quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Fogo e destruição

Deixei ontem de manhã aqui um post com considerações sobre os fogos que grassavam por este país. Escrevi-o num tom calmo e, olhando hoje para ele, um tanto frio e distante. Dei a minha opinião como se falasse de algo que não me dizia respeito.
Não o vou apagar. Escrevi-o, está escrito.
Mas a emoção que sinto hoje é completamente diferente! É de horror, medo, solidariedade, ao ver como «Há quatro anos que Portugal não ardia assim» e sobretudo ao ver imagens da Madeira em chamas sinto o mesmo horror incrédulo de que me recordo quando há quase 30 anos vi arder o Chiado.
Não-é-possível, pensamos. Mas é. Foi possível. Mil desalojados, mortos, desaparecidos, e um centro histórico atingido brutalmente. Uma terra que vive, e com toda a razão, sobretudo do turismos e das suas belezas naturais este é um golpe brutal. 


E terá de se estudar com toda a honestidade como é que foi possível para que nunca, nunca, nunca mais se voltem a ver aquelas imagens.
A culpa não é da natureza.

 Cereja

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Fogos

Incêndios.
Todos os anos por esta altura o cenários se repete.
Todos os anos.
Quando se começa a pensar «este ano a coisa está melhor» recomeça a mesma cena, as mesmas imagens de terror. Fogos extensos, gente desesperada, bombeiros que se multiplicam mas já não conseguem fazer mais nada, perdas imensas e não só materiais porque há coisas que nenhum seguro pode pagar, recordações de vidas inteiras...
Mas que raio de fatalidade é esta? É "o destino"? O fado? Não se pode prevenir este horror?
Tenho uma amiga que nasceu numa aldeia, filha de aldeões. Tem uma opinião firme sobre isto. Diz-me ela que quando era criança, todo o mato seco se aproveitava. Era com esse restolho que se aqueciam as casas no inverno, se cozinhava, se faziam as camas dos animais, e alguma dessa palha até servia para alimentar esses animais. O restolho era um bem. Até se vendia!

Com o progresso isso a pouco e pouco desapareceu. O restolho é um empecilho que não serve para nada e ninguém o quer, portanto limpar os terrenos passou a ser uma coisa que só dá trabalho sem nenhuma vantagem. Além de que com a desertificação do interior vêem-se muitas terras abandonadas. Ora não se pode «voltar atrás» nem isso seria bom, mas se calhar se os milhões que se gastam agora a combater incêndios tivessem sido gastos a limpar terrenos, tínhamos lucrado imenso!
E há ainda outra «prevenção»: mão pesadíssima para os abutres que lucram com estas situações, construtores em certas áreas, e madeireiros noutras. Investigações muito a sério para os fogos postos, crime sem perdão. Ah, e já agora talvez aconselhar as tvs a não trabalharem para o deleite dos incendiários está bem? 

Porque é normal que com um Verão muito quente existam incêndios espontâneos, isso será difícil de evitar por completo, mas não é normal este inferno na terra a que assistimos nestes últimos dias!



Cereja

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Culinária moderna e chic

Li ontem um texto fabuloso de Rui Vieira Nery. 
Como o link é do facebook não sei como resulta aqui, e o texto é grande demais para o copiar aqui na íntegra, vão só uns extractos. É uma pena se não se ler todos porque o quadro da cozinha à antiga da D. Adozinda  é magnífico, e a descrição dos cozinheiros actuais, perdão, dos chefs, ainda é melhor!  Os nomes próprios seguem um abcedário previsivel – Afonso, Bernardo, Caetano, Diogo, Estêvao, Frederico, Gonçalo, … – e os apelidos parecem um anuário do Conselho de Nobreza, com uma profusão ostensiva de arcaismos ortográficos que funcionam como outros tantos marcadores de distinção – Vasconcellos, Athaydes, Souzas, Telles, Athouguias, Sylvas…

As críticas que faz à «nouvelle cuisine» são engraçadíssimas de tão verdadeiras. Realmente encontramos pratos que se podem chamar  "profiterolle de anchova em cama de gomos de tangerina caramelizados, com espuma de champagne”, o “ceviche de vieira com molho quente de chocolate branco e raspa de trufa”, a “ratatouille de pepino e framboesa polvilhada com canela e manjericão”
Já me aconteceu provar uma coisa dessas. Poucas vezes. Pouquíssimas vezes. E oscilei sempre entre a vontade de rir, e o irritante resultado que consiste em pagar uma brutalidade por uma barrigada de fome!
Porque além dos nomes poéticos e da inquestionável beleza da «apresentação» do prato, a merecer uma bela foto e ser colocada na parede, comia-se em dois minutos e ficava-se a morrer de fome.
......
Além da sensação desagradável de que se estava a fazer pouco do cliente. Hmmmm....






