terça-feira, 16 de junho de 2015

Chuchas

Não, não é uma metáfora, neste caso estou a pensar em chuchas a sério, chupetas de bebé. 
E, desta vez não tem a ver com o que se usava no meu tempo, é uma questão psicológico/educativa por um lado e um costume que vejo muito (demasiado) por outro.
A sucção é o primeiro acto de um bebé. 

Indispensável à vida. E que lhe traz prazer e conforto.

Mesmo as pessoas que não têm contacto com crianças pequeninas sabem isso, não é necessário ver um bebé de boca aberta à procura da sua fonte alimentar para saber que a sucção é básico para a vida. E também uma fonte de prazer por si mesma como se nota, até mesmo bebés recém-nascidos metem o polegar na boca e chucham deliciados.
Com base nisso inventou-se a chucha que, tal como hoje existe, de borracha, tem pouco mais de 100 anos. E que se dava a um bebé para o ajudar a espaçar as refeições, ou o relaxar para dormir. Tanto quanto sei e recordo, dantes a chupeta era para bebés ou crianças pequeninas quando iam para a cama. Normal, fazia parte do seu ritual de adormecimento.
Nos tempos modernos o seu uso explodiu!  São muito mais bonitas, alegres, com formas mais ajustadas à boca, e a criança não a larga até bem mais tarde, já não só para dormir como a usa durante todo o dia.
E é isso que me choca, sobretudo quando esse hábito até é incentivado pelos pais. Possivelmente sentem que é um sossego. A criança desde que tenha a chucha não chora, não incomoda. Não chora... nem fala! Vejo muitas vezes a chucha como uma agradável mordaça, com aquilo a tapar a boca a comunicação desaparece!
O complicado é que a criança gosta. Mesmo que não precise, porque está acordadíssima e muito vivaça, se lha dão ela aprecia.
E torna-se um hábito que impede a socialização.
Queira a criança ou não, muitas vezes são os pais que incentivam. Recordo já há uns anos, mas hoje deve ser igual, à saída de uma creche onde as crianças brincavam alegremente umas com as outras com o seu chilreio habitual, os pais chegarem, vestirem-lhes o casaco, enfiarem o gorro, e a chucha na boca como fazendo parte da toillete. Elas calavam-se logo, é claro! Sossego!
Lembro-me também de outra vez em que vi um rapaz, bem crescido, mas mesmo muito crescido, a chupar energicamente uma chucha o que me fez comentar «qualquer dia, tira a chucha com uma mão e acende o cigarro com a outra».
Desta vez foi esta menina nas Marchas. Àquela hora, uma criança deste tamanho só tem é que estar na cama, mais nada! Mas se o não está é porque está a dançar e cantar... Mas de chucha??! Leio aquilo como "S.O.S. quero ir para a caminha..."



Cereja

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Prepotência

É de ficar de boca aberta. 
Muitas vezes nas discussões sobre os créditos e dívidas de nações, coisa que implica verbas de dimensões que a mente de um cidadão não-economista não consegue 'ver', usam-se imagens que esse tal cidadão pode perceber. Assim tipo: "se compras a crédito ao merceeiro tens de pagar a conta no fim do mês ou não podes comprar mais». Todos percebem isso. Claro que se sabe que essas imagens adaptadas a uma realidade de todos os dias não têm nada a ver com a outra realidade de forças gigantescas e quantias que a imaginação comum nem atinge.
Mas hoje li nos jornais uma história curiosa: que o FMI tinha rejeitado (?!) uma proposta - até já aprovada pela Comissão Europeia - de que a Grécia trocasse os cortes nas pensões mais baixas pelo equivalente ao orçamento na Defesa.

Já pensaram bem?! É o credor que decide como o devedor vai pagar uma dívida !!!
Voltando à conta do merceeiro, imagine-se que o meu vizinho (que fez compras caras porque o merceeiro soube vender muito bem as 'promoções' que lá tinha) entra na loja e lhe diz "Oh, senhor Chico, estou aflitíssimo para lhe pagar a conta deste mês, mas fique descansado, já estive a fazer contas e se deixarmos de andar de carro consigo pagar» e o merceeiro olha-o friamente e responde «O quê??! Nem pense! Vai continuar a comprar gasolina, sim, que isso é bom para as gasolineiras! Acaba mas é com a sobremesa nas refeições que é um gasto inútil!»

