domingo, 6 de maio de 2018

Comércio de Bairro

Já por aqui tenho falado no comércio local do meu bairro o comércio do ponto de vista do utilizador, neste caso de mim e o meu bairro. 😏
E até creio que falei já nesta lojinha .Ela pode podia ver-se como «um lugar de hortaliça», que era mais ou menos o correspondente a este estabelecimento quando eu era pequena. Porque, prioritariamente, vende fruta e hortaliças, mas a assinalar que estamos a viver no século XXI também lá há produtos que seriam de «drogaria» na minha infância, e bastantes enlatados coisa que também não se via nos «lugares», e até vende pão uma vez que já não há «padarias». (A tal «portuguesa» não é obviamente uma «padaria»)

Gosto de lá ir. É perto de casa. E sobretudo tem 2 vantagens enormes 1 - é muito mais barato do que no «outro comércio» e 2 - não há bichas, nos minipreços e pingosdoces temos de esperar e muitas vezes bastante tempo pela nossa vez, ali é super rápido mesmo que esteja lá outra cliente ele vai atendendo as duas ao mesmo tempo. E o raminho de salsa ou coentros não é pago, é só pedir...
A lojinha é de um indiano. Ele e família, muitas vezes está a mulher, e também se vê o filho a fazer os trabalhos de casa. O rádio está sintonizado num posto que fala uma língua exótica (tradução de exótico: que eu não identifico) e por vezes ele suspende o que está a fazer para ouvir o que dizem. É isso que nos mostra que estamos no século XXI, esta imagem não se concebia em meados do século passado!
Mas a clientela é quase toda de senhoras mais ou menos idosas, motivo deste texto. Enquanto ontem eu escolhia a fruta para levar, uma outra cliente apalpava as pêras. «Hmmm... estão muito rijas...» e foi avaliar outra fruta. Há actualmente imensos termos novos o que não faria mal nenhum se não se perdessem os menos novos, até enriquecia a nossa língua. Mas não é o caso. Há imensos que caíram em desuso como o caso do adjectivo «rijo». Neste caso rijo quer dizer duro, podia ser 'forte' também, mas ouve-se já muito raramente essa palavra. É uma palavra de época, como a senhora que a proferiu.
Assim como também 'tem data' o saco que eu tinha levado para trazer as compras. O senhor enquanto pesava duvidou «isso aguenta?» mas depois lembrou-se «ah! havia desses dantes! É antigo, não é?» e no seu português com sotaque aplaudiu «Eram muito bons, sim!»
Assim vai o comércio da minha rua.
A pobre explorada menina do pingodoce não teria tempo para estas saborosas conversas. Mas ali, sim. Viva este comércio de proximidade!!!


Cereja

domingo, 29 de abril de 2018

Cada um é como quer...

Frase popular cada um é como quer significa afinal, no feitio de uma pessoa não se mexe, deixem-no em paz, não impliquem...
E só pode ser louvado. Nós somos - felizmente! - diferentes, cada um tem os seus hábitos, ou as suas «manias» e por isso nos associamos e somos amigos. Mas há coisas engraçadas como, por exemplo, quando uma dessas características pessoais irrita um pouco quem tem a correspondente oposta 😉
Ontem tive uma troca de piadinhas no facebook, que me apetece prolongar por aqui, onde tenho mais espaço para dar a minha opinião. Acontece que a propósito deste tempo bipolar, onde 'dia sim dia não' é Inverno e 'dia não dia sim' é Verão, me lamentei porque depois de uns dia mais seguidos de calor tinha limpo e arrumado o meu guarda-roupa de Inverno (!!!) e tirado da arca e passado a ferro o que uso quando faz calor. A casa é pequena não tenho espaço para ter tudo pendurado. Uma amiga (verdadeira) comentou «ainda bem que sou desarrumada!» e outra riu-se, e aplaudiu «eu também!». Entrei na brincadeira e respondi-lhes «pois eu sou muito preguiçosa para ser desarrumada!» o que provocou alguma estranheza.
Aqui, com mais tempo e espaço, explico o que quero dizer.
Vamos imaginar 2 grupos opostos, as pessoas desarrumadas e as pessoas arrumadas, esquecendo para facilitar a caricatura as pessoas 'normais' que não caem em extremos e possivelmente será o caso das minhas amigas.
A ideia feita é, ao contrário do que lá escrevi, que quem é desarrumado é que é preguiçoso, não se rala em deixar as coisas no lugar, deixa-as em qualquer sítio por ser mais fácil. E é. É mais fácil no imediato. Para deixar-ficar-em-qualquer-sítio basta um segundo. Só que tempos depois quando precisa dessa tal coisa, inicia-se uma caça ao tesouro que pode dar uma trabalheira e até precisar de ajuda... Como todos temos a experiência, até as pessoas normais de vez em quando não encontram qualquer coisa, quem não passou por tal...?!  Onde é que deixei as chaves? Onde está o livro que estava a ler? Viste o carregador do telemóvel? Aliás há objectos que parece terem uma habilidade especial para se esconderem, óculos por exemplo! Creio que mesmo quem for muito arrumado por natureza pode sofrer um percalço desses de vez em quando.
Mas na balança desarrumado versus arrumado, o arrumado tem a vida infinitamente mais fácil! É indiscutível que o tempo que leva a deixar uma coisa no sítio, é muitíssimo menor do que aquele que precisa para o procurar e achar!!! Mas há uma ressalva importante: nunca se deve arrumar as coisas dos outros! É um erro gravíssimo e que leva a um ódio de morte, porque o efeito pode ser catastrófico.
Voltando ao princípio, dou-me bem com o meu feitio de arrumada. Poupa-me stress inútil. Raramente se ouve lá em casa depressa-onde-raio-está-o-comando-quero-apanhar-o-que-está-a-dar-no-canal X porque os comandos estão sempre no seu sítio (a não ser que alguém tenha mexido).
Mas isto sou eu.
Deus me livre de impingir o modelo.
Afinal, «cada um é como quer» e ainda bem



