domingo, 21 de janeiro de 2018

recordações

Deixei ontem no FB uma nota motivada por uma referência à Pastelaria Bernard mas o formato facebook é muito mais restritivo do que o blog de modo que venho espraiar-me por aqui, mais a minha casa...😉
A evolução do comportamento infantil da minha infância até a actualidade é impressionante. Claro que uma criança é uma criança, o que mudou radicalmente foi a sociedade. (ainda vou falar no «supernanny» mas não hoje)
Na década de 40 para uma criança como eu, era uma festa ir lanchar à Baixa. Não acontecia muitas vezes, os meus pais trabalhavam durante a semana e não nadavam em dinheiro, e as avós também não eram muito de sair... Mas havia um casal amigo dos meus pais, que vivia perto de nós, a casa de quem eu ia brincar, com a filha. 
A boa educação, algo rígida, reinava naquela casa que eu achava muito chic, com cortinas de veludo e cetim, móveis super-envernizados e bastantes dourados, duas criadas de farda e crista. A minha amiga era tipo menina exemplar. Todos usávamos bibe em casa nessa época, mas os meus eram aos quadradinhos, ou xadrez, para disfarçar as nódoas que eu lhe punha, enquanto o bibe da Milu era de piquet branco, com folhos e não se sujava!! Ela sabia as etiquetas sociais todas, e eu não. Numa das primeiras saídas que fizemos as 3 - a Milu, eu e a mãe dela, fui chamada à atenção porque balançava os braços a andar. Fica mal. Uma menina não anda assim, mantêm os braços junto ao corpo. Ui... Na vez seguinte a mãe dela ofereceu-me uma carteira pequenina mas como a das senhoras, para eu levar na mão e andar direitinha como-deve-ser.
Ora, neste ambiente, uma tarde fomos lanchar à Baixa! Estava radiante! A Pastelaria ou talvez Salão de Chá, era no Rossio creio, mas não era a Suiça. Depois de entrar descíamos uma escada muito elegante, o salão era em baixo e todo forrado a espelhos cor-de-rosa! Aaaaah! Lindo de morrer! Sentámo-nos a uma mesa, com toalha branca, e cheia de utensílios de prata (?) achava eu, chávenas de porcelana, tudo lindo. Fez-se o pedido, chá para a senhora e chocolate quente para as crianças, e um prato com bolos.
Era assim nessa altura, pedia-se bolos e vinha um prato com doçaria variada. O inconveniente é que como eram todos diferentes quem escolhia primeiro ficava em vantagem, mas é claro que se podia pedir ao empregado que trouxesse outro bolo... Já não sei se escolhi ou me calhou uma «tíbia», um bolo tipo eclair mas com uma ou duas bolas (cheias de creme, é claro) no extremo. Um belo aspecto, muito apetitoso. Lá comecei a manobrar o garfinho para cortar o bolo e a esforçar-me por fazer boa figura. Nota importante, eu teria nessa altura aí uns 6 anos. Eis senão quando, a bola da tíbia que eu queria separar salta-me do pratinho e vai aterrar na chávena de chá da senhora da mesa do lado!!!
Horror! Ia morrendo de vergonha. Estou a reviver a cena e ainda sinto um arrepio. Foi uma queda do céu para o inferno. De felicíssima fiquei apavorada. A coisa lá se compôs com ajuda do empregado que foi mudar a toalha, e apesar de tudo o meu anjo da guarda fez que o vestido da dama não ficasse salpicado. Mas o vexame, e o olhar de censura que recebi ainda hoje o sinto.
Outros tempos.
Muito diferentes. Mesmo muito.

Cereja

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Nem sempre sou do contra....

Há uma medida recente sobre a qualtenho ouvido críticas, e desta vez sou eu que não estou do contra 😁
E quando digo tenho ouvido críticas não estou a pensar em redes sociais apenas, embora seja aí, e até entre os meus maiores amigos, que encontre a maioria, é também por todo o lado e ao vivo. Ou em artigos de opinião como a Isabel Moreira ou até, há pouco tempo, a crónica do Ricardo Araújo Pereira na Visão. Ontem no autocarro, e na véspera na bicha da caixa do supermercado. Toda a gente irritada e muito crítica. É o pleno. É a unanimidade.
Fico confusa por dois motivos, é raro ver toda a gente de acordo sobre seja o que for, e também é raro ser a única que tem objecções quando o acordo é total. Na maioria dos casos costumo entrever no meio da generalidade de opiniões unânimes (?) uma ou outra voz que diz «pois é, tem razão, mas...» excepto nesta caso. Estou completamente isolada.
A questão é a famosa norma da «comida saudável» nos hospitais e centros de saúde.
É interessante porque eu até sou uma crítica das mais assanhadas quando o politicamente correcto me quer impor qualquer coisa, quer decidir por mim, não permite que seja eu com o meu livre arbítrio a escolher a decisão certa. Contudo, no caso em questão, sou a tal vozinha que diz «pois é, mas...»
Antes de começar a escrever fiz uma pesquisa e ainda só encontrei a norma relativa às máquinas de distribuição de alimentos, apesar de se falar por todo o lado dos balcões e cafeterias pelo que concluo que a norma já publicada , dos snacks, se estendeu agora a toda a alimentação fornecida nesses locais.
Ora bem, penso não ser discutível que a lista dos produtos que se devem evitar é correcta. Os fritos em muito óleo (croquetes, panados, rissóis etc) as sanduíches de alimentos processados e salgados, os folhados cheios de gordura como tem de ser, os temperos tipo maionaise, ketchup, o açúcar em exagero, cachorros, hambúrguers, pizzas, e por aí fóra ainda por cima vendidos em máquinas não podendo, obviamente, ser frescos... Estamos todos de acordo em como são produtos com demasiado sal, açúcar ou gordura, que deveriam ser evitados, não é? Ah, mas eu gosto muito e não me podem/devem impedir de os comer! 😕
Ora é aqui que eu penso «pois é, mas...»
Não se pode impedir, de modo nenhum, mas também não vale facilitar demasiado!
Aqui o ponto fulcral é venderem-se num estabelecimento de saúde! É esse o busílis. Cada um de nós pode comer ali o que muito bem lhe apetecer, se o trouxer consigo ou for até à pastelaria mais próxima, comprado ali dentro é que não. É assim tão estranho...?
Não tenho a certeza dos produtos que foram saneados, e aceito que tenha havido algum exagero, como muitas vezes acontece, e o exagero deve ser criticado. Mas de fome não se morre - têm sumo de fruta ou néctar, têm iogurte magro ou semi-gordo, tem leite, pode comer pão com fiambre, ou queijo, ou carne, ou atum, ou outros peixes de conserva, e pode comer fruta.
A alimentação é coisa delicada, se estamos num local que existe para tornar as pessoas saudáveis faz sentido não vender lá algo que a longo termo faça adoecer.
Detesto exageros fundamentalistas.
Mas este é um caso específico. tem de se começar por algum lado, e creio que este «lado» faz sentido. O que se come hoje não tem a ver com a louvada dieta mediterrânica, e nas máquinas o que se vê é um fast-food requentado - não obrigada.


a famosa batata de pacote...

Cereja


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Excesso de velocidade

Ponto prévio: eu sei que é muito mais fácil criticar do que propor uma boa sugestão.

