sexta-feira, 15 de maio de 2015

Orthographia



Ortografias...
Era pequenita quando se fez a Reforma o Acordo Ortográfico de 45. Coisa falhada, porque como o Brasil não aderiu, não houve nenhum 'acordo'... Eu ainda não sabia ler, mas ouvi algumas discussões em casa, porque a minha família era muito virada às letras e tinha um avô escritor que criticou fortemente as mudanças por causa da etimologia das palavras - aliás estava muito zangado que o latim saísse do programa do liceu porque se perdia o conhecimento da raiz da palavra! 
Mas, talvez pelo grande analfabetismo existente, não recordo que aquela mudança causasse nenhuma agitação  (nem o governo o permitiria, claro está!) E, como a biblioteca da minha família era grande e antiga, já depois de saber ler li muitos livros cheios de letras duplas e muitos ph. Pensava eu que separava bem o trigo do joio, a escrita antiga da moderna, via-se logo achava eu - hmmm... talvez assim não fosse. 
Há uns anos foi decidido fazer um novo Acordo Ortográfico.
Não se entendeu nem foi explicada a necessidade disso. É sabido que as línguas europeias mais faladas no mundo - inglês e francês - mantêm uma ortografia bem antiga, recheada de letras mudas, ou que se pronunciam de forma diferente, e isso não impede o seu domínio mundial... Adiante.
Como disse, a coisa foi muito mal explicada de início e, após uns anos onde continuaram sem explicar nada, agora decidiram aplicá-lo. Anda a cair o Carmo e a Trindade!!! Não se pode aceder à Comunicação Social, nem redes sociais sem sermos atingidos por um projéctil dessa guerra, e quem procurar honestamente informação não o consegue. OK, consegue se fôr à origem o que aconselho vivamente. A verdade é que me andam a desgostar os 'argumentos' (?) usados pelo grupo do Contra (onde de início até me situava) porque parece valer tudo, até descaradas mentiras. Claro que uma piada é uma piada, mas circularem frases inteiras com palavras supostamente obrigatórias segundo o dito «acordo» onde é tudo falso, incomoda-me. Não é honesto.
Não sei ainda onde me situo. Vou continuar a escrever como aprendi depois de 45, e tentar habituar-me a ler esta nova linguagem onde vai decerto haver muitas confusões sobretudo pela saída dos acentos. Contudo, sempre existiram palavras homógrafas e homófonas e sabíamos distingui-las... Calma, por favor!
Na cozinha da minha avó havia uma lata que dizia «assucar», (eu ainda tenho essa lata, mas...na sala, como 'antiguidade'!) e quando lia Eça ou Camilo, percebia bem o que era pae, ou Egypto, ou creança, ou archictectura, ou asylo, ou auctor, ou grammática, ou dansa, ou gymnasio...
Pronto, é certo que aprendi as regras de 45. Uma razia das letras duplas que na época (epocha) tiveram mais compreensão (ou comprehensão?) do que hoje parece haver... 





Hoje fico por aqui, mas parece-me que ainda volto ao assunto!

Cereja

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Depressa, depressa, depressa, depressa....!

