempo de antena, e oiço outras vozes, de há muitos anos. Tenho uma grande amiga que nasceu numa aldeia. Filha de pais rurais e sem muitos meios viveu na aldeia até aos 13 ou 14 anos quando começou a trabalhar (!). Refere que os terrenos dos pais e vizinhos estavam sempre limpos, e esses pequeníssimos agricultores até recebiam paga para 'permitir' que lhes limpassem as matas, porque se aproveitava tudo. A erva para comida do gado, tudo o que fosse galho ou restolho para o fogão e aquecimento. Os terrenos não ficavam com nada que pudesse arder, mas ela já há anos que dizia que essa limpeza agora sai caríssimo!
No outro dia ouvi na TV o eco das palavras da minha amiga, na voz de um engenheiro silvicultor, quase as mesmas palavras que ela usava. Uma das sugestões dele, era que os resineiros que só têm trabalho 8 meses por ano fossem pagos os outros 4 meses pelo governo para esse trabalho de limpeza do restolho.
Porque uma das coisas que eu não sabia era o peso do privado na posse de floresta ou, dito de outra forma, a pequeníssima parte  pertencente ao Estado. Afinal cerca de 85% da floresta portuguesa está em propriedade privada,apenas 3% pertence ao Estado, os restantes 12% são baldios.
Parece que a percentagem pertencente ao Estado é uma das menores da Europa. Três por cento! Ou seja se a posse é privada a responsabilidade de cuidarem deles também é «privada». O que complica muito essa responsabilização quando, pelo que se sabe agora, muitos proprietários nem sabem onde estão as suas terras 
Desmazelo? Confusão. Respeito total e absoluto pelo direito de propriedade? Ficamos de boca aberta de espanto. A propriedade é sagrada e este ponto?! 

Talvez pelo pior dos motivos agora haja um grande safanão. 
Nacionalizem tudo e devolva depois  a quem provar a sua posse. E com obrigação de cuidar verdadeiramente dela.  É certo que isto piorou muito com o cultivo do eucalipto que cresce depressa, dá lucro com a venda da madeira, mas é muito inflamável. É urgente cortar os que existem e não se plantar mais, mas não chega. É toda uma mudança, até de mentalidade, que se tem de fazer. As matas devem ser limpas como a nossa casa.
Afinal o nosso país, a nossa terra, é a nossa casa.

Cereja

* procurar o texto dia 21/
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terça-feira, 20 de junho de 2017

O Horror

Tinha vários textos em rascunho para deixar aqui no blog quando me apetecesse, mas agora não me apetece, sinto que neste momento até é de mau gosto publicar coisas leves ou engraçadas. Só me é possível pensar no pesadelo que se vive agora na nossa terra. Têm sido notícias sempre e sempre piores, quando se pensava que era apenas uma noite horrível, vamos vendo que o horror continua, mais e mais e mais e o incêndio expande-se e não se deixa controlar.
Mas uma coisa são as notícias, reais, de factos, objectivas, concretas, que são já suficientes para nos deixar apavorados. As audiências já só podem ser enormes, é impossível não o serem.
Portanto não é preciso serem aumentadas com os relatos de jornalistas como abutres a alimentarem-se do desgosto alheio, apanhados com o mais profundo sofrimento. E, infelizmente, todos, ou quase todos, ficamos de boca aberta com a inacreditável falta de ética jornalistica que muitos dos nossos repórteres mostram. Muitos. Também ouvi reportagens correctas, de jornalistas que correm riscos físicos para trazer informação, e a esses agradeço o esforço e aplaudo-os.
Mas.
Há já vários anos, quando a Diana Andringa foi presidente do Sindicato de Jornalistas, falando exactamente de ética ela disse-me que fazia parte das normas nunca se entrevistar ninguém que estivesse debaixo de grande emoção. Uma questão de respeito, creio eu. Recordo essa conversa muitas vezes. Fazia sentido.
Se calhar já nessa altura, há mais de 20 anos, a regra não se cumpria completamente. Mas, desde há uns tempos, com os tabloides portugueses e a tv também taboide, na verdade faz-se exactamente o oposto, provoca-se a emoção antes de a pergunta! Até parece que se o entrevistado não estiver debaixo de uma emoção extrema, de raiva, de paixão, de medo, de susto, é tempo perdido falar com ele...
A procura do sensacionalismo, como se a realidade não fosse suficiente, é constante. E não sou a única a pensar assim. Deu brado, com tanta repercussão nas redes sociais que já se abriu um inquérito na  Entidade Reguladora para a Comunicação Social a reportagem da TVI protagonizada por Judite de Sousa, que falava ao lado de um corpo. Não se entendia a falta de sensibilidade, tanto mais vinda de uma pessoa que já passou por um luto doloroso e foi respeitada no seu desejo de não ser exposta na dor. E que é professora de comunicação social! 
Mas foi um caso entre muitos. Demasiados! Expliquem-me como é possível fazer uma entrevista (?!?) a alguém que perdeu a mulher e duas filhas com 12 e 15 anos horas antes! Porque se insiste em perguntar «Como se sente?» a gente que tem de estar de cabeça perdida, louca de dor. A sofreguidão de captar clientes aos outros órgãos de comunicação social não pode justificar tudo!
.......................
Afinal entre estas duas capas qual a que nos chama a atenção?
Qual a que tem mais impacto por ser inesperada?


