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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Gordura já não é formosura

Falemos de Saúde, que bem precisamos de ter ideias claras e boa informação. Nem sempre acontece, muitas vezes há demasiadas opiniões e pouco fundamentadas, e a confusão é enorme. É a «doença» social do nosso tempo: todos sabem de tudo, e debitam as suas certezas por todo o lado. Conclusão - espalha-se a barafunda. E nas redes sociais generaliza-se a partir de um ou dois casos, e dizem-se terríveis mentiras, ou enfim incorrecções. 😌
Ontem foi dia da Saúde Mental. Doença que não se vê, não se palpa, não pesa, não se cheira, é como se não existisse. E muitas vezes os próprios doentes não procuram tratamento porque consideram que não são doentes, ou têm vergonha de procurar ajuda, «não sou doido» dizem e têm razão, mas a loucura é, felizmente, uma pequena parte da doença mental.

Hoje, ainda Saúde, o dia é da Obesidade.
É uma doença da actualidade. Há cem anos considerava-se que doente-era-magro. A tuberculose, doença mortal, via-se entre magros. Os ricos eram gordos, os pobres magros. A beleza feminina era ter belas curvas, ser cheiínha, ridicularizava-se o «pau de virar tripas». E a gordura tinha eufemismos que ainda perduram, quando não queremos ofender um gordo diz-se que é «forte».
Depois a moda começou a usar manequins magros, cada vez mais magros, e nas passerelles viam-se esqueletos ambulantes, um horror! Deu-se uma volta de 180º, quanto mais magro melhor.
E o pior é que com um sedentarismo crescente e uma alimentação pré-fabricada o peso desatou a aumentar. E parece contagioso, ou genético, ou seja lá o que for: vemos imensas crianças gordas, e mulheres e homens ou cheiínhos ou mesmo obesos. E sofrem com isso, exactamente porque já existe o estigma da obesidade uma rejeição social daquilo que ela mesmo ajudou a criar. Muito complicado, afinal se com a doença mental há muito quem pense (entre quem nunca passou nem por uma crise de ansiedade...) que são manias que basta força de vontade para ultrapassar o problema, quanto à obesidade ainda é pior. Neste artigo, Obesidade e preconceito, é bem claro que afinal a sociedade considera que a culpa do gordo ser gordo é apenas sua! É gordo porque não se esforça, afinal bastava não comer tanto... E, de facto os obesos são descriminados e não é pouco. «Actualmente a taxa de discriminação pelo excesso de peso é comparável às taxas de discriminação pela raça e pela idade, especialmente entre mulheres» 
E para complicar ainda mais como disse mais acima, são uma praga as mil e uma dietas milagrosas que nos chegam de todo o lado. Parece tudo louco. É rara a semana onde não aparece mais uma, como se a obesidade mórbida desaparecesse com dieta 😯
Afinal como em qualquer, ou pelo menos na grande maioria das doenças, o que se deve trabalhar é a prevenção. Comer correctamente desde criança e insistir em que brinquem ao ar livre, e andem a pé. Tão básico como isso. Ñada de complicado, os gostos educam-se, ensine-se a gostar de legumes e fruta, saltar à corda ou jogar à bola e deixar a playstation no armário...
Comece-se a prevenir a obesidade antes de ser grave.


Cereja

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Crianças

Encontrei este vídeo (como se encontra quase tudo!) numa rede social.
Não sei uma palavra de alemão, enfim saberei meia dúzia como toda a gente, mas há 'tradutores' que ajudam e portanto o diálogo segue por baixo



- Mamã, posso comer esta maçã? 
- Não, é uma cebola. 
- É uma maçã! 
- É uma cebola! 
- É uma maçã!!! 
- Se insistes, come-a. 
(prefiro ser morto do que admitir o meu erro)

Ora bem, como vi isto numa rede social guardei esta nota aqui para o blog, muito mais privado, porque não ia expor uma fraqueza aos duzentos e tal «amigos» do meu facebook.
É que esta história fez-me lembrar uma outra, vivida por mim com um pouco mais do que esta idade, mas não muito mais.
Tinha acompanhado o meu pai ao café.
Devia ser Verão, recordo que estava quente e até me lembro de que levava um vestido de organdi com pintinhas vermelhas. O meu pai sentou-se e pediu uma cerveja. Quando o empregado a trouxe fiquei encantada com o copo com uma bebida linda, doirada, com bolinhas a borbulhar. Aquilo tinha de ser muito bom!!!
Quis logo uma igual para mim!
- Ná! - informou o meu pai - isto não é para meninas, isto é cerveja.
- Mas eu gosto muito!
- Não gostas nada.
- Gosto sim senhor!
- Não gostas e faz mal...
- Não pode fazer mal, é muito bonito e muito bom.
- Mas sabe mal, é amargo.
- Não é nada!
..........................
Resumindo, tal como a criancinha alemã, cá a je, ganhou a luta e lá veio um copo de cerveja para mim. Apanhei uma troca de olhares entre o meu pai e o empregado que me deixou um pouco desconfiada. E assim que dei o primeiro golo, vi que estavam já a começar a rir...
Pois bem, tal como o menino ali de cima, não dei parte de fraca e embora fosse uma grande desilusão, não tirei o copo da boca e bebi até ao fim mesmo sem deixar que me interrompessem ...
Do resto não me lembro. Reza a crónica familiar que fui para casa ao colo, porque fiquei quase logo a dormir. 
É que uma pessoa sentir-se gozada, mesmo que só tenha um palmo e meio, não se aceita e pronto! Temos o nosso orgulho.