Actualmente, dizem as estatísticas e o mais elementar sentido de observação, a nossa população é bem mais velha. Nos transportes, nas ruas, nas lojas, até nos desfiles de manifestações, vemos sobretudo pessoas de cabelos brancos e cara a condizer...
Ora a idade dá conhecimento, muita vivência, maior cultura geral, mas retira rapidez de reflexos na grande parte dos casos. Nós [claro que faço parte desse grupo] somos mais lentos, menos ágeis, quer do ponto de vista  motor quer de rapidez de resposta, quando falta a palavra, oh que raiva!
Por outro lado, com o óbvio motivo de reduzir pessoal, muitas empresas substituem as pessoas que atendem por máquinas, o que nos obriga a adaptar a tecnologias nem sempre fáceis, e exigem muita rapidez a quem inevitavelmente tem de atender o público.
Reparem num operador de caixa de um supermercado. Tem à sua frente uma bicha de pessoas bem razoável (até porque se houver poucos clientes em duas caixas, fecha-se uma e o operador vai fazer outro trabalho dentro da loja) e tem de dar andamento àquilo. Portanto, pega nos objectos que passa pelo leitor de códigos o mais depressa que consegue, faz a leitura, põe de lado, pergunta se queremos o nº de contribuite no talão, imprime o talão, recebe o dinheiro e passa ao seguinte. Sem parar, sem parar, sem parar...
Acontece que como a operação de colocar as compras em sacos compete ao comprador e nem sempre é muito rápida, a coisa está sempre a «engarrafar». E o comprador a sentir-se envergonhado, porque todos olham para ele como um empata! Claro que o seguinte também empata, que a coisa é igual para todos.
Isto é mais evidente quando ao frenesim de rapidez do operador de caixa se junta a dificuldade de um comprador mais idoso e menos despachado.
Ontem fiz uma experiência. Por um acaso levava no bolso um contador de minutos, daqueles de cozinha. E tinha reparado que a fila onde eu estava «engarrafava» muitas vezes. Quando a senhora antes de mim começou a ser atendida, carreguei no conta-minutos e travei-o quando as compras estavam já do outro lado da barricada. Conta-minutos? Ná, conta-segundos. Aquela operação levou 27 segundos. Foi um pacote de manteiga, uma embalagem de pão, meia dúzia de ovos, fiambre, pilhas eléctricas, iogurtes, champô, um sabonete. Deve estar a escapar-me qualquer coisa porque eram 10 produtos, que foram passados pelo leitor do código de barras em menos de 30 segundos! Claro que a senhora, já idosa e menos despachada, levou algum tempo a acondicionar aquilo no saco que trazia. Depois fazer o pagamento, receber o troco, também levou tempo... Isto enquanto a fila se impacientava, porque se a menina da caixa estava parada sem fazer nada a culpa tinha de ser da cliente!
É vexatório. É irritante. Mas decerto que quem está na caixa deve receber instruções para ser rápida, para aproveitarem o seu trabalho o mais possível, cada segundo conta. Por outro lado os clientes querem ser atendidos depressa, claro. Mas, a solução óbvia que era ter mais caixas abertas, implicaria mais postos de trabalho, o que não interessa nada aos patrões aos empregadores. Portanto cria-se esse ambiente de stress que todos conhecemos.

PS - Já agora, se nos grandes supermercados há (e muito bem!) caixas prioritárias para pessoas com crianças e deficientes motores, porque não acrescentar os idosos?!


Cereja

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Lutar contra o desânimo...(?!)

Ando nesta coisa dos blogs há muitos anos.
Muitos!
De tal maneira que de dois deles, como não domino de modo nenhum a informática, não fiz nenhum backup, e como a plataforma que os sustentava acabou, tudo o que lá deixei, foi-se, que nem bola de sabão. Num deles fui apenas um dos 4 elementos fundadores, colaborei uns anos mas saí pelo meu pé. Contudo escrevi lá imenso, e fiquei conhecida (??) pelo nick que usei «Emiele». Ainda hoje, a malta desse tempo usa o nick para falar comigo, coisa muito engraçada!
Depois desse usei outro, já pessoal, onde era eu sozinha a escrever, o Pópulo. Foi muito divertido e durou alguns anos, até que a plataforma - a Weblog - desistiu. Passei então o Pópulo para a blogspot mas a linha continuou igual.
Certo dia deu-me um amok, deixei o Pópulo em standby mas ainda não o fechei, e inventei o «Cerejas»
Todo este relambório para chegar ao 25 de Abril.
Quando há 10 anos (ou mais?) no Afiche - actualmente nem encontro referências - chegou o mês de Abril, fiz a festa, lancei os foguetes e apanhei as canas! E no 2º ano, em duo com a Isabel Faria, foi uma grande festa o mês de Abril. Canções, recordações, imagens, cartazes, foi FESTA com grandes maiúsculas.

Quando passei para o Pópulo, da weblog, sendo dona e senhora do blog, a festa foi ao meu gosto. Todos os dias deixei um cartaz da época e uma canção, e imensas recordações do «24 de Abril» para quem desconhecia o que se tinha passado no tempo do fascismo. Este Pópulo resistiu uns anos, mas com a falência da weblog, passei em 2006 para a blogspot, o mesmo blog, igualzinho, o mesmo cabeçalho e tudo. E, evidentemente com a mesma festa quando chegava a Abril. 
No último ano eu já estava a esmorecer, e durante o mês fui escrevendo 4 posts, a que chamei Utopia, imaginando o que-podia-ter-sido se... Era o Abril que afinal não foi, mas podia ter sido.

Anos antes tinha escrito O Diário da Ana, que descreve o que foi o mês de Abril de 74 contado na 1ª pessoa durante todo o mês, mas não consigo um link para o conjunto... (acho que no google encontro mais)
Uns posts que escrevi e ficaram engraçados, foi a série 






Mas o tempo tem passado.

