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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mais uma história sobre educação


 São tantas as vezes que aqui tenho escrito sobre relações pais/ filhos adultos crianças que decidi agora criar a categoria educação :) 
Mas a verdade é que o tema é muito importante e aparecem constantemente motivos para pensar. Desta vez foi uma historiazinha a que acabei de assisti:.

Passa-se junto duma caixa de supermercado. Uma senhora de meia idade e o seu neto de seis anos. Sabemos que tem seis anos através da conversa e até porque ele explicou que estava no primeiro ano. Criança normal, nem me pareceu excessivamente pedinchona. A avó, de aparência classe média baixa queixava-se um pouco da preço das coisas e do que agora já não podia comprar. Conversando com o miúdo, separava as 'suas compras' das 'do neto' e com sorrisos num tom transbordante de mimo dizia a brincar que ela tinha sido mais gastadora. Contudo, aquilo que eu via no tapete rolante pareciam ser produtos necessários –  pão, couves e outros legumes, fruta, arroz, leite, enfim nada de grandes gastos.  Já as «compras» do neto, que ainda não era obeso mas já um pouco ‘cheíinho’, pareceram-me perfeitamente inúteis - bolachas, uns brinquedos, tablettes de chocolate, rebuçados… Já a meter as compras em sacos ele deitou o olho a uma bela caixa de bombons no expositor da saída. Era grande e de boa marca, coisa para cerca de 5 € mesmo com um abatimento em letras vermelhas. A avó timidamente explicou-lhe que ele não devia gostar, os chocolates eram pequeninos e com recheio. Num tom de autoridade e decidido ele cortou a conversa  «mas eu quero estes» juntando a caixa ao resto.
A avó riu-se e pagou.
Já à esquina da rua ainda apanhei o par. A avó com um saco em cada mão perguntava pressurosa «não queres que eu leve esse?» porque o rapaz levava o saco com as coisas dele.
.......................
Fez-me impressão.
As famílias estão a viver uma situação de grande gravidade económica. E uma criança faz parte da família. É justo, é correcto, que se lhe dê a melhor qualidade de vida que for possível - roupa confortável, comida saudável, asseio, bons cuidados de saúde e educação. Mas é um erro, os filhos viveram numa classe económica superior à dos pais ou avós. É irreal. E acontece constantemente! Este menino levava mais de metade do gasto da avó. Com a maior naturalidade, não estava particularmente agradecido... E o tom em que exigiu a caixa de bombons mostrava bem que nem admitia não a levar.
E como cereja no alto do bolo, a avó ainda se propunha carregar com o saco das coisas dele...
Imagina-se este menino daqui a 10 ou 12 anos, não é?
Palavras para quê?....