Cereja

sábado, 14 de abril de 2018

Polícias do Mundo

Antes de mais nada, este problema da Síria deixa-me muito confusa, não sei quem são «os bons» ou quem são «os maus» e até me parece que são todos maus. Portanto, não será disso que se trata não tenho motivos para defender uma opinião, apenas tenho uma pena imensa de quem lá  (ainda) vive.
Mas...
Dizem que foi um triunvirato, Inglaterra, França e Estados Unidos, que tomou hoje uma decisão gravíssima.  Quando invadiram o Iraque também eram (?) 3, mas a França substitui hoje a Espanha. Deve ser o «Conselho de Segurança» em versão simplificada, parece que o verdadeiro tem 15 membros, o Conselho Permanente com direito a veto são 5, portanto estes 3 têm um super-veto porque vetam os outros 2. A minha ideia é que existe ainda um super-super-conselho de segurança, conselho de um membro só, e que são os EUA.
Sou sincera quando digo que não sei quem são os bons ou os maus no conflito da Síria. A utilização das armas químicas é tão horroroso que faz inevitavelmente cair quem as usou para o lado dos «muitíssimo maus». Contudo entre o primeiro alarme e hoje passaram muitos dias, mesmo muitos, e ficamos a especular porque foi exactamente hoje, no dia em que os investigadores internacionais iam começar a investigar os factos, que o ataque se consumou destruindo o alvo da investigação. Parece que já não deve haver nada a investigar, se foi tudo bombardeado....
A indústria cinematográfica americana fornece-nos até ao enjoo imensos filmes e séries com os heróicos soldados norte-americanos a combater e até a morrer na defesa da pátria. Contudo, sem desmerecer, mas a verdade é que a sua pátria só foi atacada em Pearl Harbor no final de 1941.  Houve o ataque às Torres Gémeas, com mais mortos do que em Pearl Harbor, mas de resto o seu território nunca foi beliscado. Eles iam «defender a pátria» na terra dos outros, na Coreia, no Vietnam, no Médio Oriente. 
Eram, foram, e continuam a ser os Polícias. Não defendem nada a sua pátria, defendem a sua ideologia. É um pouco muito diferente. Defendem fisicamente a sua ideologia, atacando também fisicamente quem tem uma ideologia diferente. Sempre assim foi, e continua a ser. E o mexilhão que se lixa, quero eu dizer o povo desgraçado que é «defendido» ou «atacado» por estes samaritanos lá se tem de aguentar no meio de todos os horrores. Como a piada do escuteiro que se atrasou porque tinha estado a a ajudar uma velhinha a atravessar a rua, e quando estranharam ter demorado tanto, explicou «é que ela não queria vir!». Muitos dos povos «ajudados» pelos EUA nem queriam tal ajuda, mas teve de ser.
Mas se assim fosse como raio escoavam as armas? Com a indústria de armamento não se brinca. É certo que o «consumo interno» naquele país já é alguma coisa, mas é uma gota de água, em relação ao que é necessário.
Para isso é preciso fiscalizar como se portam todos os países do Mundo (pelo menos os do segundo mundo)  e intervir como bons polícias. Sempre assim fizeram e resulta muito bem.