Cereja

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Os genéricos e a desconfiança do preço mais baixo

Ao abrir o DN vê-se que o tema de hoje são os genéricos. Com base numa reportagem que avaliou até que ponto a venda de medicamentos genéricos "pegou" para quem precise de remédios-de-farmácia, tiram-se algumas conclusões interessantes que coincidem bastante com aquilo a que assisto com frequência.
Afinal a base da desconfiança é natural. Vulgarmente faz (ou fazia) sentido que entre dois produtos semelhantes o que seja de melhor qualidade custe mais dinheiro porque o material é melhor e a confecção mais cuidada. Era assim no passado. Recordo o meu pai dizer que não era rico para comprar sapatos baratos, quando comprava uns novos tinham de durar! E actualmente conhecemos o caso das 'contrafacções' que são imitações, muitas vezes parecem impecáveis, podem confundir-se com a peça original, e... são bem mais baratas porque não pagam os mesmos direitos nem impostos. E não terão tanta qualidade.
Mas também é verdade que na nossa sociedade de consumo as coisas já não são como dantes. Muitos produtos são igualmente bons, pagamos mais é pela embalagem! A chamada «apresentação» é um valor que se paga à parte, e muitas vezes bem caro. Um exemplo claro são os tais «produtos marca branca» - o que quer dizer «sem marca» - e que são tão bons ou tão maus como os que têm uma linda embalagem. Pagamos a mais a embalagem.
No caso dos medicamentos a «marca branca» chama-se «genérico». A composição é aquela que os médicos desejam que se tome, mas o nome é outro e é mais barato. «O preço é mais baixo porque expirou o prazo de exclusividade da patente», só isso. Contudo há gente desconfiada, se-tem-outro-nome-não-deve-prestar pensam. É uma mentalidade que é difícil de combater.
A mim, que prefiro comprar produtos de marca branca ou até 'a peso' quando se pode, e ainda antes da chegada do genérico já comprava o medicamento que fosse mais barato se tivesse a mesma composição, isto faz muito sentido e considero que as farmacêuticas já são bem ricas sem a minha ajuda.
Por isso me faz confusão haver vários genéricos e com vários preços...?! Cada farmacêutica tem os seus genéricos (!!) e uns podem ser mais caros do que outros. 
O que quer dizer que ficam sempre a ganhar as espertalhonas.



Cerejas


domingo, 31 de julho de 2016

A metade da humanidade


Quem nasceu e vive no Primeiro Mundo tem tendência a sentir como exagerada ou pelo menos relactivizar a luta pela igualdade de género. Reconhecemos que os direitos de oportunidades não são ainda iguais entre homens e mulheres, que os salários nem sempre são iguais, que a sociedade tem exigências diferentes conforme o género, mas como se conhece o caminho percorrido desde as primeiras sufragistas até à actualidade essa luta parece já quase vencida.
Mas há o Primeiro Mundo e ... os outros Mundos! Basta imaginarmos que tínhamos nascido num país onde a Charia é a Lei, para sentirmos um arrepio. Que pesadelo. Aliás ser-se mulher em muitos países do oriente também não é destino fácil.
Mas o horror pior passa-se em África. Desde logo a tortura horrorosa da excisão praticada ainda hoje em África ou na Ásia. Uma tortura inacreditável a meninas indefesas com a finalidade perversa de evitar que ao crescer possam ter prazer sexual... Só isso.
Mas há mais. 
Li ontem uma outra história de arrepiar,  de horror. Há homens que têm um trabalho com que nem o marquês de Sade sonhou: é um violador pago! E parece que vive bem. Pagam-lhe para violar meninas virgens, depois de terem a primeira menstruação. É para ficarem «limpas». A reportagem da BBC refere: «As crianças que passam por este ritual são, muitas vezes levadas pelos pais. [...] o violador recebe entre 3 a 6 euros por cada limpeza» Ele diz que de início fazia de forma voluntária, mas que agora ganha assim a vida, e até escolhe as que quer deixando as outras para outros...
É cultural?! Como é possível encarar-se metade da população de uma tribo, imaginando que isto se passa apenas numa tribo do Malawi, desta forma? Se é mulher é suja e tem de ser «limpa»? E a limpeza é assim?
Daqui até se chegar à igualdade o caminho é tão longo que parece vivermos noutro planeta. 