Pé-de-Cereja

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Crianças e leituras

Na terça passada, a propósito de uma releitura do «Diário de Adrian Mole», deu-me para reflectir nas diferenças entre as adolescências, ou até as infâncias, a de há uns anos atrás e a dos nossos dias. São muitas essas diferenças e a minha veia de sociológa-de-algibeira ficou muito interessada nalguns aspectos. Por exemplo naquilo que se lia e se lê. A literatura para a infância não será assim muito antiga, mas tem já uns largos anos… Quando eu era criança lia os, para a época já antiquados, romances da Condessa de Ségur. Alguns insuportáveis, tipo «As Meninas Exemplares» que de tão exemplares eram umas parvalhonas a quem apetecia sacudir, mas também havia a Sofia com os seus desastres, etc. Era na tal Colecção Azul que se considerava adequada para educar as crianças. Foi aí que também li «A Princesinha» ou «O Pequeno Lord» onde meninos órfãos muito bonzinhos passavam por dificuldades e nos faziam chorar lágrimas gordas pela cara abaixo. Porque é claro que o Bem vence sempre.
Depois mais crescidos íamos lendo a ‘Biblioteca dos Rapazes’ ou ‘a Biblioteca das Raparigas’. Clássicos como ‘A Flecha Negra, A Ilha do Tesouro', ‘O Último Moicano’, para não falar na emoção da Capa-e-Espada, nos Dumas etc. As raparigas liam mais «As Mulherzinhas» e os romances rosa da Berthe Bernage – as Brigittes todas e os 5 volumes do Romance de Isabel. Tinham nascido depois da guerra e ainda se sentiam esses valores.
Anos mais tarde foi a vez de colecções educativas do tipo de «Uma Aventura», ou «Clube das Chaves», onde as protagonistas eram crianças espertas e desembaraçadas, vivendo em famílias normais, passando por histórias plausíveis. Tiveram bastante sucesso.
Os anos passaram e os modelos também. Vemos que os monstros que antigamente se usavam para assustar e trazer uma pedrinha de sal às histórias infantis, são agora os heróis e os modelos. O monstro deixou de meter medo, serve para rir. Inicialmente achei interessante, seria ensinar que o-que-é-diferente-pode-ser-bom e a integração da diferença é positivo, mas não quando só os monstros é que são bons! Os vampiros, lobisomens, etc, eram figuras maléficas. Passaram a ser integrados e, mais do que isso, a protagonistas. As histórias passam a ser vistas do seu ponto de vista. Huuummm….
Há muito pouco tempo falaram-me de uma menina que andava a desatinar com medo da morte, pesadelos, angústias. Os livros que lia eram da colecção Cherub. Por aquilo que percebi, cherub quer dizer 'querubim', o símbolo é um anjinho de metralhadora porque são «o braço juvenil dos serviços secretos britânicos». A sério. Meninos treinados para combaterem terroristas ou traficantes internacionais passando por situações arrepiantes.  segundo a própria publicidade. Mas o mais chocante é que estes ‘agentes secretos’ não têm família. No que li todo não há pai, e a mãe, bêbada, morre no 1º capítulo, num outro os pais morreram os dois e há apenas uma avó com ,Alzheimer num lar...
É esta a literatura que estamos a oferecer aos nossos filhos?!








Pé-de-Cereja

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A adolescência engordou alargou muito!

O que ela cresceu!!! Para cima e para baixo...

Quando eu era adolescente, considerava-se que esta era uma idade (a-do-armário, em parte) que se situava aí entre os 13 e os 17 ou 18 anos. Os anos ‘teens’ dos teenagers, para quem tinha nascido a falar inglês. Antes disso era-se criança, e depois disso adulto. Um jovem adulto, mas adulto. É certo que nessa altura a maioridade legal só chegava aos 21 anos, mas a partir dos 18 os pais podiam dar a «emancipação» a um filho… E, de facto, por volta dos 20 anos todos nós queríamos ser independentes, sair de casa dos pais, ganhar a nossa vida sem ter de prestar contas à família.
A pouco e pouco, a adolescência foi-se alargando, escorregando o seu limite para mais tarde. Os estudos acabavam mais tarde, os pais eram muito mais permissivos, os costumes permitiam namoros mais atrevidos, e só se saía de casa para casar. Ou seja a família protegia até mais tarde e os jovens não precisavam de assumir encargos até aos vinte e tal anos. E, muitos mantinham uma atitude tipicamente adolescente.
E também o tempo da infância, encolheu! Crianças, ou pelo menos pessoinhas-com-idade-para-serem-crianças, mostram uns conhecimentos e atitudes, que corresponderiam à anterior adolescência. Impressionante.
Tudo isto são factos conhecidos, mas que de vez em quando me atingem com mais força.
Recentemente, reli um livro que «fez história» aí há uns 20 anos – «O Diário de Adrian Mole». Eu julgava que me lembrava bem da história, mas dei por mim a confirmar que o Adrian tinha mesmo já 13 anos. Treze anos??! Toda aquela história, hoje em dia encaixaria num miúdo de 8 anos, no máximo. Aquela ingenuidade, a ignorância quase total dos ‘factos-da-vida’ era completamente impossível num jovem de 13/14 anos da actualidade, que tivesse amigos, que visse TV, que usasse a net.
Com franqueza, eu mesma dei por mim a achar que a história do Adrian era inverosímil se fosse passada aos 13 anos e meio como diz o título…
Meu Deus. 
Fiz as contas. A ‘adolescência’ de hoje dura cerca de 15 anos!!!!!





Pé-de-Cereja

domingo, 19 de junho de 2011

«Não tenho nada p'ra fazer!»