Cereja

Confusões....

 Pois é....
                           




As redes sociais deliciaram-se.
Agora que parece abrirem-se fissuras na coesão da «geringonça», quando o governo parece tão interessado na diminuição do deficit, mesmo para além do planeado, que não se rala muito em voltar atrás em compromissos feitos com a esquerda, as confusões das bandeiras justifica-se. A verdade é que o artigo da revista The Economist não corresponde bem ao que se podia pensar quando se viu o boneco. Afinal, simplesmente o desenhador enganou-se e trocou os 'logos', o punho (ou rosa? ou um punho com uma rosa? já nem sei...) pelas setas. Calma.
Pronto, foi um engano.
Mas ainda ontem de manhã ouvi uma voz na rádio que explicava a importância da diminuição do deficit mesmo para além do que Bruxelas queria, dizendo que se estávamos melhor não queria dizer que se começasse a gastar sem olhar aos custos - não de recordo a forma que usou mas era um pouco «gastar sem reflectir». Ora eu achava que se tinha conseguido uma unidade de esquerda, ou seja se estava a defender um Estado Social, ou pelo menos «mais social» do que estava a ser com o governo PAF. Mas, se limitam a Cultura ficando muitos artistas pior do que estavam, se a Saúde está a levar tanto, tanto tempo, a melhorar que os corredores hospitalares continuam a servir de enfermarias, (como se viu com a história que chocou toda a gente das crianças em tratamento de cancro), se os transportes públicos não melhoraram nada ou quase nada, isso corresponderia a gastar sem reflectir?! Num país com o governo apoiado por uma maioria de esquerda?
Aquela seta cor-de-laranja pode ter sido um engano, mas parece uma confusão legítima.

Cereja

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Linguagem e modas



A língua evolui e ainda bem, é prova de que está viva. Quem já é mais velho estranha sempre que vão desaparecendo termos corriqueiros da sua adolescência e surjam outros que muitas vezes se tem de tirar pelo sentido porque nem se sabe bem o que querem dizer. Levou-me algum tempo a aprender a traduzir a palavra cena por coisa como se dizia dantes...
Uma das palavras que se usa hoje de um modo diferente é namorado ou namorada.
Antigamente, referia-se a uma relação, digamos que «inocente», entre adolescentes ou adultos muito jovens. Era um termo suave. Entre gente mais culta também se falava em flirt, que era ainda mais leve. Recordo uns versinhos também de época: o flirt é fio doirado / sobre um rio atravessado / todo luz / Amor é o nome do rio / quem não sabe andar no fio / catrapuz. Veja-se a inocência romântica da época... 😇
Actualmente usa-se o termo namoro de um modo muito mais abrangente, é todo o relacionamento amoroso, digamos. Mas ainda estranho quando leio Mulher de 62 anos esfaqueia namorado em Ovar, e quando leio a notícia e percebo que foi «uma mulher de 62 anos [....] que agrediu um homem de 69 anos com quem mantinha um relacionamento» não consigo reprimir um sorriso. Um casal na beira do que se chama hoje 3ª idade, eram namorados, mas viviam a relação sem nada de inocente se os ciumes ou sei lá o quê fizeram que a namorada agredisse o namorado à facada, credo!
Pronto, tenho mais é que me habituar.
A propósito desta notícia e defendendo eu o termo companheiro/a para estes amores mais maduros, uma amiga conta-me a história de ter ido pedir um papel oficial para o seu companheiro e quando lhe perguntaram a relação com a pessoa disse «companheiro». Então a menina perguntou «o que é isso?»; quando explicou que viviam juntos percebeu «ah! marido...» e ao saber que não eram casados já entendeu tudo: «namorado!» 😊



