quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Magrura é formosura?

... ou "a parvoíce dos estereótipos"!
Na minha infância não era moda ser-se magro.
De modo nenhum, pelo contrário! A verdade é que a tuberculose era ainda um flagelo, mal comparado era quase a sida desses anos. Era doença contagiosa, muito mortal, e que quase exigia que os seus doentes fossem afastados da sociedade, fossem para sanatórios onde não contagiassem ninguém. E, o modelo do tuberculoso era alguém magro, até muito magro, portanto esse aspecto não era atractivo. Claro que também não seria atractivo quem fosse claramente gordo, portanto o 'modelo' era ter um volume (?) médio. No meio está a virtude...
Quanto às mulheres, o que era sexy era a «ampulheta», cintura fininha, o mais fininha possível, e peito e anca mais volumosos - se possível com a mesma medida, mas sem excessos. Curvas sim, bastantes curvas tal como a Brigitte Bardot ou a Marylin Monroe.  Depois os tempos mudaram muito, o modelo passou a ser a Twiggy, quase andrógina para além de super magra. Essa moda também passou (felizmente!) mas desde aí que o ideal de magreza ficou. Sem aquele exagero, mas... Nunca se falou tanto na forma física, dietas, exercícios, olha-se para o prato avaliando quantas calorias lá estão sendo isso mais importante do que a sua aparência ou se cheira bem. Uma ditadura. E, quanto ao corpo feminino, o modelo já não é a ampulheta: são seios grandes que podem ser moldados por cirurgia plástica, e um rabo firme não já a anca como nesses tempo antigos onde até parecia feio falar-se em rabos. As voltas que o mundo dá....!
Lembrei-me disto por ter lido em sucessão duas notícias tipo fait-divers. Por um lado a referência a uma senhora, que por acaso até é Ministra da Saúde e que é gorda. OK, diz a notícia que aquela obesidade é por doença, e deve ser porque é grande, mas é fantástico isso ser notícia! Essa agora?! A outra história, também interessante, é sobre uma actriz que desfilou em fato de banho não estava tão elegante como os padrões exigiam e sofreu uma série de críticas e enxovalhos. Exactamente. 
Agora para se ser bonito é indispensável ser-se magro. A expressão antiga de «pau de virar tripas» deixou de fazer sentido, nem se se tem pena de quem esteja magro. A gordura não é de todo formosura, até provoca um trejeito enjoado a quem fala, a magrura é que o passou a ser.
Tempos.
E estereótipos. 


Cereja

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Recordações

Deu uma certa celeuma nas redes sociais, a notícia de que Portugal na «conferência de dadores para a reconstrução da faixa de Gaza » tinha oferecido 25 mil euros. Bem, se lermos bem toda a notícia dizem que é uma quantia simbólica. Mas de facto é um pouco confuso porque para símbolo é muito e para oferta real é pouquíssimo. Alguns meus amigos de facebook deixaram comentários trocistas ou irritados, e alguém disse que se não há dinheiro mais valia não dar nada.
É também em parte essa a minha opinião. Símbolo por símbolo, fazia-se como quando se compra uma propriedade por um euro, um valor de facto simbólico.
Este caso de uma esmola demasiado pequena (dizia-se «para pouca saúde mais vale nenhuma» o que é um manifesto exagero parece-me, apesar de tudo falecer é ainda pior...) fez-me voltar aos dias da minha infância mais recuada. Na minha família havia uma frase que se dizia entre sorrisos quando havia excesso de poupança: "para-isto-mais-vale-nada"
Eu nasci e fui educada num ambiente de grandes economias, a generalidade do pós guerra mas mais exagerado em casa dos meus avós paternos. Por outro lado embora houvesse racionamentos, a mesa sempre foi farta, sobretudo para mim que era criança de pouco apetite. Mas havia regras. Rígidas até, como nunca deixar comida no prato, as cascas da fruta eram fininhas, rapava-se a carne toda junto aos ossos só eles ficavam no prato, etc, coisas que eu via os adultos fazer apesar de ser pequenina para fazer sozinha.