É impressionante pensar como pensávamos e sentíamos há uns 10 ou 12 anos e como nos sentimos hoje. 
Portanto deixei passar o mês sem referir que era o famoso mês de Abril. E, ainda por cima não guardei e não encontro o que escrevi quando estava ainda tão entusiasmada... Parece de propósito.
...............

Sei bem que não se pode desanimar, mas está ficando tão difícil.
Até amanhã.

Cereja


terça-feira, 21 de abril de 2015

Civismo, como o ensinar...?


É tema recorrente por aqui. O civismo, a capacidade de viver em sociedade, a educação. Possivelmente é preciso mais tempo para algumas regras serem interiorizadas, mas não haverá modo de acelerar a coisa?!

Claro que antigamente ainda era pior. Quando não havia esgotos nas cidades, podia chegar-se a uma janela, avisar 'água vai', um eufemismo completo, e despejar o conteúdo dos penicos pela janela fóra. Era a norma. Uff... Já passou.
Mas não passou o hábito de quando se vai pela rua deitar para o chão aquilo que não queremos. Haja ou não um cesto de lixo próximo.
Resmungo todos os dias com isso. As ruas da zona onde vivo estão permanentemente sujas, por mais que as limpem. Hoje de manhã, saí de casa e reparei que estava uma equipa, creio que da Junta de Freguesia, afanosamente a varrer os passeios. Dava gosto. Até onde conseguia ver a faixa de pedrinhas brancas que era o meu passeio parecia uma passadeira, impecável! Fui ao supermercado, coisa de meia-hora não muito mais. Quando voltei a passar pelo mesmo sítio, até parei, incrédula. Eram papeis amarrotados, embalagens de iogurte líquido, um resto de bolo, um cartão de transporte usado, até uma meia suja, além de dois dejectos de cão bastante volumosos!!!
Aquilo merecia uma foto do tipo «antes e depois». E não, não tinha sido um saco de lixo que se tivesse rompido e espalhado o conteúdo, tinham sido apenas passeantes que iam deixando cair coisas...
O que merece estudo é que depois da primeira ou segunda coisa que vai para o chão, muita gente pensa que já-que-está-sujo não vale a pena esforçar-se para levar o que é de deitar fóra para onde deve ficar: o caixote. As primeiras coisas que caem servem de incentivo/modelo para o desmazelo que se segue. Quando foi da Expo, se é certo que havia equipes de limpeza em permanência, também é verdade que não se atirava a lata de refrigerante vazia, ou um papel de embrulho para o chão. Ficava-se constrangido...


Eu sei que há multas para quem deixa ficar lixo junto dos eco-pontos, por exemplo. Não sei se chegam a aplicar essas multas, mas enfim... O que acharia que talvez resultasse era se em vez de multa em dinheiro, essa gente incívica fosse condenada a 'trabalho comunitário'! Seria obrigado a «pagar à sociedade» - umas horas do seu tempo livre seriam passadas com um saco a tiracolo onde enfiasse as diversas porcarias que não devem ser encontradas num passeio. 

Será que assim aprendiam melhor?!


É certo que muitas crianças actualmente estão já sensibilizadas a separar o papel, o vidro e as embalagens. Têm muito orgulho nisso, e chamam a atenção dos pais. Talvez fosse altura, de uma campanha de sensibilização para não deitar nada para o chão... Muitas vezes se aprende com as crianças.

Cereja

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Historieta que podia ser cómica


Li uma verdadeira 'anedota' que revela um caso típico de como se está nas mãos das Finanças. Ou seja, está-se de «mãos atadas» logo à partida! E é ainda a famigerada dívida do imposto automóvel que tem dado origem às injustiças mais incríveis.
Neste caso uma criança de 4 anos foi intimada a que pagasse o seu imposto automóvel. O crime de não ter pago esse imposto (que já devia estar bastante agravado pelos vistos )  foi cometido quando o criminoso tinha 6 semanas! Começou cedo a sua vida de delitos!


Era uma dívida de 55 € relativa a um automóvel Opel. E ainda por cima, se fossem esmiuçar era provável que existisse mais um delito porque ele nem carta devia ter....!
Acontece que o erro foi das Finanças. O nome era semelhante ao do verdadeiro «culpado», o proprietário do carro. O que nos deixa de boca aberta se isso ainda fosse possível quando se trata de abusos das Finanças, é que em lugar de receberem desculpas pelo engano, os pais tiveram de gastar mais de 20 € para provar que o veículo não pertencia à criança!
Ao contrário da generalidade das leis, no caso fiscal, é o acusado que tem de provar que está inocente, e isso sai-lhe caro! Ou seja, as Finanças ficam sempre a ganhar!!! Ou têm razão, e o culpado paga porque está em falta, ou não têm razão e o inocente paga para provar que é inocente...
E vá lá que não avançaram com penhoras ou ainda levavam as chuchas à criança....