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Cereja


sexta-feira, 6 de abril de 2018

Pessoas e património coisas

Fez algum «barulho» (e felizmente que fez!) a notícia que até veio na 1ª página do D.N. de um julgamento em Braga onde um juiz tinha sentenciado um homem, acusado de ter «praticado actos sexuais relevantes»  durante um ano, a uma menina de 10 anos a... uma pena suspensa! O juiz não teve dúvida de que o crime tinha sido cometido, tanto que o castigou com uma pena de 4 anos, mas como não tinha antecedentes mandou-o para casa, esperando que da próxima esta já contasse como «antecedente»... I-na-cre-di-tá-vel!
E mais inacreditável ainda, verificar que este tipo de sentenças é o habitual. Disse o Expresso que «cerca de 75% dos autores de crimes de abuso sexual de menores foram condenados a penas suspensas de prisão em 2015 e 2016» Talvez por ainda não terem antecedentes...
Para além de tudo o que possamos pensar sobre esta história em concreto, e o que significou para a menina e quem sabe os «carinhos» que terá prodigalizado a outras alunas de xadrez ( actividade altamente erótica como se sabe) é impressionante reconhecer o pensamento retorcido destes senhores magistrados. 
Choca imenso! Uma desproporção direi que brutal. Lemos nos «Miseráveis» que Jean Valjean esteve 19 anos nas galés por roubar um pão. A história tem 150 anos e hoje não há galés, mas ainda se castiga quem rouba uma lata de sardinhas, ou uns chocolates, em processos que custam mil vezes mais do que o preço desses luxos. Mas a besta que agrediu a mulher, de quem já estava separado, com uma moca de pregos leva também uma pena suspensa, tipo «vá lá, porte-se bem e não volte a fazer...» E assistimos constantemente a disparidades destas.
Vamos engolindo, submissamente, porque a lei é assim, o que se pode fazer... ?!?!


quinta-feira, 5 de abril de 2018

CR7

Aceito que o que é demais é demais portanto qualquer coisa que seja muito exagerada atinge o efeito oposto do que se pretende, e a nossa comunicação social é especialista nisso. Eu na televisão só vejo os noticiários e muitas vezes nem isso, continuo a preferir a rádio mais concisa e objectiva. Portanto não sei, mas imagino que tenham feito um grande espalhafato com o tal golo fabuloso do Cristiano Ronaldo. Também o vi, como toda a gente, e como toda a gente fiquei de boca aberta. E encantada. E contente que tivesse sido ele a fazer aquele feito.
Entretanto nas redes sociais houve repercussão. Normal. Muita gente a «partilhar» e a comentar, mesmo pessoas daquelas que nunca falam de futebol. Também normal, e agradável. Mas, de súbito, começo a ver uma forte reacção, quase uma onda, de ultracríticos batendo na mesma tecla até enjoar: e-o-que-é-que-tem-demais-ele-é-pago-para-aquilo, ou então e-este-aquele-e-aqueloutro-atleta-não-merecem-aplauso? e, tanto quanto tenho confirmado muitos desses ultras colocam-se numa postura de esquerda, acentuando o privilegiado que ele é porque ganha balúrdios enquanto tantos vivem com o smn... Fico abismada. E revolve-se a sua vida privada, os filhos, a namorada, tudo e mais alguma coisa. Que mesquinhice. E essa de ser a sua obrigação por ser a sua profissão, é incrível! Um pintor tem de pintar obras primas, porque é a sua profissão, um actor não deve ganhar um Óscar, porque é a sua profissão...
Ora bem, já agora aproveito para dizer porque gosto daquele rapaz. E não tem a ver com pontapés de bicicleta.
Uma das coisas que aprecio imenso na sua personalidade é a sua relação com as crianças. Não é uma vez ou duas para-a-fotografia como muitas vedetas fazem, no caso dele é constante. Como neste caso, ou neste do invasor(zinho) de campo, ou neste! Aquilo tem de ser sincero, espontâneo, verdadeiro, é impossível ser tão bom actor 😊
Outro ponto interessante: ele não tem tatuagens, porque é dador de sangue e é desaconselhável. Entre a moda e o dar sangue, escolheu a segunda.
E depois, uma figura como a dele permanentemente debaixo de holofotes, tem de ter cuidado em não tomar posições que ofendam alguns sectores, como se calcula. Mas mesmo assim veja-se como ele reage quando apoia as crianças da Síria, por exemplo. E, sobretudo não me esqueço de uma história já com algum tempo, creio que em 2013. Fixei-a por me ter feito impressão: depois de um jogo em Israel numa altura onde, mais uma vez, eles tinham atacado palestinianos incluindo crianças, quando alguns jogadores trocaram de camisolas ele recusou dizendo  «não troco camisas com assassinos». E na mesma reportagem refere-se que ele tinha leiloado as botas para oferecer a quantia às entidades de educação palestinianas. Não me esqueci. 
E, sim, gosto do Cristiano Ronaldo!

