segunda-feira, 6 de junho de 2016

A obsessão pela 'boa forma'


Volto frequentemente aqui à «vaca fria» das questões alimentares. Não é que a mim me rale muito, com sinceridade não me rala mesmo nada em relação a mim mesma ou aos meus familiares - a alimentação na minha casa é sensata, saborosa e saudável, mas não posso assobiar para o lado quando é notório que a obsessão com a boa forma (??) e a alimentação consomem nos dias de hoje um tempo e dinheiro completamente exorbitantes.

Chamou-me há pouco a atenção a notícia de que se gastam 75 milhões de euros com produtos para se ficar em forma. É muito euro!!! E esse volume de vendas pode explicar um pouco porque aparecem tantos estudos, investigações, conselhos, análises, e todos os jornais, revistas, para não falar nas redes sociais, andam recheadinhos de conselhos sobre o que tomar ou não tomar para ficarmos lindos. Que enjoo.

A semana passada a revista Visão trazia um artigo onde se fazia referência a uma nova doença mental (?) falava-nos sobre a ortorexia, que vem destronar as anorexias e bulimias mais nossas conhecidas. Citava-se o caso de algumas pessoas que só pensavam em comida, o que era uma canseira... Olhar para o prato e não ver comida, ver calorias - e vitaminas,  sais minerais, etc. Gnhac... Existe afinal essa ortorexia, o demasiado saudável


Mas com um nome de doença a confirmar o que o bom senso nos dizia baixinho já nos sentimos mais justificados. Ou seja, quem come um bocadinho de tudo, apenas porque sabe e cheira bem, porque aprecia a sua consistência e sabor, mas sem analizar antecipadamente o seu efeito no seu organismo, afinal é muuuito saudável!
Ainda bem.


Cereja

domingo, 5 de junho de 2016

Sobre os meninos «queixinhas» e outras reflexões

Tem causado algum reboliço nas redes sociais uma história de facto estranha ou impressionante, como se preferir. Na América (where else?) um menino de 5 anos fez queixa do pai à polícia por ter passado um sinal de trânsito
Oooooh!
Para alguém que esteja agora a ler e milagrosamente não tenha visto ou lido a história, resume-se em poucas palavras. O 911, número de emergências, recebeu uma chamada onde uma voz de criança dizia «O pai passou um sinal vermelho. É uma carrinha preta. É um carro novo, é da minha mãe». Parece que o operador sensatamente pediu para falar com o pai que se riu e pediu desculpa. Poderia ficar por ali, mas a Polícia achando graça contou numa rede social, e uma estação de tv decidiu entrevistar o menino de 5 anos. Na 'entrevista' ele declara que «queria que o pai fosse multado porque os condutores têm de abrandar no sinal amarelo e parar no vermelho»

A história é esta. Provava-se que aos 5 anos a criança conhecia algumas regras importantes do trânsito (embora não todas, parece que naquele exacto caso não havia nenhuma infracção, era das poucas situações onde se podia passar com vermelho...) e não se ralou em denunciar uma pessoa que lhe devia ser querida. E nas nossas redes sociais apareceu um coro escandalizado comparando o Robbie aos jovens nazis que denunciaram a família.

Para mim é um enorme exagero. E, porque vejo muita coisa sob o foco educativo, acho que o erro dos pais não foi terem virado à direita num sinal vermelho e sim permitirem a chamada do seu rebento.
A famosa permissibilidade da educação actual. Concordo, e acho que é muito correcto que uma criança bem pequena saiba utilizar um número de emergência. Mas... Mas deve também saber que aquilo é um número de emergência, para usar numa grande aflição, obviamente não com um adulto responsável ao lado. Seria 'normal' que os pais ao verem a criança apoderar-se do telemóvel perguntassem «o que vais fazer? larga isso» e insistissem em perceber o que levava a tal acto. E, sabendo, naturalmente o impedissem. A liberdade de uma criança não é igual à de um adulto, há regras que deve cumprir. Houve ali uma falha grande dos valores familiares.
Por outro lado vem a tal delação que tanto incendiou as nossas redes sociais. É feio. Fazer queixinha, acusar alguém a um superior é antipático, e se os pais ou professores aceitam sem questionar nada podem estar a reforçar um comportamento errado. (mas por outro lado é importante analisar o que se passa de facto de modo a evitar situações de bulling um flagelo actual) 

Ou seja, bom senso. A César o que é de César. Primeiro, um menino de 5 anos deve sentir que «quem manda» são os pais. Segundo, uma criança deve avaliar quando se justifica uma queixa ou quando não passa de uma queixinha, sob o risco de passar a ser odiado pelos colegas. Nenhum pai gostaria disso.



