Comecei-me agora a rir quando o meu filho me contou uma conversa com uma amiga que, muito irritada porque um colega tinha conseguido alterar uma regra particular numa situação particular, tinha afirmado "isso é altamente anticonstitucional". Não vale a pena explicar em pormenor do que se tratava, basta dizer que um ex-colega quis frequentar de novo um curso que já tinha acabado - curso privadíssimo de 2 noites por semana - e (imagine-se!) o professor concordou. Valham-me todos os deuses do Olimpo, até no ensino 'a sério' lembro-me que se podia repetir cadeiras para melhoria de nota, não é?
Portanto a minha primeira reacção foi se surpresa, pelo comentário da colega, e de risota.
Depois lá opinei: "Ela devia querer dizer ilegal, com certeza, mas olha que é uma parvoíce. Porquê?! Se fosse ao contrário, ter um diploma sem passar por lá ( estou-me a lembrar do Relvas...) ainda poderia ser ilegal, mas repetir o que já se fez não entendo que maldade seja essa..."
Mas depois fiquei aqui a remoer.
Esta conversa foi engraçada, mas não foi a primeira vez que ouvi dizer "constitucional" como sinónimo de "legal".
É um fenómeno recente entre nós. Todos os Estados têm Constituições mas raramente se fala delas. Lá nos EUA de facto de vez em quando há realmente referências às "emendas" da Constituição mas, na maioria dos países, não noto que se fale da Constituição no dia-a-dia... Como em Portugal nos últimos anos tem havido muitas propostas que contrariam princípios constitucionais (da nossa e de muitas outras!) começou-se a falar muito da Constituição e do que é ou não constitucional.
E o termo banalizou-se.
Imenso!
Se bem que dê para pensar: partindo do princípio da igualdade dos cidadãos vai-se permitir que aquele aluno volte para aprofundar os conhecimentos? Mas, ainda segundo esse princípio, os outros também o podem fazer, ou não? Para mim a igualdade é que todos possam gozar os mesmos benefícios se quiserem, e não que ninguém possa.
Já agora era interessante que se conhecesse de facto a nossa Constituição e não se andasse a repetir o que por aí se diz, tantas vezes erradamente.
(versão mais rápida e simplificada)
Cereja 











