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sábado, 13 de outubro de 2018

Clientes/trabalhadores

Li ontem esta notícia, que me chocou, especialmente por se tratar de uma loja de que tenho boa impressão, cujos empregados são atenciosos, aceita facilmente devoluções, e até parece levar em conta os interesses dos clientes. Foi em Estrasburgo, um pai e uma filha foram presos por se terem enganado no pagamento de uma conta no... IKEA! A sério!!! Queriam comprar umas caixas de plástico e pagaram por aquele sistema de ser o próprio cliente a fazer a leitura do código de barras, e pagar. O erro, completamente plausível, foi terem passado o código que estava nas tampas julgando corresponder ao conjunto, caixa e tampa. À saída um segurança diz que não pagaram tudo, e eles aceitam pagar a diferença. Parece um incidente natural, não é? Entretanto chega o Chefe de Loja que lhes chama ladrões, e chama a polícia!!!! Acredita-se nisto?! Numa loja com produtos muitissimamente mais caros chama-se a polícia por umas caixas de plástico??? Foram levados para a esquadra e avisados de que ficariam 24 horas em celas separadas. A história acabou 3 horas depois com o aparecimento de um advogado.
Este truque de porem os clientes a registar as próprias contas, poupando o salário de uma empregada de caixa, também se usa muito cá, nas grandes superfícies. Já o tenho praticado por vezes quando estou com muita pressa e nas caixas normais a bicha é muito grande. E, é claro que um engano acontece, e seja dito que pode ser nos dois sentidos, temos de verificar muito bem o talão. Já por mais de uma vez me aconteceu ter pesado o produto, colado a etiqueta, fazer o pagamento de muita coisa e ao chegar a casa ver que tinha, por exemplo, pesado as bananas com o código das cerejas e pago 3 vezes mais...
Ora tudo isto acontece devido à ganância destas empresas que consideram que os ordenados dos seus trabalhadores é um peso supérfluo, não são precisos para nada desde que os clientes não se importem de fazer tudo! Há lojas que funcionam em completo self-service: o cliente entra, procura, escolhe, põe no carrinho, lê o código, paga e sai. Sim, pode haver uma ou duas caixas normais, mas ninguém para dar uma informação, ajudar numa escolha, nada!
Isto sempre me irritou, acho uma vigarice.
Mas o máximo dos máximos é acusar-se um cliente de roubo se ele se engana! E, neste caso, um «roubo» insignificante, de certeza que o que poupam em trabalhadores (em linguagem moderna colaboradores)  dá à vontade para pagarem os tais tupperwares... 😡
Que vergonha, IKEA.
Péssima publicidade que o zeloso chefe de loja arranjou.

Cereja

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Há uma moda para tudo

Por motivos familiares 😌uma vez que há um só comando de tv, tenho acompanhado com alguma regularidade, o concurso Brainstorm, da RTP. Não vou agora resmungar com a mania dos títulos em inglês, talvez quando compram os direitos da coisa isso não cubra o traduzir-se na língua no país onde será exibido... Mas anda a fazer-me espécie um aspecto curioso: como é que por mais de duzentas vezes, (pode ser que alguma vez a resposta tivesse sido outra mas eu cá não a ouvi) os concorrentes quando respondem à curiosidade do apresentador sobre o que querem fazer com o dinheiro que vão ganhar, dão a mesma e única resposta - uma viagem!
Já espreitei quem patrocina o concurso e não é nenhuma agência de viagens nem sequer uma companhia de aviação, parecem-me serem refrigerantes, ou outras coisas do estilo. Ora como é possível que os desejos de toda a gente, mas das mais variadas espécies, homens ou mulheres, solteiros ou casados, dos dezoito aos setenta e tal anos, todos queiram com o dinheiro ganho ir passear e só isso!!!
Não pode ser.
Até parece que o consumismo de bens materiais desapareceu completamente. Todos vivem satisfeitíssimos com o que já têm e de mais não precisam. Ou eu já tenho falsas recordações ou antigamente falava-se em muitas hipóteses, aliás sensato porque dependeria do dinheiro ganho e do possível vencedor.  Desde desejarem um carro novo, ou trocar aquele que tinham se o prémio fosse alto, até um plasma daqueles xptl que custam muitas centenas de euros, ou aparelhagens do tipo cinema em casa também caríssimas, no caso de o lucro ser menor. Ou até trocar de casa, se ganhassem muito... E é claro que na lista dos desejos entrava também uma bela viagem, o que é um desejo normal. Mas que seja a única escolha de todos os que por ali passam, desculpem mas eu estranho.
Por isso imagino que seja uma moda. Para além de um certo pudor de dizer assim em público que desejavam uma coisa banal, pela lei do menor esforço usam o que todos os outros dizem, a «chapa um» - viagem. Fácil e pronto... Atenção, é um desejo muito legítimo, eu também o tenho, não sou mais do que eles 😏 mas, com franqueza, é o único desejo que aquela gente toda tem...?! É uma moda, só pode ser !!!




 Cereja

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Poupar «gastando» ou de como confundir o consumidor...