Sempre gostei muito de queijo. Muito.  Até mesmo mais do que de doces, que na época também não eram muitos. E o queijo comia-se sempre com pão, e até bastante pão. Um tio-avô dizia-me com voz grossa "Menina, come-se o pão e cheira-se o queijo!" dando a entender que por cada dentada grande na fatia de pão correspondia uma dentadinha muito pequena na fatia de queijo... Não achava muita graça, mas acatava. Mas certa vez ele, que adorava arreliar-me, deu-me uma fatia de pão e um pedacinho minúsculo de queijo, mesmo minúsculo quase nem se via!
Ora acontece que eu tenho um feitio, que já tinha nessa altura, quando o copo transborda perco o controlo, resumindo atirei-lhe com o pedacinho de queijo da provocação enquanto declarava alto e bom som "para isto mais vale nada!". Não consigo recordar se levei uma palmada por ter sido malcriada, pode ter acontecido, mas a história foi contada e os meus pais devem ter achado que eu teria razão, portanto a expressão ficou na minha família porque às vezes mais vale nada...



Cereja


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Telefones

A televisão tem destas coisas: o ser possível uma «viagem no tempo» com dois clics sem sair do sofá! Quando falo em viagem no tempo não quero dizer um filme ou uma série sobre viagens no tempo é claro, as histórias de ficção científica é coisa de outro departamento, refiro-me a eu própria viajar no tempo.
As operadoras de cabo oferecem desde há uns tempos um serviço simpático: a possibilidade de gravar os programas que não podemos ver em directo, ou por não estarmos em casa ou por estarmos a ver outro programa nessa altura. É muito útil e eu sou uma cliente que o utiliza bastante. Sobretudo em séries de que gosto mais marco a gravação de todos os episódios e fico descansada.
Ora aconteceu que entre essas gravações de séries tenho duas muito contrastantes: «Person of interest» («Sob Suspeita») e «Maigret» baseada nos romances de Simenon. Um contraste enorme, tendo apenas a unir estas séries o meu interesse, a primeira passa-se no (ainda mas já próximo!) futuro e a segunda num passado que até foi vivido por mim. Ainda vou voltar a falar de cada uma delas em particular porque as acho muito interessantes.
Mas o que achei fantástico foi ontem ter visto um episódio de uma logo de seguida a ter visto um da outra. No 'Sob Suspeita', como se sabe, uma pessoa pode comunicar com outra estando cada uma nos locais mais remotos desde que tenha colocado um auricular, dando a impressão de estar a falar 'para o ar' a quem esteja ao seu lado. Comunicação instantânea e em qualquer lado. Tecnologia. No caso do Comissário Maigret que vi de seguida, Maigret et la maisou du juge se não me engano, a pessoa responsável por uma importante investigação (Maigret) precisa de falar para um posto de polícia na província para algo urgentíssimo, liga para a telefonista de serviço pedindo a ligação e ela informa-o de que vai de ter de esperar meia hora! Ele fica furioso, é certo, mas a coisa é verosímil eu sei!!! Parece-me que se passava na década de 50, em França não era em nenhum país subdesenvolvido!
Eu ainda recordo isto. Se o telefonema não era para Lisboa,   quero eu dizer "se não era local", tinha de se pedir a uma telefonista para efectuar a ligação e demorava o seu tempo. E também sei que, se quiser, hoje posso ligar para os antípodas, por exemplo para Macau para dar um exemplo que conheço, enquanto passeio o meu cão.
Alucinante a passagem do tempo, não é?





