terça-feira, 4 de março de 2014

Por vezes esperar é crime

Ontem estive com amigos. E, como sempre, falou-se de temas que interessavam de uma forma a uns, de outra forma a outros de nós. Mas houve um ponto onde as linhas de inquietação de cruzavam. Mais do que cruzar, acho que davam mesmo um nó. Um nó apertado. Eram a linha da inacreditável morosidade dos tribunais e a linha do - para usar o termo conhecido - "superior interesse da criança".
Por poucas palavras: quando se trata de crianças, a demora numa decisão é sempre uma má decisão. É verdade o adulto que vai decidir sente grande responsabilidade, receia que a sua decisão afecte a vida da criança. E afecta, com certeza, a má ou a boa, muita coisa está em jogo.
Mas, enquanto se um tribunal levar um ano a decidir se uma seguradora deve pagar uma indemnização ao segurado, ou dois anos a confirmar a legalidade de uma herança, ou um ano e meio a esclarecer as condições em que se deu um crime, isso pode ser gravíssimo porque perturba e prejudica a vida de muita gente, quando se trata da vida de uma criança esperar um ano pode ser a quarta parte de sua vida!!! Como se um queixoso de 40 anos só tivesse resposta quando fizesse 50! E mesmo esta imagem ainda não é correcta, porque os anos de 1ª e 2ª infância vão marcar toda a vida!
Propor "arquivar" um processo que trate de uma criança, devia ser um crime. Retirar uma criança de uma família, mesmo muito má, para a enviar para uma instituição, devia ser a última, das últimas, das últimas medidas! Até, já porque se gosta tanto de avaliar estas medidas com cifrões nos olhos, porque uma criança numa instituição sai cara. Aquilo que o Estado vai gastar com esse menino no Lar ***** se fosse entregue a uma família estruturada que tomasse conta dele e o integrasse teria um resultado bem mais seguro. Havia risco de ser maltratado? Talvez. O mesmo risco que haveria dentro das portas da instituição. Daí a conveniência de uma boa rede de vigilância e uma boa escolha anterior, mas para a criança o modelo de uma família é decerto bem mais pacífico porque conhecido.
Fazer a comunidade participar na educação e integração social das crianças parece tão correcto e natural que não se entende como a burocracia ainda embarga estas decisões. Sobretudo quando não há outras respostas e se "arquivam" casos por esse motivo.
Não há desculpa!


Cereja

sábado, 1 de março de 2014

Quando tudo corre mal...

Ontem, dia 28 de Fevereiro, foi dia de S. Murphy para mim. Espero, desejo, anseio, que mudando de dia e de mês a vida retome o seu normal, ou seja uma razoável caldeirada de situações boas ou más como a vida deverá ser!
É certo que ontem, quando tive de enfrentar o último azar de um dia azarado, até já pensava que se calhar o que se chama Lei de Clark que diz que "o Murphy é um optimista" é afinal verdade... Mas não, não pode ser, hoje é um  novo dia.
Está claro que sei que nestas coisas há um efeito de 'dominó psicológico' ou seja a primeira dificuldade do dia aborrece-nos, a segunda surpreende-nos, mas a partir da terceira já nos pomos em posição de só ver o lado negativo do que se vai passando. Ai, ai, ai... Mas temos de reconhecer que num dia só 3 ou 4 projectos irem por água abaixo é demais, e não falo só dos meus planos pessoais o que é muito chato, mas custa-me imenso o desapontamento de quem me é próximo.
É que ontem a Lei de Murphy fez-me estrear emoções que nem conhecia. Por exemplo, eu gabo-me e com fundamento de nunca, ou raramente, perder coisas. Aliás, mesmo quando as perco volto logo a encontrá-las muitas vezes com histórias mirabolantes. Seria imaginável eu perder um cartão importante de um amigo meu?! Pois ontem aconteceu! 
Claro que passei por outras situações mais 'naturais' como, por exemplo, ter tudo planeado para uma pequenina obra em casa mas quando ela ia ser iniciada ter de desistir porque afinal o espaço não dá. Ou ir descansar uns dias para a minha casita de campo e a estrada para lá estar cortada - o que implica para entrar e sair da aldeia ter de dar uma volta de quilómetros. Ou ao chegar lá ver que tinha havido uma pane de electricidade e o frigorífico tinha descongelado. Ou... Ou... Ou...
Mas quando "desisti" do dia 28 e me fui deitar desejando que as horas da noite limpassem os fumos maléficos dos sucessivos azares, foi quando tive de animar o meu filho que adora o seu jantar de anos familiar que contrasta com a festa que faz com os amigos. Ontem, as três ou quatro pessoas que há muitos anos estão com ele nesse dia, uma a uma foram telefonando dizendo que não podiam ir. Por motivos importantes, é certo, mas  não ficou ninguém! Para quem dá muito valor ao seu aniversário foi um balde de água fria gelada.
Depressa, que mude a página do calendário!!!