Não se imagina, não é?
Pois.
Afinal, noutras proporções, é o que os senhores das macro-finanças fazem. Completamente chocante, moralmente, mas preocupam-se lá com a moral... 



Cereja




domingo, 14 de junho de 2015

O negócio do lixo

Com a nova norma dos sacos de plástico de asas (vulgo sacos-de-supermercado) começamos a pensar melhor nesta coisa do lixo.
É sabido que a esmagadora maioria das pessoas usava até há pouco os sacos de plástico onde trazia as suas compras para forrar o caixote do lixo. Mas já fomos esclarecidos, esses sacos muito fininhos eram prejudiciais para o ambiente, portanto foram proibidos e agora começaram a ser produzidos outros mais resistentes, e pelos vistos menos poluentes, que terão de ser pagos por quem faz as compras - para além dos produtos de que necessita o cliente. Este se não quiser levar as compras na mão tem de comprar um saco porque o lucro das lojas é menor do que 2 cêntimos por cliente e faliam coitaditas.
E agora passemos ao lixo.
Nós já pagamos uma taxa para a recolha do lixo. Mas parece que temos de nos esforçar mais! As diversas empresas que recolhem o lixo para reciclar têm regras comerciais, normal, contudo querem aparecer como uns anjinhos da guarda que generosamente vêm salvar o ambiente por pura generosidade, quando de facto são empresas como quaisquer outras, que visam a obtenção de lucro. Ponto final. E obtêm-no, já li acusações de umas às outras por andarem a roubar recolher  lixo que não é delas, aquilo é um bem de que são proprietárias sem o comprar... 
Lembro-me de uma publicidade onde aparecia um macaco, creio eu, a mostrar que qualquer animal irracional sabia colocar o lixo bem separado no recipiente certo. Ora não é nada assim. Não será preciso uma formação, mas as regras não são óbvias como querem fazer crer. Por exemplo, no 'vidrão' não se deitam vidros como podia parecer, deitam-se garrafas, frascos, alguns copos e é melhor ficar por aí porque o resto pode ser ou não, pode parecer vidro, ter aspecto de vidro, partir-se como o vidro, mas... deve ir para o lixo comum, por exemplo se for vidro plano, ou frasco de perfume. No 'papelão' não se deita qualquer papel, deitam-se caixas de cartão, jornais e revistas (nem sei se todas, há a questão das fotos mal explicada) mas cuidado com o papel auto-colante, ou caderno com capa plastificada, ou papel de embrulho... E no 'embalão' o que raio se põe? Embalagens óbvias e limpinhas e as tipo tetrapark que devem ir convenientemente espalmadas,  no resto há dúvidas: as de iogurte não, embalagens de margarina, banha ou manteiga, não, copos de plástico não. 
É interessante notar aliás que algumas empresas são mais exigentes do que outras. Já li uns conselhos onde, por exemplo, insistiam «enxague as embalagens usadas». O quê?! Vou gastar um recurso que me ensinam a poupar, como é a água, para as embalagens irem já limpinhas?
Li há pouco tempo uma queixa de um empresário do lixo reciclado, zangadíssimo porque algo foi mal colocado por engano, e isso pode avariar uma máquina caríssima. Claro que é aborrecido, mas um engano pode sempre acontecer. Seria sensato precaver-se, e uma vez que o "trabalho da separação" não é pago por ele que apenas aproveita o trabalho que nós, cidadãos responsáveis, fazemos, talvez fosse de arranjar uma filtragem inicial, antes de deitar o produto a reciclar nessas máquinas caríssimas.
E já agora um pedido: por favor organizem a recolha de acordo com o que se produz, porque é pedir demais à nossa paciência que voltemos sistematicamente para casa com o que se ia despejar por o ecoponto estar cheio!

Apesar de tudo é uma empresa que dá lucro, não é?
Um negócio.

Até um grande negócio, pelo que entendi.




Cereja





sábado, 13 de junho de 2015

Ainda e sempre a educação


Este é um tema de reflexão que nunca me deixa, porque infelizmente estou sempre a notar escolhas educativas erradas. Todos os dias. E não quero dizer de modo algum que "nos meus tempos" se educava bem. Claro que não, que se cometiam diversos erros, mas os de antigamente têm sido corrigidos e agora encontramos frequentemente o seu oposto.
É do mais elementar bom-senso que uma criança para crescer em sociedade, precisa de conhecer as regras sociais em uso na sua terra (mesmo que depois  não as cumpra e até se lhes oponha) e tem de experimentar situações de algum risco, até para aprender a evitá-las.