Cereja


sexta-feira, 29 de julho de 2016

O passarinho e o gnr


Uma história de aldeia:

Quem vive em cidades tem muitas vezes a ideia muito romântica das relações numa aldeia como simples, sadias, muito afectuosas. Como na canção na minha aldeia lembram-se? Bem, claro que quando vemos pelos olhos da Miss Maple a coisa já fica diferente... Bom, mas adiante.
A aldeia onde estou neste momento, é pequena e muito antiga. Realmente os habitantes ´todos são primos e primas' como na canção que deixei ali em cima, e se muitos são amigos também quer dizer que há para aí rancores originados em partilhas que vêm de longe. Mas não é disso que venho falar...
As casas no centro (como se aquilo tivesse centro e periferia...) estão encostadinhas umas às outras, quase encaracoladas umas por cima das outras. O que significa que a intimidade não é grande, claro.
Ora, eu não assisti à cena mas isto foi-me contado por uma senhora muito idosa - e quando digo idosa quero falar em 90 anos - que vive numa casa apertadinha entre as outras:
Certa manhã, estaciona no largo um jipe com dois GNRs. Vão até à porta dela e um deles sobe à casa do seu vizinho e volta a sair trazendo uma gaiola com um passarinho. O outro, um tanto risonho e bem educado, quis saber «A senhora vive aqui, o pássaro incomoda-a?» e ela pasmada «Nããão! Mas que ideia!» e pronto, arranca o cortejo, a 'autoridade' levando a gaiola com o passarinho, o dono do passarinho tropeçando atrás dele muito nervoso e triste, e o último gnr fechando a marcha. Foram-se.
Contou-me a tal senhora velhinha que o passarinho tinha sido recolhido ferido há uns tempos por aquele vizinho, que o tratou e o bicho agradecido (?) cantava muito bem. Mas, lá por coisas, a vizinha do lado embirrou e foi fazer queixa à Guarda de que o passarinho a incomodava porque cantava às 6 da manhã. Antipática! Por um lado, 6 da manhã para uma aldeã não é nada de extraordinário, por outro toda a gente sabe que se taparem a gaiola com um pano, os palermitas julgam que ainda não nasceu o sol, e continuam a dormir. Não havia necessidade, a não ser implicar com o vizinho...
E agora, tárátátá!!!, para rematar a história entram as-novas-tecnologias. No dia seguinte a este drama, a minha velhinha recebe uma chamada no seu telemóvel da autora da queixa que mora encostadinha à casa dela, e a descompõe violentamente por ela ter dito que o pássaro não a incomodava. Da ca-sa-ao-la-do-por-te-le-mó-vel, viram bem?! Oh céus!
Esta aldeia não tem nada a ver com a da cantiga :)))

Cereja

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Sossego.....

De férias há cerca de uma semana, deixei aqui o pobre Cerejinhas de pousio. Completamente. Diria quase que me esqueci dele, mas não digo para não o melindrar. A verdade é que, como escrevi há pouco tempo, há uma luta(zinha) entre o Facebook e o blog, e quando me dá a preguiça escrevo aqui muito menos porque exige um nadinha mais de esforço... Prontos! Agora acabou esse período e volto ao meu primeiro amor.
Estou completamente «posta em sossego» como a linda Inês, o que para mim é a definição de férias. Sempre gostei de verdadeiro descanso nas férias, e por verdadeiro descanso entendo não apenas não ter obrigações, como não ter planos, e não fazer nenhum esforço. Férias agitadas não é comigo. Reboliço não é comigo. Poderei ir a uma festa se insistirem um bocado, mas é tudo! Boas noites de sono no silêncio do campo, boa alimentação, uns passeios sossegados como exercício físico e pronto. Mas até essa do exercício é com conta, peso e medida, está bem?
Férias é estar sossegada.
Umas músicas, uns filmezitos na tv, e sobretudo a leitura é do que preciso para carregar baterias. Assim é que me vejo nas férias:



