terça-feira, 5 de junho de 2018

A questão da solidão

Na sequência de uma uma notícia triste e outra divertida, uma triste sobre solidão, por todo o mundo mas sobretudo em Portugal  e outra que nos faz rir, sobre as conversas dos portugueses com Deus, uma amiga minha escreveu no facebook «com a quantidade de idosos isolados ainda bem que falam com Deus, senão quem o faria...?» recordei uma situação que acompanho de perto e encaixa nesta questão tão séria e grave.
Numa aldeia onde costumo passar grandes períodos de tempo, vivia um casal já idoso com quem mantinha-mos uma excelente relação. Com a família reduzida, tinham casado bastante tarde e não tinham filhos, e ainda havia irmãos mas de quem estavam muito afastados, ou por viverem bastante longe ou por questões de partilhas com o conseguente corte de ralações. Por serem muito afáveis, sobretudo ele que era muito bondoso e prestável, viviam bem com a vizinhança. Mas a idade, fazia-se sentir, e já tinham ultrapassado os 90 anos com diversos problemas de saúde próprios não só dos muitos anos como de uma vida dura de trabalho. Contudo amparavam-se um ao outro, já vendo e ouvindo muito mal, e com dificuldade de mobilidade, mas podia-se dizer que vivia um para o outro, e eu reconheço que os via sempre como casal, separados era quase como uma separação de siameses...
Contudo, aconteceu o que se temia e o marido que se queixava menos foi o que foi primeiro.
Nem é necessário descrever o estado em que ficou a viúva! Perdeu mais de metade de si mesma. O desgosto, a revolta, o medo, a depressão, eram permanentes. Uma sobrinha que vivia muito distante tentou sugerir-lhe um lar, o que foi naturalmente recusado. Toda a sua vida e recordações estava entre aquelas paredes. Mas continuava a chorar e a queixar-se um ano e meio depois.
Uma sua vizinha de conversa comigo, já impaciente, dizia-me "Ela deve perceber que não é só ela! Fala como se fosse a única pessoa que perdeu o marido, e tantos de nós passámos já por isso!» E citou-me outra pessoa que tinha perdido o marido e ficado com 2 filhos, adultos agora e também com filhos. Ora dessa comparação faltava o âmago da questão que era, para mim, a solidão!
O que estava subjacente na queixa da velhinha de 90 e tal anos, era o sentir-se tão sozinha!. O caso da outra vizinha, além de na altura ter 2 filhos que a preocupavam decerto mas eram uma enorme companhia, tinha 2 irmãos carinhosos que viviam perto, tinha pai e mãe, para além de imensos primos, afilhados etc. Exactamente o oposto.
E esta é mesmo uma «doença social» da actualidade. Que tem de ter cura!!! Tem de ter!

Cereja

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Desilusão e tristeza


 [nota inicial: fiz aqui no blog uma pausa muito grande. Reconheço que funciono um pouco por 'inércias' quando começo a escrever apanho a inércia do movimento, e escrevo todos os dias com muito prazer, depois interrompo por um qualquer motivo, e começa a outra inércia, custando-me a recomeçar mesmo que existam - e de que maneira! - imensas coisas que gostaria de falar aqui. Agora tenho de  quebrar a preguiça pausa actual 😔 ]