Tenho alguns temas, do tipo 'ódio de estimação', a que volto de forma recorrente, mas não consigo impedir de o fazer. E o consumo ou a forma habilidosa como se acena com a cenoura à frente dos burros que nós somos, é uma delas.
Por uma experiência recentíssima, voltei a pensar na acção maléfica que dá pelo nome de obsolescência programada. É coisa que tem cerca de 100 anos, mas actualmente está no auge sobretudo nas novas tecnologias claro. Quando ouvi a palavra obsolescência (?) a primeira vez achei que era nome de doença ou algo assim, senti logo que era coisa de alguma bruxa má. Claro que era. Quando eu era criança e se vivia no pós-guerra, essa tal obsolescência ainda não tinha chegado a Portugal, e faziam-se coisas para durar. Uma coisa boa, de boa qualidade, era a que durava mais. Disparate! Se durasse muito como é que o fabricante vendia o novo, o que ia fabricando? Ná, ná, o produto - electrodoméstico sobretudo mas atinge tudo - tem de se estragar rápido e sobretudo não haver peças para o arranjar, ou até mesmo as peças serem do preço de um novo. Qualquer um de nós sabe que um aparelho que se compra agora vai ter uma 'esperança de vida' bem inferior ao semelhante que já tínhamos há 20 anos... É a obsolescência.
Mas há outra técnica de venda, muito interessante, que nos toma por parvos e infelizmente resulta: vender grandes quantidades com o pretexto de assim fica mais barato. Quando o conselho é «leve 2 e pague 1» ainda se vai percebendo - ainda que possamos pensar que se querem fazer 50% de desconto bastava vender 1 por metade do preço. Mas muitas vezes a quantidade que impingem é enorme e de  pouco consumo ou com risco de se estragar. Não se vê «leve 2 dúzias de rolo de papel higiénico e pague 1» a não ser que seja uma grande porcaria de papel, invendável... Afinal aquilo é sempre preciso e não se estraga. Mas sacos com fruta, caixas com queijos, iogurtes, mesmo no prazo, o negócio é para o vendedor: quem compra não poupa nada, quando chegar às últimas peças já está tudo podre, o preço afinal foi... normal.
Voltando à minha infância onde de facto se poupava e aproveitava tudo, porque um-dia-pode-dar-jeito, havia na caixa de costura, por exemplo, umas caixinhas de botões onde se guardavam os já usados que voltavam a servir, ou fechos-éclair que se podiam aproveitar para outras saias ou vestidos... Ontem quis comprar um para arranjar uma coisa e entrei numa loja. Não, não era uma retrosaria, isso já desapareceu (quase) era uma loja que vendia tudo. E lá encontrei, pendurado, uma embalagem de fechos-éclair do tamanho que precisava. Embalagem?! Sim, embalagem com 4 fechos de cores diferentes. O conjunto era barato, pois era. Mas que raio ia fazer com as 3 cores de que não precisava? Talvez um dia precisasse??
E quando se vende 3 pares de óculos graduados iguais?  Para que quero eu mais 2 pares de óculos, a não ser que seja uma cabeça no ar que os perca? (aliás se perder 2 também perco seis ou sete....)
A palavra de ordem é vender! E o cliente vai acreditar que poupa embora até gaste mais.
Seremos assim tão parvos?

Eram uns belos pêssegos, não eram?

Cereja

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Má educação

Quando eu era criança e interrompia quem estava a falar era repreendida com alguma severidade. Não se faz! diziam-me. Claro que as crianças que ainda não aprenderam as normas sociais o costumam fazer com frequência, e por isso mesmo são ensinadas. Mantendo ainda a recordação de infância, o que então se passava é que quando a conversa era entre nós, miúdos, se um interrompia o outro falava mais alto, e o primeiro falava ainda mais alto, até que se chegava a gritar uns com os outros. Então se estava algum adulto por perto vinha logo meter-nos na ordem ralhando.
Mas, na hierarquia familiar (coisa desaparecida hoje em dia, e mal segundo o meu ponto de vista) um pirralho não devia interromper quando um grande falava. Questão de educação.
Talvez por isso, por ter sido educada noutros tempos, me choca assistir muitas vezes na comunicação social não-escrita - na escrita creio ainda isso não ser possível - a debates ou até mesmo simples conversas onde cada um fala por cima do outro, aumentando o tom de voz, naquilo que no meu tempo seria uma grande falta de educação!!!
Mas há uma «moda» (??) em quem pratica jornalismo na actualidade que me irrita. Aliás são duas atitudes qual delas mais irritante: 
a) fazer uma pergunta (ou colocar uma questão como agora se tem de dizer...) com a resposta já implícita. Mas que raio....! Perguntarem «o que pensa de ****? Não é porque **** e mais*** levam a que ****?» faz com que o protagonismo recaia sobre quem faz a pergunta, que se calhar é o que querem... 
b) Interromper o que alguém diz desviando a conversa para fazer uma pergunta.
Ontem assisti a uma dessas cenas tristes na nossa tv. Estava uma pessoa a falar e ouve-se uma voz feminina a interromper para lhe perguntar uma coisa. Era feio, fosse quem fosse. Mas, ainda por cima, voltando à questão do respeito e hierarquia, quem estava a falar era o Primeiro Ministro...! E a badameca de uma jornalista senhora com um microfone sente-se autorizada a interromper para lhe perguntar qualquer coisa. Que, aliás se não tivesse sido malcriada ele iria referir já adiante.
É por estas e por outras que cada vez vejo menos tv. Prefiro ler notícias, por enquanto estas cenas são impossíveis na palavra escrita.




Cereja

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Obras de Santa Engrácia


É um dos meus temas de rabujice preferidos, até porque esta história já vai em muuuitos anos, e eu resmungo dia sim, dia não. Refiro-me à pobre da Praça do Areeiro...
De uma forma geral, as obras na nossa capital são lentas, lentas, lentas, lentas... Aliás, depois de ter vivido uns anos em Macau e ter confirmado que se pode construir num décimo do tempo que vulgarmente gastamos por cá, ainda menos tolerância sinto para com a pastelice da nossa construção civil. Um enjoo.
Mas, se de uma forma geral qualquer arranjozito leva um tempo fabuloso a ficar pronto, o caso da desgraçada Praça do Areeiro, ou de Sá Carneiro como queiram, bate todos os records do Guiness.
O túnel, o famoso túnel que nos liga ao Campo Pequeno,  foi inaugurado em 1997, recordo-me bem porque foi um alívio acabar a poeirada que a pobre João XXI sofreu durante muitíssimo tempo. Não consegui confirmar quanto tempo levou a construção desse túnel, mas na minha recordação é como se tivesse sido bastantes anos...
Mal se respirou fundo a pensar que aquela zona ficava sossegada e bonita, vem o Metro a destruir tudo e a fazer novos buracos.
......
Cá estamos, 20 anos mais tarde, e a Praça continua a parecer um campo bombardeado. OK, está melhorzinha agora, reconheço. Mas por alma de quem é que se continuam a ver aqueles separadores vermelhos e brancos, a rodearem todas as zonas laterais da praça?! Porquê? Mesmo que mais não fosse bastava esse pormenor para acentuar que as obras estão incompletas...! 


Li agora que as obras para finalizar os arranjos da Praça começam em Agosto e vão durar um mês. Será uma gracinha?! Alguém acredita que depois de dezenas de anos, precisem de mais um mês para acabar a placa central e ajardinar aqueles metrozinhos de terreno que rodeiam o pobre Sá Carneiro ali enforcado? [aquele monumento (?) deve ter sido concebido por alguém que lhe tinha muito pó]
Só mais uma nota. Esta martirizada Praça é o ponto de entrada em Lisboa para quem chega de avião. Como cartão de boas-vindas à nossa capital era difícil fazer-se pior. 
Que saudades eu tenho da Praça do Areeiro da minha infância!!!






Cereja

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Os engraçadinhos...