Feita esta salvaguarda, considero a ideia de querer reduzir a velocidade para 30 km dentro das localidades de um grande exagero. Em Portugal  a intenção é com essa medida reduzir o número de atropelamentos. E, contrariamente ao que primeiro pensei, a ideia já paira noutros países: França e Inglaterra andam com essa ideia. E pelos vistos até em Nova York...
Como comecei por dizer não sei lá muito bem que sugestão serve para melhorar os excessos, mas 30 km de máximo (ou seja deve circular-se aí a 25) é passo de caracol, já o experimentei ontem em Lisboa e parece-me que vai ser um engarrafamento pegado.
Claro que se vêm por aí uns fitipaldi de aviário, a acelerarem estupidamente, mas nesse caso não cumprem a regra do máximo 50. Isso acontece muito, é claro. Já tenho sido «buzinada» para me despachar quando já vou quase a 50, mas isso é outra coisa. Custa-me aceitar que quem cumpra as regras e tenha bons reflexos não domine um carro se for a mais de 30...
Mas há duas ou três coisas:
Da parte dos condutores devem ter um tempo de reacção bom. E é visível que muitos não o têm,  é ver os semáforos - passa a verde, são imensos segundos até os carros começarem a andar, e por outro lado quando cai o vermelho ainda passam dois ou três carros muitas vezes! Isso é que é perigoso. E noutras situações tenho observado a lentidão de reflexos de muitos condutores.
Há muuuuitos anos, mesmo muitos, houve uns tempos onde trabalhei na avaliação de condutores que tinham tido problemas na condução. Essa avaliação era muito rigorosa na medição dos reflexos, tinha-se de passar por várias máquinas, e recordo uma que avaliava a atenção distribuída ou dividida. Era um painel grande onde em fracção de segundo se acendia uma luz que se tinha de apagar, tocava uma campainha onde se devia carregar, e mais vinte estímulos que nem recordo: girava um disco, caía uma bola, soava um apito, e a cada som ou imagem correspondia uma resposta imediata. Difícil? Sem dúvida, mas não mais do que a atenção que se deve ter ao volante onde se deve ter atenção a tudo e dar uma resposta imediata.
Do outro lado do problema está a educação dos peões. Primeiro acreditarem que-devem-atravessar-na-passadeira. É uma regra fácil, não é? E em seguida atravessarem prestando atenção ao que se passa à sua volta. Também parece fácil. Mas não é. Se temos os phones encaixados nas orelhas o que se está a ouvir, e muitas vezes altíssimo, é a nossa banda musical, não é o carro que se aproxima. Se estou a discutir ao telemóvel, ou a namorar, ou a dizer piadas, ou a coscuvilhar não vejo nem oiço mais nada, a concentração está toda no aparelho. (Não consegui transpor para aqui um vídeo muito engraçado de «educação de peões», de origem francesa, onde se filmava vários casos de peões que atravessavam  sem olhar, perfeitamente distraídos sendo assustados por um ruído intenso de travagem. Todos eles davam um salto e prestavam logo atenção!)
Por último, para se perceber os acidentes, seria também interessante olhar para o nosso parque automóvel. Dizem que a idade média dos nossos carros ultrapassa os 12 anos ! A sério! Não é preciso muitos estudos para se ver que mesmo muito estimado, um carro de 15 ou 16 anos pode estar pronto para vários acidentes, e a culpa não é só dos 50 km à hora.
................
Muita coisa em que pensar.



Cereja





domingo, 14 de janeiro de 2018

Casamento(s)

[tinha em rascunho várias notas para posts que comecei a escrever durante os meses de pausa mas que podem ser 'aproveitáveis', este é um deles]
Esta minha reflexão vai com a etiqueta Ontem e Hoje, nem sempre arrumo o que escrevo pelas etiquetas mas há casos onde se justifica. 

É inevitável para mim, ao ouvir falar naquilo que é preciso para casar nos dias de hoje na nossa terra, comparar com os costumes do passado recente (aí uns sessenta ou setenta anos) e neste mesmo universo, não num paralelo...😇
Posso estar enganada, mas tenho a sensação de que, como em muitíssimos outros costumes, também nesta área, inicialmente se fez sentir com intensidade a influência dos EUA, embora agora já não se reconheça essa influência. Ou, pelo menos, daquilo que se ia vendo através do cinema e televisão.
Comecemos pelo «pedido de casamento». Era uma cerimónia que creio que só se fazia na média e alta burguesia, porque se «pedia a mão» da noiva aos pais dela. Cá para mim começou por ter a ver com dotes e coisas dessas e daí a importância a concordância da família. É certo que por cá também havia o costume da noiva receber um anel de noivado, com uma pérola e um diamante - ela era a pérola e ele o diamante, diziam, porque o diamante brilha e a pérola reflecte a luz  😊
Nos pedidos de casamento de agora segundo tenho ouvido, a coisa passa-se só entre ele e ela, e essa parte está bem, até é melhor, mas o resto é todo um circo! O rapaz deve ajoelhar-se (!!!?) em frente da rapariga, e estender-lhe o estojo do anel enquanto pergunta se quer casar com ele. Constrangedor na minha opinião. E nalguns casos em público e quanto mais gente melhor. Mas não é suposto ser uma coisa íntima?
Depois vem a cerimónia do casamento. Todas as culturas o fazem e percebe-se, é dizer publicamente que aquele par vai ser uma família. E fazia-se uma festa, com mais ou menos luxo conforme o nível económico das famílias, mas com uma despesa comportável... Se as casas dos pais fossem pequenas, pedia-se a um familiar que tivesse uma vivenda ou um espaço maior e fazia-se lá o 'copo de água' e o bailarico. É do que me lembro, e de ouvir contar. Gastava-se bastante dinheiro, mas dentro do razoável. Hoje, pelo tal padrão do que se via no cinema, é obrigatória, e as despesas de um casamento são de loucura. Neste artigo informam que um casamento «modesto» custa cerca de 20 mil euros!!! Mais do que um ano inteiro de vencimento de um técnico superior.
É assim: a) o vestido de noiva, indispensável e sempre caríssimo, b) o catering ou seja o antigo 'copo de água' que era bem mais do que um copo de água, mas actualmente também tem custos astronómicos, c) as flores para o local da cerimónia e da festa, d) os convites, cartões etc, e) o aluguer do espaço onde vai ser a festa,  f)o fotógrafo para fotografar e filmar, g) o aluguer de carros de aparato para levar os noivos... nem me lembro agora de mais nada porque vejo só 20000 € ou até o dobro se houver muitos convidados...
Claro que a grande, grande diferença para a minha época é a naturalidade com que se encara a união-de-facto, coisa escandalosa no meu tempo e impensável no da minha mãe.
Claro! Com estes casamentos de cinema é bem mais sensato dar uma entrada para uma casa. E o casamento logo se vê...


Cereja

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

An apple a day... não, quero dizer, um escândalo caso por semana...