Cereja



domingo, 21 de janeiro de 2018

recordações

Deixei ontem no FB uma nota motivada por uma referência à Pastelaria Bernard mas o formato facebook é muito mais restritivo do que o blog de modo que venho espraiar-me por aqui, mais a minha casa...😉
A evolução do comportamento infantil da minha infância até a actualidade é impressionante. Claro que uma criança é uma criança, o que mudou radicalmente foi a sociedade. (ainda vou falar no «supernanny» mas não hoje)
Na década de 40 para uma criança como eu, era uma festa ir lanchar à Baixa. Não acontecia muitas vezes, os meus pais trabalhavam durante a semana e não nadavam em dinheiro, e as avós também não eram muito de sair... Mas havia um casal amigo dos meus pais, que vivia perto de nós, a casa de quem eu ia brincar, com a filha. 
A boa educação, algo rígida, reinava naquela casa que eu achava muito chic, com cortinas de veludo e cetim, móveis super-envernizados e bastantes dourados, duas criadas de farda e crista. A minha amiga era tipo menina exemplar. Todos usávamos bibe em casa nessa época, mas os meus eram aos quadradinhos, ou xadrez, para disfarçar as nódoas que eu lhe punha, enquanto o bibe da Milu era de piquet branco, com folhos e não se sujava!! Ela sabia as etiquetas sociais todas, e eu não. Numa das primeiras saídas que fizemos as 3 - a Milu, eu e a mãe dela, fui chamada à atenção porque balançava os braços a andar. Fica mal. Uma menina não anda assim, mantêm os braços junto ao corpo. Ui... Na vez seguinte a mãe dela ofereceu-me uma carteira pequenina mas como a das senhoras, para eu levar na mão e andar direitinha como-deve-ser.
Ora, neste ambiente, uma tarde fomos lanchar à Baixa! Estava radiante! A Pastelaria ou talvez Salão de Chá, era no Rossio creio, mas não era a Suiça. Depois de entrar descíamos uma escada muito elegante, o salão era em baixo e todo forrado a espelhos cor-de-rosa! Aaaaah! Lindo de morrer! Sentámo-nos a uma mesa, com toalha branca, e cheia de utensílios de prata (?) achava eu, chávenas de porcelana, tudo lindo. Fez-se o pedido, chá para a senhora e chocolate quente para as crianças, e um prato com bolos.
Era assim nessa altura, pedia-se bolos e vinha um prato com doçaria variada. O inconveniente é que como eram todos diferentes quem escolhia primeiro ficava em vantagem, mas é claro que se podia pedir ao empregado que trouxesse outro bolo... Já não sei se escolhi ou me calhou uma «tíbia», um bolo tipo eclair mas com uma ou duas bolas (cheias de creme, é claro) no extremo. Um belo aspecto, muito apetitoso. Lá comecei a manobrar o garfinho para cortar o bolo e a esforçar-me por fazer boa figura. Nota importante, eu teria nessa altura aí uns 6 anos. Eis senão quando, a bola da tíbia que eu queria separar salta-me do pratinho e vai aterrar na chávena de chá da senhora da mesa do lado!!!
Horror! Ia morrendo de vergonha. Estou a reviver a cena e ainda sinto um arrepio. Foi uma queda do céu para o inferno. De felicíssima fiquei apavorada. A coisa lá se compôs com ajuda do empregado que foi mudar a toalha, e apesar de tudo o meu anjo da guarda fez que o vestido da dama não ficasse salpicado. Mas o vexame, e o olhar de censura que recebi ainda hoje o sinto.
Outros tempos.
Muito diferentes. Mesmo muito.

Cereja

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Outra vez a educação

Volto sempre à vaca fria. A educação. Por educação não estou a pensar na escola, e sim no que se aprende desde bebé na intimidade da família, mais importante na minha opinião. Podemos sempre completar a escolaridade, há gente bem idosa que aprende a ler e escrever, mas o comportamento é moldado na infância.
Li há poucos dias um post da minha amiga Isabel Faria, no facebook. Relatava, no seu estilo pessoalíssimo, uma conversa que ouvira num café. O post,  não teve assim lá muitos comentários ou 'gostos', teve alguns é claro, mas merecia mais. Dizia ela: Quando ouço algumas conversas entre filhos adolescentes e pais de filhos adolescentes, ou pouco mais que isso, dou-me conta que sou mesmo muito careta. E que tive mesmo muita sorte. Acabei de fugir do café sem saber se me apetecia mais dar um grito na pirralha que dizia à mãe aos gritos "sei lá se vou jantar ou dormir a casa pá,, como e durmo onde quero..." Ou um tabefe à mãe que lhe pede em voz baixa e vacilante "Mas se puderes avisar...para eu poder dormir descansada...E tem cuidado com o multibanco...não percas esse também... ". São todos assim, ainda ouvi a mãe dizer à amiga...enquanto esta acenava com a cabeça que sim. Podia desmentir a senhora...mas, na volta, comigo ela ainda levantava a voz...
Eu não ouvi esta menina, mas tenho ouvido outras ou o relato de pais desconcertados sem saber como responder a atitudes destas. A verdade é que isto é uma semente que é plantada cedo. Recordo um menino num infantário, quase bebé, aí com uns 2 anos, que chamou a mãe que estava afastada a falar com alguém. Ela acorreu, apressada, e baixou-se para ouvir o que ele queria. Ele balança a mão e dá-lhe um estaladão que deixou uma marca na cara... A mãe, faz um sorriso amarelo, e diz-lhe «se era para isto escusavas de me ter chamado». Ouvi eu! 
Na história da teenager está tudo. Para começar o tom com que fala com a mãe. É um tom com que não deve falar com ninguém e/mas sobretudo com alguém mais velho. Quando eu era criança, entre raparigas usava-se o termo «coisinha». Chamávamos umas às outras, não sei como nasceu a mania. «Oh coisinha, vens ali comigo?» «Oh coisinha, fizeste o tpc de matemática?» Mas era ternurento, um modo carinhoso de falar. Certo dia, distraída, disse a uma avó «Oh coisinha, o que é o lanche?» e recebi um olhar que me pôs no lugar! «Coisinha?!!! Achas que tenho a tua idade?!». Fiquei logo em sentido. Numa família e deve haver hierarquias, por mais afecto que exista. 
E tem de haver autoridade. 
A inexistência de autoridade gera um caos. Não há limites para nada, como se tudo fosse permitido 'porque-sim' e ainda por cima estes jovens desatinados não se sentindo obrigados a nada, não tendo de prestar contas de coisa nenhuma a ninguém, decidem que têm todos os direitos. A menina desta história ouvida no café, declarava mal-criadamente que não tinha de dizer à mãe para onde ia, nem o que fazia, mas tinha acesso à conta da família com o cartão multibanco... Imagina-se que adulta vai ser? 
Comecei por falar no tom usado e na linguagem, porque me parece importante. Há regras que parecem em vias de extinção que não são de etiqueta são de simples cortesia. Cumprimentar com Bom Dia, dizer 'por favor', 'obrigado', 'com licença', mostra que nos importamos com os outros.
Simples.
Não se vive sozinho, vivemos em sociedade. 