Há uma coisa que me irrita de um modo desproporcional em relação à causa da irritação: as gracinhas dos empregados de café.
Sempre assim foi, ou pelo menos há muitos anos que o é. Chego a um balcão e peço educadamente «Bom Dia, queria um café, se faz favor!» e oiço como resposta «Queria?! Ah, já não quer?» e ficam-se a rir. Como não lhe vou explicar o que é a forma verbal conhecida como condicional, faço um sorriso amarelo e espero pacientemente, a não ser que ele continue a rir o que me apetece dar como resposta «Traga-me o raio do café, caraças!» mas não digo... Sou educadinha.
E isto passa-se noutras situações. A grosseria de corrigiram o meu português para fazer humor. Aliás tem-se espalhado. Há para aí muitas variantes, a sintaxe é uma lástima e com a desculpa do acordo ortográfico que tem umas costas larguíssimas diz-se os maiores disparates, piscando depois o olho «com o acordo já nem sei como se diz» explicação cretina porque o dito acordo é sobre a escrita.

Mas encontrei este sketch já antigo mas excelente.

Está cá tudo. Grandes gatos!!!!


Cereja

domingo, 14 de junho de 2015

O negócio do lixo

Com a nova norma dos sacos de plástico de asas (vulgo sacos-de-supermercado) começamos a pensar melhor nesta coisa do lixo.
É sabido que a esmagadora maioria das pessoas usava até há pouco os sacos de plástico onde trazia as suas compras para forrar o caixote do lixo. Mas já fomos esclarecidos, esses sacos muito fininhos eram prejudiciais para o ambiente, portanto foram proibidos e agora começaram a ser produzidos outros mais resistentes, e pelos vistos menos poluentes, que terão de ser pagos por quem faz as compras - para além dos produtos de que necessita o cliente. Este se não quiser levar as compras na mão tem de comprar um saco porque o lucro das lojas é menor do que 2 cêntimos por cliente e faliam coitaditas.
E agora passemos ao lixo.
Nós já pagamos uma taxa para a recolha do lixo. Mas parece que temos de nos esforçar mais! As diversas empresas que recolhem o lixo para reciclar têm regras comerciais, normal, contudo querem aparecer como uns anjinhos da guarda que generosamente vêm salvar o ambiente por pura generosidade, quando de facto são empresas como quaisquer outras, que visam a obtenção de lucro. Ponto final. E obtêm-no, já li acusações de umas às outras por andarem a roubar recolher  lixo que não é delas, aquilo é um bem de que são proprietárias sem o comprar... 
Lembro-me de uma publicidade onde aparecia um macaco, creio eu, a mostrar que qualquer animal irracional sabia colocar o lixo bem separado no recipiente certo. Ora não é nada assim. Não será preciso uma formação, mas as regras não são óbvias como querem fazer crer. Por exemplo, no 'vidrão' não se deitam vidros como podia parecer, deitam-se garrafas, frascos, alguns copos e é melhor ficar por aí porque o resto pode ser ou não, pode parecer vidro, ter aspecto de vidro, partir-se como o vidro, mas... deve ir para o lixo comum, por exemplo se for vidro plano, ou frasco de perfume. No 'papelão' não se deita qualquer papel, deitam-se caixas de cartão, jornais e revistas (nem sei se todas, há a questão das fotos mal explicada) mas cuidado com o papel auto-colante, ou caderno com capa plastificada, ou papel de embrulho... E no 'embalão' o que raio se põe? Embalagens óbvias e limpinhas e as tipo tetrapark que devem ir convenientemente espalmadas,  no resto há dúvidas: as de iogurte não, embalagens de margarina, banha ou manteiga, não, copos de plástico não. 
É interessante notar aliás que algumas empresas são mais exigentes do que outras. Já li uns conselhos onde, por exemplo, insistiam «enxague as embalagens usadas». O quê?! Vou gastar um recurso que me ensinam a poupar, como é a água, para as embalagens irem já limpinhas?
Li há pouco tempo uma queixa de um empresário do lixo reciclado, zangadíssimo porque algo foi mal colocado por engano, e isso pode avariar uma máquina caríssima. Claro que é aborrecido, mas um engano pode sempre acontecer. Seria sensato precaver-se, e uma vez que o "trabalho da separação" não é pago por ele que apenas aproveita o trabalho que nós, cidadãos responsáveis, fazemos, talvez fosse de arranjar uma filtragem inicial, antes de deitar o produto a reciclar nessas máquinas caríssimas.
E já agora um pedido: por favor organizem a recolha de acordo com o que se produz, porque é pedir demais à nossa paciência que voltemos sistematicamente para casa com o que se ia despejar por o ecoponto estar cheio!

Apesar de tudo é uma empresa que dá lucro, não é?
Um negócio.

Até um grande negócio, pelo que entendi.




Cereja





quarta-feira, 6 de maio de 2015

Depressa, depressa, depressa, depressa....!

Actualmente, dizem as estatísticas e o mais elementar sentido de observação, a nossa população é bem mais velha. Nos transportes, nas ruas, nas lojas, até nos desfiles de manifestações, vemos sobretudo pessoas de cabelos brancos e cara a condizer...
Ora a idade dá conhecimento, muita vivência, maior cultura geral, mas retira rapidez de reflexos na grande parte dos casos. Nós [claro que faço parte desse grupo] somos mais lentos, menos ágeis, quer do ponto de vista  motor quer de rapidez de resposta, quando falta a palavra, oh que raiva!
Por outro lado, com o óbvio motivo de reduzir pessoal, muitas empresas substituem as pessoas que atendem por máquinas, o que nos obriga a adaptar a tecnologias nem sempre fáceis, e exigem muita rapidez a quem inevitavelmente tem de atender o público.
Reparem num operador de caixa de um supermercado. Tem à sua frente uma bicha de pessoas bem razoável (até porque se houver poucos clientes em duas caixas, fecha-se uma e o operador vai fazer outro trabalho dentro da loja) e tem de dar andamento àquilo. Portanto, pega nos objectos que passa pelo leitor de códigos o mais depressa que consegue, faz a leitura, põe de lado, pergunta se queremos o nº de contribuite no talão, imprime o talão, recebe o dinheiro e passa ao seguinte. Sem parar, sem parar, sem parar...
Acontece que como a operação de colocar as compras em sacos compete ao comprador e nem sempre é muito rápida, a coisa está sempre a «engarrafar». E o comprador a sentir-se envergonhado, porque todos olham para ele como um empata! Claro que o seguinte também empata, que a coisa é igual para todos.
Isto é mais evidente quando ao frenesim de rapidez do operador de caixa se junta a dificuldade de um comprador mais idoso e menos despachado.
Ontem fiz uma experiência. Por um acaso levava no bolso um contador de minutos, daqueles de cozinha. E tinha reparado que a fila onde eu estava «engarrafava» muitas vezes. Quando a senhora antes de mim começou a ser atendida, carreguei no conta-minutos e travei-o quando as compras estavam já do outro lado da barricada. Conta-minutos? Ná, conta-segundos. Aquela operação levou 27 segundos. Foi um pacote de manteiga, uma embalagem de pão, meia dúzia de ovos, fiambre, pilhas eléctricas, iogurtes, champô, um sabonete. Deve estar a escapar-me qualquer coisa porque eram 10 produtos, que foram passados pelo leitor do código de barras em menos de 30 segundos! Claro que a senhora, já idosa e menos despachada, levou algum tempo a acondicionar aquilo no saco que trazia. Depois fazer o pagamento, receber o troco, também levou tempo... Isto enquanto a fila se impacientava, porque se a menina da caixa estava parada sem fazer nada a culpa tinha de ser da cliente!
É vexatório. É irritante. Mas decerto que quem está na caixa deve receber instruções para ser rápida, para aproveitarem o seu trabalho o mais possível, cada segundo conta. Por outro lado os clientes querem ser atendidos depressa, claro. Mas, a solução óbvia que era ter mais caixas abertas, implicaria mais postos de trabalho, o que não interessa nada aos patrões aos empregadores. Portanto cria-se esse ambiente de stress que todos conhecemos.

