sexta-feira, 17 de abril de 2015

Historieta que podia ser cómica


Li uma verdadeira 'anedota' que revela um caso típico de como se está nas mãos das Finanças. Ou seja, está-se de «mãos atadas» logo à partida! E é ainda a famigerada dívida do imposto automóvel que tem dado origem às injustiças mais incríveis.
Neste caso uma criança de 4 anos foi intimada a que pagasse o seu imposto automóvel. O crime de não ter pago esse imposto (que já devia estar bastante agravado pelos vistos )  foi cometido quando o criminoso tinha 6 semanas! Começou cedo a sua vida de delitos!


Era uma dívida de 55 € relativa a um automóvel Opel. E ainda por cima, se fossem esmiuçar era provável que existisse mais um delito porque ele nem carta devia ter....!
Acontece que o erro foi das Finanças. O nome era semelhante ao do verdadeiro «culpado», o proprietário do carro. O que nos deixa de boca aberta se isso ainda fosse possível quando se trata de abusos das Finanças, é que em lugar de receberem desculpas pelo engano, os pais tiveram de gastar mais de 20 € para provar que o veículo não pertencia à criança!
Ao contrário da generalidade das leis, no caso fiscal, é o acusado que tem de provar que está inocente, e isso sai-lhe caro! Ou seja, as Finanças ficam sempre a ganhar!!! Ou têm razão, e o culpado paga porque está em falta, ou não têm razão e o inocente paga para provar que é inocente...
E vá lá que não avançaram com penhoras ou ainda levavam as chuchas à criança....



Cereja

terça-feira, 14 de abril de 2015

Passarinhos e o oposto da gaiola

Claro que tem a ver com o feitio que tenho e o meu toque de claustrofobia. Mas como um blog é também uma espécie de diário (dizem que a origem da palavra é mesmo essa)  apetece-me deixar aqui uma reflexão pessoal. 
Sempre gostei muito de passarinhos, talvez por ser uma imagem de liberdade. Nunca seria capaz de ter um como animal doméstico, porque ter um bicho numa jaula vai ao arrepio do que é animal de estimação - é o que nos estima, que está connosco por amor, se tem de estar preso é um brinquedo, é um escravo. Ná! Para mim não. Gaiolas nunca.
Por acaso tenho uma na sala, como um objecto decorativo. Trouxe-a do oriente, é uma coisinha leve, decorada com graça, e com um pormenor que mostra que um passarinho até pode ser um animal de estimação. As gaiolas chinesas terminam na parte superior com um gancho. É para levar o passarinho a passear! O dono sai de casa com o seu jornal e a gaiola. Chega a um parque, senta-se a ler e pendura a gaiola por esse gancho num ramo de árvore. Já não é muito mau... Mas a minha é simplesmente decorativa, tem as portinhas abertas de par em par, e nenhum ser vivo a habita.
Há uns dias, quando estava na minha casinha de aldeia, disse a um amigo «Olha, comprei o oposto de uma gaiola!»

Ele não atinou com o que era essa compra. O espaço aberto não se compra... mas que raio....?
Tinha comprado um ninho.

Há por lá uma quinta que vende plantas, onde vou passear por vezes só para saborear a vista e o cheiro e de vez em quando lá compro um vasinho. Desta vez reparei que num canto tinham 'ninhos'. Iguais ao feitos pelas aves. De palhinhas, troncos, mesmo iguais. A senhora de lá que costuma dar-me conversa, riu-se dizendo que num deles tiveram uma 'ocupação selvagem', tinham visto que tinha ficado habitado sem eles repararem.

Bom, trouxe um ninho! Está escondido debaixo do alpendre, há espera de vir a ser habitado.
Então não é o oposto de uma gaiola?!