Cereja


sábado, 4 de outubro de 2014

Religiões

Ouvi ontem, pela hora do almoço na Antena 1, creio que no programa «Portugal em Directo», uma notícia curiosa. (chamo-lhe assim provisoriamente, à falta de um outro termo...) Como estava com um ouvido distraído não prestei atenção se a entrevista era a um reitor de uma universidade, ou um director de uma Escola Superior, mas passava-se no norte interior. E, pela conversa percebia-se que recebia estudantes estrangeiros e essa afluência era importante pelos vistos, de qualquer forma portugueses ou estrangeiros as escolas precisam de alunos para estar abertas.
E, explicava esse responsável, tinha recebido o ano passado muitas queixas de estudantes por falta de ... (?) um local de oração.
Pensei ter ouvido mal.
Não queriam cantinas, bibliotecas, sanitários, isso devia haver com fartura, os jovens queriam era rezar e não tinham onde. Como estamos em Portugal em 2014, esta exigência parecia tresloucada a não ser, deixa cá pensar... alunos estrangeiros... bingo! a não ser que ela que partisse de estudantes islâmicos. As outras confissões religiosas mais conhecidas fazem-no apenas semanalmente, e no caso de uma urgência em contactar a divindade qualquer local serve, pelo que sei.
E, o espanto, é que as pessoas que dirigiam aquela instituição escolar concordaram logo e inventaram um «espaço» como agora se diz, sem símbolos para poder ser usado por todos (quais todos?) e isso já está disponível. Rapidinho.
Não costumo ter a mania da conspiração.
Mas... Que falta fazia numa universidade do interior um «espaço de oração» para islamistas? Quando muita gente começa a ficar seriamente preocupada com o sucesso do recrutamento que os loucos do IS estão a obter em países ocidentais - Inglaterra, Holanda, França, e pelo que se sabe até já foram jovens com passaporte português -  e essa quinta coluna seria (será?) uma força a ter em conta porque muito mais dificilmente detectável, alguém inocentemente abre «salas de oração» que entra pelos olhos a dentro poderem ser focos de difusão desses ideais de hegemonia islâmica.
De facto as coisas da religião dizem-me muito pouco. Fico satisfeita por viver num país onde constitucionalmente a igreja e o estado estão separados. Mas cada vez fico mais preocupada com os exageros que o fanatismo religioso comete, nesta actual idade média. Por favor não se facilite ainda mais! 


Cereja

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Brasilêz

Sabemos que são duas línguas. Com a mesma raiz, claro, mas o brasileiro e o português não são apenas sotaques da mesma língua como se quer fazer acreditar, a questão é bem maior do que isso. Quem inventou o acordo ortográfico pode justificar com a evolução do português escrito, que ao longo dos séculos tem evoluído muito como sabemos e a discussão pode travar-se a esse nível, mas não com a justificação de que o fazemos para uniformizar com a escrita do brasileiro. Porque é mesmo uma outra língua.
Eu já tinha ouvido dizer que, por exemplo, as telenovelas portuguesas que passam no Brasil, levam legendas. E acredito.
Recentemente tive uma noite muito divertida.
O 'pacote' de canais da minha assinatura da cabo foi alterado enquanto estive de férias. Quando voltei e liguei a tv encontrei alguns novos e outros fóra do sítio. OK. Não sou esquisita e não tiraram nada que me fizesse falta. E até me brindaram com uns que até à data ainda não tinha. O canal da TV5 mudou de sítio e atrelado a ele, talvez por ser falado em francês, apareceu um novo (?) chamado "eurochannel". Mauzote (para ser simpática não digo pior) mas interessou-me ver uma série antiga, aí com 20 anos, do inspector Maigret. Fiquei contente, sempre gostei do Simenon, escritor que deu um toque íntimo ao policial. Satisfeita com a novidade deixei a série a gravar porque eram episódios grandes e eu tinha outras coisas a fazer.
Quando fui ver a gravação achei que alguma coisa não estava lá muito bem. Ouvia o texto, que o francês é familiar para mim, mas os olhos fugiam-me para as legendas (quando há legendas é instintivo espreitar) e algo não batia certo. Mas que raio....?! Hmmm...
Ao fim de ler o décimo gerúndio consecutivo, pronomes reflexos antes do verbo, e quase desaparecimento dos artigos definidos, tive uma iluminação: a tradução era num perfeito brasileiro, aquilo não era para se ler em português como eu estava a fazer!!! Passou a dar tudo certo.
É que a questão não estava na ortografia e sim na sintaxe. Claro que também nos termos utilizados, por cá dizemos comboio e não trem, deitar fora e não jogar fora, mas é toda a construção que é diferente. Dizemos 'olhou lá para dentro' e não 'olhou lá dentro´; 'ele está ao balcão' e não 'ele está no balcão'; 'há uma hora' e não 'faz uma hora'; etc.
Contudo o engraçado naquele caso era mesmo a ignorância da língua que traduzia, parecia sê-lo numa daquelas aplicações de tradução automática (e seria?) Por exemplo «Les existentialistes adorent la couleur du deuil» apareceu escrito em tradução «os existencialistas gostam da cor do dia» (??) e uma referência, com um trocadilho, à Juliette Greco - uma mulher ciumenta acrescentava 'romaine' - resultou em Julieta greco-romana...