PS - Já agora, se nos grandes supermercados há (e muito bem!) caixas prioritárias para pessoas com crianças e deficientes motores, porque não acrescentar os idosos?!


Cereja

terça-feira, 21 de abril de 2015

Civismo, como o ensinar...?


É tema recorrente por aqui. O civismo, a capacidade de viver em sociedade, a educação. Possivelmente é preciso mais tempo para algumas regras serem interiorizadas, mas não haverá modo de acelerar a coisa?!

Claro que antigamente ainda era pior. Quando não havia esgotos nas cidades, podia chegar-se a uma janela, avisar 'água vai', um eufemismo completo, e despejar o conteúdo dos penicos pela janela fóra. Era a norma. Uff... Já passou.
Mas não passou o hábito de quando se vai pela rua deitar para o chão aquilo que não queremos. Haja ou não um cesto de lixo próximo.
Resmungo todos os dias com isso. As ruas da zona onde vivo estão permanentemente sujas, por mais que as limpem. Hoje de manhã, saí de casa e reparei que estava uma equipa, creio que da Junta de Freguesia, afanosamente a varrer os passeios. Dava gosto. Até onde conseguia ver a faixa de pedrinhas brancas que era o meu passeio parecia uma passadeira, impecável! Fui ao supermercado, coisa de meia-hora não muito mais. Quando voltei a passar pelo mesmo sítio, até parei, incrédula. Eram papeis amarrotados, embalagens de iogurte líquido, um resto de bolo, um cartão de transporte usado, até uma meia suja, além de dois dejectos de cão bastante volumosos!!!
Aquilo merecia uma foto do tipo «antes e depois». E não, não tinha sido um saco de lixo que se tivesse rompido e espalhado o conteúdo, tinham sido apenas passeantes que iam deixando cair coisas...
O que merece estudo é que depois da primeira ou segunda coisa que vai para o chão, muita gente pensa que já-que-está-sujo não vale a pena esforçar-se para levar o que é de deitar fóra para onde deve ficar: o caixote. As primeiras coisas que caem servem de incentivo/modelo para o desmazelo que se segue. Quando foi da Expo, se é certo que havia equipes de limpeza em permanência, também é verdade que não se atirava a lata de refrigerante vazia, ou um papel de embrulho para o chão. Ficava-se constrangido...


Eu sei que há multas para quem deixa ficar lixo junto dos eco-pontos, por exemplo. Não sei se chegam a aplicar essas multas, mas enfim... O que acharia que talvez resultasse era se em vez de multa em dinheiro, essa gente incívica fosse condenada a 'trabalho comunitário'! Seria obrigado a «pagar à sociedade» - umas horas do seu tempo livre seriam passadas com um saco a tiracolo onde enfiasse as diversas porcarias que não devem ser encontradas num passeio. 

Será que assim aprendiam melhor?!


É certo que muitas crianças actualmente estão já sensibilizadas a separar o papel, o vidro e as embalagens. Têm muito orgulho nisso, e chamam a atenção dos pais. Talvez fosse altura, de uma campanha de sensibilização para não deitar nada para o chão... Muitas vezes se aprende com as crianças.

Cereja

sábado, 14 de março de 2015

Obras de 'santa-engrácia'

Este é um tema, não direi de estimação, mas que volta não volta não me consigo reprimir de voltar a falar no assunto. É claro que não sei nadinha destas coisas e aceito que haja aspectos que para um leigo nem se ponham e para um especialista sejam da maior importância. Posto isto, passo a falar na perspectiva de uma simples cidadã. 
Vivo numa cidade que parece estar em permanente e constante (re)construcção. São passeios esburacados, tapumes que cortam os passeios para arranjarem prédios, zonas isoladas com fitas para não se passar, ruas que passam a sentido único sem aviso, enfim quem não conheça bem a cidade parece que saímos de uma guerra.

Mas tudo isso se aceita alegremente para o bem comum. Faz-se um túnel para o trânsito fluir, levanta-se um tapume num prédio para o restaurar, etc. Não é isso que me incomoda, é o tempo i-na-cre-di-tá-vel que essas obras implicam!
Li ontem que na China, que têm a mania dos records, tinham construído um edifício de 50 andares em menos de 20 dias.
Um exagero. :D
Por isso teve honras de notícia de jornal. Mas eu vivi há uns 20 anos em Macau, e confirmo que a rapidez das obras nos permite acreditar que esta notícia seja verdadeira. Vi frequentemente, uma rua grande fechada ao trânsito uma Quinta-feira, completamente revolvida na Sexta, cabos, tubos, tudo o que uma cidade precisa nas suas entranhas substituído no Sábado, no Domingo espalharem a terra e cimentarem a rua e passeios, Segunda ser para secar e Terça já se circulava por ali....
Vi, deitar-se abaixo e reconstruir-se edifícios não de 50 andares (embora também os houvesse de várias dezenas) em meia dúzia de meses.
Mas quando vejo que é possível levantar-se um edifício em 20 dias, não posso deixar de me sentir engasgada que a Praça do Areeiro (ou Sá Carneiro) esteja em obras intermináveis há 20 anos. É tudo às pinguinhas, uns anos a arranjar um cantinho; depois outros anos a arranjar outro cantinho, e como a praça tem 4 já se imagina a lentidão... e o que estão a pensar em fazer com o centro da Praça??? Parece um campo abandonado, cheio de capim, com o triste Sá Carneiro meio enforcado. Faz dó. E é um local quase obrigatório de passagem para quem entra em Lisboa vindo de avião. Bela propaganda....