A nossa Comunicação Social trabalha que se farta, coitadita. 
Mas é interessante observar como as notícias se dividem claramente em filhas e enteadas. 
Primeiro, mostrando trabalho, tem de haver notícias(?) importantes todos os dias do ano. Isso parece ser o ABC da venda de jornais. Seja o que fôr, se foi falado ontem, é coisa velha e passamos a outra. É evidente que há notícias todos os dias, em Portugal e no Mundo, e isso é material que deve ser levado em conta, mas terá de haver parangonas sempre, e obrigatoriamente com temas chocantes ou escandalosos? Eles acham que sim. Uma boa notícia não é notícia. O ditado «Pas de nouvelles, bonnes nouvelles» traduzido às avessas «Bonnes nouvelles sont pas de nouvelles»
Segundo, e isso é que mais me choca, a Comunicação Social deixou há muito de tentar ser neutra e imparcial, obedece aos seus donos patrões de um modo cego, varrendo para debaixo do tapete aquilo que os incomoda, não procurando confirmação daquilo que diz, nem ouvir com imparcialidade os dois lados de uma questão. É frequente, até jornais «de referência», avançarem com informações que são quase logo desmentidas. Como é possível?! O descrédito do jornalismo.
Como entra pelos olhos dentro, esta Comunicação Social, empenhada em destruir um governo-geringonça enquanto trabalha para a vinda de um governo bloco-central, vai procurando sistematicamente «escândalos» a que possa ligar membros do governo. Como escreveu o Daniel Oliveira está montada uma Máquina de Indignar. Procura-se que os leitores vivam em contínua indignação. Foi a IPSS Raríssimas que quiseram à força ligar o Ministro Vieira da Silva. Depois veio o famigerado bilhete de futebol (que ainda por cima naquela bancada não custa dinheiro) do Ministro Centeno. Depois a parvoíce dos aquários muito gozada nas redes sociais: um imposto para a actividade de aquacultura, iria ser cobrado a qualquer aquário doméstico! Agora perfila-se a guerra sobre a PGR, se volta ou não no fim do mandato. Os maus querem mandá-la embora e os bons querem que fique (mesmo que a própria tenha defendido o mandato único ) e rimos no twitter: a saída da Joana Marques Vidal antes de ela poder abrir um inquérito ao caso tecnoforma é uma injustiça  😊
Mas a verdade é que há imensas notícias que não devem interessar nada, porque derretem como um floco de neve ao pé de uma fogueira. A EDP, por exemplo, junta-se à Galp e decide não pagar imposto, ou perdoa-se à Brisa 120 milhões (mas quem lhe deve um euro pode ter de pagar cem vezes mais...) ou o descalabro dos CTT a fechar balcões a a distribuir lucros pelos seus accionistas. Os focos cuidadosamente orientados para o que querem que a opinião pública pense.
Isso sim, isso é um escândalo.
E repete-se, repete-se, repete-se.....

Tenho de pagar imposto? Eu?



Cereja




terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Poupar «gastando» ou de como confundir o consumidor...


Tenho alguns temas, do tipo 'ódio de estimação', a que volto de forma recorrente, mas não consigo impedir de o fazer. E o consumo ou a forma habilidosa como se acena com a cenoura à frente dos burros que nós somos, é uma delas.
Por uma experiência recentíssima, voltei a pensar na acção maléfica que dá pelo nome de obsolescência programada. É coisa que tem cerca de 100 anos, mas actualmente está no auge sobretudo nas novas tecnologias claro. Quando ouvi a palavra obsolescência (?) a primeira vez achei que era nome de doença ou algo assim, senti logo que era coisa de alguma bruxa má. Claro que era. Quando eu era criança e se vivia no pós-guerra, essa tal obsolescência ainda não tinha chegado a Portugal, e faziam-se coisas para durar. Uma coisa boa, de boa qualidade, era a que durava mais. Disparate! Se durasse muito como é que o fabricante vendia o novo, o que ia fabricando? Ná, ná, o produto - electrodoméstico sobretudo mas atinge tudo - tem de se estragar rápido e sobretudo não haver peças para o arranjar, ou até mesmo as peças serem do preço de um novo. Qualquer um de nós sabe que um aparelho que se compra agora vai ter uma 'esperança de vida' bem inferior ao semelhante que já tínhamos há 20 anos... É a obsolescência.
Mas há outra técnica de venda, muito interessante, que nos toma por parvos e infelizmente resulta: vender grandes quantidades com o pretexto de assim fica mais barato. Quando o conselho é «leve 2 e pague 1» ainda se vai percebendo - ainda que possamos pensar que se querem fazer 50% de desconto bastava vender 1 por metade do preço. Mas muitas vezes a quantidade que impingem é enorme e de  pouco consumo ou com risco de se estragar. Não se vê «leve 2 dúzias de rolo de papel higiénico e pague 1» a não ser que seja uma grande porcaria de papel, invendável... Afinal aquilo é sempre preciso e não se estraga. Mas sacos com fruta, caixas com queijos, iogurtes, mesmo no prazo, o negócio é para o vendedor: quem compra não poupa nada, quando chegar às últimas peças já está tudo podre, o preço afinal foi... normal.
Voltando à minha infância onde de facto se poupava e aproveitava tudo, porque um-dia-pode-dar-jeito, havia na caixa de costura, por exemplo, umas caixinhas de botões onde se guardavam os já usados que voltavam a servir, ou fechos-éclair que se podiam aproveitar para outras saias ou vestidos... Ontem quis comprar um para arranjar uma coisa e entrei numa loja. Não, não era uma retrosaria, isso já desapareceu (quase) era uma loja que vendia tudo. E lá encontrei, pendurado, uma embalagem de fechos-éclair do tamanho que precisava. Embalagem?! Sim, embalagem com 4 fechos de cores diferentes. O conjunto era barato, pois era. Mas que raio ia fazer com as 3 cores de que não precisava? Talvez um dia precisasse??
E quando se vende 3 pares de óculos graduados iguais?  Para que quero eu mais 2 pares de óculos, a não ser que seja uma cabeça no ar que os perca? (aliás se perder 2 também perco seis ou sete....)
A palavra de ordem é vender! E o cliente vai acreditar que poupa embora até gaste mais.
Seremos assim tão parvos?

Eram uns belos pêssegos, não eram?

Cereja

domingo, 7 de janeiro de 2018

Começar do princípio, pelos alicerces


É um facto reconhecido. Portugal é um país mediterrânico com clima temperado (será?) com a particularidade de morremos de frio todos os Invernos...
Quando me queixo de estar calor ou estar frio há sempre um esperto qualquer que me diz que eu também me lamento no caso inverso. «Tens calor?! Gostas mais de ter frio?...» Pois é. Não gosto do muito. O que é demais é demais. O meu metabolismo é temperado. 😉
E tenho razão. Li ontem que Portugal é dos países europeus onde se passa mais frio dentro de casa portanto não é fantasia minha, andamos mesmo a rapar um frio do caraças! 
É certo que o aquecimento não é barato. É um escândalo o preço da electricidade em Portugal! É público que pagamos a electricidade mais cara da Europa o que não se entende a não ser pelas tais taxas e jogos confusos nos negócios desta área. E assim evitamos esse tipo de aquecimento doméstico, ficando muitas vezes pelos múltiplos agasalhos, assim tipo cebola...
Mas... Recordo muitas vezes, uma estadia na Bélgica há mais de 40 anos onde assisti ao maior nevão que podia imaginar. Começou a nevar quando cheguei e fiquei encantada, mas depois continuou sem parar 8 dias e o encanto foi-se porque ficou tudo encardido. Ora bem, assim que nos abriram a porta da rua da casa onde ficámos o frio atenuou-se com surpresa minha. Era o aquecimento central do prédio!!!
Ora o segredo de não se sentirem excessos climáticos, está na construção das casas. E isto não vai lá com remendos, ou se faz de raiz (de alicerce ) ou nunca fica como deve ser. As nossas casas têm paredes finas e sem caixa de ar, não se usa janelas duplas, a construção é fraquinha para ser barata creio eu. Portanto mesmo que se aqueça o interior esse calor foge para fóra, não há calafetagem que chegue. Até se encarar a sério o problema da construção vamos a continuar a morrer de frio no Inverno ou de calor no Verão.


Cereja




sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Já ando tão farta...