Hoje comecei o dia deixando este boneco no meu facebook, com o título «o que acontece a muita gente; um conselho, leiam mais».
Uns segundos depois vi que era um tanto antipática, e estupidamente paternalista, e lá expliquei em comentário, que era dedicado às pessoas que estando em férias se aborrecem por não ter que fazer se não têm amigos ao pé.
Agora senti necessidade de explicar melhor este desabafo.
Eu sinto que saber ler é um (será sexto? sétimo?) sentido a mais que nós temos. Ver e ouvir são mais importantes, mas dos outros 3, trocava um deles se fosse necessário, pela capacidade de ler.
Lembro-me como se fosse hoje do deslumbramento de ter começado a ler o meu primeiro livro sozinha. Senti-me como se tivesse entrado num mundo encantado, um mundo mágico. E até hoje esse sentimento nunca se desvaneceu completamente.
Quando era gaiata, adolescente, ia naturalmente de férias com os meus pais. Sozinhos, nós os três, que sou filha única. Fazia parte da minha bagagem, um monte de livros (os livros 'para férias') que empilhava junto da minha cama-de-férias e ia devorando ao longo dos dias. Sentia-me maravilhosamente.
Muito bem, reconheço que talvez eu fosse um pouco 'bicho-do-mato' e não me teria feito mal conviver com mais gente nesse período de férias. Contudo no resto do tempo até tinha grandes e bons amigos - pelo menos uma delas, muitas dezenas de anos depois, ainda é uma das minhas maiores amigas...
Não estou aqui a citar-me como modelo de coisa nenhuma, mas apenas para reflectir como é estranho falar com um jovem (ou dois, ou três, ou quatro!) e ouvir «que seca! agora nas férias nem tenho nada para fazer, os meus amigos vão todos para fóra e eu nem sei como ocupar o tempo»
Que estranho.
Sabem todos ler e escrever, vejo que passam parte do dia a mandarem mensagens no telemóvel ou agarrados ao "messenger" na net. Então porque raio não pegam num livro?! Aceito, de boamente, que não gostem de um tipo ou outro de literatura. Mas entre tantos e tantos tipos de leitura de algum deviam gostar, a não ser ( e a hipótese é muito plausível) que nunca tenham adquirido esse prazer da leitura de que comecei por falar.
Mas que pena.
Nem sabem o que perdem.
E ainda por cima um livro não precisa de se ligar à corrente, nem de carregar a bateria, só se gasta dinheiro no momento da compra, é leve, pode levar-se no bolso, não se parte, e faz tanta companhia!

Pé-de-Cereja

quinta-feira, 2 de junho de 2011

As crianças e o seu Dia



Ontem foi o Dia da Criança.
Para quem vive hoje existe a noção de que é um «Dia» que sempre existiu mas não é assim. Quando eu era criança não me lembro disto e realmente como Dia Mundial só nasceu em 1954.
O que não quer dizer que não seja importante durante o ano parar-se para reflectir um pouco sobre o que é uma criança, quais são os seus direitos e deveres, e o que deve um adulto fazer por ela.
Pela Declaração dos Direitos da Criança, é criança todo o ser humano até atingir a maioridade, pelo que engloba aquela idade a que chamamos ‘adolescência’. Chamo a atenção para isto devido aos diversos casos chocantes que têm aparecido nos nossos media referindo adolescentes . 
Tal como este caso, ou este outro, ou ainda, hoje mesmo, este.
Situações que nos parecem estranhas, a nós adultos e cujos protagonistas se não são adultos, não se enquadram na nossa ideia de crianças.
Mas a sociedade deveria ter um critério. Assim como me deu a volta ao estômago o horror que foi o que fizeram na Síria a uma criança de 13 anos, torturada de um modo completamente revoltante – toda a tortura é revoltante, mas esta atinge o máximo do horror! .
São ainda crianças, ou seja não são adultos.
Mas, aceito e acredito que grande parte dos meninos com quem me cruzei ontem, estivessem a festejar o seu dia com passeios, festas, alegria. Uma grande maioria recebeu presentes, e até os exigiu: «Então, é Dia da Criança e não recebo nada?!» como um direito. E em muitos casos esse ‘direito’ era reivindicado de um modo pouco simpático, atendendo apenas ao que lhes apetecia e gostariam e para além daquilo que os pais podiam dar... (a neta da minha empregada exigiu e obteve um brinquedo que custou 6 horas de trabalho da avó)
Por isso, pela dificuldade que verifico existir em dar um feed-back correcto às nossas crianças, achei de aplaudir estas sugestões sobre o que fazer no Dia da Criança:
1 – Converse sobre a verdadeira importância do Dia da Criança
Fale com o seu filho sobre o verdadeiro significado deste dia. Explique-lhe como surgiu, porque é comemorado e aproveite para chamar a atenção de como nem todas as crianças têm a mesma hipótese de festejar o dia alegremente e com a família.
2 – Aproveite a festa para educar o seu filho
Sem dramatismo, faça entender ao seu filho que a realidade é bem diferente do que talvez imagine. Nos dias festivos, fale com ele sobre a realidade da vida. Naturalmente, sem preconceitos nem pressões. A boa disposição da criança nestes dias é muito maior, o que pode fazer com que aceite melhor as conversas que, de outra maneira, não quereria ter.
3 – Não permita que o seu filho cresça fora da realidade
Diga-lhe que o mundo não é totalmente agradável, nem o mar-de-rosas que poderia supor. Mas não o assuste. Aproveite para dizer que a vida é auspiciosa mas chame a atenção para a realidade, especialmente nesta crise económica.