Cereja

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

E os caixotes do lixo....?


Fomos informados relembrados de que as taxas sobre os famigerados sacos vão começar muito em breve. Depois de amanhã, para ser exacta. E algumas questões continuam a não ser respondidas.
Certo, de início a má reacção geral foi por haver uma informação insuficiente. Não é coisa evidente para qualquer um, num mundo onde o plástico é dominante, a artilharia apontada apenas aos sacos quando tudo o que nos chega às mãos vem embalado em plástico. Neste momento já muita gente entendeu (por muita gente, entenda-se eu) que há um plástico particularmente maléfico para a natureza que é o 'plástico leve'. O tal que tem uma espessura igual ou inferior a 50 microns. Já sei, agora.
Mas como tenho um espírito implicante, penso "se faz mal, se é mau, então porque raio o fabricam?" Para mim a taxa não devia ser para o utilizador e sim para o fabricante. Mal comparado é como castigar o consumidor de droga e deixar o dealer à vontade. Se é mau para o ambiente, então não fabriquem essa porcaria!!!
Bem, agora dizem que o mal é serem usados e deitados fóra. Se foram usados mais vezes já não faz mal. Hmmmm... Como é? Ou faz mal ou não faz mal. Isso de fazer um poucochinho de mal, não me agrada.
Depois, como dona de casa poupadinha, tenho uma questão: como, desde que eles existem, os tenho utilizado para o meu caixote do lixo, como faço agora? Resposta: existem uns, também de plástico mas menos 'leve' que se vendem para o efeito. Pois, eu sei. Custam apenas 10 vezes mais do que estes 'leves' que até hoje íamos comprando para trazer as nossas compras. 
Somos massacrados com conselhos para poupar nos nossos gastos e agora, quer queiramos quer não, vamos pagar mais para... poder deitar o lixo fóra?!



Cereja

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Direitos do consumidor e prazos de validade


Não sou só eu a queixar-me.

Confirmei há poucos dias que outras pessoas que conheço têm a mesma irritação. Um dos direitos do consumidor que me parece mais justo é saber quando compra seja o que for, no caso de aquele produto ser perecível, até quando o pode consumir. Normal, não? Afinal o dinheiro com que se pagou também não desaparece ao fim de um tempo determinado - o que costuma desaparecer é aquele que ainda ficou na nossa carteira...
Há certos produtos, cujo prazo é definitivamente curto como por exemplo os iogurtes, onde essa data costuma estar afixada no topo da embalagem de um modo claro. O leite de pacote também costuma ter a data num sítio bem visível. E depois há produtos que sendo menos perecíveis - conservas, bolachas, embalagens diversas de qualquer produto alimentar, também devem ter gravado o prazo de validade e aí, muitas vezes, a busca mais especializada faz-nos perder um tempo incrível, porque não se encontra ao primeiro olhar, nem ao segundo, nem ao terceiro...
E, o que irrita, faz perder tempo e creio ser um bom motivo para uma proposta a um grupo de defesa dos consumidores, é que cada produto, cada marca, cada embalagem, tem um sítio diferente para afixar esse dado importantíssimo. Para além do tamanho e tipo das letras, sistematicamente bastante pequenas com raras excepções, o local onde aquilo se 'esconde' também varia que se farta... Uma pessoa consciente, que não atire para dentro do carrinho de compras o primeiro produto que vê, perde um tempo enorme à procura da sua validade. Muito irritante. Até porque, sem grandes «manias da conspiração», a verdade é que quem sai beneficiado dessa caça ao tesouro é o produtor e o vendedor porque quem tenha pouco tempo ou paciência, compra de qualquer modo até produtos à beirinha de se estragarem.
Antes de começar a escrever isto, deu-me para fazer um levantamento, e fui pesquisar na minha dispensa: em latas diferentes encontrei 3 com a data de validade na tampa, 5 ao lado, 5 no fundo, 3 delas em baixo-relevo, e as outras em caracteres ou pequenos, ou muito pequenos. Nos pacotes, encontrei 3 com as datas no fundo, 2 com as datas ao lado, 4 com as datas ao fundo mas em baixo-relevo que não se conseguia mesmo ver ! E um deles (viva!!!) com a data no fundo e muito legível, letras de bom tamanho. Nos frascos, uns têm a data na tampa, outros no rótulo e em sítio variados.
Bem. 
Uma proposta para ser apresentada à Defesa do Consumidor: que venha uma lei que decida sobre o tamanho e o local que deve apresentar a data do prazo de validade, por exemplo do tamanho do preço e na tampa. E uniformize-se isso para todas as embalagens! De um modo muito visível, nada daquelas coisas em baixo relevo, que não se conseguem ver e ler.
Como se fará essa proposta? Dizer aqui no blog não chega, mas tem de haver uma maneira de o fazer.


Cereja

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Velocidade e reflexos


Eu vivo em Lisboa.

Sempre que posso escolho o transporte público mas, como é de esperar, também me desloco bastante de carro que conduzo há dezenas de anos - e aliás quase sem acidentes. O que quer dizer que sou uma observadora e participante activa nas questões do trânsito da nossa capital.

Li há momentos que os radares para verificar a velocidade da circulação em certos locais, que andam avariados há já algum tempo, vão voltar a funcionar. Cá por mim sempre pensei que não se devia era saber que eles não-estavam-activos, porque ver o radar é já dissuasor de grandes correrias... Mas sim, o excesso de velocidade é um perigo, e desconheço se a multa acompanha a velocidade, que é o que devia ser: ultrapassar ligeiramente o limite é bem diferente de passar a mais 10 ou 20 km como muitas vezes se vê.
Mas, para quem circula bastante por Lisboa uma das coisas que mais impressiona é a lentidão de reflexos. Bem sei que nem todos podemos ter reflexos de guarda-redes, mas por amor da santa, é desejar muito que ao acender o verde a fila comece a andar de imediato? Quantas vezes volta a cair o sinal vermelho e alguns carros ainda estão parados?! E, inversamente, eu quero acreditar que é por lentidão de reflexos que se passam tantos sinais vermelhos nos semáforos desta terra. Só pode ser.
Dentro das manobras perigosas da condução, o não respeitar um sinal vermelho é das mais graves. Devia ser uma coisa que só se verificasse muito, mas mesmo muito raramente. Como é possível que eu o veja todos os dias e até sucessivamente em vários semáforos da mesma rua?! A minha lógica diz-me que só podem ser condutores com péssimos reflexos: vêm o amarelo mas levam tanto tempo a reagir que passam no vermelho. :(
Não sei como impedir esta calamidade. Talvez que ao tirar a carta, para além daquele complicadíssimo teste de respostas múltiplas armadilhadas, se devesse fazer também uma avaliação à rapidez de reflexos para que quem os tivesse mais lentos tivesse bem consciência disso. Não é só o pé pesado no acelerador que é grave, a consciência do meio que nso rodeia também é extremamente importante.


