É demasiado fácil.
Ultimamente tenho-me tornado preguiçosa.
Mais preguiçosa, porque um nadinha faz parte da minha natureza e não faz mal, mas o que é demais já pode ser chato. E tudo culpa das facilidades que a actual tecnologia nos dá.
No princípio era o verbo 'à mão', fazia-se quase tudo à mão (lavar, coser) mas estou a pensar é na escrita. Tínhamos de escrever sem erros e com uma caligrafia no mínimo legível! Depois vulgarizou-se a máquina de escrever, e essa parte do legível, já não causava preocupação bastava escrever e mais nada, grande alívio para quem nunca tinha conseguido desenhar as letras com grande perfeição. E depois, surge o computador! O verbo escrever é trocado por o neologismo teclar. E esta máquina maravilhosa, para além de escrever com uma magnífica 'caligrafia' que até se pode escolher, ainda assinala os nossos erros e os corrige! Melhor não há! Se me engano no que queria dizer, não vou buscar uma borracha de tinta, não escrevo xxxxxx por cima do erro, muito simplesmente volto atrás e escrevo, perdão, teclo de novo. Ma-ra-vi-lha!!!
Noutro campo: nasceu a televisão. Coisa boa, excelente mesmo. Recebo na minha própria casa, sentadinha no sofá, as imagens de tudo o que é cultura - cinema, teatro, bailado, música, exposições, concertos - e desporto, até no minuto exacto em que se passa. E notícias actualizadas e em directo. De início ainda ia ali ao pé do aparelho quando a queria ligar, aumentar o som, ou mudar do 1º para o 2º canal, mas agora há uma coisa que faz tudo isso e muito mais, chama-se comando e nem me levantar preciso. Ena!
A técnica aumenta, e já nem preciso de me preocupar - se não percebi alguma coisa volto atrás e vejo de novo, e de novo e de novo até ficar esclarecida. Se batem à porta, suspendo o jogo de futebol que está a dar enquanto vou abrir e não perco o golo. Se alguém me diz que o programa ***** foi muito interessante, recuo até esse dia e vejo o dito programa. Fácil.
Estou a habituar-me a "rebobinar" tudo e a não me esforçar por manter a memória activa. E dei comigo, há pouco, ao fazer uma paciência destas de computador perceber que a peça que precisava estava debaixo de outra, a voltar atrás para jogar antes outra peça! Batota virtual??! Oh céus!
É só preguiça, ou isto já é uma doença? Tão fácil desfazer o que fizemos mal, demasiado fácil...
Cereja









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