Actualmente estes dois pontos estão muito diluídos nas relações adulto/criança, sem nenhum benefício. Obviamente sem benefício para a criança porque não aprende a ser autónoma, e também sem benefícios para os seus educadores porque não lhes diminui o trabalho, mesmo que o pareça quando se é muito permissivo...
Estava eu esta quinta-feira esperando por uma pessoa, sentada num banco de jardim, quando vejo um casal de meia idade com uma menina que aparentava uns 6 anos. Todos eles simpáticos, os avós (imaginei) carinhosos e a menina sorridente e bem disposta. 
O primeiro ponto que chamou a minha atenção foi um saco que o avô trazia de onde saía a cabeleira loira de uma boneca. Hmmm... - pensei eu - porque não é a menina que traz os seus brinquedos?... mas era um pormenor. Contudo um pormenor significativo, uma criança daquela idade deveria saber planear as suas brincadeiras e responsabilizar-se por isso, ou seja levar o que precisava, cuidar deles, e trazê-los de volta. Aprender a ser responsável, nas coisas à sua medida.
O segundo ponto, é que ela trazia um papel na mão, meio amarrotado. De onde eu estava não se percebia o que era, mas era um papel de um tamanho razoável. Deixou-o cair e preparou-se para o apanhar de novo, quando a avó interveio: Deixa! Não vais apanhá-lo do chão!!! como se fosse um erro, e claro que a menina o deixou ficar. Nem sempre vemos um cesto de lixo perto, mas ali até os havia, para além de haver uma zona de ecoponto, onde se podia deixar o lixo já separado! Aquela criança foi ensinada a não ter o trabalho de ir deixar o lixo onde ele deve ficar e a poluir o passeio...!
Uns minutos depois, os avós afastaram-se um do outro, ela ensaiou uma corridinha para apanhar o avô, e a avó a gritar-lhe : Não corras! Podes cair!!!

Isto é um relato fiel do que vi. Tivesse eu o descaramento de ter filmado a cena toda com o meu telemóvel e podia mostrar. Três erros educativos em cinco minutos.

Primeiro erro, ao sair de casa alguém que não a criança, preocupa-se com os brinquedos que ela vai usar e carrega com eles, ela vai imaginar que na sua vida não precisa de planear coisa nenhuma porque tudo lhe aparecerá por magia quando o desejar. Segundo erro, aprende que coisas que caiam ao chão na rua não se devem apanhar, talvez por ficarem sujas, portanto ficam ali e não se pensa mais no assunto. Terceiro erro, não deve correr porque-pode-cair. (!!) Ensina-se-lhe o medo. Mas porque é que há-de cair?! Uma menina saudável daquela idade pode e deve dar uma valente corrida de vez em quando. Se tiver o azar de cair, desinfecta-se a esfoladela do joelho, e aprende a defender-se melhor. Só isso.
............
Foram 5 minutos completamente deseducativos.
Mas um modelo do que se vê constantemente. A criança da redoma e que não aprende a crescer. 




Cereja

quarta-feira, 10 de junho de 2015

De volta

Envergonhada...


 Reparei agora que abandonei o blog, tadinho, quase um mês!!!
Vinha toda lançada escrever aqui uma coisa quando caí em mim e dei conta desta longa ausência.
E, como acontece na vida real, quando se vê um amigo todos os dias qualquer insignificância é tema de conversa, mas se estamos uns tempos sem nos ver sentimos que não vale a pena «falar nisso», se são pormenores da vida quotidiana.
Aqui também. Tenho de quebrar este ciclo parvo. E vai já a seguir!!!