Marcelo.
A força da sua popularidade é tanta que basta um nome próprio. É certo que é um nome próprio invulgar, se o padrinho lhe tivesse chamado José, Manuel, António, João, não resultava. Há nas redes sociais quem queira desmontar este truque do primeiro nome e insista em se referir a Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa, mas é uma gracinha, porque nem sequer um apelido agora lhe dão (o «outro» é o Caetano). Caso único até agora, mesmo familiarmente, falava-se do Cavaco, o Soares, o Sampaio, o Eanes, honra de primeiro nome só Marcelo. Porque é inigualável!
Há uns tempos encontrei num blog um texto sobre o percurso de Marcelo que resume tal e qual o que andava a sentir sobre a personagem. Porque de início fui enganada, apesar de um tanto desconfiada e sentir dúvidas não quanto à sinceridade, que nunca acreditei, mas se a jogada era para durar. 
Escuso de dizer que não votei nele, embora visse logo que ia ganhar à vontade quando a Maria de Belém se candidatou. A esquerda não se sabe unir (com a honrosa excepção da geringonça) e o resultado foi aquela estrondosa vitória. OK. Ele andava há anos a fazer campanha, tinha um tempo de antena semanal sem contraditório, um avanço imbatível. Mas, os primeiros tempos foram para mim uma boa surpresa. Após a Múmia de Belém, era agradável o enorme contraste. O oposto: simpático, conversador, presente em tudo (ai, ai, ai...) culto, inteligente, foi refrescante. 
Os primeiros tempos até desagradaram aos seus correlegionários, vimos o PSD a amuar. O governo a que Cavaco dera posse com tão mau modo, foi elogiado e apoiado por este novo PR com alguma surpresa da esquerda. Via-se o Primeiro Ministro e o Presidente lado a lado, sorridentes, em harmonia como na famosa foto do guarda chuva. Parecia tudo cor-de-rosa, rosa shocking talvez, mais avermelhada do que rosa-bebé. 

Depois veio a fase do frenesim. O homem que não dorme (4 horas, diz-se)  levava as 20 em que estava acordado num corrupio frenético, com uma cauda de repórteres.  Uma delícia para os media! E algum enjoo para quem começava a estar farto, não havia um telejornal, um único, que não falasse da criatura. O que é demais, é demais.
Mas no segundo ano, o castelo de areia não aguentou. O homem da traição da vichyssoise revela-se. A manipulação sonsa está-lhe no sangue, faz de conta que não sabe coisas de que foi informado para tirar dividendos, manipula dados, adianta-se em comentários e opiniões onde não se vislumbra a tal solidariedade institucional... A guerra está declarada, mas de uma forma dissimulada, mascarada, sonsa. Afinal o que esperaria quem resistiu a deixar-se enganar, quem tem memória do que ele disse ao longo da sua vida política. Ainda a semana passada um acontecimento parou o país, Marcelo foi operado de urgência. Foi-o num Hospital Público, revelando sensatez porque são os melhores serviços, à saída mostrou-se satisfeito, mas a verdade é que ele tinha votado contra o Serviço Nacional de Saúde... 
Ah, pois é! Quem se dê ao cuidado de ir ver as posições que ele tomou ao longo da sua vida política pode achar interessante. 

O populismo das selfies, levado ao extremo. Há tantas piadas que é difícil escolher uma...






Cereja

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Pai Natal e outros considerandos...

Para mim o Natal é muito mais do que a cena das prendas. Quando era pequenina encontrava na base da minha Árvore de Natal dois ou três brinquedos, não vinham embrulhados via-os logo, mas se os pais ou avós trocavam prendas entre si não reparava. Nem me passava pela cabeça que era pouco, eu não esperava mais... E, sim senhor, eram prendas do Pai Natal porque me tinha portado bem 👧
Mas isto era no pós-guerra, nada a ver com o que veio a seguir. Hoje em dia, com algumas (poucas) resistências, é a festa do consumismo desenfreado, chega a assustar. Uma criança de hoje até faz uma lista daquilo que quer, e escreve cartas ao Pai Natal com pedidos específicos.  Li há pouco que os pais portugueses são dos mais generosos da Europa embora, como sabemos, estejam longe de serem os que vivem melhor. Mas o receio de desiludir os seus filhotes, faz ultrapassar o bom-senso. E é este ponto que me faz pensar. 
Inicialmente, a figura do Pai Natal, embora sorridente, bonacheirão, generoso, era também justiceiro. A sua prenda era para o «bom menino», o «mau» não levava nada! É certo que os maus, mesmo na recta final faziam o seu esforço e a história acabava bem, mas...  Nada estava garantido à partida, o presente não era um direito só por se ser criança, tinha de ser merecido. Isto nada tem a ver com a actualidade, na maioria dos casos. Certas casas com crianças parecem sucursais da Toy´s R Us. No dia seguinte nem sabem nomear tudo o que receberam, falam de dois ou três de que gostaram mais. Já ouvi dizer «recebi isto e aquilo e mais umas tantas porcarias» (!!)
Quando escrevi acima que há um ponto que me faz pensar referia-me ao receio de tantos pais de desiludir os filhos. A desilusão, o desapontamento, é uma dor forte. É tristíssimo, e bem o sabemos. Não cumprir uma promessa a uma criança é um dos pecados mais graves de um educador, e aconselho a nunca prometer se não podem cumprir. Para mim essa receita é muito importante, e a criança deve ser realista, ter uma expectativa de acordo com o ambiente onde vive. E só ganha se aprender e conseguir valorizar aquilo que pode ter.
( O texto está grande mas quero contar uma história de Natal inglesa, com prendas, e dois irmãos com feitios opostos: um era um absoluto pessimista e o outro um absoluto optimista. Na noite de Natal o pai foi deixar no sapato de um um relógio de ouro, e no outro uma bosta de cavalo. Na manhã seguinte ouviu duas vozes na cozinha, uma a choramingar e outra a rir. Foi a correr e ficou parvo: o pessimista choramingava «Ai a minha vida, um relógio de ouro, ai que medo que o roubem, que aflição...»  e o outro ria «Eu recebi um poney!!! Viva! Fugiu, mas não me importa! Tive um poney!!!» Lição - o importante é como se vêem/sentem as coisas) 


Cereja

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Quarto Poder

Não são iguais, sabemos. Os clássicos Três Poderes têm um peso e uma força diferentes. Sabemos que os cidadãos elegem o Legislativo, são os deputados da Assembleia da República tão criticados de um modo geral, e com tanta violência muitas vezes, que até parece esquecer-se que é a forma de haver democracia representativa. O Judiciário não é eleito, e isso é importante. É certo que a independência dos outros poderes dá-lhe força, mas presta contas a quem? * O Executivo, além do Presidente da República eleito directamente, representa também a vontade do povo, porque nasce do Legislativo, é indirectamente votado.
E agora aparece esse famoso Quarto Poder, um Poder absoluto. A Comunicação Social actualmente, e  pelos vistos por todo o Mundo, ultrapassa profundamente os limites da verdade e da justiça. Não são, obviamente, os jornalistas em si ou como classe mas sim os grandes grupos económicos que mandam nas notícias que se vai consumindo; aliás é fácil controlar os jornalistas, porque são os patrões/grupos económicos que lhes dão trabalho e lhes pagam... E, portanto as forças políticas apoiadas por esses tais grupos económicos.
Pronto, todos sabemos isto, mas apeteceu-me relembrar para situar bem a raiva com que ando a quem manipula tão descaradamente a opinião popular! Eu sei que se vê isso por todo o mundo (olhem para os EUA e a vitória do Trump) mas eu vivo em Portugal e todos os dias leio e oiço coisas que me dão volta ao estômago. Desde a mais grosseira mentira, falando de coisas que não se passaram assim, ou dando voz e 'tempo de antena' a gente que afirma inteiras falsidades com o maior desplante, até à manipulação da linguagem e do modo como se apresenta uma notícia com uma insinuação!
Li no FB uma chamada de atenção do Paulo Querido mostrando as notícias sobre as festas de Fim do Ano:  Em Lisboa, afirma-se que o Medina "gastou" um balúrdio (mesmo que isso já tenha sido explicado, essa verba vem de um patrocinador, com um fim específico) que no Porto, "custaram" um tanto (mais suave a expressão porque já se desconfia do Rui Moreira mas...) e no Funchal se "investiu" outro tanto nestas festas, os sensatos psd cujos gastos são investimentos. Mainada!
Isto é uma minúscula gota de água, mas vai moendo como no dito da água-mole-em-pedra-dura, para manter a imagem aquática.
Por exemplo, acho curioso o cuidado que se tem em referir um qualquer criminoso, como alegado qualquer coisa. Um tipo aparece ao pé da mulher esfaqueada, com a faca a pingar sangue, e entrega-se a dizer que ela estava a pedi-las ou coisa assim. Os repórteres, com cautela falam no 'alegado assassino'. Muito bem, apesar do exagero. Um político é acusado anonimamente de um acto qualquer, nem procuram ouvir a outra parte, pespegam com a história na 1ª página e desta vez não é 'alegado' coisa nenhuma, é como se fosse um facto indiscutível. Passa-se constantemente.
Aliás, a campanha (?) contra o Poder Legislativo dá frutos, a imagem que ganha força é de que «os-políticos-são-todos-iguais» e iguais pela negativa. Aliás esta lei desastrada do financiamento partidário caiu que nem sopa no mel. É a prova dos nove de que eles são todos iguais e corruptos e desta não se safam.  Acabei há minutos de ler Marcelo chumba classe política por mau comportamento
Pronto.
Marcelo, o impoluto Marcelo, o beijador de velhinhas e crianças, que segundo os media considera que 2017 foi um mau ano, passando uma borracha por tudo o que foi positivo, (não foi isso que ele disse mas foi essa a leitura repetida até à náusea) afinal não é um político, distancia-se da «classe» mal comportada.
O grave é que quem lê e ouve as informações manipuladas, as fake news, as invenções sem pés nem cabeça depois não se dá ao trabalho de ouvir os desmentidos. Quando eles conseguem aparecer....
E assim vai o Mundo... (quero dizer a Comunicação Social mas é quase o mesmo)