Cereja

terça-feira, 3 de abril de 2018

Bancos, os agiotas da actualidade


Tenho a sensação que o ódio aos Bancos é um sentimento geral, pelo menos em Portugal. Uma praga que se tem de aceitar porque fazem parte da vida actual mas que se paga bem caro. A última bomba do Banco Espírito Santo (espírito não é decerto que é bem material, e santo também não) como dantes se chamava, ou BES com as iniciais para disfarçar, ou Novo Banco, a sua última alcunha, é que a gestão continua a ser desastrosa e o Estado (o povo português) vai ter de lhe dar 450 milhões para evitar a falência (se percebi bem, porque quando entram muitos milhões deixo de entender...) Portanto, para uma analfabeta nestas coisas, parece que andamos todos a pagar a Bancos Privados porque foram pessimamente geridos... e a culpa é nossa?!
Mas retomando o fio à meada, há 50 ou 60 anos pouca gente tinha uma conta num Banco, tinha de se ter algum dinheiro para o guardar lá e para justificar abrir a conta. Ainda sou do tempo em que recebia o meu ordenado em dinheiro, dentro de um envelope. 😇
E hoje somos obrigados a ter uma conta, mesmo que seja para receber o smn. E depois, se de facto for muito pouco, pagamos ao Banco o favor de nos deixar ter lá esse dinheiro! E tudo o que somos obrigados a fazer através desse sistema é pago!
Vem isto a propósito de ter lido, por acaso, um comentário no twitter, onde alguém se escandalizava: «dois euros por transferência entre bancos?! 1,56 por transferência no mesmo Banco? mas está tudo chalado? o novo banco quer perder os clientes todos ou é balão de ensaio?» Como nesta era do google é fácil responder a dúvidas, fui procurar «preço de transferências bancárias» e pensei que o twitter estava enganado porque li Transferências bancárias vão ser imediatas e grátis na Europa.
Cuidadosa fui  ver a data, é notícia de 16 de Novembro de 2017. Já lá vão uns meses, portanto na Europa, em geral, essa operação não é paga.
Ah, pois é! Mas por cá é conforme sopra o vento, ou seja depende dos bancos. E da quantia... Por exemplo se for transferência inferior a 100 mil euros  (e quem é que costuma transferir 100 mil euros?!) varia de Banco para Banco sendo de facto o Novo a chegar aos 2 euros que o twitt refere.
Informação interessante: se essa operação for por multibanco já não tem custos. Não faço a menor ideia porquê, mas é assim. Aproveitem!

Cereja

quinta-feira, 29 de março de 2018

Passarinhos


Gosto de passarinhos.
Não dá para serem animais de estimação para mim. Eu sei que há gaiolas, é claro, mas exactamente por gostar deles não lhes vou fazer a maldade de os manter presos. Então um pássaro!!! Manter preso, seja que animal for, é uma crueldade mas um ser que se pode movimentar em 3 dimensões é para mim de uma crueldade reforçada! Vou-os admirando em liberdade e pronto!
Porém, eu não faço parte de nenhum grupo de observador de pássaros, pelo que não conheço assim tantos...
Mas tenho reparado que a fauna que se pode observar na cidade em que nasci e onde vivo tem evoluído bastante desde que eu era criança. Ou estou enganada e esquecida, ou quando era pequenina via por aqui uns pardalitos, pombos (em quantidade razoável) e andorinhas na Primavera. Não me consigo lembrar de mais variedades...
Mas actualmente, para além dos malfadados pombos que se multiplicaram até se tornarem uma praga (mesmo eu a amiga dos pássaros não os posso nem ver!) começo a ver espécies que possivelmente sempre existiram mas não se dava assim tanto por elas aqui em Lisboa.
Por exemplo as gaivotas. Numa viagem recente ao Porto fiquei admiradíssima com a quantidade de gaivotas que lá observei. Não tinha ideia de que pudessem ser tantas, nunca tinha visto bandos tão grandes a não ser em praias... Achei mesmo graça um dia em que estava a observar num jardim um bando de pombos bastante grande e desviando o olhar vi um bando de gaivotas ainda maior!!! Nunca tal tinha visto numa cidade. Mas quase que de semana para semana vou vendo aumentar por cima da minha casa o número de gaivotas que voam por aqui. Oh espanto! Confesso que me sinto como se o meu terceiro andar fosse uma casa de praia, coisa chic...
E não só. Há um pássaro pequeno que oiço todas as manhãs e não faço a menor ideia como se chama. Como muitas vezes se empoleira no telhado em frente sei que é escuro, tem uma cauda levantada que se agita quando solta uma espécie de chamamento com duas notas. E actualmente há imensos melros, e estorninhos, e vários outros que não conheço nem sei descrever bem. Por acaso as andorinhas é que não vejo tanto, eu que cheguei a ter um ninho delas na minha varanda das traseiras!
Claro que todos estes passarinhos já existiam em Lisboa é claro, não estavam era tão espalhados. E é curioso é que os tais corvos que têm honra de figurar na bandeira da cidade, não se vêem! Em Paris vemos imensos e cá nem um para amostra - ou sou eu que ando distraída.
Mas, por outro lado, decerto que pelas alterações climáticas e produtos que se deitam nas culturas para eliminar os insectos o certo é que os pássaros estão a desaparecer dos campos da Europa, o que não é nada boa notícia. Até porque decerto os que desaparecem do campo não se refugiam na cidade. Vão-se extinguindo, um decréscimo de 55%  como diz a notícia, é gravíssimo. Um quarto das cotovias já desapareceu, teremos de voltar a pedir que não matem a cotovia...!
Nem as outras aves.
Esta é uma causa a que adiro com gosto. Como admiradora de passarinhos, esses seres magnificamente livres, que se deslocam sem limites e até sabem emigrar quando o clima lhes não convém, não podem ser assim dizimados pela ganância humana que lhes retira o alimento ancestral.
Vivam os pássaros!