Cereja

domingo, 17 de maio de 2015

Evolução dos costumes


Tenho a certeza de que quem tem hoje 30 anos ou menos, não imagina a abissal diferença da vida familiar hoje e a que se vivia há uns 50 anos, para não falar da do tempo dos seus avós, em meados do século passado (não foi assim há tanto tempo!)
A separação rigorosa entre os papeis feminino e masculino numa família era uma regra absoluta. Se a separação 'mundo doméstico' e 'mundo do trabalho' não era absoluta, seria porque muitas mulheres abraçavam já os dois mundos. Nunca era porque os homens de algum modo partilhassem o 'mundo doméstico' - qualquer homem, do trabalhador rural ao trabalhador intelectual, considerava que a casa-era-da-mulher. Ponto final. E aliás as mulheres também o consideravam... muitas vezes enxotavam os homens para a sala, para não atrapalhar, que a 'ajuda' não era nenhuma.
Quanto aos filhos, enquanto eram pequeninos também pertenciam ao mundo feminino, e nem se imaginava que assim não fosse. Mesmo os pais mais carinhosos, mais atentos, ficavam paralisados perante um bebé, sem saber o que fazer, claramente desajeitados quando ia além de lhe pegar um pouco ao colo.
Sabemos como hoje isso está tão diferente. Qualquer jovem pai é capaz de tomar conta do seu bebé e até gosta de o fazer. Uma reviravolta completa!
Mas mesmo assim, ainda nos surpreende a imagem de um professor que perante o choro de um bebé que a mãe tinha levado para a sala de aula, lhe pega, consegue acalmá-lo e prossegue uma aula com ele ao colo!!
Uma história completamente inimaginável no tempo dos meus pais. Era verdadeiramente ficção científica!



Cereja

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Orthographia



Ortografias...
Era pequenita quando se fez a Reforma o Acordo Ortográfico de 45. Coisa falhada, porque como o Brasil não aderiu, não houve nenhum 'acordo'... Eu ainda não sabia ler, mas ouvi algumas discussões em casa, porque a minha família era muito virada às letras e tinha um avô escritor que criticou fortemente as mudanças por causa da etimologia das palavras - aliás estava muito zangado que o latim saísse do programa do liceu porque se perdia o conhecimento da raiz da palavra! 
Mas, talvez pelo grande analfabetismo existente, não recordo que aquela mudança causasse nenhuma agitação  (nem o governo o permitiria, claro está!) E, como a biblioteca da minha família era grande e antiga, já depois de saber ler li muitos livros cheios de letras duplas e muitos ph. Pensava eu que separava bem o trigo do joio, a escrita antiga da moderna, via-se logo achava eu - hmmm... talvez assim não fosse. 
Há uns anos foi decidido fazer um novo Acordo Ortográfico.
Não se entendeu nem foi explicada a necessidade disso. É sabido que as línguas europeias mais faladas no mundo - inglês e francês - mantêm uma ortografia bem antiga, recheada de letras mudas, ou que se pronunciam de forma diferente, e isso não impede o seu domínio mundial... Adiante.
Como disse, a coisa foi muito mal explicada de início e, após uns anos onde continuaram sem explicar nada, agora decidiram aplicá-lo. Anda a cair o Carmo e a Trindade!!! Não se pode aceder à Comunicação Social, nem redes sociais sem sermos atingidos por um projéctil dessa guerra, e quem procurar honestamente informação não o consegue. OK, consegue se fôr à origem o que aconselho vivamente. A verdade é que me andam a desgostar os 'argumentos' (?) usados pelo grupo do Contra (onde de início até me situava) porque parece valer tudo, até descaradas mentiras. Claro que uma piada é uma piada, mas circularem frases inteiras com palavras supostamente obrigatórias segundo o dito «acordo» onde é tudo falso, incomoda-me. Não é honesto.
Não sei ainda onde me situo. Vou continuar a escrever como aprendi depois de 45, e tentar habituar-me a ler esta nova linguagem onde vai decerto haver muitas confusões sobretudo pela saída dos acentos. Contudo, sempre existiram palavras homógrafas e homófonas e sabíamos distingui-las... Calma, por favor!
Na cozinha da minha avó havia uma lata que dizia «assucar», (eu ainda tenho essa lata, mas...na sala, como 'antiguidade'!) e quando lia Eça ou Camilo, percebia bem o que era pae, ou Egypto, ou creança, ou archictectura, ou asylo, ou auctor, ou grammática, ou dansa, ou gymnasio...
Pronto, é certo que aprendi as regras de 45. Uma razia das letras duplas que na época (epocha) tiveram mais compreensão (ou comprehensão?) do que hoje parece haver... 





Hoje fico por aqui, mas parece-me que ainda volto ao assunto!

Cereja

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Depressa, depressa, depressa, depressa....!