Cereja

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Outra vez a educação

Volto sempre à vaca fria. A educação. Por educação não estou a pensar na escola, e sim no que se aprende desde bebé na intimidade da família, mais importante na minha opinião. Podemos sempre completar a escolaridade, há gente bem idosa que aprende a ler e escrever, mas o comportamento é moldado na infância.
Li há poucos dias um post da minha amiga Isabel Faria, no facebook. Relatava, no seu estilo pessoalíssimo, uma conversa que ouvira num café. O post,  não teve assim lá muitos comentários ou 'gostos', teve alguns é claro, mas merecia mais. Dizia ela: Quando ouço algumas conversas entre filhos adolescentes e pais de filhos adolescentes, ou pouco mais que isso, dou-me conta que sou mesmo muito careta. E que tive mesmo muita sorte. Acabei de fugir do café sem saber se me apetecia mais dar um grito na pirralha que dizia à mãe aos gritos "sei lá se vou jantar ou dormir a casa pá,, como e durmo onde quero..." Ou um tabefe à mãe que lhe pede em voz baixa e vacilante "Mas se puderes avisar...para eu poder dormir descansada...E tem cuidado com o multibanco...não percas esse também... ". São todos assim, ainda ouvi a mãe dizer à amiga...enquanto esta acenava com a cabeça que sim. Podia desmentir a senhora...mas, na volta, comigo ela ainda levantava a voz...
Eu não ouvi esta menina, mas tenho ouvido outras ou o relato de pais desconcertados sem saber como responder a atitudes destas. A verdade é que isto é uma semente que é plantada cedo. Recordo um menino num infantário, quase bebé, aí com uns 2 anos, que chamou a mãe que estava afastada a falar com alguém. Ela acorreu, apressada, e baixou-se para ouvir o que ele queria. Ele balança a mão e dá-lhe um estaladão que deixou uma marca na cara... A mãe, faz um sorriso amarelo, e diz-lhe «se era para isto escusavas de me ter chamado». Ouvi eu! 
Na história da teenager está tudo. Para começar o tom com que fala com a mãe. É um tom com que não deve falar com ninguém e/mas sobretudo com alguém mais velho. Quando eu era criança, entre raparigas usava-se o termo «coisinha». Chamávamos umas às outras, não sei como nasceu a mania. «Oh coisinha, vens ali comigo?» «Oh coisinha, fizeste o tpc de matemática?» Mas era ternurento, um modo carinhoso de falar. Certo dia, distraída, disse a uma avó «Oh coisinha, o que é o lanche?» e recebi um olhar que me pôs no lugar! «Coisinha?!!! Achas que tenho a tua idade?!». Fiquei logo em sentido. Numa família há e deve haver hierarquias, por mais afecto que exista. 
E tem de haver autoridade. 
A inexistência de autoridade gera um caos. Não há limites para nada, como se tudo fosse permitido 'porque-sim' e ainda por cima estes jovens desatinados não se sentindo obrigados a nada, não tendo de prestar contas de coisa nenhuma a ninguém, decidem que têm todos os direitos. A menina desta história ouvida no café, declarava mal-criadamente que não tinha de dizer à mãe para onde ia, nem o que fazia, mas tinha acesso à conta da família com o cartão multibanco... Imagina-se que adulta vai ser? 
Comecei por falar no tom usado e na linguagem, porque me parece importante. Há regras que parecem em vias de extinção que não são de etiqueta são de simples cortesia. Cumprimentar com Bom Dia, dizer 'por favor', 'obrigado', 'com licença', mostra que nos importamos com os outros.
Simples.
Não se vive sozinho, vivemos em sociedade. 



Cereja