Cereja

* é a minha 'pedra no sapato', a arrogância da magistratura não me cai nada bem :)



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Ano Novo, retorno...

Desta vez foram meses de silêncio, e confesso que quanto mais tempo passava mais difícil se tornava voltar... De vez em quando havia um assunto que me parecia particularmente interessante, e chegava a escrever um texto para o Cerejas, mas... estão ali, nos bastidores, em rascunho! Estive a contar aí uns 10 rascunhos de temas que já não vale a pena voltar a focar. 
Já se sabe que o tempo doirado dos blogs, já lá vai.
Eu escrevia no meu blog como faço hoje no facebook, com a diferença de deixar o link para a notícia com bastante mais dificuldade, não era clicar no artigo e «partilhar»!!! Não senhora, inicialmente tinha de escrever agátêtêpê+doispontos+duasbarras+abrir aspas+o endereço+fechar aspas+sinal de maior+inserir o que queria que se visse+sinal de menor+barra+a minúsculo... e fechar!!! E pronto! Dava um bocadinho de trabalho, mas a coisa era tão repetida que já nem pensava, era automático!
E as fotos!! Confesso que nem me lembro do código que era preciso, mas era coisa difícil! Recordo bem a primeira vez que consegui deixar uma foto ampliada, e que vaidosa me senti por esse feito!
Bem, este relambório é para justificar a mim mesma porque agora ando mais pelo FB e abandonei o meu querido Cerejas que não merecia isto.
Portanto, decisão de Ano Novo: Dois amores como cantava o Marco Paulo. Para o Cerejas conversa de blog, para o FB, conversa de FB!
.......
Até já!
 (bem, quero dizer «amanhã» também nada de exageros....)

Cereja

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Quem vê caras....


Eu luto um pouco contra as 'ideias feitas' e os estereótipos, mas é claro que a nódoa cai em todo o tipo de pano 😌
Ilustração desse provérbio:
Tenho na minha rua uma lojinha a que não o que devo chamar. Lugar? Mercearia? Vende sobretudo hortaliças e fruta, mas tem um pouco de tudo. Um espaço pequeno, um pouco sombrio, propriedade de (um indiano ? paquistanês?) um homem de pele escura, sorridente, de português macarrónico, muito atencioso.
Os preços são impressionantemente baixos. E os produtos são saborosos embora sem grande aparência. A fruta, exposta fóra da porta, é pequenina e desigual, nada de encher o olho como nos expositores das grandes superfícies, e como está ao ar livre, sem refrigeração, vai amadurecendo conforme lhe bate o sol... Não há lá ar refrigerado! Mas a dita fruta, assim enfezada por vezes, tem muito mais sabor do a vistosa dos supers!!! Assim como os legumes, batatas, cebolas, alhos, é tudo baratíssimo e saboroso.
Não vou lá tantas vezes como a loja merecia porque se situa no caminho oposto ao que utilizo todos os dias, e esqueço-me dela. Mas já reparei que é frequentada por muitas velhotas (senhoras idosas?) da zona, que se calhar param ali quando vêm da Farmácia ainda mais abaixo depois de medir a tensão arterial... Ontem quando lá entrei um casal estrangeiro falava em inglês com o dono, uma conversa animada, ouvida com atenção por uma das tais velhotas. Quando ficámos sós, ela perguntou-lhe «Ah! Falas inglês?!». Fazendo conversa eu, sorridente e talvez com uma pontinha de superioridade, respondi-lhe «Com certeza que fala... Deve ser mesmo a sua segunda língua! Fala melhor do que português, e melhor do que nós...»
Com surpresa minha, a senhora de pele muito enrugada, cabelo grisalho mal penteado, vestido trapalhão, e sinais de muito poucas posses, vira-se para ele e começa a falar em inglês! Não, não era inglesa, as palavras saiam um pouco hesitantes como quem procura o termo mais correcto, era uma portuguesa a falar um bom inglês! Ele, bem mais à vontade do que eu tinha ficado, perguntou como é que ela falava tão bem, e ouvimos a resposta - tinha sido professora de inglês!!!
Senti-me envergonhadíssima com o meu preconceito.
Vendo-a naquele lugar e com aquele aspecto, automaticamente classifiquei-a como uma avozinha-dona-de-casa com os conhecimentos adequados à aparência. Creio que corei de vergonha.
..........


Pois é as caras não acertam com o coração, ou com o passado de cada um.

Cereja

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Dominó - branco ou preto




Li há pouco no twitter: «portugal dominó: o salvador não presta, o fernando santos é horrível, o marcelo é um troca-tintas, e o costa ainda vai matar-nos a todos»
Certo, era de um twitter que tem bastante graça, e mais uma vez foi tiro certo. Assim vai a nossa opinião pública. Um pêndulo (de newton, com várias bolinhas) 
Faz-me alguma impressão sobretudo quando esqueço a prudência e me deixo apanhar por um dos extremos, ou o facebook onde tenho quase só amigos que pensam como eu, ou o extremo dos comentários anónimos (?) dos jornais.
No caso do fb é mau para o mim porque acabo por não levar em conta que as pessoas que pensam exactamente o contrário de mim são tantas, tantas. tantas... e que a minha 'amostra' está muuuito viciada. No caso do dominó, ou antes 'jogo de damas', são só pedras brancas. Erro. Aliás o lado artificial do fb é notório quando alguém deixa uma foto pessoal, que recolhe sistematicamente comentários dizendo «liiinda!», «pareces uma estrela!», «lindíssima!!!» o que como se calcula não pode ser verdade. Faz-me sempre sorrir porque é um jogo - quem deixa a foto sabe bem que não é lindíssima, e quem diz os exageros sabe que lhe vão dar desconto.