Cereja

terça-feira, 14 de abril de 2015

Passarinhos e o oposto da gaiola

Claro que tem a ver com o feitio que tenho e o meu toque de claustrofobia. Mas como um blog é também uma espécie de diário (dizem que a origem da palavra é mesmo essa)  apetece-me deixar aqui uma reflexão pessoal. 
Sempre gostei muito de passarinhos, talvez por ser uma imagem de liberdade. Nunca seria capaz de ter um como animal doméstico, porque ter um bicho numa jaula vai ao arrepio do que é animal de estimação - é o que nos estima, que está connosco por amor, se tem de estar preso é um brinquedo, é um escravo. Ná! Para mim não. Gaiolas nunca.
Por acaso tenho uma na sala, como um objecto decorativo. Trouxe-a do oriente, é uma coisinha leve, decorada com graça, e com um pormenor que mostra que um passarinho até pode ser um animal de estimação. As gaiolas chinesas terminam na parte superior com um gancho. É para levar o passarinho a passear! O dono sai de casa com o seu jornal e a gaiola. Chega a um parque, senta-se a ler e pendura a gaiola por esse gancho num ramo de árvore. Já não é muito mau... Mas a minha é simplesmente decorativa, tem as portinhas abertas de par em par, e nenhum ser vivo a habita.
Há uns dias, quando estava na minha casinha de aldeia, disse a um amigo «Olha, comprei o oposto de uma gaiola!»

Ele não atinou com o que era essa compra. O espaço aberto não se compra... mas que raio....?
Tinha comprado um ninho.

Há por lá uma quinta que vende plantas, onde vou passear por vezes só para saborear a vista e o cheiro e de vez em quando lá compro um vasinho. Desta vez reparei que num canto tinham 'ninhos'. Iguais ao feitos pelas aves. De palhinhas, troncos, mesmo iguais. A senhora de lá que costuma dar-me conversa, riu-se dizendo que num deles tiveram uma 'ocupação selvagem', tinham visto que tinha ficado habitado sem eles repararem.

Bom, trouxe um ninho! Está escondido debaixo do alpendre, há espera de vir a ser habitado.
Então não é o oposto de uma gaiola?!



Cereja

sábado, 11 de abril de 2015

O preço do trabalho



Tem havido ondas de repercussão, como seria inevitável, com a surpreendente declaração do Primeiro Ministro de que os nossos salários ainda estão altos para as empresas serem competitivas.
Ficou tudo de boca aberta.
Falar com esta ligeireza do valor do trabalho, aperta-nos o coração. Quando o desemprego é o flagelo que é, quando muitos postos de trabalho se desfazem porque sai mais barato substituir várias pessoas por uma máquina, quando se oferecem salários ridículos mesmo a licenciados, porque se-não-quiserem-há-mais-quem-queira, quando há firmas que se mantêm porque exploram o trabalho grátis de eternos estagiários, a pessoa responsável por esta situação considera que o mal é... estar a pagar-se demais... (!!!)

Eu tenho um pouco a mania das palavras. Sinto que é muito importante o modo como se diz aquilo que se quer transmitir. Não é por acaso que o velho patrão se metamorfoseou em empregador, e se começa a usar tanto a palavra 'empreeendedor' que soa bem. E que tantos jovens escolhem cursos de «gestão» em vez de irem para áreas onde aprendam a «fazer coisas». Alguém, preferencialmente uma máquina, faz-coisas, e depois há um cérebro que gere isso que foi feito. Mas quem fez? E mesmo que fosse uma máquina, quem a pôs a trabalhar? 
Quando digo que as palavras não são inocentes, tenho no ouvido uma expressão que se usa constantemente: fulano deu trabalho a muita gente, ele deu-me trabalho, não encontro quem me dê trabalho. É assim que se fala, não é? O trabalho é uma coisa que se dá e se recebe, assim como uma prenda, para não dizer uma esmola.
Mas é certo que o patrão DÁ trabalho? 
Não senhor. Se alguém infelizmente dá trabalho é o trabalhador quando vergonhosamente não é pago e vive com salários em atraso. O patrão compra trabalho, compra pelo preço mais baixo que encontra, e até por vezes fica a dever! Para existir um produto, existe a matéria e o trabalho e tudo devia ser pago por um preço justo. Se a matéria for de má qualidade comprada a um preço demasiado baixo, ou o trabalho também for comprado a um preço demasiado baixo, o resultado é mau. É difícil haver milagres.