Cereja

sábado, 11 de abril de 2015

O preço do trabalho



Tem havido ondas de repercussão, como seria inevitável, com a surpreendente declaração do Primeiro Ministro de que os nossos salários ainda estão altos para as empresas serem competitivas.
Ficou tudo de boca aberta.
Falar com esta ligeireza do valor do trabalho, aperta-nos o coração. Quando o desemprego é o flagelo que é, quando muitos postos de trabalho se desfazem porque sai mais barato substituir várias pessoas por uma máquina, quando se oferecem salários ridículos mesmo a licenciados, porque se-não-quiserem-há-mais-quem-queira, quando há firmas que se mantêm porque exploram o trabalho grátis de eternos estagiários, a pessoa responsável por esta situação considera que o mal é... estar a pagar-se demais... (!!!)

Eu tenho um pouco a mania das palavras. Sinto que é muito importante o modo como se diz aquilo que se quer transmitir. Não é por acaso que o velho patrão se metamorfoseou em empregador, e se começa a usar tanto a palavra 'empreeendedor' que soa bem. E que tantos jovens escolhem cursos de «gestão» em vez de irem para áreas onde aprendam a «fazer coisas». Alguém, preferencialmente uma máquina, faz-coisas, e depois há um cérebro que gere isso que foi feito. Mas quem fez? E mesmo que fosse uma máquina, quem a pôs a trabalhar? 
Quando digo que as palavras não são inocentes, tenho no ouvido uma expressão que se usa constantemente: fulano deu trabalho a muita gente, ele deu-me trabalho, não encontro quem me dê trabalho. É assim que se fala, não é? O trabalho é uma coisa que se dá e se recebe, assim como uma prenda, para não dizer uma esmola.
Mas é certo que o patrão DÁ trabalho? 
Não senhor. Se alguém infelizmente dá trabalho é o trabalhador quando vergonhosamente não é pago e vive com salários em atraso. O patrão compra trabalho, compra pelo preço mais baixo que encontra, e até por vezes fica a dever! Para existir um produto, existe a matéria e o trabalho e tudo devia ser pago por um preço justo. Se a matéria for de má qualidade comprada a um preço demasiado baixo, ou o trabalho também for comprado a um preço demasiado baixo, o resultado é mau. É difícil haver milagres.

Os portugueses a trabalharem noutros países trabalham bem.
A terceira premissa do silogismo, é que os nossos gestores/patrões é que são maus. A eles é que se devia baixar os salários!!! 




Cereja

sábado, 21 de março de 2015

Habilidades e técnicas de aumentar as vendas


A revista Visão trazia uma crónica (?) opinião (?) intitulada: Porque acabamos por comprar coisas a mais na IKEA? bastante interessante e decerto fundamentada. Explica-nos que o facto de os produtos estarem distribuídos de determinada forma, de a loja estar montada como um labirinto, e na zona do 'mostruário' só se poder tirar a referência mas não levar o produto provoca um maior desejo de comprar o que se vê.

Certo. Acredito. Sobretudo a técnica do labirinto irrita-me um bocado porque cansa muito, e já aprendi a fintá-la (eheheheh!) mas não acho que seja uma diferença assim tão grande, tirar a referência do produto como eles aconselham, ou metê-lo logo no carrinho.... Vai dar ao mesmo, não é?
Mas estranho que apontem as espingardas com tanta precisão a esta loja, quando afinal TODAS fazem ou o mesmo, ou coisa parecida. O repórter recomenda levar uma lista do que se pretende e não sair dela. Pois é. Na IKEA e nos Minipreços ou Pingos Doces. Acho que até na feira de Carcavelos ou no Mercado do Relógio.

Quando eu era ingénua, quero dizer mais ainda do que sou hoje, aborrecia-me entrar num supermercado que conhecia muito bem, e no corredor do arroz e farinha, encontrar o chá e o café, no dos produtos de limpeza ver que estava o pão, etc. Eram mudanças que eu não entendia até alguém me explicar que se fazia isso por sistema, porque assim faziam «lembrar» ao cliente que podia levar outro produto e não apenas aquele que ia comprar.

