quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Birras infantis

Este é um problema importante na educação infantil, lidar com a birra ou, falando de um modo mais técnico, «como ensinar uma criança a aprender a lidar com a frustração» o que vai dar ao mesmo.
Volta não volta toco aqui neste assunto que causa muitas arrelias aos pais e educadores e não é de fácil resolução. Afinal dar conselhos é a parte mais fácil disto tudo... Mas, muito recentemente assisti numa loja a uma cena dessas e logo de seguida li um texto que falava de como resolver uma bela birra.
A cena a que assisti ao vivo e a cores, passava-se numa loja de produtos de decoração num centro comercial. Uma senhora jovem, estava acompanhada por um rapazinho dos seus 7/8 anos e uma menina de cerca de 4 sentada na sua cadeirinha. Quando entrei a menina berrava a plenos pulmões, e tínha-os em belo estado e, pelo aspecto desesperado e constrangido de quem lá estava, a cena já estava a decorrer havia algum tempo. O que causava alguma surpresa é que a mãe continuava a conversa com a vendedora como se fosse absolutamente surda àquele som que nos furava os tímpanos. Decerto que tinha sido aconselhada (e bem) a não ligar à birra, mas sinceramente não estava a resultar porque a criança gritava cada vez mais e conseguia chamar a atenção por completo, não apenas da mãe e irmão mas de toda a gente da loja e corredor... Um espectáculo completo. Ali impunha-se não ceder, naturalmente, mas também afastar a criança do centro das atenções.
O texto que citei, louvando a mãe que dominou a outra birra, parece 'inventado' para ensinar como-se-deve-fazer, porque não é normal um menino de 4 anos ter os conhecimentos que se lhe exigiam. Quanto à menina, esteve decerto a gritar mais tempo, porque me parece que a opção de a pôr na cadeirinha foi para a tentar controlar. E parece-me bem que o menino da livraria entenda que aquele dinheiro não chega para o que quer e aceite o limite que a mãe lhe deu. Mas querer que ele entenda o valor relativo dos preços? Sozinho? Aos 4 anos? Hmmm...
Claro que são frustrações. Desejar uma coisa que não podemos ter é bem triste e em qualquer idade. Mas se isso não se treina em criança, irá ser um adulto insuportável e infeliz.
Ou também se lhe pode mostrar a figura que faz :) 

Esta cena aqui em baixo já a conheço há muitos anos mas continua muito engraçada.





Cereja

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Ir apanhar um «uber»


Ando muito pouco de táxi. Muitíssimo pouco. Passam-se meses e meses em que não os utilizo, creio mesmo que já por vezes passei mais de um ano sem chamar nenhum. E, só agora percebi o que é essa coisa da Uber, imaginem. Saloia que sou! Claro que para usar essa aplicação criada para Android e iPhone eu teria de ter um bichinho desses, e o meu telemóvel era de 'carregar pela boca' como se costuma dizer, não dá para essas modernices...
Mas não posso continuar a ignorar a  guerra entre taxis e uber, afinal vivo neste mundo. Ainda não sei é o suficiente para tomar uma posição. Mas por aquilo que vou lendo, para já parece-me que os táxis em vez quererem esmagar a concorrência talvez pudessem começar a melhorar os seus serviços. Numa reportagem que li chamada apanhar um uber às escondidas dos taxistas diz: 
«A viagem de uber feita pelo PÚBLICO foi de 12,49 quilómetros, durou 12 minutos e 33 segundos e custou 11,88 euros. Os recibos que o serviço envia por email incluem todos os detalhes da viagem, incluindo um mapa com o trajecto. A aplicação dá previamente uma estimativa do custo e permite ao cliente acompanhar no telemóvel o percurso do carro e perceber se este segue a rota do GPS – um factor que será valorizado por turistas receosos que aterram e não conhecem as ruas de Lisboa. O pagamento é feito através da aplicação, com recurso ao cartão de crédito introduzido na altura do registo. Não há necessidade de entregar dinheiro, nem preocupações com trocos ou eventuais gorjetas» Ora não é só para turistas que é bom, para qualquer pessoa é bom!
Não é que tenha nada contra os táxis. Eles devem dar lucro para a empresa ser viável, embora tenha lido por aí que há uns 'tubarões' com centenas de táxis na praça a explorar incrivelmente quem trabalha para eles... mas se vivemos numa sociedade de concorrência, talvez esses taxistas explorados possam por o seu carro particular ao serviço da Uber. :)
Parece que o serviço da Uber não está regulamentado em Portugal. OK, então regulamentem-no. Pelo que vou lendo parece que há duas respostas da Uber, uma de luxo, com carros topo de gama com tarifa base de 2 €, 30 cêntimos por minuto e 1,10 € por km, e uma outra para gente mais modesta, com tarifa base de 1 € mais 10 cêntimos por minuto e 65 cêntimos por km. Muito mais barato do que um vulgar taxi! E quer-me parecer que desde que se não vá nem venha do aeroporto, a galinha dos ovos d'oiro dos taxistas, não haverá grande conflito.


