Ando há tempos a pensar sobre a alimentação dos animais domésticos que é um negócio de milhões. De muitos milhões!.
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Não me recordo, quando era criança, de haver uma 'febre' como a de hoje em relação a possuir-se ou não um animal de estimação. Algumas das pessoas que eu conhecia tinham gatos ou cães e tinham relações de grande ternura com eles, mas não havia tanta preocupação como hoje. Até recordo que, sobretudo na aldeia onde passava férias, achava-se que os animais deviam ser úteis, conceito que hoje não se ouve. Na altura, um bom gato era o que caçava ratos e os afugentava, e um cão servia para vigiar a casa. E comiam o que sobrava da mesa dos donos, se não sobrava nada fazia-se qualquer comida com o mais barato que se encontrasse... Dizer a alguém que no futuro iriam existir secções inteiras de supermercados com comida para os seus animais, seria quase como dizer que no futuro eles iriam voar.........
Muitas coisas neste campo mudaram para melhor. Encontramos por todo o lado clínicas veterinárias que podem responder de imediato a uma aflição, coisa excelente. E acho muito bem que nos preocupemos com o bem-estar de um ser por quem somos responsáveis desde o momento que o escolhemos e aceitámos. Mas... Mas por outro lado impressiona-me um pouco o volume de dinheiro que os negócios que prosperam à volta dos animais manipulam. E um desses negocios é a alimentação.
Recordo um anúncio de uma marca de comida que ao elogiar os benefícios que aquela marca trazia para os animais que a comessem, terminava dizendo «Restos??!! Nuuun-ca!» com uma entoação que parecia estar a referir-se a qualquer coisa de muito horrível. Até dava vontade de rir. E o certo é que hoje todos os animais domésticos comem a chamada comida de lata não apenas por ser mais prático, mas porque os seus donos acreditam que é melhor para eles. Os mesmos donos que, muitas vezes, para si procuram os produtos biológicos e evitam comprar enlatados! O que faz a publicidade!!! Foi há dias notícia a história de um cão doente de gordo! Caso delicado que para ser ultrapassado para além da dieta implicou hidroginástica!! Pobre animal...
Não tenho actualmente nenhum animal de estimação. Mas recentemente 'tomei conta' de um gato e um cão. O gato vinha com a recomendação de que recusava comida que não fosse de certa marca. Fui experimentando outras, mais baratas, e ele estranhava mas comia. Até que me roubou um belo bife de frango, cru! E a seguir carne para espetadas. E depois um carapau também cru. Ou seja, quando podia escolher não comia a tal comida especial... O cão, esse sempre gostou de 'acabar-o-que-estava-no-prato-do-dono' e manteve o hábito. Aliás olhava para mim como quem pensa «se é bom para ti, tem de ser bom para mim». Não sou veterinária, mas acredito no instinto dos animais. Claro que comem a comida que se vende nas prateleiras dos supers e gostam. Mas quanto a ser o melhor do mundo....hmmm... é a publicidade que nós vamos engolindo.
O pobre do cão gordíssimo dizem que tinha sido sempre alimentado com comida de lata. Pronto, lá vão descobrir um «nicho de mercado» com comida para animais que devem emagrecer.
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Vivó mercado.
Cereja