Cereja

domingo, 23 de abril de 2017

Dias de hoje

Encontrei este vídeo mais ou menos por acaso.
Há muitos anos, quando estive envolvida num projecto ligado  à «Convenção sobre os Direitos da Criança» participei num 'Encontro' onde diversas ONGs apresentaram trabalhos interessantes e trouxe uma cassete de vídeo com várias canções muito criativas (um dia tenho de passar para dvd para poder voltar a ve-lo...) Uma das canções mais engraçadas era de uma criança que desejava tornar-se visível. Sabia bem que era invisível porque os pais não a viam, andavam nas suas ocupações como se ela não existisse e o filmezinho mostrava-a a chamar a atenção de várias formas, a saltar, agitar bandeiras, fazer o pino, mas sem conseguir coitada, era... transparente! Quando finalmente se conseguia materializar, era uma alegria e a história acabava muito bem.
Ora a menina deste vídeo é muito mais moderna, já é da época do smartphones. E tal como a outra criança queria que a vissem.
Só diz verdades!



A relação de qualquer um de nós com um telemóvel (mais ainda se for tipo smartphone...) é muito particular e algo de inimaginável antes de eles terem aparecido.  Atenção que estou a pensar numa pessoa «normal» nem falo num teledependente que é outra situação. 
De um modo geral, quando toca o telemóvel interrompemos de imediato que estamos a fazer para o atender, não me lembro de nada que suscite uma atenção tão imediata!
Se saímos de casa esquecendo-nos de o trazer ficamos preocupados, falta-nos algo, imagina-se situações de urgência complicadas.
Se ele avaria ou o perdemos é um desastre, que implica uma rápida substituição.
E, frequentemente, comparamos o nosso com o dos amigos de modo a valorizar o nosso - ou é melhor, mais perfeito e completo, ou foi mais barato o que pode ser um valor 😊
... resumindo é mesmo verdade que se tem uma relação afectiva com uma maquineta!
..........
Coisa que a menina do vídeo captou muito bem.
Um alerta excelente.

Cereja

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Ainda e sempre a educação

Dos temas que mais me apaixonam, como quem passa por aqui já sabe e basta ler os últimos posts para o verificar, o mais importante é sem dúvida a educação. Gosto de crianças, e considero que educar é talvez a tarefa mais importante do mundo. E é também um tema sobre o qual quase toda a gente tem opinião e sujeito a muitas "modas", mais do que isto talvez só, actualmente, a alimentação tema que parece ser quase uma obsessão. :)
Quem anda neste mundo há várias dezenas de anos tem a irresistível tendência de comparar a vida familiar actual com aquela vivida por si na infância e adolescência, e as diferenças são muitas vezes impressionantes. Muito frequentemente parece existir uma viragem de 180 graus, comportamentos que eram socialmente naturais há 50 anos são hoje vigorosamente criticados enquanto o que seria inaceitável no tempo dos nossos avós ou até dos nossos pais, é a norma.
Há alguns dias li num jornal uns comentários a uma atitude bastante estranha de algumas unidades hoteleiras. Parece que alguns (creio que muito poucos...) hotéis, publicitando o seu sossego e calma, informam que não aceitam famílias com crianças  Oh céus!!! «Adults only» Em Portugal também, por aquilo que li.
Claro que choca. Mas o que é isso??!
Contudo quem já comeu em restaurantes com crianças a correrem entre as mesas aos gritos, tentou ser atendido numa loja enquanto um menino fazia uma birra atirando tudo ao ar, ou entrou num elevador onde outra criança tinha carregado em todos os botões obrigando a um grande compasso de espera em cada andar, pode aceitar que esses comportamentos incomodam e perturbam o bem estar de quem não tem nada a ver com o assunto. Mas a culpa/responsabilidade não é da criança e sim do adulto responsável. Porque, de um modo geral, quem acompanha essas fontes de perturbação não exerce qualquer acção disciplinadora, nem impede a actividade socialmente desadequada.
(O exemplo que citei da birra numa loja, assisti a essa cena não há muito tempo; os compradores deixaram de falar com os empregados porque os guinchos abafavam as suas vozes mas a mãe não parecia nada sensível ao incómodo causado, não saiu dali com o filho, e continuou durante largos minutos a acabar de fazer fosse lá o que fosse...)
Ora bem, a diferença com um passado não tão remoto como isso é enorme. Reprimir-se, como dantes, a espontaneidade de uma criança em público? Hmmmm... Não parece ser o caminho. E a verdade conforme li numa socióloga hoje «ao contrário do passado as crianças são estimuladas a serem activas». E parece certo. Mas sem limites...? Podia-se concluir que hoje «os pais não educam pior, a socialização é que é menos virada para a obediência e mais para o diálogo»
Faz sentido.
Gosto do diálogo.
Mas nestes exemplos dos pequenos perturbadores da ordem, não vejo diálogo nenhum. Vejo uma espécie de quero-posso-e-mando das crianças, sem limites e sem respeito pelos outros.
As crianças não podem nem devem ser equiparadas a animais e excluídas dos hotéis, mas devem comportar-se então como os habituais frequentadores dos hotéis. Simples.


Cereja

domingo, 12 de junho de 2016

Pais com crianças


Gosto de crianças. De todas as idades. E quando são adolescentes, e por isso 'menos criança', gosto também mas um modo diferente. Sinto-me à vontade com uma criança, e pelo retorno que costumo sentir creio que elas também se sentem bem comigo.

Talvez por isso mesmo fico atónita com as queixas que vou lendo por aí nas redes sociais sobre hotéis que não aceitam famílias com crianças (parece que existem hoteis desses!) o que implica uma busca atenta quando se faz a marcação. Já li por aí uma comparação com o tal hotel que não queria lá gays e avisava logo, mas isto é muito diferente. Creio que parte de um pressuposto de que todas as crianças são indisciplinadas e o seu comportamento incomoda sempre os outros hóspedes, portanto: hotel free-of-children! 
Ora bem, é uma verdade sem contestação que os meninos de hoje têm um comportamento que em nada faz lembrar o dos meninos de há 50 e tal anos. A relação criança adulto é muito mais próxima, e as regras muito diferentes. E as regras mais flexíveis conduzem a uma disciplina também mais fraca e, do meu ponto de vista, onde mais se nota isso é nas regras sociais. Muitas crianças - e deve ser isso que explica está na origem da chocante atitude dos hoteis - parecem inconscientes de que haja mais vida para além do seu núcleo familiar. Ignoram olimpicamente o que as rodeia, como se tudo fosse transparente.
Claro que a responsabilidade é dos pais, contudo muitos deles já foram educados assim... E há justificações muitas vezes. Um exemplo entre muitos: as crianças do meu tempo e do meu meio tinham horas certas de ir para a cama, quase logo a seguir ao jantar. Não gostávamos, tínhamos a ideia de que depois de nós adormecermos é que os grandes se divertiam, mas... obedecia-se é claro. Os pais de hoje, com empregos distantes, querem estar com os filhos e o único tempo livre é esse a seguir ao jantar. Compreende-se que a hora de ir para a cama se afaste um pouco, mas será necessário andar com crianças muito pequeninas até às tantas da noite? Noitadas aos 2 anos? São hábitos que se enraízam, a vida diária fica às avessas, o sono vem a outras horas. Ficam rabugentas e com birras? Muito provável.
Outro hábito social que dantes se educava tem a ver com o tom de voz, e também não interromper quem está a falar. Por si mesma uma criança não sabe graduar a voz, é uma competência que se aprende. Quase sempre gritar é para se fazer ouvir melhor e muitas vezes acima dos outros, o que se faz (quem o faz...) numa discussão, por exemplo. Mas devia ensinar-se uma criança a falar no mesmo tom que as outras pessoas e não interromper. Se ela «precisa de atenção» isso resolve-se de outra forma. 
Pronto, há muito mais coisas mas estas duas situações podem estar na origem da «má fama» das famílias com meninos - as crianças quezilentas, ensonadas, rabugentas, que perturbam a paz geral à noite, ou - e até em simultâneo - as que se ouvem ao longe, gritando, chamando a atenção, bloqueando qualquer conversa.