Cereja

terça-feira, 3 de junho de 2014

Sacos, saquinhos, saquetas, qual a diferença afinal?... ;)

Mais um post para a categoria das embirrações.
Concordo, tenho de concordar, que toda a gente deve colaborar para conservar este mundo mais limpo, menos poluído, coisa que infelizmente não está a acontecer. Uma prática de cidadania, de educação cívica, é muito descurada, acontecendo muitas vezes que cada um pensa no que é mais fácil para si, sem medir consequências.
Mas.
Mas, se parte grande parte da responsabilidade desta situação é dos cidadãos anónimos, parece-me errado esquecer o papel das grandes empresas em determinadas situações. E cá volto eu à questão dos famigerados sacos dos supermercados, porque dia sim, dia sim, recebo um fw a ralhar comigo a propósito deste tema.
Os sacos de plástico não se degradam e poluem o ambiente de um modo grave. Toda a gente sabe isso, e quem o não sabia já percebeu quando chega à caixa do supermercado e além das compras paga o saco onde as mete. Note-se que quem decidiu que os clientes levassem as suas compras em sacos de plástico foi o próprio supermercado que os mandou fazer não foi uma ideia que partisse do clientes, nem oferecem alternativas como sacos de papel ou de pano...
Mas se o «saco  de compras» ainda pode ser evitado e cada cliente transportar consigo sempre uma alcofa pessoal, não evita que quase tudo o que lá compra venha envolto em plástico!!! Se precisa de legumes ou fruta, tem de os meter em sacos de plástico para serem pesados e levarem a etiqueta com o código; no balcão do talho, da peixaria, da charcutaria dão-lhe os produtos em sacos de plástico; o pão já está ensacado em saco de plástico;  e 80% dos produtos embalados são-no em plástico - os sacos em que vem o arroz, o esparguete, os congelados, são de plástico. E o plástico dos iogurtes, das garrafas de óleo, dos detergentes, não polui?
Ou seja, este problema, que o é, parece-me a mim que deve ser sobretudo reencaminhado para as empresas de embalagens. Desafiá-las a inventarem uma solução. Porque a verdade é que o uso do saco de plástico é muito recente, na minha infância e juventude isto não existia e sempre se fizeram compras. A 'culpa' não pode ser do cliente, só do cliente. Por mais informado que ele esteja não pode fazer tudo. As empresas, sobretudo as de embalagens, poderão perder algum lucro mas devem também trabalhar para o meio ambiente.
Vão-me convencer que a «culpa» é dos sacos que os clientes levam no final? E que muitas até vezes são utilizados como sacos do lixo? Náááá!!!

Ou há moralidade ou a culpa é de todos que a diferença entre sacos de plástico não é nenhuma...





Cereja

sábado, 31 de maio de 2014

Ódios Embirrações de estimação

 Se se pode pensar que o amor e ódio são duas faces (opostas?) do mesmo tipo de sentimento, se calhar, em versão soft, o gosto e a embirração também... Talvez sejam as coisas que podíamos apreciar [se...] as que mais nos incomodam quando as temos de criticar. Eu, volta não volta, venho aqui espingardar contra os transportes públicos que, por necessidade e gosto, mais utilizo.
Ando muito de metro.
O metro tem vantagens que conseguem superar o toquezinho de claustrofobia de que padeço e à partida me podia fazer fugir da ideia de me enfiar debaixo do chão: a) é rápido porque não está sujeito às regras dos outros transportes, não há semáforos, acidentes de terceiros, engarrafamentos b) o local de espera é protegido, não se apanha chuva, vento, sol  c) tem tempos de espera curtos.
Ainda "sou do tempo" em que não tínhamos metro em Lisboa. OK, andava de autocarro e eléctrico e muito a pé! E recordo uma ida a  Paris e achar que aquilo era muito prático, pensar 'que bom seria termos o mesmo em Lisboa'. Passaram muitos anos, já viajei por muitos incluindo S. Petersburgo ou Hong Kong e gosto do pequenino metro da minha cidade - as estações são bonitas, é limpo de um modo geral, está bem sinalizado, os transbordos são fáceis. Isto tudo do lado dos prós.
E os contras?
Podem caber numa só chaveta - falta de respeito pelos utentes.
Creio que foi ainda ontem que encontrei 3 artigos relacionados onde se refere que no nosso metro não há segurança  (consideram que mesmo nas suas instalações a responsabilidade é da PSP e mais nada) as locomotivas não têm bons travões só conseguem travar já dentro das estações, e os maquinistas não são sujeitos a avaliação psicológica como o são noutros locais idênticos. E isto com um preço de bilhete elevadíssimo para quem compra um bilhete avulso!
O transporte dá prejuízo? Parece que sim. Então qual é a diferença dos outros metros do resto do mundo? Os passageiros que pagam o bilhete, entram e saem, são iguais aos dos outros metros, o preço também, o que é diferente? Ah, os gestores!!! Aí há diferença...
Muito gostava eu de condenar os senhores que decidem estas coisas a um ano de trabalhos forçados de obrigatoriedade de viajar só de metro. Iam experimentar como é precisar de uma informação mas não haver nenhum funcionário na estação, querer comprar um bilhete e só uma máquina estar a funcionar com uma fila de 20 pessoas à espera, descer ao cais esperar um quarto de hora e quando o comboio chega ir estacionar na outra extremidade obrigando a uma corrida enérgica e por vezes sem conseguir chegar à porta da carruagem, esperar 20 minutos num cais a transbordar de gente e quando o comboio chega nem conseguir entrar tão apinhado vem! E que cautela se pode ter com os carteirista quando se viaja espremido entre 50 pessoas mal podendo respirar?
E os atrasos constantes - há linhas onde todos os dias, mas mesmo todos, há paragens e avarias! - sem uma explicação? E porque é que ao fim de semana diminuem as carruagens na linha que dá acesso às carreiras de camionetes e ao aeroporto? E, sendo praticamente o único transporte público da capital à noite, porque são os horários tão espaçados?
Como comecei por dizer, é talvez por apreciar este tipo de transporte que tudo isto me irrita. E sobretudo por considerar que este desdém com que os utentes são tratados é uma falta de respeito que não se devia permitir.


