Há muitos anos li um romance de Azimov na Colecção Argonauta, chamado, talvez (?), "A Ameaça dos Robots", história interessante. (eu achava muita graça à FC antiga, os primeiros romances que foram publicados na Argonauta eram muito giros, mas pela actual já não sinto o mesmo...) Lembro-me bem de se passava num planeta habitado por muito pouca gente. Por motivos que já não recordo, eles precisavam de tomar conta de áreas muito vastas e como eram poucos espalhavam-se por todo aquele mundo mantendo o contacto apenas virtualmente. Mas esse contacto era muito bom, para histórias imaginadas por quem nasceu na década de 20 era mesmo fabuloso! Eles estavam sempre a visitar-se por imagem tridimensional, almoçavam juntos (cada um no seu sítio, juntando a imagem da mesa), conversavam, jogavam, bebiam, até em grupos alargados (cada um na sua casa e na sua poltrona), etc. Depois deu-se um crime, aparentemente impossível porque para isso tinha de ter havido contacto directo, coisa que os deixava horrorizados.
Bem, ao ler aquilo tínhamos a noção de que havia uma perturbação, uma patologia. Era essa a ideia.
Ocorreu-me essa memória por ter encontrado uma palavra: phubbing
Nem sabia que havia nome! Mas às vezes dar o nome à coisa, dá para a 'oficializar', ela passa a existir no real e não apenas na nossa imaginação. Porque isso do phubbing é a primeira fase da tal doença que existia no planeta do Azimov. Parece que a palavra vem de phone e snubbin, ou seja rejeição-por-quem-não-está-ao-telefone. A ligação virtual é tão forte e desejada, que a real passa para segundo plano. É o que se nota quando várias pessoas num grupo em vez de interagirem entre si, se divertem a olhar e escrever no telemóvel!
Tenho já notado que embora as pessoas da minha geração ainda prefiram dar um recado por telemóvel simplesmente falando, os mais jovens preferem escrever a mensagem. Mesmo que isso implique uma resposta também escrita, que por sua vez leve a outra mensagem que traz resposta, etc, etc. Pode não ser prático. Lá isso... Nem se ouve a entoação que evita alguns mal-entendidos, mas por outro lado permite enviar bonecos [ficava bem um smile aqui ]
Isto andava a preocupar-me.
Achava que, psicologicamente, não era saudável porque evitava o contacto físico, directo, olhos nos olhos, parecia-me uma certa fobia. O que tinha começado por ser uma coisa excelente do ponto de vista do relacionamento porque facilitava o contacto com quem estava longe, perversamente tornava-se um impedimento ao relacionamento com quem... está perto!
Mas quando percebi que o fenómeno tinha nome, fiquei aliviada. Não sou só eu que ando "a imaginar coisas", há mesmo qualquer coisa que não está bem. E qual o antídoto???




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