Também a pouco e pouco fui confirmando que nas prateleiras ao nível dos olhos estão os produtos que lhes convém vender. Nas mais baixinhas, onde o cliente se tem de pôr de cócoras, estão os mais baratos. Eles estão lá, mas... discretamente.
Outra «moda» é apresentar produtos embalados (carne, peixe, legumes, fruta) com preços, em números garrafais, que são baixos. São baixos se correspondessem ao quilo ou a 500 gramas. Mas quem tiver atenção vê que correspondem a 350 gr, ou a 800 gr, e fazendo rapidamente contas de cabeça, confirma-se que a diferença  muitas vezes até beneficia o vendedor.
E quanto a «comprar coisas a mais» era bom se fosse só no IKEA... De roupa, a comida, a lâmpadas, sapatos, óculos até, agora propõe-se «leve x e pague metade». Mas porque é que hei-de levar mais do que aquilo que necessito, para pagar metade?!  Se podem vender por metade, vendam por metade! Mas para que é que vou atafulhar a cómoda, o frigorífico, com coisas que chegam a apodrecer e a passar de prazo porque não precisava de tanto???

Pois é meus amigos, podem dizer «não-estou-aqui-para-enganar-ninguém» como os banha de cobra, mas até tiram cursos para enganar como deve ser.

....................
E nós com a sensação amarga de que se tem de estar sempre alerta para ver qual é o truque.

Cansativo, não é?






Cereja


quinta-feira, 19 de março de 2015

Perplexidade

Foi perfeitamente por acaso que deparei com este vídeo. Numa espécie de zapping através das páginas do facebook, abri o vídeo que parecia engraçado.
E é engraçado. Com uma música animada e divertida "prova" que uma máquina (por acaso com um homem lá dentro mas que também poderia ser um robot) pode gerir uma plantação com muita eficiência.
Vejam:



 

Como graça, terá alguma.
Mas pouca. Porque olhando para aquilo como ser humano que sou, mete-me medo. A pouco e pouco a relação humana vai desaparecendo do mundo do trabalho. 

Quando era criança íamos a uma loja fazer compras. Recebia-nos um caixeiro, que ia buscar o que pedíamos, explicava as vantagens de um ou outro produto, embrulhava-o, recebia o nosso dinheiro e dava o troco. Humano, caloroso. Hoje vou a uma loja, meto uma moeda num carrinho de metal, procuro o que preciso nas prateleiras, dirijo-me a um local onde passo num leitor o código de barras daquilo que escolhi, o preço final aparece num ecrã, meto numa ranhura um cartão de plástico e escrevo um código, e saio com as compras. Posso não ter visto um único ser humano! Não era preciso.
Para não falar no que era "ir ao Banco" há 40 anos, onde a relação era bem pessoal e até conhecíamos as pessoas pelo nome, e a substituição desses serviços pelas caixas 'multibanco', utilíssimas sem dúvida, que proliferam por todos os lados e já nem podemos passar sem elas, mas... são máquinas!
E os autocarros! Havia o condutor, e o senhor que nos vendia os bilhetes, um a um, de várias cores. Fazia-lhes um furinho com um alicate, que por vezes servia para ameaçar o menino mais traquina de que lhe fazia o furo na orelha...  Uma relação calorosa.
Bem, voltemos aqui ao vídeo.
A época das vindimas, é época de festa nos campos. Apanham-se os cachos das uvas, um a um, cuidadosamente. Enchem-se os cestos de verga, que depois são despejados em locais para serem lavados e pisados e fermentados, até ao vinho. Um ritual. Vejam agora aquela «vindima» robotizada. Foi rápido, não foi? Dali vai sair qualquer coisa, um sumo, um vinho. Mas não sentem um arrepio?
E a seguir, a colheita dos morangos. Ali até era ainda preciso uma mão humana para escolher os maduros que iriam ser depois vendidos. Mas os que ainda estavam a amadurecer e foram impiedosamente apanhados a eito, o que lhes fazem? Numa apanha manual, o trabalhador sabe colher o que está maduro e deixar amadurecer o que ainda não terminou o processo. É inteligente. A máquina é cega. 
E as couves? Que lindas, todas redondinhas no final, prontas para serem embaladas e vendidas em grandes superfícies. E o que vão fazer às folhas grandes que as envolviam e protegiam? Haverá uma outra máquina que vai aspirar tudo o que ficou e fazer uma grande sopa? Ou deitam fóra?
Pronto, confesso que não gostei nada daquilo. Parecia um sonho mau do que seria (será?) o futuro. Milhões de pessoas desocupadas não porque estejam muito felizes e realizadas numa ocupação de que gostem, mas porque há máquinas que fazem o mesmo (??!) mais depressa e mais barato.
Aquilo era para ter graça.
E, como exagero, até tinha. Mas ficou-me um amargo de boca.