Cereja

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Pôr ou meter?

Este post ainda antes de o escrever já o classifiquei com a etiqueta de "Resmunguices e embirrações" Porque aceito humildemente (humildemente, o caraças!) que seja uma-questão-de-idade. Mas há palavras que levaram uma reviravolta durante a minha existência, e isso faz-me muita impressão, mesmo que seja caso insignificante.
É que não sei que maldição atingiu o pobre do verbo «pôr».
O dicionário quanto a este verbo dá-nos uma lista de dezenas de casos onde o termo se aplica e bem. Incluindo como correcto também
o significado de meter quando acompanhado por 'no' ou 'dentro' [pôr no, ou pôr dentro]
Depois temos a palavra meter também com diversos significados mas nunca se substituindo a pôr. O verbo meter tem em si a noção de introduzir - fechar, esconder, incluir, entrar, etc.
Ou seja, em bom português, o verbo pôr que é muito abrangente pode também querer dizer meter, mas a inversa não é verdadeira.
Tenho uma amiga, pessoa até muito educada, mas que tem uma frase um tanto grosseira referente a esta caso (vou dizer baixinho, que este é também um blog educado) «Só se mete onde há buraco!» e assim arruma com a questão.
Quando nasceu esta moda, já há uns anos, ainda fiz figuras parvas. «Olha, mete aí na mesa!» e eu à procura da gaveta da mesa... Ná, era para colocar em cima da dita. «O vestido é giro mas eu metia-lhe outros botões», e eu a apalpar os bolsos. «Já meti no fogão» e eu a pensar que era um assado no forno, mas afinal tinha posto o tacho ao lume. «Ok. Já meteu o carro» - ah, eu não sabia que tinhas garagem... Nã, nã, tinha-o 'metido' em cima do passeio.
E por aí fora. Mete-se uma música quando se liga o rádio, mete-se um casaco quando está frio, mete-te aí ao lado da tua irmã, mete o acento nessa palavra, meti a mala na cadeira...
Depois habituei-me e já descodifico. É geral. Deve ter sido uma evolução da língua falada, que já está consolidada, vejo pessoas de todas as idades a dizê-lo... 
Tenho de deixar de embirrar, até porque já percebi que não fica bem dizer «pôr». A galinha é que põe um ovo, já ouvi dizer entre risinhos. As pessoas não são galinhas, não põem, metem!

Ah sim????!!!
*keiaurncfsdr....Oawxdhgfadhdvhzd* 
Rabugice.
Tem de me passar. Talvez logo veja um belo meter-do-sol, que o dia está lindo!
*suspiro fundo*

  Sim senhor! Meteu a colher na boca! Certo. ;)

Cereja

domingo, 4 de maio de 2014

Mas então....?!

 Eu ainda pertenço à geração que olha um pouco de lado para a margarina. É uma coisa que é parecida com a manteiga e a pretende imitar, mas...
Claro que se comprava. Era mais barato e pronto! Mas, na minha cabeça, manteiga é manteiga e a margarina seria sempre uma prima bem afastada com muito menos qualidades. Contudo, desde há uns tempos (bastantes!) a margarina sofreu uma ascensão social notável, começou a valer por si mesma, deixou de se lhe chamar margarina e a ser conhecida pelo nome da sua marca e, sobretudo, sofreu uma impressionante subida de preços.
Tão grande essa subida que em muitos casos atingiu o preço da velha e saborosa manteiga. Aliás pelo menos num caso, onde aparece com curiosas propriedades medicinais, até dobra o preço!
Bem sei que o preço é um tanto flutuante, existem muitos e variados tal como existem muitas marcas, contudo frequentemente pego numa embalagem de uma margarina toda vistosa e ao lado um pacote de manteiga e o preço é o mesmo. E tenho ouvido a publicidade a gabar o produto, garantindo que "sabe a manteiga".
Beeeem... Parece aquela anedota, mas então se sabe a manteiga e custa tanto como a manteiga porque é que não comemos manteiga...?!
E, quando estive a fazer uma pesquisa ligeira antes de começar a escrever aqui, encontrei duas informações, uma numa perspectiva mais histórica mas muito bem feita no blog Garfadas, e noutro blog, desta vez espanhol, uma referência um tanto científica que vem ao encontro da minha opinião sobre as diferenças entre a manteiga e a margarina.  Ganha a manteiga!

Pois é.
Cá por mim, não em grande quantidade que os alimentos devem ser consumidos com moderação, todos eles, mas se preciso de uma gordura ainda prefiro a velhinha manteiga.



Cereja

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Guerra de gangs

É verdade que o facto de existirem agora duas ou três empresas de comunicações tem algumas vantagens por causa da concorrência. Ou seja, se fosse um monopólio - ui, ui! - então ainda era pior!!! (há dias um comentário de uma amiga blogger neste post lembrou-me isso)
Mesmo assim...
Conhecemos bem o que é a insistência dos telefonemas, quer para os nossos telefones fixos quer os telemóveis, a convencer-nos a aderir a este ou àquele pacote de comunicações; ou o baterem-nos à porta a horas de repouso, testemunhas de jeová, perdão,  jovens muito bem treinados a perguntar-nos quanto gastamos mensalmente em tv, telefone, etc e a demonstrar que com a proposta deles vamos poupar um dinheirão. Confesso que me custa sempre muito fechar-lhes a porta (contrariamente às tais 'testemunhas') por saber que trabalham à comissão e muitas vezes aquele é o único trabalho que conseguiram... mas não  posso aceitar, é claro. Não posso ter várias empresas em simultâneo :D
Mas depois vem a outra face da moeda, não apenas a obrigatória fidelização à empresa como o uso de alguns truques. A Deco diz que recebe uma média de 20 queixas por dia quanto a  «ilegalidades "e mentiras" praticadas pelas empresas de telecomunicações para tentarem impedir o cancelamento grátis de serviços de internet, TV cabo e telefone no prazo permitido pela lei». Ou seja, o cliente fica preso numa armadilha mesmo que queira fugir ainda dentro do prazo...
Isto é tanto mais interessante quanto, apesar de parecer que há concorrência etc e tal, o que apresentam e as condições são incrivelmente semelhantes. Sem querer pensar em cartelização, (coff... coff...) notem que as condições são incrivelmente semelhantes, e as letras pequeninas são igualmente pequeninas nas diversas empresas!
Uma das coisas que todas as tais empresas de comunicação fazem é oferecerem-nos chamadas para todas as redes sem pagarmos mais por isso. (Não digo chamadas 'sem pagar,' porque elas são pagas em bloco quando se paga a conta na totalidade; seria como dizer que 'quem tem passe não paga o metro') É uma coisa boa, claro. Mas depois, se por um azar, temos uma avaria e temos de ligar para lá, isso já é pago e bem pago! Faz sentido? Para mim não faz sentido nenhum! Posso falar para qualquer sítio em Portugal e muitos no estrangeiro, com a tarifa já incluída no pacote, mas se a net avaria, ou a tv foge, estou meia hora a receber instruções da empresa responsável, telefonema esse que é  pago ao minuto!
Concorrência benéfica?... Hmmmm... A imagem que me ocorre é de guerra de gangs.