Pois é. Portugal viveu nos últimos dias uma emoção enorme que o dividiu em dois grandes blocos, o SIM e o NÃO a uma proposta de lei, aliás 4 propostas idênticas, propondo a despenalização de quem ajudasse alguém a morrer, suicídio assistido, a eutanásia como ficou conhecida. (digo desta maneira porque na pura eutanásia não está implícito que se pratica a pedido, o que é o caso)  Houve muito quem comparasse com a luta que se travou quando se propôs a despenalização do aborto, porque tem algo de semelhante na sua enorme diferença. São decisões pessoais, individuais, que se tomam também por motivos pessoais, mas que as religiões condenam, e de um modo geral as pessoas com uma formação mais tradicional também não aceitam. E que a lei tal como existe (ou existia no caso da IVG ) castiga. 
Faz sempre impressão os exageros que se dizem, e as mentiras impressionantes que se usam como argumentos. No caso da IVG falava-se do embrião como de um bebé, e com base nisso valia tudo! Houve um referendo onde o «não» ganhou mas no seguinte perdeu. Ou seja, certas ideias precisam de tempo e muito esclarecimento para serem bem entendidas.
O que se passou agora com os 4 projectos da despenalização da eutanásia não é surpresa. Os defensores do Não encheram redes sociais e comunicação social com textos manipulados e usando os mais diversos fantasmas e medos. Muito frequentemente ignoravam os textos que combatiam, propunham coisas que eram exactamente ditas nessas propostas. Fizerem manifestações como a do «não matem os velhinhos» que muita gente gozou, mas a verdade é que podiam levar gente a pensar que se iria exterminar velhos e doentes...  para-não-gastar-dinheiro-em-remédios?!?!??
Mas quando intitulo Desilusão e Tristeza, estou a pensar no voto do PCP. Sinto tristeza, sim. O Partido foi uma referência, senti sempre muito respeito pelo seu trabalho, pelas suas lutas. E mesmo em desacordo muitas vezes, custava-me criticar. Não se faz. Como cuspir na sopa, ou bater na avó, é feio, falta de educação. E, mesmo desta vez não gostei de o ver apanhar tanta pancada de tanto lado, mas caramba, ele pôs a jeito! Se procurarmos a posição do PC espanhol, um partido irmão, a diferença é profunda.
E a verdade é que a lei foi recusada por cinco votos. Cinco votos! Bastaria o PC ter dado liberdade de voto aos seus deputados, como outros partidos fizeram uma vez que era um assunto tão pessoal, e tenho a certeza de que a lei teria passado.
Bom, se tivesse passado, lá haveria um Presidente da República para a vetar, de certeza. Mas teria passado no Parlamento. É isso que me causa desilusão e tristeza, a incompreensível tomada de posição de um partido que me habituei a respeitar. Mas, tal como na IVG, a lei pode passar à segunda. Ou à terceira. Ou à ...
A marcha da história das sociedades é irreversível, acredito.


Cereja

domingo, 6 de maio de 2018

Comércio de Bairro

Já por aqui tenho falado no comércio local do meu bairro o comércio do ponto de vista do utilizador, neste caso de mim e o meu bairro. 😏
E até creio que falei já nesta lojinha .Ela pode podia ver-se como «um lugar de hortaliça», que era mais ou menos o correspondente a este estabelecimento quando eu era pequena. Porque, prioritariamente, vende fruta e hortaliças, mas a assinalar que estamos a viver no século XXI também lá há produtos que seriam de «drogaria» na minha infância, e bastantes enlatados coisa que também não se via nos «lugares», e até vende pão uma vez que já não há «padarias». (A tal «portuguesa» não é obviamente uma «padaria»)

Gosto de lá ir. É perto de casa. E sobretudo tem 2 vantagens enormes 1 - é muito mais barato do que no «outro comércio» e 2 - não há bichas, nos minipreços e pingosdoces temos de esperar e muitas vezes bastante tempo pela nossa vez, ali é super rápido mesmo que esteja lá outra cliente ele vai atendendo as duas ao mesmo tempo. E o raminho de salsa ou coentros não é pago, é só pedir...
A lojinha é de um indiano. Ele e família, muitas vezes está a mulher, e também se vê o filho a fazer os trabalhos de casa. O rádio está sintonizado num posto que fala uma língua exótica (tradução de exótico: que eu não identifico) e por vezes ele suspende o que está a fazer para ouvir o que dizem. É isso que nos mostra que estamos no século XXI, esta imagem não se concebia em meados do século passado!
Mas a clientela é quase toda de senhoras mais ou menos idosas, motivo deste texto. Enquanto ontem eu escolhia a fruta para levar, uma outra cliente apalpava as pêras. «Hmmm... estão muito rijas...» e foi avaliar outra fruta. Há actualmente imensos termos novos o que não faria mal nenhum se não se perdessem os menos novos, até enriquecia a nossa língua. Mas não é o caso. Há imensos que caíram em desuso como o caso do adjectivo «rijo». Neste caso rijo quer dizer duro, podia ser 'forte' também, mas ouve-se já muito raramente essa palavra. É uma palavra de época, como a senhora que a proferiu.
Assim como também 'tem data' o saco que eu tinha levado para trazer as compras. O senhor enquanto pesava duvidou «isso aguenta?» mas depois lembrou-se «ah! havia desses dantes! É antigo, não é?» e no seu português com sotaque aplaudiu «Eram muito bons, sim!»
Assim vai o comércio da minha rua.
A pobre explorada menina do pingodoce não teria tempo para estas saborosas conversas. Mas ali, sim. Viva este comércio de proximidade!!!