Que tal?


Pé-de-Cereja

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Historiazinha

Há um blog que há muito tempo eu visito e admiro. Começou há anos. Desde 2008, fui agora confirmar, e eu tenho sido uma leitora fiel. Chama-se Histórias de Embrulhar Castanhas e logo na sua fundação explicou bem qual a sua filosofia:
«Aqui se hão-de contar histórias, para quem quiser lê-las. Histórias da vida, do trabalho, da ida ao super-mercado, das pessoas com quem me cruzo e nem conheço mas adivinho... Não serão mentiras nem verdades, serão o filtro dos meus olhos. A rotina pode ser uma coisa fabulosa.
Depois de contadas, são para deitar fora.»
E eu pensava um pouco que "quando fosse crescida queria ser como aquela menina"com aquele jeito de contar histórias simples...
Aqui há cerca de um ano ou ela desapareceu da circulação, ou fui eu que andei também um tanto desanimada e ‘fechei’ aqui o Cerejas assim como as minhas visitas à net, portanto imaginei que já não havia Histórias para ninguém. Enganei-me felizmente, e no outro dia num zapping de blog em blog, reencontrei a nossa Castanha!!! Excelente surpresa.
Ora este relambório todo, é para dizer que hoje também me apeteceu contar uma historiazinha, daquelas-passadas-no-supermercado.


Estava eu na bicha do supermercado empurrando um cesto de rodas com meio dúzia de coisas quando reparo que junto da outra caixa uma senhora chamava por uma criança. Um menino que aos meus olhos parecia ter pouco mais de um ano. Muito pequenino mesmo. Aliás toda a postura, o modo como estava vestido, não teria mais de um ano e meio. E a mãe estava impaciente porque ele não queria estar ao pé dela, queria brincar com uma bola.

E agora vem a parte assombrosa. Aquela amostra de gente, que se podia imaginar que ainda andaria mal, estava a dar pontapés na bola. Pontapés com imensa pontaria. Mas imensa, mesmo. Por diversas vezes confirmei que ele conseguiu acertar na bola com ela ainda no ar (coisa que confesso eu nunca seria capaz de fazer!!!)
Vim-me embora com a firma convicção de ter assistido aos primeiros pontapés do futuro Pelé, Eusébio, Maradona, Cristiano Ronaldo.
Enfim daqui a uma dúzia de anos vou ver se acertei.