No outro extremo, as pedras pretas, estão os 'comentários' dos leitores mais ou menos anónimos  que todos os dias se dão ao trabalho de «analisar» as notícias da imprensa. Por exemplo, um artigo do New York Times inventariando as mentiras do Trump desde que chegou ao governocoisa óbvia e que só refere factos. E, enfim, o New York Times é um jornal respeitável com mais de século e meio de existência, 118 prémios Pulitzer. Ora vejam, se tiverem curiosidade em ler os comentários que se seguem a este artigo ficam com uma ideia do que se passa na cabeça das pessoas! Exemplos tirados a copy/past :
a) Mentiras de Trump? ...ou mentiras sobre Trump...? b) Os media não se conformam com a vitória de Trump. c) ...e o anterior foi melhor? d) Os outros estavam mais preparados para fazer a mentira parecer mais verdade,aqui a única coisa é mesmo a perseguição que existe ao homem. *( ler no fim da página uns bem piores, com palavrões e tudo, escolhidos ao acaso) 
Poderia ser «normal» [hmm...] se lêssemos alternadamente outras opiniões, discordando deste lixo. Mas o que me deixa desnorteada é que isso raramente acontece! Neste caso, quando o li, em toda a página só lá estavam este tipo de comentários. E ocorre em todos os artigos que leio e onde me atrevo a ler comentários. De vez em quando aparecem uns ingénuos a querer deitar água na fervura, mas são logo corridos a poder de insulto e palavrão. As «caixas de comentários» dos jornais são caixotes do lixo, comentários grosseiros e com uma visão radical de direita de todo o mundo.
Impressiona-me.
Seria interessante que se fizesse um estudo sociológico - estão a fazer estudos por tudo e por nada! - para saber confirmar a classe socio-cultural destes opiniadores. Se, como parece, forem pessoas de 'poucos estudos' devemos refletir como é que a direita e até a extrema-direita domina tão completamente neste meio.
Mas para não me subir a tensão arterial vou voltar para o meu mundo confortável do facebook, irreal mas onde as discordâncias são aceitáveis.



Cereja
* e) Como sempre digo enquanto os caes ladram a caravana passa... chorem mais um bocadinho idiotas anti-Trump que ele promete oferecer-vos um lenço para limpar as lagrimas do vosso focinho kkk 
f ) impressionante como a FDP dessa media esquerdista nao se conforma com a vitoria desse grande homem que é o Trump. Os fdp criaram um inimigo de estimacao e alvo a abater nas suas cabecinhas cheias de mer... tipica da mentalidade podre esquerdista (pró bic...hanices apa- neleirados, lgbts, feminismos, ideologias degenero, mania da vitimizacao, e perseguicao das pobrezinhas minorias,etc) Para os anti-Trump aconselho que enfiem um desses supositorias pelo buraco do c-u acima que essa vossa  TRUMPOFOBIA passa logo...
g) continua a azia dos média, e ataques cobardes, com a tentativa de formatação da opinião pública.O que não entrou na cabeça dos média é que estão ultrapassados, e foram expostos nas  suas fakes news e ideologia esquerdalha.Ainda têm mais sete anos de azar pela frente. E os média portugueses vão na onda. ..em vez de informar opinam. Depois queixam-se da lixeira em que está o jornalismo, salvo raras excepções.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Uma cansativa luta quase diária

Havia uma ideia-feita, nos estereótipos mulher-homem, que afirmava que as mulheres gostam de fazer compras. Ponto final. Desde miúda que ouvia isso. Tinha dois aspectos a) como as mulheres gostavam, homem que é homem não se devia preocupar com isso b) metendo no mesmo saco tudo o que fosse compra ridicularizava um tanto a mulher mas de uma forma leve. Claro que ao sair de casa dos pais, dava conta que o papel higiénico não se materializava na casa de banho, e o pão depois de comido não voltava à caixa do pão. Alguém velava para que isso acontecesse....
E, sabemos que a maioria das coisas que precisamos sempre de comprar são necessidades, muitas vezes urgentes mesmo que rotineiras. E em Portugal, onde a média dos salários é ainda tão baixa, menos de metade da União Europeia, temos de olhar cuidadosamente para os preços e estar sempre a fazer comparações. Porque, para quem o não faz, o 'fim do mês' chega bem mais cedo do que o fim do ordenado.
Mas como o grande comércio tem uma ganância desmedida, a publicidade e os truques atacam em força. É uma guerra aberta, entre o consumidor e o grande vendedor. Muito cansativa... Truques aos montes: 1- os carrinhos dos supers são muito grandes porque vendo poucas coisas lá no fundo parece que se comprou pouco 2 - os produtos mais baratos estão nas prateleiras mais em baixo onde escapam ao olhar normal 3 - não é nada fácil comparar preços e quantidades ( é obrigatório mostrar o preço do produto ao quilo mas mal se vê o dístico onde isso está) 4 - muitas vezes vende-se quantidades enormes numa embalagem porque «sai mais barato» mas eles escoam os stocs e o produto vai apodrecer é em casa do comprador 5 - alguns produtos parecem baratos, mas as embalagens não são de meio quilo como parece, são 400 gr (uma libra ) que é um peso que não se usa cá,  etc, etc. Vivemos numa caça ao embuste mas legal (!!!)  que há cuidadinho com a lei...

E os letreiros? Quando há muitos, muitos anos vi pela primeira vez o 99 fiquei a pensar e sorri. «Olha que ideia! Menos um tostão?!»  Parecia-me ridículo. E era. Mas afinal estava psicologicamente certo. Hoje quase todos os anúncios usam o vírgula noventa e nove. Já não se usa escrever um preço sem apêndice. Mesmo quando um cêntimo não altera em nada o gasto que se faz. É o costume 😖
E há outro truque 'engraçado'. Há pouco fui quase vítima dele. Imagine-se muitos objectos num expositor e por cima um letreiro que se via bastante ao longe: TUDO A (em letras muito grandes) e por baixo letra ainda maior, 5 € . Hmmm... valia a pena. Como até precisava, escolhi um de que gostei. Já perto da caixa fui confirmar e li 20 €. Como?? Voltei a aproximar-me do cartaz, e lá estava, entre a linha do Tudo a e a linha dos 5€ estava, em letra bem pequenina, escrito partir de . Não era mentira que estava lá «Tudo a partir de 5€». Se calhar em 10 havia 2 de 5 €.
Este tipo de jogo é fatigante. Não se está entre pessoas de bem.
Hoje já não oiço tanto essa conversa das mulheres «gostarem» de fazer compras, talvez porque já vemos muito mais homens a empurrar carrinhos. E compreendem a canseira que dá detetar tanta armadilha. Uma guerra quase diária.


Não deviam ser 9 em cada 10 a usar o sabonete Lux, mas que inocência de anúncio!

Cereja

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Reflexões

Gostava de começar com um texto excelente que a Isabel Faria deixou no facebook. Diz  aquilo que eu gostaria de ter dito  * que neste caso gravíssimo do descontrolo florestal todos fomos culpados, porque, em certa medida, não levamos suficientemente a sério. Mesmo os mais activos e comprometidos politicamente não se preocuparam o bastante - fazíamos manifestações, abaixo-assinados, até greves, por questões laborais, problemas de saúde ou educação, mas a floresta era para 'os ecologistas' eles que se ralassem. Eu não atiro a primeira pedra. reconheço.
Mas há coisas de que oiço hoje especialistas falarem pela primeira vez, talvez porque 'hoje' têm tempo de antena, e oiço outras vozes, de há muitos anos. Tenho uma grande amiga que nasceu numa aldeia. Filha de pais rurais e sem muitos meios viveu na aldeia até aos 13 ou 14 anos quando começou a trabalhar (!). Refere que os terrenos dos pais e vizinhos estavam sempre limpos, e esses pequeníssimos agricultores até recebiam paga para 'permitir' que lhes limpassem as matas, porque se aproveitava tudo. A erva para comida do gado, tudo o que fosse galho ou restolho para o fogão e aquecimento. Os terrenos não ficavam com nada que pudesse arder, mas ela já há anos que dizia que essa limpeza agora sai caríssimo!
No outro dia ouvi na TV o eco das palavras da minha amiga, na voz de um engenheiro silvicultor, quase as mesmas palavras que ela usava. Uma das sugestões dele, era que os resineiros que só têm trabalho 8 meses por ano fossem pagos os outros 4 meses pelo governo para esse trabalho de limpeza do restolho.
Porque uma das coisas que eu não sabia era o peso do privado na posse de floresta ou, dito de outra forma, a pequeníssima parte  pertencente ao Estado. Afinal cerca de 85% da floresta portuguesa está em propriedade privada,apenas 3% pertence ao Estado, os restantes 12% são baldios.
Parece que a percentagem pertencente ao Estado é uma das menores da Europa. Três por cento! Ou seja se a posse é privada a responsabilidade de cuidarem deles também é «privada». O que complica muito essa responsabilização quando, pelo que se sabe agora, muitos proprietários nem sabem onde estão as suas terras 
Desmazelo? Confusão. Respeito total e absoluto pelo direito de propriedade? Ficamos de boca aberta de espanto. A propriedade é sagrada e este ponto?! 