Cereja

quarta-feira, 18 de março de 2015

Tudo errado!


Já tinha lido um pouco em diagonal, mas hoje dei-me ao cuidado de ler com mais atenção o artigo que nos diz : a diplomacia sueca debaixo de fogo.

Logo da primeira vez, da tal vez que li «em diagonal» chocou-me que a Ministra Sueca que tinha sido convidada a discursar na Cimeira da Liga Árabe, não o pudesse ter feito. Então convidam a senhora e depois não a deixam falar?! Mas algo me dizia que era tudo um tanto estranho porque imaginava que uma cimeira da Liga Árabe não integrasse alegremente uma mulher. Isso já era um tanto revolucionário, mas quando a convidaram sabiam o seu sexo... E parecia ser um gesto simpático para com a Suécia por ter sido o primeiro país a reconhecer a Palestina como um Estado.
Depois percebi que numa entrevista à BBC a Ministra tinha feito uma defesa cerrada dos Direitos Humanos, criticando os castigos físicos (brutais) e classificando como medievais alguns julgamentos nos países que aplicam a charia. Não aceitaram essa censura, recearam que o voltasse a dizer e tiraram o pio à oradora.
A Suécia zangou-se e retaliou: "não renovou o acordo de cooperação militar com a Arábia Saudita".
Agora o complicado, é que isto envolve muito dinheiro, imenso dinheiro, os negócios de armas têm que se lhe diga. As implicações são enorme e acontece (ó espanto!) que "três dezenas de grandes empresas suecas (como a Volvo, Saab, Ericsson, H&M, Elecreolux) assinam uma carta aberta em que colocam dúvidas face à decisão do governo" [dúvida minha: o que é que têm a ver com as armas....?]


Portanto um discurso de uma Ministra que fazia uma defesa apaixonada dos direitos humanos, sobretudo os das mulheres, foi a causa de um boicote de venda de armas, e várias empresas em pé de guerra.


Direitos Humanos?

Calminha, calminha...




Cereja





sábado, 14 de março de 2015

Obras de 'santa-engrácia'

Este é um tema, não direi de estimação, mas que volta não volta não me consigo reprimir de voltar a falar no assunto. É claro que não sei nadinha destas coisas e aceito que haja aspectos que para um leigo nem se ponham e para um especialista sejam da maior importância. Posto isto, passo a falar na perspectiva de uma simples cidadã. 
Vivo numa cidade que parece estar em permanente e constante (re)construcção. São passeios esburacados, tapumes que cortam os passeios para arranjarem prédios, zonas isoladas com fitas para não se passar, ruas que passam a sentido único sem aviso, enfim quem não conheça bem a cidade parece que saímos de uma guerra.