Cereja

IRS e reflexões...

Estamos a chegar ao mês da declaração do IRS.
Foi aprovada recentemente uma lei (não sei se é lei) que vigiará os rendimentos de políticos e detentores de altos cargos públicos. Ninguém se poderá opor, imagino. Se quem não deve não teme, pensa-se que quem teme é porque deve, e a velha conversa de os-outros-também-fazem perde sentido porque os-outros também serão «vigiados». E o coro constante de críticas e desconfiança que atinge permanentemente a classe política perderá um pouco de força. Um pouco, penso eu, porque não vai desaparecer, é algo muito enraizado e infelizmente com bastante razão. Não consigo entender como gente inteligente e informada se deixa cair de um modo tão estúpido na ocultação de rendimentos... Nos últimos tempos tem vindo a lume tantos casos, que somos de facto levados a pensar que se trata de um iceberg e a parte oculta é gigantesca. De qualquer modo ainda bem que decidiram criar este organismo, sempre defenderá os, decerto que muitos, honestos!
Mas as tais declarações para o IRS estão cheias de buracos por todo o lado e a famosa fiscalização é um pouco coxa, parece. Para controlar todos (?) os ganhos insistem as Finanças que devemos pedir sempre recibo com número de contribuinte, e assim apanham logo na rede quem venda uma bica sem registar, ou a cabeleireira de bairro que me leva 7 € por arranjar o cabelo, e ainda temos de validar coisa a coisa o que dá um trabalho parvo! Mas... e quem foge descaradamente aos impostos? Como li ontem no twitter «Tem uma renda de casa de 1.000 €, 2 carros de luxo, e 4 filhos em colégios particulares. Declara o smn. É preciso uma denúncia anónima?»  o que calculo que seja uma situação imaginada, mas não é fantasia, acontece. Há empresários que retiram para o seu ordenado o valor do smn, e é sobre isso que pagam o IRS. As outras despesas são pagas com os cartões da empresa...
E além disso... 
Escreveu um twitt sobre o tema desta nova lei, o Pedro Marques Lopes que nos habituámos a ouvir no Eixo do Mal:  «Aguardo serenamente um organismo especial para fiscalizar os rendimentos dos juízes, das empresas, dos clubes, dos picheleiros, dos cronistas, etc...»  É exagero? Hmmm, talvez. Os picheleiros, se forem canalizadores e não os que fazem pichéis, também aqui entram se simbolizarem a economia paralela que todos conhecemos bem. Os juízes já começam a ficar debaixo dos holofotes, e os clubes...ui, ui, ui.
Enfim, no mês do IRS a que quem trabalha ou trabalhou por conta de outrem não escapa, até porque grande parte foi pago à cabeça, tudo isto faz pensar. Diz-se que 'ou há moralidade ou comem todos', frase intrigante porque a moralidade seriam comerem mesmo todos....
OK.
Mas ao menos esperemos que daqui para a frente sob a vigilância da tal Comissão de Transparência, pelo menos a classe política entre na linha. E já agora se olhe para as pequenas coisas, por exemplo, como é que os políticos e os juízes não têm dinheiro para pagar uma renda de casa, mas um professor por exemplo, tem de ter...? Estranho, não é?





Cereja