Os portugueses a trabalharem noutros países trabalham bem.
A terceira premissa do silogismo, é que os nossos gestores/patrões é que são maus. A eles é que se devia baixar os salários!!! 




Cereja

sábado, 21 de março de 2015

Habilidades e técnicas de aumentar as vendas


A revista Visão trazia uma crónica (?) opinião (?) intitulada: Porque acabamos por comprar coisas a mais na IKEA? bastante interessante e decerto fundamentada. Explica-nos que o facto de os produtos estarem distribuídos de determinada forma, de a loja estar montada como um labirinto, e na zona do 'mostruário' só se poder tirar a referência mas não levar o produto provoca um maior desejo de comprar o que se vê.

Certo. Acredito. Sobretudo a técnica do labirinto irrita-me um bocado porque cansa muito, e já aprendi a fintá-la (eheheheh!) mas não acho que seja uma diferença assim tão grande, tirar a referência do produto como eles aconselham, ou metê-lo logo no carrinho.... Vai dar ao mesmo, não é?
Mas estranho que apontem as espingardas com tanta precisão a esta loja, quando afinal TODAS fazem ou o mesmo, ou coisa parecida. O repórter recomenda levar uma lista do que se pretende e não sair dela. Pois é. Na IKEA e nos Minipreços ou Pingos Doces. Acho que até na feira de Carcavelos ou no Mercado do Relógio.

Quando eu era ingénua, quero dizer mais ainda do que sou hoje, aborrecia-me entrar num supermercado que conhecia muito bem, e no corredor do arroz e farinha, encontrar o chá e o café, no dos produtos de limpeza ver que estava o pão, etc. Eram mudanças que eu não entendia até alguém me explicar que se fazia isso por sistema, porque assim faziam «lembrar» ao cliente que podia levar outro produto e não apenas aquele que ia comprar.

Também a pouco e pouco fui confirmando que nas prateleiras ao nível dos olhos estão os produtos que lhes convém vender. Nas mais baixinhas, onde o cliente se tem de pôr de cócoras, estão os mais baratos. Eles estão lá, mas... discretamente.
Outra «moda» é apresentar produtos embalados (carne, peixe, legumes, fruta) com preços, em números garrafais, que são baixos. São baixos se correspondessem ao quilo ou a 500 gramas. Mas quem tiver atenção vê que correspondem a 350 gr, ou a 800 gr, e fazendo rapidamente contas de cabeça, confirma-se que a diferença  muitas vezes até beneficia o vendedor.
E quanto a «comprar coisas a mais» era bom se fosse só no IKEA... De roupa, a comida, a lâmpadas, sapatos, óculos até, agora propõe-se «leve x e pague metade». Mas porque é que hei-de levar mais do que aquilo que necessito, para pagar metade?!  Se podem vender por metade, vendam por metade! Mas para que é que vou atafulhar a cómoda, o frigorífico, com coisas que chegam a apodrecer e a passar de prazo porque não precisava de tanto???

Pois é meus amigos, podem dizer «não-estou-aqui-para-enganar-ninguém» como os banha de cobra, mas até tiram cursos para enganar como deve ser.

....................
E nós com a sensação amarga de que se tem de estar sempre alerta para ver qual é o truque.

Cansativo, não é?






Cereja


quinta-feira, 19 de março de 2015

Perplexidade

Foi perfeitamente por acaso que deparei com este vídeo. Numa espécie de zapping através das páginas do facebook, abri o vídeo que parecia engraçado.
E é engraçado. Com uma música animada e divertida "prova" que uma máquina (por acaso com um homem lá dentro mas que também poderia ser um robot) pode gerir uma plantação com muita eficiência.
Vejam:



 

Como graça, terá alguma.
Mas pouca. Porque olhando para aquilo como ser humano que sou, mete-me medo. A pouco e pouco a relação humana vai desaparecendo do mundo do trabalho. 