Cereja



A culpa é do facebook!!!



Pronto!
Dei-me agora conta de que tenho o blog «parado» desde meados de Janeiro. Ooooooh! Nem queria acreditar.
Não vou relembrar de novo os anos de oiro da blogosfera. Comecei nesta brincadeira há mais (bastante mais!) de 10 anos. Vendo bem, a plataforma onde se situava o meu primeiro blog, já nem existe, imagine-se. Claro que nessa época não existiam redes sociais, embora pareça impossível aos que hoje em dia estão viciados nessa coisa, e mesmo através do telemóvel estão permanentemente 'ligados'. E o blog era uma forma de convívio, um neandertal dos twitter e facesbooks. Um diário como o nome dá a entender, mas público. Era engraçado, e eu fui uma grande utilizadora.
Adiante.
Com a chegada do facebook, algumas das coisinhas que escrevia no blog faziam muito mais sentido aparecerem no face. Muitíssimas vezes eu escrevia uns posts pequeninos com o link para uma notícia que comentava num parágrafo. Fiz muito disso. Se forem espreitar  o velhinho Pópulo verão imensos casos desses, ora isso é método facebook. 
E pronto. Como lá sou visitada por muito mais gente, e a interacção é imediata, o ciclo fecha-se - escrevo tenho feedback, volto a escrever, visito os outros, e esqueço-me das cerejas que cultivei com tanto amor....
Mas vou voltar. Há coisas que se escrevem de um modo diferente aqui, e vou deixar de me ralar se fico a falar sozinha. Querolásaber!


Até já.

Cereja


sábado, 16 de janeiro de 2016

O fumo sem fogo (bombas?)


Hoje em dia «não podemos viver» sem internet. 
Claro, não é isto que quero dizer, mas creio que me perceberam bem. O leque que vai de um extremo ao outro é grande, enorme, e aparentemente do camponês meio analfabeto que nem um jornal lê e o net-dependente sempre agarrado ao telemóvel ou tablette parece haver um mundo de diferença. E há. Mas a verdade é que mesmo o tal infoexcluído depende da net para pagar os impostos, por exemplo (mesmo que tenha de pedir a alguém para o fazer) ou quando vai ao médico, e é influenciado por ela ao ver um telejornal, por exemplo. Mesmo que julgue que não...


E o complicado são as ratoeiras desta informação. Porque por um lado pela net pode pôr-se a correr um boato ao gosto de cada um, que não pode ser completamente desmentido pela mesma forma, e por outro as técnicas actuais podem manipular habilidosamente a informação. 
Veja-se aqui apenas um exemplo de manipulação da informação mas que não vai ser apagada, porque quem viu a imagem não a esquece nem quer saber em que país isto se passou, leu que foi na Grécia e é isso que fica na sua memória. Aliás conhecemos mesmo histórias que são «fakes», neologismo para classificar uma notícia completamente inventada, mas apoiada em imagens e com referências plausíveis. Todos nós já caímos nessa...


E esses boatos maliciosos atingem uma faceta verdadeiramente maléfica quando são usados na política - muitas vezes abrem feridas que nunca cicatrizam, porque o desmentido é sempre olhado com suspeição. Veja-se o famigerado «caso Casa Pia» por exemplo, onde a lama atirada ainda hoje perdura. Porque o povo vai pensando «se há fumo é porque havia fogo...» e nada é mais engraçado do que ver atingido um adversário (inimigo?).
Nesta campanha que está a decorrer, li uma vez um 'comentário' dos que enxameiam os artigos de opinião dos jornais, que me fez sorrir. O comentador punha em causa a formação académica de Sampaio da Nóvoa, por ter lido que ele tinha começado por frequentar um curso de teatro, e acusava-o de palhaço ou qualquer palavra do género. Eu, parva, sorri e pensei «coitadito, nunca frequentou uma universidade e não sabe exactamente o que é um reitor» considerando o comentário um boomerang que apenas demosntrava a falta de cultura de quem o tinha escrito. Eis senão quando, percebo que afinal aquilo era o anúncio do que vinha a seguir! O Blogue «O Insurgente», apesar de tudo com muitos leitores, escreve um post onde faz eco das dúvidas do candidato Cândido Ferreira exactamente sobre o mesmo ponto, qual a formação académica do ex-reitor! E foi o que bastou para o rastilho se propagar, por aí.
E de uma forma grosseira e violenta. Com comparações com Miguel Relvas, com piadas perguntado se íamos passar a ler «vai estudar ó Nóvoa». Ficamos de boca aberta. O homem referido nesta entrevista, a pessoa que tem este curriculum, vai ter de se defender de ter poucos estudos???
Não sei. Claro que para um grupo social mais culto tudo isto não tem pés nem cabeça, mas uma mancha de óleo malévola como esta pode realmente alastrar.
A verdade é que pode haver bombas de fumo, sem nenhum fogo. A questão é saber atirá-las.