Mas tudo isso se aceita alegremente para o bem comum. Faz-se um túnel para o trânsito fluir, levanta-se um tapume num prédio para o restaurar, etc. Não é isso que me incomoda, é o tempo i-na-cre-di-tá-vel que essas obras implicam!
Li ontem que na China, que têm a mania dos records, tinham construído um edifício de 50 andares em menos de 20 dias.
Um exagero. :D
Por isso teve honras de notícia de jornal. Mas eu vivi há uns 20 anos em Macau, e confirmo que a rapidez das obras nos permite acreditar que esta notícia seja verdadeira. Vi frequentemente, uma rua grande fechada ao trânsito uma Quinta-feira, completamente revolvida na Sexta, cabos, tubos, tudo o que uma cidade precisa nas suas entranhas substituído no Sábado, no Domingo espalharem a terra e cimentarem a rua e passeios, Segunda ser para secar e Terça já se circulava por ali....
Vi, deitar-se abaixo e reconstruir-se edifícios não de 50 andares (embora também os houvesse de várias dezenas) em meia dúzia de meses.
Mas quando vejo que é possível levantar-se um edifício em 20 dias, não posso deixar de me sentir engasgada que a Praça do Areeiro (ou Sá Carneiro) esteja em obras intermináveis há 20 anos. É tudo às pinguinhas, uns anos a arranjar um cantinho; depois outros anos a arranjar outro cantinho, e como a praça tem 4 já se imagina a lentidão... e o que estão a pensar em fazer com o centro da Praça??? Parece um campo abandonado, cheio de capim, com o triste Sá Carneiro meio enforcado. Faz dó. E é um local quase obrigatório de passagem para quem entra em Lisboa vindo de avião. Bela propaganda....





Cereja

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Zeca Afonso

Revivalismo...(?)

Aqui há anos, sei lá quantos talvez 10, o movimento entre autores de blogs era animado, forte, com muita vivacidade.
O "mundo da blogosfera".
Uma amiga, que o começou por ser virtual mas em breve passou a ser amiga de verdade, lançou a ideia de se fazer um DIA Z, ou seja o dia do Zeca. era a 28 de Fevereiro. Nesse dia, um número grande de bloggers (não me lembro quantos aderiram mas foram muitos) dedicaram as páginas a lembrar o Zeca Afonso, as suas músicas, a sua vida.
Foi emocionante. Em muitos casos, mal se abria a página do blog ouvia-se o som de uma canção. Cada um escolheu a que mais gostava ou das que mais gostasse...
No ano seguinte a coisa ainda funcionou mas depois acabou por morrer. Até porque os blogs também morreram :(

Ou pelo menos mudaram de nome - como este - e diminuíram a escrita de um modo impressionante... Tudo tem um tempo.

Mas eu quis levantar a bandeira desses tempos e portanto aqui ficam os Filhos da Madrugada! 
Até sempre, Zeca!




 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Educação



O tema da educação está sempre a retornar aqui ao meu blog.   
Gosto de crianças, gosto que elas cresçam com harmonia, gosto que se tornem adultos equilibrados vivendo bem na sociedade. E para isso têm de ser educadas, ou seja conhecerem bem as normas sociais e praticá-las com naturalidade. É que não custa nada!
Desta vez o que me chamou a atenção foi um daqueles «pensamentos» que aparecem por todo o lado nas redes sociais. Na grande maioria dos casos, sorrio ou encolho os ombros, e quando é particularmente bem apanhado "partilho-o" segundo a terminologia facebookiana, e não penso mais dois  segundos no caso.
Achei que este merecia uma nota mais completa, por fazer uma correcta distinção entre «instruir» e «educar».
É claro que a escola também pode educar, afinal toda a sociedade educa quem nela vive. Mas os maiores responsáveis pela educação de uma criança ou jovem, são os seus pais, a sua família. E, mais frequentemente do é de esperar, vemos pais que se demitem completa e totalmente dessa função, considerando que isso é com a escola. Sobretudo na creche. Recordo uma cena vista por mim há anos de uma mãe, furiosa, quase gritando com a educadora, com a queixa de que a sua filha «ainda não tinha aprendido a comer de faca e garfo! o que é que a educadora andava a fazer?!» E várias outras normas sociais, que alguns pais têm dificuldade em impor, lavam as mãos esperando que a escola a trate do assunto.