Mas cá por mim, continuo a considerar que devíamos era querer  transportes públicos «decentes» e não estes que temos que pioram de dia para dia, até serem privatizados e piorarem à vontade!




Cereja

domingo, 6 de setembro de 2015

o penso rápido


Como ponto prévio devo dizer que deste caso só sei o que li na imprensa, e não conheço o caso como deve ser. Mas parece-me que não é difícil extrapolar esta "decisão administrativa" parece-me a mim, para outras profissões que conheço bem melhor.

Pelo que percebi perante a falta de médicos de família para dar resposta às necessidades da procura, está-se a pensar numa solução que consistirá em aumentar o número de doentes por médico.

Uma fórmula fácil. E note-se que esta falta de médicos de família já nem é no tal Portugal Profundo, cada vez mais abandonado e desabitado. Não, é no Algarve, Alentejo litoral, Loures, Amadora, Sintra, Cascais! A população tem sido atirada do interior onde cada vez tem menos respostas para o litoral, e aqui também elas faltam.
Portanto, como não há médicos de família suficientes aumenta-se o número de doentes por médico. Ah, mas coloca-se uma cenoura na ponta do pau, a recompensa monetária, e tudo fica bem. Mas se há dinheiro para essa 'recompensa monetária' porque não aumentar o número de unidades?
Que desculpem os senhores gestores e economistas (?) ao atender uma pessoa doente, ou ensinar uma criança, não se está a encher chouriços na expressão consagrada para um trabalho desinteressante. São trabalhos de uma grande delicadeza, que implica uma relação humana, aquilo que uma máquina nunca fará. Até porque cada caso é diferente... Ou bastaria um formulário de resposta múltipla: tem dores? sim/não; na cabeça, na barriga, nos membros, em nenhum destes locais, fazer cruzinha; a dor é constante? sim/não; por aí fóra e no final entregava-se o questionário e saia a resposta noutra ranhura.
Mas não é.
Implica uma forte relação humana.Tal como não se pode pensar: não podemos pagar a tantos professores? Não faz mal, em vez de 20 alunos por professor passam a ser 40 e poupa-se um salário. Raciocínio que parece poder ser aplicado a tudo. Mas não pode. 


É o que dá não ver pessoas e ver números.


Cereja


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Animais e a comida de plástico lata


Ando há tempos a pensar sobre a alimentação dos animais domésticos que é um negócio de milhões. De muitos milhões!.
......
Não me recordo, quando era criança, de haver uma 'febre' como a de hoje em relação a possuir-se ou não um animal de estimação. Algumas das pessoas que eu conhecia tinham gatos ou cães e tinham relações de grande ternura com eles, mas não havia tanta preocupação como hoje. Até recordo que, sobretudo na aldeia onde passava férias, achava-se que os animais deviam ser úteis, conceito que hoje não se ouve. Na altura, um bom gato era o que caçava ratos e os afugentava, e um cão servia para vigiar a casa. E comiam o que sobrava da mesa dos donos, se não sobrava nada fazia-se qualquer comida com o mais barato que se encontrasse... Dizer a alguém que no futuro iriam existir secções inteiras de supermercados com comida para os seus animais, seria quase como dizer que no futuro eles iriam voar...