E para acabar, inspirada na foto (não sou eu, mas bem gostaria!) relembrei  uma 'redacção' que escrevi como trabalho de casa, teria uns 12 / 13 anos, e encontrei há dias entre papeis dos meus pais. O tema proposto era «as minhas férias» e eu dizia que tinha tido umas férias fantásticas, tinha viajado imenso. Tinha estado na China, na Inglaterra, na Índia, no Brasil...! Depois de algum suspense, explicava que tinha lido «Vento do Oriente, vento do Ocidente» de Pearl Buck, «Oliver Twist» de Dickens, «A casa e o mundo» de Rabindranath Tagore, «O Meu Pé de Laranja Lima» de José Mauro de Vasconcelos. Bem, hoje sei que não é a mesma coisa, mas ajuda muito....


Cereja








quinta-feira, 14 de julho de 2016

Senhores políticos, cuidado com as redes sociais


Não é a primeira vez.

De vez em quando rebenta um «escandalozinho» quando um fait-divers qualquer começar a ser divulgado pelas redes sociais.
É que os políticos ainda não se habituaram. 
Muitos dos políticos mais conhecidos rondarão os 50 anos ou mais. Ora o twitter tem 10 anos e o facebook 12. O que quer dizer que eles foram criados a prestar atenção à imprensa, à tv, à rádio. Os seus gabinetes de imprensa podem gerir controlar as informações a divulgar, mas não se controla uma rede social, e creio que muitas vezes há figuras públicas das mais antigas que não sabem lidar com este fenómeno.
Tenho-me rido com a história do cabeleireiro do Hollande! Ele merece mesmo a chacota, vejam só:



É que saber-se isto é uma má propaganda para o dito cabeleireiro, porque o resultado do seu trabalho é «aquilo» ahahahahah!!! Aqueles poucos cabelinhos cuidadosamente alinhados, precisam de cuidados diários de um especialista (mais ahahahaha!!!)

...................
Justifica que exista já a hashtag  #CoiffeurGate que, evidentemente é hilariante. 





Claro que para se parar de rir devemos recordar que o senhor Hollande não paga a este «acessor de imagem» do seu bolso e sim dos cofres públicos. E isto num país que anda a ferro e fogo por causa das leis laborais. Já decorre esta luta há meses e continua, a coisa até está muito feia.

Mas parece haver ainda dinheiro para tapar a careca ao senhor presidente.


Até meteria dó, se...

Cereja

terça-feira, 12 de julho de 2016

Gostava de ter escrito isto...

A minha amiga Isabel, é a pessoa que eu conheço que melhor escreve no estilo coloquial. Sempre admirei a sua escrita. Fomos 'colegas de blog' há muitos anos, muitos. Depois eu continuei a gostar de blogs, mas ela é mais facebook. E eu percebo, porque encaixa muito bem no modo como escreve. Hoje li dela um texto magnífico
Não resisti e venho transcrevê-lo aqui (que estas coisas dos links nem sempre funcionam)
«No outro dia quando deixei aqui o relato da minha viagem de taxi entre a porta de casa e o metro, não contava voltar a ele...a não ser que o meu amigo do FB, taxista que queria ter sido astrónomo, aparecesse e dissesse...olá, sou eu, então tinha ou não tinha razão!!?? Ou, olá, sou eu, desculpe não ter tido razão... 