Cereja

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O que é demais...

É irresistível para quem tem a minha idade a comparação dos seus tempos de meninice ou adolescência com a actualidade. Até porque, sejamos francos, a vida na actualidade é bem melhor e mais fácil do que era então. Comunicamos com toda a gente (quase...) a qualquer momento, deslocamo-nos com enorme velocidade em comparação com o que era há meio século, e temos aparelhos que nos facilitam a vida de um modo extraordinário, e na área do trabalho doméstico já nem sabemos viver sem eles!
Quanto à educação também as diferenças são impressionantes. Não falo apenas nos currículos académicos completamente diferentes, os estudos 'clássicos' desapareceram quase e a vertente científica tem muito mais peso, mas toda a atitude pedagógica é outra, tal como na família a postura que pais e filhos utilizam no respeito pela hierarquia (?!) familiar. Mas, embora muito interessante, não são estas diferenças que hoje me levam escrever e sim a diferença enorme em relação ao desporto.
Todos nos recordamos decisão de Afonso da Maia, quanto à educação do neto Carlos - à inglesa, ele devia para além dos estudos académicos fazer ginástica, actividade física... Revolucionário, hein?!  E bastante mais tarde, no tempo dos meus pais, a prática da actividade física não fazia parte do curriculo escolar. Eu já a tinha, mas sem nota, não se dava grande importância. 
Actualmente é bem mais importante, e muitos pais para além do que os filhos fazem na escola arranjam-lhes diversas práticas desportivas. É correcto. 
Mas já tinha reparado, em séries americanas sobretudo, que esse estímulo pela actividade física está a tornar-se uma mania. Cá para mim, o que é demais, é demais... Veja-se esta verdadeira obsessão pelos desportos !
Calma! Com 9 anos jogarem okey até às 10 da noite?! Com 13 anos praticar todas as noites e aos fins de semana?! Não se pratica desporto por ser divertido, ou fazer bem, tem de se ser muito bom, ser o melhor, ser uma estrela... Só os atletas são bem sucedidos, a competição é enorme, a família usa todos os tempos livres para ir ver os filhos a competir. Falhar um jogo é um desgosto profundo, uma catástrofe.
Mas afinal isto passa-se na América, onde o bom ensino é privado, e as famílias começam a juntar dinheiro para os estudos dos filhos ainda eles são bebés. Ser bom atleta é conquistar uma bolsa e garantir os estudos. 
Poizé, afinal melhor ou pior é uma questão de dinheiro.


Cereja

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A espiral sinistra irá abrandar...?