Cereja



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Porquê?

Tentamos encontrar explicações para o que não se entende. Mas as explicações que eu vou encontrando para esta situação nem sempre colam bem à realidade.
Vamos sabendo histórias de agressão violentíssima entre casais ou, falando com mais rigor, de marido para mulher porque a inversa é raríssima.
É fácil pensar que pode haver dois factores, um pessoal, a personalidade e carácter de quem agride com facilidade, e outro social  ou seja a complacência com que até há uns tempos se olhava para estas situações (entre marido e mulher não metas a colher) juntamente com o modelo de comportamento a que se assistia em casa quando se era criança. Mas não só. Cada um deles só por si não explica isto tudo, nem sequer a conjugação dos dois.
Devo já dizer que o que mais me choca, nos casos de agressão num casal, é o que significa de falta de respeito. Tudo o resto são agravantes, mas impressiona-me imaginar como é possível viver diariamente com alguém que não se respeita!
O primeiro factor, a personalidade de quem agride um companheiro, é evidente quando de repara no leque social onde isto acontece - desde o mais simples e pobre trabalhador rural à alta sociedade. Se este flagelo percorre toda a escala social, mesmo que mais escondido em certos casos, é porque está relacionado com impulsos descontrolados da personalidade. Mas não só, embora eu tenha tendência a pensar que esse é o factor
mais forte.
O que viu e ouviu o agressor na sua infância? Como era a relação entre os seus pais, avós, tios? Com que naturalidade era encarada a agressão numa família? O modelo educativo onde se foi criado e a simplicidade com que ouvia referir cenas de violência quando era criança, moldam o carácter de uma pessoa já propensa ao descontrolo. Se via o avô agredir a avó e ela sujeitar-se, se assistia ao pai maltratar a mãe, se ouvia barulhos de pancadas em casa dos vizinhos, tem a tendência a considerar essa situação como natural. A mulher e os filhos são dele. São os seus bens pessoais.
Portanto cá chego à questão do respeito. Quando se considera seja quem for como nossa propriedade, não sentimos respeito é claro. Não "respeito" a minha mala de mão por mais que goste dela. Não "respeito" o quadro que tenho na parede mesmo que seja de um autor consagrado. Eu gosto dos meus bens, quero conservá-los, protejo-os e faço seguros para evitar a sua perda, defendo-os, mas... não tenho respeito.
É certo que o elemento sociedade tem muita força. Claro que um indivíduo violento pode andar ao murro ao vizinho do lado, insultar quem o empurre num transporte público, já para não falar no futebol. Mas não chega do almoço e ferra dois estaladões ao seu colega de trabalho, não encontra um amigo e o insulta só porque vem mal disposto acabando por lhe dar um par de pontapés, não sai do dentista e empurra a recepcionista que lhe pergunta se quer marcar... São comportamentos que usa em casa.
E porquê?