Cereja

sábado, 27 de setembro de 2014

São rosas, Senhor! (e até já estão murchas...)

Das coisas mais divertidas é ver alguém provar o seu próprio veneno. Eu regalo-me a ver filmes ou séries onde um justiceiro qualquer consegue vigarizar um vigarista ou intrujar um intrujão. 
O último 'watergatezinho' à portuguesa, diz respeito a uns dinheiros recebidos sem declaração de rendimentos nem recibos, por um senhor que por acaso agora é o Primeiro Ministro do nosso país, quando era apenas um deputado a trabalhar em regime de exclusividade.
Coisa feia.

Estamos de boca aberta, porque para um país onde o smn acabou de subir para ligeiramente acima dos 500 €, dez vezes essa quantia é uma pipa de massa. Eu bem sei que o Dr. Marinho Pinto declarou que isso mal dá para viver com algum conforto, mas cada um sabe de si. 
O Dr. Passos Coelho foi acusado de, enquanto ganhava o seu salário de deputado em regime de exclusividade, receber também dinheiro de uma empresa, via uma «ongue», dinheiro esse que era escamoteado aos seus impostos. A reacção foi interessante. Imagino-me a responder a uma acusação parecida, até com valores mais baixinhos, dizerem  «Tu, há 20 anos recebias todos os meses da empresa xptl tanto como o teu ordenado!» Partia-me a rir. «Olha, olha!!! Quem me dera a mim!» seria a minha primeira resposta no meio de gargalhadas.
Mas, surpreendentemente, o senhor primeiro ministro  não disse 'quem-me-dera-a-mim', responde que... não se lembra, o que abre a porta a ter sido possível. Hummm, foi há tanto tempo..... Oooooh!
Prontos! A correlegionária Ferreira Leite,  acha curioso que este escândalo tivesse aparecido num momento eleitoral, ou pré-eleitoral. Por acaso até é verdade. Mas eles lá sabem como-estas-coisas-se-fazem. Como se derrubam pessoas no momento certo por insinuações, mesmo descabidas (estou a recordar Ferro Rodrigues) e provar o próprio veneno é interessante.
E as despesas de representação que afinal estavam no regaço do Dr. PPC deixam-nos ainda a rir mais.
Que bem representado o senhor andava, hein?!


Cereja

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Reféns

Por mais distraído ou fóra do mundo que cidadão normal esteja, há uma história que dificilmente deixa alguém indiferente e chegou a todo o lado - a iniciativa que o recente Califado Islâmico (?) tomou de raptar cidadãos de países com quem está em guerra para os tornar moeda de troca de exigências aos respectivos governos. Ameaça (e cumpre) executá-los publicamente e de uma forma particularmente chocante para ocidentais.
Querem publicidade e conseguem-na. Querem horrorizar e conseguem. Querem chamar a atenção do mundo todo e conseguem. É um pleno, desde que não esteja também na sua ideia convencer ninguém da justiça das suas reivindicações, porque penso que só ficarão do seu lado aqueles que já o estavam.
Tenho trocado ideias sobre isto e lido por aí uns escritos e há umas pessoas que me dizem «é verdade que é horrível, mas...» e o 'mas' refere que os países em causa (Estados Unidos, Inglaterra, França) atacaram as forças do ISIS, bombardearam os seus acampamentos, entraram numa guerra que não era deles, foram tomar posições interferindo numa guerra interna. Aquilo era uma espécie de retaliação, brutal e selvagem é verdade mas é assim que eles funcionam, mesmo com o seu povo.
Não!
Para mim, a utilização de um refém é o mais baixo a que um ser humano pode chegar. Nem ponho em questão o modo bárbaro como o refém tem sido morto, poderia ser de um modo suave e indolor que seria igualmente horrível, mesmo que para a propaganda não o fosse. Trata-se de caçar alguém, que coincide ter nascido no país com que se está em guerra, e decidir "ou fazem isto e aquilo ou matamos esta pessoa que está nas nossas mãos". Nojento.
Eu reajo muito mal a chantagens. A declaração "ou fazes isto ou eu ... " deixa-me sempre de cabeça perdida e é o modo de conseguirem que eu não faça aquilo que querem! Quando leio histórias sobre chantagens e me imagino nessa situação vejo-me sempre a responder "então conte o meu segredo e vá para o inferno!" até porque quem faz essa ameaça é tão reles que não se pode confiar que guarde o dito segredo...