Quando era criança íamos a uma loja fazer compras. Recebia-nos um caixeiro, que ia buscar o que pedíamos, explicava as vantagens de um ou outro produto, embrulhava-o, recebia o nosso dinheiro e dava o troco. Humano, caloroso. Hoje vou a uma loja, meto uma moeda num carrinho de metal, procuro o que preciso nas prateleiras, dirijo-me a um local onde passo num leitor o código de barras daquilo que escolhi, o preço final aparece num ecrã, meto numa ranhura um cartão de plástico e escrevo um código, e saio com as compras. Posso não ter visto um único ser humano! Não era preciso.
Para não falar no que era "ir ao Banco" há 40 anos, onde a relação era bem pessoal e até conhecíamos as pessoas pelo nome, e a substituição desses serviços pelas caixas 'multibanco', utilíssimas sem dúvida, que proliferam por todos os lados e já nem podemos passar sem elas, mas... são máquinas!
E os autocarros! Havia o condutor, e o senhor que nos vendia os bilhetes, um a um, de várias cores. Fazia-lhes um furinho com um alicate, que por vezes servia para ameaçar o menino mais traquina de que lhe fazia o furo na orelha...  Uma relação calorosa.
Bem, voltemos aqui ao vídeo.
A época das vindimas, é época de festa nos campos. Apanham-se os cachos das uvas, um a um, cuidadosamente. Enchem-se os cestos de verga, que depois são despejados em locais para serem lavados e pisados e fermentados, até ao vinho. Um ritual. Vejam agora aquela «vindima» robotizada. Foi rápido, não foi? Dali vai sair qualquer coisa, um sumo, um vinho. Mas não sentem um arrepio?
E a seguir, a colheita dos morangos. Ali até era ainda preciso uma mão humana para escolher os maduros que iriam ser depois vendidos. Mas os que ainda estavam a amadurecer e foram impiedosamente apanhados a eito, o que lhes fazem? Numa apanha manual, o trabalhador sabe colher o que está maduro e deixar amadurecer o que ainda não terminou o processo. É inteligente. A máquina é cega. 
E as couves? Que lindas, todas redondinhas no final, prontas para serem embaladas e vendidas em grandes superfícies. E o que vão fazer às folhas grandes que as envolviam e protegiam? Haverá uma outra máquina que vai aspirar tudo o que ficou e fazer uma grande sopa? Ou deitam fóra?
Pronto, confesso que não gostei nada daquilo. Parecia um sonho mau do que seria (será?) o futuro. Milhões de pessoas desocupadas não porque estejam muito felizes e realizadas numa ocupação de que gostem, mas porque há máquinas que fazem o mesmo (??!) mais depressa e mais barato.
Aquilo era para ter graça.
E, como exagero, até tinha. Mas ficou-me um amargo de boca.

Cereja

quarta-feira, 18 de março de 2015

Tudo errado!


Já tinha lido um pouco em diagonal, mas hoje dei-me ao cuidado de ler com mais atenção o artigo que nos diz : a diplomacia sueca debaixo de fogo.

Logo da primeira vez, da tal vez que li «em diagonal» chocou-me que a Ministra Sueca que tinha sido convidada a discursar na Cimeira da Liga Árabe, não o pudesse ter feito. Então convidam a senhora e depois não a deixam falar?! Mas algo me dizia que era tudo um tanto estranho porque imaginava que uma cimeira da Liga Árabe não integrasse alegremente uma mulher. Isso já era um tanto revolucionário, mas quando a convidaram sabiam o seu sexo... E parecia ser um gesto simpático para com a Suécia por ter sido o primeiro país a reconhecer a Palestina como um Estado.
Depois percebi que numa entrevista à BBC a Ministra tinha feito uma defesa cerrada dos Direitos Humanos, criticando os castigos físicos (brutais) e classificando como medievais alguns julgamentos nos países que aplicam a charia. Não aceitaram essa censura, recearam que o voltasse a dizer e tiraram o pio à oradora.
A Suécia zangou-se e retaliou: "não renovou o acordo de cooperação militar com a Arábia Saudita".
Agora o complicado, é que isto envolve muito dinheiro, imenso dinheiro, os negócios de armas têm que se lhe diga. As implicações são enorme e acontece (ó espanto!) que "três dezenas de grandes empresas suecas (como a Volvo, Saab, Ericsson, H&M, Elecreolux) assinam uma carta aberta em que colocam dúvidas face à decisão do governo" [dúvida minha: o que é que têm a ver com as armas....?]


Portanto um discurso de uma Ministra que fazia uma defesa apaixonada dos direitos humanos, sobretudo os das mulheres, foi a causa de um boicote de venda de armas, e várias empresas em pé de guerra.


Direitos Humanos?

Calminha, calminha...




Cereja