Na nossa terra ultimamente a vida de-quem-não-é-rico tem sido um pesadelo.
Sei que há quem o queira disfarçar, daí o eu ter optado desde há uns tempos por não ler, nem ouvir na tv, a «opinião» de uns senhores 'economistas' que vivem num universo paralelo e negam a evidência. O que dizem enerva-me tanto que optei por os ignorar!!!
Durante muito tempo, quando eu era criança, os ordenados eram uma miséria mas os preços eram controlados. Vivia-se muito mal, os salários se comparados com 'lá fóra' eram muito baixos, e os preços também. Um país onde tudo era pequenino, pobrezinho...
Veio depois um tempo onde os salários foram melhorados, e nós respirámos. Um período de grande esperança mas muito curto porque rapidamente os preços foram ajustados...
Ou seja de viver mal por os salários serem baixos, passámos a viver mal por os preços serem altos. O tempo em que se respirou foi curto.
Mas nos últimos tempos, com as medidas de austeridade para o nosso país, a tarracha apertou a um limite inacreditável, viu-se os preços a subir e os salários a baixar ! Ou seja os pobres passaram a miseráveis e a classe média a pobre, como diz na reportagem «os aumentos significativos registados nos preços de bens e serviços básicos ou obrigatórios vieram numa fase em que também o emprego, os salários e os apoios sociais foram penalizados» Na conhecida história do 'leito de Procusto' cortava-se ou os pés ou a cabeça da vítima para a ajustar à cama, mas no 'leito da austeridade' em Portugal cortava-se os pés e a cabeça! Sem salvação!
Mas de vez em quando contam-nos coisas tão inacreditáveis que têm de ser interpretadas para se aceitarem. Vi na véspera do Natal uma reportagem que dizia que os portugueses tinham gasto este ano, em média, 300 € em prendas de Natal. Mas quais portugueses? Ou é um milagre que rivaliza com o da multiplicação dos peixes, ou algo de estranho se passa para que num país onde  a média dos salários é de 550 € segundo a Deco, o que me parece realista, ou de pouco mais de 900 em estudos mais optimistas, como é que a média das compras foi de 300 €?! A minha interpretação é que se esperou pelo Natal para comprar coisas necessárias: um casaco de abafar melhor, um bom par de sapatos, ou trocar aquele electrodoméstico que estava em fim de vida... Só pode. 
E com o Novo Ano e Novo Governo, o que eu espero nesta altura é já que não me cortem mais no salário ou reforma! E que apareçam saídas profissionais para os nossos filhos. Não se pode pedir menos, creio eu...
Que se consiga abrandar a voragem desta espiral tenebrosa. Uma luzinha ao fim do túnel.








quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Mais uma vez a comida

Tinha prometido a mim mesma não voltar a falar de novo nas questões da alimentação (já me enjoa...) mas torna-se difícil, não sou eu que vou atrás do tema é ele que me persegue... Da comunicação social nas suas diversas formas, às redes sociais, somos constantemente metralhados com o raio do tema. Mal comparado, a ânsia de conversão de alguns fundamentalistas alimentares só me lembra a pegajosice  das 'testemunhas de jeová' que nos batem à porta ou nos abordam nas esquinas insistindo na bondade da sua mensagem. 
Desta vez é aquela coisa, a tal lenda urbana dos malefícios do leite. No facebook gozava-se com um cartaz onde se falava em 'soy milk' perguntando, com graça, se seria o leite espanhol a apresentar-se. Nos comentários lá apareceram os inimigos-do-leite, com o conhecido argumento cheque-mate: só o homem bebe leite em adulto, mais nenhum mamífero o faz, QED ... faz mal!
Óvalhamedeus!
Essa prova (?!) tão repetida deixa-me sempre atónita, até por vir muitas vezes de vozes cultas. O homem da actualidade, é diferente de todos os outros animais. A verdade é que, se quando desceu das árvores e começou a andar na vertical apoiado nas patas traseiras ainda seria herbívoro, desde há milénios que se tornou um omnívoro aliás acompanhado de muitos outros animais!

E, mais ainda, para além dessa esquisitice de ser o único que bebe leite em crescido, também é o único que cozinha os seus alimentos!!! E bebe líquidos fermentados. E... e... e...
Pois é, o ser humano é único. Felizmente.
Come de tudo, sim senhor. Bebe leite se quiser. Aliás também nenhum mamífero adulto come iogurte ou queijo porque não o sabe fazer. E já agora também nenhum mamífero adulto bebe leite de soja ou come tofu...
Vi ontem um episódio antigo de uma série de tv. Às tantas um pai a querer ser simpático com uma filha jovem adulta e o seu namorado convida-os a ir comer um «pato à Pekin». O olhar com que foi recebido o convite, de espanto e desdém, era fabuloso e acompanhado da resposta «Pai!!! Nós somos vegan!!!» num tom superior. No desenrolar do episódio o namorado, que era um dealer, acabava morto num tiroteio com um bando rival, e a rapariga também matava alguém, em defesa é certo mas por causa do negócio de droga...Achei graça. Princípios elevados na alimentação, não comiam carne, nem peixe, nem ovos, nem leite, nem mel, nem... mas consumiam e vendiam droga, e até não se faziam esquisitos para matar pessoas!