Mas estes casos dos reféns são a mais miserável das chantagens. A intimação até podia ser sobre um desejo 'normal', que parem os bombardeamentos por exemplo, mas também pode não mais parar. A seguir podiam exigir armas. Ou que enviassem soldados para combater ao seu lado. Ou que mandassem mulheres para casaram com eles. Ou crianças para serem convertidas. Ou... Ou... Uma espiral que não mais parasse.

Estou a delirar um pouco, reconheço. Mas impressiona-me esta violência cega e sectária, de gente que usa seres humanos como objectos, e que acreditam que ao morrer em guerra santa vão ter uma paga imediata indo directos para o céu.


Metem-me medo sim.

Não por aquilo que fazem mas pelo modo como pensam.



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A violência na linguagem

Sou uma pessoa pacífica.
Relativamente, claro. Tenho as minhas fúrias, indignações, raivas. Aliás sei bem que demoro a explodir mas quando tal acontece é com bastante intensidade, reconheço. Violência física nunca a usei na vida (talvez em criança tivesse puxado uns cabelos, e dado alguns pontapés a outros meninos...) e quanto à violência verbal tenho muita contenção.
Mas sei que cada um de nós é diferente, felizmente, e não espero nem gostaria que toda a gente seguisse este modelo. Tenho amigos e amigas de língua bem solta, e que perdem a cabeça verbalmente com alguma facilidade. Normal e até pode ser engraçado.
Mas quando o discurso é público a repercussão é diferente.
Hoje toda a gente é encorajada a dizer o que pensa. Para além dos opiniadores convidados que crescem que nem cogumelos por todo o lado, existem os semi-anónimos que telefonam para os fóruns da rádio ou escrevem comentários nos jornais on-line (chamo semi-anónimos porque dão um nome, mas só se sabe isso) e todos desejam deixar a sua marca própria, o que é natural.
O que me deixa desconfortável é que, embora sempre assim tenha sido, hoje a moda das imagens/metáforas bélicas ou violentas é demasiado generalizada.
Nos últimos dias não há discurso que não fale em "rolar cabeças" desde os bancos, à justiça, educação, futebol, eu sei lá! Quase se imagina uma sinistra pista de bowling onde as bolas são cabeças humanas. A gente sabe que a expressão nasceu no tempo das execuções com guilhotina mas num ano onde as decapitações foram faladas por motivos tão horrorosos talvez fosse de ter um pouco mais de cautela nas metáforas.
E é constantemente que nos chegam metáforas com base em guerra ou violência. Alguém "dispara" uma pergunta, o público é "bombardeado" com desinformação, naquela discussão houve um "tiro certeiro", para além da resposta que foi "um murro no estômago"...
Há muito mais, claro, estas foram as que me ocorreram sem me esforçar nada.
É certo que 'imagens' violentas é um degrau que subimos em relação há violência directa. Mas não seria tempo de procurar outras metáforas? Elas existem, já feitas, com base em fenómenos naturais por exemplo, mas passaram um pouco de moda. O que-está-a-dar é a violência provocada pelo homem.
E lá vão rolando cabeças....


Cereja

sábado, 20 de setembro de 2014

Marcar lugar ?!