Actualmente, dizem as estatísticas e o mais elementar sentido de observação, a nossa população é bem mais velha. Nos transportes, nas ruas, nas lojas, até nos desfiles de manifestações, vemos sobretudo pessoas de cabelos brancos e cara a condizer...
Ora a idade dá conhecimento, muita vivência, maior cultura geral, mas retira rapidez de reflexos na grande parte dos casos. Nós [claro que faço parte desse grupo] somos mais lentos, menos ágeis, quer do ponto de vista  motor quer de rapidez de resposta, quando falta a palavra, oh que raiva!
Por outro lado, com o óbvio motivo de reduzir pessoal, muitas empresas substituem as pessoas que atendem por máquinas, o que nos obriga a adaptar a tecnologias nem sempre fáceis, e exigem muita rapidez a quem inevitavelmente tem de atender o público.
Reparem num operador de caixa de um supermercado. Tem à sua frente uma bicha de pessoas bem razoável (até porque se houver poucos clientes em duas caixas, fecha-se uma e o operador vai fazer outro trabalho dentro da loja) e tem de dar andamento àquilo. Portanto, pega nos objectos que passa pelo leitor de códigos o mais depressa que consegue, faz a leitura, põe de lado, pergunta se queremos o nº de contribuite no talão, imprime o talão, recebe o dinheiro e passa ao seguinte. Sem parar, sem parar, sem parar...
Acontece que como a operação de colocar as compras em sacos compete ao comprador e nem sempre é muito rápida, a coisa está sempre a «engarrafar». E o comprador a sentir-se envergonhado, porque todos olham para ele como um empata! Claro que o seguinte também empata, que a coisa é igual para todos.
Isto é mais evidente quando ao frenesim de rapidez do operador de caixa se junta a dificuldade de um comprador mais idoso e menos despachado.
Ontem fiz uma experiência. Por um acaso levava no bolso um contador de minutos, daqueles de cozinha. E tinha reparado que a fila onde eu estava «engarrafava» muitas vezes. Quando a senhora antes de mim começou a ser atendida, carreguei no conta-minutos e travei-o quando as compras estavam já do outro lado da barricada. Conta-minutos? Ná, conta-segundos. Aquela operação levou 27 segundos. Foi um pacote de manteiga, uma embalagem de pão, meia dúzia de ovos, fiambre, pilhas eléctricas, iogurtes, champô, um sabonete. Deve estar a escapar-me qualquer coisa porque eram 10 produtos, que foram passados pelo leitor do código de barras em menos de 30 segundos! Claro que a senhora, já idosa e menos despachada, levou algum tempo a acondicionar aquilo no saco que trazia. Depois fazer o pagamento, receber o troco, também levou tempo... Isto enquanto a fila se impacientava, porque se a menina da caixa estava parada sem fazer nada a culpa tinha de ser da cliente!
É vexatório. É irritante. Mas decerto que quem está na caixa deve receber instruções para ser rápida, para aproveitarem o seu trabalho o mais possível, cada segundo conta. Por outro lado os clientes querem ser atendidos depressa, claro. Mas, a solução óbvia que era ter mais caixas abertas, implicaria mais postos de trabalho, o que não interessa nada aos patrões aos empregadores. Portanto cria-se esse ambiente de stress que todos conhecemos.

PS - Já agora, se nos grandes supermercados há (e muito bem!) caixas prioritárias para pessoas com crianças e deficientes motores, porque não acrescentar os idosos?!


Cereja

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Lutar contra o desânimo...(?!)

Ando nesta coisa dos blogs há muitos anos.
Muitos!
De tal maneira que de dois deles, como não domino de modo nenhum a informática, não fiz nenhum backup, e como a plataforma que os sustentava acabou, tudo o que lá deixei, foi-se, que nem bola de sabão. Num deles fui apenas um dos 4 elementos fundadores, colaborei uns anos mas saí pelo meu pé. Contudo escrevi lá imenso, e fiquei conhecida (??) pelo nick que usei «Emiele». Ainda hoje, a malta desse tempo usa o nick para falar comigo, coisa muito engraçada!
Depois desse usei outro, já pessoal, onde era eu sozinha a escrever, o Pópulo. Foi muito divertido e durou alguns anos, até que a plataforma - a Weblog - desistiu. Passei então o Pópulo para a blogspot mas a linha continuou igual.
Certo dia deu-me um amok, deixei o Pópulo em standby mas ainda não o fechei, e inventei o «Cerejas»
Todo este relambório para chegar ao 25 de Abril.
Quando há 10 anos (ou mais?) no Afiche - actualmente nem encontro referências - chegou o mês de Abril, fiz a festa, lancei os foguetes e apanhei as canas! E no 2º ano, em duo com a Isabel Faria, foi uma grande festa o mês de Abril. Canções, recordações, imagens, cartazes, foi FESTA com grandes maiúsculas.