Cereja

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Rabugices

Ando há uns tempos a remoer em relação a uma atitude ou um modo de pensar ou como se lhe queira chamar. Refiro-me ao modo como se encara, pelo menos na actual sociedade ocidental, a corpulência das pessoas. 
Quando eu era criança o modelo físico desejado tinha alguma margem de tolerância. Não era considerado bonito uma pessoa demasiada anafada, nem o que se chamava trinca-espinhas, mas a faixa do que era 'normal' era bastante larga. Aliás o ter-se um bocado mais de peso não era assim muito mau, tanto que o eufemismo que se usava (e ainda se usa) é ser-se "forte" confundindo-se propositadamente músculo com gordura. 
Com a alteração de hábitos, quer alimentares quer sociais, as pessoas começaram a engordar. Nasceu a obesidade como doença, coisa que embora sempre tivesse existido era ainda rara em meados do século passado, mas hoje é uma justa preocupação, basta olhar à nossa volta. 
Mas a atitude que me incomoda é a perspectiva onde a generalidade das pessoas se coloca, não num ângulo de prevenção e sim de tratamento. O que é frequente é ouvir isto faz emagrecer em vez de isto faz bem à saúde ou seja o conselho dominante é "emagreça" em lugar de "não se deixe engordar demais". 
Tenho a sensação de que está tudo errado. Alimentação errada, é claro. Mas isso vem de bebé porque o excesso de doces e gorduras em vez de um-pouco-de-tudo como seria sensato, é aprendida ainda mal se sabe andar. E exercício natural a menos, também. O paradoxo é que como as distâncias que temos agora de percorrer são muito maiores, habituamos-nos a usar um transporte sempre até mesmo para distâncias que se fazia a pé dantes sem se pensar duas vezes. Quando eu era criança quase não havia ginásios mas a vida diária era um constante 'exercício físico'... 
E a minha rabugice nasce de estar farta destes contrastes: por um lado o bombardeamento com a imagem ideal, o homem ou mulher perfeitos, que nos aparecem por todo o lado como modelos a atingir. E, depois de ter tornado as pessoas descontentes com a sua imagem, a insistência naquilo que as "faz emagrecer". Mas não. O importante, acho eu,  é saber não engordar que é coisa diferente. 
Mal comparado é como deixar as pessoas viciarem-se em tabaco à vontade, e depois massacrá-las com técnicas para deixar de fumar e avisos dos seus malefícios nos maços de cigarros...






Cereja

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sempre!!!

O que acrescentar?

Que temos saudades?
Que faz muita falta?

 O 23 de Fevereiro é dia Z, dia do Zeca.














 

Cereja

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Telemóveis




Esta foto ganhou o primeiro lugar na World Press Photo.
Merece.
É uma foto fabulosa, de um grupo de imigrantes procurando o sinal do telemóvel que empunham como um facho na noite.
É interessante pensar como este pequeno objecto,  instrumento,  aparelho (?) tem hoje em dia um papel tão importante no nosso quotidiano. De início era um sinal de estatuto social. Não era toda a gente que tinha um, e possivelmente porque era muito caro. E grande! Recordo o primeiro que vi, e nem sei se se poderia chamar àquilo telemóvel, era uma espécie de malinha que o dono trazia a tiracolo. Claro que ele podia falar para qualquer lado com aquilo, mas pensei de mim para mim que era uma chinesice que não servia para nada, só se a pessoa para quem ele falasse tivesse um igual, e o preço era quase o de um carro em segunda mão...
Mal imaginava que 20 e tal anos depois, realmente todos teriam não um igual àquele mas sim uma coisa pequenina que cabia no bolso das jeans!
E, pelo menos na nossa sociedade, é o objecto mais disseminado, e que já não tem nada a ver com estatuto - enfim, talvez tenha a qualidade dele mas não a sua posse e uso. Ainda no outro dia numa reportagem sobre os sem-abrigo de Lisboa, se falava de um deles que durante a entrevista tinha ido rebuscar aos seus sacos e retirado de lá um telemóvel queixando-se de não ter dinheiro para o carregar... São as crianças a quem os pais dão um para saber onde elas andam. São os velhinhos que usam um ao pescoço para ligar à família ou até em aflição ao inem. 
Muitos de nós começamos por refilar de início, «quê? mas que trambolho! quero lá saber disso, se precisar de falar vou a uma cabine!» mas depois somos confrontados com uma urgência qualquer, um recado que não recebemos e nos alterou o dia, uma dúvida que era urgente esclarecer, um encontro falhado, o carro que avariou na estrada, e reconsidera-se "afinal aquilo dá jeito!"
E entretém! Estou a sorrir porque me lembro de que recentemente já por umas 3 vezes puxei-pelo-telemóvel nas circunstâncias em que um fumador acenderia um cigarro, quando se precisa de empatar tempo mas não queremos ficar com cara de parvos a olhar para o vazio.  O jeito que dá aquela geringonça para entreter... (e estou a pensar nos mais simples dos simples, os vulgaríssimos de Lineu, não os espertos, nem os de várias gerações) Dá para ir arrumando mensagens e números, actualizar toques, apagar fotos, ver as horas, ou seja não fazer nada mas sempre é mais saudável do que acender o cigarro. :)
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E depois vê-se esta foto, e sentimos um aperto no estômago. Este simples aparelhinho pode salvar vidas, ser uma estrela polar.
Não, o copo não está meio vazio, está completamente cheio!!!!