Pode evitar-se. Se olharmos com atenção há muitas famílias onde os filhos são educados, não direi à antiga mas sim correctamente.





Cereja

terça-feira, 7 de junho de 2016

Brincar tem modas



Jogos.
Brincar, um acto tão simples e tão universal, todas as crianças brincam e  como bem sabemos até os animais também brincam. Quem não sorriu  ao ver um gatinho a correr atrás de uma bola? É expontâneo, nem é necessário ensinar-se. Mas tem também bastante influência social já se sabe! As brincadeiras variam conforme os países, os continentes, os diversos lugares, e variam também ao longo da História. Sabemos e verificamos isso ao vivo - quem é mais velho recorda-se de brincadeiras que desapareceram e é olhado com surpresa pelos netos que não concebem como o avô não percebe como se joga no computador ou telemóvel... (Uma experiência: escrevam no 'google imagens' a palavra jogos. Muito bem. O que aparece? Ah pois... )
Contudo posso testemunhar que há ainda muitas crianças que se divertem imenso com os familiares jogos de tabuleiro, esses que fizeram a delícia dos avós, os jogos de sempre, os nossos jogos «Majora» que voltam agora. Não é saudosismo piegas, eu sou mesmo de opinião que este tipo de jogos terá bastante sucesso até entre miudagem. Afinal permitem uma interacção que os jogos de computador afastaram um pouco, uma vez que nos outros é suposto haver uma distância... Oxalá a empresa tenha sucesso!






Cereja

domingo, 5 de junho de 2016

Sobre os meninos «queixinhas» e outras reflexões

Tem causado algum reboliço nas redes sociais uma história de facto estranha ou impressionante, como se preferir. Na América (where else?) um menino de 5 anos fez queixa do pai à polícia por ter passado um sinal de trânsito
Oooooh!
Para alguém que esteja agora a ler e milagrosamente não tenha visto ou lido a história, resume-se em poucas palavras. O 911, número de emergências, recebeu uma chamada onde uma voz de criança dizia «O pai passou um sinal vermelho. É uma carrinha preta. É um carro novo, é da minha mãe». Parece que o operador sensatamente pediu para falar com o pai que se riu e pediu desculpa. Poderia ficar por ali, mas a Polícia achando graça contou numa rede social, e uma estação de tv decidiu entrevistar o menino de 5 anos. Na 'entrevista' ele declara que «queria que o pai fosse multado porque os condutores têm de abrandar no sinal amarelo e parar no vermelho»

A história é esta. Provava-se que aos 5 anos a criança conhecia algumas regras importantes do trânsito (embora não todas, parece que naquele exacto caso não havia nenhuma infracção, era das poucas situações onde se podia passar com vermelho...) e não se ralou em denunciar uma pessoa que lhe devia ser querida. E nas nossas redes sociais apareceu um coro escandalizado comparando o Robbie aos jovens nazis que denunciaram a família.

Para mim é um enorme exagero. E, porque vejo muita coisa sob o foco educativo, acho que o erro dos pais não foi terem virado à direita num sinal vermelho e sim permitirem a chamada do seu rebento.
A famosa permissibilidade da educação actual. Concordo, e acho que é muito correcto que uma criança bem pequena saiba utilizar um número de emergência. Mas... Mas deve também saber que aquilo é um número de emergência, para usar numa grande aflição, obviamente não com um adulto responsável ao lado. Seria 'normal' que os pais ao verem a criança apoderar-se do telemóvel perguntassem «o que vais fazer? larga isso» e insistissem em perceber o que levava a tal acto. E, sabendo, naturalmente o impedissem. A liberdade de uma criança não é igual à de um adulto, há regras que deve cumprir. Houve ali uma falha grande dos valores familiares.
Por outro lado vem a tal delação que tanto incendiou as nossas redes sociais. É feio. Fazer queixinha, acusar alguém a um superior é antipático, e se os pais ou professores aceitam sem questionar nada podem estar a reforçar um comportamento errado. (mas por outro lado é importante analisar o que se passa de facto de modo a evitar situações de bulling um flagelo actual) 

Ou seja, bom senso. A César o que é de César. Primeiro, um menino de 5 anos deve sentir que «quem manda» são os pais. Segundo, uma criança deve avaliar quando se justifica uma queixa ou quando não passa de uma queixinha, sob o risco de passar a ser odiado pelos colegas. Nenhum pai gostaria disso.



Cereja



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O que é demais...