Cereja

domingo, 29 de abril de 2018

Cada um é como quer...

Frase popular cada um é como quer significa afinal, no feitio de uma pessoa não se mexe, deixem-no em paz, não impliquem...
E só pode ser louvado. Nós somos - felizmente! - diferentes, cada um tem os seus hábitos, ou as suas «manias» e por isso nos associamos e somos amigos. Mas há coisas engraçadas como, por exemplo, quando uma dessas características pessoais irrita um pouco quem tem a correspondente oposta 😉
Ontem tive uma troca de piadinhas no facebook, que me apetece prolongar por aqui, onde tenho mais espaço para dar a minha opinião. Acontece que a propósito deste tempo bipolar, onde 'dia sim dia não' é Inverno e 'dia não dia sim' é Verão, me lamentei porque depois de uns dia mais seguidos de calor tinha limpo e arrumado o meu guarda-roupa de Inverno (!!!) e tirado da arca e passado a ferro o que uso quando faz calor. A casa é pequena não tenho espaço para ter tudo pendurado. Uma amiga (verdadeira) comentou «ainda bem que sou desarrumada!» e outra riu-se, e aplaudiu «eu também!». Entrei na brincadeira e respondi-lhes «pois eu sou muito preguiçosa para ser desarrumada!» o que provocou alguma estranheza.
Aqui, com mais tempo e espaço, explico o que quero dizer.
Vamos imaginar 2 grupos opostos, as pessoas desarrumadas e as pessoas arrumadas, esquecendo para facilitar a caricatura as pessoas 'normais' que não caem em extremos e possivelmente será o caso das minhas amigas.
A ideia feita é, ao contrário do que lá escrevi, que quem é desarrumado é que é preguiçoso, não se rala em deixar as coisas no lugar, deixa-as em qualquer sítio por ser mais fácil. E é. É mais fácil no imediato. Para deixar-ficar-em-qualquer-sítio basta um segundo. Só que tempos depois quando precisa dessa tal coisa, inicia-se uma caça ao tesouro que pode dar uma trabalheira e até precisar de ajuda... Como todos temos a experiência, até as pessoas normais de vez em quando não encontram qualquer coisa, quem não passou por tal...?!  Onde é que deixei as chaves? Onde está o livro que estava a ler? Viste o carregador do telemóvel? Aliás há objectos que parece terem uma habilidade especial para se esconderem, óculos por exemplo! Creio que mesmo quem for muito arrumado por natureza pode sofrer um percalço desses de vez em quando.
Mas na balança desarrumado versus arrumado, o arrumado tem a vida infinitamente mais fácil! É indiscutível que o tempo que leva a deixar uma coisa no sítio, é muitíssimo menor do que aquele que precisa para o procurar e achar!!! Mas há uma ressalva importante: nunca se deve arrumar as coisas dos outros! É um erro gravíssimo e que leva a um ódio de morte, porque o efeito pode ser catastrófico.
Voltando ao princípio, dou-me bem com o meu feitio de arrumada. Poupa-me stress inútil. Raramente se ouve lá em casa depressa-onde-raio-está-o-comando-quero-apanhar-o-que-está-a-dar-no-canal X porque os comandos estão sempre no seu sítio (a não ser que alguém tenha mexido).
Mas isto sou eu.
Deus me livre de impingir o modelo.
Afinal, «cada um é como quer» e ainda bem