Cereja

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Centro das atenções




Recebi há dias um fw brasileiro que não dá para deixar aqui, por um lado por estar em power-point (e eu não sei como deixar um power point no blog) mas também porque não gostei do início e do final um tanto lamechas. No início uma professora lê a redacção de uma criança a rezar fazendo um pedido a Deus que faria mais sentido ao Pai Natal, e no final a dita professora e marido descobrem que são os pais dessa criança. Pronto, eu tiraria essas partes, mas o que ficava era (cito):

[Oh Deus/Pai Natal] transforma-me numa televisão.
Quero ocupar o espaço dela. 
Viver como a televisão vive. 
Ter um lugar especial para mim e ter a minha família em meu redor. 
Ser levado a sério quando falar, ser o centro das atenções, e ser escutado sem interrupções ou perguntas. 
Quero receber a mesma atenção que ela recebe quando não funciona. 
Ter a companhia do meu pai quando chega a casa mesmo que esteja cansado. 
Que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida em vez de me ignorar. 
E ainda que os meus irmãos briguem para poder estar comigo. 
Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado de vez em quando para poder passar alguns momentos comigo. 
Por fim que eu possa divertir a todos. 
Só te peço que me deixes viver com a intensidade que qualquer televisão vive. 

Achei extremamente bem visto. Hoje a tv é a peça mais importante numa casa e para uma família. Tal como aqui se chama a atenção quando as pessoas chegam cansadas do trabalho atiram-se para o sofá e ligam a tv. Muitas vezes janta-se de tabuleiro em frente dela. Organizam-se os afazeres em função da sua programação. Responde-se apressadamente a qualquer elemento da família que tenha o atrevimento de interromper o que se está a ver, e isso entre todos, marido-mulher-pai-filho-irmão... Apesar do tempo livre ser pouco, o que temos é ocupado com a tv prioritariamente.
Tal como é referido nesta "graça" a pessoa que ocupasse o seu lugar tinha um lugar de excelência numa família, nunca tal se podia imaginar!
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Só um reparo: este texto está já um nadinha desactualizado.
Neste momento ela (tv) está já a ceder o lugar ao computador, tablet, iphone, etc, etc...
Não sei se isto é normal e tenho eu de me adaptar ou há algo realmente errado neste afastamento da 'relação física'.
É bom pensar nisto.


Cereja

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Os dez mais

De vez em cadeias de mensagens que percorrem a rede ou por fw, ou aqui nos blogs, ou nas redes sociais. Alguém inicia, enviando uma a 10 pessoas e pedindo que a reenviem a outras 10, e é de ver o resultado. Mesmo com baixas pelo caminho, fica uma enorme bola de neve em pouco tempo....
Se a recebo em fw apago, não penso mais no caso. Aqui no blog há muitos anos que não recebo nenhum desses convites - que me deixam embaraçada não pela resposta mas pela dificuldade de reenviar - e no fb  lá recebo de vez em quando uma dessas "coisas". A mais recente era assim: «fazer uma lista com 10 livros (ficção ou não-ficção) que me tenham marcado. A ideia não é gastar muito tempo, nem pensar muito; não precisam de ser grandes obras, apenas que tenham sido importantes para mim. E devem ser marcados 10 amigos para participar na brincadeira».
Ora, para além da parte de mandar aos tais 10 amigos (mais difícil do que pode parecer) encalhei de imediato na escolha, mesmo com o conselho de não-pensar-muito. É que 10 autores encontram-se logo, e claro que os 10 livros também, mas dentro do mesmo autor escolher um livro......hummm... Difícil? Impossível?
A minha lista começou por ser (talvez?) :