É irresistível para quem tem a minha idade a comparação dos seus tempos de meninice ou adolescência com a actualidade. Até porque, sejamos francos, a vida na actualidade é bem melhor e mais fácil do que era então. Comunicamos com toda a gente (quase...) a qualquer momento, deslocamo-nos com enorme velocidade em comparação com o que era há meio século, e temos aparelhos que nos facilitam a vida de um modo extraordinário, e na área do trabalho doméstico já nem sabemos viver sem eles!
Quanto à educação também as diferenças são impressionantes. Não falo apenas nos currículos académicos completamente diferentes, os estudos 'clássicos' desapareceram quase e a vertente científica tem muito mais peso, mas toda a atitude pedagógica é outra, tal como na família a postura que pais e filhos utilizam no respeito pela hierarquia (?!) familiar. Mas, embora muito interessante, não são estas diferenças que hoje me levam escrever e sim a diferença enorme em relação ao desporto.
Todos nos recordamos decisão de Afonso da Maia, quanto à educação do neto Carlos - à inglesa, ele devia para além dos estudos académicos fazer ginástica, actividade física... Revolucionário, hein?!  E bastante mais tarde, no tempo dos meus pais, a prática da actividade física não fazia parte do curriculo escolar. Eu já a tinha, mas sem nota, não se dava grande importância. 
Actualmente é bem mais importante, e muitos pais para além do que os filhos fazem na escola arranjam-lhes diversas práticas desportivas. É correcto. 
Mas já tinha reparado, em séries americanas sobretudo, que esse estímulo pela actividade física está a tornar-se uma mania. Cá para mim, o que é demais, é demais... Veja-se esta verdadeira obsessão pelos desportos !
Calma! Com 9 anos jogarem okey até às 10 da noite?! Com 13 anos praticar todas as noites e aos fins de semana?! Não se pratica desporto por ser divertido, ou fazer bem, tem de se ser muito bom, ser o melhor, ser uma estrela... Só os atletas são bem sucedidos, a competição é enorme, a família usa todos os tempos livres para ir ver os filhos a competir. Falhar um jogo é um desgosto profundo, uma catástrofe.
Mas afinal isto passa-se na América, onde o bom ensino é privado, e as famílias começam a juntar dinheiro para os estudos dos filhos ainda eles são bebés. Ser bom atleta é conquistar uma bolsa e garantir os estudos. 
Poizé, afinal melhor ou pior é uma questão de dinheiro.


Cereja

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Birras infantis

Este é um problema importante na educação infantil, lidar com a birra ou, falando de um modo mais técnico, «como ensinar uma criança a aprender a lidar com a frustração» o que vai dar ao mesmo.
Volta não volta toco aqui neste assunto que causa muitas arrelias aos pais e educadores e não é de fácil resolução. Afinal dar conselhos é a parte mais fácil disto tudo... Mas, muito recentemente assisti numa loja a uma cena dessas e logo de seguida li um texto que falava de como resolver uma bela birra.
A cena a que assisti ao vivo e a cores, passava-se numa loja de produtos de decoração num centro comercial. Uma senhora jovem, estava acompanhada por um rapazinho dos seus 7/8 anos e uma menina de cerca de 4 sentada na sua cadeirinha. Quando entrei a menina berrava a plenos pulmões, e tínha-os em belo estado e, pelo aspecto desesperado e constrangido de quem lá estava, a cena já estava a decorrer havia algum tempo. O que causava alguma surpresa é que a mãe continuava a conversa com a vendedora como se fosse absolutamente surda àquele som que nos furava os tímpanos. Decerto que tinha sido aconselhada (e bem) a não ligar à birra, mas sinceramente não estava a resultar porque a criança gritava cada vez mais e conseguia chamar a atenção por completo, não apenas da mãe e irmão mas de toda a gente da loja e corredor... Um espectáculo completo. Ali impunha-se não ceder, naturalmente, mas também afastar a criança do centro das atenções.
O texto que citei, louvando a mãe que dominou a outra birra, parece 'inventado' para ensinar como-se-deve-fazer, porque não é normal um menino de 4 anos ter os conhecimentos que se lhe exigiam. Quanto à menina, esteve decerto a gritar mais tempo, porque me parece que a opção de a pôr na cadeirinha foi para a tentar controlar. E parece-me bem que o menino da livraria entenda que aquele dinheiro não chega para o que quer e aceite o limite que a mãe lhe deu. Mas querer que ele entenda o valor relativo dos preços? Sozinho? Aos 4 anos? Hmmm...
Claro que são frustrações. Desejar uma coisa que não podemos ter é bem triste e em qualquer idade. Mas se isso não se treina em criança, irá ser um adulto insuportável e infeliz.
Ou também se lhe pode mostrar a figura que faz :) 

Esta cena aqui em baixo já a conheço há muitos anos mas continua muito engraçada.





Cereja

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Chover no molhado

Li há dias uma interessante entrevista que proponho que leiam de uma ponta à outra! Possivelmente, considero interessante por o autor repetir aquilo que penso e digo há imenso tempo: o excesso de cautela e protecção que grande parte (a maioria?) dos pais de hoje mostram na educação dos filhos tem o efeito oposto àquilo que se pretende, torna-os mais vulneráveis! Há um mês e tal voltei a falar no assunto aqui no Cerejas, a propósito de uma cena real a que tinha assistido. O entrevistado, que trabalha quase há meio século com crianças diz, com graça, que «aumentou de facto esta taxa de sedentarismo, eu diria mesmo de analfabetismo motor, estamos a falar de iliteracia motora» e continua dizendo que se quer controlar a energia das crianças mas «numa grande parte dos casos essa energia é natural, mas é considerada hoje como doença ou inapropriada. É inaceitável que 220 mil crianças estejam medicadas em Portugal.»  Apoiadíssimo!
Por outro lado vemos que os mesmos meninos «que com 3 anos ao fim de dez minutos de brincadeira livre dizem que estão cansadas, [...] de 5 e 6 anos que não sabem saltar ao pé-coxinho [...] com 7 anos que não sabem saltar à corda, ou [...] 8 anos que não sabem atar os sapatos» como ele refere, são também os que estão sempre ligados a um ecrã ! Mesmo nas férias, preferem a ligação virtual ao mundo real que os rodeia.
Isto alarma-me.
Eu sei que isto é o século vinte e um. Quando era pequenina falar-se na vida depois de 2.000 era ir para o mundo da ficção científica. Li muitos romances nessa área com transmissão de pensamento, viagens instantâneas, comida em pílulas, passeios a outros sistemas solares... Crianças de músculos atrofiados ligadas a máquinas de comunicação também devia haver. Mas é triste. 
E estamos a tempo de inverter a marcha.

Afinal é sobretudo ter consciência de que o que se pensa estar a fazer para bem dos nossos filhos, é muito pelo contrário, prejudicá-los gravemente.
Stop!




Cereja




terça-feira, 16 de junho de 2015

Chuchas

Não, não é uma metáfora, neste caso estou a pensar em chuchas a sério, chupetas de bebé. 
E, desta vez não tem a ver com o que se usava no meu tempo, é uma questão psicológico/educativa por um lado e um costume que vejo muito (demasiado) por outro.
A sucção é o primeiro acto de um bebé. 

Indispensável à vida. E que lhe traz prazer e conforto.