Para além do Bom Dia, Obrigado, Se-faz-favor, Até logo, Com licença, há regras de educação que muitas vezes não são interiorizadas na infância, e então quando se chega à adolescência parece que não há mais ninguém no mundo.

Afinal custa muito esperar que todos acabem para se levantar da mesa? Por-se em pé para cumprimentar alguém que chega? Segurar uma porta para outra pessoa passar? Não interromper quem fala? Para não falar já em dar um lugar sentado a alguém mais fraco que vai em pé, coisa que já nunca se vê.
Dá que pensar como é que este vídeo do Keanu Reeves a dar o lugar a uma senhora se tornou viral...

Tempos curiosos estes.





Cereja

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Norte e sul?

Um texto de opinião do Pacheco Pereira sobre "os povos" que não querem trabalhar, para além de muito certeiro chamou-me a atenção por um interessante pormenor 'geográfico' - a linha que divide o norte do sul. Não sei se a sociologia já se debruçou sobre isto, talvez sim, mas não conheço estudos que foquem este ponto.
Os estereotipos são sempre maus (digo eu, generalizando, devia entrar aqui um smile) 
Até porque quase sempre implicam censuras, tipo «os homens são assim», versus «isso é mesmo de mulher», o que é nítido em profissões: «oh, oh, advogado!!!» ou «vê-se logo que é comerciante!», «pensamento de taxista...»
Mas os mais injustos são os que generalizam sobre um povo. E quando se lembram de fazer uma lista caricatural dos seus defeitos ou por vezes qualidades que vêm sempre depois de um 'mas'. Condescendente, trocista, superior...
O que me levou agora a reflectir sobre estes lugares-comuns, foi o Pacheco Pereira ter chamado a atenção não apenas para a ideia-feita e divulgada de que os povos do norte são trabalhadores, esforçados, diligentes, enquanto os do sul, são uns preguiçosos, que detestam trabalhar, fazem o menos possível, e vivem de papo para o ar à custa dos verdadeiros trabalhadores, mas que esse contraste se vê até no interior do próprio país.
E não é que é verdade?!
A Liga do Norte na Itália acha que o Norte sustenta todo o país, que o Sul é não produz nada, não quer trabalhar, são uns grandes preguiçosos. E comecei a pensar que isto tenha a ver com a ideia, se calhar religiosa, de que o trabalho é triste, escuro e frio - livra! - e portanto quem viva numa região mais aprazível prefere... não trabalhar! Porque esse estereotipo funciona em vários lados, afinal quem vive no midi francês, aqueles sortudos da côte d'azur, fazem contraste com os franceses do norte, mais aplicados, organizados, produtivos, enquanto no sul vivem do turismo, ou seja oferecem o bom clima que lhes cai do céu, e pronto.

Acredito que em Espanha seja a mesma coisa, apesar de não ter dados para o dizer, mas cá em Portugal é um estereotipo esmagador. O «povo que trabalha» é o povo do norte, ouvimos constantemente. Muitos dos grandes empresários do norte olham com a maior desconfiança e bastante arrogância, para os «mouros» esta cambada de vadios que habita abaixo do Tejo, e vivem à custa dos verdadeiros trabalhadores, que se esforçam como deve ser. As piadas sobre a lentidão dos alentejanos não são de hoje.
Nem sobre os sul-americanos.
É uma fatalidade o lugar onde se nasce.
Às vezes apetecia pegar no Mundo, ou na Europa pelo menos e virar ao contrário como se faz a uma ampulheta. Inverter completamente tudo para fazer a experiência. Era giro.



Cereja