Cereja

sábado, 14 de abril de 2018

Polícias do Mundo

Antes de mais nada, este problema da Síria deixa-me muito confusa, não sei quem são «os bons» ou quem são «os maus» e até me parece que são todos maus. Portanto, não será disso que se trata não tenho motivos para defender uma opinião, apenas tenho uma pena imensa de quem lá  (ainda) vive.
Mas...
Dizem que foi um triunvirato, Inglaterra, França e Estados Unidos, que tomou hoje uma decisão gravíssima.  Quando invadiram o Iraque também eram (?) 3, mas a França substitui hoje a Espanha. Deve ser o «Conselho de Segurança» em versão simplificada, parece que o verdadeiro tem 15 membros, o Conselho Permanente com direito a veto são 5, portanto estes 3 têm um super-veto porque vetam os outros 2. A minha ideia é que existe ainda um super-super-conselho de segurança, conselho de um membro só, e que são os EUA.
Sou sincera quando digo que não sei quem são os bons ou os maus no conflito da Síria. A utilização das armas químicas é tão horroroso que faz inevitavelmente cair quem as usou para o lado dos «muitíssimo maus». Contudo entre o primeiro alarme e hoje passaram muitos dias, mesmo muitos, e ficamos a especular porque foi exactamente hoje, no dia em que os investigadores internacionais iam começar a investigar os factos, que o ataque se consumou destruindo o alvo da investigação. Parece que já não deve haver nada a investigar, se foi tudo bombardeado....
A indústria cinematográfica americana fornece-nos até ao enjoo imensos filmes e séries com os heróicos soldados norte-americanos a combater e até a morrer na defesa da pátria. Contudo, sem desmerecer, mas a verdade é que a sua pátria só foi atacada em Pearl Harbor no final de 1941.  Houve o ataque às Torres Gémeas, com mais mortos do que em Pearl Harbor, mas de resto o seu território nunca foi beliscado. Eles iam «defender a pátria» na terra dos outros, na Coreia, no Vietnam, no Médio Oriente. 
Eram, foram, e continuam a ser os Polícias. Não defendem nada a sua pátria, defendem a sua ideologia. É um pouco muito diferente. Defendem fisicamente a sua ideologia, atacando também fisicamente quem tem uma ideologia diferente. Sempre assim foi, e continua a ser. E o mexilhão que se lixa, quero eu dizer o povo desgraçado que é «defendido» ou «atacado» por estes samaritanos lá se tem de aguentar no meio de todos os horrores. Como a piada do escuteiro que se atrasou porque tinha estado a a ajudar uma velhinha a atravessar a rua, e quando estranharam ter demorado tanto, explicou «é que ela não queria vir!». Muitos dos povos «ajudados» pelos EUA nem queriam tal ajuda, mas teve de ser.
Mas se assim fosse como raio escoavam as armas? Com a indústria de armamento não se brinca. É certo que o «consumo interno» naquele país já é alguma coisa, mas é uma gota de água, em relação ao que é necessário.
Para isso é preciso fiscalizar como se portam todos os países do Mundo (pelo menos os do segundo mundo)  e intervir como bons polícias. Sempre assim fizeram e resulta muito bem.



Cereja

Confusões....

 Pois é....
                           




As redes sociais deliciaram-se.
Agora que parece abrirem-se fissuras na coesão da «geringonça», quando o governo parece tão interessado na diminuição do deficit, mesmo para além do planeado, que não se rala muito em voltar atrás em compromissos feitos com a esquerda, as confusões das bandeiras justifica-se. A verdade é que o artigo da revista The Economist não corresponde bem ao que se podia pensar quando se viu o boneco. Afinal, simplesmente o desenhador enganou-se e trocou os 'logos', o punho (ou rosa? ou um punho com uma rosa? já nem sei...) pelas setas. Calma.
Pronto, foi um engano.
Mas ainda ontem de manhã ouvi uma voz na rádio que explicava a importância da diminuição do deficit mesmo para além do que Bruxelas queria, dizendo que se estávamos melhor não queria dizer que se começasse a gastar sem olhar aos custos - não de recordo a forma que usou mas era um pouco «gastar sem reflectir». Ora eu achava que se tinha conseguido uma unidade de esquerda, ou seja se estava a defender um Estado Social, ou pelo menos «mais social» do que estava a ser com o governo PAF. Mas, se limitam a Cultura ficando muitos artistas pior do que estavam, se a Saúde está a levar tanto, tanto tempo, a melhorar que os corredores hospitalares continuam a servir de enfermarias, (como se viu com a história que chocou toda a gente das crianças em tratamento de cancro), se os transportes públicos não melhoraram nada ou quase nada, isso corresponderia a gastar sem reflectir?! Num país com o governo apoiado por uma maioria de esquerda?
Aquela seta cor-de-laranja pode ter sido um engano, mas parece uma confusão legítima.

