Embirro um tanto com a insistência do «eu sou do tempo em que...»; afinal, tenhamos que idade tivermos, somos sempre «do tempo» qualquer coisa... Mas estou sempre a repeti-lo, afinal é inevitável, quando a maioria das pessoas com quem falo são muito mais novas.
Desta vez apetece-me falar das comunicações e do tal «meu tempo»
Ultimamente tenho passado bastante pelo twitter, escrevo lá muito pouco mas vou bisbilhotar. Apanho as notícias mesmo a sair do forno, e espreito aquilo que os senhores importantes pensam disto e daquilo. Correcção, «aquilo que os senhores importantes querem dizer publicamente sobre isto ou aquilo». É divertido.
E deu-me para pensar na evolução das técnicas de comunicação.
Há quase um mês deixei aqui um post onde
lembrava o primeiro telefone da minha casa. Era uma época onde se comunicava por escrito. Escrevia-se muito. Cartas ou postais, toda a gente escrevia. Para urgências havia telegramas. Claro que tínhamos também telefones, mas se não era 'chamada local' tinha de ser através da menina dos telefones e levava mais tempo...
Foram muitos anos até se ter banalizado o telefone, sobretudo para maiores distâncias. Lembro-me de andar já na Faculdade e, nas férias, escrever-me com colegas/amigos que tinham ido passar férias «à terra». E guardava(mos) cartas. Hoje em dia sorrimos com essas recordações.
Depois vulgarizou-se o telefone. Quase todas as casas o tinha, e habituámo-nos a usá-lo. Adolescentes monopolizavam-no. Várias tomadas nas casas ou fios compridos para se falar em qualquer divisão. Já se 'conversava' ao telefone, deixou de ser apenas para dar recados.
Anos depois, veio a net com o correio electrónico, e o terrível telemóvel.
Zás! Destronou-se definitivamente as cartas tradicionais. Era tudo muito mais rápido. O telemóvel permitiu comunicar-se em qualquer momento e em todo o lado. O email, destruiu o correio em papel. Até documentos sérios como facturas, podem chegar por email.
E vieram as redes sociais.
Facebook. Comecei por desconfiar. Para quê, aquela coisa?! Se quero estar com os meus amigos telefono ou vou tomar um café! Beeem... Algumas grandes amigas gostam muito e vou experimentar. Huuum! OK, encontrei lá pessoas de quem tinha perdido o rasto há séculos. Acabo por ceder - tem a sua utilidade. E é muito rápido.
Agora experimentei o twitter.
É ainda mais rápido (e não o tenho no telemóvel para não gastar mais dinheiro!) e mais abrangente.
Sinto alguma vertigem, confesso.
E vejam bem como vou escrevendo o blog que, afinal, (o próprio nome indica) é a modernização do meu velhíssimo diário, que escrevi durante toda a adolescência!
Depressa, depressa, depressa, cada vez mais depressa.
Pé-de-Cereja