Claro que não tiro nenhuma conclusão parva, uma coisa não tem a ver com outra. Mas, achei graça, pronto!


O leite-creme leva leite...
Mas é tão bom, não é? 

Cereja

 

domingo, 22 de novembro de 2015

Outras guerras


Para além das grandes guerras que ocupam as nossas preocupações e os títulos dos jornais, há outras guerras mais mansas a que já nos habituámos e não matam mas moem. Ou até matam, visto por outro ângulo... Penso no consumo. Já reflectiram porque é que se fala de «defesa do consumidor», aliás até existe uma «lei de defesa do consumidor». Quando se usa o termo defesa é porque se pressupõe um ataque, não é?

O famoso 'consumismo' é uma doença relativamente actual. Imagino facilmente que ao longo dos séculos passados tenham sempre existido algumas pessoas que davam mais importância a ter coisas do que as outras pessoas. Mas como o comércio era uma actividade muito mais restrita do que agora, e muito do que se usava era 'feito' em casa ou na família, não se pode ver isso como consumismo. Ainda quando eu era criança, talvez efeitos do pós-guerra, a grande batalha era contra o desperdício - evitava-se desperdiçar, e o conceito não é exactamente igual a quando hoje se diz «poupe muito, compre 10 ao preço de 5», porque muitas vezes estamos a comprar o que não precisamos, ou seja vai-se desperdiçar no final...

E a minha convicção é de que o consumidor, ou seja 'todos nós', precisa muito de ser defendido. Porque o ataque é global, constante, e por formas cada vez mais habilidosas e sofisticadas. Não podemos esquecer que as empresas de publicidade têm nos seus quadros especialistas de psicologia.
Fala-se muito nas 'dívidas das famílias', os famosos créditos-mal-parados, e ouvimos constantemente em coscuvilhice de vizinhos censuras a pessoas de classe média-baixa por estarem muito endividados por fazerem demasiadas compras. Muitas vezes são censuras que até fazem sorrir, porque os gastos dos particulares para além da habitação, ou vá lá, um carro mais caro, são gotas de água ao pé da dívida de uma empresa mesmo pequena.

Mas quem empurra o consumidor para o gasto sabe bem o que faz e como o faz. 

Como possivelmente quase toda a gente da minha situação económica eu tenho, para além do 'cartão de crédito' a que a minha pequena conta bancária dá direito, uns dois ou três outros cartõe(zinhos) de crédito. Estão associados a empresas onde costumo fazer compras com regularidade e que mos 'ofereceram' explicando sempre que não tinha nenhum custo, que em muitos casos faziam prestações sem nenhum juro, que era só uma segurança para o caso em que... Pronto, aceitei! Portanto tenho, como disse, uns cartões que estão quase sempre inactivos porque tenho imenso cuidado nas compras que faço.
E o que motivou tudo isto que acabo de escrever é o bombardeamento que recebo constantemente quer por sms, quer por email, lembrando «olhe que tem x disponível para usar no cartão tal»...! Agora, talvez com a aproximação do Natal, tem sido constantemente, há manhãs onde chego receber 2 mensagens de cada um deles, ainda assim a primeira me tivesse passado desapercebida.
Ora, graças à minha fada madrinha que me deitou uns pós de perlimpimpim quando estava no berço, acontece que não sou nada consumista. Resisto bastante bem. Mas imagino o efeito que estas ofertas envenenadas terão para muitas pessoas. A prenda é oferecida envolta num papel tão bonito... custa a resistir. 
E a ratoeira fecha-se.
E quem lucra....?!



Cereja

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

As teorias da conspiração


Usamos a expressão «teoria da conspiração» para ironizar sobre teorias muito rebuscadas e um tanto paranóicas sobre a realidade. Mas, o certo é que na história original do filme que tornou a expressão comum, o certo é que afinal se descobre que o 'louco' tinha razão e existia uma conspiração em que ninguém acreditava.
Penso nisto a propósito dos atentados de Paris.
De qualquer das vezes, quem em Janeiro quer agora, o planeamento parece ter sido cuidado ao milímetro com muito pouco deixado ao acaso. Ora uma das coisas que deixa qualquer um de boca aberta é a história de ter sido encontrado junto de um dos cadáveres um passaporte sírio. A ligação que foi feita de imediato, e aliás confirmada pelos vistos, é de que aquele terrorista-suicida se tinha infiltrado através dos refugiados que têm chegado.
Digo que nos deixa de boca aberta porque alguém que entra numa conspiração desta envergadura e mete no bolso a sua identificação verdadeira é extraordinário! Qualquer série policial de meia tigela refere que o primeiro cuidado de um criminoso é usar uma identidade falsa, quanto mais numa acção destas...