Mesmo as pessoas que não têm contacto com crianças pequeninas sabem isso, não é necessário ver um bebé de boca aberta à procura da sua fonte alimentar para saber que a sucção é básico para a vida. E também uma fonte de prazer por si mesma como se nota, até mesmo bebés recém-nascidos metem o polegar na boca e chucham deliciados.
Com base nisso inventou-se a chucha que, tal como hoje existe, de borracha, tem pouco mais de 100 anos. E que se dava a um bebé para o ajudar a espaçar as refeições, ou o relaxar para dormir. Tanto quanto sei e recordo, dantes a chupeta era para bebés ou crianças pequeninas quando iam para a cama. Normal, fazia parte do seu ritual de adormecimento.
Nos tempos modernos o seu uso explodiu!  São muito mais bonitas, alegres, com formas mais ajustadas à boca, e a criança não a larga até bem mais tarde, já não só para dormir como a usa durante todo o dia.
E é isso que me choca, sobretudo quando esse hábito até é incentivado pelos pais. Possivelmente sentem que é um sossego. A criança desde que tenha a chucha não chora, não incomoda. Não chora... nem fala! Vejo muitas vezes a chucha como uma agradável mordaça, com aquilo a tapar a boca a comunicação desaparece!
O complicado é que a criança gosta. Mesmo que não precise, porque está acordadíssima e muito vivaça, se lha dão ela aprecia.
E torna-se um hábito que impede a socialização.
Queira a criança ou não, muitas vezes são os pais que incentivam. Recordo já há uns anos, mas hoje deve ser igual, à saída de uma creche onde as crianças brincavam alegremente umas com as outras com o seu chilreio habitual, os pais chegarem, vestirem-lhes o casaco, enfiarem o gorro, e a chucha na boca como fazendo parte da toillete. Elas calavam-se logo, é claro! Sossego!
Lembro-me também de outra vez em que vi um rapaz, bem crescido, mas mesmo muito crescido, a chupar energicamente uma chucha o que me fez comentar «qualquer dia, tira a chucha com uma mão e acende o cigarro com a outra».
Desta vez foi esta menina nas Marchas. Àquela hora, uma criança deste tamanho só tem é que estar na cama, mais nada! Mas se o não está é porque está a dançar e cantar... Mas de chucha??! Leio aquilo como "S.O.S. quero ir para a caminha..."



Cereja

sábado, 13 de junho de 2015

Ainda e sempre a educação


Este é um tema de reflexão que nunca me deixa, porque infelizmente estou sempre a notar escolhas educativas erradas. Todos os dias. E não quero dizer de modo algum que "nos meus tempos" se educava bem. Claro que não, que se cometiam diversos erros, mas os de antigamente têm sido corrigidos e agora encontramos frequentemente o seu oposto.
É do mais elementar bom-senso que uma criança para crescer em sociedade, precisa de conhecer as regras sociais em uso na sua terra (mesmo que depois  não as cumpra e até se lhes oponha) e tem de experimentar situações de algum risco, até para aprender a evitá-las.


Actualmente estes dois pontos estão muito diluídos nas relações adulto/criança, sem nenhum benefício. Obviamente sem benefício para a criança porque não aprende a ser autónoma, e também sem benefícios para os seus educadores porque não lhes diminui o trabalho, mesmo que o pareça quando se é muito permissivo...
Estava eu esta quinta-feira esperando por uma pessoa, sentada num banco de jardim, quando vejo um casal de meia idade com uma menina que aparentava uns 6 anos. Todos eles simpáticos, os avós (imaginei) carinhosos e a menina sorridente e bem disposta. 
O primeiro ponto que chamou a minha atenção foi um saco que o avô trazia de onde saía a cabeleira loira de uma boneca. Hmmm... - pensei eu - porque não é a menina que traz os seus brinquedos?... mas era um pormenor. Contudo um pormenor significativo, uma criança daquela idade deveria saber planear as suas brincadeiras e responsabilizar-se por isso, ou seja levar o que precisava, cuidar deles, e trazê-los de volta. Aprender a ser responsável, nas coisas à sua medida.
O segundo ponto, é que ela trazia um papel na mão, meio amarrotado. De onde eu estava não se percebia o que era, mas era um papel de um tamanho razoável. Deixou-o cair e preparou-se para o apanhar de novo, quando a avó interveio: Deixa! Não vais apanhá-lo do chão!!! como se fosse um erro, e claro que a menina o deixou ficar. Nem sempre vemos um cesto de lixo perto, mas ali até os havia, para além de haver uma zona de ecoponto, onde se podia deixar o lixo já separado! Aquela criança foi ensinada a não ter o trabalho de ir deixar o lixo onde ele deve ficar e a poluir o passeio...!
Uns minutos depois, os avós afastaram-se um do outro, ela ensaiou uma corridinha para apanhar o avô, e a avó a gritar-lhe : Não corras! Podes cair!!!

Isto é um relato fiel do que vi. Tivesse eu o descaramento de ter filmado a cena toda com o meu telemóvel e podia mostrar. Três erros educativos em cinco minutos.

Primeiro erro, ao sair de casa alguém que não a criança, preocupa-se com os brinquedos que ela vai usar e carrega com eles, ela vai imaginar que na sua vida não precisa de planear coisa nenhuma porque tudo lhe aparecerá por magia quando o desejar. Segundo erro, aprende que coisas que caiam ao chão na rua não se devem apanhar, talvez por ficarem sujas, portanto ficam ali e não se pensa mais no assunto. Terceiro erro, não deve correr porque-pode-cair. (!!) Ensina-se-lhe o medo. Mas porque é que há-de cair?! Uma menina saudável daquela idade pode e deve dar uma valente corrida de vez em quando. Se tiver o azar de cair, desinfecta-se a esfoladela do joelho, e aprende a defender-se melhor. Só isso.
............
Foram 5 minutos completamente deseducativos.
Mas um modelo do que se vê constantemente. A criança da redoma e que não aprende a crescer. 




Cereja

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Educação



O tema da educação está sempre a retornar aqui ao meu blog.   
Gosto de crianças, gosto que elas cresçam com harmonia, gosto que se tornem adultos equilibrados vivendo bem na sociedade. E para isso têm de ser educadas, ou seja conhecerem bem as normas sociais e praticá-las com naturalidade. É que não custa nada!
Desta vez o que me chamou a atenção foi um daqueles «pensamentos» que aparecem por todo o lado nas redes sociais. Na grande maioria dos casos, sorrio ou encolho os ombros, e quando é particularmente bem apanhado "partilho-o" segundo a terminologia facebookiana, e não penso mais dois  segundos no caso.
Achei que este merecia uma nota mais completa, por fazer uma correcta distinção entre «instruir» e «educar».
É claro que a escola também pode educar, afinal toda a sociedade educa quem nela vive. Mas os maiores responsáveis pela educação de uma criança ou jovem, são os seus pais, a sua família. E, mais frequentemente do é de esperar, vemos pais que se demitem completa e totalmente dessa função, considerando que isso é com a escola. Sobretudo na creche. Recordo uma cena vista por mim há anos de uma mãe, furiosa, quase gritando com a educadora, com a queixa de que a sua filha «ainda não tinha aprendido a comer de faca e garfo! o que é que a educadora andava a fazer?!» E várias outras normas sociais, que alguns pais têm dificuldade em impor, lavam as mãos esperando que a escola a trate do assunto.