Muitas coisas neste campo mudaram para melhor. Encontramos por todo o lado clínicas veterinárias que podem responder de imediato a uma aflição, coisa excelente. E acho muito bem que nos preocupemos com o bem-estar de um ser por quem somos responsáveis desde o momento que o escolhemos e aceitámos. Mas... Mas por outro lado impressiona-me um pouco o volume de dinheiro que os negócios que prosperam à volta dos animais manipulam. E um desses negocios é a alimentação.
Recordo um anúncio de uma marca de comida que ao elogiar os benefícios que aquela marca trazia para os animais que a comessem, terminava dizendo «Restos??!! Nuuun-ca!» com uma entoação que parecia estar a referir-se a qualquer coisa de muito horrível. Até dava vontade de rir. E o certo é que hoje todos os animais domésticos comem a chamada comida de lata não apenas por ser mais prático, mas porque os seus donos acreditam que é melhor para eles. Os mesmos donos que, muitas vezes, para si procuram os produtos biológicos e evitam comprar enlatados! O que faz a publicidade!!! Foi há dias notícia a história de um cão doente de gordo! Caso delicado que para ser ultrapassado para além da dieta implicou hidroginástica!! Pobre animal...
Não tenho actualmente nenhum animal de estimação. Mas recentemente 'tomei conta' de um gato e um cão. O gato vinha com a recomendação de que recusava comida que não fosse de certa marca. Fui experimentando outras, mais baratas, e ele estranhava mas comia. Até que me roubou um belo bife de frango, cru! E a seguir carne para espetadas. E depois um carapau também cru. Ou seja, quando podia escolher não comia a tal comida especial... O cão, esse sempre gostou de 'acabar-o-que-estava-no-prato-do-dono' e manteve o hábito. Aliás olhava para mim como quem pensa «se é bom para ti, tem de ser bom para mim». Não sou veterinária, mas acredito no instinto dos animais. Claro que comem a comida que se vende nas prateleiras dos supers e gostam. Mas quanto a ser o melhor do mundo....hmmm... é a publicidade que nós vamos engolindo.

O pobre do cão gordíssimo dizem que tinha sido sempre alimentado com comida de lata. Pronto, lá vão descobrir um «nicho de mercado» com comida para animais que devem emagrecer.
.......
Vivó mercado.





Cereja

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A Canção é uma Arma A palavra é uma arma com pontaria

Chamou-me a atenção uma notícia do JN com este «interessante» título :Hungria apanha mais de 8 mil migrantes este fim de semana.
Algo me soou mal, muito mal. E, estúpida, não localizei de imediato porque é que aquele título me incomodou. Até que li um comentário no facebook que, com humor negro, falava d' «A Apanha de Migrantes» chamando a atenção para que o que se costuma apanhar são Malandros, Ladrões, Meliantes, Bandidos, Terroristas, Traficantes de Droga, Banqueiros Vigaristas, Políticos Corruptos, gente que comete delitos - e não é delito Fugir da Guerra ou sequer da Fome. ( o texto é dele, não consegui linkar o face...)
A verdade é que com esta frase, sem se dizer claramente se insinua muito. Falar em migrantes e não em refugiados é já uma posição. Desde o ínicio que se pretendeu misturar as águas e catalogar quem foge à morte e destruição no seu país, como uma espécie de oportunistas que decidem ir para um país rico para melhorar a sua qualidade de vida. E que fosse?! Parece legítimo procurar melhorar a nossa vida através do trabalho. Mas a verdade é que aquela gente não decidiu calculadamente emigrar para ter trabalho, ela foge a uma guerra que parece não ter fim. Se eles não são refugiados, então o que são refugiados?
E, depois a sobranceria com que se informa que «foram apanhados», só falta acrescentar 'em flagrante delito'! Foram apanhados?? 'Apanhados' a passar através de arame farpado com crianças ao colo!!! Imagino esta boa alma, há 70 anos, apontar um ser humano de estrela amarela ao peito a fugir de um comboio para Auschwitz, e gritar «vai ali um!».
A atitude do governo húngaro é chocante. Impedir a entrada em comboios a passageiros que até compraram bilhete? Têm medo que eles atravessem o país? Que lá queiram ficar? De qualquer modo a forma como as coisas são relatadas não é inocente, e o título em causa diz muito sobre o seu autor.