Mas este pormenor teve de imediato repercussões, ou seja incendiou quem já estava de pé atrás com a chegada à Europa de tanta gente em fuga, e temia a desestabilização que tal vinha trazer. Portanto pensaram de imediato «olha, olha, cá está um!» mesmo que fosse natural existir 1 nos 135.000 ou seja 1 para 134.009. Seria natural mas segundo as últimas notícias, nem é bem isso, porque parece que afinal o famoso passaporte era de um soldado sírio já morto há meses

E cá voltamos à tal «teoria da conspiração» que não é tão tonta como isso. Imagine-se que o dito passaporte foi levado de propósito. Imagine-se que se pretendia de facto associar os refugiados aos terroristas. Imagine-se que se desejava a reacção que acabou por acontecer.
Vantagens para o ISIS: a) Baralha as pistas. Começa-se a pensar que o mal vem de fóra, quando as sementes estão bem plantadas no interiror. b) Faz 'perder tempo' aos investigadores. c) Bloqueia a fuga de refugiados que não lhes pode agradar, afinal estão a sair da sua esfera de influência.



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É certo que tudo isto são conjecturas.
Nada diz e seria realmente impossível improvável que os fundamentalistas do ISIS quisessem agradar à Marine Le Pen, ou aos que querem radicalizar as suas posições, mas se nas histórias policiais se costuma perguntar quem beneficia com o crime, parece que não há dúvidas que não foram as posições de esquerda que beneficiaram, muito pelo contrário.
Pode ser que os vendedores de armas reforcem agora as suas vendas à França e aos países que partirem em cruzada. O povo anónimo, os civis de parte a parte é que não beneficiaram nada, com certeza.



Cereja

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Os do «contra»tudo, sempre, sempre, sempre!


Uma antiga poesia que aprendi em criança, história imaginada por La Fontaine mas adaptada a português, lembro-me de que começava «O mundo ralha de tudo / tenha ou não tenha razão / vou contar-vos uma história / em prova desta asserção» (a memória de criança é óptima...) e depois contava de como um avô, o neto e um burro, foram sempre criticados fosse como fosse o modo como usavam ou não o burro...
Continua actualíssima!
Encontrei por acaso o boneco, que recorda que cento e muitos anos depois, monte-se o burro, vá-se a pé, ou leve-se ao colo, há sempre alguém para considerar que é um erro.
É cansativo.
É irritante.
E numa era onde muita gente participa em redes sociais, mesmo quando não se está muito dependente delas, essa crítica constante e permanente, ainda é pior. Se o grupo que nos lê é grande (felizmente não é o meu caso, que sou muito prudente e um tanto selectiva a quem abro a porta) é vulgar «desamigarem-se» pessoas por choque frontal de opiniões. Mas se faz todo o sentido receber críticas de gente religiosa se se é ateu, ou de activistas de direita se nos mostramos de esquerda, já é inesperado algumas críticas violentas muitas vezes, de quem em teoria está perto das nossas ideias.

Falo das redes sociais porque é um símbolo que todos conhecemos, mas claro que isso se vê por todo o lado, quando há um agrupamento de pessoas a conversar e se deu um acontecimento recente com algum impacto. Uns criticam por uma coisa, outros por outra, outros por outra. No campo da política isso então é um fogo de artifício...! O facto de pela primeira vez a Esquerda em Portugal ter conseguido unir-se em pontos básicos, se foi criticado pela Direita ela estava no seu papel, mas tanta crítica vinda da própria esquerda é cansativo. Claro que se queria mais. É poucochinho? Pois é. Mas não se diz que um grande caminho começa por um pequeno passo?! Eu posso desejar viajar num super-rápido TGV mas não vou ficar à espera que se construa a linha, vou mas é a pé por agora.

Cereja