Para além do Bom Dia, Obrigado, Se-faz-favor, Até logo, Com licença, há regras de educação que muitas vezes não são interiorizadas na infância, e então quando se chega à adolescência parece que não há mais ninguém no mundo.

Afinal custa muito esperar que todos acabem para se levantar da mesa? Por-se em pé para cumprimentar alguém que chega? Segurar uma porta para outra pessoa passar? Não interromper quem fala? Para não falar já em dar um lugar sentado a alguém mais fraco que vai em pé, coisa que já nunca se vê.
Dá que pensar como é que este vídeo do Keanu Reeves a dar o lugar a uma senhora se tornou viral...

Tempos curiosos estes.





Cereja

domingo, 4 de janeiro de 2015

Cortesia Boa Educação Social


A água é talvez demasiado mole e a pedra excessivamente dura, mas não consigo desistir de insistir no mesmo. Há regras sociais da chamada 'boa educação' que parecem desvanecer-se mas isso incomoda-me. A mim e a muito mais gente por aquilo que observo.
Encontramos constantemente pessoas grosseiras, que falam desabridamente, ignoram os outros, não respeitam regras sociais comuns, incomodam, provocam conflitos ou pelo menos causam mau estar.
Não se pode fazer nada quase nada contra isso a não ser evitar o seu convívio.
Mas quando se vê que a semente de um futuro adulto já está contaminada por essas atitudes, é ainda tempo de fazer alguma coisa. Porque é quando se é criança que certos comportamentos se enraízam.
Vemos cada vez mais meninos que entram numa sala como pequenos furacões, sem cumprimentar quem lá está, quase que sem «verem» onde estão e por quem passam. Costumam gritar «dá-me aquilo!» como uma ordem. Ignoram os outros, sejam da sua idade sejam adultos. Não estão habituados a dizer «obrigado» nem entendem esse uso. Não participam na vida doméstica e ninguém lhes chama a atenção para tal. Desarrumam sem arrumar. Estragam e desperdiçam sem que tal lhes faça a menor mossa.
OK, muitos adultos também. Infelizmente.

Mas quanto às crianças (já quanto aos adolescentes a coisa é muito mais difícil!) por favor, ensinemos-lhes algumas regras básicas!!!
Encontrei nas redes sociais um texto, escrito em brasileiro, muito interessante. Corrigi apenas meia dúzia de palavras para «português» e deixo-o aqui porque me parece que enuncia o que de mais importante se pode ensinar.


Que tal imprimir e colar atrás da porta do quarto deles...?



Regras básicas de convivência

1 - Chegou? Cumprimente.

2 - Já vai? Despeça-se.

3 - Recebeu um favor? Agradeça.

4 - Prometeu? Cumpra.

5 - Ofendeu? Desculpe-se.

6 - Não entendeu? Pergunte.

7 - Tem? Compartilhe.

8 - Não tem? Não inveje.

9 - Sujou? Limpe.

10 - Não gosta? Respeite.

11 - Gosta? Demonstre.

12 - Não vai ajudar? Não atrapalhe.

13 - Partiu? Concerte.

14 - Pediu emprestado? Devolva.

15 - Falaram consigo? Responda.

16 - Acendeu? Apague.

17 - Abriu? Feche.

18 - Comprou? Pague.



(Nota - sabemos todos que o obrigado, faz-favor, bom-dia, com-licença, são apenas fórmulas, pode ser uma casca oca; o que achei interessante nestas perguntas aqui em cima, foi o enquadramento, uma espécie de 'explicação' para o facto de as dizermos; é importante que desde pequenino se perceba que vivemos em sociedade)

Cereja

sábado, 25 de outubro de 2014

Há para aí uns adultos que parecem crianças....


Acabei de ler uma história que me deixou de boca aberta.

A história é ESTA
Ou seja, dividindo isto às postas para ficar mais claro. a) há um menino de 5 anos que brinca ao pé dos pais com o iPad deles. Não tem mal nenhum. Apesar de [cof...cof...] se poder pensar que num mundo onde as multinacionais de brinquedos são o que se sabe, talvez ele devesse brincar com os seus próprios brinquedos que decerto era muitos. b) esse menino de 5 anos instalou um jogo novo demonstrando ter grandes competências, ou essa instalação ser facílima. c)  o novo jogo tem o título interessante de «Zombies vs. Ninjas» porque aos 5 anos já não se acredita em contos de fadas, os zombies são muito mais fixes 
OK. Até aqui se lhes pareceu que eu estava a resmungar, é ainda só o meu mau feitio.
Mas vem agora a parte interessante:
e) E os pais deram-lhe o número!!!
f) A criança esteve a brincar matando uns ninjas ou uns zombies (não sei se os zombies morrem...?) e no dia seguinte os pais tinham menos 2.000 euros na sua conta.
...........

Claro que houve aqui algum abuso porque não se explicou que havia compras-dentro-da-aplicação e parece que a história acabou bem porque o dinheiro foi devolvido. E explicam que o que pode parecer apenas um botão para uma criança pode corresponder ao débito de muitos euros na carteira dos pais.

Mas...!!!

Seja por que motivo for, deixar uma criança a brincar sozinha com um instrumento desses?? E ao pé dos pais quando decerto haveria imensas coisas a fazer com os pais e não com uma máquina! E a leviandade de inserir um código de acesso à conta sem confirmar o que estava a fazer!
Bem, imagino que o susto lhes tenha servido de lição, mas esta é mesmo uma história para fazer pensar, tantos os erros cometidos.
E que tal uns chutos numa bola, ou um cesto de basket  na parede, ou até uma corrida à volta do quarteirão? Afinal até os ninjas têm de treinar, não é?


Cereja


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Inocência perdida?