Pé-de-Cereja

terça-feira, 24 de maio de 2011

Malhar em ferro frio

Comecei por dar a este post o título «Bater no ceguinho», expressão particularmente sádica da nossa linguagem corrente, mas achei que não era exactamente isso que queria dizer. Depois ainda escrevi «Voltando à vaca fria....» o que era mais aproximado, mas preferi falar em 'ferro' e a expressão que se usa é 'malhar '. O ferro é muuuito duro e difícil de alterar, sobretudo quando não está quente. :)
Porque, mais uma vez, e pensando no que escrevi aqui num post que ficou já um pouco lá para trás sobre o modo de brincar em meados do século passado [custa-me dizê-lo, mas afinal é o que é: meados-do-século-passado] queria partilhar convosco o meu modo de pensar sobre como podemos viver o difícil momento que estamos a viver.
Aí há uns 30 anos, estava Soares no governo e a moeda era o escudo, o FMI também cá veio 'ajudar'. Numa campanha para nos sensibilizar, usou-se a expressão «temos de viver com o que temos» ou algo de parecido. Ora essa é uma "receita" que era muito usada pelo cidadão comum no pós guerra, mas que desapareceu completamente. Voltar atrás é difícil impossível, e não terá vantagens. Contudo, havia dantes algumas regras de não esbanjamento, digamos assim, que fazem todo o sentido.
'Viver-com-o-que-temos' é ter a noção realista do que é indispensável e o que não o é. É verdade que em dois mil e tal sentimos como indispensável, e é de facto indispensável, confortos que não eram sonhados pelos nossos avós. Para além de um tecto para nos abrigar, uma cama para descansar e comida saudável na mesa, é importante abrir uma torneira e sair água, carregar num interruptor e acender-se a luz, mandar um recado urgente pelo telefone. Mas aprendia-se, quando eu era criança, a fechar a luz quando saíamos de um quarto, não usar mais água do que a necessária, comer a comida que estava no prato. Isto em classe média ou até alta.
Hoje, vejo muitas vezes, caídos na rua bolos com uma ou duas dentadas, deita-se fóra roupa por estar rota, as crianças recebem logo quase logo* os brinquedos que vêem e desejam. Como se vivêssemos numa sociedade de grande abundância (é certo que estimulados por uma implacável publicidade) e sofrendo quando não a conseguimos acompanhar.
A verdade é que andamos a «viver com o que não temos» e a factura irá ser muito pesada se não se mudar urgentemente de mentalidade.

* quando os pais não o podem fazer sentem-se cheios de culpa...


 
Imagem daqui


Pé-de-Cereja

sábado, 11 de dezembro de 2010

Estudos

Foi muito falado na semana passada, a «subida de posição» (não sei se se lhe pode chamar assim….) dos nossos jovens estudantes num ranking geral de muitos países. Esses números que, como frisou o primeiro-ministro foram recolhidos por organismos internacionais e, portanto, isentos de favoritismo, afirmavam que os estudantes portugueses tinham melhorado nos seus conhecimentos desde a última vez em que foram avaliados.
Foi motivo de satisfação. Digo eu, que também fiquei satisfeita, é claro. Se houve melhoria, ainda bem e pelo que ouvi tentou-se analisar quais os factores que ajudaram a melhorar e isso também é útil para continuar a usar esses factores e evitar aquilo que impedia o progresso. Se se conseguir aprender com os erros, é uma vitória.
Mas esta questão dos programas, do ensino, das técnicas de ensino, toca na minha tecla nostálgica.
Tanto quanto me lembro e lembro-me desde a minha mais antiga infância que, periodicamente, se fazem remodelações nos programas. É assunto que tenho bem presente porque os meus pais eram professores e ouvia fortes discussões entre eles e os seus amigos, nessas ocasiões, mesmo quando eu ainda não entendia de que se tratava. E é muito engraçado, porque há quase sempre dois grupos, um ‘tradicionalista’ que afirma logo que dantes-era-melhor, e outro ‘progressista’ que também sem grandes análises considera logo que, se mudou é para melhor!
Ainda me lembro (imagine-se!) da crítica de se ter tirado o latim do currículo do liceu, porque sem se saber latim, nunca se ia saber bem o português! Eu já escapei a isso ... 
Mas quando me iniciei nestas coisas da escola e liceu, havia umas disciplinas mais «nobres» e outras cuja nota obtida era quase secundário. Português, matemática, ciências, eram 'a sério'; depois havia ginástica, desenho, canto coral a que se ligava bem menos importância.
Nada a ver com os critérios do ensino actual!
Mas uma coisa se foi aprendendo ao longo dos tempos, e isso foi a importância da motivação. Podemos estar em desacordo em quase tudo, mas há posições que são, podemos pensar, unânimes - um bom professor é o trunfo certo para se gostar da matéria (quem não recorda um ou outro professor que foi fundamental para o nosso gosto por determinadas disciplinas?...) e a motivação ou interesse, é a pedra filosofal para criar um bom estudante.
Claro, depois vêm os programas, é certo.
Mas a motivaçãozinha, essa é essencial.



Pé-de-cereja