Talvez pelo pior dos motivos agora haja um grande safanão. 
Nacionalizem tudo e devolva depois  a quem provar a sua posse. E com obrigação de cuidar verdadeiramente dela.  É certo que isto piorou muito com o cultivo do eucalipto que cresce depressa, dá lucro com a venda da madeira, mas é muito inflamável. É urgente cortar os que existem e não se plantar mais, mas não chega. É toda uma mudança, até de mentalidade, que se tem de fazer. As matas devem ser limpas como a nossa casa.
Afinal o nosso país, a nossa terra, é a nossa casa.

Cereja

* procurar o texto dia 21/
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terça-feira, 20 de junho de 2017

O Horror

Tinha vários textos em rascunho para deixar aqui no blog quando me apetecesse, mas agora não me apetece, sinto que neste momento até é de mau gosto publicar coisas leves ou engraçadas. Só me é possível pensar no pesadelo que se vive agora na nossa terra. Têm sido notícias sempre e sempre piores, quando se pensava que era apenas uma noite horrível, vamos vendo que o horror continua, mais e mais e mais e o incêndio expande-se e não se deixa controlar.
Mas uma coisa são as notícias, reais, de factos, objectivas, concretas, que são já suficientes para nos deixar apavorados. As audiências já só podem ser enormes, é impossível não o serem.
Portanto não é preciso serem aumentadas com os relatos de jornalistas como abutres a alimentarem-se do desgosto alheio, apanhados com o mais profundo sofrimento. E, infelizmente, todos, ou quase todos, ficamos de boca aberta com a inacreditável falta de ética jornalistica que muitos dos nossos repórteres mostram. Muitos. Também ouvi reportagens correctas, de jornalistas que correm riscos físicos para trazer informação, e a esses agradeço o esforço e aplaudo-os.
Mas.
Há já vários anos, quando a Diana Andringa foi presidente do Sindicato de Jornalistas, falando exactamente de ética ela disse-me que fazia parte das normas nunca se entrevistar ninguém que estivesse debaixo de grande emoção. Uma questão de respeito, creio eu. Recordo essa conversa muitas vezes. Fazia sentido.
Se calhar já nessa altura, há mais de 20 anos, a regra não se cumpria completamente. Mas, desde há uns tempos, com os tabloides portugueses e a tv também taboide, na verdade faz-se exactamente o oposto, provoca-se a emoção antes de a pergunta! Até parece que se o entrevistado não estiver debaixo de uma emoção extrema, de raiva, de paixão, de medo, de susto, é tempo perdido falar com ele...
A procura do sensacionalismo, como se a realidade não fosse suficiente, é constante. E não sou a única a pensar assim. Deu brado, com tanta repercussão nas redes sociais que já se abriu um inquérito na  Entidade Reguladora para a Comunicação Social a reportagem da TVI protagonizada por Judite de Sousa, que falava ao lado de um corpo. Não se entendia a falta de sensibilidade, tanto mais vinda de uma pessoa que já passou por um luto doloroso e foi respeitada no seu desejo de não ser exposta na dor. E que é professora de comunicação social! 
Mas foi um caso entre muitos. Demasiados! Expliquem-me como é possível fazer uma entrevista (?!?) a alguém que perdeu a mulher e duas filhas com 12 e 15 anos horas antes! Porque se insiste em perguntar «Como se sente?» a gente que tem de estar de cabeça perdida, louca de dor. A sofreguidão de captar clientes aos outros órgãos de comunicação social não pode justificar tudo!
.......................
Afinal entre estas duas capas qual a que nos chama a atenção?
Qual a que tem mais impacto por ser inesperada?


Cereja

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Outra vez a educação

Volto sempre à vaca fria. A educação. Por educação não estou a pensar na escola, e sim no que se aprende desde bebé na intimidade da família, mais importante na minha opinião. Podemos sempre completar a escolaridade, há gente bem idosa que aprende a ler e escrever, mas o comportamento é moldado na infância.
Li há poucos dias um post da minha amiga Isabel Faria, no facebook. Relatava, no seu estilo pessoalíssimo, uma conversa que ouvira num café. O post,  não teve assim lá muitos comentários ou 'gostos', teve alguns é claro, mas merecia mais. Dizia ela: Quando ouço algumas conversas entre filhos adolescentes e pais de filhos adolescentes, ou pouco mais que isso, dou-me conta que sou mesmo muito careta. E que tive mesmo muita sorte. Acabei de fugir do café sem saber se me apetecia mais dar um grito na pirralha que dizia à mãe aos gritos "sei lá se vou jantar ou dormir a casa pá,, como e durmo onde quero..." Ou um tabefe à mãe que lhe pede em voz baixa e vacilante "Mas se puderes avisar...para eu poder dormir descansada...E tem cuidado com o multibanco...não percas esse também... ". São todos assim, ainda ouvi a mãe dizer à amiga...enquanto esta acenava com a cabeça que sim. Podia desmentir a senhora...mas, na volta, comigo ela ainda levantava a voz...
Eu não ouvi esta menina, mas tenho ouvido outras ou o relato de pais desconcertados sem saber como responder a atitudes destas. A verdade é que isto é uma semente que é plantada cedo. Recordo um menino num infantário, quase bebé, aí com uns 2 anos, que chamou a mãe que estava afastada a falar com alguém. Ela acorreu, apressada, e baixou-se para ouvir o que ele queria. Ele balança a mão e dá-lhe um estaladão que deixou uma marca na cara... A mãe, faz um sorriso amarelo, e diz-lhe «se era para isto escusavas de me ter chamado». Ouvi eu! 
Na história da teenager está tudo. Para começar o tom com que fala com a mãe. É um tom com que não deve falar com ninguém e/mas sobretudo com alguém mais velho. Quando eu era criança, entre raparigas usava-se o termo «coisinha». Chamávamos umas às outras, não sei como nasceu a mania. «Oh coisinha, vens ali comigo?» «Oh coisinha, fizeste o tpc de matemática?» Mas era ternurento, um modo carinhoso de falar. Certo dia, distraída, disse a uma avó «Oh coisinha, o que é o lanche?» e recebi um olhar que me pôs no lugar! «Coisinha?!!! Achas que tenho a tua idade?!». Fiquei logo em sentido. Numa família e deve haver hierarquias, por mais afecto que exista. 
E tem de haver autoridade. 
A inexistência de autoridade gera um caos. Não há limites para nada, como se tudo fosse permitido 'porque-sim' e ainda por cima estes jovens desatinados não se sentindo obrigados a nada, não tendo de prestar contas de coisa nenhuma a ninguém, decidem que têm todos os direitos. A menina desta história ouvida no café, declarava mal-criadamente que não tinha de dizer à mãe para onde ia, nem o que fazia, mas tinha acesso à conta da família com o cartão multibanco... Imagina-se que adulta vai ser? 
Comecei por falar no tom usado e na linguagem, porque me parece importante. Há regras que parecem em vias de extinção que não são de etiqueta são de simples cortesia. Cumprimentar com Bom Dia, dizer 'por favor', 'obrigado', 'com licença', mostra que nos importamos com os outros.
Simples.
Não se vive sozinho, vivemos em sociedade. 