Cereja

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Linguagem e modas



A língua evolui e ainda bem, é prova de que está viva. Quem já é mais velho estranha sempre que vão desaparecendo termos corriqueiros da sua adolescência e surjam outros que muitas vezes se tem de tirar pelo sentido porque nem se sabe bem o que querem dizer. Levou-me algum tempo a aprender a traduzir a palavra cena por coisa como se dizia dantes...
Uma das palavras que se usa hoje de um modo diferente é namorado ou namorada.
Antigamente, referia-se a uma relação, digamos que «inocente», entre adolescentes ou adultos muito jovens. Era um termo suave. Entre gente mais culta também se falava em flirt, que era ainda mais leve. Recordo uns versinhos também de época: o flirt é fio doirado / sobre um rio atravessado / todo luz / Amor é o nome do rio / quem não sabe andar no fio / catrapuz. Veja-se a inocência romântica da época... 😇
Actualmente usa-se o termo namoro de um modo muito mais abrangente, é todo o relacionamento amoroso, digamos. Mas ainda estranho quando leio Mulher de 62 anos esfaqueia namorado em Ovar, e quando leio a notícia e percebo que foi «uma mulher de 62 anos [....] que agrediu um homem de 69 anos com quem mantinha um relacionamento» não consigo reprimir um sorriso. Um casal na beira do que se chama hoje 3ª idade, eram namorados, mas viviam a relação sem nada de inocente se os ciumes ou sei lá o quê fizeram que a namorada agredisse o namorado à facada, credo!
Pronto, tenho mais é que me habituar.
A propósito desta notícia e defendendo eu o termo companheiro/a para estes amores mais maduros, uma amiga conta-me a história de ter ido pedir um papel oficial para o seu companheiro e quando lhe perguntaram a relação com a pessoa disse «companheiro». Então a menina perguntou «o que é isso?»; quando explicou que viviam juntos percebeu «ah! marido...» e ao saber que não eram casados já entendeu tudo: «namorado!» 😊



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Cereja


sexta-feira, 6 de abril de 2018

Pessoas e património coisas

Fez algum «barulho» (e felizmente que fez!) a notícia que até veio na 1ª página do D.N. de um julgamento em Braga onde um juiz tinha sentenciado um homem, acusado de ter «praticado actos sexuais relevantes»  durante um ano, a uma menina de 10 anos a... uma pena suspensa! O juiz não teve dúvida de que o crime tinha sido cometido, tanto que o castigou com uma pena de 4 anos, mas como não tinha antecedentes mandou-o para casa, esperando que da próxima esta já contasse como «antecedente»... I-na-cre-di-tá-vel!
E mais inacreditável ainda, verificar que este tipo de sentenças é o habitual. Disse o Expresso que «cerca de 75% dos autores de crimes de abuso sexual de menores foram condenados a penas suspensas de prisão em 2015 e 2016» Talvez por ainda não terem antecedentes...
Para além de tudo o que possamos pensar sobre esta história em concreto, e o que significou para a menina e quem sabe os «carinhos» que terá prodigalizado a outras alunas de xadrez ( actividade altamente erótica como se sabe) é impressionante reconhecer o pensamento retorcido destes senhores magistrados. 
Choca imenso! Uma desproporção direi que brutal. Lemos nos «Miseráveis» que Jean Valjean esteve 19 anos nas galés por roubar um pão. A história tem 150 anos e hoje não há galés, mas ainda se castiga quem rouba uma lata de sardinhas, ou uns chocolates, em processos que custam mil vezes mais do que o preço desses luxos. Mas a besta que agrediu a mulher, de quem já estava separado, com uma moca de pregos leva também uma pena suspensa, tipo «vá lá, porte-se bem e não volte a fazer...» E assistimos constantemente a disparidades destas.
Vamos engolindo, submissamente, porque a lei é assim, o que se pode fazer... ?!?!