Cereja

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Multibanco, antes e depois


É verdade que tenho por diversas vezes partido em guerra por aqui, quando considero que em muitos casos as empresas substituem os homens por máquinas, na mira de aumentarem os lucros. Está sempre a acontecer e cada vez mais. O comércio, por exemplo, fica despersonalizado porque os clientes usam o tal «self-service» ou seja servem-se sozinhos do que precisam e agora também muitas vezes pagam sozinhos, arrumam as compras e saem... Tudo se pode passar sem ver viv´alma! Faz-me um pouco impressão.
Mas li ontem que já fez 30 anos que nasceu o multibanco!
É curioso que também já pensei (e penso...) sobre ele o mesmo do que acabei de dizer do comércio em geral. Quando éramos atendidos num balcão do Banco havia uma relação «humana» que decerto não existe em frente da caixa de multibanco. Ainda hoje quando preciso mesmo de ir ao «meu» balcão, há lá funcionários que até sabem o meu nome. É agradável.
Mas... confesso que o multibanco é MUITO prático! Muitíssimo. E, seja pelo que fôr, ou por Portugal ter adoptado o sistema mais tarde do que outros países ou por ter trabalhado melhor a tecnologia, o nosso sistema de multibanco é melhor do que os outros! Quem vai ao estrangeiro vê isso claramente : não só pela quantidade de caixas que existem, como pelas funções que executam.
A geração mais nova nem se lembra de como era o mundo antes do «dinheiro de plástico» e sem caixas de multibanco. Estive a contar ao meu filho que quando comecei a trabalhar - e na Função Pública! - no dia do pagamento ia lá um senhor com uma pasta e envelopes com os nossos nomes e dentro de cada envelope vinha uma folha nomeando o vencimento, os descontos, e um maço de notas e até moedas. Eu é que depositava parte dele no Banco, e foi um grande avanço quando mais tarde o ordenado passou a ser directamente depositado no Banco. Nessa época andávamos sempre com o dinheiro para as despesas e tínhamos um «livro de cheques», preenchia um, rasgava-se pelo picotado e escrevia-se no 'canhoto' a quantia e para quem era. Era tudo.
Hoje é tudo muito mais fácil, e graças ao multibanco quase não precisamos de andar com dinheiro: pagamos as compras, levantamos e depositamos dinheiro, pagamos facturas, pagamos portagens, fazemos transferências, compramos bilhetes de espectáculos, pagamos o nosso transporte mensal, os impostos, enfim pagamos praticamente tudo! No mesmo sítio, a qualquer hora do dia ou da noite. Não digam que não nos facilita a vida!!!
O outro lado da moeda, menos contacto humano mas maior simplificação dos processos. Desta vez tenho de concordar.






Cereja

As doenças que não se vêm ao microscópio


Há doenças que não se vêm ao microscópio.
E portanto há para aí pessoas que «não acreditam» nelas.
E até são boas pessoas. Sensíveis, generosas, carinhosas. Só que essa coisa da saúde mental, hmmmm.... parece-lhes uma fantasia! Não digo que não aceitem as psicoses graves, se estiverem com um esquizofrénico «acreditam» que essa pessoa não está bem, mas já o campo das neuroses parece-lhes uma pieguice de gente fraca ou pelo menos sem a sua força de vontade - isto porque, claro está, nunca sentiram tal e não conseguem imaginar, nem pôr-se na pele dos outros.
E há frases, opiniões, que se ouvem constantemente do tipo, «tens de reagir» quando é óbvio que a doença é o não ser capaz de o fazer, ou «não te preocupes com isso», ou «deixa lá, isso passa».

A Ordem dos Psicólogos lançou uma campanha que me parece muito bem concebida, para abrir os olhos a quem ridiculariza as doenças do foro psicológico. Por exemplo:

Uma das doenças que um leigo só aceita se-passou-por-ela costuma ser a depressão. Para muita gente aquilo é uma espécie preguiça, ele ou ela tem é que reagir, sair, divertir-se, passear, que ... «aquilo» passa. Pelo que tenho observado, a depressão até irrita muita gente, como se fosse sobretudo um meio de chamar a atenção.
Pois, amigos, olhem que não é. Até posso acreditar que nos séculos passados não se notasse tanto, até porque não ficaram registos, e também aceito que na actualidade exista mais, mas é uma doença grave. Assim como os outros exemplos que as imagens referem.


Nem sempre a dor é física, sabiam?


Cereja

domingo, 23 de agosto de 2015

Ainda a conversa sobre a comida

É tema recorrente aqui no Cerejas, esta coisa da alimentação. A penúltima coisa que por aqui escrevi (tenho andado muito preguiçosa aqui no blog, as férias e a concorrência do facebook não ajudam...) era exactamente a dizer que estava já fartinha deste tema. Bem, não resisto a voltar a ele, por ter encontrado um boneco que toca um ponto a que também me costumo referir muitas vezes - é que, infelizmente, a comida mais saudável é mais cara!!!