Quando passei para o Pópulo, da weblog, sendo dona e senhora do blog, a festa foi ao meu gosto. Todos os dias deixei um cartaz da época e uma canção, e imensas recordações do «24 de Abril» para quem desconhecia o que se tinha passado no tempo do fascismo. Este Pópulo resistiu uns anos, mas com a falência da weblog, passei em 2006 para a blogspot, o mesmo blog, igualzinho, o mesmo cabeçalho e tudo. E, evidentemente com a mesma festa quando chegava a Abril. 
No último ano eu já estava a esmorecer, e durante o mês fui escrevendo 4 posts, a que chamei Utopia, imaginando o que-podia-ter-sido se... Era o Abril que afinal não foi, mas podia ter sido.

Anos antes tinha escrito O Diário da Ana, que descreve o que foi o mês de Abril de 74 contado na 1ª pessoa durante todo o mês, mas não consigo um link para o conjunto... (acho que no google encontro mais)
Uns posts que escrevi e ficaram engraçados, foi a série 






Mas o tempo tem passado.

É impressionante pensar como pensávamos e sentíamos há uns 10 ou 12 anos e como nos sentimos hoje. 
Portanto deixei passar o mês sem referir que era o famoso mês de Abril. E, ainda por cima não guardei e não encontro o que escrevi quando estava ainda tão entusiasmada... Parece de propósito.
...............

Sei bem que não se pode desanimar, mas está ficando tão difícil.
Até amanhã.

Cereja


terça-feira, 21 de abril de 2015

Civismo, como o ensinar...?


É tema recorrente por aqui. O civismo, a capacidade de viver em sociedade, a educação. Possivelmente é preciso mais tempo para algumas regras serem interiorizadas, mas não haverá modo de acelerar a coisa?!

Claro que antigamente ainda era pior. Quando não havia esgotos nas cidades, podia chegar-se a uma janela, avisar 'água vai', um eufemismo completo, e despejar o conteúdo dos penicos pela janela fóra. Era a norma. Uff... Já passou.
Mas não passou o hábito de quando se vai pela rua deitar para o chão aquilo que não queremos. Haja ou não um cesto de lixo próximo.
Resmungo todos os dias com isso. As ruas da zona onde vivo estão permanentemente sujas, por mais que as limpem. Hoje de manhã, saí de casa e reparei que estava uma equipa, creio que da Junta de Freguesia, afanosamente a varrer os passeios. Dava gosto. Até onde conseguia ver a faixa de pedrinhas brancas que era o meu passeio parecia uma passadeira, impecável! Fui ao supermercado, coisa de meia-hora não muito mais. Quando voltei a passar pelo mesmo sítio, até parei, incrédula. Eram papeis amarrotados, embalagens de iogurte líquido, um resto de bolo, um cartão de transporte usado, até uma meia suja, além de dois dejectos de cão bastante volumosos!!!
Aquilo merecia uma foto do tipo «antes e depois». E não, não tinha sido um saco de lixo que se tivesse rompido e espalhado o conteúdo, tinham sido apenas passeantes que iam deixando cair coisas...
O que merece estudo é que depois da primeira ou segunda coisa que vai para o chão, muita gente pensa que já-que-está-sujo não vale a pena esforçar-se para levar o que é de deitar fóra para onde deve ficar: o caixote. As primeiras coisas que caem servem de incentivo/modelo para o desmazelo que se segue. Quando foi da Expo, se é certo que havia equipes de limpeza em permanência, também é verdade que não se atirava a lata de refrigerante vazia, ou um papel de embrulho para o chão. Ficava-se constrangido...


Eu sei que há multas para quem deixa ficar lixo junto dos eco-pontos, por exemplo. Não sei se chegam a aplicar essas multas, mas enfim... O que acharia que talvez resultasse era se em vez de multa em dinheiro, essa gente incívica fosse condenada a 'trabalho comunitário'! Seria obrigado a «pagar à sociedade» - umas horas do seu tempo livre seriam passadas com um saco a tiracolo onde enfiasse as diversas porcarias que não devem ser encontradas num passeio. 

Será que assim aprendiam melhor?!


É certo que muitas crianças actualmente estão já sensibilizadas a separar o papel, o vidro e as embalagens. Têm muito orgulho nisso, e chamam a atenção dos pais. Talvez fosse altura, de uma campanha de sensibilização para não deitar nada para o chão... Muitas vezes se aprende com as crianças.

Cereja