1 - Os mandarins
2 - Orlando
3  - As cidades invisíveis
4 - As mil e uma noites
5 - Poesia de Álvaro de Campos
6 - A la recherche du temps perdu
7 - Amadis de Gaula
8 - A Guerra e Paz
9 - As aventuras de Tom Sawyer
10 - D. Quixote

...mas vamos lá a pensar melhor.
1 - "Les mandarins" foi o me ocorreu. Mas se dizem ficção ou não  não precisa ser romance e nesse caso porque não "Le deuxieme sexe"? Ou "Le sang des autres"? Ou... OK, adiante, este fica. Quanto ao 
2 - aqui não tenho dúvidas, gostei imenso do romance, mais do que outros da autora de quem gosto muito. Fácil. Mas agora no 
3 - ocorreu-me aquele, mas o Italo Calvino tem "O Atalho dos Ninhos de Aranha", tem a fabulosa trilogia dos "antepassados" (o visconde, o cavaleiro e o barão) histórias magníficas. Já não sei o que escolher. No
4 - a escolha não dá para dúvidas. Não li a versão de 10 volumes mas li uma  bastante completa e adorei. Quanto ao número 
5 - vivi a minha adolescência com o Pessoa, sabia o Álvaro de Campos de cor. Está escolhido. E o
6 - também foi fácil - quer o autor quer o romance. Mas agora, no 
7 - o que queria mesmo era a "Matéria da Bretanha", mas não dá. Foi mais fácil escolher o Amadis por ter sido o primeiro que li, mas o que queria era o  Ciclo Arturiano esse grupo de lendas que fizerem a minha delícia durante muito tempo. O que escolher? E também para o
8 - escolhi Guerra e Paz, mas eu sei lá... E o Dostoievsky? Crime e Castigo, Os Irmãos Karamazov,... Foram livros inesquecíveis. E depois recordei o
9 - Mark Twain e o Tom Sawyer, mas porque não Huckleberry Finn? E para o 
10 - ... bom foi um grande romance. Importante como pedem.  
Mas fica-me a sensação de estar tudo errado! Dickens? Oscar Wilde? García Márquez talvez não. "Eu, Claudio" e já agora Yourcenar e Memórias de Adriano.  Falta teatro, Hamlet, o Rei Lear, Garcia Lorca; poesia portuguesa, francesa, espanhola; ensaios...
Enfim, escolher 10 livros?!





Cereja

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domingo, 26 de janeiro de 2014