Quem tem acompanhado crianças ao longo da vida tem de notar como, inevitavelmente, elas são o espelho da sociedade em que são criadas. Aliás, qualquer um de nós recorda ainda como via o mundo quando tinha 5 anos, mais ou menos. como eram os adultos aos nossos olhos. Que modelos tínhamos e que resposta se dava à velha pergunta o-que-queres-ser-quando-fores-grande.  
Quando eu era criança as respostas eram bastante mais influenciadas pelo género do que hoje em dia, havia mais do que hoje o desejo de menina e o de menino, os rapazes podiam querer ser bombeiros, marinheiros ou aviadores que as fardas enchiam o olho, as raparigas sonhavam ser bailarinas, cantoras, professoras, enfermeiras. E um desejo para os rapazes perdurou até agora - jogador de futebol! Nessa altura era sobretudo o prestígio mas a pouco e pouco associou-se à ideia de que também se ganha muito dinheiro! Nada contra. Anos mais tarde apareceram os astronauta, cantores de bandas, etc, etc. Mas ontem li para aí uma resposta que me deixou completamente de boca aberta. Dizia uma criança em relação ao seu futuro que «quer ir para a faculdade, tirar um curso e chegar a agente das estrelas do futebol.»  Assim. Sic! (fiz copy/past do que estava escrito)

Já não é o sonho que tem sido transversal a algumas gerações de ser "estrela de futebol", não, o que este miúdo diz é que quer ser agente. Valha-me São... Ups! São quê? Que santo me/os pode proteger? Bem, a profissão é honesta, tem uma associação e tudo, mas...

A mim faz-me confusão os brutais lucros que estes senhores conseguem obter. Que um jogador de primeiro plano ganhe balúrdios, é impressionante mas enfim... É um artista, digamos assim, dá prazer a muita gente, faz o que só ele sabe fazer e ainda por cima exerce uma profissão de desgaste rápido que dura um quarto do tempo de qualquer outra. Agora o «agente» não serve para nada a não ser negociar contractos, só ganha principescamente? a vida porque os outros trabalham, um empresário de jogador é um intermediário que pode acumular dezenas de 'clientes' ganhando uma bruta percentagem. 

E esta criança tem como fito na vida ser... agente?! Ir para a faculdade, estudar muito, para ser agente?
De facto o mundo da minha infância não tem nada, mas mesmo nada a ver com o actual.


Cereja

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

P´ró menino e p´rá menina

Estereótipos?
As diferenças de género têm que se lhe diga.
Para além das verdadeiras diferenças, as biológicas, as que o ser humano compartilha com todos os animais, a verdade é que o grosso dessas diferenças são produtos culturais. E está muito bem uma vez que vivemos em sociedade, mas é bom que se tenha consciência disso. O modo como se vive como homem ou como mulher, depende do país em que se nasceu e do século onde isso se passa. On ne naît pas femme, on le devient, ensinou-nos há muitos anos Simone de Beauvoir, e o que se avançou desde então em países do primeiro mundo é fabuloso.
Mas é claro que muitas ideias feitas persistem. O que «fica bem» a um rapaz e o que «fica bem» a uma rapariga ainda é diferente para muita gente. Curiosamente, o que seria completamente inimaginável há uns 80 anos, é afinal no vestuário que as diferenças mais se esbatem, porque o uniforme jeans, t-shirt e ténis cobre completamente os dois géneros!
Mas há muitas outras ideias que se mantêm, como os «brinquedos de menina» e os «brinquedos de menino» como se constata ao passar pelos corredores de uma grande superfície que mantêm zonas distintas arrumando as bonecas numa zona e as pistolas na outra, e não só vemos prateleiras e prateleiras com brinquedos diversos separados por género. Ooooooh!
E um estereotipo ainda persistente - embora tenda a desaparecer - é o código das cores. Assim que nasce, a menina é cor-de-rosa e o menino é azul! Quando eu era criança lembro-me de ouvir contar que os príncipes e gente de alto nível social, preparavam 2 enxovais iguais antes do bebé nascer, um em azul e outro em rosa, e depois do parto ofereciam o que não estava 'certo'; e que quando a princesa Isabel esperava o futuro Príncipe de Gales mandou fazer o enxoval em branco para não desperdiçar dinheiro porque se estava no pós-guerra...
E essa mania das cores transmite-se muito às crianças. Tenho encontrado muitas meninas com a obsessão do cor-de-rosa! Adoram essa cor, querem tudo dessa cor. Não vejo correspondência com o azul para os rapazes, felizmente... E descobri recentemente que essa obsessão está espalhada por todo o mundo, a mania do rosa e o azul.
Faz cá uma falta!


Notem o tipo de brinquedos: bonecas e pratinhos na área cor-de-rosa e super-homens e volantes na área azul!
Cereja

terça-feira, 8 de julho de 2014

Adicionar, não substituir





Encontrei estas fotos aí na net.
OK, se as encontrei na net e assim mesmo emparelhadas, passando uma mensagem óbvia é também uma prova de que a net é uma coisa boa. Quer dizer...
Quero dizer o óbvio, que a net é apenas um instrumento, afinal.
Não me parece que deva ser adorada nem diabolizada, tudo vai depender do uso que se faz como qualquer outro instrumento inventado e usado pelo homem.
Mas quando disse que a mensagem era óbvia, é porque os diversos comentários que acompanhavam as imagens era todas no mesmo sentido - de censura para o menino ocidental que trocava a vida da natureza pela vida artificial. Isso é bem sublinhado por os gestos serem iguaizinhos, iguais a sua  leveza,  iguais a sua atenção.  Aliás recordei de imediato que ainda há poucos dias, já nem sei a que propósito, perguntei ao meu filho «já alguma vez tiveste na mão um pintainho?» e confirmei que não. Nunca tinha segurado num pássaro, mesmo num pintainho...
Ora as críticas que apareceram quando se via este contraste, fulminavam sem apelo a criança (ou quem educava a criança) que segurava no aparelho. Que vergonha, temos de voltar à pureza da natureza... 
Não é essa a minha opinião (juro que não acordei hoje do contra!)
O que é lamentável, para mim, é que as máquinas substituam os outros interesses. Farto-me de bramar contra a educação feita só pela tv e internet, e com os jovens que comunicam mais por sms do que directamente, olhos nos olhos. Muito errado.
Mas se os saberes se somarem parece-me excelente. Se a criança da esquerda também souber acariciar um passarinho, e o menino de açafrão souber usara net, os dois saem melhorados. O saber uma coisa não deve limitar o restante conhecimento, deve ser adicionado. E assim tudo melhora que o mundo não é a preto e branco.
Claro que o patamar seguinte tem a ver com valores. E isso é a fundamental pedra de toque, o respeito pela vida, a compreensão da natureza, a aceitação dos outros.
Mas esse já é outro assunto.

Cereja