Cereja

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Luxo

Ultimamente ando um tanto 'revivalista' só me dá para escrever coisas a relembrar outros tempos, e tenho-me refreado resultando assim que não escrevo nada 😖
Parvoíce. Vou portanto deixar 'em linha' um post já escrito há uns dias.
Então «é assim»: Na minha juventude havia pessoas bens vestidas e outras mal vestidas. O considerado bem vestido nem sempre se sentia cómodo, porque a roupa cómoda era a prática, digamos a-de-trazer-por-casa. Não se tinha 'inventado' o fato-de-treino como roupa descontraída, portanto a tal roupa de estar em casa era uma mais velha, ou de um material de pior qualidade. Como não havia 'pronto a vestir' as famílias de classe média, contratavam uma costureira que fazia os vestidos das senhoras e a roupa das crianças. E também aproveitava o que já estava velho e roto, muitas vezes até pondo remendos. Os pobres, que andavam mal vestidos com roupa de trabalho, até podiam usar roupa remendada, era natural.
Nos anos 80, creio eu, apareceram umas jeans manchadas e até rasgadas! Lembro-me de quando vi o meu primeiro pensamento ter sido «coitada, que azar, umas calças tão boas; mas vá lá, concertam-se e ela não está muito aflita». Não estava, é claro, tinha-as comprado assim!
Era moda! A rebeldia jovem assumia-se pelo visual, era-se 'contra' mas... artificialmente, o que faz toda a diferença. Não eram fatos velhos e por isso estragados, eram fatos novos, falsamente estragados e caros (!). E essa moda de falsos pobres, nunca mais parou. Afinal as rastas, também uma moda de penteado onde o cabelo parece desgrenhado e até sujo, leva tempo a fazer e a... manter limpo!
Ora o que me faz alguma impressão é o preço destes produtos artificialmente «estragados». Li a notícia de que um par de tenis custariam 1.500 euros. Exactamente, mil e quinhentos euros. É claro que não eram uns ténis quaisquer, estavam todos rotos. Parecia terem vindo de um caixote do lixo. Imagino que se os tivéssemos deixado num daqueles depósitos de roupas usadas para serem aproveitados para quem não tem que vestir, nem seriam aproveitados.
Mas foram concebidos por John Galliano. Valem 3 salários mínimos.
Ou o saco quase igual ao do Ikea a 2.000 euros, cerca de 4 salários mínimos.
..............
Parece escrito com azedume, e não é, palavra.
É espanto de viver neste mundo.
Onde as desigualdades apresentam estes aspectos absurdos, ter de se ser muito, muito rico, para usar peças que imitam os muito pobres. Este tipo de luxo faz-me impressão, o que querem...? 



Cereja

sexta-feira, 2 de junho de 2017

No Dia da Criança


Ontem foi Dia da Criança.
Não sou lá muito entusiasta dos «dias de», gosto do dia da mãe, do pai, do trabalhador, da mulher, e pouco mais. Até porque muitos deles são descaradamente «dias» inventados pelo comércio para aumentarem as vendas. Mas, adiante.
O Dia da Criança é um bom dia para se pensar nas crianças, não (só) para lhes dar prendas, mas sobretudo para refletir no que falta fazer para lhes assegurar uma vida que valha a pena.
Ontem receberam uma grande prenda envenenada: o sr. Trump na sua ânsia de um lucro imediato sem olhar a mais nada, propõe-se estragar ainda mais o mundo em que vão viver. Nem há palavras para classificar tanta maldade.
Mas, na nossa terra, num país que gosta tanto de crianças, e se esforça por as proteger, li uma notícia que me deixou gelada e até me custa acreditar! Dizem-me que num só ano 43 crianças candidatas a adopção, que já viviam com os futuros pais adotivos foram devolvidas. Como? Devolver uma criança?!!!
Como retoque final é-nos explicado que 20 delas tinha menos de 2 anos. (realço este pormenor porque há quem considere que adoptar um adolescente pode ser problemático, é uma fase difícil, e a adaptação nem sempre corre bem)
Eu sei, (ou sabia...) que os serviços de adopção eram exigentes na selecção dos candidatos. Muitos não são aceites. E, daquilo que eu julgava saber, irritava-me que existisse um período demasiado grande até a adopção se concretizar, porque para uma criança uma espera de dois ou três meses já é uma parte importante da sua vida.

Portanto, até ontem, eu julgava que 'os maus da fita' eram os serviços que exageravam o rigor na selecção, quando se poderia entregar muito mais crianças a pais responsáveis que os desejavam muito.
Pelos vistos, isso não acontece. Considero uma maldade muito grave abandonar-se um animal de estimação, como creio já aqui ter dito. É um sofrimento horrível para o animal e um verdadeiro crime. Mas uma criança??? É certo que não é «abandonada» é reenviada para o sítio de onde veio, tal como ir à loja entregar a boneca que se comprou porque afinal ela não era como se tinha imaginado.
É certo que não sabemos o que motivou esta «devolução do produto» e consigo imaginar uma situação inesperada de tal gravidade que faça voltar tudo atrás (morte de um dos pais, desemprego inesperado) mas 20 situações ?! Causas tão imprevistas que quando a criança foi lá para casa não se podia imaginar?

Não entendo.
E arrepia-me. Como é possível?


Cereja

terça-feira, 16 de maio de 2017

«Não me sinto um herói nacional, isso é para o Ronaldo»


Pronto! Se a nossa autoestima não está alta então nunca estará!
Apesar de detestar os estereótipos sobretudo quando classificam povos, aceito que «os portugueses» são excessivamente auto-críticos ☺ 
Aceita-se e até se aumenta as críticas que nos fazem. Irritante. E cansativo também porque até parece que em Portugal raramente se faz uma coisa que nos orgulhe. Ora bem, se no espaço de um ano termos ganho 2 troféus que indicam que nestas modalidades somos 'os melhores da Europa' - falo, é claro, no Campeonato de futebol e no Eurofestival - não ficamos com uma boa autoestima é porque nada a faz subir.
Houve quem resmungasse. Quem achasse que não tinha importância.Olhem, faço minhas as palavras da minha amiga Isabel. Mais nada.
Por mim gostei imenso do resultado do concurso da Eurovisão. Imenso. Gostei da canção, sobretudo da música embora a letra não envergonhe ninguém. Gostei da interpretação. Gostei da apresentação. E pasmei que aquilo que será visto como uma canção «não festivaleira» tivesse dado aquela reviravolta aos votos habituais. Porque foi mesmo uma dupla vitória, foi apreciada pelo juri oficial que nos deu o primeiro lugar e, o que mais pasma, pelo juri' popular, que votou por telefone e sem poder votar no seu próprio país. Uma unanimidade que só nos pode alegrar.
Eu, nada entendida em música, aprendi várias coisas da área. Não fazia a menor ideia o que era o «pop tradicional» ou «pop clássico», Quando ouvi essa referência em relação àquela música não percebi nada -  pop? pensei eu, mas que pop? . Senti sons de jazz, e lembrou-me as valsinhas brasileiras sim. Afinal fiquei com os meus conhecimentos aumentados ☺
E gostei também muito, pelo menos até agora, do comportamento do cantor e irmã autora. O Rui Tavares escreveu ontem no Público, que o gesto agarotado de Salvador de colocar o troféu na cabeça no final, tinha uma leitura simbólica «Como é que eu meto na cabeça que ganhei o prémio sem deixar que o prémio me suba à cabeça?» Ora até agora tem conseguido.


Mais um motivo para os parabéns!

Cereja