quinta-feira, 5 de abril de 2018

CR7

Aceito que o que é demais é demais portanto qualquer coisa que seja muito exagerada atinge o efeito oposto do que se pretende, e a nossa comunicação social é especialista nisso. Eu na televisão só vejo os noticiários e muitas vezes nem isso, continuo a preferir a rádio mais concisa e objectiva. Portanto não sei, mas imagino que tenham feito um grande espalhafato com o tal golo fabuloso do Cristiano Ronaldo. Também o vi, como toda a gente, e como toda a gente fiquei de boca aberta. E encantada. E contente que tivesse sido ele a fazer aquele feito.
Entretanto nas redes sociais houve repercussão. Normal. Muita gente a «partilhar» e a comentar, mesmo pessoas daquelas que nunca falam de futebol. Também normal, e agradável. Mas, de súbito, começo a ver uma forte reacção, quase uma onda, de ultracríticos batendo na mesma tecla até enjoar: e-o-que-é-que-tem-demais-ele-é-pago-para-aquilo, ou então e-este-aquele-e-aqueloutro-atleta-não-merecem-aplauso? e, tanto quanto tenho confirmado muitos desses ultras colocam-se numa postura de esquerda, acentuando o privilegiado que ele é porque ganha balúrdios enquanto tantos vivem com o smn... Fico abismada. E revolve-se a sua vida privada, os filhos, a namorada, tudo e mais alguma coisa. Que mesquinhice. E essa de ser a sua obrigação por ser a sua profissão, é incrível! Um pintor tem de pintar obras primas, porque é a sua profissão, um actor não deve ganhar um Óscar, porque é a sua profissão...
Ora bem, já agora aproveito para dizer porque gosto daquele rapaz. E não tem a ver com pontapés de bicicleta.
Uma das coisas que aprecio imenso na sua personalidade é a sua relação com as crianças. Não é uma vez ou duas para-a-fotografia como muitas vedetas fazem, no caso dele é constante. Como neste caso, ou neste do invasor(zinho) de campo, ou neste! Aquilo tem de ser sincero, espontâneo, verdadeiro, é impossível ser tão bom actor 😊
Outro ponto interessante: ele não tem tatuagens, porque é dador de sangue e é desaconselhável. Entre a moda e o dar sangue, escolheu a segunda.
E depois, uma figura como a dele permanentemente debaixo de holofotes, tem de ter cuidado em não tomar posições que ofendam alguns sectores, como se calcula. Mas mesmo assim veja-se como ele reage quando apoia as crianças da Síria, por exemplo. E, sobretudo não me esqueço de uma história já com algum tempo, creio que em 2013. Fixei-a por me ter feito impressão: depois de um jogo em Israel numa altura onde, mais uma vez, eles tinham atacado palestinianos incluindo crianças, quando alguns jogadores trocaram de camisolas ele recusou dizendo  «não troco camisas com assassinos». E na mesma reportagem refere-se que ele tinha leiloado as botas para oferecer a quantia às entidades de educação palestinianas. Não me esqueci. 
E, sim, gosto do Cristiano Ronaldo!

Cereja

terça-feira, 3 de abril de 2018

Bancos, os agiotas da actualidade


Tenho a sensação que o ódio aos Bancos é um sentimento geral, pelo menos em Portugal. Uma praga que se tem de aceitar porque fazem parte da vida actual mas que se paga bem caro. A última bomba do Banco Espírito Santo (espírito não é decerto que é bem material, e santo também não) como dantes se chamava, ou BES com as iniciais para disfarçar, ou Novo Banco, a sua última alcunha, é que a gestão continua a ser desastrosa e o Estado (o povo português) vai ter de lhe dar 450 milhões para evitar a falência (se percebi bem, porque quando entram muitos milhões deixo de entender...) Portanto, para uma analfabeta nestas coisas, parece que andamos todos a pagar a Bancos Privados porque foram pessimamente geridos... e a culpa é nossa?!
Mas retomando o fio à meada, há 50 ou 60 anos pouca gente tinha uma conta num Banco, tinha de se ter algum dinheiro para o guardar lá e para justificar abrir a conta. Ainda sou do tempo em que recebia o meu ordenado em dinheiro, dentro de um envelope. 😇
E hoje somos obrigados a ter uma conta, mesmo que seja para receber o smn. E depois, se de facto for muito pouco, pagamos ao Banco o favor de nos deixar ter lá esse dinheiro! E tudo o que somos obrigados a fazer através desse sistema é pago!
Vem isto a propósito de ter lido, por acaso, um comentário no twitter, onde alguém se escandalizava: «dois euros por transferência entre bancos?! 1,56 por transferência no mesmo Banco? mas está tudo chalado? o novo banco quer perder os clientes todos ou é balão de ensaio?» Como nesta era do google é fácil responder a dúvidas, fui procurar «preço de transferências bancárias» e pensei que o twitter estava enganado porque li Transferências bancárias vão ser imediatas e grátis na Europa.
Cuidadosa fui  ver a data, é notícia de 16 de Novembro de 2017. Já lá vão uns meses, portanto na Europa, em geral, essa operação não é paga.
Ah, pois é! Mas por cá é conforme sopra o vento, ou seja depende dos bancos. E da quantia... Por exemplo se for transferência inferior a 100 mil euros  (e quem é que costuma transferir 100 mil euros?!) varia de Banco para Banco sendo de facto o Novo a chegar aos 2 euros que o twitt refere.
Informação interessante: se essa operação for por multibanco já não tem custos. Não faço a menor ideia porquê, mas é assim. Aproveitem!

Cereja