Invejo as pessoas que têm língua afiada e são capazes de pôr a mão na anca e dizerem umas verdades sem paninhos quentes.
Não fui abençoada com essa qualidade.
Por um lado, a educação que recebi em criança era ainda na base do que uma-menina-deve-fazer-e-como-deve-responder ainda ligeiramente vitoriana, por outro de feitio sou um tanto contida, evito brigas sempre que possível, prefiro encolher os ombros quando a coisa não tem grande importância. E raramente «a coisa tem grande importância», sejamos francos...
Mas quando vejo uma acção de chico-esperto, fervo um tanto cá por dentro e penso que bom seria se conseguisse dizer o que estou a pensar. Mas não digo.
Uma das coisas 'sem importância' mas que são mostra de falta de civismo, são os espertos que mandam 'marcar lugar'. Uma situação que me acontecia muitas vezes, passava-se nos Centros Comerciais que têm uma zona central com mesas e cadeiras para os clientes dos balcões que servem refeições pousarem os tabuleiros que têm na mão. Eu vinha com o meu tabuleiro cheio e via uma mesa vazia com uma pessoa sentada sem nada à frente. Perguntava educadamente «Posso?» tentando pousar o tabuleiro, mas recebia a seca resposta «Não, não, está ocupada!» e a cena repetia-se em todas as mesas com lugares. Muitas vezes mesas grandes, de 6 cadeiras, 'ocupadas' adiantadamente. Recordo uma vez que me atrevi a responder à 4ª ou 5ª vez onde me disseram que a mesa toda estava ocupada «Mas ocupada por quem? Não vejo nenhum tabuleiro...» mas nem tive resposta.
Outra situação irritante é nas bichas de pagamento nas caixas. Uma pessoa põe-se na bicha com um carrinho com 2 objectos e enquanto a caixa vai despachando os clientes da frente, um 'ajudante' vai diligentemente enchendo o carrinho  que está a marcar vez com tudo aquilo que quer comprar.
Irrita-me.
Se estou numa bicha e alguém com uma ou duas coisas me pergunta educadamente «Dá-me licença que passe à frente? São só duas coisas...» afasto-me sempre e deixo passar. Mesmo que eu também esteja com alguma pressa, foi um pedido educado, não vou dizer que não. Mas o truque de «marcar lugar» na fila, tira-me do sério! E o pior é que quando a esperta (são quase sempre mulheres, snifff....) chega sorridente à caixa com mais 30 coisas do que as que estavam inicialmente no carrinho, para além de fazer uma carranca não sou capaz de dizer o que me apetece.
Oh mãezinha, porque me educaste tão bem??!




Cereja

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Excessiva proximidade :D


Vi ontem, lá no facebook, um boneco engraçado.
Estava no mural de um amigo ( amigo a sério desta vez) e dei-lhe troco.

Encaixa lindamente nos estereótipos macho/fêmea. Que, como a maioria dos estereótipos, tem uma sombra de verdade mas estraga tudo quando generaliza. Essa conversa de que «os homens são assim» e as «as mulheres são assado» no que se refere ao palrar até acerta, mas... Realmente o género feminino tem mais facilidade em falar, explica-se melhor, e sente-se à vontade a falar de sentimentos. Com imensas excepções, é claro, quer do lado masculino quer do feminino  :)
Mas do que aqui se fala é da condução.
E esse é um campo muito me-lin-dro-so. Não conheço, mas é natural que exista porque actualmente encontram-se estudos para tudo, um estudo psicológico que analise porque é que alguém que segure um volante se controla com rigor os seus movimentos motores, descontrola em simultâneo a sua linguagem..? Sei-o por experiência própria. Eu não digo asneiras. Nunca. Não me apetece, não me sabe bem, não sinto a menor necessidade. Excepto quando estou a conduzir! Beeeem, não é também nada do outro mundo, é uma palavra que significa excremento e se está sempre a ouvir até na tv. Só que não faz parte do meu vocabulário... excepto se seguro um volante.
E não aprecio muito ir num carro conduzido por outrem. Estou sempre mentalmente a pôr defeitos - ou vai muito depressa ou muito devagar, vai muito no meio da estrada, está quase na berma, só defeitos!
Mas o interessante, e por isso aqui o boneco pode ter que se lhe diga porque a carapuça encaixa nos dois géneros, é que de um modo geral só dizemos o que nos vai na alma quando é o nosso companheiro ou companheira que vai a conduzir...
Se é um amigo, mesmo íntimo, podemos ir todos encolhidos mas não dizemos nada. E sei que não sou só eu que ajo assim, oiço por vezes alguns amigos a falar de outros amigos comuns e comentado «Fulano?! Já andaste de carro com ele? Aquilo é um susto.» e o outro concorda. Ah, pois é|. Mas se for a mulher ou o marido que está a conduzir chovem os conselhos, os avisos, as recomendações, as críticas...
É que se as mulheres são chatas e a mordaça melhora a segurança na estrada ao condutor, conheço algumas (estou a falar verdade) que desistiram de conduzir de marido ao lado. Uma delas desistiu de conduzir de todo, e vendeu o carro!!!
   


Cereja