O fantasma da ópera do facebook

Ando divertida com as discussões que a simples menção da palavra facebook levanta.
Oh céus!!! Até parece um assunto sério.
OK, valha a verdade a maior parte das pessoas com quem falo ou já nos cruzámos, ou ao ouvir 'facebook' sorri, pergunta se também usamos, com que nome, e acabamos a conversa com promessas  de "amizade" facebookeana. Normal. Sensato.
Depois temos os que adoram as redes sociais e à menção desta, tão popular, desatam a falar do que se vê, e o que soube , as pessoas com que fala, os conflitos que teve, a graça deste e daquele, parecendo que a sua vida se passa ali. E se calhar... Estão sempre a espreitar o tablette, o telemóvel, seja qual for a fonte de comunicação que mais usam, e muitas vezes confessam risonhos "Estou mesmo viciado!". É engraçado que actualmente já não são tanto os muito jovens, esses parece estarem a desinteressar-se e procurar outras redes, mas encontro cada vez mais pessoas já de meia idade muito 'apanhadas' .
E depois há outro grupo de pessoas - que não é tão pequeno como isso! -  que quanto ao facebook, não têm, não querem ter e têm raiva a quem tem, como se costuma dizer. Eu fico quase apalermada com a intensidade da resposta e o seu tom violento. Creio que se lhes perguntasse se eram viciados em drogas duras não teriam uma resposta mais indignada. Aquilo é um perigo horroroso. Contam logo de imediato milhares de histórias de pessoas cujos maiores segredos foram divulgados no fb, que se viram metidas em terríveis sarilhos, cuja vida íntima foi devassada ao pormenor, que se viram envolvidas numa teia tenebrosa por terem aderido a esse grande perigo. Que me desculpem mas em certos casos parece uma atitude delirante, uma espécie de paranóia. Não, não é dizer simplesmente "Ná, não me interessa, nessa coisa das redes sociais acabamos por dizer mais do que queremos. E não sinto necessidade, uso o email para os amigos" como algumas pessoas sensatas me respondem. Não, há quem enfie metaforicamente vários colares de alho e agarrem em estacas assim que ouvem mencionar facebook.
Eu mudo logo de conversa, um pouco assustada com a reacção.
Ainda ontem, em conversa com uma amiga, se falou de outra de quem vou sabendo notícias pelo facebook e despreocupada perguntei "Tu tens?" e ouvi em tom assustado "Eu? NÃO!!!!" e acrescentou  "de vez em quando recebo umas mensagens a perguntar 'queres ser minha amiga de facebook' e apago logo depressa" falando como se aquilo fosse um virus assustador. Ai, ai, ai que medo.....
Bem, é claro que através das redes sociais se pode saber muita coisa. Sobretudo se as formos lá contar...não é? Mas para mim tudo o que se faz pela net corre o risco de não ser privado! A net tem muitas vantagens mas será bom sabermos que existem ladrões hackers que podem bisbilhotar o que escrevemos. E não apenas no pobre do facebook!
Há técnicas para se descobrir tudo. Uma tarde destas recebi uma chamada de um escritório de advogados que nem conhecia, à procura de uma familiar minha. Eu de facto tinha o contacto dessa familiar, mas como raio tinham apanhado o meu telefone?? E me tinham encontrado a mim? São coisas... E olhem que a culpa não é do facebook.
Para mim aquilo é uma brincadeira, que uso moderadamente, e me mantém em contacto com pessoas que de outra forma há anos nem sabia delas. E só lá escrevo o que todos podem saber, mainada!


Cereja


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Comparando preços...

Se calhar isto chocou-me mais porque nunca tive o costume de beber água engarrafada. Quando eu era criança punha-se um jarro com água na mesa às refeições, jarro que costumava ficar guardado na cozinha porque era água fervida. Isso fazia-se lá na minha casa e creio que em muitas outras, ferver a água antes de a beber, mas tudo isto foi há anos, e anos, e anos... Porque com o decorrer do tempo a sua qualidade melhorou muito e, pelo menos em Lisboa, somos informados de que ela é boa e eu acredito. Portanto na minha casa não usamos água engarrafada e não fazia ideia do seu preço.
Claro que imaginava que seria mais cara do que a da EPAL claro, tinha de ser, mas... água é água.
Ontem ao embarcar para uma viagem de comboio de cerca de uma hora e lembrei-me que tinha de tomar um medicamento dentro de 30 minutos. A única hipótese era comprar uma garrafinha de água e tomar o comprimido pelo caminho, de modo que antes de subir para a carruagem voltei a um snack e comprei, para levar comigo, a garrafinha mais pequena que tivessem - afinal era só para beber 2 ou 3 goles...  E não era grande, 0,33 l, ou seja um terço de litro.
Dei um euro para pagar e recebi umas moedinhas de troco, o que me fez perguntar desconfiada, "quanto é?!" imaginando que houvesse engano mas o homem respondeu logo "setenta e cinco!" subentendia-se cêntimos, por enquanto.
Fiquei a remoer enquanto subia para o comboio.
Fazendo contas de cabeça, aquilo era o correspondente a 2,40 € o litro. Ora ainda na véspera eu tinha comprado leite no supermercado por menos de 60 cêntimos o litro, ou seja paguei por litro de água o correspondente a 4 litros de leite!!!! Ou, comparando com o vinho, também se pode comprar um litro de vinho por bastante menos.
É um maná este nosso hábito de não beber a água da companhia.
E vá lá que só a usamos para beber, já pensaram o que seria se a usássemos para outros fins? Um duche com esta aguinha só uma vez por semana! Quiçá uma vez por mês, que seria difícil usar menos de 5 litros ... Ui, ui! 
Caso para começar a tomar banho em leite como a Cleópatra.



Cereja