Mas nada. 
Silêncio total. Mas volto, apesar do silêncio, para dizer duas ou três coisas. 
 Primeiro que você tinha razão. É possivel, sim!  
Depois, que não costumo vibrar com futebol, como você também disse. Não para me armar em gaja que só se preocupa com coisas sérias, revoluções ou assim, ou que se quer armar em diferente, não alienada, e afins. Apenas, que não vibro. Não é virtude nem pecado...é assim. 
Claro que encontro nesta "não vibração" razões que se prendem com a pornografia dos dinheiros e interesses envolvidos, e mais uns quinhentos, mas sei e aceito e conheço tanta gente, tão ou mais interessada em revoluções que eu, que vibra...tão ou mais consciente do que eu dos dinheiros e interesses envolvidos, que salta... 
 Por isso... 
 ...hoje, e depois de ver um video com um menino que consola um adepto francês, menino que nada deve saber ainda de dinheiros e de interesses, mas, apenas, de afectos e de humanidade, depois de ver e rever o golo de um jogador que eu conheci ontem e que nos deu a vitória, por quem nada davam, percebi agora, mas que nos deu a vitória, depois de ver o Ronaldo, afastado do jogo, mas tão dentro da equipa como se lá estivesse, numa entrega e numa partilha empolgantes, depois de ouvir o treinador a acabar a sua entrevista e falar em grego, para a sua antiga seleção e para o mundo, depois de, antes, ter visto Ronaldo falhar um penaliti e levantar-se de cabeça erguida, de ter visto a Comunicação Social da Europa dos ricos, que são ricos no futebol e no resto, gozar-nos, achincalhar-nos, discriminar-nos, como faz quando se discutem sanções... 
 ...só me apraz dizer que no dia em que o povo português for, na sua vida colectiva, o que a equipa mostrou em campo nestes dias, o menino que foi dar força ao adepto francês que chorava a derrota, terá um País para viver. Por isso que vivam eles e que aprendamos com eles...a resistir, a acreditar, a sonhar, sobretudo, a lutar. Cá fora. No dia a dia. 
O menino do video merece que continuemos a ser Povo, amanhã quando o campeonato for história...e o futuro obrigação. 
Um futuro onde o seu filho, meu caro amigo taxista que não sei o nome, possa ser astrónomo se quiser ser astrónomo. Ou o meu, para continuar a ser astrónomo, possivelmente um destes dias, não tenha que pegar na trouxa e zarpar.




Isabel Faria»
 ... e eu, que gostaria de ter escrito isto, :)) :  Cereja

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Auto-estima, amor próprio, e mais umas coisas...


Hoje, dia 11 de Julho de 2016, é difícil para quem é português falar de outra coisa que não seja o resultado da final do «euro 2016»

Exagero?
Claro que sim. E então?....
Há pessoas, ou classes profissionais, ou países, ou raças, que são por feitio fanfarrões. Consideram-se os-melhores-do-mundo e não perdem ocasião de o dizer. Um pouco irritante, mas sabem o que eu quero dizer e facilmente encontram cabeças onde encaixam esta carapuça. Cabeças de um tamanho acima do normal, claro, mas as carapuças costumam alargar com facilidade.
Digamos que tem uma auto-estima desajustada. E naturalmente existe também o inverso... Pessoas que sentem que os olhos dos outros os vêem com poucas qualidades, imaginam comentários trocistas, não sabem afirmar o amor-próprio.
Mas quando se trata de pessoas, casos individuais, é uma pena, pensamos que deveriam procurar apoio psicológico para ultrapassar essa questão, mas paciência; o complicado é quando esse conflito 'interior' (?) se passa num colectivo, porque a luta interna é terrível. Quero eu dizer que, de uma forma geral, entre o que se passa internamente e o reflexo social pode existir um profundo contraste. Um determinado profissional pode saltar que nem um leão se alguém de outra profissão critica um seu colega, mas se estiver no meio de um grupo da mesma profissão é o primeiro a apontar os defeitos e escandalizar-se.
Portugal como nação é um pouco assim. Fica (e muito justamente!!!) zangado quando um estrangeiro qualquer lhe assaca características estereotipadas negativas. Nem vou aqui fazer a lista do que se costuma dizer porque começo já a ficar irritada :) . Contudo, entre-nós-próprios censuramo-nos amargamente apontando montes de defeitos, ou seja também nos «catalogamos» como povo. É irritante. E infelizmente há poucos momentos onde sejamos olhados de fóra de uma forma que permita orgulho. Houve a luminosa revolução de Abril, que se situa num patamar muito alto, mas de um modo mais comezinho passa-se pouco que faça o resto da Europa olhar para nós.
Portanto, não censuremos os excessos da alegria da vitória da selecção portuguesa, façam favor. Uma subidazinha na nossa auto-estima só pode fazer bem. E que isso sirva de balanço para enfrentarmos outros desafios!



Cereja