Já sei que me me vão dizer «Mas só aderes se quiseres. Ninguém te obriga!» mas como sabemos isso não é bem assim. Não me obrigam fisicamente, mas por um lado a insistência com que a publicidade me bombardeia, e por outro a ausência de alternativas faz com que assim não seja.

Cereja

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Publicidade a mais

Muitas vezes há coisas que julgo que só a mim me irritam por ter mau feitio "Sou embirrenta, isto se calhar é normal; eu é sou exigente com coisas talvez vulgares" penso de mim para mim, mas sempre vou refilando com quem tenho à mão para me ouvir.
Um motivo vulgar dos meus refilanços está na publicidade da tv. Aceito - tem de ser - que façam publicidade, mas não exagerem! Os programas têm de ter as suas pausas, é lógico, mas curtinhas, uns minutos, até para não se perder o fio à história que estamos a ver.
Ora bem, os canais que vemos em sinal aberto não os pagamos. Portanto, como "pagamento" ao serviço que nos fornecem faz sentido passarem alguns anúncios, o comércio precisa e o público sempre vai vendo e talvez assim prefira uma marca a outra - não acredito muito que nos dias de hoje * se compre mais , mas talvez compre um produto diferente...
Isto na tv de sinal aberto.
Ora quando comecei a ter tvcabo, já há uns anos, senti que uma das boas diferenças era a quase ausência de anúncios. Uma série durava cerca de 45 minutos, intervalos incluídos. Era agradável. Depois, a pouco e pouco, o tempo de publicidade foi alastrando. Com alguma estranheza vi que faziam propaganda dos seus próprios programas, não entendia bem para quê, se já se estava a ver para que é que o publicitavam?.. Espera! É que assim, estando ali a gastar tempo, em cada 3 programas poupavam 1 - é matemática simples, 3 horas de tv precisam de 4 programas se foram de 45 minutos, mas bastam 3 programas de forem de 1 hora! É lucro. E isto sem se falar nas séries repetidas vezes e vezes sem conta, quer no mesmo canal quer num outro semelhante do mesmo pacote.
Mas é legítimo? Pagamos ( e muito !)  e um quarto do que se vê é publicidade?! Bom, a semana passada li numa amiga de rede social um protesto sobre isto e referia o código de publicidade. Fui verificar e de facto, o tempo destinado a publicidade será de 15%, ou seja, numa hora só pode devia haver 3 intervalos de 3 minutos! Olhem que é interessante dar uma olhadela a esse código, que com certeza os programadores das estações conhecem bem. 
É como comprar uma embalagem grande de um produto que só está cheia ate 2 terços. Mas se na loja eu posso escolher a embalagem mais pequena com a mesma quantidade de produto, como é que se faz isso quando a tv que pagamos nos impinge tanta publicidade como a que temos de ver num canal aberto??!

*«Em Portugal, actualmente, o optimista é aquele que diz:

- Se isto continua assim, acabamos todos na rua a pedir esmola...
E o pessimista é aquele que responde:
- A quem ?»





Cereja

quarta-feira, 26 de março de 2014

Poupar, economizar, aproveitar, reciclar...

A palavra já enjoa. Poupar, poupar, poupar. Nas conversas, nos discursos, nas entrevistas, e sobretudo na publicidade. Claro que na publicidade quando dizem "poupar" querem dizer "gastar", gastar menos mas gastar, é claro! Já aqui tenho dito que eu, como os da minha geração, aprendi cedo a aproveitar tudo. Havia relativamente pouco lixo, porque tudo se aproveitava. Não existiam "embalagens" e quer garrafas e frascos, quer papeis, eram sempre reutilizados. E consertava-se sempre o que estava partido ou estragado. Até na louça se punham 'gatos'. (algum jovem sabe o que é?)
Adiante, que é de outra coisa que quero falar.
Tenho tido a má experiência de já ter participado no "desmanchar" de várias casas. Pais, sogros, tios, amigos idosos. É um trabalho muito doloroso, a selecção do que se guarda e o que não se pode guardar e chocou-me sempre o pouco valor com que é avaliado esse recheio pelos compradores que o vêm avaliar. E que depois o vão vender por 100 vezes mais!
Mas com a questão da crise económica tinha a doce ilusão de que talvez as mentalidades tivessem alguma alteração. Mas enganei-me. 
Acontece que estou mais uma vez a ajudar a esvaziar uma casa. Era um consultório que, com o ajuste das rendas, se tornou impossível de manter e vai ser entregue ao senhorio. Ofereceram-se algumas coisas, ainda guardámos para as nossas casas tapetes, cortinas, candeeiros, e decidiu-se contactar uma dessas ongs - tipo Remar ou Emaús - para o resto do mobiliário.
E agora vem a surpresa. A primeira disse logo não estar interessada, a segunda não tinha vagar para passar por lá só podia daqui a imenso tempo, a terceira foi lá, torceu o nariz e disse que aquilo era tudo para o lixo. (???!!!) Esclarecimento: não era tralha que estivesse numa cave qualquer, cadeiras com pernas partidas e buracos nos estofos! Eram estantes, cadeiras, sofás e mesas, que ainda há 15 dias estavam a uso. A postura desdenhosa das pessoas era decalcada dos tais compradores que oferecem um décimo do valor, só que... era para ser oferecido! E não levaram. O argumento foi que o trabalho de restaurar era maior do que o lucro de uma futura venda.
Não nos tinha ocorrido essa coisa do lucro da venda. Imaginávamos que, com algum arranjo e limpeza, pudessem aproveitar um armário grande de boa madeira, várias mesinhas, sofás e cadeiras, para ajudar no arranjo da casa de alguma família, ou até melhorar um lar de 3ª idade por exemplo. Tudo grátis, pro bono, digamos assim. Como nessas ongs também dão formação em marcenaria e estofos, aquilo podia servir para os formandos praticarem.
Ingenuidade a minha.
Afinal tudo se rege por cifrões e mainada!
Qual aproveitamento, qual reciclagem!!!!

LIXO!


Cereja