A legenda está em francês portanto admite-se que os valores referidos são de um país de língua francesa (França, Bélgica, Suiça?) que têm um nível de vida superior ao nosso, coisa nada difícil... E se fizermos as contas para cá a coisa mantém-se ou amplifica-se.
De resto não é só no tal «pronto a comer» ou na famosa «comida de plástico» que se vê que é mais barato muito mais barato o que não faz bem na alimentação e, a solução não me parece ser, como já vi quem o defendesse, aumentar o preço (ou até proibir) os alimentos com açúcar ou com gordura, mas sim, pelo contrário, baixar o custo dos «alimentos bons»
Assim à primeira vista, a única coisa que ainda é barata hoje é a água da torneira. 

Até o pão 'completo' é mais caro do que do que os papo-secos ou o pão branco... Actualmente o peixe é bem mais caro do que a carne. Os legumes (o exemplo na imagem é de feijão-verde mas isso passa-se com a maioria dos legumes) quando não estão 'em promoção' são bem caros! Quanto a fruta só é barato a banana. 

Ou seja para se manter a linha e comer saudável, ou temos a nossa própria quinta pescamos o peixe no ribeiro e temos uma capoeira, ou temos muito mais do que o salário mínimo.
Várias vezes o salário mínimo.

Cereja



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Os engraçadinhos...

Há uma coisa que me irrita de um modo desproporcional em relação à causa da irritação: as gracinhas dos empregados de café.
Sempre assim foi, ou pelo menos há muitos anos que o é. Chego a um balcão e peço educadamente «Bom Dia, queria um café, se faz favor!» e oiço como resposta «Queria?! Ah, já não quer?» e ficam-se a rir. Como não lhe vou explicar o que é a forma verbal conhecida como condicional, faço um sorriso amarelo e espero pacientemente, a não ser que ele continue a rir o que me apetece dar como resposta «Traga-me o raio do café, caraças!» mas não digo... Sou educadinha.
E isto passa-se noutras situações. A grosseria de corrigiram o meu português para fazer humor. Aliás tem-se espalhado. Há para aí muitas variantes, a sintaxe é uma lástima e com a desculpa do acordo ortográfico que tem umas costas larguíssimas diz-se os maiores disparates, piscando depois o olho «com o acordo já nem sei como se diz» explicação cretina porque o dito acordo é sobre a escrita.

Mas encontrei este sketch já antigo mas excelente.

Está cá tudo. Grandes gatos!!!!


Cereja

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Chover no molhado

Li há dias uma interessante entrevista que proponho que leiam de uma ponta à outra! Possivelmente, considero interessante por o autor repetir aquilo que penso e digo há imenso tempo: o excesso de cautela e protecção que grande parte (a maioria?) dos pais de hoje mostram na educação dos filhos tem o efeito oposto àquilo que se pretende, torna-os mais vulneráveis! Há um mês e tal voltei a falar no assunto aqui no Cerejas, a propósito de uma cena real a que tinha assistido. O entrevistado, que trabalha quase há meio século com crianças diz, com graça, que «aumentou de facto esta taxa de sedentarismo, eu diria mesmo de analfabetismo motor, estamos a falar de iliteracia motora» e continua dizendo que se quer controlar a energia das crianças mas «numa grande parte dos casos essa energia é natural, mas é considerada hoje como doença ou inapropriada. É inaceitável que 220 mil crianças estejam medicadas em Portugal.»  Apoiadíssimo!
Por outro lado vemos que os mesmos meninos «que com 3 anos ao fim de dez minutos de brincadeira livre dizem que estão cansadas, [...] de 5 e 6 anos que não sabem saltar ao pé-coxinho [...] com 7 anos que não sabem saltar à corda, ou [...] 8 anos que não sabem atar os sapatos» como ele refere, são também os que estão sempre ligados a um ecrã ! Mesmo nas férias, preferem a ligação virtual ao mundo real que os rodeia.
Isto alarma-me.
Eu sei que isto é o século vinte e um. Quando era pequenina falar-se na vida depois de 2.000 era ir para o mundo da ficção científica. Li muitos romances nessa área com transmissão de pensamento, viagens instantâneas, comida em pílulas, passeios a outros sistemas solares... Crianças de músculos atrofiados ligadas a máquinas de comunicação também devia haver. Mas é triste. 
E estamos a tempo de inverter a marcha.

Afinal é sobretudo ter consciência de que o que se pensa estar a fazer para bem dos nossos filhos, é muito pelo contrário, prejudicá-los gravemente.
Stop!




Cereja